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sábado, 14 de abril de 2012

Constantino, o eugenista

 

CONDE LOPPEUX DE LA VILLANUEVA

sexta-feira, 13 de abril de 2012


A decisão do STF sobre a permissão legal do aborto a nascituros anencéfalos abriu um precedente para a eugenia pura e completa. Por mais que existam exemplos de anencéfalos que sobrevivam ao parto e por mais não haja nenhuma evidência de que estes seres vivam uma vida “vegetativa”, contudo, os juízes do Supremo optaram pela morte. E baseado em que? Em meras especulações pseudo-científicas sobre a vida. Por que diria pseudo-científicas? Porque a vida não se resume a um mero complexo biológico ou físico. Há coisas muito mais além. Na verdade, a ideologia materialista reinante nas mentalidades pró-aborto resume a humanidade a um mero composto celular. Questões como a dignidade intrínseca do ser humano foram relativizadas, a ponto de negar humanidade a uma fase da vida humana.

Vejo um embusteiro tagarela na internet: o economista Rodrigo Constantino. Em seu artigo, publicado no dia 12 de abril de 2012, chamado “Católicos, aborto e Hitler”, ele escreve com as seguintes tintas, já que não admite a relação entre aborto e eugenia:

“Em primeiro lugar, considero altamente ofensivo comparar fetos anencéfalos aos judeus. Que história é essa? Judeus são seres humanos, como quaisquer outros. Já esses fetos não possuem nada que remeta ao que chamamos de humano. Não é eugenia eliminar o sofrimento de uma mãe que carrega na barriga um feto condenado a não viver!”

Resta-nos entender essa lógica bovina no seguinte âmbito racional: o que define o ser humano, na cabecinha vazia de Rodrigo Constantino? Quer dizer que alguém que nasce sem parte do cérebro é menos humano do que aquele que nasce com um cérebro inteiro? Podemos aplicar essa lógica aos aleijados: os homens sem braço são menos humanos do que os homens com braços. Um ser humano seria menos ser humano no ventre da mulher, por não ser identificado completamente a sua forma humana? De uma coisa, nós podemos rir, já que Constantino fala da “Razão”, com letra maiúscula: os fetos não remetem nada a que seja humano, embora a partir dali esteja se formando um para nascer. Vai entender chorumela de abortista!
A melhor forma de matar alguém é desumanizar a vítima. Mas ele insiste em falar besteira:

“A morte cerebral, mesmo em adultos, é considerada morte, e os médicos ficam autorizados a extrair órgãos para doação, quando permitido. Acho que alguns católicos acabam traindo seu antissemitismo até quando tentam "defender" os judeus”.*

A morte cerebral não nega a natureza e a dignidade de homem morto. A correlação entre os anencéfalos, que têm vida e alguém que morre cerebralmente é arbitrária e sem o menor nexo. A evidência mostra que os anencéfalos podem viver além do nascimento, o que denota que o argumento da “falta de cérebro” para viver é furado. Aliás, é discutível se a morte cerebral define a morte do corpo. Há casos de morte cerebral em que a pessoa voltou à vida.

Por outro lado, a comparação entre aborto, eutanásia e eugenia é mais que justa: Hitler, em 1939, aplicou a política de eugenia aos débeis mentais, aleijados, paralíticos e outros indivíduos considerados “inaptos racialmente”. Constantino pensa a mesma coisa, em um vídeo no youtube, quando diz que os cristãos cultuam o sofrimento e que a melhor forma de fazer caridade aos incapazes é matá-los. A eugenia parte de uma crença falsa da perfeição humana. Eles querem determinar quem deve viver ou morrer, a partir de estereótipos ou modelos idealizados de um ser humano. Hitler não considerava os incapazes dignos de viver, porque não se adequavam à idealização da raça ariana. Os judeus, os eslavos e os ciganos entravam na lista de pessoas a serem eliminadas.
“Em segundo lugar, não venham jogar Hitler para o lado dos defensores de um estado laico, por favor! Dizem que quando se apela para Hitler em um debate de internet, é porque faltam argumentos. Pode ser. Mas se os católicos fanáticos se sentem no direito de acusar quem aceita o aborto, nesses casos extremos, de parecido com Hitler, então eu me sinto no direito de resgatar o que o próprio Lúcifer dizia. É injusto o ataque dos católicos, até porque Hitler tinha palavras elogiosas ao Cristianismo, justamente a este lado mais fanático que os carolas raivosos demonstram, na "certeza" de que lutam pela boa causa”.

Rodrigo Constantino apela à desonestidade intelectual mais grosseira. Qualquer pessoa bem estudada sabe que Hitler, intramuros, odiava o cristianismo e desprezava seus valores. O Estado nazista era visivelmente secularista e tinha como ideologias oficiais, o socialismo e o racialismo biológico (o último, fruto das teorias darwinistas tão em voga na Europa do final do século XIX e começo do século XX). Mas é claro que Constantino vai tergiversar e falsificar a história, envolvendo falsamente os católicos ao nazismo. Só faltou ressuscitar a grande mentira histórica do século, ou seja, a das relações de Hitler com o Papa Pio XII. A pregação “cristã” de Hitler era tão somente demagógica, para conquistar votos dos católicos alemães. Que grande “católico” era o tiranete austríaco! Tão católico que quando tomou o poder, não pensou duas vezes em confiscar os colégios católicos e proibir a formação de seminaristas! Ou mais, cogitou até sequestrar e deportar o Papa Pio XII!

“Não custa lembrar também que Hitler, que se dizia católico ("Sou e sempre fui um católico e sempre serei"), afirmava que estava seguindo os mandamentos do Senhor quando eliminava os judeus ("Acredito hoje que minha conduta está de acordo com a vontade do Criador Todo-Poderoso"), em boa parte com a omissão da Igreja Católica”.

Dizer-se católico faz de alguém católico? Percebe-se que Constantino é um ignorante na doutrina social da Igreja Católica, como também das relações conflituosas e difíceis que a Santa Sé teve com o nazismo. Bastava o liberal de meia pataca nos demonstrar qual a relação do pensamento tradicional da Igreja Católica com o nazismo, para nos evidenciar o “catolicismo” de Hitler. Contudo, Rodrigo Constantino não perde tempo nesses expedientes intelectuais sofisticados. Basta ele dar uma de ateuzinho de Wikipédia e site ATEA: lê uma orelhada de google e acha que já tirou conclusões sobre a história do nazismo e da Igreja Católica. Entretanto, a única coisa que Constantino nos evidencia é a sua completa ignorância sobre o assunto. É pura má fé.
“Aliás, no Index dos livros proibidos pela Inquisição (quem disse que os comunas que inventaram a censura?), Voltaire, Galileu, Victor Hugo e Kant estavam vetados (que perigosos!), mas "Mein Kampf", do nazista assassino, jamais constou na lista. Uma mancha e tanto para a Igreja...”

O argumento acima é um non sequitur. Curioso é pensar que Constantino defenda a censura do Mein Kampf, já que se diz liberal. Na verdade, é a falácia do espantalho: se a Igreja declarasse publicamente a censura do Mein Kampf, Constantino inventaria o argumento de que a Igreja censura qualquer idéia e no final, tudo ficaria como antes, no quartel de Abrantes!

Mas parece que o umbigocêntrico liberalóide da religiãozinha sectária da Ayn Rand se esqueceu de que a Igreja condenou publicamente o nazismo, em 1937, e que o preço a ser pago foi a prisão de milhares de católicos na Alemanha. Claro que isso não cai na agendinha liberal constantiniana. O negócio é a calúnia gratuita.
“Portanto, meus caros colegas católicos mais empedernidos, não tentem colar a imagem daqueles que aceitam o aborto em caso de feto anencéfalo ao nome de Hitler, porque isso é para lá de absurdo!”
Por que seria absurdo, se o próprio Constantino acha a mera vida de um aleijado algo indigno de se permitir, como disse no vídeo? Ao que parece, podemos tirar uma conclusão óbvia do liberal de meia pataca: Rodrigo Constantino não possui um espelho, já que tudo o que pregou se assemelha, e muito, à doutrina nazista de extermínio dos incapazes e inferiores. Entretanto, Constantino abusa do Wikipédia:


“O antissemitismo católico vem de longa data, como fica claro em "O Mercador de Veneza", de Shakespeare”.

Que eu saiba, Shakespeare vivia numa sociedade anglicana, elisabetana, do século XVI, e não católica. Será que Rodrigo Constantino vai censurar o grande teatrólogo inglês, porque ele acredita piamente que o autor fosse anti-semita? A figura do judeu agiota e explorador, que só pensa em dinheiro, não é um anedotário totalmente anti-semita. Até os judeus corroboram com esse estereótipo em piadas. Porque, de fato, existiam judeus que agiam assim. É normal que, numa época politicamente correta, qualquer crítica a grupos considerados “minorias” seja recebida com histeria.
“A "usura" sempre foi condenada pelos católicos. O pior caso foi na Espanha. Desde o momento de sua criação, a Inquisição espanhola lançara olhos cobiçosos sobre a riqueza judia. A Inquisição endossou com entusiasmo o virulento antissemitismo já promulgado por um notório pregador, Alonso de Espina, que odiava igualmente judeus e ‘conversos’. Alonso defendera a completa extirpação do judaísmo da Espanha - por expulsão ou extermínio. A 12 de maio de 1486, todos os judeus foram enxotados de grandes partes de Aragão. Torquemada parece ter aceitado o adiamento pela Coroa da expulsão de todos os judeus da Espanha até que o Reino muçulmano de Granada fosse final e definitivamente conquistado”.

Neste trecho, Constantino mescla um balaio de gatos, para destilar argumentos simplistas sobre os fatos extremamente complexos que ocorreram na Espanha do século XV, com o intuito bobo de caluniar o catolicismo. Eu não perderei tempo aqui rebatendo as argumentações históricas acima. Mas digamos que seja verdade que judeus e cristãos se odiassem durante uma boa parte da história: isso invalida o fato de que os cristãos estejam certos em defender a vida humana? Invalida o fato de que a perspectiva eugênica de Constantino serviu de justificativa para eliminar os judeus da Europa por Adolf Hitler?

“Sempre que católicos falam de uma cultura "judaica-cristã", vem à minha mente a imagem de água e óleo se misturando”.

Ao que parece, Constantino não sabe escrever: é cultura judaico-cristã! E a associação entre judaísmo e cristianismo é bastante factível: a fé judaica e a cristã possui na história bíblica hebréia a mesma origem. Isso não quer dizer que os católicos concordem com a visão religiosa judaica. Será que precisamos explicar o óbvio ao liberalóide?

“** Essa "certeza" de luta pela boa causa é que me assusta. É boa causa impor o sofrimento de 9 meses para uma mãe que vai parir um conjunto de tecido sem capacidade cerebral? É boa causa isso? Eu digo que NÃO! Eu digo que é uma CRUZADA MORAL que faz seus adeptos se sentirem pessoas melhores, superiores do ponto de vista moral, apenas isso”.

Pelo contrário, essa certeza de querer ditar para as pessoas quem deve viver e morrer é que preocupa qualquer pessoa com um mínimo de juízo. No começo, serão os anencéfalos. Depois, os portadores de síndrome de Down. E aí vêm os aleijados e portadores de outros tipos de retardamento. Até chegar a grupos considerados racial e mentalmente inferiores. E assim sucessivamente. A matança de seres humanos, no século XX, começa cheia de boas intenções. Isso porque Constantino, ao afirmar que uma pessoa aleijada ou anencéfala não deve viver, crê piamente que está fazendo caridade aos doentes!


“Essa gente ama a Humanidade, mas parece não se importar tanto com o próximo de carne e osso - e cérebro!”

Pior é Constantino, que além de não amar a humanidade em geral, despreza o ser de carne e osso que está no ventre da mãe para nascer.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".