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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NO CENTRO DE UM PALÁCIO VAZIO

QUIDNOVI
07/12/201122:41

Mino Pedrosa


* Foto exclusiva Quidnovi/Liu Gomes. 
Flagrante na 5a DP. João Dias depõe.


O dia 24 de agosto de 2011 marcou a vida do soldado João Dias Ferreira e selou o destino do governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz. A Revista Eletrônica Quidnovi, em primeira mão, trouxe à cena o soldado quatro estrelas da PM no episódio que ficou conhecido como Sudoeste Caboclo. Foi um roteiro de cinema que a população brasileira duvidou que pudesse acontecer na capital do país.

Hoje, 7 de dezembro de 2011, passados três meses e meio do primeiro episódio, aconteceu o segundo capítulo de uma história inacreditável, com a participação do mesmo personagem. Foi na garagem do Palácio do Governo, que o soldado 4 estrelas João Dias, chegou com uma mala com R$ 200 mil, para devolver o “cala boca” ao Secretário de Governo, Paulo Tadeu. João circulou livremente pelo Buriti com camiseta branca e calça jeans, barbado, mas com a desenvoltura de um freqüentador assíduo que nem sequer precisa passar pelo detector de metais presente em todas as repartições públicas de Brasília. O detalhe da mala grande e pesada, com R$ 200 mil, parecia aos olhos de quem trabalha no Palácio do Governo, fato corriqueiro. Só não contavam com o estado emocional alterado do PM.

João caminhou tranquilamente até o Gabinete do Secretário de Governo do Distrito Federal, no primeiro andar do Palácio do Buriti, chegou a ante sala e anunciou às secretárias que queria falar com Paulo Tadeu. Que já tinha um encontro marcado. Informado de que o secretário não iria recebê-lo naquele momento, João começou a se irritar, mais do que já aparentava estar. O soldado começou a fazer revelações bombásticas que justificavam a presença dele no Gabinete de Paulo Tadeu:

- Vim devolver esta merda de propina!Vou enfiar este dinheiro todo goela abaixo do Paulo Tadeu, esbravejava o PM. “Tenho tudo gravado. Vou acabar com a vida deste governador de merda! Vou destruir este Governo!”

Em seguida, aos berros, abriu a mala e começou a espalhar os R$ 200 mil pela Secretaria de Governo, pasta mais importante do GDF, responsável pelas nomeações dos cargos públicos. Ao mesmo tempo em que espalhava o dinheiro, João jogou uma parte em cima da sub-secretária de Governo, Paula Batista de Araújo.

Toda a movimentação de João Dias no Palácio do Governo foi documentada pelas câmeras de segurança do Buriti. Como o roteiro de um filme, tudo, nesse escândalo, é gravado por equipamentos portáteis ou de segurança, por vários “cinegrafistas” cada vez menos amadores.

As secretárias ficaram atônitas e chamaram a segurança. Um sargento da PM , lotado na Casa Militar, tentou conter João Dias, e teve o dedo quebrado pelo lutador de kung-fu. Confusão armada no Palácio, ninguém conseguia segurar o soldado 4 estrelas, que acabou preso e levado para a 5ª DP.

A princípio, por causa da jurisdição, João deveria ter sido levado para a 2ª DP. Mas para evitar o assédio da imprensa, acabou conduzido para a 5ª DP, localizada no Setor Bancário Norte, um local mais discreto. Só que a estratégia não deu certo. Em pouco tempo a Delegacia estava cercada de repórteres.

- Ele nos agrediu, jogou dinheiro na nossa cara. Ele é um louco! Deveria estar preso mesmo!”, disse Paula Araújo ao sair de depoimento na 5ª Delegacia de Polícia.

O advogado de João, André Cardoso, já estava de sobreaviso e chegou rapidamente a Delegacia . Cardoso explicou que o soldado 4 estrelas estava entregando naquele momento uma gravação feita pelo celular, onde representantes do Governo teriam pago, na véspera, os R$ 200 mil espalhados no Buriti, como parte de um “cala boca” para João Dias.

João prestou depoimento, de conteúdo bombástico, cercado de pessoas do Governo que, preocupadas, movimentavam a 5ª DP, na expectativa de desvendar o que o PM poderia revelar. O delegado escalado para atender o caso, enquadrou João somente por injúria, não levando em conta as agressões feitas às secretárias e nem entrou no mérito da propina que João Dias foi devolver ao Secretário Paulo Tadeu. Um detalhe: dos R$ 200 mil espalhados no Palácio do Governo só chegaram a delegacia R$ 159 mil. Mesmo assim, o Delegado não quis entrar no mérito da corrupção envolvendo o Governador Agnelo, o vice Tadeu Filipelli e o secretário de Governo Paulo Tadeu.

João pagou uma fiança de R$ 2 mil e foi levado para Corregedoria da PM onde irá responder pela agressão ao colega de corporação, que teve o dedo quebrado na confusão do Palácio do Buriti.
Agora o soldado 4 estrelas convocou para esta quinta-feira, 8 de dezembro, toda a imprensa, quando pretende esclarecer toda a corrupção envolvendo os poderosos do Governo do Distrito Federal.

No Sudoeste Caboclo, o Delegado responsável pela ocorrência, que não foi registrada, chegou ao cargo de Diretor Geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes . A pergunta é: onde poderá chegar o Delegado da 5ª DP que também fez vista grossa na ocorrência de hoje, envolvendo seus chefes: o governador Agnelo, o vice Filipelli e o secretário Paulo Tadeu?

O mais interessante nisso tudo, é que a queda do ex-governador José Roberto Arruda aconteceu por um fato exatamente igual ao ocorrido hoje. Arruda só foi enquadrado por tentar comprar o silêncio de Edson Sombra num acordo para que o jornalista mudasse os depoimentos de Durval Barbosa. Edson Sombra armou o flagrante de corrupção com a ajuda da Polícia Federal.

Agora, a tentativa de fazer um acordo que mudaria os depoimentos de João Dias na Justiça, contra Agnelo, FIlipelli e Paulo Tadeu, ameaça acabar em nada, porque desde o Sudoeste Caboclo, os escândalos e provas aparecem, são noticiados, filmados, mas não são utilizados pela Polícia.

Toda a tecnologia de arapongagem usada nas negociatas de corrupção neste caso, já rende mais do que um longa-metragem de não ficção sobre o Governo de Agnelo Queiroz à frente do Buriti. Em menos de um ano, os brasilienses assistem atônitos uma história que parece não chegar ao fim.

Cabe a nós, aguardarmos os próximos capítulos? O que o Quidnovi revelou em 24 de agosto passado, foi mais uma vez comprovado pelos fatos ocorridos hoje na Capital da República.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".