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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Uma religião para todos?

 


GAZETA DO POVO

Publicado em 06/09/2012 | CARLOSGAZETA@HSJONLINE.COM

Carlos Ramalhete

50 anos atrás, o grande estudioso do fenômeno religioso Mircea Eliade observou que se estava na etapa inicial de um novo tipo de “religião”, baseada no secularismo radical, sem Deus ou deuses. Religião, afinal, é isso: é a ligação, ou busca de ligação, do homem com a ordem de todas as coisas. Nossa sociedade, vendo-se como autora da ordem do mundo, criou esta forma religiosa: uma religião ateia, em que o homem é seu próprio deus.

No paganismo clássico, os deuses são homens aumentados, inclusive em seus defeitos: Mercúrio, Loki ou Exu não são companhias agradáveis, por mais que com eles seja possível negociar. Nesta nova “religião”, no entanto, o homem não é aumentado; ao contrário, suas funções fisiológicas e prazeres sensíveis tornam-se o objeto do culto. Busca-se a saciedade, não a perfeição.

Como observava Chesterton, contudo, quem não acredita em Deus acaba acreditando em qualquer besteira. Raros são os que conseguem se manter puros e duros nesta secularização radical; dentre os que tentam, quase sempre surgem fetiches – pensamento positivo, meias da sorte, bonequinhos do sucesso – para saciar a sede natural de um sagrado.

O resultado é uma “religião” que já nasce em crise e, apesar de ter atingido a quase unanimidade do discurso público – especialmente no Brasil, onde não é de bom tom retrucar à autoridade –, comporta-se como religião em decadência. Assim como no fim do Império Romano os cristãos foram atirados aos leões e após a Idade Média “bruxas” foram queimadas, hoje é atacado quem ouse divergir dos dogmas secularistas do momento.

Toleram-se, a contragosto, os parachoques de caminhão com suas frases religiosas e folcloriza-se esta ou aquela festa de padroeiro, mas sempre com uma visão paternalista, que percebe os pobres como ignorantes que ainda não acederam aos impolutos dogmas secularistas. Se, no entanto, o discurso político ou público não se atém à mais perfeita ortodoxia secularista, acendem-se as fogueiras, soltam-se os leões.

Vamos ver quanto tempo isso ainda dura.

Em tempo:

A grita levantada por alguns grupos de pressão contra a minha coluna da semana passada, em favor da adoção por famílias tradicionais, fez com que infelizmente alguns percebessem como ofensivas menções a certos grupos, como os professores, as famílias adotantes e as crianças vítimas de abusos ou bullying. Quem me lê sempre sabe da minha admiração pelos heróis e heroínas do magistério e da minha constante acusação contra qualquer forma de covardia e boçalidade. É em defesa dessas vítimas que sempre levanto a minha voz. Lamento e peço desculpas por qualquer mal-entendido.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".