Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Para uma antropologia filosófica

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 19 de julho de 2003

A condição humana mais geral e permanente, a estrutura fixa por trás de toda variação local e histórica, pode-se resumir em seis interrogações básicas, articuladas em três eixos de polaridades, cujas tentativas de resposta, estas sim temporais e variáveis, dão as coordenadas da orientação do homem na existência.

O primeiro eixo é "origem-fim". Ninguém jamais soube onde e quando o conjunto da realidade começou nem como ou quando vai terminar. Pode-se arriscar uma teoria da eternidade do mundo, um mito cosmogônico ou a imagem do "big bang", uma teologia da criação ou um atomismo materialista, cada qual com sua respectiva explicação do fim. Nenhuma delas jamais obteve aceitação universal. O que não se pode é ignorar a questão, pois dela depende o nosso senso de orientação no tempo, a possibilidade de conceber projetos e dar forma narrativa às nossas experiências.

O segundo eixo é "natureza-sociedade". Todo homem vive entre dois campos da realidade, um anterior e independente da ação humana, o outro criado por ela. A diferença e a articulação desses campos aparecem no contraste entre o geometrismo da taba circular e o matagal informe, na oposição de Lévi-Strauss entre o cru e o cozido, no instinto de buscar a proteção do grupo contra os animais e as intempéries ou, inversamente, no sonho rousseauniano de encontrar na natureza um abrigo contra os males do convívio social. A natureza pode aparecer como um pesadelo temível ou como seio materno acolhedor. A sociedade pode ser lar ou prisão, fraternidade ou guerra. Pode-se fazer da natureza uma espécie de ordem social, como na antiga cosmobiologia, ou naturalizar a sociedade, como na antropologia evolucionista. Mas essas tentativas só revelam a impossibilidade, seja de explicar um dos termos pelo seu contrário, seja de articulá-los numa equação definitiva, seja de compreender um deles sem referência ao outro.

O terceiro eixo é "imanência-transcendência". Cada ser humano sabe que ele próprio existe, que tem um "mundo" interior de experiências, recordações, desejos, temores. Mas sabe também que esse poço é sem fundo, que ninguém pode compreender-se ou ignorar-se totalmente, que cada alma encontra dentro de si algo de estranho e atemorizante, que cada um se conhece e se desconhece quase tanto quanto aos demais. Buscamos na nossa intimidade o abrigo contra a maldade alheia, assim como buscamos no outro, no amigo, na esposa, a proteção contra nossos fantasmas interiores. Cada um de nós é próximo e estranho a si mesmo. Por outro lado, para além de tudo o que se pode conhecer da realidade, para além de toda experiência alcançável, cada homem e cada cultura pressente um fator "x", que, desde acima ou desde o fundo do fluxo dos acontecimentos, faz com que as coisas sejam o que são e não de outro modo. "Por que existe o ser e não antes o nada?": assim formulava Schelling a interrogação suprema. Podemos tentar respondê-la pela concepção de um absoluto metafísico, de uma divindade ordenadora ou de uma fantástica auto-regulação de coincidências. Podemos até expulsá-la da discussão pública, deixando-a à mercê do arbítrio privado, com a abjeta covardia intelectual do agnosticismo moderno. Mas mesmo então sabemos que não escapamos dela. Entre a imanência e a transcendência, várias articulações são possíveis, mas nenhuma satisfatória. Podemos conceber o transcendente à imagem do nosso ser íntimo, como divindade bondosa que nos compreende e nos ama -- mas isso fará ressaltar ainda mais o que a vida tem de estranheza fria e hostilidade demoníaca. Podemos imaginá-lo com os traços impessoais e mecânicos de uma fórmula matemática -- mas isso não nos impedirá de amaldiçoar ou bendizer o destino, subentendendo nele uma intencionalidade humana quando nos oprime ou nos reconforta.

Cada um dos pólos é uma interrogação, um misto de ignorância e conhecimento, um foco de tensões espirituais. Cada um articula-se com seu oposto, num mútuo esclarecimento -- ou multiplicação -- de tensões. E no ponto de interseção dos três eixos, como no das três direções do espaço, fixado na estrutura da realidade como Cristo na cruz, está o ser humano.

Crenças, cosmovisões, doutrinas, diferem sobretudo pela hierarquia que estabelecem entre os seis fatores por meio de assimilações e reduções. Muitas culturas arcaicas privilegiavam o fator "origem", explicando sociedade e natureza por um mito cosmogônico, ignorando a transcendência e a imanência. A escolástica medieval remeteu-se à transcendência, sonhando poder deduzir dela uma ordem intelectual completa e definitiva. A modernidade absorveu tudo na oposição natureza-sociedade, esperando não menos utopicamente reduzir os mistérios da transcendência e da imanência, da origem e do fim, a questões de partículas subatômicas, código genético e análise lingüística. Preparou assim o advento das ideologias totalitárias que fizeram da sociedade a razão última da origem e do fim, colocando entre parênteses a natureza, sufocando a imanência e vedando o acesso à transcendência. Cada um desses arranjos, mesmo o mais limitador, é legítimo e funcional a título provisório, como experimento de sondagem numa certa direção que os interesses de um momento enfatizaram. Torna-se alienante e opressivo quando se cristaliza numa proibição de olhar para além da articulação admitida. Só a abertura da alma para a simultaneidade dos seis pólos, com suas luzes e trevas, dá acesso à experiência realista da condição humana e, portanto, à possibilidade da sabedoria. Todas as explicações que, para enfatizar uma articulação em particular, negam ou suprimem a estrutura do conjunto, são falsas ou estéreis.

Filosofias como o marxismo, o positivismo, o pragmatismo, a escola analítica, o nietzscheanismo, o freudismo, o desconstrucionismo, -- todas aquelas, enfim, que ocupam o espaço inteiro do ensino acadêmico neste país -- são doenças espirituais, obsessões que nos encerram hipnoticamente no fascínio de uma resposta ao mesmo tempo que apagam o quadro de referências que dá sentido à pergunta.

Esquerda e criminalidade: Parte I

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
Por Thomas Sowell em 06 de setembro de 2006

Resumo: Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, pouco importando as enormes evidências de que essa postura simplesmente não funciona.
© 2006 MidiaSemMascara.org

A mentalidade geral da esquerda política é similar em todos os países e em todos os tempos.[1]

A tolerância para com criminosos perigosos, encontrada em escritores do séc. XVIII, tais como William Godwin e Condorcet, tem seu eco, hoje em dia, naqueles que fazem vigílias de protesto nas execuções [de pena de morte] de assassinos e que reclamam que não estamos sendo bonzinhos com os trogloditas presos em Guantanamo.

Questões específicas variam de lugar para lugar e de tempos em tempos, mas a mentalidade permanece notavelmente similar. O que é também diferente de país para país e de uma época para outra é o nível de resistência enfrentada pela esquerda, o que determina o quão longe ela pode ir, na prática.

Os EUA sempre foram mais resistentes à esquerda que a maioria dos países europeus. Podemos ver, quase sempre, para onde vai a esquerda americana observando aonde chegou a esquerda européia.

Um novo livro sobre o crime na Inglaterra mostra o que acontece quando a mentalidade da esquerda prevalece no sistema judiciário. O livro se intitula “A Land Fit for Criminals” [Um país ideal para criminosos] e foi escrito por David Fraser.

Num passado ainda recente, a Inglaterra era uma das nações mais obedientes à lei na face da Terra. Quando Lee Kuan Yew visitou Londres, vindo de Singapura, logo após a II Guerra Mundial, ele ficou tão impressionado com a honestidade dos ingleses e seu respeito à lei e à ordem que ele voltou para casa determinado a fazer o mesmo em seu país.

Hoje, Singapura é uma das nações mais obedientes à lei no mundo, enquanto a criminalidade na Inglaterra aumentou a um nível que, pela primeira vez, excede à dos EUA.

O que aconteceu entre uma e outra época foi o crescimento contínuo dos dogmas esquerdistas, até seu completo predomínio, tanto no sistema legal, quanto na mídia e entre as elites políticas da Inglaterra.

Hoje, um ladrão preso em flagrante pela polícia inglesa tem grande chance de receber uma advertência. Se ele já tiver sido condenado por roubo, ele poderá receber uma advertência mais severa. Mas, ele dificilmente enfrentará a situação draconiana, por exemplo, de ser posto atrás das grades.

Roubo é considerado ofensa “leve” por líderes de ambos os partidos (do Trabalho e Conservador) na Inglaterra. Casos raros em que ladrões são presos são criticados pela mídia.

A ideologia esquerdista a respeito do crime, incluindo seu desprezo pela propriedade privada, tem se alastrado por todo o espectro político, atingindo a todos que desejam ser considerados “homens de seu tempo”. Essa ideologia é essencialmente a mesma em ambos os lados do Atlântico, mas na Inglaterra atingiu uma dominância muito maior e sem contestação.

Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, além de que a “reabilitação”, por meio de vários programas “na comunidade”, é mais efetiva que a prisão de criminosos.

Nada disso é novidade e sua racionalidade já é velha de mais de dois séculos. O que é notável é como montanhas de evidências factuais contrárias são ignoradas, evitadas ou simplesmente ocultadas, em ambos os lados do Atlântico.

O livro de David Fraser examina essas evidências à exaustão e expõe a alegação fraudulenta usada para tentar justificar a contínua leniência para com criminosos, enquanto a criminalidade cresce assustadoramente na Inglaterra.

Há montanhas similares de evidências contra os dogmas criminais da esquerda nos EUA e essas evidências são, da mesma forma, ignoradas, evitadas e ocultadas por esquerdistas. Mas, aqui a esquerda enfrenta uma oposição maior, razão pela qual ela não atingiu uma dominância tão grande quanto na Inglaterra – ainda.

Em ambos os países, os ideólogos têm o apoio de políticos e burocratas “práticos”[2] que simplesmente não querem gastar o dinheiro necessário para construir e manter prisões para trancafiar, durante longos períodos, os criminosos.

Aqueles que comparam custos e benefícios definem “custos” como aquilo que o governo gasta. Mas, os custos pagos pelo público, apenas em termos econômicos, excedem enormemente o custo das prisões. Mas isso não importa, tanto para os ideólogos, quanto para os políticos e burocratas jurídicos “práticos”.

[1] O sítio Townhall.com publica, na página deste artigo de Sowell, uma foto do jornalista da Globo seqüestrado pelo PCC. Na legenda da foto, há referência à aquiescência da emissora em divulgar um comunicado, no Fantástico, do grupo criminoso. (N. do T.)

[2] Sobre homens “práticos”, Chesterton tem um delicioso texto. Para sua versão original clicar aqui. Para a versão traduzida clicar aqui. (N. do T.)

Publicado por Townhall.com

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

Esquerda e criminalidade: Final

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Thomas Sowell em 13 de setembro de 2006

Resumo: Nos EUA e em outros países a esquerda tem sustentado persistentemente suas suposições e crenças sobre a criminalidade, e milhões de vítimas pagam o preço dessas ilusões sobre o crime.

© 2006 MidiaSemMascara.org

Um alto índice de prisões de criminosos reduz a criminalidade? O crime é resultado da pobreza, desemprego e coisas similares? Alternativas à prisão são mais efetivas na prevenção da reincidência no crime?

Alguns hesitariam em responder tais questões antes de consultar muitos dados reais e de pensar muito a respeito.

Mas, muitos esquerdistas são capazes de responder imediatamente, pois eles sabem quais as respostas estão em voga na esquerda – afirmam, ademais, que a razão de outros não aceitarem essas respostas é que eles estão atrasados no tempo ou são desumanos e gostam de punir.

Uma coisa é acreditar que uma política A é melhor que uma política B. Outra muito diferente é acreditar que aqueles que acreditam em A são mais sábios, mais compassivos e, geralmente, seres humanos mais valorosos do que quem acredita em B.

A transformação da questão empírica dos resultados da política A versus os resultados da política B numa questão pessoal de um maravilhoso Nós versus um terrível Eles, torna mais difícil uma eventual retratação, se os fatos não apoiarem a crença.

Se a escolha entre a política A e a política B for considerada como um símbolo de mérito pessoal, moral ou intelectual, então haverá um risco devastador à auto-estima de alguém o fazer das evidências empíricas o teste fundamental.

Não somente nos EUA, mas também em outros países, a esquerda tem sustentado persistentemente suas suposições e crenças sobre a criminalidade por, pelo menos, dois séculos, não apenas a despeito da ausência de evidências reais, mas também em oposição a evidências contrárias, acumuladas por dois séculos, em diversos países ao redor do mundo.

Onde a dominância da esquerda é maior – na mídia e na academia, por exemplo – fatos contrários são raramente considerados.

A futilidade do encarceramento, por exemplo, é um dogma da esquerda. Não adianta lembrar que o índice de criminalidade tanto nos EUA, quanto na Inglaterra, elevou-se enormemente na década de 1960, quando a pobreza estava em declínio – e o índice de prisões estava também diminuindo.

Não adianta observar que o índice de criminalidade elevado nos EUA começou a diminuir somente depois que o declínio do índice de prisões foi revertido, levando a um aumento da população carcerária, o que foi deplorado pelos esquerdistas.

Não adianta mostrar que o índice de prisões de Singapura é mais que o dobro daquele do Canadá – e seu índice de criminalidade é menor que um décimo daquele do Canadá. Muitos no Ocidente ficaram horrorizados em descobrir, alguns anos atrás, que um americano, sem antecedentes criminais, foi sentenciado, em Singapura, a uma punição corporal.

Poucos críticos indignados se preocuparam em considerar a possibilidade de que isso poderia ter sido uma forma de prevenir que o jovem pudesse se tornar um criminoso contumaz – e, talvez, pudesse salvá-lo de um destino pior se ele continuasse a desrespeitar as leis.

A autodefesa contra criminosos é um anátema para a esquerda, tanto na Inglaterra, quanto nos EUA, mas lá a esquerda tem uma maior predominância. Britânicos que pegam ladrões em suas casas e os mantêm lá, na mira de uma arma, até a polícia chegar, são, depois, processados por crime – mesmo quando a arma é de brinquedo.

Dada a visão prevalecente no sistema de justiça criminal da Inglaterra de que roubo é uma ofensa “leve” e a feroz hostilidade a armas, mesmo de brinquedo, a vítima de roubo tem maior probabilidade de acabar atrás das grades do que o próprio ladrão.

A jihad esquerdista contra cidadãos de bem que possuem armas tem produzido uma inundação de informações distorcidas. Comparações internacionais são invariavelmente feitas entre os EUA e países que têm um controle de armas mais rígido e um menor índice de crimes.

Mas, se os fatos fossem realmente importantes, você poderia, com a mesma facilidade, comparar os EUA com países que possuem leis mais rígidas de controle de armas e maiores índices criminais – Brasil e Rússia, por exemplo.

Você poderia comparar os EUA com países que tivessem um maior número de cidadãos possuidores de armas – Suíça e Israel, por exemplo – e menor índice de criminalidade. Mas isso, somente se os fatos fossem considerados mais importantes que os dogmas da esquerda.

Milhões de vítimas pagam o preço das ilusões da esquerda sobre o crime – e sobre ela mesma.

Leia também Esquerda e criminalidade: Parte 1

Publicado por Townhall.com


Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

O velho comunismo

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
Por Ipojuca Pontes em 06 de maio de 2008

Resumo: Ao invés de criar um “novo homem”, velha pretensão totalitária, o sistema comunista gerou um ser desfibrado, coisificado, tangido pelo temor e a autocensura – em suma, um sub-homem.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A revolução comunista, em vez do “novo homem”, criou o sub-homem.

A London Paperback divulga o lançamento da 2ª edição, na Europa, do novo livro do historiador inglês Orlando Figes, “The Whisperers” (0s Sussurros), sobre os intermináveis horrores da Era Stalinista. Figes tem formado, ao lado de Paul Johnson, o duo de especialistas voltados para a reconstituição e análise da funesta experiência comunista na Rússia Soviética. Seu relato “A People’s tragedy – the russian revolution 1881-1924” (A Tragédia de um povo – A Revolução Russa 1881-1824 - Editora Record, Rio, 1996) – se inscreve, pelo rigor da pesquisa cuidadosamente estruturada, como leitura obrigatória para todos aqueles que desejam saber como a serpente expeliu o ovo e formou o tentacular monstro comunista.

Com acesso direto aos arquivos de Moscou, ou pelo menos parte deles, Figes, na transição deste século, se transferiu para a capital russa e entrevistou um sem-número de sobreviventes do stalinismo. Houve resistência, alguns depoentes, em pânico, tentaram se esquivar de qualquer conversa com o historiador pensando que ele não passava de um agente da KGB. No entanto, ainda que temerosos, eles contaram como, há mais de meio século, funcionava a vida privada do homem comum sob a repressão do Estado soviético.

Uma vida, de resto, levada aos “sussurros” por causa do vizinho que, por qualquer indício de “desigualdade”, denunciava ao agente do Partido Comunista mais próximo (“comissário do povo”) o que se passava por trás das paredes dos apartamentos comunais soviéticos, onde fermentavam, ao mesmo tempo, a carência, a dor, a inveja, o medo e a delação. O simples ato de comer uma batata a mais, dentro de um modelo social baseado no princípio da igualdade na pobreza, poderia levar o indivíduo e sua família ao degredo e à desgraça.

São centenas de relatos escabrosos, em que as vítimas do sistema repressivo, em meio à violência e a miséria moral, perderam por completo o auto-respeito, os parâmetros e o próprio sentido da existência; pessoas tomadas pelo conformismo e transformadas em peças amorfas destinadas ao trabalho escravo e à obediência cega. Ninguém ousava – e aí de quem! - levantar a cabeça ou mesmo esboçar o desejo de se manifestar politicamente. Coisa em tudo similar ao que nos descreve outro escritor inglês, George Orwell, no seu aterrorizante “1984”. Eis o fato incontestável: ao invés de criar um “novo homem”, velha pretensão totalitária, o sistema comunista gerou um ser desfibrado, coisificado, tangido pelo temor e a autocensura – em suma, um sub-homem.

Os adeptos da seita e os espíritos acadêmicos integrantes do movimento comunista, a partir do XX Congresso do PC, em 1956, adotaram como estratégia o sofisma de afirmar que o stalinismo representou apenas um “desvirtuamento” da rota teorizada por Karl Marx e materializada por Lenin. “Tudo não passou de um equivoco histórico”, proclamou certa vez o revisionista caboclo Salomão Malina, último Secretário-Geral do PCB. Papo cínico e canalha. Pois é da essência mesma do credo coletivista nulificar o indivíduo em função da verdade única que se cristaliza na propriedade estatal dos meios de produção. Stalinista ou não, o sistema se consolida em definitivo na subordinação da sociedade à burocracia estatal, controlada pelo Partido. Assim, as formas de pensar, liberdade, cultura, ensino, relações políticas, sociais, etc., se efetuam no socialismo tão somente sob a “guarda do Estado” e, dentro dele, disfarçada ou abertamente, só podem ou terão condições de existir os que atuam para reafirmá-lo. (Qualquer semelhança com o que se desenvolve, sorrateiramente, no Brasil da Era Lula não é mera coincidência).

Com notável sentido do fato histórico, Figes dá especial relevo aos depoimentos de pessoas que, de algum modo, sobreviveram à época do Grande Terror stalinista. Nela, foram aniquiladas milhões de pessoas, entre as quais milhares de militantes e figuras centrais da revolução russa, tais como os “camaradas” Kirov, Bukharin, Zinoviev e Kamenev. Stalin não brincava em serviço. Como todo bom comunista, só tinha um objetivo: manter o poder. Por isso, ao menor sinal de desconfiança, instituía julgamentos farsescos nos quais os suspeitos se declaravam culpados de conspirações inexistentes e de cumplicidades (impossíveis) com os inimigos do regime. O próprio Lev Trotsky, o homem da “revolução permanente”, antecipou-se e fugiu das garras do “Guia Universal dos Povos”, em 1929, mas não conseguiu se livrar da picareta mortal de um dos seus agentes, na cidade de Coyacán, México, em 1940.

As vilanias do stalinismo e do próprio comunismo são inescrutáveis. No epílogo de seu livro, um êxito de vendas, Figes nos dá conta de que a sombra do Grande Terror da Era Stalin se projeta de forma nítida na Rússia de Putin, o ex-dirigente da KGB. Prevalecem nela ainda, segundo o historiador, o conformismo e o eterno temor diante do arbítrio estatal. O cidadão comum, por uma espécie de perversão moral herdada do passado, não ousa contestar as ameaças das instituições burocráticas e da imensa máquina de segurança do Estado, mantida e até ampliada nos alvores do Putinismo.

Para nós, na aparente distância, o fenômeno descrito em “The Whisperers” é inteiramente explicável. Na Rússia atual o governo simplesmente amplia as garras do Estado, passando por cima da fragilidade da sociedade civil liberal e isolando, no processo, a ação do indivíduo consciente como contrapeso ao poder centralizador do Estado forte. Por que digo isso?

Bem, os senhores sabem, tenho o Brasil diante de mim.

O autor é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.

O Partido Comunista e o indivíduo

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja em 06 de maio de 2008

Resumo: O indivíduo não tem cabimento na teoria e no programa dos partidos comunistas.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Louis Aragon, poeta oficial do Partido Comunista Francês, simplesmente constatou: Perdi meu tempo, ao verificar o desmoronamento do socialismo real.

Quando alguém examina livros, revistas e folhetos comunistas verifica um fato surpreendente. Em nenhuma parte da interminável verborréia que pretende abordar o político-social se encontra qualquer referência ao indivíduo.

Página após página encontramos os termos massas, proletariado, burguesia, mercenários do capitalismo, reformistas, revisionistas, renegados e sempre, em toda a parte, referências à vanguarda revolucionária. Isto é, ao partido.

Sempre que se refere a qualquer membro do partido, ele é esterilizado psicologicamente e tirada a sua individualidade: é convertido no companheiro, kamarada ou quadro.

Não é, porém, por acidente que o ser humano está ausente dos escritos comunistas. O indivíduo não tem cabimento na teoria e no programa dos partidos comunistas. A ideologia só se interessa pelo homem como membro de uma classe e, no que se refere ao programa, os indivíduos são manejados como massa.

Na medida em que o indivíduo siga sendo ele mesmo, diz-se que está animado por interesses e esperanças pessoais: é sensível às dúvidas e ao otimismo; é capaz de ser tocado pelo mistério da vida; torna-se imprevisível e capaz de ater-se às suas próprias opiniões.

As mesmas qualidades que fazem dele um indivíduo o desqualificam para os fins partidários. Tende demasiado a não ser facilmente convencido, a mostrar-se cético, a aborrecer-se pelas reiteradas abstrações próprias da ideologia comunista, a duvidar do método, a manter uma opinião ainda mesmo depois de se ter convertido à linha partidária e a simpatizar ou antipatizar com uns semelhantes sem permissão do Comitê Central.

Em conseqüência, não é confiável. Necessita ser desenvolvido e integrado à massa, a fim de que o partido cumpra a sua missão histórica.

De acordo com a doutrina científica, todos os aspectos do ser humano que não se prestem à sua politização são burgueses.

Carlos I. S. Azambuja é historiador

O mundo brasilianiza-se

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 1o de maio de 2008

Outro dia, como um cidadão da República Checa me explicasse que tudo por lá é bagunça, corrupção e sem-vergonhice, mostrei-lhe duas fotos: na primeira o nosso ministro da Cultura beijava na boca o cantor Lulu Santos, na segunda a esposa do mesmo ministro se esfregava no governador da Bahia e respectiva primeira-dama – tudo isso em público, e subsidiado pelo dinheiro do contribuinte.

Meu interlocutor arregalou os olhos e deu-se por vencido:

-- Lá em Praga não tem disso não.

Mais uma vez a Europa se curvava ante o Brasil. Não satisfeito com a humilhação do concorrente, expliquei-lhe o Mensalão, o assassinato de Celso Daniel, o financiamento estatal da destruição de fazendas, os quilombolas, as repúblicas indígenas emergentes, os cinqüenta mil homicídios anuais, o analfabetismo universitário, o Dicionário Crítico do Pensamento da Direita , a pedagogia do prof. Carlão, os progressos do narcotráfico, o pacto PT-Farc assinado no Foro de São Paulo, a fortuna do Lulinha e, para completar, os 69 por cento de aprovação de tudo isso.

O homem baixou a cabeça e reconheceu que a República Checa é uma filial da Ordem Franciscana.

-- Afinal, a corrupção por lá vem toda de fora, dos russos.

-- A nossa, não. É nacional legítima.

Sim, meus amigos, essa é a verdade. Não se deixem enganar por sinonímias ilusórias. Termos como “corrupção”, “decadência”, “esculhambação”, têm equivalentes em todas as línguas. Mas nomes de fatos e qualidades não vêm acompanhados dos respectivos índices quantitativos. O que singulariza a desordem brasileira não se expressa em palavras, mas em números. É a dimensão, o tamanho descomunal, inalcançável à imaginação da platéia estrangeira, cujo cérebro automaticamente rejeita a estranheza insuportável, reduzindo o fenômeno às proporções daquilo que conhece e achando que na sua terra tudo se passa como em Brasília e Catolé do Rocha.

Só a exposição detalhada permite captar a diferença. E aí não há como escapar à conclusão: somos insuperáveis. Embora sob um aspecto ou outro possamos levar desvantagem, no conjunto a depravação nacional é um fenômeno inédito, incatalogável, sem similares na história do mundo. Nenhuma nação jamais consentiu em tolerar o intolerável com aquele misto de indiferença búdica, amoralismo cínico e auto-satisfação masoquista que o Brasil chama de “normalidade institucional”.

Mas algo me diz que nossos dias de glória estão contados. Aqui e ali, aos poucos, vão despontando indícios de que certas condutas, antes julgadas inaceitáveis fora das nossas fronteiras, vão conquistando espaço nas sociedades ditas avançadas, aí encontrando a mesma receptividade cúmplice que tanto as fez prosperar no Brasil.

Na sua breve carreira de pré-candidato, o sr. Barack Obama já contou, comprovadamente, mais de sessenta mentiras só sobre a sua biografia (excluídas as mentiras políticas). Ele mente sobre suas origens, sobre sua família, sobre sua educação, sobre seus amigos, sobre o pastor da sua igreja. Nenhum político faz isso. Todos são verazes nas miudezas para poder falsificar melhor o conjunto. Obama mente no atacado e no varejo, no todo e nos detalhes, até em detalhes óbvios que não levam meia hora para ser desmentidos. Chamá-lo de mentiroso seria eufemismo. Ele é uma farsa total, uma palhaçada completa. É um intrujão desprezível que em situações normais alcançaria sucesso, no máximo, como locutor de rádio interiorana. Sua simples candidatura – para não falar da possibilidade da sua eleição – mostra que a capacidade de julgamento do eleitorado americano desceu abaixo do nível do ridículo: está beirando o tragicômico. Quanto mais se comprova que o sujeito é postiço, mais devotos se tornam os seus seguidores. Cada vez que ele é desmascarado, mais o aplaudem. Já vão para oitenta por cento os democratas que juram votar nele. É um efeito que, até algum tempo atrás, só se observava num único país do mundo. O bom e velho país dos otários que, para não dar o braço a torcer, fingem admirar o malandro que os engana.

O definhamento do estado de direito

Do portal do DIÁRIO DO COMÉRCIO
João Ricardo Modeste e Ives Gandra da Silva em 02 de maio de 2008

As promessas da Constituição de 1988 não se realizaram. A expectativa de um Estado Democrático de Direito ficou paralisada, pois somos menos um Estado de Direito que Democrático. A solidariedade tornou-se ideologia e expressão do ódio dissimulado. A independência dos poderes vem sendo atropelada pela fúria do Executivo federal.

Os resultados não têm correspondido às intenções, possivelmente em razão de algumas delas serem inconfessáveis e criptografadas. A Constituição Cidadã tornou-se uma ante-sala da "República Bolivariana do Brasil", tragicômica versão da "Revolução Comunista Bolivariana". O governo Lula é uma hidra à espera de um Hércules. Uma de suas sete cabeças é a cabeça de Lênin. Do Lênin de O Estado e a Revolução , de 1917. Essa cabeça prega o definhamento do Estado de Direito como etapa do aniquilamento do "Estado Burguês" enquanto expressão máxima da plena democracia. A substituição do Estado Burguês pelo Estado Proletário não é possível sem Revolução Violenta , afirma Lênin (p. 27), prefaciado por Florestan Fernandes ( Editora Hucitec, São Paulo, 1978 ), para quem a reedição do livro educará as classes trabalhadoras para a "Ditadura do Proletariado": A reedição surge em um momento propício: a pressão operária e o protesto sindical situam à nova luz a questão do espaço político democrático no seio de uma sociedade capitalista relativamente subdesenvolvida e dependente. (...) A divulgação de 'O Estado e a Revolução' é extremamente necessária em um momento como esse, no qual o avanço operário colide com as contrapressões vindas tanto das 'ilusões constitucionais', quanto das 'manipulações populistas'. Concebido como arma de luta, (...) que ele instrua os trabalhadores, os líderes sindicais e a juventude contestadora sobre as limitações do sufrágio universal, as debilidades intrínsecas da democracia constitucional e representativa, o caráter opressivo e repressivo da República democrática, a necessidade da Revolução Violenta. (...) O proletariado deve primeiro conquistar o Estado Burguês para, em seguida, transformá-lo e destruí-lo (p.XVIII).

O "Estado Burguês" foi conquistado. Basta agora destruí-lo com o beneplácito e a colaboração principalmente do Executivo federal. Não conseguem os governos federal e estaduais fazer com que determinados movimentos respeitem a Carta Magna. MST, Vila Campesina e outros vivem exclusivamente da violação da Constituição e da lei, através de financiamentos, inclusive de Hugo Chávez, e desapropriações, parte delas barrada nos tribunais. É o PAC do Totalitarismo .

Depredação da Câmara dos Deputados, destruição de pesquisas científicas, de terras e de lavouras por tais movimentos, repudiados pela população e que pretendem impor sua ideologia sem passar pelo teste das urnas, têm sido uma constante e clara demonstração de que determinadas autoridades são coniventes com tais maculações da lei maior. Por outro lado, magistrados de Tribunais Regionais, inclusive da Suprema Corte, criticam o excesso de prisões preventivas de pessoas sem que haja processos instaurados ou autos lavrados, lastreadas em trechos pinçados de gravações telefônicas. A imprensa publicou manifesto de eminentes desembargadores, que ficaram estupefatos quando souberam da existência de 409.000 escutas telefônicas autorizadas no País, em 2007, tendo, inclusive, o ministro Sepúlveda Pertence, em depoimento na Câmara dos Deputados, tecido duras críticas a tais abusivas ações.

A violação de privacidade faz parte da destruição do "EstadoBurguês". Uma interpretação equivocada da Constituição quanto aos artigos 231 CF e 68 da ACDT, que ofertam direitos aos índios e quilombolas sobre terras que ocupavam ("estejam ocupando", Art. 68) no momento da promulgação da lei suprema, e não que ocuparam no passado, tem gerado problemas. Por esta interpretação oficial, o presente do indicativo do texto maior passou a ser o pretérito perfeito, e onde se lê "ocupam" passou-se a ler "ocuparam". Com isto, para aproximadamente 400.000 índios estão sendo entregues 15% do território nacional. O Brasil assinou a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas atingindo letalmente a sua soberania. Dos raríssimos verdadeiros quilombolas, houve tal extensão conceitual do termo que a maior parte dos afro-descendentes passou a ser quilombolas por autodeclaração. O projeto legislativo 6264/2005, do senador Paulo Paim, do Estatuto da Igualdade Racial em seu Título II, Capítulo VI, procura legalizar todas as transgressões já em curso. Ele repete o Decreto 4887/2003, do presidente Lula, considerado inconstitucional.

Por outro lado, à luz de uma exegese controversa do que seja o neoconstitucionalismo, isto é, dar praticidade aos princípios constitucionais, o Poder Judiciário tem-se outorgado o direito de legislador positivo, não poucas vezes sobrepondo-se ao Poder Legislativo no suprir o que entende ser omissão daquele poder. Por sua vez, o Poder Executivo continua se utilizando das Medidas Provisórias - que só foram colocadas no texto constitucional porque a Constituição de 88 foi concebida para fundamentar uma república parlamentarista -, tornando-se, de rigor, o verdadeiro legislador. A solidariedade não se faz com o semear do joio, nem se cria uma grande nação com alicerces no ódio e no preconceito, favorecendo grupos contrários ao Estado de Direito, em benefício do Estado neopatrimonial parasitário, corrupto e antipatriótico.

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS é membro e JOÃO RICARDO MODESTO é presidente da Academia Brasileira de Filosofia.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Meia verdade sobre impostos

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por José Nivaldo Cordeiro em 02 de maio de 2008


Resumo: A super carga tributária é a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Diante de uma sociedade corrupta, tudo que é possível é o boicote – a recusa de envolver-se com ela”.

Eric Voegelin, em HITLER E OS ALEMÃES

A Folha de São Paulo de hoje (29/04) noticiou, citando pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que o “brasileiro trabalha metade da vida para o Fisco”. Essa é uma meia verdade que esconde o maior dos escândalos morais da nossa sociedade, amparado nas falsas teses distributivistas do esquerdismo que tomou conta do poder desde 1985. Se as idéias não são claras, as soluções não aparecem. Meias verdades são piores que mentiras inteiras. Vejamos o porquê.

Em primeiro lugar, não existe esse “brasileiro” genérico. Tem-se, de um lado, os brasileiros pagadores dos impostos e, do outro, os brasileiros que são beneficiários DE impostos. Na prática temos que os brasileiros podem ser mais ou menos pagadores e beneficiários ao mesmo tempo, de sorte que temos aqueles que são pagadores “líquidos” (uso o conceito tomado das Ciências Contáveis) e os que são beneficiários “líquidos”. Líquido aqui é a diferença entre o que se paga e o que se recebe de impostos a qualquer título.

Os recebedores líquidos de impostos são óbvios. Banqueiros e rentistas aplicadores nos títulos da dívida pública são grandes beneficiários. É só ver quanto do orçamento público está destinado para o pagamento dos juros da dívida. Eles, os banqueiros, pagam seus impostos usando a parcela que recebem dos impostos a título de juros. Os funcionários públicos são outro grande grupo de recebedores líquidos. O “anistiados” políticos, essa chaga moral que caçoa de quem trabalha neste país. Veja-se o orçamento também que paga funcionários públicos e “anistiados”. Temos os aposentados, os bolsistas das bolsas-esmola do Lula, os “donos” de ONGs, os sindicatos, os partidos políticos, os fornecedores do governo, os que se dedicam às atividades de despachantes, facilitando as vidas das pessoas que têm sua vida regulamentada pelo Estado.

Advogados são como que recebedores de impostos privados, na medida em que se dedicam a defender seus clientes do monstro Estatal. Nobre e cara atividade. Contadores da mesma forma. Uma desgraça que o Estado custe tanto. Se somarmos os custos de advogados, contadores e despachantes à carga tributária veremos que a carga real do custo do Estado é muito maior.

Os pagadores são os empreendedores e seus empregados, que pouco ou nada recebem de impostos. Agricultores, industriais, comerciantes, a classe média assalariada. Não vale “anistiado” dizer que também paga impostos, pois paga sobre aquilo que não deveria receber. Aqueles são os brasileiros roubados, vilipendiados, sugados, os escravos que pagam a festa da comunalha no poder. A mim me espanta que essa gente não tenha ainda fundado um partido de direita afirmativo, com base em um programa que comece e acabe exclusivamente na tese do Estado Mínimo. São os idiotas das praças públicas, os trouxas. Cada lei que a comunalha aprova beneficiando uma corriola qualquer implicitamente manda a conta para quem trabalha. Uma injustiça que clama aos céus.

Como toda injustiça precisa ser reparada. E não há tribunais para fazer essa reparação. Será preciso refundar a Nação para que os valores éticos superiores voltem a prevalecer na relação entre o Estado e os cidadãos, fazendo com que aqueles que produzem voltem a ser libertados de seus grilhões tributários, que a vagabundagem bancada com o suor alheio cesse e os vagabundos venham a fazer o que todos fazem: trabalhar, ao invés de esperar no fim do mês o seu quinhão de impostos. De novo é preciso libertar o povo do Faraó.

Não adianta o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não qualificá-los, se não mostrar que, por detrás desse brasileiro genérico, tem uma minoria que moureja de sol a sol para bancar a vida boa de um magote de vagabundos, todos sócios do Erário. A super carga tributária é a mãe e o pai de toda a corrupção reinante.

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-S

Vamos fundar uma religião? ou que belo SINISTRO DA INCULTURA, digno mesmo do Brasil lulesco...

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
GIL QUER SANTO DAIME COMO PATRIMÔNIO CULTURAL

O Gilberto Gil (cultura) vai encaminhar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) processo para transformar o uso do chá de ayahuasca, feito a partir do cipó de mariri e das folhas de chacrona eque tem substâncias psicoativas, em patrimônio da cultura brasileira.

Apesar das propriedades alucinógenas, o uso do chá é permitido no Brasil para "ritos religiosos". O uso causa, segundo estudos científicos, alucinações, hipertensão, taquicardia, náuseas, vômitos e diarréia. Ayahuasca é palavra indígena que tem duas traduções em português: "corda dos mortos" ou "vinho dos mortos".

A proposta de reconhecer o chá tem apoio do governador do Acre, Binho Marques (PT), e da deputada Perpétua Almeira (PCdoB-AC). Portal G1

Já repararam como a esquerda sempre se dedica à defesa das drogas e de outras porcarias indefensáveis? O chá do Santo Daime vicia porque contém a substância dimetiltriptamina (DMT). Uma reportagem publicada na BBC Brasil, em abril deste ano, afirma que no Brasil produzem mensalmente, em Céu do Mapiá, 2 mil litros de chá de ayahuasca que são enviados ao exterior pelo correio, em pacotes marcados como “chá”. Daqui a pouco vão querer patentear a droga.

VAMOS FUNDAR UMA RELIGIÃO?

O art. 2º da Lei das Drogas proíbe as drogas, o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, com ressalva a eventual autorização legal e ao que estabelece a Convenção de Viena da Nações Unidas, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. Ou seja, quem toma o chá do Santo Daime fica liberado de qualquer complicação, exceto nos Estados Unidos, onde a matéria não é pacífica.

Mas, no caso brasileiro, fica a pergunta, se uma sociedade de maconheiros poderia fundar uma religião e usar a erva nos rituais. Ao que parece, sim. Poderiam até fundar uma igreja. A igreja apostólica “mó barato”, onde a comunhão seria uma roda de baseados. Para funcionar bastaria evocar a dita Convenção das Nações Unidas.

O LEÃO E OS CORDEIROS

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Por Ruth de Aquino – Revista Época

Como cidadã, o que eu queria é saber para onde vão os impostos que eu pago. E aí, vamos comemorar com o presidente Lula nosso “grau de investimento”, que finalmente aprova o Brasil como um país seguro para os gringos investirem? Ou vamos chorar pelo abandono de nossa educação básica, cientes de que só 53,8% das crianças brasileiras conseguem terminar, aos trancos, o ensino fundamental?

Na semana passada, em que fiz meu Imposto de Renda e percebi, mais uma vez, o tamanho da mordida do Leão, eu me perguntei até quando as crianças continuarão fora das escolas e em qual mandato o governo social de Lula, comprometido com o povo, começará a ter vergonha de nosso desempenho medíocre na educação.

Repetência maior nas escolas, só na África, concluiu na semana passada um estudo da Unesco. No Nordeste, só 38,7% das crianças terminam a 8ª série. Piorou nos últimos anos. Não sou amiga de porcentagens, mesmo as escandalosas. Mas está na cara, está nas ruas, nas esquinas, embaixo das marquises, está nos índices de prostituição infantil, na baixa qualificação dos jovens.

Nosso país vai na contramão dos que investiram a longo prazo no bem-estar de sua população. Coréia? Irlanda? Escandinávia? China? Todos colocaram a educação à frente da economia. Tive esperança quando Cristovam Buarque foi nomeado ministro da Educação de Lula. O senador pedetista durou um ano no governo do PT. Cristovam só pensa naquilo, ontem, hoje e sempre. “Precisamos convencer o Lula de que educação é capital”, diz.

O presidente não cabe em si de contentamento. “O país vive um momento mágico.” “Passamos a ser donos do nosso próprio nariz.” Diz Lula. Amém. É a economia, estúpidos. O bolo cresce sem fermento. O Brasil deixa o clube de risco. Risco financeiro e econômico. Mais da metade da população aprova um terceiro mandato do presidente, contrariando a Constituição.

O Bolsa-Família ajuda pobres a obter mais qualidade de vida, comprar eletrodomésticos e até manter filhos em escolas. Mas não resgata o Brasil do atraso abissal na educação. ÉPOCA denunciou um vexame: 99,7% das escolas públicas não atingem o padrão mínimo dos países mais ricos. É motivo para chorar.

Um país com nossa renda, com uma carga tributária (36,08% do PIB) bem maior que a do Japão e a dos Estados Unidos, teria a obrigação de garantir um Estado provedor. Os serviços essenciais – e a definição está aí, no adjetivo – teriam de ser fornecidos pelo Leão e por todos os tributos pagos pelo contribuinte. Não me venham com a história de que 18% dos impostos federais vão para a educação pública. Isso é conversa para cordeiro dormir. Alguém leva em conta as fraudes, os desvios e a falta concreta de uma política nacional para o ensino fundamental?

Por que o dinheiro do Imposto de Renda não se transforma em mais educação?

Cristovam Buarque tentou criar o programa Escola Ideal, que começaria em 250 cidades de porte médio. “Todas as escolas teriam horário integral, um concurso nacional escolheria os melhores professores, e eles ganhariam salário de R$ 4 mil. Construiríamos bibliotecas, começaríamos uma revolução. Em quatro anos, 10 milhões de alunos estariam matriculados em mil escolas. Aos poucos, ampliaríamos.” O Ministério da Educação só se preocupa com universidades e escolas técnicas, diz Cristovam, porque “criança não vota, e pai pobre não tem sindicato. As escolas públicas só foram boas no Brasil enquanto eram freqüentadas pelos filhos de ricos”. O ensino básico foi entregue aos municípios. Mas a preocupação teria de ser federal. “É preciso fazer com a escola o que se fez com o Banco do Brasil: funcionários passam num concurso federal, as agências são bonitas, têm computadores. Mas o PT ainda é um partido do tempo em que a revolução estava na economia. Não na educação. É um partido sindicalizado que se orienta para agradar aos grupos organizados”, diz Cristovam.

Não reclamo da carga tributária. O que eu queria mesmo, como cidadã, é saber para onde vão os impostos que pago. Pagaria alegremente se o objetivo fosse dar educação às crianças. Não precisaria ser ensino de Primeiro Mundo (embora o imposto brasileiro o seja). Mas que fosse decente e digno. E nos permitisse sonhar com um país menos ignorante.

O Leão vai fazer 30 anos em 2009. Já passamos da hora de avaliar aonde vai nos levar a lei do mais forte.

Bolívia: Evo Morales, intervenção chavista e ameaça de “explosão”

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Destaque Internacional em 05 de maio de 2008

Resumo: A obstinação revolucionária do presidente Morales faz lembrar a estratégia de comunização rápida do governo do presidente chileno Salvador Allende.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A tensão política cresce na Bolívia à medida em que se aproxima o domingo 4 de maio, data em que se realizará em Santa Cruz de la Sierra, no oriente do país, um referendum que poderá outorgar a esse estado uma maior autonomia com relação ao governo central.

A origem dessa tensão, está no projeto de “refundação constitucional” que o presidente Evo Morales impulsiona, com o objetivo de impor um rígido controle estatal de caráter socialista sobre a economia de todo o país e de dar mais poder a movimentos indigenistas de inspiração anarquista. O presidente do Senado da Bolívia, Oscar Ortiz, em declarações à agência AFP, explicou que “o projeto de Constituição de Morales, que foi aprovado ilegalmente pelos oficialistas, não tem conteúdo democrático porque segue o modelo chavista de criar fachadas democráticas, porém concentrando o poder no Presidente”. Ortiz acrescentou que, em sentido diametralmente contrário à orientação socialista de Morales, o “processo autonômico” que será votado em 4 de maio em Santa Cruz, vai assinalar a necessidade de “uma grande reforma do Estado boliviano em sua obrigação para com os governos de estado e municipais”.

Morales, que assumiu a presidência em 22 de janeiro de 2006, realizou o lamentável prodígio, em menos de dois anos e meio de governo, de contribuir com o desmembramento político, econômico e social desse país altiplânico, como talvez nenhum outro mandatário o tenha feito na história desse convulsionado país. Em 2005, antes de ser eleito presidente, Morales já havia prometido atuar para que existissem na América Latina “muitas Cubas”. E em 2006, em visita a Havana já como presidente de seu país, reiterou a promessa anterior, acrescentando que lutaria não somente para que surgissem no continente “muitas Cubas” mas também “muitos Fidéis” (cf. Nelson Rodríguez, www.Ahora.cu, 1º de dez. 2006).

Há poucos dias, Morales saudou o bispo Fernando Lugo que acaba de ser eleito presidente do Paraguai, com a desafiante exclamação: “Bem-vindo ao ‘Eixo do Mal’”! E acrescentou que até pouco tempo esse “Eixo do Mal” latino-americano estava constituído “somente pelo companheiro irmão mais velho Fidel e o companheiro Chávez”, porém que hoje já contava com outros presidentes (agências DPA e AFP, La Nación, Buenos Aires, 24 de abril de 2008).

Em meio à grave situação pela qual atravessa a Bolívia, na quarta-feira 23 de abril pp. Morales viajou a Caracas convocado pelo presidente Hugo Chávez para uma reunião de urgência para analisar a situação da Bolívia, à qual também assistiram o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega e o vice-presidente cubano, Carlos Lage. Na referida reunião presidencial, Chávez comparou a Bolívia com um paiol de pólvora “a ponto de explodir”. Na medida em que essa imagem corresponda com a realidade, o próprio Chávez é um dos maiores responsáveis por isso, por sua constante e escandalosa intervenção nos assuntos internos da Bolívia, inclusive, segundo foi denunciado, com o envio de assessores políticos e militares para respaldar Morales.

Nesse sentido, o senador Ortiz, na entrevista acima citada, comentou que “as ameaças que Chávez fez são terríveis, na medida em que pressagiam uma explosão de violência, que o único que pode provocá-la é o governo, porque a população vai votar pacificamente”, e concluiu: “Que Chávez deixe de intervir na Bolívia”. (agência AFP, El Nuevo Herald, Miami, 26 de abril de 2008). O governo de Morales, respaldado por Hugo Chávez, seria o maior interessado em uma explosão de violência para responsabilizar a oposição anti-socialista e desprestigiar os próximos referenduns em Santa Cruz e em outros estados bolivianos.

A obstinação revolucionária do presidente Morales e a velocidade que impôs a seu projeto socialista-indigenista faz lembrar, com as devidas diferenças, a estratégia de comunização rápida do governo do presidente chileno Salvador Allende e da chamada Unidad Popular, entre 1970 e 1973. O fantasma da “allendização” da Bolívia é indubitavelmente mais um fator de preocupação. A própria Organização dos Estados Americanos (OEA) acaba de advertir que poderia haver violência e derramamento de sangue nesse país nos próximos dias. E, como já foi dito, tudo indica que o governo de Morales tentará responsabilizar a oposição.

Além do referendum do próximo domingo 4 de maio em Santa Curz, referenduns similares estão marcados para 1º de junho nos estados de Tarija, Beni e Pando, que com Santa Cruz formam a “meia lua” oriental do país, onde se concentram importantes recursos gasíferos, agrícolas e industriais da Bolívia. Em sua estratégia publicitária, na Bolívia e no exterior, o presidente Morales apresenta os referenduns depreciativamente, como meras “tentativas separatistas de pequenos setores que resistem a perder seus privilégios”, sendo que em sua origem trata-se de reações anti-socialistas de setores majoritários da população desses estados, que merecem toda a atenção dos defensores da liberdade na América Latina e no mundo.

Destaque Internacional – Informes de Conjuntura – Ano XI – Nº 243 – São José da Costa Rica – 28 de abril de 2008 – Responsável: Javier González.

Tradução: Graça Salgueiro

Duda Mendonça e o impeachment de Lula

Do blog do Senador ÁLVARO DIAS

“Não quero mais aborrecimento”
O publicitário Duda Mendonça fala a ÉPOCA sobre seu retorno ao marketing político, agora como consultor, e conta os bastidores da campanha que elegeu Lula presidente em 2002. Ele quebra um silêncio de quase três anos – desde que revelou, à CPI dos Correios, que recebeu dinheiro de caixa dois como pagamento pela campanha petista – e diz que só vai trabalhar com nota fiscal.

Meu comentário:
Duda Mendonça foi o mais sincero dos depoentes na CPMI dos Correios. Apareceu sem ser convidado para acompanhar sua sócia e foi falando. Questionei-o duramente e ouvi o que não imaginava pudesse ouvir. Duda denunciou e apresentou documentos. Corrupção eleitoral, evasão de divisas, caixa dois, sonegação fiscal etc. Ao informar que recebeu no exterior a parte mais significativa do valor contratado, já no exercício do mandato de Lula e que o pagamento foi muito superior ao declarado pelo PT ao TSE, carimbou o mandato do Presidente. Fiquei impressionado. Deixei a CPMI e fui ao plenário do Senado. Solicitei a palavra como líder e disse que a partir daquele momento era inadimissível não discutir o impeachment de Lula. Sobravam consistentes razões. Estávamos diante do maior escândalo da história recente do nosso país. Ao final dos trabalhos daquela comissão, apresentei voto em separado pedindo a instauração do processo de impeachment. Cumpri meu dever. Fiquei solitário.

Derrota providencial

Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Julgamento do STF tende a limitar edição de medidas provisórias pelo Executivo federal, o que abre margem a reforma. Editorial da Folha de São Paulo

O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a tomar uma decisão que poderá romper um dos piores vícios da democracia brasileira -o inconfessável acordo entre Executivo e Legislativo que transformou as medidas provisórias (MPs) num jogo permanente de chantagens e tráfico de influência.

O que está em causa é o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo PSDB contra a medida provisória nº 405, de dezembro passado, pela qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu um crédito extraordinário no valor de R$ 5,455 bilhões em favor da Justiça Eleitoral e de diversos órgãos do Executivo.

Na Adin, os tucanos argumentam que a MP não atende aos pressupostos constitucionais da urgência e da relevância previstos no artigo 62 da Carta, nem o da imprevisibilidade, requerida pelo artigo 167 para a abertura de créditos extraordinários.

Cinco ministros já se manifestaram pela inconstitucionalidade da MP. Basta que mais um vote com o relator -o que é dado como certo- para que o governo sofra uma derrota histórica.

Até aqui, o Supremo vinha arquivando todas as ações judiciais contra MPs que tivessem como argumento central a falta de relevância e urgência. O entendimento da corte era que medidas provisórias funcionavam como uma espécie de ato administrativo do Executivo que cabia ao Legislativo chancelar ou recusar. Na discussão dessa preliminar, a maioria dos ministros optou por rever tal interpretação. É justamente esse reposicionamento hermenêutico que traz preocupações ao governo.

Pelas regras atuais, uma MP tem força de lei por 60 dias, renováveis por igual período. Precisa ser aprovada dentro desse prazo pelo Congresso para tornar-se perene e não caducar. A partir do 45º dia de tramitação, ela passa a bloquear a pauta da Casa, ou seja, nada pode ser votado antes dela.

O problema é que, como o Planalto praticamente governa por MPs, a pauta do Legislativo fica inteiramente a reboque do Executivo, o que prejudica o debate parlamentar e atenta contra a repartição dos Poderes. O que o Supremo Tribunal Federal faz ao abrir a perspectiva de que a relevância e a urgência de cada MP sejam avaliadas pela corte é introduzir uma nova -e salutar- incerteza nos cálculos do governo. Para aprovar seus projetos, o Planalto já não pode contar que bastará baixar a MP e cooptar os parlamentares necessários para a sua aprovação.

A mudança de atitude do STF oferece uma excelente ocasião para que Executivo e Legislativo negociem novas regras para a tramitação de MPs. É preciso fazer com que vigore de fato a noção, já inscrita no texto constitucional, de que se trata de instrumento emergencial - e não de legislação comum, como tem sido.

Ganharia a democracia brasileira, cujo Legislativo se tornaria mais forte e, por conseqüência, mais responsável
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Lições da crise colombiana II – Próximo alvo: Peru

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 05 de maio de 2008


Resumo: Um novo componente na grave situação vivida pela América do Sul: os interesses do bilionário George Soros.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A estratégia para desestabilização interna

Como já disse em artigos anteriores sobre o cerco à Colômbia (O cerco à Colômbia I e II) e Graça Salgueiro deixou bem claro no seu último artigo, com a eleição de Lugo no Paraguai resta somente as Guianas, Colômbia e Peru para a América do Sul ser conquistada completamente pelo Foro de São Paulo. Mas não falta muito tempo. O cerco à Colômbia segue cada vez mais apertado com inúmeras denúncias de ligações parlamentares vinculados a Uribe com paramilitares de direita, e o caminho para o reconhecimento das FARC como “força beligerante”, não mais um bando de guerrilheiros e terroristas narcotraficantes, teve significativos avanços recentemente. A capa do Diário VEA, pasquim “bolivariano” de distribuição interna na Venezuela diz tudo (note-se que Bachelet não é retratada; será que não confiam nela?):

http://www.lapatriagrande.net/011_frevemun/fnbr/diario_vea.htm

Quem afirma que o Peru é o próximo alvo é Evo Morales, em entrevista para o diário argentino Crítica. Depois de comentar a vitória de Lugo e perguntado qual seria o novo passo, respondeu: “El siguiente paso es Perú y Colombia”. Morales prepara-se para enfrentar no próximo domingo (ontem) o referendo autonômico do Departamento de Santa Cruz. O documento é uma proposta federalista e não separatista como é apresentado por Morales. Em violento discurso ontem, 29/04, na sede da polícia de Santa Cruz de la Sierra, Morales chamou o povo a defender a “unidade nacional com inclusão social” . Faço um chamado ao povo, às suas instituições, às suas autoridades e aos movimentos sociais para trabalharem pela unidade nacional, pela igualdade de nossas famílias (...) o diálogo deve se centrar em temas que apontem para resolver as necessidades do povo e não apenas de alguns (...) e atender às demandas históricas dos que sempre foram marginalizados pelos governos passados. Através de seu Chanceler David Choquehuanca, de visita a Cuba, mandou recado de que não acatará o resultado do referendo.

Apesar de clamar pela unidade e integridade territorial não hesitará em permitir, “se necessário” – isto é, se perder o referendo -, a entrada maciça de tropas venezuelanas em Santa Cruz, como foi noticiado por El Diário Exterior. Para a oposição o referendo autonômico é a desculpa perfeita que necessita Morales para justificar, perante a opinião pública, a presença de soldados chavistas e elementos da Frente Francisco de Miranda, uma brigada juvenil paramilitar tri-nacional de ação rápida (Cuba-Venezuela-Bolívia) para a defesa pelas armas – possui fuzis de assalto Kalashnikov - da revolução em seus países. Fundada em 2003, em cerimônia presidida pelo atual Vice-Presidente boliviano Álvaro García Linera, se apresenta como uma força anti-imperialista, disciplinada, dinâmica e organizada, fundamental na luta para erradicar a pobreza em todas as suas manifestações e alcançar a igualdade social na Venezuela. Para entender melhor seu significado deve ser assistido o vídeo do discurso de Chávez no 3º aniversário e a doutrinação de crianças para o que chamam de sementeira do homem novo bolivariano.

O CERCO AO PERU

Segundo informa Mary Anastasia O’Grady, Editora para as Américas do Wall Street Journal (Friends of Terror in Peru, 28/04), na última quinta-feira o Parlamento Europeu retirou o Movimento Revolucionário peruano Tupac Amaru (MRTA) da lista de grupos guerrilheiros. O Deputado peruano Rolando Sousa, Presidente de um sub-comitê do Congresso para examinar as atividades do Movimento Bolivariano no país, entrevistado por ela há dez dias, fez revelações estarrecedoras (em itálico as palavras de O’Grady):

“Mr. Sousa disse que o Movimento Bolivariano de Hugo Chávez está apoiado num tripé, com duas pernas legais e uma terceira ilegal. A primeira é constituída pela ‘diplomacia’ oficial venezuelana: descontos no preço do petróleo conquistaram a lealdade de 19 países da região, além da compra da dívida argentina e a ajuda para os projetos de energia equatorianos. Tudo serve para criar dependência e estabelecer o domínio venezuelano.

A segunda é o esforço para controlar ideologicamente os sindicatos e as associações populares. Estas organizações criaram uma série de outras ‘associações sem fins lucrativos’ que, segundo Sousa, funcionam internamente como partidos políticos possuindo inclusive cargos oficiais como ‘secretário de relações exteriores’ e ‘secretário ideológico’. Os nomes dessas associações – como as ‘Casas de Alba’ (de Alternativa Bolivariana para as Américas) ou as ‘Casas da Amizade’ soam inócuos, mas seus objetivos, como as moedas, têm duas faces, uma aberta e outra fechada: abertamente elas administram clínicas de olhos, programas de alfabetização e centros de saúde administrados por médicos cubanos. Nos bastidores sua função real é a doutrinação ideológica de extrema esquerda da população mais pobre do Peru.

A terceira perna – a ilegal – é a mais perigosa. Sousa cita dois grupos: a ‘Coordenação Bolivariana Continental’ e o ‘Congresso Bolivariano do Povo’. Ambas estão recrutando e usando os elementos mais extremados – anarquistas, terroristas e esquerdistas radicais – para produzir a ‘condição de caos social’ necessária para criar a impressão de que a democracia não está funcionando. Quando isto for conseguido, as organizações populares – financiadas por ONG’s internacionais (ver abaixo) – estão a postos, prontas para conduzir os extremistas ao poder através do voto”. Pelo que se sabe estaria sendo preparada a vitória de Ollanta Humala em 2011 por via legal, ou na marra antes disto.

Esta foi a estratégia usada na Bolívia para derrubar o governo de Sánchez de Losada em 2003 e levar Morales ao poder. O mesmo está sendo tentado para derrubar Alan García e será usado contra qualquer governo democrático que se interponha aos desígnios comunistas do Foro de São Paulo, infelizmente não citado nenhuma vez por Mary O’Grady. Embora eu não tenha no momento informações acuradas, a mesma estratégia deve estar sendo desenvolvida no México e em El Salvador, e para uma eventual vitória da oposição liberal no Chile.

OS ESTRATEGISTAS POR DETRÁS DA ESTRATÉGIA

A quem interessa a desestabilização das democracias latino-americanas e sua dominação pelo “Movimento Bolivariano” e pelas FARC, além dos óbvios sócios aparentes do Foro de São Paulo? A decisão européia, embora desastrosa, foi muito instrutiva por fornecer as pistas para as ONG’s internacionais que suportam ideológica e financeiramente os terroristas e permitem seus avanços. São organizações defensoras dos “direitos humanos” financiadas por governos europeus e o que eufemisticamente se chama de “filantropos”.

O grupo peruano APRODEH (Associación Pro Derechos Humanos) foi a mais ativa junto ao Parlamento Europeu no sentido de retirar o MRTA da lista de organizações terroristas, contrariando todas as recomendações do Governo Peruano através de seu Ministério das Relações Exteriores e seu Embaixador junto ao organismo. De acordo com relatórios governamentais de 2007 a APRODEH recebe fundos da Oxfam America, da Open Society de George Soros, da John Merck Foundation, da Municipalidad de Barcelona, da Embaixada da Holanda e de uma agência governamental americana chamada Inter-American Foundation, entre muitas outras. Relata O’Grady que na última sexta-feira, 25/04, o governo peruano exigiu que a APRODEH explicasse “como sua condição de não-governamental permite que ela intervenha a favor de terroristas, como fez no Parlamento Europeu”. Ainda segundo o Deputado Sousa “uma Comissão Especial do Congresso Peruano tentará esclarecer melhor as conexões entre estas ONG’s, o Movimento Bolivariano e os movimentos terroristas peruanos”.

O’Grady também entrevistou o Presidente Alan García que disse: “Estas ONG’s anticapitalistas financiadas do exterior também desempenham um papel preponderante em bloquear todas as ações desenvolvimentistas do Governo, o que me deixa atônito e surpreso!”. O’Grady também se mostrou surpresa, “principalmente considerando o fato de que as vítimas da pobreza e da violência que esta agenda produz são os mais vulneráveis”. Duvido que algum leitor assíduo do Mídia Sem Máscara fique surpreso. Qualquer destes leitores seria capaz de dar uma aula aos dois perplexos.

NETWAR & NETWORKS

No último artigo mencionei en passant o conceito de netwar desenvolvido por John Arquilla & David Ronfeldt. Só para dar uma pálida idéia de como estas redes funcionam, tomemos um único fio da meada: George Soros, Presidente do Soros Fund Management e da Open Society Institute. Soros financia a APRODEH e tem interesses variados na América Latina, inclusive no Brasil. Ao mesmo tempo, é o maior defensor mundial da descriminalização das drogas, mantendo, entre outras, a Marijuana Policy Project (www.mpp.org/); o principal programa da MPP é a defesa do Harm Reduction Program (Programa de Redução de Danos, ver meu artigo e demais informações em www.braha.org/) que defende a livre e gratuita distribuição de seringas para drogados; as FARC são os maiores produtores e exportadores de drogas e quanto mais fácil usá-las mais venderá; as FARC são aliadas de Chávez e participam ativamente dos programas da APRODEH.

George Soros.

Além disto, Soros é intimamente ligado ao Ex-presidente Ricardo Lagos, do Chile e de seu então Ministro da Justiça José Miguel Insulza, que hoje preside a OEA (Organização dos Estados Americanos), a qual recentemente condenou a Colômbia pelo ataque ao acampamento das FARC no Equador. Recentemente Insulza convidou Soros para ser conferencista da Lecture Series of the Americas, na sede da OEA em Washington D.C. e na ocasião apresentou-o como “um grande estadista e diplomata” [2], coisas que Soros jamais foi. Noutro momento, perante uma Comissão do Congresso Americano, Insulza, provável candidato socialista à Presidência do Chile, qualificou as FARC de “combatentes irregulares”. Soros se esforça para desqualificar também as FARC como grupo de narcotraficantes, terroristas e guerrilheiros.

Há mais, muito mais conexões, mas sugiro aos leitores, para praticar, tentarem montar um quadro esquemático com as informações acima. Será muito instrutivo, para dizer o mínimo!

[1] pode ser vista em http://www.hacer.org/current/Bolivia132.php

[2] ver em http://www.oas.org/OASpage/videosondemand/home_eng/videos_query.asp?sCodigo=06-0193# e http://www.oas.org/catedra/english/video.asp

O autor é escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e ex-Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, Membro do Board of Directors da Drug Watch International, e Diretor Cultural do Farol da Democracia Representativa (www.faroldademocracia.org) . Possui trabalhos nas áreas de psicanálise e comentários políticos publicados no Brasil e exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

Bolívia: a questão Santa Cruz

Do blog NOTALATINA
Domingo, 04 de maio de 2008

Aconteceu hoje na Bolívia um importante referendum promovido pelo estado de Santa Cruz que pede sua autonomia em relação ao governo do país. Ao contrário do que estão apregoando, Evo Morales, Hugo Chávez e demais forças políticas comuno-socialistas da América Latina, o que os santa-cruzenhos desejam não é o separatismo mas a descentralização econômico-administrativa, a federalização de seu estado que é quem mais produz e, no entanto, se vê penalizado pelas políticas comuno-chavistas do “Socialismo do Século XXI” do cocalero presidente Morales.

Fiz o enorme sacrifício de assistir os telejornais da rede Globo durante toda a semana, para ver se davam alguma informação acerca deste acontecimento mas, como era previsível, a única informação que parece não acabar nunca é o caso da menina Isabelle assassinada no começo do mês em São Paulo, que é divulgado com riqueza de detalhes e pormenores. Não minimizo este crime hediondo mas, convenhamos, a mídia nacional foi a grande responsável pela histeria coletiva que se instalou em torno do caso que, por mais grave que tenha sido, foi um caso particular que não diz respeito ao país, aos destinos da Nação. Do mesmo modo é o caso da Reserva Raposa Serra do Sol, - este sim, um legítimo processo de separatismo - que não é levado às discussões públicas, cuja mídia pouco ou nada informa porque não interessa ao governo que a população saiba do ato lesivo à nossa soberania que está sendo tramado de comum acordo com a neo-comunista ONU e outros organismos igualmente comuno-internacionalistas.

O referendum que pede a autonomia de Santa Cruz é legítmo, entretanto, Morales e seus seguidores insistem em mentir, alegando que a “oligarquia” apoiada pelo “império” não quer perder seus privilégios e joga irmãos contra irmãos. Se há algo ilegal é a Constituição boliviana vigente – na qual ele tem se apoiado para desautorizar o referendum -, pois foi feita a portas fechadas e contando apenas com os parlamentares oficialistas; a oposição foi PROIBIDA de entrar no recinto e participar da votação, o que significa, em qualquer país do mundo civilizado onde vige o regime democrático, uma fraude, um embuste, uma gigantesca FARSA. As imagens (fotos e canal CNN em Espanhol) do dia de hoje na Bolívia, dão conta de extrema violência por parte dos seguidores do cocalero presidente, como mostram as fotos que ilustram a edição de hoje.

Para que se compreenda melhor o que significa este referendum para seus promotores, sugiro a leitura do artigo Lições da crise colombiana II - próximo alvo: Peru, do brilhante analista político e meu amigo Heitor De Paola, bem como Bolivianos, cuidado com a OEA do presidente de Fuerza Solidaria, do também amigo Alejandro Peña Esclusa.


Os temores sobre o aumento da violência interna na Bolívia se viram agudizados na última semana, ante a radicalização de atos organizados por aquilo que eufemisticamente insistem em chamar de “movimentos sociais” que respaldam o governo, sobretudo os sub-humanos índios aymarás – etnia de Morales - conhecidos como “ponchos vermelhos”. Em novembro do ano passado eles já se articulavam contra a chamada “Meia Lua”, que conforma os estados Santa Cruz, Tarija, Beni, Cochabamba e Pando que pedem a autonomia, e chegaram a incendiar a prefeitura de um desses estados sendo contido a tempo e não deixando vítimas. Apesar de já ter sido divulgado amplamente pela rede, não tem desperdício rever Na Bolívia degolam cães em ameaça aos opositores, filmado em 23 de novembro de 2007, que descreve com precisão a quê esta gente está disposta.


E hoje eles tomaram as ruas, fecharam estradas, incediaram urnas e cédulas de votação. Junto com oficialistas do partido MAS (Movimiento Al Socialismo), tentaram impedir que as pessoas votassem deixando até agora um saldo de 20 pessoas feridas e 1 morta, a maioria nas localidades de San Julián, Yapacaní, Montero e Plan Tres Mil, um dos bairros mais pobres de Yapacaní.


As tensões já existentes foram agravadas por um pronunciamento publicado nos jornais das Forças Armadas que afirmavam que não se podia aprovar o estatuto autonômico porque ele “afeta a segurança e defesa nacional do Estado boliviano” e que “depois de ter realizado uma exaustiva análise do projeto de Estatuto Autonômico de Santa Cruz, alguns de seus artigos afetam a segurança e defesa nacional do Estado boliviano”. Esta declaração dos altos comandos do Exército, Aviação e Marinha é seguida por outra do Conselho Supremo de Defesa Nacional, uma instância militar de apoio às Forças Armadas, que advertiu no sábado que o estatuto autonômico do estado de Santa Cruz “ameaça a integridade do território nacional”, repetindo o que determina o agoverno autoritário do cocalero presidente Morales.


Chávez e seu ministro da Defesa foram derrotados mais uma vez pela oficialidade que se negou a deslocar-se até a Bolívia para servir de “guarda-costas” de Morales. Conforme conta Patricia Poleo em sua coluna “Factores de Poder”, no jornal “El Nuevo País” de hoje. “Desde sexta-feira à tarde, oficiais de todas as Forças, especialmente da Guarda Nacional, majores, capitães e tenentes estavam sendo citados na DIM (Direção de Inteligência Militar), por dezenas de panfletos e comunicados que estiveram circulando nas instalções militares desde que o ministro da Defesa, Gustavo Rangel Briceño, chamou de ‘burros’ os oficiais institucionais”. (...) “Em fontes militares já se comenta, sem medo e sem pudor, que um dos detonantes para que o ministro da Defesa arremetesse contra os militares institucionais, foi a negativa destes em trasladar-se à Bolívia para reforçar a segurança de Evo Morales durante o referendum de hoje, domingo, que se anuncia que será letal para a estabilidade do presidente boliviano.Os oficiais simplesmente se negaram a obedecer a ordem de atuar na Bolívia” ..


A respeito desse “destempero” do ministro da Defesa “rojo, rojito”, vale a pena registrar o que ele disse no Forte Tiuna (sede do Ministério da Defesa), pois é com um elemento destes que o governo brasileiro, através do seu ministro da Defesa Nelson Jobim e as nossas Forças Armadas, está fechando acordo de criar até outubro deste ano o “Conselho Sul-americano de Defesa”. Disse ele em escandalosa declaração afrontosa à Constituição que, antes, proibia a politização das FAN: “Não aceito essa visão covarde que retira das responsabilidades reais e verdadeiras do momento histórico que estamos vivendo porque ‘eu sou institucionalista e então, não...’. Então, você não? Então você se vá, você está fora de ordem, não entende o que está se passando”. E perguntou se um “institucionalista” não é na realidade “um grande covarde ou um burro que se nega a aceitar a realidade. Temos uma realidade na mão e ela é política. A oportunidade que temos é política”. E encerrou com “Pátria, Socialismo ou Morte. Venceremos!”.


Depois deste parênteses que merecia ser comentado porque está relacionado com o evento da Bolívia de hoje, é da maior importância se saber porquê a violência do bando oficialista, quais são seus reais interesses para o país e porquê a oposição insistiu tanto nessa autonomia. Em um documento escrito em agosto de 2006, logo após a assunção de Morales à Presidência, seu partido (MAS) elaborou um documento – assinado por Morales - que vem cumprindo diligentemente e que só através dele é possível compreender todo este processo. Intitulado “Guia de Ação Política de Orinoca – Para os companheiros revolucionários do MAS e seus aliados”, o documento descreve em detalhes suas estratégias, focos de ação e alvos a atingir. Copio apenas os itens mais importantes:


“1. Como objetivo: a criação de um Estado plurinacional camponês-indígena e com um governo centralista e estruturado sobre a figura de nosso líder, Evo Morales Ayma.

(...)

- Trata-se de conformar uma Democracia formal socialista com poder total e absoluto [o socialismo é pragmático e deve se orientar pelos estabelecimentos do Socialismo do Século XXI e promovido pelo camarada, irmão e Comandante Hugo Chávez da Venezuela];

- Viabilidade do novo Estado: Conformar uma Pátria Grande Sul-americana e bolivariana. Para isso é desejável a conformação de forças estatais-repressivas conjuntas entre países da região com orientação socialista e financiada pelos próprios Estados, e o orçamento facilitado pelo Governo bolivariano da Venezuela;

- Estabelece-se um ‘neo-foquismo’, onde a Bolívia seja o centro de irradiação deste Socialismo do Século XXI em nível latino-americano e promovido principalmente pelo governo-irmão da Venezuela;

- É também desejável a conformação e o financiamento de grupos ou forças irregulares, para reprimir a sociedade civil rebelde, se isto for necessário. Estes quadros deverão ser orientados a gerar violência na sociedade boliviana, e assim confrontar exitosamente os oligarcas e anti-revolucionários. Não se descarta que estes grupos sejam multinacionais: peruanos, bolivianos, colombianos, etc., pois a luta agora é universal e latino-americana;

- É positiva e funcional a cooptação de organizações sociais do país, como modo de grupos de pressão para reprimir instituições políticas ou sociais da oposição, assim como meios de comunicação burgueses e opostas à mudança.

II – Como justificativa: Se não se puder por meios democráticos, a violência [parteira da História] é necessária para impor o Novo Estado Plurinacional.

Como políticas a serem levadas a cabo pelo governo revolucionário do MAS:

1. Estabelecimentos Estratégicos

1.1. Deve-se promover a agudização das contradições na sociedade boliviana. É desejável a crise econômica e política do país, deste modo a instabilidade geral e o caos possibilitarão o governo revolucionário do Companheiro Evo atuar com a força requerida para impor nosso projeto de Estado;

1.2. Destruir o neoliberalismo (lembrem-se que este foi o mote do XIII Encontro do Foro de São Paulo ocorrido no ano passado) de ultra-direita fundamentado hoje, na chamada República boliviana e representada pela ‘Meia Lua’.

1.3. Deve-se instrumentalizar exitosamente a Assembléia Constituinte para impor a visão do novo Estado.

(...)

1.5. Deve-se continuar com o processo exitoso de cooptação de:

b) Níveis hierárquicos das FFAA e da Polícia. Com a ajuda econômica do irmão Governo da Venezuela, espera-se a lealdade destes efetivos e funcionários para a repressão política planejada especialmente para a Meia Lua.

(...)

3. Atacar o inimigo do Povo: a Meia Lua

3.1. O inimigo do povo é a denominada “Meia Lua”, hoje em processo de articulação. Dentro deste contexto, o inimigo estratégico é o Estado de Santa Cruz de la Sierra, visibilizado através do Prefeito e Comitê Cívico;
Justificativa: O inimigo deve ser aniquilado porque através do processo autonômico estadual, se poderia inviabilizar o novo Estado Plurinacional [que está por nascer]. Lembremos que tais autonomias defendem o Estado de Direito, a democracia e outras instituições burguesas e corruptas próprias da atual República da Bolívia; precisamente – pois – promovem as instituições que o povo deve ‘desmontar’.

3.2. Estratégias/Ações:

Gestar a inevitável divisão e confrontação campo-cidade em nível municipal. No caso de Santa Cruz inclusive, já se selecionaram municípios com elevada população migrante camponês-indígena (San Julián, etc.), para opor-se ao processo autonômico. Deve-se financiar quadros e grupos de pressão para violentar, quando seja necessário, o processo autonômico oligárquico e corrupto, e durante o processo de expropriação de terras aos fazendeiros e latifundiários”. E encerra com as palavras do cocalero-presidente: “Companheiras e companheiros revolucionários, creio que este guia será o instrumento de mudança para levar o poder ao povo e a nossos irmãos camponeses, indígenas e originários. Pátria ou Morte! Venceremos ao lado do povo! Morte à Bolívia senhorial e colonial!
Evo Morales Ayma – Presidente constitucional da República da Bolívia”.


Bem, o documento é imenso mas creio que estes itens são bastantes para se avaliar e compreender o processo acelerado de comunização castro-chavista que está ocorrendo na Bolívia hoje, sem esquecer que tudo isto tem o aval, estímulo e iniciativa do governo brasileiro através do Foro de São Paulo.

Uma pesquisa de boca de urna realizada pela agência “Captura Consulting” para a rede “Usted Decide”, afirmou que na capital de Santa Cruz a percentagem do SIM foi de 85,3%, frente a 14,7% pelo NÃO. Entretanto, nas cidades foi maior a aprovação: 89,6% a favor do SIM e 10,4% para o NÃO. Embora não tenha sido informado ainda o número de abstenções, a cadeia ATB situou em torno dos 40%. Santa Cruz agora terá atribuições reservadas ao Estado nacional, como educação, segurança, justiça e economia, construindo uma verdadeira barreira contra o plano do Governo de “refundar” o país com uma nova Constituição socialista. A nova Constitução, aprovada sem o aval da oposição por uma assembleía constituinte controlada pelo oficialismo e que deve passar por uma série de referenduns, daria mais poder à maioria indígena, fortaleceria o controle do Estado sobre a economia e outorgaria um marco legal à política oficial de nacionalização dos recursos naturais.

Esta vitória é mais uma pedra no sapato do “Eixo do Mal” e do Foro de São Paulo, derrotado pela segunda vez em referedum (a primeira foi a derrota de Chávez em 2 de dezembro passado, também para implantar um regime totalitário comunista), o que prova que, majoritariamente, o povo latino-americano rejeita categoricamente o comunismo, é amante da ordem, do progresso, da liberdade e da democracia, não um arremedo dela, como estamos vivendo hoje no Brasil dos “cumpanhêro”. Que Deus abençoe e proteja os bolivianos de bem!

Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções:

Graça Salgueiro

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".