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sábado, 18 de agosto de 2012

Na Batcaverna de Nolan

 

MÍDIA A MAIS

17 | 08 | 2012

Batman: anticoletivismo

Por: Felipe Atxa

O capítulo final da nova trilogia Batman é uma obra-prima da maravilhosa arte popular do cinema. Mas não é só isso.

Nada como um filme para, em pouco mais de duas horas, abrir todas as janelas do mundo. Diretor algum consegue colocar a cabeça dos espectadores para fora em cada uma delas: mas é possível, diante de uma produção comoBatman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, sentir o vento sacudindo o cérebro, as ideias apontando caminhos, a curiosidade aflorando a cada fotograma.

Se Christopher Nolan, o escritor por trás do filme, é um ingênuo como faz parecer em suas entrevistas, então sua intuição é do tamanho de seu talento. A proeza técnica de seu último Batman, a crueza do espetáculo predominantemente mecânico (não vá para o cinema esperando ver aqueles efeitos com cara de vídeo-game), escondem e iludem (no bom sentido do termo, naquele mais "cinematográfico"): há muita coisa por trás daquelas imagens.

Quem já viu o filme pode se lembrar; quem não viu ainda, vale a pena prestar atenção. Sem revelar segredos para o segundo grupo, aqui vai uma pequena série de tópicos que o filme levanta, preocupações que discute vagamente (não há discussão cinematográfica que não seja "vaga", e reside exatamente nessa ligeireza a maior qualidade da arte - popular - do cinema, porque nenhuma outra faz da plateia a senhora do significado tanto quanto esta):

- Ecos da Revolução Francesa, que permeiam o filme inteiro: os tribunais populares, a conotação perversa que a palavra "cidadão(ã)" assume em determinado momento da trama. Repare na nacionalidade de um dos atores/atrizes, e como nem essa informação é desprezível dentro do contexto.

- Preste atenção em quem defende com unhas e dentes "fontes de energia alternativa", e depois o que tal personagem faz ou deixa de fazer.

- A maravilhosa cena em que se confrontam poder econômico vs. poder real (das armas, da violência), e quem finalmente vence.

- Como os milicianos lembram bolcheviques destruindo casas e colocando a "aristocracia" para correr.

- Lembre-se de que Batman é, acima de tudo, um defensor da ordem, mas não de qualquer ordem: da ordem burguesa.

- O terrorista/homem-bomba, que aceita com felicidade seu destino logo na cena de abertura.

- Como o filme traz à tona o velho tema dos capitalistas (corporações) financiando as revoluções.

O último Batman de Nolan está longe de ser um "filme de arte": é, repito, um espetáculo da extraordinária arte popular ("para todos") que é o cinema. Por isso mesmo é capaz de propor uma miríade tão vasta de temas em tão pouco tempo para um número absurdamente grande de pessoas dos mais variados perfis sociais e culturais. Seria Nolan um "conservador"? Seria "Batman" um herói extemporâneo da moribunda "direita cinematográfica"? Seria seu enredo um alerta quanto à fraqueza dos homens de bem na guerra ao terror, da leniência quanto às relações suspeitas entre capital e movimentos revolucionários, do relativismo moral da sociedade moderna, uma crítica velada aodeterminismo histórico?

Não faço a menor ideia. Mas um filme que consegue irritar e incomodar de Barack Obama a Slavoj Žižek, passando por todos os estupefatos críticos brasileiros de cinema, merece ser visto. E visto de novo. E por que não uma terceira, uma quarta vez...

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".