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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

E A POLÍTICA? E A POLÍTICA?

Percival Puggina - Editorial da semana de 12/10 a 18/10
Zero Hora, 12/10/2008


Sobre a alegria dos vitoriosos, a tristeza dos derrotados e a esperança dos que permanecem no segundo-turno, paira o fato de que esta foi a campanha mais apática que já presenciei em Porto Alegre depois da Lei Falcão. Raríssimos automóveis portavam adesivos. As bandeiras partidárias saíram das mãos dos militantes e foram inteiramente confiadas à falta de convicção dos diaristas e aos seus bocejos. Não raro, transitando pelas ruas desta capital outrora tão ativa nos processos eleitorais, senti vontade de formular aos ventos a pergunta que dá título a este artigo. E a Política? E a Política?

Buscando respostas ao que aconteceu sob nossos olhos, fiz sérias constatações. De um lado, a atividade dos candidatos se manteve sujeita a um sufocante conjunto de impedimentos, controles e penalidades que quando não emergiram de leis federais, foram consideradas como vácuo legislativo e acabaram ainda mais restritivos na caneta dos tribunais. Como aceitar que nossos legisladores, políticos eles mesmos sem qualquer exceção, legislem de modo a coibir tanto a atividade político-eleitoral? E como compreender que os tribunais agreguem contribuição própria para transformar os pleitos numa disputa tediosa, insípida e inodora, que em nada contribui para o indispensável esclarecimento dos eleitores, e que faz da campanha um jogo sujeito a regras que acabam com ele?

Proibiu-se praticamente tudo. E o pouco permitido sujeitou-se a regras das quais a razoabilidade foi exonerada. Contou-me um advogado que atua junto à justiça eleitoral que algo tão trivial como a pintura de muros foi limitado ao tamanho máximo de quatro metros quadrados. Quatro, doutor? Quatro! Nem uma polegada mais, mesmo que o muro seja do próprio candidato. Convenhamos. Em meio a tais normas, nada mais natural do que uma avalanche de processos judiciais, transformando a disputa, para muitos, numa corrida de obstáculos contra prazos processuais, e fazendo com que incontáveis candidaturas e mandatos estejam, por indeterminado tempo, provisoriamente grampeados a um alvará ainda mais provisório. Estamos, crescentemente, judicializando a política. E isso é péssimo.

Com a imprensa obrigada a se manter igualmente estéril, sob severas inibições e imposições, num ambiente formal que promove litígios, direitos de resposta e mandados judiciais, as campanhas saíram das mãos dos candidatos e dos partidos e foram entregues aos marqueteiros e aos advogados. Tudo muito profissional. Os primeiros determinam o que fazer e os segundos verificam se a lei permite. E a Política? E a Política? Esqueça, leitor. Doravante, você vai escolher candidato como escolhe óleo vegetal, sentado no sofá da sala, totalmente manipulado pelos conceitos que lhe impõem. Pessoas de vida pública constroem sua imagem ao longo dos anos. Os marqueteiros, no entanto, as refazem totalmente diferentes do original em poucas semanas. Criadores de criaturas virtuais, descartáveis após o consumo eleitoral.

De tempos para cá, por esforço próprio de muitos de seus atores, diga-se de passagem, a política vem se convertendo em atividade minúscula e suspeitíssima. Mas saiba, leitor: quando ela for insignificante, mesmo, acabará a democracia. Em vez de aprimorarmos os sistemas engessamos aquilo que pode elevar a política a um patamar superior, ou seja, a sua prática na sociedade. E os partidos? Bem, esses já atingiram o terceiro estado da matéria. Coerentes com o processo em curso, começam sólidos, se liquefazem na mistura dos conchavos e acabam gasosos, imperceptíveis, indiscerníveis, indescritíveis.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".