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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

USAR O PORTUGUÊS

Fonte: SACRALIDADE

Arthur Virmond de Lacerda Neto

Certos brasileiros desejam induzir uma impressão de civilização superior nos consumidores: daí o apelo comercial dos americanismos, em que funciona um certo complexo de inferioridade dos brasileiros em face do estrangeiro.

Trata-se, em suma, de uma mentalidade, em que se desvalorizam o conhecimento e o cultivo da língua pátria.

Não admira que assim seja, em virtude da ideologia, presente nas escolas e universidades e professada pelos docentes, de que a gramática equivalendo a uma forma de dominação, dos ricos e burgueses, sobre os pobres e trabalhadores, o desprezo pela norma culta corresponde a uma libertação.

Falar mal, coloquialmente, tornou-se uma forma, ideológica, de identificação com os "excluídos". A isto, também, chama-se de marxismo cultural, a expressão, na cultura, dos princípios anticapitalistas e antiburgueses da ideologia concebida por Carlos Marx.

Saber bem o Português e empregar o que se sabe, é engrandecedor; é lamentável empobrecê-lo devido ao seu desconhecimento e é vergonhoso usá-lo com desleixo e preguiça.

mediocrização da Língua Portuguesa e marxismo cultural

Saber bem o Português e empregar o que se sabe, é engrandecedor!


Existe, da parte de muitos brasileiros, o costume de usarem termos em inglês, para designar objetos, ações e qualidades, ao invés de empregarem os equivalentes em português. Em lugar, por exemplo, de dizerem prospecto, dizem "folder"; preferem "flyer" a folheto e "cawboy" a vaqueiro; designam-se bares e boates com nomes em inglês; algumas lojas promovem "liquidaziones", com " tantos % off". Recentemente, introduziu-se "bulling", vale dizer, maus-tratos. Certas palavras, de importação norte-americana, imitadas servilmente entre nós, resultam em ridicularias, à exemplo de "inicializar", "visualizar", roupa "básica" (do inglês "basic", por roupa lisa) e roupa "casual" (do inglês "casual", por roupa informal). Nem é preciso mencionar "gay", por homossexual ou, para aportuguesar, guei.

Necessidade do uso dos americanismos (e dos estrangeirismos em geral), não há nenhuma. Nenhum termo estrangeiro corresponde à forma única e exclusiva de designar o significado respectivo, quero dizer, sempre se pode adotar um equivalente em vernáculo.


A língua portuguesa é rica, nos seus mais de setenta mil vocábulos; é rica, também, na possibilidade de se criarem neologismos, com prefixos e sufixos gregos e latinos e na de se adaptarem estrangeirismos, aportuguesando-os, ou seja, adaptando-os ao feitio do nosso idioma.


A chamada globalização não é uma causa do uso dos estrangeirismos: ela, apenas, cria-lhes a ocasião, a circunstância que a facilita, sendo as suas causas verdadeiras, a pobreza vocabular de quem os emprega, o desinteresse por adotar soluções em português, a suposta sofisticação dos vocábulos em inglês. Certos brasileiros, havendo viajado ao exterior, desejam, de alguma forma, induzir uma impressão de civilização superior nos consumidores: daí o apelo comercial dos americanismos, em que funciona um certo complexo de inferioridade dos brasileiros em face do estrangeiro.


Trata-se, em suma, de uma mentalidade, em que se desvalorizam o conhecimento e o cultivo da língua pátria. Não admira que assim seja, em virtude da ideologia, presente nas escolas e universidades e professada pelos docentes, de que a gramática equivalendo a uma forma de dominação, dos ricos e burgueses, sobre os pobres e trabalhadores, o desprezo pela norma culta corresponde a uma libertação.


Falar mal, coloquialmente, tornou-se uma forma, ideológica, de identificação com os "excluídos". A isto, também, chama-se de marxismo cultural, a expressão, na cultura, dos princípios anticapitalistas e antiburgueses da ideologia concebida por Carlos Marx.


O resultado desta mentalidade observa-se no empobrecimento da forma falada do português no Brasil, na sua simplificação crescente, na perda do seus mais variados recursos. O brasileiro já não sabe os plurais e usa todos os verbos no singular: eu é, é nós; acabou as férias; veio dois. Somos um povo que sabe mal a sua língua, que a fala mal, que a polui com estrangeirismos e cujo pessoal acadêmico professa o ódio à gramática e o desprezo pela norma culta como princípio filosófico, e os transmitem aos estudantes.


É natural que um povo que desdenha do seu idioma, se torne vulnerável a todos os estrangeirismos, em especial aos originários da língua inglesa. Tal mentalidade se agrava com a convicção, verdadeiramente infantil, de que os nomes em inglês atribuem sofisticação aos estabelecimentos que nominam: daí os edifícios, as lojas, os restaurantes, os bares, as boates, designados em inglês. É como se o estabelecimento adquirisse uma qualidade, dos seus serviços e produtos, superior aos que ofereceria, se designado em Português: há um misticismo perfeitamente irracional e que contém uma parcela de ostentação, de valorização da aparência, em detrimento do conteúdo, mais presente, aliás, em Curitiba, do que em outras cidades do Brasil.


Todo idioma recebe importações; os vocábulos circulam de uns para outros, o que, todavia, não justifica a adoção de estrangeirismos, fora de qualquer critério, passivamente, sem um mínimo de avaliação crítica da sua necessidade, da sua oportunidade e, sobretudo, da possibilidade da adoção de um equivalente em Português.


Os estrangeirismos circulam porque as pessoas os usam; porque lhes falta, a elas, consciência de que a língua pátria pode (e deve) corresponder a um valor; de que constitui um patrimônio riquíssimo, que dispõe de abundantes recursos, que podemos (e devemos) empregar. Saber bem o Português e empregar o que se sabe, é engrandecedor; é lamentável empobrecê-lo devido ao seu desconhecimento e é vergonhoso usá-lo com desleixo e preguiça.


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Arthur Virmond de Lacerda Neto diplomou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná e cursou Mestrado em História do Direito na Universidade de Lisboa; Professor de Direito, e escritor. Em sua obra Dilema em Braga, denuncia o processo de mediocrização que vem sofrendo a Língua Portuguesa no Brasil.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".