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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Salvador filósofo

 

MÍDIA SEM MÁSCARA

ESCRITO POR EDSON CAMARGO | 26 AGOSTO 2012
ARTIGOS – CULTURA

PauloemAtenas

Mário Ferreira dos Santos, o maior filósofo que o Brasil já teve, afirmou que o cristianismo era por definição a grande religião capaz de levar os homens à condição de verdadeiros filósofos. A lista destes é imensa, e inclui gigantes de várias épocas, como Justino Mártir, Agostinho, Tomás de Aquino e Edmund Husserl. Recorrendo a ela, deve-se concluir que se o “ide e fazei discípulos” resultou no surgimento de inúmeros filósofos ao longo da história, certamente algo há em Cristo e em sua doutrina que gera esse maravilhoso resultado.

O filósofo norte-americano Peter Kreeft, em seu The Philosophy of Jesus – traduzido para o português dos brasileiros com o título marotamente marketeiro Jesus, o maior filósofo que já existiu– destaca, usando um parecer de C. S. Lewis, que se num certo sentido, Confúcio, Buda e Maomé são filósofos, Jesus Cristo também o é, não só por conta do conteúdo da sua mensagem, mas também pela forma com que a apresentava, para que os homens apreendessem o sentido mais profundo de seus ensinamentos.

Kreeft apresenta na obra os pareceres definitivos do Mestre dos mestres nas quatro disciplinas fundamentais da filosofia. Há uma metafísica de Jesus: Ele responde o que é o ser, o que é o real. Há uma epistemologia do Cristo: Jesus responde como podemos conhecer a realidade, e também apresenta os limites do conhecimento humano. Há a antropologia do Logos Encarnado: “Ele é o homem como o homem foi planejado para ser”, diz Peter Kreeft, que, em seguida, denuncia: “Toda psicologia, sociologia e antropologia secular é fundamentalmente oblíqua em seu próprio fundamento, pois assume, de forma errônea, que seu objeto de estudo, o homem, se encontra em seu estado natural”.

O filósofo está correto. Sem levarmos em conta a Queda, nossa condição de seres caídos, imersos no pecado, não entederemos a Cristo, seu sacrifício, e a nós mesmos. A confusão moderna e as tragédias da modernidade encontram aí sua raíz. E então adentramos nas questões centrais da quarta grande disciplina filosófica: a ética do Salvador filósofo. Como viver? Como agir? Como se portar? Nossa cultura rejeita a moralidade cristã por rejeitar a Cristo, avisa Kreeft. Mas Ele é a refutação do relativismo: mas que um argumento perfeito, Ele é a Pessoa Perfeita. “Os argumentos mais irrefutáveis são sempre fatos, dados, realidade concreta”, lembra o autor, evocando um tema que, vergonhosamente, e por conta dos que rejeitam a Cristo, ainda integra o debate político: “o argumento mais eficaz contra um aborto é simplesmente assistir a um aborto”. Aquele que diz: “quem vê a mim, vê ao Pai, se apresenta e diz:

“Segue-me”. E na santidade o homem encontra sua realização plena, pois foi criado santo, sem pecado. Nela encontra a resposta também da metafísica. Pois um santo é um homem mais parecido com Cristo, que é o fundamento de toda a realidade. É nessa ética que a plena percepção do real pode se ser encontrada, ainda que com limitações: “em parte conhecemos, em parte profetizamos”. Kreeft aborda estas questões decisivas para a saúde espiritual de todo e qualquer ser humano com um texto leve, mas com argumentação sólida.

E aí vem a dimensão pública da ética, a realidade política. O autor exorta: Cristo é mais real do que as doutrinas da direita, que apenas apontam para o real. Cristo é mais amoroso com o pobre do que o entusiasta do esquerdismo. “Por que ser um ‘liberal de coração mole’? Porque Cristo o é. Por que ser um ‘conservador cabeça dura’? Porque Cristo o é”, afirma Peter Kreeft, sem se omitir a respeito do grande vilão em nossa sociedade: a Cristofobia. Declara que vivemos numa época revolucionária, denuncia o pensamento “politicamente correto”, o falso conceito de “tolerância” vigente, e o fraco fundamento dos secularistas para a solidariedade: nossa origem comum, que, segundo estes, é o macaco. “Um fundamento não muito bom”, ironiza. Também critica a chamada revolução sexual. “Cristo modifica radicalmente a revolução sexual. Como ele faz isso? Não ao contrapor religião e sexo, mas ao contrapor a verdadeira e a falsa religião”. E aqui expõe a farsa fundamental do marxismo cultural gestado pela Escola de Frankfurt, sem citá-la, talvez por conta dos fins mais evangelísticos da obra.

Imagino que Kreeft sabe o quão sensíveis são às críticas os autoproclamados defensores da diversidade e do pluralismo; pessoas, que, no fim das contas, são os mais ferrenhos dogmáticos das religiões políticas que geraram as grandes matanças do século XX.

Jesus, o maior filósofo que já existiu convida cristãos tendentes ao irracionalismo e ao desleixo em relação à vida intelectual, como é boa parte dos cristãos do Brasil, a uma vida mais parecida com a de seu Mestre e a de seus grandes discípulos que surgiram ao longo da história. Filósofos, teólogos, mártires, missionários, avivalistas, em várias épocas, mergulhavam nas obras clássicas que tratavam das grandes questões relativas à vida humana. Assim, seguiam a ordenança do apóstolo Paulo à igreja de Filipos (4:8):

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

Dispersa no entretenimento, “o substituto diabólico da alegria”, como bem o definiu Leonard Ravenhill, nossa (a minha; também sou um filho dessa derrocada cultura caótica) geração pode encontrar, em obras como esta, um incentivo à busca do vigor intelectual necessário para “responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês”, como ordenou o apóstolo Pedro (1. Pe.3:15), e seja possível dizer que “destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2.Co. 14: 4b,5).

Dizem que a filosofia passa por uma crise. Negativo. O que passa por uma crise é o vasto conjunto de filosofias seculares desprovidas de coerência e incapazes de fornecer respostas adequadas: o naturalismo, o modernismo, o cientificismo, as ideologias de massa, e a loucura pós-moderna. Essas sim, são as “vãs filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens” (Cl. 2:8). Os cristãos têm um Salvador que é mais que um filósofo, é o próprio Logos, é o fundamento de toda a existência e de toda a realidade. Que cada um de seus discípulos esteja cada vez mais disposto a mergulhar na sabedoria e santidade de seu Mestre. Até por que essa não é uma opção. É um dever daquele que professa o nome de Cristo.

(Imagem: Paulo em Atenas, Rafael, 1515).

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".