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domingo, 12 de outubro de 2008

O segundo turno de Lula

Domingo, 12 de Outubro de 2008

Quantos dos candidatos que contavam com o apoio explícito do presidente Lula para este segundo turno sabiam que neste domingo ele inicia uma viagem à Espanha, Índia e Moçambique da qual voltará em cima do fim de semana seguinte, quase às vésperas do encerramento oficial da campanha para o pleito do dia 26? Embora tenha sido planejada há muito tempo, a data parece ter sido escolhida de propósito para tornar escasso o tempo de Lula para participar "com força total" na caminhada da candidata petista Marta Suplicy, como prometeu quando não esperava que o percurso viria a ser tão íngreme. Para usar uma metáfora futebolística decerto a seu gosto, Lula não é de entrar em bola dividida, salvo quando calcula - e ele é um craque em matéria de fazer cálculos políticos - que as suas chances são mais robustas que as do adversário. E, no campo da eleição municipal em São Paulo, a bola já não está dividida como parecia estar ao apagar das luzes do primeiro tempo: quem está de posse dela é o candidato Gilberto Kassab, 17 pontos à frente de Marta na pesquisa Datafolha feita três e quatro dias depois que o atual prefeito ultrapassou a petista, no cotejo para valer, por uma diferença inferior a 1%.

É verdade que eleições se decidem nas urnas, não nos questionários dos pesquisadores, mas reviravoltas eleitorais de última hora são mais do que raridades. Ainda assim, a chamada "onda Kassab" não dá sinais de quebrar. Ele não apenas conquistou na sondagem duas vezes mais adesões do que ela, em média, entre os eleitores de todos os candidatos eliminados, como ainda a supera, nas regiões da cidade em que é o preferido, com muito mais folga do que a da candidata nos seus redutos. (Por exemplo, no seu melhor desempenho, no extremo sul da cidade, Marta bate Kassab por 9 pontos; já Kassab, onde se saiu melhor, na zona sul, livra uma diferença de 55 pontos.) O encorpamento e a distribuição do eleitorado do democrata sugerem que a consolidação de sua dianteira é mais provável do que a recuperação da adversária a ponto de fazê-la virar o jogo. Para Lula, isso representa um estridente sinal de alarme. Se é certo que, sob pressão do PT e de Marta, além de ter aparecido com ela na sexta-feira, ele ficou de aparecer no horário gratuito e no comício de encerramento, é certo também que receia ter o nome associado diretamente a uma derrota que se desenha na mais importante disputa da temporada.

O apparat petista - uma profusão de ministros e parlamentares e ainda o chefe de gabinete presidencial, Gilberto Carvalho - que trate de debelar o perigo real e iminente. Quando o número um do partido, Ricardo Berzoini, declara que é lógico que a popularidade do presidente ajuda, mas "no Brasil não há tradição de transferência de votos", é lógico também deduzir daí que, em relação a São Paulo, Lula pôs as barbas de molho. Aliás, os superpoderes eleitorais de Lula foram um tanto exagerados - ao menos em pleitos que, para o eleitor, giram antes em torno dos problemas locais do que da grande política nacional. No primeiro turno, Lula gravou mensagens para 94 candidatos. Destes, 40 venceram, 9 passaram para a prova final e 45 perderam. No caso de Natal, fez mais e diferente: subiu ao palanque da candidata petista Fátima Bezerra, menos para exaltá-la do que para atacar a adversária Micarla de Souza, do PV, apoiada pelo líder da oposição no Senado, José Agripino Maia, do DEM. "O presidente não me conhece e falou do meu caráter, da minha profissão e do meu pai, que faleceu há 10 anos", lembrou Micarla numa entrevista. Apesar disso - ou por causa disso - ela se elegeu.

Em outras capitais de peso, Lula está impedido de se engajar pessoalmente em favor de seus companheiros quando os adversários deles são do PMDB, o pilar do governo de coalizão, com 6 ministros e 107 parlamentares. A neutralidade livra o presidente do problema de Porto Alegre, onde a petista Maria do Rosário dificilmente derrotará o peemedebista José Fogaça. Como tampouco se envolve em disputas entre partidos da base, Lula não terá o dissabor de aparecer no Rio com Eduardo Paes, do PMDB, apoiado pelo PT, que enfrenta Fernando Gabeira, do PV, apoiado pelo DEM. Lula não perdoa Paes por ter proposto uma investigação sobre o seu filho no caso Telemar-Gamecorp. Por fim, mesmo um fracasso de Marta não será o mal absoluto nas contas de Lula: deixará o campo livre para ele emplacar a ministra Dilma Rousseff como sua candidata em 2010.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".