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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como debater com esquerdistas

OLAVO DE CARVALHO
Diário do Comércio (editorial) , 20 de junho de 2007

Olavo de Carvalho

Os liberais e conservadores deste país nunca hão de tirar o pé da lama enquanto continuarem acreditando que nada mais os separa dos esquerdistas senão uma divergência de idéias, apta a ser objeto de polidas discussões entre pessoas igualmente honestas, igualmente respeitáveis. A diferença específica do movimento revolucionário mundial é que ele infunde em seus adeptos, servidores e mesmo simpatizantes uma substância moral e psicológica radicalmente diversa daquela que circula nos corações e mentes da humanidade normal.

O revolucionário sente-se membro de uma supra-humanidade ungida, portadora de direitos especiais negados ao homem comum e até mesmo inacessíveis à sua imaginação. Quando você discute com um esquerdista, ele se apóia amplamente nesses direitos, que você ignora por completo. A regra comum do debate, que você segue à risca esperando que ele faça o mesmo, é para ele apenas uma cláusula parcial num código mais vasto e complexo, que confere a ele meios de ação incomparavelmente mais flexíveis que os do adversário. Para você, uma prova de incoerência é um golpe mortal desferido a um argumento. Para ele, a incoerência pode ser um instrumento precioso para induzir o adversário à perplexidade e subjugá-lo psicologicamente. Para você, a contradição entre atos e palavras é uma prova de desonestidade. Para ele, é uma questão de método. A própria visão do confronto polêmico como uma disputa de idéias é algo que só vale para você. Para o revolucionário, as idéias são partes integrantes do processo dialético da luta pelo poder; elas nada valem por si; podem ser trocadas como meias ou cuécas. Todo revolucionário está disposto a defender “x” ou o contrário de “x” conforme as conveniências táticas do momento. Se você o vence na disputa de “idéias”, ele tratará de integrar a idéia vencedora num jogo estratégico que a faça funcionar, na prática, em sentido contrário ao do seu enunciado verbal. Você ganha, mas não leva. A disputa com o revolucionário é sempre regida por dois códigos simultâneos, dos quais você só conhece um. Quando você menos espera, ele apela ao código secreto e lhe dá uma rasteira.

Você pode se escandalizar de que um desertor das tropas nacionais seja promovido a general post mortem enquanto no regime que ele desejava implantar no país o fuzilamento sumário é o destino não só dos desertores, mas de meros civis que tentem abandonar o território. Você acha que denunciando essa monstruosa contradição acertou um golpe mortal nas convicções do revolucionário. Mas, por dentro, ele sabe que a contradição, quanto menos explicada e mais escandalosa, mais serve para habituar o público à crença implícita de que os revolucionários não podem ser julgados pela moral comum. A derrota no campo dos argumentos lógicos é uma vitória psicológica incomparavelmente mais valiosa. Serve para colocar a causa revolucionária acima do alcance da lógica.

Você não pode derrotar o revolucionário mediante simples “argumentos”. A eles é preciso acrescentar o desmascaramento psicológico integral de uma tática que não visa a vencer debates, mas a usar como um instrumento de poder até mesmo a própria inferioridade de argumentos. Em cada situação de debate é preciso transcender a esfera do confronto lógico e pôr à mostra o esquema de ação em que o revolucionário insere a troca de argumentos e qual o proveito psicológico e político que pretende tirar dela para muito além do seu resultado aparente.

Mas isso quer dizer que o único debate eficiente com esquerdistas é aquele que não consente em ficar preso nas regras formais num confronto de argumentos, mas se aprofunda num desmascaramento psicológico completo e impiedoso.

Provar que um esquerdista está errado não significa nada. Você tem é de mostrar como ele é mau, perverso, falso, deliberado e maquiavélico por trás de suas aparências de debatedor sincero, polido e civilizado.


Faça isso e você fará essa gente chorar de desespero, porque no fundo ela se conhece e sabe que não presta. Não lhe dê o consolo de uma camuflagem civilizada tecida com a pele do adversário ingênuo.

17 comentários:

r disse...

Prezado Olavo,
lí atentamente o seu artigo e com ele concordo plenamente, exceto em alguns pontos cruciais. Sei que o senhor é um especialista na arte da fazer análise do pensamento, mas às vezes comete alguns equívocos quando resolve pensar, arte que domina mas apenas em parte, como prova a sua afirmação de que um equino jamais agirá em razão do pensamento, dando provas do contrário na própria afirmação.

Cavaleiro do Templo disse...

Não, a prova foi dada pelo final de seu comentário.

Italo disse...

Interessante o texto, no entanto, estranho que o titulo se refira a "esquerdistas", seja lá o que isso quer dizer. Pelo que vejo em todos os blogs de política ou naqueles em que a discussão é principalmente sobre política, sua descrição sobre "esquerdista" serve para todos, sem dúvida alguma, todos os que comentam e se auto intitulam esquerdistas, liberais, conservadores e tudo mais. Lí pouco o seu blog, mas ví nele tanta maldade, perversidade, falsidade, desonestidade e tudo mais que existe em todos os outros, das mais diferentes correntes do pensamento político. Não entendi em que seu blog se diferencia dos outros e nem sei mesmo se este é seu objetivo, mas em termos de discussão política é dificil encontrar honestidade nas informações que são publicadas nos blogs. Como dizem "é a guerra".

Cavaleiro do Templo disse...

Pois é, como você disse leu pouco. Mesmo assim acha que tem direito de manifestar opinião sobre o trabalho. É evidentemente uma piada isto.

Brasileiro é assim mesmo. É o mesmo que no futebol, que explica muito bem tudo isto. O cara nunca treinou o time de futebol de botão do bairro onde mora e acha que pode falar sobre a escalação da seleção.

É tão evidente no blog - principalmente no artigos em destaque na lateral - o que quero dizer com esquerdistas que você não perceber mesmo sem ter "lido muita coisa" evidencia sua má fé. Ou burrice. Ou os dois.

José de Araújo Madeiro disse...

CT,

Só que discutir com um esquerdista é sempre uma burrice.

Sabendo que todos esquerdista são iguais, devemos provar, em qualquer debate, que estão mentindo e com mentirosos não devemos discutir se agem sempre de má-fé.

Portanto, não sejamos burros e tentar nivelar por baixo.

Att. Madeiro

Jastwt disse...

Prezado Cavaleiro!
Cheguei aqui hoje e já vi que o negocio ta bravo para o nosso lado.
Esse marxismo economicultural ta acabando com o mundo. Tirando Deus e valores das coisas mais sagradas e mesmo as profanas.
Mais um para ser o suporte nessa longa e dificil jornada de ser um que nada contra essa corrente escatológica destrutiva.

Cavaleiro do Templo disse...

Verdade!!!

O sujeito não precisou mais de dez linhas para provar a própria má fé. Ou estupidez. Ou os dois, que eu acho ser o mais provável.

Abraços, Madeiro
CT

Cavaleiro do Templo disse...

Jastwt, é uma doença nas almas. Satanismo por definição. E o produto deste tipo de doença é e sempre foi miséria, desgraça e destruição.

Abraços
CT

mixpaper disse...

Meu querido irmão Cavaleiro do Templo,

Sou um Cavaleiro também, e luto igualmente e constantemente contra essa corja -socialista, comunista, que para mim nunca passaram de nazistas (nacional-socialistas). Eles são especialistas em usar pseudo-intelectuais, para defesa da causa podre de esquerda, depois esses pseudo-intelectuais fogem, como fizeram em CUBA, com o rabinho entre as pernas, deixando para o povo um governo demoníaco!

jean nunes disse...

RT #CAMPANHABOLSONAROPRESIDENTE http://bit.ly/fzIKoM @midiasemmascara @coroneldoblog @FlavioBolsonaro @VerBolsonaro

Carlos disse...

Boa noite Cavaleiro, antes de tudo que li o texto do Prof. Olavo de Carvalho que extraísse do link:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/070620dce.html

Gostaria que se possível colocasse as referências de onde copiaste o conteúdo na íntegra do Professor, só isto que tenho a dizer.

Herbert Lopes disse...

Caríssimo Cavaleiro,
Poucas vezes encontrei tanto conteúdo lúcido em apenas um espaço da Internet.
Tenho utilizado vários dos seus textos como referência em debates de idéias em comunidades diversas do Orkut.
Espero que continue o bom trabalho por muito tempo... e que Deus continue te dando sabedoria e paciência para enfrentar essa escória da humanidade a quem carinhosamente chamamos de esquerdizantes.
Forte abraço

Razumikhin disse...

Cavaleiro,
siga em frente. A verdade está do seu (nosso) lado. Parabéns.

Anônimo disse...

Além de lindo, por ser um texto bem dito - ou "bendito" - [RS] mostra claramente como os esquerdistas tem suas estratégias para tentar desmoralizar até os que tem dignidade por direito, diferente deles que pensam ser dignos comprando ou deturpando a verdadeira moral e impondo geralmente implicitamente suas virtudes loucas descabidas.
Agradeço ao autor do blog pela maravilhosa mensagem, não só essa como outras e admiro Olavo de Carvalho que reparte esse valioso (e verdadeiro) "Pão" conosco!

MPD disse...

Excelente artigo. Extremamente bem escrito. O Olavo de Carvalho escreve como poucos no país. Parabéns pelo post!

Alejandro disse...

Prezado Prof. Olavo de Carvalho, estou vendo seus videos no youtube sobre o PT, Lula e toda a esquerda... gostaria de verdade que hovessem milhares de pessoas como voce aqui no Brasil,com certeza nosso paiz seria diferente,mas infelizmente o povo é inculto e desinteressado, e esta aí Haddad Eleito mesmo com o escandalo do mensalão... grande abraço e continue postando videos no youtube, estou colocando todos no meu facebook...
Alejandro Zuniga, chileno, naturalizado brasileiro.

Alejandro disse...

Prezado Prof. Olavo de Carvalho, estou vendo seus videos no youtube sobre o PT, Lula e toda a esquerda... gostaria de verdade que hovessem milhares de pessoas como voce aqui no Brasil,com certeza nosso paiz seria diferente,mas infelizmente o povo é inculto e desinteressado, e esta aí Haddad Eleito mesmo com o escandalo do mensalão... grande abraço e continue postando videos no youtube, estou colocando todos no meu facebook...
Alejandro Zuniga, chileno, naturalizado brasileiro.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".