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sexta-feira, 16 de março de 2012

A argumentação de Drauzio Varela é o mais abjeto dos crimes já cometidos contra a lógica

 

LUCIANO AYAN


Fonte: Folha de São Paulo

O cigarro é o mais abjeto dos crimes já cometidos pelo capitalismo internacional. Você acha que exagero, leitor?

Compare-o com outros grandes delitos capitalistas; a escravidão, por exemplo: quantos viveram como escravos?

E quantas crianças, mulheres e homens foram escravizados pela dependência de nicotina desde que essa praga se espalhou pelo mundo, a partir do início do século 20?

O primeiro crime foi perpetrado contra algumas centenas de milhares de pessoas; o segundo contra mais de 1 bilhão.

Na história da humanidade, jamais o interesse financeiro de meia dúzia de grupos multinacionais disseminou tantas mortes pelos cinco continentes: 5 milhões por ano -200 mil das quais no Brasil.

Faço essas reflexões por causa de uma série que estamos levando ao ar no Fantástico, da TV Globo, com o objetivo de dar força aos que pretendem parar de fumar.

Para escolher os personagens, pedimos aos espectadores que nos enviassem vídeos explicando por que razões pediam ajuda para livrar-se do cigarro.

As cenas são dramáticas. Mulheres e homens de todas as idades que se confessam pusilânimes diante do vício, incapazes de resistir às crises de abstinência que se repetem a cada vinte minutos.

Mães e pais cheios de remorsos por continuar fumando apesar do apelo dos filhos; avós que se envergonham do exemplo deixado para os netos; doentes graves que definham a caminho da morte sem conseguir abandonar o agente causador de seus males.

Em 22 anos nas cadeias, adquiri a convicção de que a nicotina causa a mais devastadora das dependências químicas. Largar da maconha, da cocaína e até do crack é muito mais fácil: basta afastar o dependente da droga, da companhia dos usuários e dos locais de consumo.

Em contrapartida, a vontade de fumar é onipresente; mesmo sozinho, num quarto escuro, o corpo abstinente suplica por uma dose de nicotina.

No antigo Carandiru, vi destrancar a porta de uma solitária, na qual um homem havia cumprido trinta dias de castigo. Com as mãos a proteger os olhos ofuscados pela luz repentina, dirigiu-se ao carcereiro que acabava de libertá-lo: “me dá um cigarro pelo amor de Deus”.

Cerca de 75% dos fumantes se tornam dependentes antes dos 18 anos; muitos o fazem aos 12 ou 13, e até antes. Somente 5% começam a fumar depois dos 25. Por esse motivo, a Organização Mundial da Saúde classifica o tabagismo no grupo das doenças pediátricas. Conhecedores das estatísticas, os fabricantes fazem de tudo para aliciar as crianças. Quando tinham acesso irrestrito ao rádio e à TV, associavam o cigarro à liberdade, ao charme, ao sucesso profissional e à rebeldia da adolescência.

Hoje, espalham pontos de vendas junto às escolas, com os maços coloridos expostos ao lado de balas e chocolates nas padarias e das revistas infantis nas bancas de jornal.

Por que razão brigam tanto para patrocinar shows de rock e corridas de Fórmula 1? Seria simplesmente para aprimorar o gosto musical e incentivar práticas esportivas entre os jovens?

Que motivos teriam para opor-se visceralmente à Anvisa, quando pretende proibi-los de acrescentar substâncias químicas que conferem ao cigarro sabores de chocolate, maçã, menta ou cereja?

Existiria outra explicação que não a de torná-lo menos repulsivo ao paladar infantil?

Qualquer tentativa de conter a epidemia de fumo através da legislação é combatida com as estratégias mais covardes por lobistas, deputados e senadores a serviço da indústria. Na contramão do que deseja a sociedade, pressionam até contra a lei que proíbe fumar em bares e restaurantes.

O que esses senhores ganham com essa conduta criminosa? Estariam apenas interessados no destino das 180 mil famílias que trabalham nas plantações ou nas doações dos fabricantes?

Nós temos o dever de impedir o crime continuado que a indústria do fumo pratica impunemente contra as crianças brasileiras. Fumar não pode ser encarado como um simples hábito adquirido na puberdade. Hábito é escovar os dentes antes de dormir ou colocar a carteira no mesmo bolso.

O cigarro deve ser tratado como o que de fato é: um dispositivo para administrar nicotina, a droga que provoca a mais torturante das dependências químicas conhecidas pelo homem.

Meus comentários

Ah, Drauzio, ah, Drauzio…. Esse texto é do ano passado, mas não dá para deixar de comentar tamanha sequência de delírios lógicos.

Ele começa dizendo que o “cigarro é o mais abjeto dos crimes já cometidos pelo capitalismo internacional”. Mas como pode ser o “cigarro” um crime? Botar uma arma na cabeça de alguém e forçá-lo a fumar poderia ser um crime, mas não o cigarro em si. É por essa lógica que sabemos que a “arma” não é um crime, mas matar alguém com uma pode sê-lo. Já no começo, Dráuzio dá uma pisada na bola vergonhosa.

Em seguida, ele diz que a “escravidão” é um “delito capitalista”. Errado, a escravidão existe desde muito antes da Bíblia. E o capitalismo surgiu com o Iluminismo, ou seja, tem uns 300 anos de existência. Aqui, ele comete uma inversão na percepção do tempo.

Ao dizer que o “uso do cigarro” é um crime cometido contra as pessoas, Drauzio também mostra não crer na liberdade humana. Para ele, um ato cometido por alguém, por livre e opção dessa pessoa, é um “crime” cometido contra ela. Deve ser mais ou menos assim. Alguém resolve praticar ski na neve e se machuca seriamente. Todo ano muitas pessoas se machucam seriamente e até morrem em acidentes por causa da prática de ski na neve. O ski na neve é, portanto, um crime contra a pessoa. É mole?

Ele tenta uma cartada emocional, ao dizer que a maioria dos dependentes começou antes dos 18 anos. É, a maioria dos adolescentes estão expostos ao mundo antes dos 18 anos. Mas os pais podem orientar os filhos a não fumar. Que tipo de argumento é esse? Deve ser do tipo: “Uma prática começou antes dos 18 anos, então ela é nociva…”. É um novo tipo de falácia.

Para Drauzio, comercializar o cigarro é uma “conduta criminosa”. Para ele, um fruto do capitalismo. O difícil vai ser ele explicar o fascínio de Fidel Castro pelos famosos charutos cubanos. E como esquecer de Che Guevara?

Ou será que Drauzio tem implicância somente com os cigarros mas não com os charutos? E se for com os charutos, será apenas em relação aos charutos os não-cubanos?

Drauzio, totalitarista como sempre, afirma: “Nós temos o dever de impedir o crime continuado que a indústria do fumo pratica impunemente contra as crianças brasileiras.”

Pode até achar que tem o “dever”, mas não tem o direito de dizer o que os outros devem fazer. Se há uma indústria de cigarro, é por que há público interessado. A idéia de que o consumo de cigarro surgiu por causa da indústria é no mínimo apelar à ingenuidade do leitor.

Não dá para tratar uma intenção como essa de Drauzio, de “cuidar da vida dos outros”, a não ser com o uso do ridículo.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".