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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A proibição de amar

NIVALDO CORDEIRO


20/09/2011

Thomas Mann decifrou a mensagem da modernidade no seu livro Doutor Fausto. AdrianLeverkhün, que é Nietzsche, que é Fausto, foi proibido por Mefistófeles para duas coisas: amar quem quer fosse e curar-se da doença sexualmente transmissível que adquiriu no intercurso com a misteriosa mulher mandada pelo Demo, Esmeralda. A primeira proibição tem a validade de um mandamento e espelha aquilo que vivemos sob o que João Paulo II chamou de cultura de morte.

[A cultura de morte é a antinomia da ética cristã, a sua negação. Hoje os proibidos de amar são todos os que praticam aborto e eutanásia, monstruosidades que se elevaram à prática de políticas de saúde pública. Os praticantes dessa lástima são a encarnação da proibição de amar os próprios descendentes e ascendentes. Uma ruptura com a mais elevada ética do cristianismo].

Na verdade, um anti-mandamento: a negação do primeiro artigo das Tábuas da Lei: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A modernidade, desde a Reforma, tem cultivado a negação. A própria ruptura com a Igreja  assume esse tom de rebelião contra Deus. Não escapa a Thomas Mann a trajetória do mal que se instalou na Europa desde Lutero. Ele, como luterano e seguidor de Goethe, como ninguém viveu essa cultura da negação, que se condença integralmente no esteticismo.

Fernado Bayón, o espanhol que fez a melhor resenha que conheço da obra de Thomas Mann, assim intitulou seu precioso livro: La prohibición del Amor - Sujeto, cultura y forma artística en Thomas Mann, disponível para leitura no link do Google. Bayón expôs a fórmula correta de se ler e compreender o romancista alemão. Toda sua obra foi a tentativa de decifrar o mito faustico que engolfou não apenas a Alemanha, mas a Europa e o mundo todo. É a própria modernidade.

É uma perspectiva definitiva para a leitura do Doutor Fausto. Thomas Mann fez com este livro seu acerto de contas com Goethe e Nietzsche de uma maneira artística, mas sem fazer concessão. Mais não precisou dizer para descrever todo o drama metafísico que redundou nas grandes tragédias do século XX. A proibição de amar é a maldição dos tempos modernos, que se opõem frontalmente aos tempos da chamada Idade Média.

Não há dúvida de que a origem mestiça de Thomas Mann foi o fator decisivo para a sua briga com os nazistas e o elemento determinante para ele desconfiar da tal germanidade, o elemento perverso que engendrou o racismo genocida de Hitler. Sem o brasileiríssimo Silva no nome da mãe teria sido mais difícil a ele denunciar essa tolice que ele mesmo defendeu no livro Considerações de um Apolítico. O elemento moreno e tropical que carregava consigocontribuiu para que se elevasse acima dos preconceitos.

Não curar-se da doença sexualmente transmissível é também algo da maior relevância. Ao ascetismo cristão colocou-se o hedonismo da modernidade, que com ele sacrificou também o casamento monogâmico. Casamentos sucessivos de divorciados são uma forma de poligamia. Na verdade, a própria sexualidade tornou-se enfermiça, ela é a doença, a obsessão dos tempos. Daí porque a homossexualidade deixou de ser prática restrita e reservada para adquirir também o status de movimento de massa politicamente organizado. Não se pode perder de vista que o andrógino é a expressão simbólica mais completa para retratar Mefistófeles.

Misoginia, homossexualidade e poligamia formam o trinômio determinante do sexo como a doença moderna por excelência. Um determina o outro, pressupõe o outro e não vive sem o outro. A ruptura do sacramento engendra as forma degenerada da sexualidade humana.

Um comentário:

Ferdinand disse...

"O elemento moreno e tropical que carregava consigocontribuiu para que se elevasse acima dos preconceitos." Aqui Nivaldo está ligando axiologia com genética, que pode levar ao enfraquecimento da noção de responsabilidade humana, fundamento de todo sistema moral verdadeiro. Paradoxalmente ele não reconhece em sua própria afirmação o mesmo problema da modernidade que ele quer denunciar!

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".