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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Johnson e Os Intelectuais

Nivaldo Cordeiro  - Sábado, 25 de Outubro de 2008 13:00

Acabei de reler o livro Os Intelectuais, de Paul Johnson (Rio de Janeiro, Imago, 1990), depois de muitos anos. Se algum dia voltar à cátedra, não tenho dúvida de que, em qualquer programa de curso que venha a dar, esse livro encabeçará a lista de leituras obrigatórias. Com a sua prosa sóbria e elegante, Johnson faz um retrato de cada um dos principais intelectuais, desde Rousseau. Se um aluno iniciante nos cursos superiores ler esse livro com atenção, ficará vacinado contra a sedução socialista e comunista que é a tônica em nossas universidades.

O traço peculiar a todos os chamados engenheiros da alma humana (definição acertada de Stalin para os intelectuais) é a mistura de mau-caratismo e a incongruência daqueles que possuem uma vida torta quererem consertar o mundo. De todos os autores estudados no livro, os capítulos que considero absolutamente relevantes são aqueles dedicados a 

Marx e a Rousseau. O estudo da vida desses dois monstros morais vai mostrar onde se assenta a origem das suas taras sociais, que sustentam as idéias totalitárias. São os arquétipos de todos os sociopatas.

Os tempos em que vivemos no Brasil de hoje convidam especialmente a uma leitura como essa. Tempos de grandes perigos. Johnson escreveu, no capítulo final:

“A agora chegamos ao ponto central da vida intelectual: a atitude em relação à violência. Essa é a cerca na qual a maior parte dos intelectuais, sendo ou não pacifistas, esbarram, caindo na inconsistência – ou melhor, numa absoluta incoerência. Eles a rejeitam em teoria, como de fato a lógica os leva a fazer já que se trata da antítese dos métodos racionais de resolver problemas. Porém, na prática, eles se vêem, de tempos em tempos, a favor dela – o que poderia ser chamado de Síndrome do Assassinato Necessário – ou aprovando seu uso por aqueles com quem eles simpatizam. Outros intelectuais, diante da violência praticada por aqueles que eles desejam defender, simplesmente transferiam a responsabilidade moral, por meio de uma argumentação ingênua, para os outros, a quem desejavam combater”.

Não é mera coincidência o que acontece com a classe letrada do Brasil com relação a pelo menos três temas explosivos: a guerrilha do MST, o apoio à Cuba de Fidel Castro (veja-se as recentes declarações do embaixador de Lula naquela ilha) e as relações com os EUA, em especial à sua política de combate ao terrorismo. Aplica-se o que Johnson escreveu ipsis verbis.

A existência imunda desses feiticeiros que hipnotizaram as elites não pode ser ignorada, pois as suas vida mostram o que de fato foram, monstros morais. Johnson foi muito feliz ao resumir:

“Tinha-se uma perversidade especial – com a qual qualquer um que estude as carreiras dos intelectuais se torna desanimadoramente familiarizado – para se chegar a essa conclusão... Com efeito, por várias razões, o planejamento social foi a principal fraude e a maior desgraça da época moderna. No século XX, por causa dele morreram muitos milhões de pessoas inocentes, na Rússia soviética, na Alemanha nazista, na China comunista e em outros lugares. Porém, trata-se da última coisa que as democracias ocidentais, com todas as suas falhas, jamais adotam. Pelo contrário. O planejamento social é uma criação dos intelectuais milenaristas, que acreditam poderem remodelar o universo à luz de sua razão auto-suficiente. Esse planejamento é um direito inato da tradição totalitária. Teve como pioneiro Rousseau, foi sistematizado por Marx e institucionalizado por Lênin. Os sucessores de Lênin administraram, por mais de setenta anos, a mais longa experiência de planejamento social da história...”

Mais não precisa ser citado. Johnson vai direto ao ponto. 

O livro é um convite ao despertar, em meio ao sono trágico em que está mergulhado toda a nossa classe pensante.

Publicado originalmente em http://www.nivaldocordeiro.net

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".