Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O desastre Amorim

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Ipojuca Pontes em 28 de julho de 2008


Resumo: A Rodada Doha, em essência, foi inútil. Pois para o Itamaraty Vermelho a pendenga não é de caráter comercial, mas, sim, ideológica. E aí vale tudo, inclusive o uso da mentira revolucionária.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“Considero o ato do seu protegido como de alta traição”

(do general Ludwig, ministro da Educação e Cultura, para o chefe da Casa Civil do governo Figueiredo, general Golbery do “Colt” e Silva, antes de demitir Celso Amorim da Embrafilme)

Como escrevi em algum lugar, Celso Amorim, o antigo Celsinho da Embrafilme, é o diplomata de “carrière” que o Brasil teria obrigação de desterrar mas que nenhum país democrático do mundo desejaria receber. Amorim, como se sabe, é um desastre diplomático – por onde passa deixa a marca letal da incompetência, má-fé e arrogância. O seu (dele, lá) mentor intelectual – com o qual se envolveu como assistente de direção nos tempos do Cinema Novo - foi o cineasta comunista Leon Hirszchman, introdutor do leninesco “centralismo democrático” nas relações político-institucionais do cinema brasileiro.

Nomeado ministro das Relações Exteriores pelo aéreo Itamar Franco, Celsinho, digo, Amorim, viu-se às voltas em 1993 com a ação terrorista da FARC, que fez explodir 200 quilos de dinamite (pura) na embaixada do Brasil em Bogotá, num atentado no qual morreram 43 colombianos e saíram feridas cerca de 350 pessoas, entre oito funcionários e diplomatas lotados na nossa representação[*]. Mesmo assim, instado a responder em data recente se considerava a guerrilha colombiana uma organização terrorista, o vosso chanceler tergiversou do seguinte modo: “O Brasil não faz classificação de quais organizações são terroristas e, por isso, não iria discutir se as FARC entram ou não nesta categoria”.

A posteriori, durante o primeiro mandato do sindicalista Lula, sempre dando a entender aos Estados Unidos que laborava em favor da criação da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, segundo ele num “formato à la carte”, o ministro do Itamaraty Vermelho passou a sabotar as negociações que nos abriria mercado de mais de 800 milhões de pessoas. E para sepultar de vez a perspectiva de uma zona de livre comércio, depois de procrastinar o quanto possível acordo que nos levaria a participar de um PIB (Produto Interno Bruto) continental na ordem de US$ 12 trilhões, o chanceler de Lula, no seu antiamericanismo doentio, deixou que um funcionário do MRE associasse a Alca ao fulgor de uma “odalisca de cabaré barato”.

Agora, em Genebra, mais insolente do que nunca, o desastrado diplomata, no afã de sair-se como líder voluntarioso do emergente G-20, procurou detonar no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) a chamada Rodada Doha, que se arrasta há sete longos anos e que tem por objetivo estabelecer negociações multilaterais entre países ricos e pobres (cujos governos estão ficando mais ricos do que os dos países ricos), a partir da eliminação de subsídios e barreiras que dificultam o livre trânsito das commodities agrícolas, serviços e produtos industrializados.

Ligado o dispositivo totalitário, Amorim de saída acusou os países ricos de adotarem na Rodada uma estratégia nazista na condução das negociações, que incorporaria a máxima de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, segundo a qual “uma mentira muitas vezes repetida torna-se verdade”. A coisa pegou mal, na mesa em que a presença de vítimas do nazismo é bem nítida. Na ordem prática das coisas, no entanto, o chanceler de Lula diz que os países desenvolvidos protelam a redução dos seus subsídios agropecuários – o que impediria as nações emergentes de comercializarem seus produtos agrícolas.

Os países desenvolvidos, por sua vez, ao anunciarem cortes de subsídios na área da agricultura, acusam os países membros do G-20, dos quais Amorim é uma das lideranças, de não promoverem, em reciprocidade, a respectiva abertura nas áreas industriais e de serviços. Mesmo levando em consideração que a Rodada não é apenas sobre agricultura, Amorim atravanca as negociações “fincando o pé” na velha posição de que só cortando mais subsídio na área agrícola poderia aventar alguma coisa no terreno industrial – numa manobra onde o saldo de confiança é zero. Agora me digam: quem diabo topa, numa Rodada de hienas, fazer negócio assim?

Ao citar a máxima de Goebbels sobre a mentira, o ministro do Itamaraty Vermelho esqueceu de mencionar a recomendação do estrategista Lenin, segundo a qual, instalado o quadro de conflito, o comunista deve “acusar o outro do crime que ele mesmo comete ou pensa”. Com efeito, para aplicar o golpe sobre o Governo Provisório de Kerensky e dos ex-aliados mencheviques, na Rússia de 1917, o mentor da sangrenta revolução aconselhava aos súditos a adoção sem limites da mentira como arma, imputando aos adversários as tramas criminosas que praticava.

De fato, para chegar à vitória dos seus objetivos, Lenin era capaz de empreender qualquer tipo de trapaça, tais como calúnias, fraudes, delações, atentados, chantagens, aliciamentos e falsificação de documentos. Marxista de carteirinha, ele acreditava, como de resto todo comunista, que em nome do porvir revolucionário o militante pode cometer todos os crimes possíveis, tendo como álibi a mentirosa verdade (utópica) revolucionária.

Para estudiosos isentos da história moderna, não há mais dúvida: a única diferença entre os objetivos do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazi) e dos diversos partidos comunistas é que o primeiro prega a implantação do socialismo nos limites nacionais e o segundo o quer estabelecido internacionalmente. Para dominar a propriedade privada e o controle dos meios de produção, os nazistas fizeram do judeu (na Alemanha) o bode expiatório, enquanto os comunistas apontam os “burgueses capitalistas” como alvo de suas inculpações. O próprio Hitler, quando entre pares, costumava revelar que aprendera muito, para atingir o poder, lendo Marx e observando Lênin e Mussolini.

Quanto à Rodada Doha, decerto que ela, em essência, foi inútil. Pois para o Itamaraty Vermelho a pendenga não é de caráter comercial, mas, sim, ideológica. E aí vale tudo, inclusive o uso da mentira revolucionária.

[*] Há controvérsias com relação a esta ação e o número de vítimas; o citado neste artigo foi publicado pelo jornalista Cláudio Humberto em seu site. Entretanto, segundo o jornal “O Estado de Minas”, publicado nos dias 16 e 17 de abril de 1993, no dia 15 um caminhão-bomba explodiu em local próximo à Embaixada Brasileira, matando 11 pessoas e ferindo pouco mais de 200. A embaixada foi atingida, porém não era o alvo e dentre os funcionários, apenas 2 senhoras ficaram feridas sem maior gravidade. Entretanto, na época, o criminoso Pablo Escobar estava utilizando a mão de obra de organizações terroristas de esquerda como as FARC, que atuavam como braço armado do traficante colombiano.

O autor é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.

Arte e revolução

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 25 de julho de 2008

O estudante sério, como se sabe, é uma espécie da qual presumo haver salvado da extinção alguns dos poucos exemplares que ainda restam no Brasil, e até fomentado a geração de uns quantos em proveta, longe daquela raça temível de predadores que são os pedagogos e os burocratas do Ministério da Educação.

Um daqueles raros sobreviventes envia-me uma pergunta das mais interessantes, merecedora de resposta em jornal. Quer ele saber se o artista, o poeta, o escritor infectado de mentalidade revolucionária está irremediavelmente perdido para a criação artística ou pode, pelo gênio pessoal, transcender nela a mecanicidade grosseira do pensamento revolucionário.

Se aceitamos a definição croceana da arte como “expressão de impressões” – e até hoje não vi motivo para rejeitá-la –, a resposta à pergunta torna-se auto-evidente. A mentalidade revolucionária é essencialmente a inversão do sentido do tempo, a arrogância psicótica de interpretar o presente e o passado à luz das virtudes imaginárias de um futuro hipotético. O futuro enquanto tal não pode ser objeto de impressão, só de conjeturação imaginativa ou de construção mental. Uso estes dois termos para designar atividades diametralmente opostas: a primeira consiste em ampliar simbolicamente as impressões do presente e jogá-las num futuro imaginário, como fizeram George Orwell e Aldous Huxley em “1984” e no “Admirável Mundo Novo” respectivamente. A segunda inventa o futuro e remolda à luz dele as impressões do presente. É esta a única via aberta à “arte revolucionária”. Mas é certo que essa arte já não é mais arte e sim mero revestimento estético de uma construção conceptual. Cabe aí a distinção que Saul Bellow fazia entre os “intelectuais” e os “escritores”, estes incumbindo-se do ofício propriamente artístico de transmitir as “impressões autênticas”, aqueles tratando de deformá-las segundo uma construção hipotética.

A mentalidade revolucionária é intrinsecamente hostil à criação artística, porque volta as costas às “impressões autênticas”, reconstruindo o mundo segundo os cânones de uma “segunda realidade” artificial e artificiosa. O termo “segunda realidade” é de Robert Musil, e quem o leu sabe do gigantesco esforço que esse escritor dispendeu para restaurar a arte do romance numa atmosfera cultural em que as idéias e ideologias pareciam ter sepultado esse gênero sob a grossa placa de chumbo das construções conceptuais.

Isso não quer dizer, no entanto, que todo artista politicamente comprometido com uma causa revolucionária permaneça escravo dela no exercício do seu mister criativo. A história das artes no século XX – e especialmente da literatura – é uma galeria de consciências dilaceradas entre a fidelidade ao futuro hipotético oferecido pelas ideologias e a realidade presente das “impressões autênticas”.

ORTEGA E AS CIRCUNSTÂNCIAS

Do portal do NIVALDO CORDEIRO
Por Nivaldo Cordeiro em 22 de julho de 2008


A mais famosa frase cunhada por Ortega y Gasset, ele que era um escritor que construía frases memoráveis a cada página escrita, é: Eu sou eu e a minha circunstância e se não a salvo, não salvo a mim mesmo, posta no intróito ao livro Meditaciones del Quixote”. Depois da expressão “Penso, logo existo”, cunhada por Descartes, é a mais sensacional síntese filosófica que um pensador tenha conseguido. Ela diz muita coisa em filosofia, é a própria representação da razão vital orteguiana, que veio para superar o unilateralismo idealista e sepultar de vez um eventual resgate do realismo filosófico.

Não tenho o propósito aqui de expor, nas poucas palavras que escreverei, esse verdadeiro duelo da história do pensamento ocidental, que tem em Ortega y Gasset um apogeu. Teria eu que ser um filósofo também, o que não sou, e ter um espaço para, pelo menos, escrever um ensaio. Eu quero apenas fazer um pequeno comentário à expressão, muito a propósito para pensarmos o momento histórico que estamos vivendo.

O que podemos perceber é que a maior parte dos autores gosta de citar a primeira parte da sentença “Eu sou eu e a minha circunstância”, deixando em segundo plano a segunda parte, “e se não a salvo, não salvo a mim mesmo”, tão importante. Certo, a primeira parte é, digamos, a mais contemplativa. Ela demonstra que o Eu é tão fundamental quanto as coisas são, aquelas que encontramos, cada um de nós, na longa jornada que é a vida individual. As pequenas e as grandes coisas por igual. A verdade é resultado desse encontro do olhar humano com as coisas em derredor. Pensar é olhar”, ensinou Ortega certa vez. E nessa abordagem perspectivista vemos o filósofo espanhol ombrear-se com os grandes filósofos de todos os tempos, de Sócrates a Kant e Hegel e todos os outros. A ingenuidade realista dos antigos e a soberba autonomizada do Eu na modernidade são deixadas para trás enquanto unilateralidades incapazes que darem conta de explicar o real.

O interessante aqui é a segunda parte da sentença. É um olhar do homem de ação, depois da contemplação. Há uma forte ressonância cristã – o apelo à salvação – embora não pretenda ter um elo teológico. É que “salvar-se” tem sempre uma conotação metafísica e a pressuposição de que a transitoriedade da vida humana é aparente. A jornada continua por toda a Eternidade. A responsabilidade diante de Deus está posta ao vivente, mesmo que eventualmente ele a recuse e nem a reconheça. Mas o que estava à vista do filósofo era a coisa mais terrena, mais imediata, mais histórica. Era o contexto social, sua sociologia. Ortega estava vendo, àquela altura dos idos de 1916, a dramática emergência do homem-massa na Espanha e na Europa em geral, que triste memória deixou para a humanidade. Pensando sociologicamente, a expressão remete ao vivente a responsabilidade de salvar as circunstâncias. E as circunstâncias de um indivíduo são dadas precisamente pelo que ocorre na política. E a política não é alheia à ação individual de cada um.

É preciso, portanto, salvar a política das mãos do homem-massa para que possamos salvar a todos e a cada um. Mais precisamente, é preciso enquadrar o homem-massa, restabelecer a hierarquia. Salvar aqui, em minha opinião, tem o primeiro de seus sentidos dicionarizados: “Tirar ou livrar a si mesmo de perigo, dificuldades, ruína ou morte”. Há um grande perigo em nosso momento, muito semelhante àquele que Ortega viu a seu tempo. O ponto é que não temos escolha que não agir para salvar-nos a nós mesmos. Ninguém fará isso por nós, que somos os agentes históricos. A omissão não salvará ninguém, muito ao contrário, ela apenas entregará os destinos coletivos nas mãos dos que têm a alma moralmente deformada. Daqueles que não se importarão em causar morte e destruição.

Agir para salvar as nossas circunstâncias é, antes de tudo, tornar-se um líder. É ter o sentido da civilização, é conhecer o legado espiritual do Ocidente. É assumir a responsabilidade. A horda dos decadentes só toma o comando do Estado quando os homens egrégios se apequenam. O momento é de se fazer o movimento inverso, de pôr o homem-massa no seu lugar. A vida convida todos nós à responsabilidade existencial. Salvar-se requer, antes de tudo, ter uma atitude moral consigo mesmo, que fatalmente influenciará o meio. As massas, deixadas por si mesmas, serão enganadas pelos demagogos malignos, no rumo do desastre.

A questão é: como fazer isso? Ora, mudando cada um de nós mesmos e formando o caráter daqueles que nos são próximos. Sem esse pequeno tijolo inicial não se fará construção alguma. A ordem social depende da ordem na alma individual. Tornar-se alguém maduro, recusar as falsas facilidades do populismo, resgatar os valores da tradição, santificar a vida cotidiana... Parece fácil enumerar, mas se tivéssemos feito isso a tempo não teríamos de chegar, ainda uma vez, ao mesmo estágio em que Ortega y Gasset encontrou a Espanha para cunhar a sua frase imorredoura.

Suicídio cultural

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Jeffrey Nyquist em 23 de julho de 2008


Resumo: O Último Homem de Fukuyama é um especialista, um inseto na colméia, um não-ente, um burocrata – com falsas noções de nobreza que invertem o elevado e o baixo. O Último Homem está enredado na lógica descendente do igualitarismo: ele não mais aspira a nada, não mais olha para coisas mais altas. Seu olhar se fixa para baixo, na sarjeta, e não até o Paraíso no alto.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A colunista britânica Melanie Philips[1] teme que a Guerra ao Terror esteja sendo perdida. Em 2006, ela publicou um livro intitulado Londonistan [Londonistão], que delineia a crescente ameaça islâmica e a débil reação britânica. Entre os seus insights você encontrará a seguinte acusação contra a política cultural britânica (que se aplica igualmente aos Estados Unidos): “A Grã-Bretanha tornou-se uma sociedade decadente, enfraquecida por alarmantes tendências na direção do suicídio social e cultural”.

Você sabe, estamos todos destinados a viver numa “aldeia global” e a nação é um obstáculo em nosso caminho. Somos encorajados a nos tornarmos “multiculturais”. Ao mesmo tempo, os ideais nacionais são rotulados como culpados pela xenofobia, pela guerra e pelo racismo. Uma utopia igualitária toma o centro do palco. Portanto, Deus e o país devem ser enxovalhados. Em meio a essa nova “revelação”, não há nenhuma surpresa no fato de que nossa cultura tenha se tornado uma contracultura; que nossas tradições sejam atacadas abertamente pelos descontentes com procuração outorgada sabe-se lá por quem.

Certa vez, na pequena cidade de Dewsbury, [West Yorkshire, Inglaterra] ocorreu uma batalha amarga, “quando os pais de vinte e seis crianças brancas recusaram-se a mandá-las para uma escola pública primária cuja maioria dos alunos era muçulmana”, e sobre a qual se tinha a idéia de estar “privilegiando a cultura asiática e muçulmana”. De acordo com Philips, “Dezoito anos mais tarde, Dewsbury acordou para o fato de que tinha sido o lar... de Mohammed Sidique Khan, aparentemente o líder dos ataques a bomba de 7 de julho de 2005, em Londres”.

O que devemos entender disso? É muito simples: o sistema britânico perdeu seu instinto de autopreservação, pois permite que estrangeiros imponham idéias estrangeiras aos cidadãos nascidos na Grã-Bretanha. De acordo com Philips, “Este colapso da autoconfiança nacional surgiu de uma combinação de coisas”. Em especial, brotou do advento do niilismo europeu e do igualitarismo. O establishment britânico, nas palavras de Philips, tornou-se “particularmente vulnerável à ideologia revolucionária da esquerda, que dominou o mundo ocidental nos anos 1960 e 1970 e no cerne da qual repousam os ódios aos costumes e tradições da sociedade ocidental”.

Para aqueles com olhos para ver, a gravidade da situação tornou-se dolorosamente aparente durante os anos 1980 – quando os conservadores estavam ocupados demais congratulando-se a si mesmos pelas vitórias que não obtiveram. Ronald Reagan foi um bom líder, mas o ambiente cultural que o circundava já estava saturado de relaxantes produtores de ilusão. Enquanto a Doutrina Reagan era proclamada pelo presidente, quase não era apoiada pela nação ou pela burocracia em Washington. Portanto, não é nenhum acidente que uma defesa eficaz contra mísseis russos intercontinentais jamais tenha sido posta em prática, que a retirada soviética do Afeganistão já anunciasse a emergência da Al Qaeda, que Daniel Ortega retomasse a Nicarágua, que Jonas Savimbi perdesse a guerra civil angolana para os comunistas, que a África do Sul caísse nas mãos do CNA[2], que o Congo se tornasse igualmente comunista, e ainda a Venezuela, a Bolívia, etc.

Quem realmente venceu a Guerra Fria? Parece incrível considerar a idéia; mas talvez seja mais do que jamais possamos compreender: a história é algo que não aconteceu contada por pessoas que não estavam lá. Os anos 1960 trouxeram mudanças sinistras, os anos 1970 trouxeram crise, mas, nos anos 1980, tudo se submeteu sob o estandarte “Morning in America”.[3]

Considere a realidade: o trombeteado retorno aos valores tradicionais foi, em grande medida, fraudulento. A queda do comunismo foi projetada m Moscou. As escolas públicas ficaram piores e piores. O crescente comércio com a China foi um câncer. Um presidente com a memória cada vez mais fraca foi cercado e minado por renegados e apaziguadores em sua própria administração. “Aqueles que não conseguem lembrar o passado”, escreveu George Santayana, “estão condenados a repeti-lo”. E não era apenas a memória do presidente que falhava. Os próprios Estados Unidos tinham desenvolvido Alzheimer. De que outra forma podemos explicar a popularidade do clamorosamente confessional livro de Francis Fukuyama, The End of History and the Last Man [O Fim da História e o Último Homem]?

Aqui encontramos uma racionalização do hedonismo através dos tempos, e uma razão para esquecer o Holocausto, para esquecer os açougueiros marxistas dos campos da morte do Camboja, para esquecer o Gulag soviético, o massacre da Praça Tiananmen, o legado totalitário e negar a sua prontidão para acontecer de novo. O Último Homem de Fukuyama é um especialista, um inseto na colméia, um não-ente, um burocrata – com falsas noções de nobreza que invertem o elevado e o baixo. O Último Homem está enredado na lógica descendente do igualitarismo: ele não mais aspira a nada, não mais olha para coisas mais altas. Seu olhar se fixa para baixo, na sarjeta, e não até o Paraíso no alto.

Ainda que muitos dêem de ombros ou riam, é inegável que um punhado de estadistas manteve o Ocidente. Onde estão esses estadistas agora? Os pais conscritos do antigo senado deram lugar ao Último Homem. A confusão reina enquanto o governo americano ignora a primeira lição da política do século XX: não subestime o mal. Os críticos do governo, porém, de forma tola, ignoram a segunda lição da política do século XX: apaziguar o mal promove o mal.

E o que acontece quando o bem é confundido com o mal? Fiquem ligados e assistam ao que acontece. De acordo com Melanie Philips, o britânico médio pensa “que os Estados Unidos são a fonte de todo o mal, que George W. Bush é um criminoso de guerra maior do que Saddam Hussein jamais foi e que Israel oferece uma ameaça à paz mundial”. Isso seria chocante, mas nós já sofremos tantos choques. Estamos entorpecidos e sobram poucos sentimentos. Talvez já seja mais tarde do que imaginávamos. Talvez a duradoura aliança entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos tenha acabado. Qual o apelo, qual a correção, que remédio ainda há para essa estupidez crônica? Philips está certa ao dizer que “a Grã-Bretanha tornou-se uma sociedade decadente“. Mais que isso, ela ainda acrescenta: “A implacável demonização dos Estados Unidos e de Israel pela mídia britânica serviu como um poderoso agente de recrutamento para a jihad...”.


© 2008 Jeffrey R. Nyquist

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

[1] NT: Melanie Philips escreve na The Spectator, uma das mais prestigiosas revistas britânicas, ainda relativamente conservadora e onde Paul Johnson também tem coluna fixa.

[2] NT: Congresso Nacional Africano, organização comunista liderada por Nelson Mandela.

[3] NT: Slogan político em 1984 que, em sua versão completa, equivaleria a algo como “O redespertar da América: mais orgulhosa, mais forte, melhor”.


Os imitadores – Parte II

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 22 de julho de 2008


Resumo: Com tantas objeções ao desempenho econômico americano, não é surpresa que tantas pessoas pensem em imitar os europeus – na economia, em política externa e em outras áreas.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Deve ser uma decepção amarga para aqueles na mídia e na política que estão morrendo de vontade de usar a palavra “recessão” que, pelo segundo quarto consecutivo, não tenha havido uma reversão na economia, apesar do crescimento ter sido menor.

Os alarmistas tiveram de se contentar em citar outros alarmistas a respeito de uma suposta recessão, que ainda não se tornou real.

A definição de uma “recessão” é muito clara e direta: dois quartos consecutivos de crescimento negativo. Não tivemos ainda nem um quarto consecutivo de crescimento negativo.

As brigadas de caçadores de erros na economia e na sociedade americana são uma das razões pelas quais há tanta conversa sobre como devemos fazer as coisas da maneira como elas são feitas na Europa.

Precisamos entender os EUA em primeiro lugar, depois começar a imitar a Europa.

A economia americana é a maior do mundo – maior do que a soma das economias do Japão, da Alemanha e da Inglaterra.

Medida pelo poder de compra, o resultado per capita dos EUA é maior do que o de qualquer grande nação.

Há alguns pequenos países, como Luxemburgo e as Ilhas Cayman, que exibem um poder de compra per capita maior. Mas, como disse o Professor Benjamin M. Friedman, de Harvard, lugares como Luxemburgo são “tecnicamente países, mas parecem mais com grandes subúrbios”. A população total de Luxemburgo é aproximadamente igual a de Long Beach, Califórnia. O Wal-Mart tem mais empregados do que a população de Luxemburgo.

Lugares como as Ilhas Cayman são paraísos fiscais que atraem a riqueza das pessoas que não são nativas.

Dentre os países que são comparáveis aos EUA em tamanho e população, nenhum deles tem resultado per capita tão expressivo. New Jersey produz mais do que o Egito. A Califórnia produz mais do que o Canadá ou o México.

Todos os desesperados esforços para descrever a prosperidade e progresso dos Estados Unidos como sendo monopolizados pelos “ricos” têm levado a todo tipo de estatísticas fajutas, tais com as que comparam a mobilidade entre categorias estatísticas ao longo do tempo – ignorando o fato de que a maioria das pessoas em tais categorias se move de uma para outra com o passar dos anos.

Os estudos que seguem os indivíduos ao longo do tempo mostram o oposto exato do que está sendo dito na mídia influente e pelos políticos. Isto é: a maior parte dos trabalhadores no quinto inferior da distribuição de renda se eleva à metade superior, e a taxa de crescimento de seus proventos é maior do que a das pessoas que estão no quinto superior. Os indivíduos que estão na faixa superior de um por cento, num determinado tempo, têm, a partir daí, um declínio absoluto em sua renda com o passar do tempo. Quando eles saem dessa faixa, eles são substituídos por outros, de forma que a categoria estatística permanece estável, enquanto as pessoas de carne e osso que entram e saem dessa categoria não estão, em absoluto, vencendo aquelas que estão abaixo na distribuição de renda.

Nada disso é complicado de entender. Mas a maioria das pessoas na política, na mídia e na academia insiste em usar estatísticas baseadas no destino de categorias abstratas ao longo do tempo – domicílios, famílias, faixas de renda – mesmo quando outras estatísticas, baseadas no desenvolvimento individual ao longo do tempo, estão disponíveis.

Domicílios e famílias variam em tamanho de grupo a grupo – tamanho que geralmente diminui com o tempo – mas um indivíduo significa sempre uma pessoa. A renda por domicílio ou família pode ficar estável, ou mesmo diminuir, enquanto a renda por pessoa cresce.

Esse tem sido o padrão geral nas últimas décadas, o que pode ser a razão pela qual os negativistas estejam sempre citando as estatísticas de renda das famílias e domicílios e ignorando as estatísticas de renda dos indivíduos.

Com tantas objeções ao desempenho econômico americano, não é surpresa que tantas pessoas pensem que devemos imitar os europeus – na economia, em política externa e em outras áreas.

Podemos sempre aprender coisas particulares de outros países, sejam europeus, asiáticos ou quaisquer outros. Mas imitar os europeus, quando eles não estão tão bem quanto os americanos, não faz o menor sentido.


Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

Leia também Os imitadores - Parte I

Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute.

Dados sobre Farc são ''irrelevantes'', diz assessor de Lula

Do portal do ESTADÃO
Por Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, em segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Marco Aurélio Garcia afirma que preocupação dos EUA sobre deslocamento da guerrilha para o País é infundada

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que, em algumas ocasiões, o governo colombiano passou ao Brasil dados sobre a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mas, segundo ele, esses repasses foram entregues antes da visita do presidente Luis Inácio Lula da Silva à Colômbia, nos dias 19 e 20, e continham apenas "informações irrelevantes" sobre as Farc.


link Confira o especial sobre as Farc especial


Em entrevista ao Estado, o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, informou que Bogotá entregou ao País informações sobre as "conexões" das Farc no Brasil. Em especial, sobre narcotráfico. Há uma semana, em visita ao Brasil, o secretário de Segurança Interna dos EUA, Michael Chertoff, alertou para a possível infiltração das Farc na Amazônia.

De acordo com García, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, está no caminho de concluir até o fim de outubro um acordo com as Farc. (C.T. - vamos lembrar disto que o MAG falou e veremos se URIBE vai fazer algum acordo que não na bala com as FARC). Segundo ele, o governo da Colômbia tem buscado "com muita competência" a desmobilização das Farc nos últimos meses. Numa frente, manteve canais de negociação com os líderes da guerrilha. Em outra, acirrou os ações militares e as operações de resgate de reféns.

"É falsa a impressão de que a Colômbia está agindo militarmente e está rompido com as Farc. A relação de forças foi alterada, em favor do presidente Uribe", afirmou Garcia, de Caracas, ao Estado. "As condições são favoráveis para que, em dois ou três meses, haja novidades nas negociações que estão em curso", completou. (C.T. - O MAG merece um nariz de palhaço, é um piadista. Mas como ele está no Brasil, claro que um monte de brasileiros, a imensa maioria, vai acreditar nisto, assim como acreditaram que a Ingrid estava semi-morta).

Desde o início do ano, o governo colombiano vem acumulando sucessos na luta contra as Farc. No dia 2, conseguiu a libertação de Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência seqüestrada em 2002, e de outros 11 reféns. Antes, havia obtido a rendição de líderes rebeldes e, numa controvertida ação em território do Equador, eliminado Raúl Reyes, número 2 da guerrilha.

Segundo Garcia, no dia 19, em Bogotá, Uribe mencionou seus feitos contra as Farc ao presidente Lula, que reiterou a disposição do Brasil de colaborar para uma solução negociada do conflito. Mas, relatou, o colombiano não apresentou pessoalmente a Lula nenhuma solicitação sobre as Farc. Para o assessor, a suspeita de deslocamento das Farc para o território brasileiro, levantada por Chertoff, é infundada. O Ministério da Defesa reiterou a versão, ao argumentar que há mais de dez anos as Farc não tentam se mover na direção do Brasil.

Comentário do Cavaleiro do Templo: se REALMENTE este material fosse irrelevante não seria ele perfeito para mostrar ao povo brasileiro que as FARC não estão no Brasil e que tudo que está aparecendo sobre as ligações entre FARC, FORO DE SÃO PAULO, LULA e PT não existem? Vocês acham mesmo que se o MAG estivesse falando a verdade aí acima este material já não estaria na mídia nacional? Brasileiro ACEITA TUDO MESMO!!!!

Estupro psicológico estatal

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 24 de julho de 2008

Não existe qualquer epidemia de violência contra os homossexuais neste país, mas, mesmo que houvesse, nenhuma lei contra opiniões religiosas poderia fazer nada para detê-la, pela simples razão de que, fora dos países islâmicos, casos de violência anti-homossexual por motivo de crença religiosa são a raridade das raridades, e no Brasil até agora não se comprovou nenhum. Rigorosamente nenhum.

Em compensação, a lei tornaria automaticamente criminosos e sujeitaria à pena de prisão milhões de brasileiros honestos, cujo único delito é acreditar na Bíblia. Eles poderiam ser presos não só por ler em voz alta versículos tidos como “homofóbicos”, mas por protestar contra qualquer casal gay que, por mera provocação ou genuína falta de autocontrole, se afagasse com a maior impudência dentro de uma igreja, quanto mais numa praça pública.

Os gays, indefesos como todo o restante da população num país que tem cinqüenta mil homicídios por ano, continuariam tão sujeitos quanto agora à truculência de assassinos e estupradores – estes últimos necessariamente homossexuais eles próprios, no caso –, mas estariam protegidíssimos contra o apelo suave do Evangelho que os convoca a mudar de vida.

Alegar que essa lei se destina à proteção da comunidade gay é cinismo; ela se destina, isto sim, à destruição da comunidade cristã, sem nada oferecer aos homossexuais em troca, apenas dando à parcela politizada e anti-religiosa deles a satisfação sadística de alegrar-se com a desgraça alheia. Desgraça tanto mais satisfatória, a seus olhos, quanto mais injusta, arbitrária e sem motivo.

Se algum dia houve no Brasil uma proposta de lei desprovida de qualquer razão de ser além do puro ódio, é essa.

Mas não é somente sobre os cristãos que ela despeja esse ódio. É sobre toda a concepção do Estado democrático, do governo do povo pelo povo. Não há um entre os proponentes dessa lei que o ignore, nem um só que não se regozije com isso. No Estado democrático, o governo é a expressão da vontade popular e, portanto, da cultura reinante. Ele pode elevá-la e aperfeiçoá-la, mas o próprio fundamento da sua existência consiste em respeitá-la e protegê-la. Na nova concepção imposta pela elite globalista iluminada, o Estado é o “agente de transformação social”, a vanguarda da “revolução cultural” incumbida de fazer o povo gostar do que não gosta, aprovar o que não aprova, cultuar o que despreza e desprezar o que cultuava. É o órgão do estupro psicológico permanente, empenhado em chocar, escandalizar e contrariar a alma popular até que esta se renda, vencida pelo cansaço, e passe a aceitar como decreto da Providência, como fatalidade natural inevitável, o que quer que venha da burocracia dominante.

Monarquia inglesa lança ofensiva na Amazônia

Do portal AGÊNCIA AMAZÔNICA DE NOTÍCIAS
Por CHICO ARAÚJOEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo , terça-feira, 22 de julho de 2008


Em reunião em Londres, em maio, Príncipe Charles revela planos para ‘proteger a floresta amazônica.

BRASÍLIA — Verão de 1969, apartamento de Hanbury-Tenison, Londres. Maio de 2008, Clearence House, residência do Príncipe Charles, Londres. São 39 anos de uma reunião para outra. Aí você pode se perguntar: o que isso tem a ver com a Amazônia? Tudo. O establishment inglês cria nesse primeiro encontro a organização não-governamental (ONG) Survival Internacional. Sua finalidade expressa: criar no Brasil o Parque Ianomami.

Quatro décadas depois, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, reúne autoridades e parlamentares da Amazônia com representantes de instituições financeiras e das indefectíveis ONGs. Discutiram-se ali temas relacionados diretamente com a região: agricultura, meio ambiente, infra-estrutura, finanças, saúde, e educação. Charles é mais ousado. Oferece-se para ser uma espécie de interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica.

Ali estavam presentes os governadores Ana Júlia Carepa, do Pará; Waldez Góes, do Amapá; e José de Anchieta Júnior, de Roraima. O Acre e o Amazonas foram representados pelos senadores Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). O encontro reuniu ainda executivos de grandes empresas, entre as quais Rio Tinto, Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald's. Também não faltaram os dirigentes do WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra). Até o líder indígena Almir Suruí esteve por lá.

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Ana Júlia Carepa (E) participa de reunião em Londres para 'discutir a Amazônia' /GEORGE BODNAR

Sete dias após o encontro, Charles lança sua própria ferramenta de ‘proteção das florestas tropicais do planeta’ (leia-se Amazônia). É um site contra o desmatamento e o aquecimento global. A iniciativa é anunciada um artigo altamente apelativo no jornal britânico The Telegraph e convenientemente intitulado ‘Ajude-me a salvar as florestas tropicais’, no qual Charles explica que o portal faz parte de uma outra iniciativa sua, muito mais abrangente, o Rainforests Project (Projeto Florestas Tropicais).

O Projeto foi delineado por Charles em outubro do ano passado durante um jantar especialmente realizado pelo WWF por ocasião do lançamento de seu mais novo programa, a Iniciativa Amazônica (Amazon Initiative). Em seu discurso, Charles prestou comovente homenagem ao WWF e a seu pai, o príncipe Philip (fundador e presidente emérito da ONG), e deixou claro qual é a orientação do Projeto:

‘Senhoras e senhores, as florestas (tropicais) precisam ser vistas como elas são – gigantescas utilidades globais, provedoras de serviços públicos para a humanidade em vasta escala.’

Ao referir-se aos esforços empreendidos pelo Brasil e outros países para reduzir o desmatamento, Charles afirma que:

‘Nenhum desses países pode resolver sozinho o problema do desmatamento pois, freqüentemente, ele é causado pela demanda de países em desenvolvimento por óleo de palma, carne e soja. O ponto aqui é que todos nós – o mundo todo – estamos juntos nisso e é por isso que, juntos, precisamos garantir que todas as medidas necessárias (para conter o desmatamento) sejam empregadas. E isso é exatamente o que a Iniciativa Amazônica do WWF está determinada a alcançar’. [..]

‘Senhoras e senhores, a Iniciativa Amazônica do WWF é da maior importância possível. Ela precisa do nosso apoio, e é por isso que estou muito satisfeito que o WWF esteja trabalhando em conjunto com o meu próprio Projeto Florestas Tropicais que estou anunciando hoje’. [..]

‘Nós trabalharemos com o setor privado, governos e especialistas ambientais para desenvolver um leque de soluções práticas que podem começar a ser implementadas nos próximos dezoito meses. Isso é importante, pois é nesse período que o G8 e a ONU vão estabelecer as prioridades no durante as negociações (da extensão) do Protocolo de Kyoto.

‘A tarefa é revisar, desenvolver e propor mecanismos, incluindo soluções legislativas e de mercado e outras idéias que reconheçam o valor real dos serviços do carbono e do eco-sistema proporcionados pelas florestas (tropicais) remanescentes’.

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Ana Júlia (D) acerta com Príncipe Charles ida ao Pará /GEORGE BODNAR
‘Financeirização da floresta’

O empresário brasileiro Jorge Pinheiro Machado foi um dos organizadores do convescote. Sua impressão da reunião do príncipe Charles com os governadores da Amazônia é a seguinte: Sua Alteza quer ser interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica e promover uma espécie de ‘financeirização’ das florestas nativas via remuneração dos ‘serviços ambientais’ que elas prestam à humanidade. A linha de ação do esquema prevê a melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta — leia-se índios — para que se transformem em ‘guardiões das florestas’.

Para isso, os ingleses pretendem fazer investimento pesado. Segundo Machado, a comunidade britânica estaria disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. O que se discute agora são as formas de captação desses recursos, se por pagamento de ‘bolsas-floresta’, por aporte direto aos fundos estaduais de meio ambiente, por projetos específicos ou ainda por outros mecanismos financeiros.

A ‘financeirização’ segue o script antigo daqueles que cobiçam a Amazônia: mantê-la despovoada e desconectada do restante do Brasil. Desta vez, porém, as ações acontecem às claras, e não mais à surdina como até bem pouco tempo. A Casa Real britânica faz questão de explicitar que participa direta e abertamente desse processo. Roberto Smeraldi, chefão da Friends of the Earth (Amigos da Terra) no Brasil, deixa isso bem evidente, quando diz:

Alguns dos convidados brasileiros deixaram perplexos os participantes britânicos ao defender iniciativas tidas como pouco compatíveis com o desenvolvimento das populações locais, o foco principal do encontro: é o caso do governador Anchieta de Roraima, que afirmou ter ‘apoio de 80% da população indígena’ para promover o cultivo de arroz no leste de seu Estado e do secretário executivo do MME, Márcio Zimmermann, que defendeu a realização de grandes projetos para barrar os principais rios da região, como o Madeira, o Xingu e o Tapajós.

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Charles (de óculos), em 2000, durante visita a reserva Iwokrama, na Guiana /DICULGAÇÃO

Encontro em Belém

Embasbacados com as gentilezas de Sua Alteza, os políticos brasileiros não fizeram cerimônia. De pronto, e sem uma avaliação profunda das reais intenções da Casa Real britânica, marcaram a segunda etapa do encontro a ser realizada no Brasil — mais precisamente em Belém, capital do Brasil, lugar do Brasil recorde em trabalho escravo e vice-campeão em desmatamento. Pelo acertado, a reunião seria realizada 90 dias após o encontro com o Príncipe Charles. Se a pontualidade britânica se fizer valer, a reunião deve acontecer em agosto

As atuações do Príncipe Charles em assuntos da Amazônia sempre foram de imposições sobre o Brasil. Em abril de 1991 o herdeiro do trono britânico fez uma visita do País. À época, Charles promoveu um seminário de dois dias a bordo do iate real Brittannia, ancorado sintomaticamente no rio Amazonas. Ali estavam David Triper, ministro de Meio Ambiente da Inglaterra; William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA; Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, e Robert Horton, presidente da British Petroleum.

O então presidente Collor de Mello e seu ministro do Meio Ambiente, José Lutzenberger também estiveram por lá. Meses depois, Collor de Mello criou a gigantesca reserva ianomâmi, etnia inventada por antropólogos da Survival International, braço indígena do WWF.

A reserva foi criada pelo então presidente Collor de Mello, em 1991, por pressão da oligarquia inglesa e do presidente George Bush, o pai, que ofereciam a ilusão do Brasil ao ingresso ao clube do chamado Primeiro Mundo. Resultado: o Brasil não entrou no seleto grupo. Apenas criou uma espécie de nação, a Ianomami, na região fronteiriça entre o Brasil e a Venezuela. A reserva tem 5 milhões de hectares — eram apenas 2,4 milhões quando criada — e concentra a maior reserva de ouro e diamantes do mundo.

A ampliação da reserva se deu com base nos resultados do levantamento dos recursos minerais da Amazônia executados pelo Projeto Radam-Brasil, de 1975. “Curiosamente, esta ampliação permitiu que as grandes reservas de minerais nobres (ouro, estanho, nióbio e materiais radioativos) detectados pelo Radam-Brasil ficassem dentro da reserva”, lembra o coronel Hiram Reis e Silva, no artigo Amazônia, cobiça e ingenuidade. O artigo de Silva está no site do Cosif — Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional.

Sempre por perto

Coincidência ou não, o Príncipe Charles sempre está por perto toda vez que esquenta a disputa em torno das reservas indígenas de Roraima, particularmente a Raposa-Serra do Sol. Foi assim em 2000 quando ocorreram as primeiras reações contra a criação da reserva em área contínua. À época, Charles visitava a vizinha Guiana onde participou pessoalmente da inauguração da reserva ambiental de Iwokrama.

A reserva, com 400 mil hectares, situa-se na região do rio Rupunini, que já foi território brasileiro. Seis meses antes, o secretário do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, Paul Taylor, e o secretário da embaixada britânica no Brasil, John Pearson, estiveram em Roraima para ‘conhecer de perto a realidade indígena’ do Estado. Desde o ano passado, o governo da Guiana resolveu se auto-transformar em ‘protetorado verde’ sob a administração britânica, tendo Iwokrama como modelo.

Como os ingleses criaram a Reserva ianomami na Amazônia


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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".