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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Grotões Mentais

REINALDO AZEVEDO
14 de outubro de 2008
martanojo

Marta Suplicy trouxe para a política paulistana o partido do grotão, o primitivismo, a retórica truculenta, a promessa irresponsável e inexeqüível (ver abaixo), o preconceito, a vulgaridade, a estupidez, a baixaria, o atraso. A candidata antes dita “progressista”, capaz de, no gogó, quebrar as lanças do convencionalismo, passou a acenar com o discurso mais brucutu.


O PT não elegeu as mais de 700 prefeituras que pretendia. Ficou com bem menos: umas 500 e poucas. Se o PMDB é o rei dos grotões, o PT é o príncipe. É forçoso reconhecer que, nas áreas mais prósperas do país, seu desempenho deixou a desejar. O “partido da boquinha”, para os graúdos, é o partido do bolsismo-isso-e-aquilo dos mais pobres. Nos mais de 500 municípios de São Paulo, por exemplo, fez apenas 67 prefeituras. E disputa algumas outras no segundo turno, inclusive a da capital. Deu largada a esta nova etapa perdendo feio, de goleada, com números verdadeiramente humilhantes. Por mais que seus porta-vozes na imprensa digam que venceu a eleição, o fato é que o PT teve, em termos proporcionais, no país, menos votos do que há quatro anos. Já demonstrei isso aqui com números. Só um resultado pode lhe dar um gostinho de vitória: São Paulo. Sem a cidade, a derrota se consolida de modo inequívoco. Até seus puxa-sacos vão querer mudar de assunto. Pois bem. E como vencer a eleição numa cidade complexa como essa?

Marta e seu marqueteiro até tentaram um discurso moderninho. Certos de que o racha Alckmin-Kassab jogaria a eleição no colo do PT — ela andou falando isso por aí, em contato com jornalistas —, a petista optou por um discurso urbano, todo modernete: falava numa “nova atitude” para a cidade. Isso é conversa de costureiro, de modelista – como se diz isso hoje em dia? Estilista? Era a Marta podre de chique, com seus modelitos impecáveis. Para a cidade, acenou com a tal Internet grátis. Ciente de que o prefeito tinha uma boa avaliação — no começo da campanha, pouco mais de 40% de ótimo e bom; hoje, acima de 60% — , preferiu não atacar as suas obras. Disse apenas que faria melhor, com “mais atitude”. O lema: “A gente não se contenta com pouco”. Completou a estratégia apostando que Alckmin seria bem-sucedido na descontrução da imagem de Kassab.

Deu tudo errado. Marta chegou a ter 47% dos votos, perto de uma vitória no primeiro turno. Alckmin, nesse período, fazia a farra do jornalismo político com sua determinação de “prefeitar”. A petista foi derretendo ao longo da campanha. Quanto mais falava, menos votos tinha. E o contrário foi se dando com o prefeito-candidato do DEM. À medida que uma área da cidade ficava sabendo o que estava sendo feito também na outra, ele crescia. Até o resultado que se viu: ele chegou na frente no primeiro turno. E disparou na primeira pesquisa sobre as intenções de voto para o segundo.

E o que fez, então, o PT urbano, da mulher e libertária Marta Suplicy, uma das referências dos jornalistas descolados, que transitam num estranho ambiente social de São Paulo que junta, hoje em dia, uspianos, ongueiros e petistas limpinhos, como Fernando Haddad, por exemplo? O que foi feito desse petismo jornalístico que se pretende laico, esclarecido, progressista, que se impôs como missão “barrar o avanço da direita”, entre uma taça e outra de vinho — em que todos são agora especialistas —, enquanto se discute, como é mesmo?, a dialética da modernização conservadora do Brasil? Pois é. A pizzada esclarecida dos especialistas em dialética negativa constatou, consternada, o risco real da vitória do terrível “direitista” Kassab — não perca a chance de cobrar dos que sustentam tal tese que evidenciem esse suposto direitismo com exemplos.

Respondo: o petismo urbano e vaca foram ambos para o brejo. E agora volto à questão enunciada lá no primeiro parágrafo: o PT quase pós-moderno, preocupado com “atitudes”, resolveu revelar-se o partido do grotão, aquele em que o medo vence não só a esperança como também a racionalidade. Então é isto: Marta Suplicy trouxe para a política paulistana o partido do grotão, o primitivismo, a retórica truculenta, a promessa irresponsável e inexeqüível (ver abaixo), o preconceito, a vulgaridade, a estupidez, a baixaria, o atraso. A candidata antes dita “progressista”, capaz de, no gogó, quebrar as lanças do convencionalismo, passou a acenar com o discurso mais brucutu.

E o Apedeuta? E aquele que não é solidário nem numa cólica renal? Ora, quem prestou atenção ao centro de seu discurso em favor de Marta teve tempo de ouvi-lo falar que é preciso “conhecer o candidato”, endossando a abordagem pilantra segundo a qual os paulistanos ignoram quem de fato é o prefeito que conta com 61% de aprovação. Percebeu que o tiro saiu pela culatra e, Lula que é, está saltando fora. Faz o mesmo no Rio. Gravou para o candidato do PMDB, Eduardo Paes, mas fez chegar à imprensa o que segue: “Eu gravei o programa, mas disse para o Sérgio que o (Fernando) Gabeira vai desmontar facilmente o meu depoimento. Gravei porque me pediu." A seqüência de imposturas é formidável.

Ainda que Kassab seja relativamente novo na política — e jovem (daí o ridículo petista de tentar ligá-lo ao regime militar) —, e Gabeira seja egresso das lutas pré-1964; ainda que tenham perfis tão distintos, um mais técnico (Kassab), outro mais afeito à retórica humanista, podem estar em curso nas duas capitais fenômenos ao menos correlatos, se não forem da mesma natureza: um certo cansaço do discurso balofo e oco sobre a redenção e o futuro. Sim, reitero, os dois são muito diferentes também na experiência: Kassab está sendo aprovado por aquilo que efetivamente fez, não por suas promessas miraculosas. Gabeira parece crescer num ambiente de certo desencanto com as expectativas que não se cumpriram. Embora seja sempre lembrado como um utopista, parece-me que os que votam nele apostam que possa FAZER o que a política dita tradicional não fez. Se ambos vencerem, é evidente que a tarefa de Gabeira é mais difícil e muito mais arriscada.

Em qualquer dos casos, recorrer à tática própria dos grotões — porque, como diria Marco Aurélio Top Top Garcia, “constrangedor é não ter voto” — corresponde a fazer uma aposta no atraso e na barbárie. Sim, há algumas ambições em jogo: uma eventual vitória de Gabeira representa menos uma derrota de Paes do que do governador Sérgio Cabral. O triunfo de Kassab significaria um revés duplo para o Planalto: Lula teria feito esforços evidentes para eleger Marta, mas o ungido seria o candidato de Serra. Tal candidato é quadro da elite do DEM, o partido que o PT está determinado a destruir, o que não esconde de ninguém.

Os eventos em curso estão sendo muito esclarecedores. Nas duas principais capitais do país, quando menos se espera, os “modernos” aderem às piores práticas do grotão mental brasileiro.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".