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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tudo, tudo o de que se tem vontade

 

IPCO

27, agosto, 2012

Leo Daniele

Liberdade, liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome!”, disse uma francesa que, esguichando sangue, teve sua cabeça decepada pela guilhotina durante a Revolução Francesa. Era Marie-Jeanne Phlippon, uma revolucionária conhecida como Madame Roland (1754-1793).


A palavra liberdade pode comunicar a ideia de se fazer tudo o de que se tem vontade. Entretanto, ela pode levar à licenciosidade, a todos os vícios, ao autoritarismo e, não raro, ao derramamento de sangue.
Vejamos o que diz sobre a liberdade um intelectual muito, muitíssimo conhecido:

Quando um povo é devorado pela sede de liberdade, acontece-lhe ter à testa líderes serviçais, que lha proporcionarão tanta quanto ele queira, a ponto de se embriagar com ela. Se os governantes resistem então aos desejos sempre mais exigentes de seus súditos, passam a ser qualificados de tiranos”.

Prossegue:

“Ocorre também que quem se mostra disciplinado em relação aos superiores é definido como homem sem caráter, servil. E que o pai, alarmado, acabe por tratar seus filhos como iguais, não sendo mais respeitado por eles. O mestre não ousa mais reprovar os alunos, e estes se riem dele.Os jovens reivindicarão os mesmos direitos, a mesma consideração atribuída aos velhos, e estes últimos, a fim de não parecerem por demais severos, acabam dando razão aos jovens”.

E o famoso intelectual tira uma conclusão, inesperada para muitos:

Nesse clima de liberdade, e em nome desta, não há consideração nem respeito por ninguém. Em meio a tanta licença, nasce e se desenvolve uma má planta: a tirania”.

Sim, o autor afirma que excesso de liberdade conduz ao contrário: a tirania. Pensamento não muito encontradiço hoje em dia… mas muito verdadeiro.

Entretanto, o intelectual citado é de muito tempo atrás: do século IV antes de Cristo. Com sutileza e precisão geniais, “seu autor, Platão, assim denuncia os radicais do liberalismo como sendo, na democracia, os verdadeiros pais da ditadura. O trecho é de A República”. Foi extraído do artigo “Platão no sindicato”, de Plinio Corrêa de Oliveira.[1]

Dr. Plinio remata: “Isto não é só do século IV antes de Cristo, nem só de hoje. É de sempre. Está na própria natureza das coisas”.

O texto comentado estava afixado, devidamente emoldurado, na parede de… um sindicato de motoristas de taxi de Roma![2]  “Este é o fruto, num povo, não da demagogia, mas da cultura e da tradição. Insisto na palavra tradição”, comenta Dr. Plinio.[3]

E o que dizer do livre-pensamento? Este “constitui frequentemente uma crença, que dispensa do esforço de pensar” (Gustave Le Bon).

Resta dizer algo sobre a famosa Madame Roland, citada no início deste artigo. Sucedeu com ela o que dizia Platão. Ardorosa líder da liberdade durante a Revolução Francesa (corrente dos girondinos), portanto impetuosa propulsora dos ideais revolucionários, da “liberdade, igualdade, fraternidade”, sua vida terminou num banho de sangue.

Quando souberam de sua violenta morte na guilhotina, seu marido e depois um cúmplice amoroso dela, se suicidaram. Uma decapitação e dois suicídios: em meio a tanta licença, nasce e se desenvolve a planta consequente: a sangueira.


[1] Folha de S. Paulo”, 26.3.83.

[2] O texto foi fornecido por um amigo de Dr. Plinio residente em Roma, que o encontrou na parede de… um sindicato de motoristas de taxi da Cidade Eterna!

[3] Idem, ibid.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".