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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Umberto Eco e a identidade europeia

 

perspectivas

Quinta-feira, 23 Agosto 2012

Filed under: A vida custa,cultura,Esta gente vota,Europa,politicamente correcto,Ut Edita — O. Braga @ 2:10 pm

«No seio da própria civilização ocidental, vamos adquirindo de forma cada vez mais acentuada a consciência daidentidade europeia. Talvez essa identidade não se manifeste quando visitamos outro país europeu, porque nessa situação é mais evidente a percepção da diferença — mas essas mesmas diferenças são notadas por um milanês que viaja até Palermo, ou por um calabrês que chega a Turim.

A identidade europeia afirma-se, no entanto, mal entramos em contacto com uma cultura extra-europeia, incluindo a cultura norte-americana: num congresso, num Serão passado entre amigos de países diferentes, ou até no decorrer de uma viagem turística, há momentos em que de repente nos apercebemos de que há uma sensibilidade comum, que nos faz estar mais próximos dos pontos de vista, do comportamento e dos gestos de um francês, de um espanhol ou de um alemão do que dos de um não-europeu.»

— Umberto Eco, “A Passo de Caranguejo”, 2007, página 42 (o sublinhado é meu).

Esta opinião de Umberto Eco é absolutamente falsa e irracional. Dizer, por exemplo, que um português se sente mais próximo de um alemão do que de um brasileiro ou de um angolano; ou dizer que um espanhol se sente mais próximo de um inglês do que de um argentino; ou dizer que um inglês se sente mais próximo de um grego do que de um australiano — é pura mentira e uma falácia de todo o tamanho. É uma desonestidade intelectual vinda de um intelectual de esquerda como é Umberto Eco. É a negação ostensiva e propositada da pura evidência dos factos em nome da construção de um leviatão europeu que, alegadamente, serviria o propósito da paz à custa da repressão causada por um totalitarismo suave.

A identidade europeia

Poderá Umberto Eco argumentar que a validade do seu argumento da “identidade europeia” se aplica apenas aos países europeus sem uma história colonial consistente e consequente — como, por exemplo, a Itália ou a Alemanha. Mas o argumento é, ainda assim, muito fraco, porque o grau de diferenciação existente entre um italiano e um alemão, por exemplo, não é menor do que o grau de diferenciação que existe entre um francês e um alemão — e as diferenças são enormes.

Em alternativa, Umberto Eco poderá argumentar que existe uma “identidade europeia” a nível de intelectuais de esquerda que partilham uma mundividência política similar, senão mesmo idêntica. Aqui, até posso estar de acordo. Não me custa nada admitir que Umberto Eco e, por exemplo, Habermas, Fernando Savater e o falecido e histriónico Jacques Derrida, tenham tido uma mundividência semelhante acerca da Europa e de uma putativa “identidade europeia”. Mas o que o Umberto Eco não tem o direito de fazer é confundir a mundividência intelectual da esquerda, por um lado, com a mundividência que cada um dos povos da Europa tem de si mesmo e dos outros.

Esta mania esquerdista de considerar universais os seus próprios valores, como se estes tivessem que ser necessariamente impostos de forma coerciva à maioria das pessoas, é algo de extremamente irritante e até nauseabundo.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".