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terça-feira, 14 de agosto de 2012

A completa inutilidade das “políticas públicas” para a cultura

 

MÍDIA A MAIS

13 | 07 | 2012

Cinema fechado em SP

Por: Felipe Atxa

Bilhões de reais destinados anualmente para a “cultura” revelam-se totalmente inócuos quando um cidadão comum resolve sair de casa em busca de “atrações culturais” pelas quais já pagou quando contribuiu com seus impostos.

Nove de julho é feriado em SP e a data ideal para conferir o que os governos têm feito com o dinheiro dos contribuintes que seria pretensamente investido em “cultura para todos”. O Ministério da Cultura tem algo próximo a 1,5 bilhão para gastar anualmente [1]; o Estado de SP, 1 bi [2]; a Prefeitura, quase 300 milhões [3]. É de se supor que ao menos uma parcela desse quinhão bilionário reverta-se para os cidadãos comuns, que não militam nem vivem diretamente da produção cultural. Mas isso está longe de acontecer. A cidade conta com pouco menos de 300 salas de cinema [4]; entre elas, somente oito podem ser consideradas “culturais” , ou seja, teoricamente não guiadas pelas leis de mercado e funcionando segundo alguma diretriz “social”. No dia da comemoração da Revolução de 32, a Caixa Cultural, o Centro Cultural Banco do Brasil, o Cine Olido (municipal), o Cine Segall, a Sala Cinemateca (mantida por uma fundação) e o Cinusp (da Universidade de SP) estavam fechados ou não ofereciam filmes para exibição. A sala do Centro Cultural SP permanece desde o ano passado interditada para reformas e só o Cinesesc estava aberto – cobrando pelos ingressos como qualquer sala comercial, apesar de ser mantido pelo Sistema S que se mantém através das contribuições sociais recolhidas de trabalhadores e empresas de forma compulsória.

Se estivessem abertas, as salas do CCBB, do CCSP, do Olido, do Segall e da Cinemateca também cobrariam pelos ingressos (com preços variando entre um e oito reais, diferentemente do Cinesesc, que chega a cobrar até 12). Dependendo do dia e da sessão, é possível pagar menos em algumas salas do circuito comercial.

A situação pode ser menos grave mas certamente guarda semelhanças no circuito teatral, de música e nas bibliotecas – cada uma a sua maneira, refletindo o insucesso das políticas públicas de cultura. Se pretendesse assistir a um concerto, por exemplo, o paulistano não teria nenhuma opção para o feriado. No restante da semana, teria de desembolsar entre 13 a 600 reais para usufruir de alguma das atrações – ou acotovelar-se nas raríssimas e disputadas sessões gratuitas, oferecidas pela Fiesp e pelo CCSP, por exemplo, muitas vezes em eventos únicos (falando mais precisamente, o Guia da Folha previa apenas cinco deles durante a semana inteira). Muito pouco para uma cidade com tanto dinheiro supostamente destinado à cultura.

Pela exposição de Modigliani, o paulistano desembolsaria 15 reais (exceto na terça-feira gratuita). Para conhecer as invenções do pioneiro do cinema George Meliès, quatro (mais oito de estacionamento se resolvesse cometer o crime de usar seu próprio automóvel). Ambos os eventos ocorrem em museus públicos. E que tal um teatrinho? São 50 reais no mínimo para ver o Macbeth produzido através da Lei Rouanet ou 30 para “O Libertino” patrocinado pelos Correios. Esqueça despesas com garagem ou flanelinha: os contribuintes podem usar o teletransporte para economizar seu dinheiro. Caso usem o metrô, é bom testar os 500 metros rasos para não perder o último trem da noite.

Os bilhões da cultura pública têm sido igualmente incapazes de evitar a desmontagem da estrutura física que fornece cultura: cinemas de rua fecham ou são abandonados até a ruína dia após dia [5]. Bibliotecas com livros novos? Boa sorte. [6]

A despeito de toda essa situação, o orçamento da cultura cresce junto com a arrecadação de um país também em crescimento e, ao menor sinal de corte, a categoria mobiliza-se para que as medidas de austeridade não atinjam o setor. Não é difícil resolver a equação misteriosa: em vez de atender a uma eventual demanda da sociedade por cultura (especialmente por cultura gratuita e amplamente acessível), o foco está em satisfazer os produtores, que não vivem nem comem de sessões gratuitas, reformas de cinemas antigos ou livros novos: vivem precisamente de produzir. Entre enfrentar as lamúrias e panelaços de estudantes de artes e clowns agressivos e dar uma satisfação para as pessoas comuns, ou simplesmente fingir que a grana da cultura tem real destinação social, os políticos não têm dúvida em optar pela encenação da segunda alternativa.
Sustentar artistas e burocratas é a real prioridade de tais políticas. Dos bilhões gastos todo ano, a parcela que retorna diretamente para a população é inexpressiva e pode ser contada em eventos que ocupam os dedos das mãos. Mãos dos contribuintes (sempre vazias), porque as dos produtores estão ocupadas você sabe muito bem com o quê.

[1] http://www.cultura.gov.br/site/2012/01/06/minc-executa-quase-100-do-orcamento-de-2011/
[2] http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1294433
[3] http://www.nossasaopaulo.org.br/observatorio/regioes.php?regiao=33&tema=9&indicador=86
[4] http://www.visitesaopaulo.com/dados-da-cidade.asp
[5] http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,windsor-outro-cinema-fechado-no-centro-de-sp,897745,0.htm
[6] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u690859.shtml

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".