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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ESPÍRITO SANTO (mas é assim em todo o país): Tratar o caso da universitária que “fumou R$ 50” como destaque em detrimento da fala do representante da mais alta corte do Estado, é uma preocupação que deve inquietar a todos nós

 

SÉCULO DIÁRIO

Afinal, o que é notícia?

Editorial

23/08/2012 18:31 - Atualizado em 23/08/2012 18:59

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Não estamos aqui para jogar pedra em ninguém, pois também temos vidro no nosso telhado. Quem não tem? Mas chamou a atenção o tratamento editorial que boa parte da imprensa capixaba deu às declarações do presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, na sessão da 1ª Câmara Criminal dessa quarta-feira (22).

Pedro Valls – que também relata a ação da "Operação Lee Oswald" – literalmente encostou o Ministério Público Estadual na parede ao exigir a lista completa dos membros do crime organizado envolvidos numa vultosa rede de corrupção montada a partir de Presidente Kennedy, com ramificações em outros municípios capixabas. Uma rede que envolve figuras do alto escalão inclusive do governo anterior.

Insatisfeito com o trabalho realizado pelo MPES, o desembargador recusou a lista apresentada – repleta de “peixes pequenos” - e cobrou da instituição os nomes dos chefões do crime organizado. Nas palavras dele, os que estão no “topo da pirâmide” da corrupção.

Para quem ainda não havia entendido a gravidade dos fatos, Pedro Valls advertiu que estava diante do “maior escândalo de corrupção da história do Espírito Santo”. Ele quis alerta aos presentes que não estava tratando ali de um caso corriqueiro de corrupção, iguais a tantos outros que, infelizmente, temos presenciado no Estado e país afora. Mas um escândalo sem precedentes na história recente do Estado.

Entretanto, toda indignação manifestada pelo presidente do Tribunal diante de um plano tão audaz e ardiloso, parece não ter sensibilizado a maioria dos editores dos veículos capixabas de comunicação de jornais, rádios, internet e TV.

Os dois principais jornais impressos não destacaram o assunto nas chamadas de capa. O primeiro em tiragem, justiça seja feita, deu a notícia no alto esquerdo da página e incluiu os principais trechos da fala do desembargador. Uma foto do desembargador ainda trazia as aspas de indignação: “Não há apenas vagas suposições. Há nomes, há lugares, há valores. Será possível que nada disso seja sequer objeto de apuração?”.

Já o segundo, como se diz no jargão do jornalismo, deu “uma nota de rodapé”, de tão discreta que foi a notícia. Sinceramente, quem se informou pela “nota”, não teve sequer a vaga dimensão dos fatos narrados pelo presidente do Tribunal.

Os principais sites de conteúdo do Estado também trataram o assunto com pouca ou nenhuma relevância. Um deles, simplesmente, ignorou o fato, e não deu sequer uma linha de informação aos seus leitores.

Que nos perdoem aqueles que nos interpretam arrogantes, donos da verdade ou algo que o valha. Longe disso. Não temos a pretensão de assumirmos o papel de ombudsman da imprensa capixaba, mesmo porque, não é essa a nossa vocação. Não queremos também aqui nos investir da função de julgadores, porque também sabemos que essa é uma prerrogativa exclusiva dos leitores. Mas queríamos simplesmente registrar que há algo de estranho na interpretação jornalística reservada a esta notícia.

Independente da linha editorial de cada um dos veículos que se dizem de informação, tratar o caso da universitária que “fumou R$ 50” como destaque em detrimento da fala do representante da mais alta corte do Estado, que alertou que está perante do maior escândalo de corrupção que este Estado já viu, é uma preocupação que deve inquietar a todos nós.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".