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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

BRIGA DE POLEGAR COM INDICADOR

PERCIVAL PUGGINA
01/12/2011

Volto ao tema dos insidiosos tentáculos que vêm envolvendo e submetendo a sociedade brasileira a um bem estruturado projeto de poder. Não me alinho entre os que atribuem a esse projeto um viés ideológico uniforme, do tipo comunista, neo ou paleo. Há disso, também, mas o fator de coesão é um projeto de poder para assegurar hegemonia ao Partido dos Trabalhadores. Todos os outros interesses, teses e respectivas correntes se submetem a essa diretriz essencial.

O desentendimento, meramente retórico e artificioso, entre o governo e o partido em relação ao controle da mídia deve ser analisado nesse contexto. Ambos querem a mesma coisa, mas o governo não pode, nesse particular, expressar sintonia com o partido sem perder apoios. Então, disputam-se palavras. Mas é briga de polegar com indicador. Quando necessário trabalham em pinça. O indisfarçado desejo de controlar a imprensa ganhou expressão pública, pela primeira vez, em 2004, com o anteprojeto de criação da Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual), que incluía entre as atribuições desse novo ente estatal "dispor sobre a responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção de programação" das TVs. Embora os petistas afirmem que essa redação foi, posteriormente, alterada, ela só foi alterada porque gerou imediata repulsa. Diante da rebelião, enquanto sacudiam seus rabos de crocodilo, os proponentes da tese lacrimejaram pela incompreensão diante de um mero "rascunho" que sugeria "problemas de interpretação". Ah, bom!

E nunca mais sossegaram. Desde o episódio do mensalão (aquele boato, segundo a autorizada definição de Delúbio Soares) o PT vem exibindo sucessivos cartões amarelos para os órgãos de imprensa que ousam criticar o governo ou, mais imperdoável do que tudo, fazer jornalismo investigativo e apontar falcatruas que passam batidas sob os olhos, narizes e ouvidos do governo.

O documento final do 4º Congresso do PT, realizado no início de setembro, tratou de repelir o que denominou "manobras da mídia conservadora e da oposição para promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação do governo". Ou seja, a criminalização do espaço governamental só era algo aceitável quando o PT estava na oposição e assim procedia em relação a qualquer um que sentasse na cadeira que eles tinham, desde sempre, reservado a Lula e aos seus. E note-se: para enxovalhar a honra alheia, o PT sempre contou com ampla cobertura dessa mesma mídia de que eles, hoje, cobram silêncio e conivência.

Embora o referido documento, atendendo apelos do governo, tenha moderado a linguagem em relação à mídia ainda não domesticada, o partido não se deu por achado. Apenas dois meses depois, agorinha mesmo, na semana passada, em São Paulo, realizou um seminário para "tratar da democratização dos meios de comunicação", ou, no eufemismo equivalente, "tratar do controle social da mídia". José Dirceu, estrela do evento, alma sem jaça da frente ética petista, assim expressou seu desgosto: "Os proprietários de veículos de comunicação são contra o PT. Eles fazem campanha noite e dia contra a gente".

Reitero, o PT valeu-se muito bem dessa mesma mídia quando estava fora do poder. Os veículos que hoje estão na alça de mira do partido eram lidos nas tribunas, exibidos ante as câmeras de tevê e reproduzidos nos microfones das emissoras de rádio. Por quê? Porque veiculavam denúncias que serviam muito bem às suas intenções. A boa mídia não é lambe-botas dos governos. A democracia não precisa daquilo que José Dirceu, nesse mesmo seminário, disse sentir falta - "Um jornal que seja a favor do nosso governo". A democracia passa muito bem sem isso, principalmente num país onde as instituições foram concebidas para não fazer o que delas se deveria esperar.

Mas a insistência com que o PT bate nessa tecla deve servir de advertência. Não tenho registro de que qualquer bandeira petista tenha sido abandonada por encontrar resistências. De algum modo, o partido sempre consegue o que quer e não será agora, quando o poder lhe está servido em bandeja de prata e guardanapo de linho branco, que o PT vai jogar a toalha em tema tão relevante à operação de seus tentáculos.

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* Percival Puggina (66) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".