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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Grande Fome de Mao

 

MÍDIA SEM MÁSCARA

ESCRITO POR EMANNUEL MARTIN | 01 FEVEREIRO 2012
INTERNACIONAL - CHINA

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“Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram. Não é que as pessoas morressem de fome porque não havia comida disponível. A comida era na verdade usada como uma arma para forçar as pessoas a cumprirem as tarefas atribuídas pelo Partido.”

UnMondeLibre: Estamos felizes em publicar hoje (7 de outubro de 2010) uma entrevista que o professor Frank Dikötter da Universidade de Hong Kong concedeu a Emmanuel Martin, que acaba de publicar um livro intitulado “Mao’s Great Famine : The History of China’s Most Devastating Catastrophe” (“A Grande Fome de Mao: A história da catástrofe mais devastadora da China”- 2010, Bloomsbury, Londres; Walterbook, New York).

Emmanuel Martin: Professor Dikötter, sua obra trata das conseqüências do “Grande Salto Para Frente”, iniciado por Mao na China. Qual era a idéia, o objetivo deste “Grande Salto Para Frente”?

Frank Dikötter: O “Grande Salto Para Frente” começou em 1958 e terminou em 1962. Foi uma catástrofe enorme. Por que ele foi feito? Em 1958, Mao estava há quase dez anos no poder e crescia sua impaciência diante da falta de desenvolvimento econômico e da resistência dos agricultores à coletivização. Mas, acima de tudo ele desejava assumir a liderança do campo socialista.

Sua idéia, portanto, foi superar os seus concorrentes usando o que ele considerava a verdadeira riqueza do país: uma força de trabalho de centenas de milhões de homens e mulheres. Ele achava que, usando todos os agricultores do país, agrupando-os em comunas gigantes, e transformando-os em soldados de um exército industrial da revolução, ele poderia transformar simultaneamente a agricultura e a indústria, catapultando assim o país para além do desempenho da União Soviética e talvez mesmo da Inglaterra em quinze anos. Na verdade, este era o slogan: superar a Inglaterra em quinze anos.

Mao

Então, o que ele fez foi coletivizar praticamente tudo. As pessoas do campo foram amontoadas em comunas populares, as cantinas eram os únicos lugares onde a comida era distribuída, e a colheradas, por assim dizer. As pessoas viram as suas terras confiscadas, como suas casas e seu estilo de vida. Tudo foi coletivizado. A única maneira de fazer os camponeses famintos trabalharem no campo foi o uso da força. Muito rapidamente o paraíso utópico provou ser um enorme quartel militar. A coerção e a violência eram as únicas formas de garantir que as pessoas executassem as tarefas que lhes eram ordenadas pelos membros locais do Partido.

EM: Quais fatos históricos você descobriu sobre esse episódio trágico?

FD: Em primeiro lugar, este é o primeiro livro baseado nos enormes arquivos do Partido. Até agora, os historiadores têm utilizado como fontes publicações não oficiais ou semi-oficial para determinar o que se passou. Desta vez, tivemos acesso a relatórios, inquéritos, sondagens extremamente detalhadas, bem como aos relatórios da vigilância da polícia de segurança sobre o desenvolvimento da fome, ou seja, milhares de documentos escritos pelo partido na época. O livro lança então uma luz inteiramente nova sobre o que aconteceu.

E depois, a fome tomou dimensões muito além do que se pensava anteriormente. Os especialistas estimavam a catástrofe demográfica entre 15 e 30 milhões de mortes. Com as estatísticas compiladas pelo próprio Gabinete de Segurança Pública na época descobre-se uma calamidade muito maior: pelo menos 45 milhões de mortes prematuras entre 1958 e 1962.

Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram. Não é que as pessoas morressem de fome porque não havia comida disponível. A comida era na verdade usada como uma arma para forçar as pessoas a cumprirem as tarefas atribuídas pelo Partido. E as pessoas que eram consideradas como de direita ou conservadoras, as pessoas que dormiam no serviço, que estavam muito doentes ou enfraquecidas serem obrigadas a trabalhar se viram sem acesso à cantina e morriam mais rapidamente de fome. Pessoas fracas ou os elementos considerados como inaptos pelo Partido foram, portanto, deliberadamente levados à fome.

Mas também devemos ressaltar a violência do sistema. Entre dois e três milhões de pessoas foram sumariamente executadas ou torturadas até a morte. Alguns foram torturados por roubar uma batata. Em um caso, que foi relatado no alto da cadeia de comando, um homem teve, por roubar uma batata, suas pernas amarradas com arame, atadas sobre as costas, uma das orelhas cortadas e, em seguida torturado com brasas. A tortura foi generalizada. Outro homem, por exemplo, foi obrigado a enterrar seu próprio filho vivo porque este tinha roubado um punhado de grãos da cantina.

EM: Isso tinha sido planejado por Mao e os dirigentes comunistas?

FD: Não foi planejado no sentido do Grande Timoneiro ter dado alguma ordem específica para torturar e matar. Mas isso não foi totalmente imprevisto, pois Mao tinha especificado que o exército representava a moral a seguir, que as pessoas de direita e conservadoras deveriam ser eliminadas, e muitas de suas mensagens eram suficientemente vagas para que os de “boa vontade” instalassem um regime de terror sobre os aldeões. Um pouco como Hitler, que não deixava suas ordens sempre claras: seus subordinados interpretavam.

Mas uma coisa é certa: Mao sabia exatamente o que se passava. Ele recebia relatórios e cartas escritas por pessoas comuns. Seus próprios secretários iam aos locais para ver o que lá se passava. Além disso, nós sabemos, e o livro lançou uma luz sobre esse fato graças aos memorandos secretos, que em março de 1959, em meio à fome, o presidente disse a alguns altos dirigentes que metade do país poderia muito bem morrer da fome enquanto que a outra metade poderia comer até se fartar. Ele deu a ordem para levar até um terço da safra de cereais, decididamente mais do que tinha sido levado até então. Ele enviou uma equipe adicional para arrancar essas reservas de cereais dos aldeões.

EM: O economista e filósofo austríaco Friedrich Hayek escreveu extensamente sobre o planejamento central e o socialismo. Ele foi uma inspiração para o historiador que você é?

FD: Um dos principais capítulos, intitulado “The End of Truth”, descreve como, no verão de 1959, Mao voltou-se contra alguns líderes que tinham manifestado sua insatisfação com o Grande Salto Para Frente. Ele os anulou, os expulsou do Partido, aplicando assim um expurgo. O título “O fim da verdade” foi com certeza diretamente inspirado no título de um capítulo da grande obra de Hayek “O Caminho da Servidão”. Eu considero “O Caminho da Servidão” um clássico, e qualquer um que queira entender como funcionam um Estado de partido único e uma economia planejada deve lê-lo. O livro já descrevia, antes que Mao chegasse ao poder, o que se passaria na China. Todo o livro conta a história das conseqüências da coletivização radical. Não só o que ela provoca em termos de destruição de seres humanos, mas também em destruição do conhecimento, da infra-estrutura de transporte, das casas, ou da natureza. Tudo cai e se paralisa quando os que estão no topo da pirâmide de poder pensam que pode dirigir toda a economia numa direção ou noutra.

EM:
Parece-me que o comunismo foi também uma catástrofe moral, reduzindo seres humanos à condição de animais em luta pela sobrevivência. Nesta situação, estamos prontos para fazer coisas que não estaríamos dispostos a fazer em um contexto normal.

FD:
Decididamente. Primo Levi descreveu isso muito bem quando ele narra como sobrevivia em Auschwitz. Ele diz como as pessoas devem fazer todo tipo de compromissos morais o objetivo de sobreviver, como, por exemplo, não compartilhar alimentos que eles descobrissem. Isso é o que ele chamava de “a zona cinzenta”. Eu acho que o Grande Salto Para Frente, entre 1958 e 1962, é uma enorme “zona cinzenta” durante a qual não foram apenas os carcereiros que sustentavam a violência contra as pessoas comuns, mas também as próprias pessoas comuns que deveriam fazer coisas terríveis a seus vizinhos, às vezes a membros da própria família, apenas para sobreviver: mentir, trapacear, roubar, dissimular... Às vezes, vendem seus filhos por alguns grãos, comer lama ou mesmo restos humanos para ter energia suficiente.

EM:
Tais coisas são muito difíceis de entender. Também é difícil acreditar que ainda possa haver partidos comunistas atualmente. Parece que alguns não têm conhecimento do passado e da aplicação de suas idéias à realidade. Haverá uma versão chinesa do livro?
FD: Muitos chineses, da China ou do exterior, enviam-me mensagens todos os dias. Eles me dizem que estão felizes por este livro ter sido publicado. Eu tenho a impressão que muitos leitores na China querem saber o que se passou durante este período da história maoísta.

Entrevista para Emmanuel Martin em 19 de setembro de 2010. Você pode ouvir o áudio original em inglês aqui.

Do site UnMondeLibre.

Tradução: Jorge Nobre

Divulgado pelo blog da Juventude Conservadora da UNB.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".