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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

OS MOTORES DA HISTÓRIA

25/10/2008

Tem sido interessante acompanhar as campanhas eleitorais pelo Brasil, em paralelo com a campanha eleitoral para a presidência dos EUA. Haveria algo em comum nessas campanhas? Penso que sim. E penso também que algo de muito errado está no processo de escolha dos dirigentes políticos nesses sistemas eleitorais. É o que pretendo argumentar aqui.

A democracia moderna, na origem, como imaginada pelos teóricos do Iluminismo, pressupunha duas coisas para o sufrágio universal: a existência de partidos com plataformas políticas definidas (e sua alternância no poder) e também a existência de uma elite social que servisse de exemplo para a sociedade e fosse sua condutora. Pressuposto que um homem de Estado deveria ter reputação inatacável, patriotismo, formação adequada e discernimento além da média quando diante das peripécias do exercício do poder. E, sobretudo, que o Estado fosse o “mínimo”, deixando aos particulares as ações econômicas e o exercício da liberdade. A propriedade privada é aqui o fundamento do processo social e político.

O chamado Estado de Direito define esse arcabouço institucional que é a pré-condição para a sobrevivência da democracia. No centro do processo político estava o indivíduo como pessoa, sujeito de seu próprio destino. O papel do Estado deveria ser manter as condições para que os destinos individuais pudessem se realizar com o mínimo de perturbação. Homens como Locke, Adam Smith e Montesquieu teorizaram sobre essa forma de organizar o Estado.

É bem verdade que, dos tempos do Iluminismo, tivemos também o emergir das idéias totalitárias, a própria negação da chamada “democracia burguesa”: Rousseau e seus filhotes, especialmente Marx. Para esses teóricos a pessoa individual não tinha a menor importância, prevalecendo o coletivo, a presença sufocante do Estado como sujeito da história. Socialismo e comunismo são as suas idéias-chave. Essas idéias foram banidas em todos os países durante o século XIX, que conheceu o triunfo do liberalismo clássico. A idéia-força da liberdade sob a lei conduziu os destinos das nações, abolindo-se os absolutismos de diversos matizes, a escravidão e as barreiras ao livre comércio e à livre iniciativa.

Ao entrar o século XX verificou-se uma mudança profunda. Em primeiro lugar, a emergência dos movimentos totalitários, sejam aqueles originados em golpes de Estado (Rússia e China na primeira metade do século), sejam aqueles originados pelo processo eleitoral, como Hitler e Mussolini. Vieram as Grandes Guerras e a grande crise econômica de 1929. O capitalismo jamais foi o mesmo. Desde então as instituições liberais foram, pouco a pouco, cedendo espaço às idéias socialistas. Aconteceu o duplo movimento de crescimento da tributação como proporção do PIB e a elevação dos gastos ditos como “sociais”. Em paralelo, a regulação da vida civil como jamais houve. Essa metamorfose teve como grande teórico o italiano Antonio Gramsci, que influenciou gente como Norberto Bobbio e John Rawl, que não hesitaram em defender a prevalência da idéia de igualdade sobre a de liberdade. Essa maneira de ver a realidade política dominou o imaginário das juventudes universitárias e da imprensa mundialmente, legitimando o novo Estado de bem-estar social.

Voltemos ao ponto. A democracia baseada no sufrágio universal só poderia conviver com as idéias liberais se o Estado fosse reconhecido como um instrumento a ser severamente controlado e vigiado pela sociedade, devendo limitar-se ao mínimo possível, isto é, custar pouco e interferir nada no cotidiano das pessoas. Na medida em que a idéia de igualdade sobrepõe-se à da liberdade e que se aceitou ser o Estado um instrumento legítimo de redistribuição de renda, quebrou-se essencialmente o equilíbrio para que a ordem democrática como aquela conhecida no século XIX pudesse existir.

As campanhas eleitorais em curso mostraram fielmente a transformação ocorrida. O homem-massa eleitor é agora cortejado não para eleger os melhores partidos e as melhores pessoas para governantes. Ele agora é chamado a escolher quem vai colocar “mais” e “melhor” o Estado a serviço de seus apetites, de suas idiossincrasias, de suas ilusões. O discurso político de todo postulante aos votos parte do suposto da estupidez factual da maioria dos eleitores, que não compreende o Estado e nem os movimentos políticos, mas que julga ser seu “direito” ter todas as benesses que as classes políticas lhes prometem em troca do seu voto. É crença que o Estado tem a obrigação de prover as necessidades básicas, do emprego à escola, da saúde à aposentadoria. Essa crença decreta o fim da democracia, que supõe o indivíduo capaz de prover-se a si mesmo.

Então podemos ver a repugnante sujeição dos postulantes aos votos ao mais desbragado populismo, ao discurso mais irracional, às promessas mais tacanhas e inexeqüíveis. As campanhas eleitorais são verdadeiras odes à bestialidade. E, quando no poder, os eleitos procuram desesperadamente cumprir as promessas tolas de campanha, ao preço de sufocar as liberdades individuais e de exorbitar crescentemente na tributação. O mundo de hoje tem o formato fascista que nem mesmo seus teóricos originais poderiam imaginar: tudo pelo Estado; nada fora do Estado; nada contra o Estado. Estamos efetivamente diante daquilo que tenho chamado de Estado Total.

A crise econômica ora em curso é resultado direto desse caráter fascista/socialista que tomou as instituições de Estado hodiernamente. A primeira coisa que fazem os governantes eleitos nesse sistema eleitoral irracional é esquecer as leis econômicas. Tentam, via sistema legal, criar uma economia ideal, pela qual a própria lei da escassez poderia ser suprimida, estabelecendo a igualdade de fato. Claro que a realidade não se dobra a cacoetes jurídicos e nem à vontade arbitrária dos governantes. A crise veio justamente provar essa verdade comezinha e corrigir os abusos.

O problema se agiganta porque os passos seguintes rumo ao Estado Total são facilmente previsíveis: a guerra e o totalitarismo, bem como a supressão do ritual eleitoral. Observar os acontecimentos é angustiante, é como alguém na base de uma montanha que vê chegar a avalanche inexorável. É um encontro com o destino. Estou convencido de que, eleito, Barack Obama se dobrará à tentação cesarista. Será inexorável. Combater a crise econômica pela criação de guerras, maiores ou menores, tem sido um fato na história dos EUA. A própria crise de 1929 só foi superada pelo esforço para a Segunda Guerra. Uma saída do mesmo tipo agora será muito tentadora e quase automática.

E a história mostra que a social-democracia tem sido o abre-alas dos totalitarismos comunistas

No Brasil podemos ter algo do tipo, uma repetição do que se viu na Rússia, visto que a experiência pacífica de tomada do poder pelos socialistas chegou ao seu limite com Lula. Para piorar o cenário nacional temos, como nunca, o desafio aos interesses nacionais de governos vizinhos, o que abre as portas para eventuais conflitos bélicos, de desfecho imprevisível.

O aprofundamento da crise econômica inevitavelmente fará mover os motores da história. O rumo a ser tomado será o do Oriente, ou seja, o lugar onde não sopram os ventos da liberdade. Mais do que nunca é o tempo de temer o futuro. 

Em tempos assim é preciso convocar a verdadeira elite, os homens e mulheres capazes de enfrentar os perigos e de levar a um porto seguro os destinos coletivos, preservando a liberdade. Infelizmente, não os vejo. A elite naufragou nas hordas dos homens-massa. Não mais existe.

Um comentário:

Everardo disse...

Sr. Nivaldo, o socialismo político, conjuntural, surgiu como reação à exploração liberal. A revolução industrial e liberalismo capitalista estava transformando os proletários em novos escravos, e de forma ainda mais desumana que no período monárquico. Crianças trablhhando em jornadas de 12 horas e mulheres sem ter como cuidar dos filhos. Fortunas se avolumavam na mão de popucos e a miséria se disseminava em nome da liberdade (que se traduz na liberdade de morrer ou morrer). O Estado Social descobriu a verdadeira igualdade e solidariedade e o liberalismo clássico é página virada na história. Devemos lutar para que o passado não volte. Inquisições e nazi-fascismo nunca mais!

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".