Loja OLAVETTES: produtos Olavo de Carvalho

Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Série Delírios Renovados: #1 Dona Chauí


Série Delírios Renovados: #1 Dona Chauí from Conexão Conservadora on Vimeo.
O Conexão Conservadora dá início uma nova série. O primeiro programa é uma conversa descontraída entre Alex Brum Machado e Leonardo Bruno sobre a famosa fase de Marilena Chauí: "Uma coisa nunca foi posta em dúvida à direita, à esquerda, pelo centro, nunca, é a honestidade de um governante petista".

 
ção: 27 minutos
Para confirmar a declaração da Dona Chauí: http://www.youtube.com/watch?v=hw90IwULjFI

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A China é o novo exemplo clássico da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos

INSTITUTO MISES BRASIL
por The Wall Street Journal, segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A seguir, um editorial do Wall Street Journal, que faz uma descrição bastante correta de como a China se enquadra no padrão descrito pela TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos): crédito fácil gerando investimentos errôneos e insustentáveis, os quais, por sua vez, levam a uma crise.

china-real-estate.jpgO surpreendente anúncio feito pelo Banco Central da China, na quarta-feira passada, de que irá reduzir em meio ponto percentual a taxa dos depósitos compulsórios representou uma admissão explícita de que a economia chinesa já está enfrentando fortes ventos contrários.  A inflação de preços ao consumidor permanece relativamente alta, em 5,5%.  Porém, o verdadeiro valor da inflação — aquele refletido pelo deflator do PIB — já está próximo dos 10%.

A maioria dos analistas esperava que o afrouxamento monetário fosse começar apenas no ano que vem, quando a inflação de preços já estivesse mais sob controle.  Só que a maioria destes analistas também previa um "pouso suave" para a economia chinesa.  Os dados divulgados nos últimos dias sugerem que a atual tendência de estagflação irá continuar, e o pouso poderá ser brusco.

Os preços dos imóveis vêm caindo por três meses consecutivos, e essa tendência está acelerando.  Os índices sobre a saúde do setor industrial (que mensuram variáveis como novos pedidos, nível dos estoques, produção, entregas de fornecedores e situação do emprego) — tanto aqueles mensurados pelo próprio governo quanto os mensurados pelo HSBC — sofreram um enorme baque em novembro, entrando em território negativo pela primeira vez desde o início de 2009.  A diferença é que, desta vez, a China não poderá resolver seus problemas domésticos recorrendo a um aumento das exportações, dado que a demanda externa está encolhendo.

A China é um exemplo clássico da teoria dos ciclos econômicos criada pela Escola Austríaca de pensamento econômico.  Após incorrer no maior programa de estímulos que o mundo jamais testemunhou, como resposta à crise financeira global, o país está afogado em investimentos improdutivos financiados com crédito fácil.

O governo gastou 15% do PIB majoritariamente em obras públicas em regiões do interior do país, financiadas com empréstimos de bancos estatais.  O investimento como porcentagem do PIB disparou para 48,5% em 2010, e o agregado M2 da oferta monetária aumentou para um valor 40% maior que o M2 americano.

E agora vem a ressaca.  Os projetos de obras públicas estão se arrefecendo, o que está desencadeando uma onda de desemprego e estimulando algumas inquietações sociais.  O número de empréstimos bancários que não geram o retorno esperado está aumentando, e os governos locais estão insolventes.  O país está repleto de prédios governamentais luxuosos, cidades fantasmas cheias de apartamentos vazios, linhas de trem de alta velocidade inseguras, e rodovias em estado calamitoso que vão do nada a lugar nenhum.

Um dos efeitos das taxas de juros reais negativas foi uma bolha imobiliária em nível nacional, com o preço médio de um apartamento urbano chegando a oito vezes o valor da renda média anual.  Imóveis representam o investimento mais apreciado pelos ricos, de acordo com uma pesquisa feita pelo Banco Central chinês em setembro.  Milhões de apartamentos luxuosos estão vagos, mesmo havendo uma escassez de imóveis a preços acessíveis para os mais pobres.

A construção de imóveis se transformou no "mais importante setor do universo", segundo as palavras do economista do UBS Jonathan Anderson.  Ela é a responsável direta por aproximadamente 13% da economia — 20% se incluirmos as indústrias relacionadas, como aço e concreto.  Também é responsável por 40% da receita dos governos locais por meio da venda de terrenos (os quais são propriedade dos governos).

Uma piora nos indicadores da inflação de preços forçou o governo chinês a pisar no freio este ano.  Assim como ocorre com a maioria das bolhas imobiliárias que estouram, as transações secaram.  A isso se seguiu uma queda livre nos preços.  Em setembro, os preços dos terrenos já haviam caído 60% em relação aos últimos doze meses.  As incorporadoras estão cortando os preços dos novos lançamentos para adiar a falência.

Pequim reconhece os perigos de uma bolha imobiliária e, por isso, deliberadamente estourou a atual ao ordenar aos bancos que restringissem os empréstimos às incorporadoras.  O governo parece determinado a pressionar algumas das pequenas incorporadas contra a parede, tanto para forçar algumas fusões na indústria quanto para convencer as incorporadoras restantes a entrar no programa governamental de construir imóveis para as pessoas de baixa renda.

Ainda no início deste ano, os reguladores do sistema bancário conduziram testes de estresse para mensurar a solidez dos bancos.  Os resultados supostamente mostraram que o sistema financeiro pode suportar uma queda de 40% nos preços dos imóveis.  Hipotecas e empréstimos às incorporadoras representam aproximadamente 20% dos empréstimos dos bancos.  Porém, dado que a saúde da economia como um todo depende do setor imobiliário, a China pode vir a enfrentar um cenário semelhante ao enfrentado pelos EUA nos últimos anos.  Como o mercado privado de imóveis era minúsculo até uns 10 anos atrás, quando o atual boom imobiliário começou, o país jamais vivenciou um amplo declínio nos preços dos imóveis.  Portanto, não há nenhuma experiência anterior quanto a este cenário.

O governo e os analistas mais otimistas dizem que a construção de imóveis de baixa renda irá estimular qualquer possível enfraquecimento da economia, à medida que as atividades da ponta final do mercado forem esfriando.  O problema é que mesmo que o governo alcance seus objetivos, o programa ainda é muito pequeno para salvar a economia.  O Banco Barclays estima que ele irá contribuir com apenas um ponto percentual para o crescimento em 2011, e 0,5 ponto percentual em 2012. [Aqui o Wall Street Journal dá sua inevitável derrapada keynesiana, dando a entender que o programa seria melhor caso o governo estimulasse ainda mais as construções.  Mas é perdoável.]

Não há maneira fácil de evitar a recessão que está por vir.  O consolo é que o modelo chinês de crescimento, cada vez mais dependente de estímulos estatais, será desacreditado, abrindo espaço para um debate sobre o reinício das reformas que foram interrompidas em meados da década de 2000.  Um setor financeiro que distribui crédito baseando-se em conveniências políticas em vez de em preços de mercado levou a China a esta bagunça.  A pressão popular para desmantelar esse capitalismo clientelista está crescendo, e o Partido Comunista se daria bem caso se adiantasse a esses eventos enquanto ainda há tempo.

Twittaço: #Brasilsemtvrecord

Campanha eterna!!!

True Outspeak - 14 de dezembro de 2011




Uploaded by on Dec 16, 2011
Gravação do programa True Outspeak, de Olavo de Carvalho, transmitido em 14 de dezembro de 2011.

44 - Parresía: "Como reagir diante das perseguições que a Igreja sofre?"

Sementinha do mal da foto abaixo, ouça aí.



A origem sórdida da criminalização dos discursos de ódio

GAYS DE DIREITA
QUINTA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO DE 2011

Em tempos de discussão do PLC 122, vale a pena ler o artigo do advogado dinamarquês Jacob Mchangama The sordid origin of hate-speech laws publicado na última edição da Policy Review (Hoover Institution). O autor faz uma reconstituição histórica das leis em vigor nos países da União Europeia e na quase totalidade dos países ocidentais que criminalizam discursos de ódio, identificando os esforços da União Soviética em impor limites à liberdade de expressão por ocasião da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. Naquela ocasião, sob a liderança dos Estados Unidos e do Reino Unido, foram barradas as tentativas de criminalização dos discursos de ódio, garantindo-se uma ampla e irrestrita liberdade de expressão por parte dos países signatários.

Nos anos 90, porém, graças ao lobby de Rússia, China e Iugoslávia, outros tratados internacionais foram aprovados impondo a obrigação de cada país criar leis criminalizando os discursos de ódio no seu território. E foi isso justamente o que aconteceu, exceto nos EUA, que preferiu defender a liberdade de expressão a qualquer custo. Mais recentemente, os esforços para impor censura à liberdade de expressão vêm justamente de países islâmicos.

Parece que a ênfase crescente, na Europa e agora no Brasil, na criminalização dos discursos de ódio esquece que o respeito pela liberdade de expressão é o que distingue os estados livres dos totalitários, sendo o primeiro direito a ser cerceado por estes.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Charge: Dawkins vai ao Coringa: "me ajuda aí?"

SENTIR COM A IGREJA
Postado por Emerson

Pô Rick, perdendo para o Coringa? Ah, a menção a Galactus é explicada logo abaixo, na outra charge, também do Emerson, também no SENTIR COM A IGREJA.


Idealização: Alex Brum
Montagem: Emerson de Oliveira


Ideia: Alex Brum (http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/)
Ilustração: Emerson de Oliveira

Os interesses dos defensores do desarmamento. Um destes interesses, de pelo um desarmamentista: vender arma ilegal para traficante.

MÍDIA SEM MÁSCARA

CT: antes do artigo, vejam este vídeo que qualifica muito bem toda a turminha que quer o cidadão de bem desarmado, pronto para ser morto com a arma que o cidadão desarmamentista do vídeo vende:



A campanha de desarmamento civil no Brasil é parte de um esforço internacional realizado por uma rede de instituições ligadas ao establishment oligárquico que visa a implantação de um governo mundial.

A tristemente famosa ONG Viva Rio comemorou dezoito anos de vida na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no dia 07 do corrente, com a conferência "Viva Rio 18 anos: um bom momento para pensar". Na abertura do evento, o diretor da ONG, Rubem César Fernandes, teria ficado emocionado com a exibição de um vídeo resumindo a atuação do movimento nos últimos anos. A primeira mesa da conferência contou com a participação de pessoas que são consideradas fundadoras do Viva Rio, como o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e o presidente do grupo Lance, Walter Mattos Júnior, além do líder comunitário da Rocinha Carlos Costa.
A segunda mesa, intitulada "Drogas, por uma política mais eficaz e humana", mediada pelo jornalista Merval Pereira, com a participação, dentre outros, do secretário de estado de Meio Ambiente, Carlos Minc, do ex-presidente da República, FHC e do ex-ministro da Justiça Tarso Genro. A terceira mesa foi intitulada: "Drogas: as injustiças da lei”, com a participação do Sr. Pedro Abramovay (aquele que foi defenestrado do ministério da Justiça, por ter ido contra orientação da presidente). De tarde, houve ainda outra mesa sobre missões internacionais de paz e o Haiti.

Esta ONG, tão celebrada, possui um braço, a Organização Social Viva Comunidade, possuidora de um contrato superior a R$ 395 milhões com a prefeitura do Rio. Em audiência pública na Câmara dos Vereadores não souberam informar aos edis o nome de um único integrante do conselho administrativo da OS. Cada conselheiro ganha R$ 12 mil por mês. Após muito esforço, foi informado que o presidente é um “tal de Alfredo”.

É oportuno realçar que um feroz desarmamentista, o qual entregou em 2004 o prêmio Segurança Humana ao diretor Denis Mizne, do Instituto Sou da Paz, em um evento na cidade do Rio, promovido pela UNESCO e pela organização não-governamental Viva Rio, concedido a personalidades que se sobressaíram na Campanha do Desarmamento foi preso por vender armas para traficantes. O ex-assessor da vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira, esposa do advogado Jorge Hilário Gouvêa, irmão do presidente da Firjan, foi detido depois de ser flagrado em vídeo numa aparente negociação de um fuzil da família AK-47, pelo qual recebera o respectivo pagamento. Para a polícia, o vídeo torna inequívoco o fato, tal como noticiou a imprensa em geral. Não é a primeira vez que o ex-líder comunitário da Rocinha é preso. Em 2005 também o foi, sob a acusação de associação ao tráfico, ocasião em que, sem estranheza nossa, recebeu apoio do presidente da ONG Viva Rio, inclusive em defesa marcada por tom contundente, verdadeiramente feroz.

A grande patrocinadora do movimento de desarmamento da população civil brasileira é justamente a ONG Viva Rio, fundada em novembro de 1993, em conseqüência do seminário internacional: Cidadania Participativa, Responsabilidade Social e Cultura num Brasil Democrático, realizado no Rio de Janeiro, nos dias 04 e 05, com o patrocínio e a participação de representantes das fundações Rockefeller, Brascan, Kellog,Vitae e Roberto Marinho. Ela é filiada à IANSA-International Action Network of Small Arms (Rede de Ação Internacional de Armas Pequenas), um conjunto de 186 ONGs, fundada em maio/99, criada com o objetivo de atuar como uma central de coordenação da campanha internacional de desarmamento, para permitir a implantação de um governo mundial, que atuaria com a utilização de uma força de paz das Nações Unidas, sob o comando dos "donos do mundo".

Dentre os participantes da Viva Rio, destacaram-se o banqueiro David Rockefeller, o então chanceler FHC, fundador do Viva Rio que sempre atuou em estreita coordenação com ONGs internacionais como a Human Rights Watch e o Conselho Mundial das Igrejas (CMI). É de se notar que a Human Rights tem entre os seus patrocinadores o megaespeculador George Soros, cujas fundações promovem a campanha de desarmamento e legalização do uso de entorpecentes. O CMI também patrocina a campanha internacional de desarmamento civil.

A campanha de desarmamento civil no Brasil não é proveniente de uma iniciativa própria, mas sim do resultado de um esforço internacional realizado por uma rede de instituições ligadas ao establishment oligárquico, em especial o seu componente anglo-americano-canadense, objetivando implantar uma estrutura de governo mundial, acima dos Estados Nacionais, que os "donos do mundo" pretendem ver inviabilizados no contexto da "globalização".
O desarmamento da população se segue a uma série de medidas visando o desmantelamento das Forças Armadas e a reestruturação das forças policiais civis e militares, elementos cruciais do plano de dominação externo. Em dezembro de 1995, durante um seminário internacional promovido no Rio de Janeiro pelo Ministério da Justiça, o movimento Viva Rio e a Police Foundation dos EUA, o então secretário-geral do Ministério da Justiça, Sr. José Gregori, anunciou que o Viva Rio seria encarregado da elaboração de um projeto para orientar a nova Política de Segurança Pública do governo federal, uma doutrina de segurança cidadã, para ocupar o vazio que existe desde a doutrina de Segurança Nacional do governo.

Tudo isto é apenas “coincidência”!


Marcos Coimbra
, membro do Conselho Diretor do CEBRES, titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia, é autor do livro 'Brasil Soberano'.

Teoria Materialista da História[1]. Ou Karl Marx, pede para c*g*r e sai de fininho...

BLOG DO ANGUETH
SEXTA-FEIRA, MARÇO 10, 2006


G. K. Chesterton


A teoria materialista da história – que afirma que toda a política e a ética são expressões da economia – é uma falácia, de fato, muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas, sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na história é como dizer que o objetivo de todas as suas marchas militares ou peregrinações religiosas deve ter sido a Perna Dourada da Senhora Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Senhor Willoughby Patterne. Mas, são esses movimentos que constituem a história da espécie humana e sem eles não haveria praticamente história. Vacas podem ser puramente econômicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas ações externas, pelo menos; mas, essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais ativo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes.

Mas, com relação a serem econômicos os movimentos que fazem a historia do homem, podemos dizer que a história somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direção a uma horrível selvageria da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Ártico foram em direção ao norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o sul. E se deixarmos, de fora da história humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser história. O esboço da história é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A história econômica não seria sequer história

Mas há uma falácia mais profunda além deste fato óbvio; os homens não precisam viver por comida meramente porque eles não podem viver sem comida. A verdade é que a coisa mais presente na mente do homem não é a engrenagem econômica necessária a sua existência, mas a própria existência; o mundo que ele vê quando acorda toda manhã e a natureza de sua posição geral nesse mundo. Há algo que está mais próximo dele que a sobrevivência e esse algo é a vida. Pois, tão logo ele se lembre qual trabalho produz exatamente seu salário e qual salário produz exatamente sua refeição, ele reflete dez vezes que hoje é um dia lindo, ou que este é um mundo estranho, ou se pergunta se a vida vale a pena ser vivida, ou se seu casamento é um fracasso, ou se ele está satisfeito ou confuso com seus filhos, ou se lembra de sua própria juventude, ou ele, de alguma forma, vagamente revê o destino misterioso do homem.

Isso é verdade para a maioria dos homens, mesmo para os escravos assalariados de nosso mórbido industrialismo moderno, que pelo seu caráter hediondo e sua desumanidade tem, realmente, posto a questão econômica em primeiro plano. É muito mais verdade para os numerosos camponeses, caçadores e pescadores que constituem a massa real da humanidade. Mesmo aqueles áridos pedantes, que pensam que a ética depende da economia, devem admitir que a economia depende da existência. E nossos devaneios e dúvidas cotidianos são sobre a existência; não sobre como podemos viver, mas sobre porque vivemos. E a prova disso é simples; tão simples quanto o suicídio. Vire o universo de cabeça para baixo em sua mente e você virará todos os economistas de cabeça para baixo. Suponha que um homem deseje morrer e que o professor de economia se torne um tédio com sua elaborada explicação de como ele deve viver. E todas as iniciativas e decisões que fazem do nosso passado humano uma história têm esse caráter de desviar o curso direto da pura economia. Tal como o economista deve ser desculpado por calcular o salário de um suicida, ele deve também ser desculpado por prover uma pensão de aposentadoria para um mártir. Tal como ele não precisa se preocupar com a pensão de um mártir, ele não deve se preocupar com a família de um monge. O plano do economista é modificado por insignificantes e variados detalhes como no caso de um homem ser um soldado e morrer pelo seu próprio país, de um homem ser um camponês e amar especialmente sua terra, de um homem ser mais ou menos influenciado por qualquer religião que proíba ou permita isso ou aquilo. Mas tudo isso se resume não a um cálculo econômico sobre despesas, mas a uma elementar consideração sobre a vida. Tudo isso se resume ao que o homem fundamentalmente sente, quando ele contempla, dessas janelas estranhas que ele chama os olhos, essa estranha visão que ele chama o mundo.



[1] Excerto do capítulo VII (‘The War of the Gods and Demons’ – A Guerra dos Deuses e Demônios) do livro ‘The Everlasting Man’ (O Homem Eterno). Quem se interessar pode ‘baixar’ uma cópia grátis desse livro, em inglês, do sítio The On-Line Books. Até onde eu sei, há uma tradução desse livro para o português, pela Editora Quadrante, que está fora de catálogo no momento. Eu não a conheço. (N. do T.)

A desvantagem de ter duas cabeças, por G.K. Chesterton

A desvantagem de ter duas cabecas

Investigação em banco libanês vincula Hezbollah a cartéis de narcotráfico

ESTADÃO
15 de dezembro de 2011 | 3h 06 Notícia    

BEIRUTE - O Estado de S.Paulo

Esquema revelado. Com a venda de instituição, balanços provaram intrincado esquema de lavagem de dinheiro global que, aparentemente, permitiu ao grupo xiita movimentar enormes somas de dinheiro legalmente no sistema financeiro internacional 


Dados de contabilidade liberados após a venda do Banco Libanês-Canadense para a filial libanesa do Société Générale e uma investigação do governo americano revelaram métodos clandestinos utilizados pelo grupo radical xiita Hezbollah para financiar suas operações. O banco é acusado de lavar dinheiro do tráfico de cocaína e manter relações com a milícia, considerada pelos EUA um grupo terrorista.
Os balanços forneceram provas de um intrincado esquema de lavagem de dinheiro global, com o banco como seu centro e que parece ter permitido ao Hezbollah movimentar enormes somas de dinheiro legalmente dentro do sistema financeiro, apesar das sanções estabelecidas com o objetivo de enfraquecê-lo economicamente.
Além disso, uma investigação da agência antidrogas do governo americano (DEA) esclareceu quais são as fontes de dinheiro do movimento xiita. Enquanto os departamentos de polícia em todo o mundo acreditavam que o Hezbollah era um beneficiário passivo de contribuições feitas por partidários do movimento envolvidos com o tráfico internacional de drogas, as agências de inteligência de diversos países apontavam para o envolvimento direto das autoridades do alto escalão do Hezbollah no comércio da cocaína na América do Sul.
Na terça-feira, promotores federais na Virgínia anunciaram o indiciamento de um homem acusado de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro para narcotraficantes colombianos e para a gangue mexicana Los Zetas.
Esse envolvimento do Hezbollah com lavagem de dinheiro do narcotráfico também reflete as mudanças políticas e militares no Líbano e no Oriente Médio. Segundo analistas de inteligência americanos, o grupo recebia cerca de US$ 200 milhões ao ano do Irã e uma verba adicional da Síria. Mas esse apoio diminuiu em razão das sanções internacionais a Teerã e das revoltas populares contra Bashar Assad.
As necessidades financeiras do movimento libanês, no entanto, aumentaram à medida que ele obteve mais legitimidade depois da guerra de 2006 com Israel. O Hezbollah expandiu seu portfólio de atividades políticas e sociais, e, com isso, passou a depender cada vez mais das atividades criminosas - especialmente do comércio de cocaína na América do Sul.
"A capacidade de grupos terroristas como o Hezbollah de se inserir no fluxo de financiamento criminoso mundial é o novo desafio que surgiu após o 11 de Setembro", diz Derek Maltz, da DEA, que monitorou a investigação do departamento sobre o banco libanês.
O esquema. Autoridades do Tesouro americano descobriram que gerentes do banco ajudaram diversos correntistas a gerir um esquema de lavagem de dinheiro da droga, mesclando esses valores com recursos obtidos com a venda na África de carros usados comprados nos EUA. Uma parte dos lucros ia para o Hezbollah, alegação que o grupo contesta.
Auditores encarregados de examinar os livros contábeis após a venda do banco descobriram quase 200 contas suspeitas de ligações com o Hezbollah e os clássicos sinais de lavagem de dinheiro.
No total, centenas de milhões de dólares por ano foram depositados nessas contas, mantidas especialmente por empresários muçulmanos xiitas em países da África Ocidental onde é comum o contrabando de drogas, muitos deles partidários do Hezbollah. Como fachada, eles trabalhavam com diamantes, cosméticos e frango congelado. Por meio dessas empresas, o Hezbollah movimentava todo o tipo de fundo suspeito, em seu próprio nome ou de outros. O sistema permitia ao Hezbollah ocultar as fontes da sua riqueza, mas também seu envolvimento numa série de empreendimentos empresariais.
Entre eles um negócio realizado no ano passado que envolveu talvez o maior contrato de compra de terras na história do Líbano, no valor de US$ 240 milhões, com a aquisição de 300 hectares de terra virgem que faz frente para o Mediterrâneo na região de Chouf.
O negócio se inseria em um padrão, bastante controvertido neste país instável em termos religiosos, em que empresas ligadas ao Hezbollah compravam terrenos militarmente estratégicos em áreas cristãs, ajudando o movimento a fortalecer, silenciosamente, sua hegemonia geopolítica.
'Perseguição'. Numa entrevista recente em sua casa em Taybeh, ao norte da fronteira com Israel, o principal estrategista político e membro do Parlamento do Hezbollah, Ali Fayyad, negou que sua organização estava por trás da compra do terreno de Chouf, ou qualquer outra compra de terra.
Ele rejeitou as alegações dos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas dizendo que se tratava de "propaganda" com motivações políticas. "Não temos nenhuma ligação com o Banco Libanês-Canadense", declarou o político. "Os EUA estavam simplesmente perseguindo empresários xiitas inocentescomo uma maneira de nos punir porque vencemos a batalha com Israel."
Para os EUA, desmantelar o banco foi parte de uma estratégia que vem sendo adotada, de utilizar armas financeiras para combater o terrorismo global. / THE NEW YORK TIMES

A ESTATIZAÇÃO DAS CRIANÇAS - O PT quer punir os pais decentes, já que não há o que fazer com os indecentes

REINALDO AZEVEDO
14/12/2011 às 20:27


Caros, o texto que segue, sobre a Lei da Palmada, foi publicado neste blog no dia 15 de julho de 2010. Eu o republico porque há muitos leitores novos no blog, que não devem conhecê-lo. Também rememoro aí a minha segunda entrevista a Jô Soares. Há um trechinho que tem a sua graça. Ah, sim: eu emagreci mais um pouco desde 2009 e estou mais… bem, estou mais cabeludo!!! Os petralhas insistem em me chamar de “careca”! É uma mentira, como tudo o que eles contam!
*

Antes de Lula se declarar Deus e ter escolhido Dilma como a ungida, ele vivia dizendo que os brasileiros eram seus filhos. “Papai” é o rei do mau exemplo. Já foi multado pelo TSE seis vezes, abusa da autoridade para fazer campanha eleitoral, passa a mão em cabeça de mensaleiro, lidera um governo que quebra ilegalmente o sigilo bancário de caseiro e o fiscal de dirigente da oposição. Irmãos! Não sigamos papai nos maus exemplos! Pois bem, como somos seus “filhos”, ele decidiu estatizar os seus netos — no caso, os nossos filhos. Agora eles todos pertencem a… Lula!
O governo enviou um projeto ao Congresso que proíbe a palmada — e os beliscões. Pai que der um tapa da bunda do moleque que se joga no chão no shopping porque cismou de comprar um escafandro pode ser denunciado. O tapa na bunda, meu amigo, passou a ser um assunto de estado. Agora, esse estado tanto pode fazer sozinho a usina de Belo Monte e arcar com o seguro da operação como pode criminalizar o tapa — chinelada, então, deve passar à condição de crime hediondo. Vale para crianças e adolescentes também.
Como sabemos, um dos problemas da educação é a passividade dos adolescentes quando recebem uma ordem dos pais. Isso acabou! Agora eles já podem ir à delegacia mais próxima e denunciar aqueles monstros por “castigo corporal”. “Doutor, ele me deu um tapa no traseiro!”
“Nossa preocupação não é com a palmada. Nossa preocupação é com as palmadas reiteradas e a tendência de que a palmada evolua para surras, queimaduras, fraturas, ameaças de morte”.
Uau! A fala é da subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, da Secretaria de Direitos Humanos. Ah, é uma subordinada de Paulo Vannuchi. Tudo faz sentido. Em que mundo vive esta senhora? Que diabo de fantasia é essa?
Projeto de Lula, é? Fico aqui pensando: terá sido a falta de palmadas que levou Lulinha a criar a Gamecorp? Ou palmadas terão faltado antes, no pai do rapaz? Naquele filme micado, a mãe de Lula protege o filho da surra do pai alcoólatra. Agora o Brasil tem de pagar o pato porque o presidente, parece, teve um pai ausente e violento — ao menos é o que ele diz —, o que o impediu de ter superego. Essa última constatação não é parte das minhas ironias, não! Isso é uma verdade psicanalítica. Consultem um especialista.
Agora vem a segunda parte da minha tese: sabem quem Lula elegeu para pai? Sabem quem é o Laio deste Édipo de Garanhuns com registro distorcido? FHC!!! Lula só consegue se entender inteiro se matar FHC, o que ele faz todo dia, tentando eliminá-lo da história. A falta de superego explica essa vaidade desmesurada e esse complexo de Deus. Mas deixo essa mente fascinante para mais tarde.
Volto agora ao projeto. Pais que imponham hoje um castigo cruel aos filhos já são punidos. Se, a despeito das punições previstas, o espancamento ou maltrato acontecem, estamos diante da evidência de que a lei não os intimida. É uma questão de lógica: se o sujeito não teme a lei que proíbe o mais, não vai temer a lei que proíbe o menos.
Logo, a lei de Lula, que estatiza os nossos filhos, busca punir os pais do tapa eventual, às vezes necessário, para coibir um comportamento inconveniente. O Babalorixá propôs uma lei que deixa os violentos, psicopatas ou bandidos onde sempre estiveram e que passa a punir as pessoas normais. A rigor, é o mesmo mecanismo mental estúpido que resultou naquele referendo sobre o desarmamento. Queria proibir a venda de armas legais — geralmente comprada por cidadãos de bem. Ocorre que o problema do Brasil eram e são as armas ilegais, da bandidagem. Bem, nesse caso, o Estado não podia fazer nada… Quem é Lula para dizer como devemos criar os nossos filhos? As leis existentes já são suficientes para punir os violentos.
Tenho duas filhas, 13 e 15 anos, e meu blog é público. Elas podem me ler. Nunca lhes dei nem uma palmada sequer. Uma vez ou outra, raras, cheguei no “quase”. Eu apanhei dos meus pais uma vez ou outra. Tenho 48 anos já. Não sou de um tempo em que a criança era uma majestade intocável, candidata a pequeno terrorista doméstica — e, depois, do convívio social. Às vezes, eu sabia bem por que estava tomando uns petelecos; noutras, achava uma tremenda injustiça. Aprendi, também ali, a distinguir o justo do injusto? É possível.
Se me fosse dado aconselhar, diria: “Façam como faço; evitem até mesmo a palmada; tentem a conversa e outras formas de punição”. Mas isso é uma decisão que, nos limites das leis já existentes, só cabe às famílias. O estado não tem de se meter nessa relação. Daqui a pouco, uma dessas senhoras ensandecidas, metidas a dizer como devemos cuidar dos nossos lares, também vai querer se meter na alimentação das nossas crianças — idiotas que somos, precisamos de especialistas e ONGs para cuidar até disso. Alguém vai propor punir os pais porque os filhos ou são muito magros ou são obesos.
Em novembro do ano passado, estive no Programa do Jô. Muitos de vocês assistiram à entrevista ou já viram no Youtube. Costumo dizer que, em matéria de Lula e PT, eu jamais erro; só me antecipo um pouco. Se não quiserem ver tudo, recomendo, ilustrando este post e também o que está abaixo, só os 50 segundos finais, a partir dos 7min13s.

Lula ainda não diz como devemos fazer sexo, mas já andou nos aconselhando, por esses dias, sobre como devemos tratar desse assunto com nossos filhos. Considerando umas confissões que ele fez à revista Playboy em 1978, que reproduzo abaixo, acho que dispenso o professor.
“Um moleque, naquele tempo [sua infância], com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre.”
Lula não me parece um bom professor na educação dos filhos ou na educação sexual. Que fique longe das nossas famílias. Já seria um ganho para a República se ele controlasse a dele.
PS: Nos comentários, se possível, ignorem a questão zoológica. O que está em debate é até onde o estado pode se meter nas nossas vidas.
Por Reinaldo Azevedo

Prefeito de Niterói vai a restaurante, ouve o que não quer, e sai de fininho

JORNAL DO BRASIL
14/12 às 19h22

Jornal do Brasil

Annaclara Velasco

Políticos são eleitos pela população, e por isso seus eleitores têm todo o direito de lhe cobrar quando o trabalho não está sendo bem executado.

Na última sexta-feira, quando o trânsito em Niterói parou (mais uma vez) por conta de uma manifestação de estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), o ilustre prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT), resolveu sair para jantar em um restaurante japonês na Região Oceânica da cidade.

A recepção dos clientes do local não foi das melhores.

Sem ter a chance de degustar o seu salmão, o prefeito ouviu comentários exaltados, ditos em tom mais elevado para que fossem ouvidos.

A situação foi descrita como "constrangedora, mas providencial" por um cliente que assistiu a cena, e também não deixou de "esbravejar" com o prefeito.

Tanta cobrança e cara feia deve ter embrulhado o estômago de Jorge, que saiu de fininho.

Câmara aprova permissão para partido denunciar presidente da República

UOL NOTÍCIAS
14/12/2011 - 13h42

Da Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou o Projeto de Lei 6564/09, do deputado Marco Maia (PT-RS), que amplia para partidos políticos e entidades de cunho social e âmbito nacional a legitimidade para oferecer denúncia por crime de responsabilidade contra o presidente da República ou ministros.

Por tramitar em caráter conclusivo, o projeto seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para sua análise em Plenário.

Hoje, a Lei 1.079/50 já permite a qualquer cidadão oferecer a denúncia. Marco Maia acredita, no entanto, que a mudança contribuirá para fortalecer o direito do cidadão, pois evitará consequências pessoais em razão de denúncia contra autoridades do setor público.

Parecer

O relator, deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP), recomendou a aprovação da matéria com emendas de redação, que não alteram o conteúdo da matéria. “O dispositivo da lei atual constitui o único momento em que qualquer cidadão pode chegar a esta Casa ou qualquer câmara legislativa e oferecer uma denúncia para processar o seu governante por corrupção. É uma lei tão antiga e atual, mas muito necessária neste momento. O presidente Marco Maia foi muito feliz, porque atualiza a lei, complementando-a com a presença das organizações partidárias”, afirmou Protógenes.

São enquadrados como crime de responsabilidade os atos do presidente que atentarem contra a Constituição. A Lei 1.079/50 define as condutas que caracterizam esse tipo de crime. Nesses casos, a autoridade pode ser punida com a perda do cargo e com a inabilitação de até cinco anos para o exercício de qualquer função pública.

Santo Agostinho: Um Modelo

GABRIEL VIVIANI


Peter Brown escreveu a melhor biografia de Santo Agostinho.  A obra se chama Santo Agostinho: Uma Biografia[1]. São mais de 600 páginas onde acompanhamos o relato apaixonante a respeito da existência do autor de Confissões A Cidade de Deus. Sabe-se que, costumeiramente, os santos são idealizados por narrativas que escondem obscuridades humanas existentes no caráter do protagonista. Tem-se até a impressão de que o sujeito já nasceu canonizado… Claro que biografias assim acabaram inspirando a falsa ideia da santidade como privilégio de escolhidos. Os santos já nascem como predestinados! Mesmo que Peter Brown tivesse o objetivo de escrever sua narrativa guiado por tal conceito, a personalidade do Santo sempre se lhe esquivaria. O teólogo das Confissões, o cristão, fruto das lágrimas doridas de Mônica, jamais pretendeu escamotear os caminhos tortuosos da sua conversão. 

No trabalho de Peter Brown, descobrimos que a sinceridade daquele africano nem sempre foi compreendida por seus contemporâneos. Suas Confissões surpreenderam os que não conseguiam admitir a humanidade do cristianismo. Como alguém com tamanhos pecados atrevia-se a falar tão abertamente de suas fraquezas? No clima daquela época, grassavam muitas heresias que concebiam o cristão como um ser puramente espiritual. Pois Agostinho provava o contrário! O cristão visa santificar-se, estar em plena comunhão com Cristo, mas nem por isso deixa de ser humano, de ter suas imperfeições. Santo Agostinho foi visionário neste aspecto, pois entendeu rapidamente que o conceito de Igreja como uma comunidade composta de criaturas indefectíveis não corresponde à realidade. 

Fato curioso é que Santo Agostinho, antes de ter-se transformado em sacerdote, e sob a influência do neoplatonismo, sonhava dedicar-se à vida teorética, à contemplação da Verdade. Os planos de Deus o conduziram a outra existência… Peter Brown nos informa que, quando Agostinho foi ordenado presbítero, chorou. Contudo, seu pranto não sugeria a emoção do homem finalmente atingindo seu objetivo, mas sim a do homem que se via obrigado à ordenação. Santo Agostinho não desejava o sacerdócio e, naquela época, presbíteros eram convocados à força. Daí por diante, Agostinho de Hipona compreendeu que abandonava definitivamente o ideal de vida platônico em detrimento da pregação e do combate às heresias. 

Outro aspecto interessante: Santo Agostinho dificialmente seria considerado hoje um tipo politicamente correto. Sua crítica aos hereges e até mesmo às autoridades da Igreja quase sempre eram ácidas. Agostinho não contemporizava: entre defender a verdade e conservar a simpatia alheia, ele sempre escolhia a verdade. Nem que isso lhe custasse muitos desafetos e perseguições. E é evidente que acabava custando. Segundo Peter Brown, a personalidade daquele santo chegava a ser tão combativa que, nas correspondências com o então famoso São Jerônimo
[2]o estilo das discussões beirava a aspereza e a petulância. É que os dois santos buscavam a verdade ardorosamente. 

O fato recordou-me a polêmica atual a respeito da Campanha da Fraternidade e os comentários que o Pe. Paulo Ricardo teceu sobre o tema proposto. Sabemos bem que a ecologia, o pensamento revolucionário e o neopaganismo costumam confundir-se, e com isso acontece de o discurso ecológico ser, com frequência, usado como um instrumento de doutrinação política. O tema da Campanha de 2011 é Fraternidade e a Vida no Planeta, e analisando o desenvolvimento desse tema, o Pe. Paulo Ricardo encontra claramente os sinais de neopaganismo. Se você é, além de católico, também ingênuo, fica rapidamente surpreso. Neopaganismo na CNBB?! Pois não se surpreenda. Por mais que muitos se esforcem por negar, a CNBB continua influenciada pela Teologia da Libertação. Um exemplo: na Campanha da Fraternidade de 2008,Escolhe Pois a Vida, o vídeo de divugação dos bispos brasileiros teve, durante cinco minutos, a defesa do aborto. Numa campanha direcionada contra a morte de crianças inocentes, uma representante do movimento abortista defendia o assassinato de fetos! Surpreso? Em 2007, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apoiou o movimento pela reestatização da empresa Vale. Com ela caminharam ong’s que defendiam o casamento gay e, novamente, o aborto. 

O Pe. Alexsander Lopes que não é da Teologia da Libertação, nem progressista, nem tradicionalista, nem de esquerda, nem de direita, e nem de centro
[3], incomodou-se com a crítica do Pe. Paulo Ricardo à Campanha da Fraternidade. O texto publicado em sua página pessoal (e retirado logo em seguida) insinua que Pe. Paulo Ricardo está-se voltando contra o Magistério da Igreja. Ora, verdade que a CNBB é composta por bispos que são escolhidos diretamente pelo Sumo Pontífice, mas como se trata de entidade constituída civilmente, não tem qualquer autoridade sobre os católicos. Portanto, as meditações críticas do Pe. Paulo Ricardo, ainda que estejam voltadas contra a Campanhas da Fraternidade, não consistem em ataques à hierarquia do catolicismo. 

No seu texto, o Pe. Alexsander Lopes também afirma que o Pe. Paulo Ricardo divide a Igreja no Brasil. Toma o exemplo da campanha presidencial brasileira, quando Pe. Paulo Ricardo atuou fortemente defendendo o voto contrário ao PT (Partido dos Trabalhadores). Por que o Pe. Paulo Ricardo se manifestou naquela ocasião? O PT e sua candidata, Dilma Rousseff têm conhecidamente o histórico de defender causas como o aborto e a união homossexual. Se bem lembramos, o debate acabou incendiando a internet, e naquele final de campanha, de Roma, o Papa Bento XVI corroborou o posicionamento do Pe. Paulo Ricardo: os bispos e sacerdotes devem orientar católicos a não votar em candidatos e partidos que defendem o aborto e o casamento gay. Como o Pe. Paulo Ricardo estava dividindo a Igreja se suas manifestações baseavam-se fielmente na doutrina da Igreja? Pe. Paulo Ricardo caracteriza-se por ser ortodoxo, e sua argumentação a respeito da recente Campanha da CNBB é igualmente ortodoxa. Pois bem, se você é um católico ortodoxo, você é um católico da unidade. 

Que relação tem Santo Agostinho com tais polêmicas? O Pe. Alexsander Lopes e outros sacerdotes e, por que não dizer, oras, até mesmo os bispos brasileiros tirariam grande proveito da leitura de Peter Brown. O teólogo Agostinho, o bispo Agostinho, o sacerdote ressabiado Agostinho mostra claramente ali que ser católico é desejar a verdade com ardor, e defendê-la corajosamente, ainda que isso desagrade os companheiros de fé. Se Santo Agostinho tornou-se Doutor da Igreja, se suas obras de pensamento são consideradas pilares essenciais da fé católica, isso se deve à fidelidade de sua ortodoxia. O bispo de Hipona não buscou alimentar qualquer ambiente conciliatório entre o dogma e sua deturpação. Ao contrário, trabalhou com dificuldade a fim de purificar os conceitos da fé que, naquela época, eram ameaçadas pela confusão das heresias. 

Os bispos da CNBB, bem como muitos sacerdotes e leigos fingem não reconhecer a influência da Teologia da Libertação no interior do catolicismo brasileiro. Sabem que a doutrina continua ali, sabem que ela foi atacada vigorosamente por João Paulo II e Bento XVI
[4], mas levantar a voz e defender o cristianismo verdadeiro significaria desagradar os colegas. 

Não digo que o Pe. Paulo Ricardo seja o novo Santo Agostinho, nem tampouco sei se a Igreja terá outro Santo Agostinho. Sei apenas que, se esse sacerdote leu o livro de Peter Brown, aprendeu direitinho

 
 

[1] Record, 2006, Rio de Janeiro.
[2] O tradutor da Vulgata.
[3] É assim que ele mesmo se define ou não se define, sei lá.
[4] Bento XVI chamou-a de heterodoxa, ou seja, herética.
Gabriel Viviani
Enviado por Gabriel Viviani em 28/04/2011
Alterado em 07/11/2011
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Boa notícia para os mensaleiros

AUGUSTO NUNES



Se depender do ministro Ricardo Lewandowski, os trinta e oito envolvidos no escândalo do mensalão, de 2005, só serão julgados em 2013. Pois ele acha que sete anos não foram suficientes para analisar as provas contra os réus.

Bem vindo à Nova Era!

TIMBRE VIVO
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Descrevendo a produção do novo homem, segundo Erich Vöegelin, onde o Estado se torna o centro do universo, onde a teoria marxista, analisanda através das lentes Hegelianas, passa a dominar nosso universo, transcedendo O Ser Transcendente, somos tomados pelas rédias secularistas. Os valores do secularismo atual, ditando regras e bobajadas desconstrucionistas, destaca-se pela força do Estado. Abaixo, duas montagens muito boas e super criativas do caro amigo Gleisson Brito, onde a Nova Era foi instaurada na humanidade: A Nova Era do Politicamente Correto!

Dez Princípios Conservadores, por Russel Kirk. Tradução do Padre Paulo Ricardo.

Dez Princípios Conservadores

Homofobia não é crime

GAY DE DIREITA
QUARTA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2011


Segue texto do colunista João Pereira Coutinho publicado na Folha de São Paulo. O artigo de Marta Suplicy a que o autor se refere é este. Lembro que este blog, em mais de uma ocasião, desmascarou os dados do GGB - os quais a mídia e a senadora repetem de forma acrítica - sobre assassinatos de homossexuais no Brasil.

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TERÇA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO DE 2011
João Pereira Coutinho - FSP

Homofobia não é crime

É perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais, como é legítimo o inverso

É um erro comum: alguém escreve sobre o julgamento de Oscar Wilde em 1895 e o apresenta como o momento infame em que a sociedade vitoriana resolveu reprimir "o amor que não ousa dizer seu nome".

Admito que essa versão faça as delícias das patrulhas, para quem Wilde virou mártir, ou santo. Mas, ironicamente, a perdição de Wilde não começou com a intolerância da sociedade vitoriana.

Começou quando o próprio decidiu limpar o seu nome das acusações "homofóbicas" do marquês de Queensberry, pai do seu amante Lord Alfred "Bosie" Douglas.

Se Wilde tivesse ignorado um mero cartão pessoal do marquês, onde este tratava o escritor por "sodomita", jamais teria ido parar na prisão de Reading Gaol.

Mas Wilde, em gesto inusitado para seu temperamento irônico, não gostou que se dirigissem a ele como homossexual. Partiu para a Justiça, processando o marquês.

Foi no decurso do julgamento que o jogo virou e Wilde, de alegada vítima, passou a réu. Sobretudo quando a defesa do marquês resolveu arrolar como testemunhas alguns rapazes que tinham sido, digamos, íntimos de Wilde.

A Justiça não gostou e condenou o escritor. Não porque ele era homossexual, entenda-se -a "buggery", mais do que um desporto, era até uma forma de iniciação entre "gentlemen" nos colégios de Eton ou na Universidade Oxford. Mas porque agitara as águas de forma demasiado ruidosa numa sociedade que gostava de manter os seus vícios em privado.

Hoje, a condenação de Wilde pode parecer-nos de uma hipocrisia sem limites. Não nego. Mas existe uma outra moral na história: valerá a pena criminalizar a homofobia, como Wilde tentou fazer ignorando os conselhos dos seus amigos próximos, quando se despertam no processo outros abusos inesperados?

Marta Suplicy entende que sim e, em artigo nesta Folha, defende lei para criminalizar o "delito".

Infelizmente, a sra. Suplicy confunde tudo na discussão do seu projeto: homofobia; crime homofóbico e medicalização da homossexualidade. Como diria um contemporâneo de Wilde, Jack, o Estripador, vamos por partes.

Começando pelo fim, ninguém de bom senso defende que a homossexualidade é uma doença mental. Não é preciso consultar a Organização Mundial da Saúde para o efeito. Basta olhar para a história da espécie humana - e, mais ainda, para a diversidade do mundo natural - para concluir que, se a homossexualidade é loucura, então boa parte da criação deveria estar no manicômio.

De igual forma, ninguém de bom senso negará que persistem crimes medonhos contra homossexuais, seja no Brasil ou na Europa, porque os agressores, normalmente homossexuais reprimidos, não gostam de se ver no espelho.

O problema está em saber distinguir o momento em que uma aversão se converte em crime público. Porque a mera aversão não constitui, por si só, um crime.

Por mais que isso ofenda o espírito civilizado de Marta Suplicy, é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso.

Vou mais longe: no vasto mundo da estupidez humana, é perfeitamente legítimo não gostar de brancos; de negros; de asiáticos; de portugueses; de brasileiros; de judeus; de cristãos; de muçulmanos; de ateus; de gordos ou de magros. A diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto entende que o mundo não tem necessariamente de gostar dele.

O que não é legítimo é transformar uma aversão em instrumento de discriminação ou violência. Não porque isso seja um crime homofóbico. Mas porque isso é simplesmente um crime.

E os crimes não têm sexo, nem cor, nem religião. Se Suplicy olhar para a estátua da Justiça, entenderá que os olhos da figura estão vendados por uma boa razão.

Pretender criminalizar a homofobia porque não se gosta de ideias homofóbicas é querer limpar o lixo que há na cabeça dos seres humanos. Essa ambição é compreensível em regimes autoritários, que faziam da lavagem cerebral um método de uniformização. Não deveria ser levado a sério por um Estado democrático.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".