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terça-feira, 3 de julho de 2012

Raciocínio para dez anos: o comportamento dos governos é a grande causa de tudo

 

MÍDIA A MAIS

03 | 07 | 2012

Jean-Baptiste Say

 

Por: Guy Sorman

Em tempos de crise, o senso comum se perde: as pessoas esperam, em vão, decisões de efeito rápido de seus governos, enquanto os governantes superestimam sua capacidade de ação. Mas, em uma democracia, a economia segue seu caminho traçado pelos empresários, enquanto a política segue sua trajetória sobre as exigências eleitorais. Essa ruptura entre a política e a economia foi relatada pela primeira vez na história da ciência econômica em 1803, durante uma briga [1] entre o famoso imperador francês Napoleão e Jean-Baptiste Say, fundador da educação econômica para toda a Europa.

O imperador exigia que Say modificasse seu Tratado de Economia Política (publicado na Espanha em 1807) para celebrar o papel do Estado e as virtudes do protecionismo, em vez do empreendedor e do livre comércio: Say respondeu que a ruptura entre a economia e a política já estava consumada. O trabalho foi censurado, Say impedido de ensinar, mas Napoleão não poderia modificar a realidade: o “empreendedor”, termo cunhado por Say, não obedece mais o imperador. O “empreendedor”, explicou Jean-Baptiste Say, é motivado por seus interesses: o que é excelente, acrescentou, porque pelo lucro o empreendedor investe, explora as inovações rentáveis, cria empregos. Os governante e altos funcionários, acrescentou Say, são todos impulsionados pela vaidade. Pela vaidade, todo funcionário aumenta o número de seus subordinados porque o poder do Estado se mede pelo número de escritórios. O Estado, concluiu Say, é indispensável para estender o estado de direito e prejudicial para além disso: quando a fronteira entre o mercado e o Estado torna-se instável, a economia deteriora porque os empreendedores preocupados partem para estratégias de recuo.

O que nos leva de volta à crise na Europa: o comportamento dos governos é a grande causa de tudo. A União Europeia, ou o Euro em si, não tem qualquer responsabilidade pela recessão. Um euro desvalorizado ou o retorno às moedas nacionais não conduziria a um aumento dos custos de importação, o pagamento das dívidas. Não estamos mais na era das desvalorizações competitivas: a prosperidade das nações depende menos dos custos de produção que da singularidade e da qualidade dos produtos no mercado mundial.

Claramente, o que os empresários europeus precisam hoje e por que os governos europeus acabaram por se juntar, é de um horizonte estável e previsível. Entre os slogans célebres de John Maynard Keynes, um dos mais falsos certamente é “A longo prazo, todos estaremos mortos” [2]. Na economia, somente o longo prazo é condição para o crescimento: o investimento será retomado quando for possível, em razão de cinco ou dez anos. Isso pressupõe que a União Europeia seja consolidada por compromissos específicos sobre a evolução da dívida pública, segurança bancária e as futuras regulamentações sociais, até mesmo ecológicas ou municipais [3].

A Europa, felizmente, dispõe de uma autoridade que garante a estabilidade dos preços: o Banco de Frankfurt. Ela necessita de uma outra autoridade que obrigue a transparência das contas públicas, juntamente com sanções significativas e o retorno ao equilíbrio orçamental: o equilíbrio é o único objetivo que vai tranquilizar os mercados financeiros. Estas não são medidas conjunturais, de políticas cíclicas, de ajuda tal como a Europa anuncia, mas de regras estáveis, de instituições também legítimas como já são o Banco Europeu ou o Tribunal de Justiça Europeia.

Como persuadir os governantes e a opinião pública de que a retomada do crescimento e a queda do desemprego passam por um reforço das instituições, por um progresso do Direito, e não por manipulações das ferramentas de produção e finanças públicas? Com base em evidências: as nações mais prósperas são aquelas cujas instituições são mais fortes e os Estados são mais sóbrios, como a Alemanha e o norte da Europa. E ao desenvolver o conhecimento popular da ciência econômica: Jean-Baptiste Say acreditava que o progresso seria baseado em uma ampla divulgação da ciência econômica, onde as pessoas resistiriam ao estatismo e à demagogia. Para fazer isso, ele se tornou jornalista e professor. É razoável procurar em 1803 soluções para uma crise imediata? Sim, uma vez que existem na economia realidades eternas.

Tradução: Maria Júlia Ferraz

Disponível no blog do autor

[1] Para saber mais: http://economics.about.com/od/famouseconomists/a/jean_baptiste.htm.

[2] Do inglês In the long run we are all dead. In: A Tract on Monetary Reform (1923), capítulo 3.

[3] Do francês “communes”, que pode significar autarquia, município.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".