Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Marxismo como ideologia do poder

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009



O Marxismo como ideologia do poder.

Ernst Topitsch

Revista de Estudios Políticos - Número 199. Enero - Febrero. 1975

http://www.cepc.es/rap/Frames.aspx?IDS=fkcdcdj2enonxk552v5dxe45_809080&ART=2,9381,REP_199_245.pdf


Traduzido por: Aline Goldoni / Revisão: Leandro Diniz




“Parece como se no futuro teria de se aplicar em maior medida a teoria do inconsciente aos grupos revolucionários. O fenômeno da inversão de fins e meios desperta a suspeita de que sob os fins conscientes se encontravam desde o princípio fins inconscientes de outra índole. Os fins conscientes, cuja figura representa a sociedade sem classes e sem Estado, servem em tais casos a ocultação do desejo subconsciente de ‘absolutização’ própria do poder.”


Assim escreveu o marxista iugoslavo Svetozar Stojanovicem seu livro de 1970, “Crítica e futuro do socialismo”. Com ele, o autor comunista reiterou uma conclusão que Sigmund Freud já havia formulado em 1932 em uma carta dirigida a Albert Einstein: “Quando ouvimos das crueldades da história, temos as vezes a impressão de que os motivos ideológicos só teriam servido de pretexto aos apetites destrutivos, e outras vezes, por exemplo, nas crueldades da sagrada Inquisição, cremos que os motivos ideológicos teriam passado a primeiro plano na consciência, e que os motivos destrutivos lhes teriam proporcionado um apoio inconsciente. Ambas as coisas são possíveis.”

A possibilidade posterior de que crueldades poderiam ser cometidas tão somente com bons fins e sem outros motivos, nem sequer foi tomada em consideração por este profundo conhecedor da alma humana. Assim, ele já se referiu ao fato fundamental de que ideais ou utopias altamente morais – como também “humanísticos, emancipatórios ou progressivos – poderiam servir de modo inconsciente ou até consciente, de disfarce e arma a ânsia de poder, ao desejo de destruição, ao ódio, a inveja e ao ressentimento.

Neste sentido, foi realizada, desde a década de 1960, no campo do pensamento ilustrativo, psicoanalítico e também marxista uma “desmistificação da revolução” que nem sequer se deteve frente a seus profetas e os Santos Padres. Entre os pesquisadores que serão citados aqui, em primeiro lugar se encontra o austríaco Robert Waelder, um discípulo de Freud, que teve que emigrar em 1938 e ocupou cargos acadêmicos elevados como psicanalista na América do Norte. Sua obra póstuma, escrita em alemão. “Progresso e Revolução” (1970), oferece uma excelente análise das brilhantes fachadas, da nobre ilusão e dos efetivos motivos e estratégias, muito menos brilhantes e nobres, dos movimentos revolucionários e dos seus redentores até mesmo o “Che” Guevara. Referem-se, em especial, ao pai do materialismo histórico as obras de Arnold Künzli, Karl Marx. Uma psicografia(1966); Ernest Kux, Karl Marx. A declaração revolucionária (1967), e a biografia de Marx de Robert Payne (1968), que até agora só existe em inglês. Infelizmente, estas obras importantes não tem tido até agora a atenção correspondente ao seu valor. Para muitos leitores, se tem aprofundado na correnteza inapreciável da literatura do marxismo, e nos setores de esquerda se tem vislumbrado sua eminente periculosidade e a silenciado cuidadosamente. Em último lugar, também me esforcei em compilar as idéias desses autores em meu livro Deificação e Revolução (Munique, Pullach, 1973), e em classificá-las em relações mais amplas.

O caso é que se as teses bem fundamentadas desses trabalhos estão certas, terá de ser revisada totalmente ou até eliminada uma lenda que tem exercido e ainda hoje exerce uma considerável influência político-cultural. Trata-se da fé no pensamento humanístico-revolucionário que, segundo se diz, teria inspirado o jovem Marx, mas que no Marx posterior teria sido reprimido por um modo de ver mais estreitamente econômico e teria sido substituído finalmente no marxismo soviético por uma ideologia do poder “bizantinicamente” estagnada. Esta concepção teve uma divulgação extraordinariamente ampla na época do pós-guerra, pois correspondia aos interesses mais variados.

Os intelectuais do Oriente que queriam humanizar o sistema de seu mundo, acreditavam encontrar a legitimação marxista deste nas primeiras obras do pensador, de certo modo no evangelho ainda puro. Muitos representantes das Igrejas que desde o final dos anos de 1950 desenvolveram um crescente prazer pelo “diálogo”, queriam ver na fase prematura “antropológica” um esforço pelo homem que pode constituir uma base comum para um humanismo cristão e marxista. Não poucos amigos ocidentais do marxismo que detestavam e depreciavam sua simplificação e petrificação stalinista, consideravam aqueles primeiros textos como fundamento para uma nova iniciativa emancipatória que devia evitar o “beco sem saída” da ortodoxia de Moscou.

Parece que tudo isso se põem agora radicalmente em dúvida. Argumentos importantes falam em favor da tese contrária, ou seja, de que Marx havia desenvolvido desde o princípio sua concepção da historia e da sociedade, pelo menos subconscien-temente, como glorificação e justificação ideológica de suas próprias aspirações de poder e domínio relacionado com a fé em seu apostolado messiânico e com tendências até ao auto-endeusamento. O caso é que as investigações mais recentes confirmam e ampliam uma das características mais agudas que possuímos da personalidade e dos fins do revolucionário, ou seja, a carta do tenente Techow, na qual este oficial informa a um amigo na Suíça acerca de uma conversa com Marx em 21 de agosto de 1850. Techow teria tido que fugir da Alemanha devido a sua participação na revolução de 1848-49, e encontrou em Londres com Marx que queria ganhá-lo como seguidor. Esta informação é conhecida há muito tempo, mas é citada na literatura quase sempre como um trecho somente, omitindo-se em tal caso as partes mais importantes do mesmo. Está escrito com serenidade e sem animosidade; em alguns pontos revela uma admiração aberta, e em outros há no fundo um tom de sentimento.

Durante esta conversa, Marx havia tomado, provavelmente animado por seu parceiro, grande quantidade de vinhos fortes e estava ao final “totalmente bêbado. Isto – escreve Tchecow – correspondia plenamente aos meus desejos, pois Marx foi sendo cada vez mais sincero do que provavelmente teria sido em outra ocasião. Obtive certeza a respeito de muitas coisas que em outro caso teriam seguido sendo suspeitas para mim. Apesar de seu estado dominou até o fim a conversa.

“Deu-me a impressão não só de uma superioridade intelectual pouco freqüente, como também de uma personalidade importante. Se tivesse tanto coração como cérebro, tanto amor como ódio, eu passaria pelo fogo por ele, apesar de que em particular havia insinuado em várias ocasiões seu menosprezo total, até que ao final o havia expressado abertamente. Ele é o primeiro e o único entre nós a que atribuo a força de governar, a força de não se perder no pequeno até sobre importantes circunstancias.

“Lamento por nosso objetivo que este homem não possa oferecer junto ao seu eminente espírito um coração nobre. Mas tenho a convicção que a ambição pessoal mais perigosa tenha destruído tudo de bom nele. Se ri dos estúpidos que rezam com ele seu catecismo do proletariado..., o mesmo que dos burgueses. Os únicos a quem respeita são os aristocratas, os puros e os que são conscientes. Afim de eliminá-los do poder necessitava de sua força que encontrou unicamente nos proletários, e por isto havia adaptado seu sistema a estes.

“Apesar de todas suas afirmações contrárias, talvez precisamente da raiz delas se obtém a impressão de que seu poder pessoal é o propósito de toda sua atividade. Engels e todos seus antigos sócios, apesar de seus bonitos talentos, se encontram muito por baixo e atrás dele, e se alguma vez o omitem, os faz retroceder a sua primitiva relação com uma insolência digna de um Napoleão.”

O próprio Marx confirmou indiretamente essa caracterização como certa: quando o documento desmascarador chegou a conhecimento público, uns nove anos mais tarde, devido a uma imprudência, sua ira beirou a loucura. Mas a informação deTechow, cuja importância sublinhou sobretudo Robert Payne, é confirmada, ampliada e aprofundada por uma grande quantidade de dados biográficos anteriores, assim como pela análise crítica da estrutura e da exigência de verdade da doutrina de Marx.

Ernes Kux e, em especial, Arnold Künzli, demonstraram convincentemente, a raiz de uma valoração minuciosa precisamente dos primeiros documentos - e também dos intentos poéticos que neste aspecto são muito reveladores – que Marx já estava dominado em seu tempo de estudante por uma consciência de apostolado messiânico, por pretensões cesarianas de poder e por incontroláveis desejos de destruição. Sempre reencontramos nesses poemas uma ânsia de destruição deste mundo acompanhada de trapaça e sentimentos de vingança, como, por exemplo:


Dann werf ich den Handschuh hóhnend
Einer Welt ins breite Angesicht,
Und die Riesenzwer'gin stürze dróhnend,
Meine G!ut erdrückt ihr Trümmer nicht.


Então, eu atirei as luvas zombando
Um mundo de vasta extensão,
E o de Riesenzwergin caiu ecoando
Minha fartura não sobrepujou sua destruição.


A destruição total do mundo ao jovem de dezenove anos como base e confirmação da sua divindade:



Gotterahnlich darf ich wandeln,
Siegreich ziehn durch ihr Ruingnreiche.


Como um deus posso me parecer,
Triunfo conquistado através da derrocada de seu poder.


A esta tendência até o endeusamento também correspondia o comportamento autoritário que já mostrava o jovem Marx, e que exigia a submissão e não permitia contradição alguma. Sua filha, Eleonor Marx-Aveling, já assinala, inclusive, Marx “como uma criança era um horrível tirano”. Uma descrição do ano de 1846 fala deste revolucionário como se segue: “seu jeito... era arrogante, com um indício de desprezo, e sua voz, metálica, estava em estranha concordância com os julgamentos radicais que expressava a respeito das pessoas e coisas. Não se manifestava de outra maneira do que em julgamentos que não admitiam contradição... Esta característica expressava a firme convicção de que sua missão era a de dominar os espíritos, de impor-lhes sua vontade...; tinha ante a mim a encanação do ditador democrático”. Mas também, em geral, surpreende sempre novamente a atitude totalmente intolerante e orientada até o domínio absoluto que Marx adotava inclusive e precisamente em frente de seus amigos e correligionários. Não exigia somente reconhecimento, respeito e apoio, mas sim submissão incondicional. Comunistas e anarquistas como Moses Hess e Michael Bakunin teriam lamentado amargamente dele, e de certo modo do outro final do espectro político procede a confirmação disso através da informação de um agente de polícia do ano de 1853, que diz: “M. não admite rivalidade a respeito da sua autoridade como chefe do partido, e é vingativo e implacável contra seus rivais e inimigos políticos; não pára até tê-los aniquilado; sua condição predominante é uma ambição e uma ânsia de poder sem limites. Apesar da unidade comunista que é seu propósito, ele é o dominador absoluto do seu partido; é certo que ele mesmo faz tudo, mas também só ele mesmo dá as ordens, e nesse aspecto não admite oposição”.

Só um discípulo da natureza de Engels podia submeter-se a ele, e também não podia fazer sempre. As demais amizades se quebraram devido àquela exigência absoluta. Michael Bakunin, que como personalidade dinâmica e prometéica mostrava certas semelhanças com o criador do materialismo histórico, não só pressentiu as conseqüências totalitárias de sua doutrina, como também foi mais fundo quando enfatiza que Marx era tão intolerante e autocrático como Jeová, e até mesmo tão vingativo quanto este.

Também Heine, quem – segundo expôs Dolf Sternberger em seu livro publicado recentemente Heinrich Heine e a abolição do pecado - compartilhou durante algum tempo, sob a influência de Hegel e do saint-simonismo francês, a idéia de auto-endeusamento comentada em suas Confissões, de 1854, dos jovens hegelianos e de “seu amigo muito mais obstinado Marx” como de “auto-divindades atéias”.

Com base nisto, sem dúvida, pode demonstrar-se, até em detalhes, que Marx não aplicou sua pretensiosa construção do processo histórico e social somente ao proletariado, mas também primeiramente a ele próprio, como Techow havia analisado de maneira correta. O destino geral da humanidade é exposto aqui, de certo modo, como show gigantesco ao redor da figura do Deus-redentor procedente de Trier. O esquema fundamental para isso Marx desenvolveu da raiz de uma tradição neoplatonica-gnóstica e cabalística que foi facilitada sobretudo por Schelling e Hegel. No escopo deste trabalho não é possível aprofundar mais no que se refere à natureza daquela mística de auto-endeusamento, na qual o “Deus futuro” só se converte realmente em Deus através do homem que se auto-endeusa. Marx, desde cedo, modificou consideravelmente, o motivo do “endeusamento de Deus pelo endeusamento do homem” que encontramos em Hegel. No caso mundial, interpretado por ele como um processo universal de salvação, não é Deus que se exterioriza até o mundo para alcançar através do ser humano sua própria consciência e com isto chegar a sua própria perfeição e divindade consciente de si mesmo, mas sim a humanidade trabalhadora que está submetida à alienação e escravização, e que alcança seu ponto culminante ou seu ponto mais baixo no proletariado convertido pelo capitalismo em mercadoria e totalmente desumanizado.

Entretanto, esse ponto mais baixo é ao mesmo tempo o começo de uma nova fase, porque aqui aparece Marx, quem mostra ao proletariado e com isso a humanidade o caminho predestinado da desumanização até a obtenção da recuperação de sua verdadeira humanidade, revelando o sentido objetivo da história que até então estava ocultado por uma “falsa consciência”. O mesmo que o deus do idealismo absoluto só chega a ser consciente em Hegel, através de Hegel e graças a Hegel, do processo universal como caminho necessário até uma verdadeira divindade, a alcançando deste modo, o “deus da humanidade” do ateísta judeu somente chega a ser consciente em Marx, através de Marx e graças a Marx, do processo histórico como caminho necessário até sua verdadeira perfeição, a qual, desde cedo, não pode ser alcançada mediante mera contemplação filosófica, mas sim por meio de ações revolucionárias. Enquanto o filósofo que especulativamente se transformava em Deus pode realizar seu trabalho na tranqüilidade escritório, o desejo de poder do transformador do mundo, levado até o exterior, precisava dos meios necessários exteriores de poder, e estes Marx acreditava ter encontrado no proletariado.

A dramatização da própria pessoa endeusada até o ponto crucial em que se revela ao deus da humanidade o segredo de sua redenção, e a realização prática das exigências de poder relacionadas com isso são a priori a partir de que Marx projetou sua construção da história. Este esquema fundamental já está completo e disposto muito antes do Manifesto Comunista. Com isso não nos propomos afirmar que Marx estivera claramente consciente deste seu modo de proceder; mas também, ao menos a princípio, os elementos tradicionais do messianismo judaico e as especulações gnóstico-idealistas de auto-endeusamento formaram nele um sistema que deveria considerar como descobrimento genial sem apreciar os mecanismos psíquicos que, ocultados, exerciam sua influência. Entretanto, da conversa com Techow se percebe evidentemente que o profeta revolucionário já se aproximava às vezes, pouco depois de alcançar os trinta anos de idade, da visão do que verdadeiramente significava sua doutrina sobre a missão do proletariado como redentor da humanidade. A informação do tenente inclusive faz pensar que não se pode excluir totalmente a possibilidade de que Marx então já tinha se servido daquilo muito conscientemente, e quem sabe com certo cinismo, do mito do proletariado como um instrumento de política de poder pessoal. No entanto, mais provável é que o pensador revolucionário sempre tenha suprimido as dúvidas que lhe surgiam e havia conservado assim a fé em sua doutrina ao menos como uma forma de mentira vital.

Também poderia ser um meio para essa opressão a exigência que Marx sempre formulava de novo com a insistência patética no que se refere à cientificidade de sua doutrina. Desde cedo, Marx realizou indubitavelmente obras científicas importantes e deu sugestões de valor para a pesquisa posterior. Entretanto, justamente no lugar realmente decisivo do seu sistema não correspondeu a um dos princípios fundamentais de toda a cientificidade ao privar sua doutrina, talvez conscientemente, de toda possibilidade de revisão: quase não falamos nas indicações específicas, algumas a cerca do estado futuro de salvação da humanidade já não alienada e acerca do caminho que leva até esse ponto. Künzli assinala nesta relação que Marx não indicou, com toda intenção, nada específico nesse ponto “porque temia comprometer-se demasiadamente com isto, por em perigo sua grande concepção histórica da salvação ao descrever e discutir detalhes que se poderiam analisar, confrontar com a realidade, criticar ou contradizer em parte ou totalmente. Mas com isso colocaria em duvida toda a concepção histórica da salvação”.

Apesar de todas as manifestações contrárias, não se trata, pois, nos pontos decisivos da construção da história realizada por Marx, de uma revelação científica, nem tão pouco de um melhor futuro para a humanidade. O pensador não oferece nenhuma antecipação controlável nem uma planificação daquele estado futuro de salvação baseada em fundamentos razoáveis da intuição. Este estado de salvação permanece, porém, em uma incerteza sublime e há de servir, em sua magnitude que não pode submeter-se a controle e crítica, às exigências de poder e as necessidades de destruição do revolucionário.

Assim, a doutrina de Marx demonstra ser em grande medida um instrumento político-psicológico. A profecia da vitória necessária da revolução proletária há de encher os seguidores de inquebrantável confiança, incitar aos que ainda vacilam a aderir à causa que amanhã terá êxito e, se é possível, há de desmoralizar os adversários. Além disso, a doutrina da revolução como verdadeira “humanização da humanidade” devia prover a própria luta da mais elevada aureola moral, e deveria formar um juízo moral, mais destruidor sobre a classe combatida, mas também sobre os rivais democráticos e socialistas.

A burguesia que se opõe ao processo universal de salvação não só é barrada finalmente por isto, como se faz culpada ao mesmo tempo de crime contra a humanidade ao mantê-la em estado de não-humanidade e se propor a impedir sua libertação universal e humanização. Assim, o burguês se estigmatiza (apesar de inconscientemente, uma vez que está dotado de uma “falsa consciência”) como não humano. Desde cedo, Marx não atribui esta culpa somente ao capitalista individual, mas também ao sistema capitalista como tal, o aeon da abjeção, contra o que o proletariado expressa julgamento com inevitável necessidade.

No entanto Marx submete a um veredicto ao menos igualmente duro aos seus rivais comunistas, cujos sistemas pretendiam ter superado por seu próprio “socialismo científico” e contra os que formulavam, além disso, a suspeita de que tiveram motivos moralmente condenáveis. A “inveja geral que se constitui como poder em tal ‘comunismo tosco’ só é a forma oculta pela qual surge a cobiça, que unicamente se satisfaz de outro modo. A idéia da propriedade privada como tal, ao menos quando está dirigida contra a propriedade privada mais rica, está dominada pela inveja e a ânsia de nivelação...; o comunismo tosco só é o complemento desta inveja e desta nivelação a partir de um mínimo imaginado...”.

O pensador revolucionário estava, então, muito consciente dos motivos que freqüentemente respaldam as doutrinas e movimentos comunistas, e nesta relação também deveria ter refletido acerca de seus próprios motivos. Mas ao que parece, aqui retornam a atuar os mecanismos de supressão: seu próprio comunismo não só está, como “ciência”, muito acima daquelas formas “toscas”, mas também como “abolição positiva da propriedade privada como auto-alienação humana” e, por isso, como “apropriação verdadeira da essência humana por e para o homem”, segundo o que se queira compreender com base nessas formulações.

Assim, Marx ocultou a problemática dos motivos e metas do comunismo, que conjecturava com claridade em seus rivais, em seu próprio caso diante de si mesmo e de outros atrás de uma construção mais exigente da história, cujas elevadas pretensões científicas e morais, sem dúvida, demonstraram ser irrealizáveis.

Enquanto permanece certa indecisão a questão de se e até que ponto Marx chegou a estar consciente da verdadeira motivação e função de sua doutrina histórico-filosófica da salvação, em Lenin estão muito mais claras as coisas. É quase certo que o pai do poder soviético acreditou até sua idade madura na verdade do marxismo, pois podemos seguir exatamente como se transformou no vitorioso revolucionário nos últimos anos da sua vida, por causa de experiências decepcionantes, um evidente processo de desilusão. Mas Marx não retirou disso conseqüências fundamentais contra a doutrina marxista, mas sim tratou de salva-la transladando a um futuro indeterminado o advento do estado de salvação no sentido de um adiamento da parusía. Mas também para Lênin, ao menos inconscientemente, a doutrina do futuro império da paz, da não-violência, da liberdade e da plenitude teria desta maneira o fim de prover de uma aureola a satisfação de exigências de poder de crueldades e de desejo de destruição, assim como de dissipar as objeções morais que se puseram contra. Tais tendências se revelam bastantes claras nos próprios escritos de Lênin. A este respeito é especialmente impressionante uma passagem da revista Espada Vermelha, órgão oficial da Tchecoslováquia, de 18 de agosto de 1919: “O nosso é um novo código de moral. Nossa humanidade é absoluta, pois se baseia sobre o ideal glorioso da eliminação da tirania e da submissão. Tudo nos é permitido, pois somos os primeiros no mundo que fazem uso da espada não só para escravizar e submeter, mas sim em nome da liberdade e da libertação da escravidão”.

Talvez possa se atribuir boa fé a Lênin e sua bainha. Mas quase seis décadas depois podemos apreciar claramente, a luz das comoventes experiências, mas também com ajuda da crítica mais desenvolvida da ideologia, quão facilmente pode servir uma suposta humanidade e emancipação absoluta como disfarce e arma do poder absoluto e do terror absoluto.

Ernst Topitsch

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quem afirma é jornal russo

Fonte: JULIO SEVERO
6 de Julho de 2009

Obama está levando os EUA à queda no marxismo, diz ex-jornal oficial da União Soviética


Fred Lucas

(CNSNews.com) — Um comentário publicado no jornal que outrora foi o jornal oficia da União Soviética anunciou a “descida dos EUA no marxismo” citando os baixos padrões educacionais, a eleição de Barack Obama como presidente e como o governo americano assumiu o controle da General Motors.

O artigo de opinião no Pravda, um dos jornais da era soviética ainda publicados na Rússia, levava a manchete “Capitalismo americano foi-se com um leve gemido”, e foi escrito por Stanislav Mishin, que dirige o blog “Mat Rodina”.

“Como o romper de uma grande represa, a queda dos EUA no marxismo está acontecendo numa velocidade espantosa, diante de um cenário de ovelhas (isto é, pessoas) passivas e desanimadas”, escreveu Mishin.

O artigo afirma que a queda dos EUA ocorreu em três fases:

“Primeira, a população foi idiotizada por meio de um sistema educacional politizado e de baixo nível baseado na cultura popular, em vez da educação clássica. Os americanos sabem mais sobre seus dramas de TV favoritos do que os dramas do governo federal que afetam diretamente a vida deles”.

Segunda, “a fé deles em Deus foi destruída, ao ponto em que suas igrejas — dezenas de milhares de diferentes ‘vertentes e denominações’ — se tornaram na maior parte pouco melhores do que circos de domingo e seus televangelistas e mega-igrejas protestantes mais importantes ficaram mais do que felizes de vender suas almas e rebanhos a preço de banana, a fim de estarem do lado ‘vencedor’ de um ou outro político pseudo-marxista”.

O artigo também disse: “Os rebanhos americanos rejeitaram Cristo na esperança de obter poder terreno. Até mesmo nossas igrejas ortodoxas nos EUA são escandalosamente liberais”.

“O colapso final”, disse o artigo do Pravda, “ocorreu com a eleição de Barack Obama. A pressa com que ele tem feito as coisas nos últimos três meses é realmente impressionante. Seus gastos e emissão de moeda estão batendo recordes, não só na curta história dos EUA, mas também do mundo. Se a situação continuar desse jeito por mais de um ano, e não há nenhum sinal de que não continuará, na melhor das hipóteses os EUA ficarão semelhantes à República de Weimer e na pior como o Zimbábue”.

Dando detalhes sobre o controle agora dominante do governo de Obama sobre a General Motors, Mishin mencionou como o governo americano demitiu o diretor executivo da GM e a “ousadia” de Obama de declarar que ele e outro grupo de palhaços nomeados por ele e que não foram eleitos agora reestruturarão a indústria automobilística inteira e até serão a garantia das políticas automobilísticas”.

O “primeiro-ministro russo Putin, menos de dois meses atrás, avisou Obama e Tony Blair da Inglaterra, para não seguirem a rota do marxismo, pois só leva ao desastre”, disse o artigo.


Traduzido e adaptado por Julio Severo:
www.juliosevero.com.

Fonte:
CNSNews

Para ler tudo sobre Obama neste blog (do JULIO SEVERO), clique aqui.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Marxismo segundo Ludwig von Mises

MOVIMNTO ENDIREITAR - PARTE 1 e PARTE 2

Parte 1 de 2 

Mente, Materialismo e o destino do Homem


AS PRIMEIRAS CINCO CONFERÊNCIAS NESTA SÉRIE tratarão sobre filosofia, não sobre economia. A filosofia é importante porque todos nós, tenhamos ou não consciência desse fato, possuímos uma filosofia definida, e suas idéias filosóficas orientam suas ações.

A filosofia de hoje é a de Karl Marx [1818-1883]. Ele é a personalidade mais poderosa da nossa época. Karl Marx e as idéias de Karl Marx -- idéias que ele não inventou, desenvolveu, ou melhorou, mas que ele combinou num sistema -- são amplamente aceitas hoje, mesmo por muitos que enfaticamente se declaram anticomunistas e antimarxistas. Sem saber, muitas pessoas são filosoficamente Marxistas, embora utilizem nomes diferentes para suas idéias filosóficas.


Leia também:

 

Marxistas hoje falam de Marxismo-leninismo-estalinismo. Volumes são escritos hoje na Rússia sobre as contribuições de [Vladimir Ilyich] Lênin [1870-1924] e [Josef] Stalin [1879-1953]. No entanto, o sistema permanece o que era nos tempos de Karl Marx; o Marxismo está de fato petrificado. Lênin contribuiu somente com injúrias muito fortes contra seus adversários; Stalin não contribuiu nada. Assim, é duvidoso chamar quaisquer destas contribuições de "nova", quando nós percebemos que a contribuição mais importante de Marx para sua filosofia foi publicada em 1859. (1) 

Leva muito tempo para idéias conquistarem o mundo. Quando o Marx morreu em 1883, o nome dele era em geral desconhecido. Alguns jornais relataram em um par de linhas que Karl Marx, autor de vários livros, tinha morrido. Eugen von Böhm-Bawerk [1851-1914] publicou (2) uma crítica sobre as idéias econômicas de Marx em 1896, mas foi somente 20 anos depois que as pessoas começaram a considerar Marx um filósofo.


As idéias de Marx e de sua filosofia realmente dominam nossa época. A interpretação dos eventos atuais e a interpretação da história em livros populares, bem como nos escritos filosóficos, novelas, peças de teatro, e assim sucessivamente, são geralmente Marxistas. No centro está a filosofia Marxista da história. Desta filosofia é tomado emprestado o termo "dialético", que é aplicado a todas suas idéias. Mas isso não é tão importante como é compreender o que materialismo marxista significa.

Materialismo tem dois sentidos diferentes. O primeiro refere-se exclusivamente aos problemas éticos. Um homem material só está interessado em coisas materiais -- comida, bebida, abrigo -- não em arte, cultura, e assim sucessivamente. Nesse sentido a maioria dos homens é materialista. O segundo sentido do materialismo refere-se a um grupo especial de soluções sugeridas para um problema básico da filosofia -- a relação entre a mente humana ou espírito de um lado, e o corpo humano e suas funções fisiológicas do outro lado. Diversas respostas foram oferecidas a este problema -- entre elas as respostas religiosas. Nós sabemos muito bem que existe uma conexão entre corpo e mente; a medicina provou que determinados danos ao cérebro provocam algumas mudanças no funcionamento da mente humana. Porém, os materialistas deste segundo grupo explicam todas as manifestações da mente humana como produtos do corpo.

Entre estes materialistas filosóficos, existem duas correntes de pensamento:

A. Uma escola que considera o homem como uma máquina. Este grupo diz que estes problemas são muito simples -- a “máquina” humana funciona exatamente como qualquer outra máquina. Um Francês, Julien de La Mettrie [1709–1751], escreveu o livro que contém esta idéia, Man, the Machine; e hoje muitas pessoas ainda querem explicar todas as operações da mente humana, direta ou indiretamente, como se fossem operações mecânicas. Por exemplo, veja a Enciclopédia de Ciências Sociais. (Encyclopedia of the Social Sciences) Um dos colaboradores, professor na New School for Social Research, diz que a criança recém-nascida é como um carro Ford, pronto para funcionar. Talvez! Mas uma máquina, um Ford recém-fabricado, não funciona por si só. Uma máquina não realiza nada, não faz nada sozinha -- sempre são os homens ou um certo número de homens que realizam algo através da máquina. Alguém precisa ativar a máquina. Se a atividade do homem cessar, a atividade da máquina também cessa. Nós temos que perguntar para este professor daNew School for Social Research, “Quem ativa a máquina?”. A resposta destruiria a doutrina materialista da máquina.

Às vezes as pessoas falam sobre "alimentar" a máquina, como se estivesse viva. Mas, evidentemente, não está. Em seguida, às vezes as pessoas também afirmam que a máquina sofreu um "colapso nervoso". Mas como um objeto sem nervos pode sofrer um colapso nervoso? Está teoria “maquinista” foi repetida várias vezes, mas não é muito realista. Nós não temos que lidar com isto porque nenhum homem sério realmente acredita nisto.

B. A teoria fisiológica proposta pela segunda classe dos materialistas é mais importante. Esta teoria foi formulada originalmente por Ludwig Feuerbach [1804-1872] e Karl Vogt [1817-1895] nos primeiros dias de Karl Marx. Esta idéia dizia que os pensamentos e as idéias são "simplesmente" secreções do cérebro. (Nenhum filósofo materialista nunca deixou de usar a palavra "simplesmente". Que significa, “eu sei, mas eu não posso explicar”). Hoje os cientistas sabem que determinadas condições patológicas causam certas secreções, e que essas secreções causam determinadas atividades no cérebro. Mas estas secreções são quimicamente as mesmas para todas as pessoas na mesma situação e condição. Contudo, idéias e pensamentos não são as mesmas para todas as pessoas na mesma situação e condição; elas são diferentes.

Primeiro, idéias e pensamentos não são tangíveis. E segundo, os mesmos fatores externos não produzem a mesma reação em todo mundo. Uma maçã caiu uma vez de uma árvore e bateu num certo jovem [Isaac Newton]. Isto pode ter acontecido a muitos outros jovens antes, mas este acontecimento particular desafiou este jovem particularmente e ele desenvolveu algumas idéias disto.

Mas as pessoas nem sempre têm os mesmos pensamentos quando elas presenciam os mesmos fatos. Por exemplo, na escola alguns aprendem; outros não. Há diferenças nos homens.

Bertrand Russell [1872-1970] perguntou, “Qual é a diferença entre os homens e as pedras?” Ele disse que não havia nenhuma diferença, a não ser que os homens reagem a mais estímulos que as pedras. Mas na verdade há uma diferença. Pedras reagem de acordo com um padrão definido que nós podemos conhecer; podemos prever o que acontecerá a uma pedra se ela for tratada de uma determinada forma. Mas nem todos os homens reagem da mesma forma quando são tratados de determinada maneira; nós não podemos estabelecer tais categorias de ações para homens. Assim, embora muitas pessoas pensem que materialismo fisiológico é uma solução, na verdade conduz a um beco sem saída. Se realmente fosse a solução para este problema, isso significaria que, em qualquer caso, nós poderíamos saber como todos reagiriam. Não podemos sequer imaginar quais seriam as conseqüências se todo mundo soubesse o que todos os outros iriam fazer.

Karl Marx não era um materialista no primeiro sentido -- o sentido “maquinista”. Mas a idéia fisiológica era muito popular na sua época. Não é fácil saber exatamente o que influenciou Marx porque ele odiava algumas pessoas e de outras tinha inveja. Karl Marx odiava Vogt, o representante do materialismo fisiológico. Assim que materialistas como Vogt começaram a falar de política, Karl Marx disse que eles tinham idéias ruins; isso significava que Marx não gostava delas.

Marx desenvolveu o que ele pensava ser um novo sistema. De acordo com sua interpretação materialista da história, as “forças produtivas materiais" (esta é uma tradução exata do Alemão) são as bases de tudo. Cada etapa das forças produtivas materiais corresponde a uma fase definida de relações de produção. As forças produtivas materiais determinam as relações de produção, isto é, o tipo de possessão e propriedade que existem no mundo. E as relações de produção determinam a superestrutura. Na terminologia de Marx, capitalismo ou feudalismo são relações de produção. Cada um destes foi necessariamente produzido por uma fase particular das forças produtivas materiais. Em 1859, Karl Marx disse que uma nova fase das forças produtivas materiais produziria o socialismo.

Mas o que são estas forças produtivas materiais? Da mesma forma que Marx nunca disse o que era uma "classe", ele nunca disse exatamente o que são as "forças produtivas materiais”. Após analisar suas obras nós descobrimos que as forças produtivas materiais são as ferramentas e as máquinas. Num de seus livros [Misère de la philosophie — A miséria da Filosofia], escrito em Francês em 1847, Marx afirma que “a fábrica manual produz o feudalismo – a fábrica a vapor produz o capitalismo.” (3) Ele não disse isto neste livro, mas em outras obras ele escreveu que surgiriam outras máquinas que iriam produzir o socialismo.

Marx tentou arduamente evitar a interpretação geográfica do progresso, porque isso já havia caído em descrédito. O que ele disse foi que as "ferramentas" eram a base de progresso. Marx e [Friedrich] Engels [1820-1895] acreditavam que novas máquinas seriam desenvolvidas e que elas conduziriam ao socialismo. Eles alegravam-se com as novas máquinas, pensando que isso significava que o socialismo estava próximo. No livro Francês de 1847, ele criticou aqueles que davam importância à divisão do trabalho; ele afirmou que as ferramentas eram importantes.

Nós não devemos esquecer que ferramentas não caem do céu. Elas são produto de idéias. Para explicar as idéias, Marx disse que as ferramentas, as máquinas -- as forças produtivas materiais -- se refletem nos cérebros dos homens e assim as idéias surgem. Mas as ferramentas e as máquinas são, elas mesmas, o produto das idéias. Além disso, antes de existir máquinas, deve existir a divisão do trabalho. E antes de existir a divisão do trabalho, idéias definidas precisam ser desenvolvidas. A origem destas idéias não pode ser explicada por algo que só é possível numa sociedade, que é, ela mesma, produto de idéias.

O termo "materiais" fascinou as pessoas. Para explicar mudanças em idéias, mudanças em pensamentos, mudanças em todas essas coisas que são os produtos de idéias, Marx os reduziu a mudanças em idéias tecnológicas. Nisto ele não era original. Por exemplo, Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz [1821–1894] e Leopold von Ranke [1795-1886] interpretaram a história como a história da tecnologia.

É tarefa da história explicar por que determinadas invenções não foram postas em prática por pessoas que tiveram todo o conhecimento físico requerido para sua construção. Por que, por exemplo, os antigos gregos, que tiveram o conhecimento técnico, não desenvolveram estradas de ferro?

Assim que uma doutrina se torna popular, ela é simplificada de tal forma que permita a compreensão das massas. Marx dizia que tudo depende das condições econômicas. Como declarou em seu livro Francês [A miséria da Filosofia] de 1847, ele entende que a história das fábricas e ferramentas desenvolveram-se independentemente. Segundo Marx, todo o movimento da história humana aparece como conseqüência natural do desenvolvimento das forças produtivas materiais, as ferramentas. Com o desenvolvimento das ferramentas, a estrutura da sociedade muda e, conseqüentemente, tudo o mais muda também. Por tudo o mais, ele quis dizer a superestrutura. Autores Marxistas, escrevendo depois de Marx, explicaram tudo na superestrutura como resultado de mudanças definitivas nas relações da produção. E eles explicaram tudo nas relações de produção como resultado das mudanças nas ferramentas e máquinas. Isto foi uma vulgarização, uma simplificação, da teoria marxista. Marx e Engels não foram completamente responsáveis por isso. Eles criaram muitas tolices, mas eles não são responsáveis por toda a tolice de hoje.

Qual é a influência desta teoria marxista sobre as idéias? O filósofo René Descartes [1596-1650], que viveu no início do século XVII, acreditava que o homem tinha uma mente e que o homem pensa, mas que os animais eram simplesmente máquinas. Marx afirmou, naturalmente, que Descartes viveu numa época em que a "Manufakturperioden", as ferramentas e máquinas, eram tais que ele foi forçado a explicar sua teoria afirmando que os animais eram máquinas. Albrecht von Hailer [1708-1777], um Suíço, afirmou a mesma coisa no século XVIII (ele não gostava da igualdade perante a lei dos governos liberais). Entre estes dois homens, viveu La Mettrie, que também explicou homem como uma máquina. Portanto, o conceito de Marx, de que as idéias eram um produto das ferramentas e máquinas de uma determinada época, é facilmente refutado.

John Locke [1632-1704], o conhecido filósofo do empirismo, declarou que tudo na mente do homem provém da experiência dos sentidos. Marx afirmou que John Locke era um porta-voz da doutrina classista da burguesia. Isto conduz a duas deduções diferentes das obras de Karl Marx:  (a) A interpretação que ele deu a respeito de Descartes é que ele vivia numa época em que as máquinas foram introduzidas e, portanto, Descartes explicou o animal como uma máquina; e (b) A interpretação que ele deu a respeito da inspiração de John Locke -- que ela veio do fato de que ele era um representante dos interesses classistas dos burgueses. Aqui estão duas explicações incompatíveis para a origem das idéias. A primeira destas duas explicações, no sentido de que as idéias são baseadas em forças produtivas materiais, as ferramentas e máquinas, é inconciliável com a segunda, a saber, que os interesses de classe determinam as idéias.

Segundo Marx, todos são forçados -- pelas forças produtivas materiais -- a pensar de tal maneira que o resultado mostre seus interesses de classe. Você pensa da forma que seus "interesses" forçam você pensar; você pensa de acordo com seus “interesses” de classe. Seus “interesses” são algo independente da sua mente e suas idéias. Seus “interesses” existem no mundo além de das suas idéias. Conseqüentemente, a produção de suas idéias não é nenhuma verdade. Antes da aparição de Karl Marx, a noção de verdade não tinha qualquer significado para todo o período histórico. O que o pensamento das pessoas produziu no passado sempre foi "ideologia", não verdade.

“Les idéologues” na França foram bem advertidos por Napoleão [1769–1821], que disse que tudo ficaria bem na França exceto para os “idéologues”. Em 1812, Napoleão foi derrotado. Ele deixou o exército na Rússia, retornou só, incógnito, e apareceu em de dezembro de 1812 em Paris. Ele jogou a culpa dos males que aconteceram ao seu país sobre os maus "idéologues", que influenciaram o país.

Marx usou ideologia num sentido diferente. Segundo Marx, ideologia era um pensamento doutrinário produzido por membros de uma classe. Estas doutrinas necessariamente não eram verdades, mas somente as expressões dos interesses classistas. Naturalmente, um dia haverá uma sociedade sem classes. Uma classe -- a classe proletária -- prepara o caminho para a sociedade sem classes. A verdade de hoje é a idéia dos proletários. Os proletários abolirão todas as classes e então virá a Idade Dourada, a sociedade sem classes.

Marx chamava Joseph Dietzgen [1828–1888] de proletário, mas Marx o teria chamado de pequeno-burguês se soubesse mais sobre ele. Oficialmente Marx aprovou todas as idéias de Dietzgen, mas em sua correspondência privada com Ferdinand Lassalle [1825-1864] ele expressou alguma discordância. Não existe lógica universal. Cada classe possui sua própria lógica. Mas, evidentemente, a lógica do proletariado é a verdadeira lógica do futuro. (Estas pessoas ficaram ofendidas quando os racistas assumiram as mesmas idéias, alegando que as diferentes raças possuem diferentes lógicas, mas a lógica dos Arianos é a verdadeira lógica) [[ Nota endireitar.org: sobre esse mesmo assunto ver o artigo  Polilogismo: Karl Marx e os Nazistas ]].

A sociologia do conhecimento de Karl Mannheim [1893–1947] se desenvolveu das idéias de Hitler. Todo o mundo pensa em ideologias -- i.e., falsas doutrinas. Mas há uma classe de homens que desfruta de um privilégio especial -- Marx os denominou "intelectuais não-engajados". Estes "intelectuais não-engajados" possuem o privilégio de descobrir verdades que não são ideologias.

A influência dessa idéia de “interesses” é enorme. Em primeiro lugar, é importante lembrar que esta doutrina não afirma que os homens agem e pensam de acordo com o que eles consideram ser seus próprios interesses. Em segundo lugar, recorde que ela considera os “interesses” como independentes dos pensamentos e idéias dos homens. Estes interesses independentes obrigam os homens a pensar e agir de uma forma definida. Como um exemplo da influência que esta idéia possui sobre nosso pensamento hoje, eu poderia mencionar um Senador Americano -- não é um Democrata -- que afirmou que as pessoas votam de acordo com seus “interesses”; ele não disse de acordo com o que eles pensam ser seus interesses. Esta é a idéia de Marx -- assumindo que "interesses" são algo definido e além das idéias de uma pessoa. Esta idéia de doutrina de classe foi primeiramente desenvolvida por Karl Marx no Manifesto Comunista.

Nem Engels, nem Marx eram do proletariado. Engels era muito rico. Ele caçava raposas em um casaco vermelho -- este era o passatempo dos ricos. Teve uma namorada que ele considerava demasiado abaixo dele para pensar em se casar. Ela morreu, e a irmã dela se tornou sua sucessora. Casou-se finalmente com a irmã, mas somente quando ela estava morrendo -- somente dois dias antes de sua morte.

Karl Marx nunca ganhou muito dinheiro por si mesmo. Ele recebeu algum dinheiro como colaborador regular do jornal The New York Tribune. Mas ele foi sustentado quase completamente por seu amigo Engels. Marx não era um proletário; ele era o filho de um próspero advogado. Sua esposa, a Sra. Karl Marx [Jenny von Westphalen, 1814–1881], era a filha de um alto Junker prussiano. E o cunhado de Marx era o chefe da polícia prussiana.

Assim, estes dois homens, Marx e Engels, que reivindicaram que a mente proletária era diferente da mente da burguesia, estavam numa posição embaraçosa. Então eles incluíram uma passagem no Manifesto Comunista para explicar: “Quando o tempo chegar, alguns membros da burguesia se unirão às classes emergentes”. Porém, se alguns homens conseguem se livrar da lei de interesses de classe, então a lei não é mais uma lei geral.

A idéia de Marx era que as forças produtivas materiais conduzem os homens de uma fase para outra, até eles alcançarem o socialismo, que é o fim e o ápice de tudo. Marx disse que o socialismo não pode ser planejado com antecedência; a história cuidará dele. Na visão de Marx, esses que afirmam como o socialismo funcionará são apenas “utópicos”.

O Socialismo já estava intelectualmente derrotado no tempo que Marx escreveu. Marx contestava seus críticos afirmando que aqueles que estavam em oposição eram somente “burgueses”. Ele afirmou que não era necessário derrotar os argumentos dos seus oponentes, mas somente desmascarar sua origem burguesa. E como sua doutrina não passava de ideologia burguesa, não era necessário lidar com isto. Isto deveria significar que nenhum burguês pudesse escrever alguma coisa a favor do socialismo. Assim, todos escritores estavam ansiosos para provar que eles eram proletários. Também seria oportuno mencionar neste momento que o precursor do socialismo francês, Saint-Simon (4), era descendente de uma famosa família de duques e condes.

Simplesmente não é verdade que as invenções se desenvolvem porque as pessoas procuram finalidades práticas e não por verdades.

Quando Marx publicou suas obras, o pensamento alemão era dominado por George Wilhelm Friedrich Hegel [1770-1831], professor na Universidade de Berlim. Hegel tinha desenvolvido a teoria da evolução filosófica da história. Em alguns aspectos suas idéias eram diferentes, até mesmo opostas, das idéias de Marx. Hegel foi o homem que destruiu o pensamento Alemão e a filosofia Alemã por mais de um século, pelo menos. Ele encontrou uma advertência em Immanuel Kant [1724-1804], que havia dito que a filosofia da história só poderia ser escrita por um homem que tivesse a coragem de fingir que vê o mundo com os olhos de Deus. Hegel acreditou que ele tinha os "olhos de Deus”, que ele conhecia o fim de história, que ele conhecia os planos de Deus. Ele disse que o Geist (Mente ou Espírito) se desenvolve e se manifesta no curso da evolução histórica. Então, o curso da história é inevitavelmente o progresso do menos satisfatório para condições mais satisfatórias.

Em 1825, Hegel disse que havíamos alcançado um estado de coisas maravilhosas. Ele considerou o reino da Prússia de Friedrich Wilhelm III [1770-1840] e a Igreja da União Prussiana (Prussian Union Church) como a perfeição do governo secular e espiritual. Marx afirmou, como Hegel, que havia história no passado, mas que não haverá mais nenhuma história quando nós alcançarmos um estado que é satisfatório. Assim, Marx adotou o sistema Hegeliano, embora usasse forças produtivas materiais em vez de Geist. As forças produtivas materiais passam por várias fases. A fase presente é muito ruim, mas há uma coisa em seu favor -- ela é a fase preliminar necessária para o aparecimento do estado perfeito do socialismo. E o socialismo está próximo.

Hegel foi chamado de filósofo do absolutismo prussiano. Ele morreu em 1831. Sua escola de pensamento se dividiu entre esquerda e direita. (A esquerda não gostava do governo prussiano e da Igreja da União Prussiana). Esta distinção entre a esquerda e a direita existiu desde então. No Parlamento Francês, aqueles que não gostavam do governo do rei estavam sentados no lado esquerdo do plenário da assembléia. Hoje ninguém quer sentar à direita.

Originalmente, isto é, antes de Karl Marx, o termo "direita" referia-se aos partidários do governo representativo e liberdades civis, como o oposto da "esquerda" que favorecia ao absolutismo real e a ausência de direitos civis. O aparecimento das idéias socialistas alterou o significado destes termos. Alguns da "esquerda" foram sinceros ao expressar suas opiniões. Por exemplo, Platão [427-347 AC] era honesto ao declarar que um filósofo deveria governar. E Augusto Comte [1798–1857] dizia que a liberdade foi necessária no passado, uma vez que tornou possível para ele publicar seus livros, mas agora que os livros foram publicados não há qualquer necessidade de liberdade. E da mesma forma Etienne Cabet [1788-1856] falava de três categorias de livros -- os maus livros, que deveriam ser queimados; os livros intermediários, que deveriam ser corrigidos; e os "bons" livros restantes. Portanto, houve uma grande confusão quanto às liberdades civis que seriam concedidas aos cidadãos no estado socialista. Isto aconteceu porque as idéias marxistas não progrediram em países que possuíam liberdades civis, mas em países onde as pessoas não possuíam tais liberdades.

Nikolai Bukharin [1888–1938], um autor comunista que viveu em um país comunista, escreveu um panfleto em 1917 (5), no qual ele disse: nós pedimos as liberdades de imprensa, de pensamento e liberdades civis no passado porque nós estávamos na oposição e necessitávamos destas liberdades para conquistar. Agora que nós conquistamos, não existe qualquer necessidade de tais liberdades civis. [Bukharin foi julgado e condenado à morte nos expurgos dos processos Moscou em março de 1938] Se o sr.  Bukharin fosse um comunista Americano, ele provavelmente ainda estaria vivo e livre para escrever mais panfletos sobre o porquê da liberdade não ser mais necessária.

Estas peculiaridades da filosofia marxista só podem ser explicadas pelo fato que Marx, embora vivesse na Grã-bretanha, não estava tratando das condições da Grã-bretanha, onde, ele acreditava, as liberdades civis já não eram necessárias, mas com as condições da Alemanha, França, Itália, e assim por diante, locais onde as liberdades civis ainda eram necessárias. Desta forma nós vemos que a distinção entre direita e esquerda, que tiveram significado na época da Revolução Francesa, já não tem qualquer significado.


Notas:

[1] A Contribution to the Critique of Political Economy (Moscow: Progress Publishers, 1859).

[2] “The Unresolved Contradiction in the Economic Marxian System” in Shorter Classics of Eugen von Böhm-Bawerk (South Holland, Ill.: Libertarian Press, 1962 [1896; Eng.Trans. 1898]), pp. 201–302.

[3] “Le moulin à bras vous donnera la société avec le souzerain; le moulin à vapeur, la société avec le capitaliste industriel.” Karl Marx, Misère de la philosophie (Paris and Brussels, 1847), p. 100.—Ed.

[4] Claude Henri de Rouvroy, Comte de Saint-Simon [1760–1825]—Ed.

[5] “The Russian Revolution and Its Significance,” The Class Struggle, Vol. I, No. 1, May–June,1917.—Ed.


Parte 2 de 2


Conflitos de Classe e Socialismo Revolucionário


MARX ASSUMIU que os "interesses" eram independentes das idéias e pensamentos humanos. Ele afirmou que o socialismo era o sistema ideal para o proletariado. Disse também que os interesses de classe determinam o pensamento dos indivíduos e que esta condição provoca conflitos irreconciliáveis entre as várias classes. Marx então voltou ao ponto inicial – isto é, o socialismo é o estado ideal.


Os conceitos de "classe" e "conflito de classe” eram fundamentais no Manifesto Comunista (1848). Mas Marx não disse o que era uma "classe". Marx morreu em 1883, 35 anos depois da publicação do Manifesto Comunista. Nesses 35 anos ele publicou muitos volumes, mas em nenhum deles ele disse o que ele queria dizer pelo termo "classe". Após a morte de Marx, Friedrich Engels publicou o manuscrito inacabado do terceiro volume de O Capital (Das Kapital). Engels disse que este manuscrito, no qual Marx tinha parado de trabalhar muitos anos antes de morrer, foi encontrado na escrivaninha de Marx depois de sua morte. Num capítulo de três páginas naquele volume, Marx nos conta o que não era uma "classe". Mas você pode procurar por todas suas obras para compreender o que era uma "classe", jamais irá encontrar. Na realidade, "classes" não existem na natureza. É o nosso pensamento – nossas classificações em categorias – que constrói classes em nossas mentes. A questão não é se as classes sociais existem no sentido de Karl Marx; a questão é se nós podemos utilizar o conceito de classes sociais na forma como Karl Marx o entendia. Nós não podemos.

Marx não viu que o problema do "interesse" de um indivíduo, ou de uma classe, não pode ser resolvido simplesmente fazendo referência ao fato que existe tal interesse e que os homens têm de agir de acordo com os seus interesses. Duas questões devem ser colocadas: (1) Para que objetivos estes "interesses" conduzem as pessoas? (2) Quais métodos elas querem aplicar para atingir estes objetivos?

A Primeira Internacional foi um pequeno grupo de pessoas, um comitê de alguns homens em Londres, amigos e inimigos de Karl Marx. Alguém sugeriu que eles cooperassem com o movimento trabalhista-sindicalista britânico. Em 1865, Karl Marx leu na reunião do Comitê Internacional um documento, Valor, Preço, e Lucro (Value, Price, and Profit), uma de suas poucas obras originalmente escritas em inglês. Neste documento, ele destacou que os métodos do movimento sindical eram muito ruins e deveriam ser modificados. Parafraseando: "Os sindicatos querem melhorar o destino dos trabalhadores no âmbito do sistema capitalista - isto é inútil e desesperado. No âmbito do sistema capitalista não há nenhuma possibilidade de melhorar o estado dos trabalhadores. O melhor que o sindicato poderia alcançar deste modo seria algum sucesso de curto prazo. Os sindicatos devem abandonar esta política 'conservadora’; eles devem adotar a política revolucionária. Eles têm que lutar pela abolição da sociedade salarial e devem trabalhar para a vinda do socialismo". Marx não teve coragem para publicar este documento enquanto estava vivo; só foi publicado depois de sua morte por uma de suas filhas. Ele não quis fazer oposição aos sindicatos; ele ainda tinha esperanças que eles abandonariam suas teorias.

Aqui está um conflito evidente de opiniões entre os proletários, relativo a que meios utilizar. Os sindicatos proletários e Marx discordaram sobre o que era o "interesse" dos proletários. Marx afirmou que o "interesse" de uma classe era óbvio – não poderia haver nenhuma dúvida quanto a isto – todos conheciam este “interesse”. Então aqui surge um homem que não pertence a esta classe proletária, um escritor e advogado que informa aos sindicatos que eles estavam errados. “Esta é uma política ruim”, ele afirmou. “Vocês precisam mudar radicalmente sua política". Aqui toda a idéia de classe é destruída, a idéia de que um indivíduo, às vezes, pode errar, mas que uma classe como um todo nunca pode errar.

Críticas às doutrinas marxistas sempre foram superficiais. Eles não mostraram como Marx se contradisse e como ele não conseguiu explicar as suas idéias. A crítica de Böhm-Bawerk [1] era boa, mas ele não cobriu o sistema inteiro. Os críticos de Marx nem mesmo descobriram as contradições mais patentes de Karl Marx.

Marx acreditou na "lei férrea dos salários". Ele aceitou isso como a base fundamental da sua doutrina econômica. Ele não gostou do termo Alemão para esta lei, a "lei de bronze" dos salários, sobre o qual Ferdinand Lassalle [1825-1864] tinha publicado um panfleto. Karl Marx e Ferdinand Lassalle não eram amigos; eles eram concorrentes, competidores muito sérios. Marx disse que a única contribuição de Lassalle foi o próprio termo, a "lei de bronze" dos salários. E que, no mais, o termo, foi emprestado, emprestado do dicionário e de Goethe [2].

A "lei férrea dos salários" ainda sobrevive em muitos livros didáticos, na mente dos políticos e, conseqüentemente, em muitas das nossas leis. De acordo com a "lei férrea dos salários", a taxa salarial é determinada pela quantidade de alimentos e outras necessidades requeridas para a preservação e reprodução da vida, para sustentar os filhos dos trabalhadores até que eles próprios possam trabalhar nas fábricas. Se as taxas salariais ficarem acima disto, o número de trabalhadores aumentaria e o aumento do número de trabalhadores derrubaria as taxas salariais novamente. Os salários não podem cair abaixo deste ponto porque haveria uma escassez de trabalho. Esta lei considera que o trabalhador é algum tipo de micróbio ou roedor sem livre escolha ou livre arbítrio.

Se você pensa que é absolutamente impossível, sob o sistema capitalista, para os salários divergirem desta taxa, como você ainda pode falar, como fez Marx, sobre o empobrecimento progressivo dos trabalhadores como sendo inevitável? Existe uma contradição insolúvel entre a idéia marxista da lei férrea das taxas salariais, segundo a qual os salários permanecerão num ponto em que eles são suficientes para sustentar os descendentes dos trabalhadores até que eles possam se tornar trabalhadores, e sua filosofia da história, que sustenta que os trabalhadores serão empobrecidos cada vez mais até serem conduzidos à insurreição aberta, provocando assim o socialismo. Evidentemente, ambas as doutrinas são insustentáveis. Mesmo 50 anos atrás, os principais escritores socialistas foram obrigados a recorrer a outros esquemas elaborados na tentativa de sustentar suas teorias. O que é surpreendente é que, durante o século desde as obras de Marx, ninguém mostrou esta contradição. E esta contradição não é a única em Marx.

O que realmente destruiu Marx foi sua idéia do progressivo empobrecimento dos trabalhadores. Marx não viu que a característica mais importante do capitalismo era a produção em grande escala para as necessidades das massas; o principal objetivo dos capitalistas é produzir para as grandes massas. Nem Marx viu que sob o capitalismo o cliente sempre tem razão. Na sua condição de assalariado, o trabalhador não pode determinar o que será feito. Mas na condição de cliente, ele é realmente o chefe e fala para o chefe dele, o empresário, o que fazer. O chefe dele deve obedecer às ordens dos trabalhadores como membros do público consumidor. A Srta. Webb [3] era a filha de um próspero homem de negócios. Como outros socialistas, pensou que o pai dela era um autocrata que dava ordens para todo mundo. Ela não viu que ele estava sujeito à soberania das ordens dos clientes no mercado. A “grande” Srta. Webb não era mais inteligente que o menino mensageiro mais bobo, que só vê que o chefe dele dá ordens.

Marx não tinha nenhuma dúvida sobre quais objetivos os homens visavam. Ele também não teve quaisquer dúvidas sobre a melhor maneira de atingir estes objetivos. Como é que um homem que leu tanto e interrompe sua leitura apenas para escrever, não percebe as discrepâncias em suas idéias?

Para responder a esta pergunta, temos que voltar para o pensamento do seu tempo. Aquele foi o tempo da Origem das Espécies [1859] de Charles Darwin. Era a moda intelectual daquela época enxergar os homens apenas do ponto de vista da sua filiação na classe zoológica dos mamíferos, que agiam com base nos instintos. Marx não levou em conta a evolução da humanidade para um o nível superior ao dos homens muito primitivos. Ele considerou o trabalho não especializado como tipo normal de trabalho e o trabalho especializado como a exceção. Num dos seus livros, ele escreveu que o progresso tecnológico na melhoria das máquinas provoca o desaparecimento dos especialistas porque a máquina pode ser operada por qualquer pessoa; não há necessidade de nenhuma habilidade especial para operar uma máquina. Portanto, o tipo normal de homem no futuro será o não especialista.

No que diz respeito a muitas de suas idéias, Marx pertenceu a eras muito antigas, especialmente na construção de sua filosofia da história. Marx substituiu a evolução Hegeliana do Geist pela evolução dos fatores materiais de produção. Ele não percebeu que os fatores materiais de produção, i.e., as ferramentas e máquinas, são, de fato, produtos da mente humana. Ele afirmou que estas ferramentas e máquinas, as forças produtivas materiais, inevitavelmente provocariam a vinda do socialismo. Sua teoria foi denominada "materialismo dialético" (dialectical materialism), abreviada pelos socialistas para "diamat" (diamet em inglês).

[Num aparte, o Dr. Mises contou sobre uma visita a uma escola no México, uma "escuela socialista”, uma "escola socialista”. Mises perguntou para o reitor da escola o que "escola socialista” significava. O reitor explicou que a legislação mexicana exigia das escolas o ensino da doutrina Darwinista da evolução e do materialismo dialético. Em seguida, ele fez um comentário sobre a provisão na lei que fazia esta exigência e sobre próprio sistema escolar: “Há uma grande diferença entre a letra da lei e a prática. Noventa por cento dos professores em nossas escolas são mulheres e a maioria delas são Católicas praticantes.”]

Marx argumentou da tese à negação da tese para a negação da negação. A propriedade privada dos meios de produção por cada trabalhador individual foi o início, a tese. Este era o estado de coisas numa sociedade em que cada trabalhador ou era um agricultor independente ou um artesão que possuía as ferramentas com as quais ele estava trabalhando. Negação da tese – propriedade sob o capitalismo – quando as ferramentas já não são propriedades dos trabalhadores, mas dos capitalistas. A negação da negação foi a propriedade dos meios de produção pela sociedade inteira. Raciocinando desta forma, Marx afirmou que tinha descoberto a lei da evolução histórica. E é por isso que ele chamou isto de "socialismo científico”.

Marx rotulou todos os socialistas do passado de "socialistas utópicos” porque eles tentaram mostrar por que socialismo era melhor. Eles queriam persuadir seus concidadãos porque tinham a esperança de que as pessoas adotariam o sistema social socialista se estivessem convencidos de que era melhor. Eles eram "utópicos”, Marx afirmou, porque eles tentaram descrever o futuro paraíso terrestre. Entre os precursores de Marx, a quem ele considerou "utópicos”, estavam Saint-Simon, um aristocrata Francês; Robert Owen [1757-1858], um fabricante britânico; e Charles Fourier [1772-1837], um Francês que era, sem dúvida, um lunático. (Fourier era chamado de "tolo do Palais-Royal [4]". Ele costumava fazer declarações como “Na era do socialismo, o oceano já não será salgado, mas limonada”). Marx considerou estes três como grandes precursores. Mas, ele afirmou, eles não perceberam que o que estavam dizendo era somente “utópico". Eles esperavam a vinda do socialismo por uma mudança nas opiniões das pessoas. Mas para Marx, a vinda do socialismo era inevitável; viria com a inevitabilidade da natureza.

Por um lado, Karl Marx escreveu da inevitabilidade do socialismo. Mas por outro lado, ele organizou um movimento socialista, um partido socialista, declarou várias vezes que o seu socialismo era revolucionário, e que a subversão violenta do governo era necessária para o aparecimento do socialismo.

Marx adotou suas metáforas do campo da ginecologia. O partido socialista é como a obstetrícia, disse Marx; ele torna a vinda do socialismo possível. Quando questionados: “se vocês consideram todo processo inevitável, por que vocês não favorecem a evolução em vez da revolução”, os marxistas respondem, “Não existem evoluções na vida. O nascimento não é em si uma revolução?".

Segundo Marx, a meta do partido socialista não era influenciar, mas só ajudar o inevitável. Mas a obstetrícia influencia e muda condições. A obstetrícia realmente tem trazido progresso neste ramo da medicina, e até mesmo salvou vidas. E por salvar vidas, poderia ser dito que a obstetrícia mudou de fato o curso da história.

O termo "científico" adquiriu prestígio no decurso do século XIX. O livro Anti-Dühring (1878) de Engels se tornou um dos livros mais bem-sucedidos entre as obras filosóficas marxistas. Um capítulo deste livro foi reimpresso como um panfleto com o título "O Desenvolvimento do Socialismo da Utopia à Ciência", e teve sucesso enorme. Karl Radek [1885-1939], um comunista soviético, mais tarde escreveu um panfleto chamado "O Desenvolvimento do Socialismo, da Ciência à Ação".

A teoria da ideologia de Marx foi preparada para desacreditar as obras da burguesia. [Tomás] Masaryk [1850-1937], da Tchecoslováquia, nasceu de pessoas pobres, agricultores e trabalhadores, e ele escreveu sobre Marxismo. No entanto, os marxistas o chamam de burguês. Como ele poderia ser considerado "burguês" se Marx e Engels denominavam a si próprios de "proletários"?

Se os proletários devem pensar de acordo com os "interesses" da sua classe, o que significa então a existência de discordâncias e dissensões entre eles? A confusão torna a situação muito difícil de explicar. Quando há dissensão entre proletários, eles chamam o opositor de "traidor social”. Depois de Marx e Engels, o mais eminente homem dos comunistas foi um Alemão, Karl Kautsky [1854-1938]. Em 1917, quando Lênin tentou revolucionar o mundo inteiro, Karl Kautsky opôs-se à idéia. E por causa desta discordância, o ex-todo-poderoso homem do partido se tornou, de repente, um "traidor social". Ele foi chamado disto e de muitos outros nomes.

Esta idéia é como a dos racistas [5]. Os racistas Alemães declararam que um grupo definido de idéias políticas eram Alemãs e que todos os verdadeiros Alemães devem necessariamente pensar de acordo com este grupo particular de idéias. Esta era a idéia Nazista. Segundo os Nazistas, a melhor situação era estar num estado de guerra. Mas alguns Alemães – Kant, Goethe, e Beethoven, por exemplo – tiveram diferentes idéias “não-Alemãs". Se nem todos Alemães pensam de uma determinada maneira, quem é que vai decidir quais idéias são Alemãs e quais não são? A resposta só pode ser que uma "voz interior” é o melhor padrão, o critério definitivo. Esta postura necessariamente conduz a conflitos que devem resultar em guerra civil, ou até mesmo guerra internacional.

Havia dois grupos Russos, ambos consideravam-se proletários – os Bolcheviques e os Mencheviques. O único método para “resolver" as discordâncias entre eles era usar a força e a liquidação. Os Bolcheviques venceram. Em seguida, nas fileiras dos comunistas Bolcheviques surgiram outras diferenças de opinião – entre Trotsky [6] e Stalin – e a única maneira de resolver seus conflitos foi um expurgo. Trotsky foi forçado ao exílio, mudou-se para o México, e foi assassinado lá em 1940. Stalin não originou nada; ele voltou para o Marx revolucionário de 1859 – não para o Marx intervencionista de 1848.

Infelizmente, expurgos não acontecem somente porque os homens são imperfeitos. Expurgos são as conseqüências necessárias das bases filosóficas do socialismo marxista. Se você não puder discutir opiniões com diferenças filosóficas da mesma maneira que você discute outros problemas, você tem que achar uma outra solução – através da violência e do poder. Isto não se refere somente às divergências relativas a políticas, problemas econômicos, sociologia, lei, e assim por diante. Refere-se também aos problemas das ciências naturais. Os Webbs, senhor e senhora Passfield, ficaram chocados ao saber que as revistas e jornais Russos tratavam até mesmo dos problemas das ciências naturais partindo do ponto de vista da filosofia Marxista-leninista-estalinista. Por exemplo, se houver uma diferença de opinião em relação à ciência ou genética, isto deve ser decidido pelo "líder". Esta é a conseqüência inevitavelmente necessária do fato que, de acordo com doutrina Marxista, você não considera a possibilidade de dissensão entre pessoas honestas; ou você pensa como eu, ou você é um traidor e deve ser liquidado.

Manifesto Comunista apareceu em 1848. Naquele documento, Marx pregou a revolução; ele acreditou que a revolução estava próxima. Ele acreditava que o socialismo seria então provocado por uma série de medidas intervencionistas e listou dez medidas intervencionistas – entre elas o imposto de renda progressivo, a abolição dos direitos de herança, reforma agrícola, etc. Estas medidas eram insustentáveis, ele disse, mas necessárias para a vinda do socialismo.

Assim, Karl Marx e Engels acreditaram em 1848, que o socialismo poderia ser atingido pelo intervencionismo. Em 1859, onze anos após oManifesto Comunista, Marx e Engels abandonaram a defesa das intervenções; eles já não esperavam que o socialismo surgisse através de mudanças legislativas. Eles queriam provocar o socialismo por uma rápida mudança radical. Deste ponto de vista, os seguidores de Marx e Engels consideraram as medidas posteriores – o New Deal, o Fair Deal, etc... – como políticas “pequeno-burguesas”. Na década de 1840, Engels havia dito que as leis trabalhistas britânicas eram sinais do progresso e um sinal do colapso do capitalismo. Mais tarde, eles chamaram tais medidas ou políticas intervencionistas (Sozialpolitik) de muito ruins.

Em 1888 – 40 anos depois da publicação do Manifesto Comunista – uma tradução foi feita por um escritor inglês. Engels acrescentou alguns comentários a esta tradução. Referindo-se às dez medidas intervencionistas preconizadas no Manifesto, ele afirmou que estas medidas não eram apenas insustentáveis, como reivindicou o Manifesto, mas precisamente por serem insustentáveis é que eles necessariamente pressionariam cada vez mais em direção a ainda mais medidas deste tipo, até que finalmente estas medidas mais avançadas conduzissem ao socialismo. [7]

Notas:

[1] - [“The Unresolved Contradiction in the Economic Marxian System” in Shorter Classics of Eugen von Böhm-Bawerk, (South Holland, Ill.: Libertarian Press, 1962 [1896; Eng.Trans. 1898]), pp. 201–302. — Ed.]

[2] - [Marx também criticou Lassalle por usar o termo "Arbeiterstand" (estado de trabalho); Marx disse que Lassalle estava confuso, mas nunca explicou porque Lassalle estava confuso. - Ed.]

[3] - [Beatrice Webb (1858–1943), mulher de Sidney Webb (1859–1947), mais tarde senhor e senhora Passfield, British Fabians. — Ed.]

[4] - N. do T. - Fourier esperou pontualmente, durante dez longos anos, ao meio-dia, nos jardins do Palais-Royal, o benemérito que lhe financiaria a construção de Harmonia (Fourier descreveu detalhadamente, em Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire (1829), as ações que o benemérito deveria realizar: Fourier, 1973, pp.554-561).

[5] - Conferir o artigo  “Polilogismo: Karl Marx e os Nazistas” em http://www.endireitar.org/content/view/84/75/ para mais detalhes; é uma tradução de um trecho do livro Omnipotent Government de Ludwig von Mises.

[6] - [Leon Trotsky (1879–1940)]

[7] - N. do T. – Em março 1850, dois anos após o Manifesto, Marx e Engels publicaram a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, um documento que era, segundo o próprio Marx, "no fundo, nada mais que um plano de guerra contra a democracia".

Este documento “continha as proposições fundamentais do programa e táticas Marxistas".

O historiador inglês Robert Payne (Marx, Londres, 1968, p.239) afirma que "embora pouco conhecido e raramente estudada”, a Mensagem de março é "um dos documentos mais importantes e seminais do século XIX", ela "agiu como uma bomba com um fusível atrasado, explodindo só no século XX".

Na Mensagem já encontramos a orientação expressa para “levar ao extremo as propostas dos democratas” e superar as propostas em cada demanda para a reforma social, propondo uma demanda mais extrema - “ditar tais circunstâncias” aos democratas que seu papel “leve desde o princípio o germe de sua queda”. (cf. Karl Marx and Critical Examination of his Works - part 2; Leslie R. Page; Sentinel Publishing; 2000 e http://www.marxists.org/portugues/marx/1850/03/ccaliga.htm).

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Marxismo selvagem

MOVIMENTO ENDIREITAR
Qui, 30 de Outubro de 2008 23:51 Eguinaldo Hélio de Souza

O que me moveu a escrever sobre o tema é a saturação da presença de Marx no meio acadêmico. Até pichado nas paredes dos banheiros podem ser encontradas frases dele. De Fidel a Lula, sua barba símbolo está presente. Seus escritos, como todo clássico que se preze, são mais comentados do que lidos. São quase livros sagrados. Apenas citações esparsas são encontradas aqui e ali.

Marx não foi um marxista com toda a certeza. Não no sentido em que geralmente se usa essa expressão, para mostrar que os pensamentos do autor foram distorcidos pelos seus discípulos. Ele não foi um marxista porque jamais viveu da maneira como disse que o mundo deveria viver.

Embora condenasse o capitalismo, foi sustentado por um capitalista, Friederich Engels, a quem escrevia “Prefiro cortar um dedo da mão a lhe pedir dinheiro novamente”. E lá vinha a polpuda quantia... As heranças de parentes ricos foram avidamente devoradas e mal administradas por ele. (Sua mãe chegou a escrever uma carta dizendo que preferia que seu filho arrumasse alguma capital, ao invés de somente escrever sobre ele).

Embora descrevesse o proletariado como a classe redentora da humanidade, pintando-a com um colorido messiânico tirado das páginas do profeta Isaías, estava longe do que pode ser chamado de proletário. Isso explica a presença de milionários, artistas e outras personalidades nada proletárias em partidos comunistas-marxistas-comunistas. Como disse Alain Besançon em sua magistral obra A Infelicidade do Século, a revolução comunista jamais é realizada pelo proletariado e sim pela seita ideológica que fala em nome dele.

Ainda diferente dos socialistas utópicos condenados por Engels em sua obra Do socialismo utópico ao socialismo científico, Marx jamais chegou perto de algum experimento real de suas teorias. Roberto Owen, Saint-Simon e Charles Fourier podem ter fracassado em seus experimentos sociais, mas ao menos tentaram sair da letra para a ação. Ele jamais superou o estágio de teórico de gabinete. Tinha uma fé gigantesca em suas teorias, embora não nenhum fato concreto ratificasse essa fé. Sua confiança nas “inexoráveis leis históricas” soa ingênua hoje.

O máximo que a história conseguiu até hoje foi provar que Marx estava errado. O capitalismo continua vivo e todas as tentativas práticas de aplicar Marx terminaram num banho de crueldade e sangue. O socialismo sobrevive hoje apenas em países-prisões como Coréia do Norte e em Cuba.

Se os Titãs acham que o capitalismo é selvagem, precisavam ler sobre os expurgos políticos da União Soviética feitos por Lênin e Stalin, a Revolução Cultural de Mao-Tse-Tung na China ou assistir Gritos no Silêncio, onde aparecem inúmeros esqueletos humanos boiando no rio, vítimas da revolução comunista do Camboja. Se Marx não foi marxista em seu tempo, creio muito menos o seria hoje.

Não consigo entender essa paixão por Che Guevara, Cuba e o socialismo. Os piores cegos continuam sendo aqueles que não querem enxergar. Claro que o capitalismo merece muitas críticas (aliás, o que não merece crítica nesse nosso mundo caído). Entretanto, com certeza as melhores alternativas não estão nas divagações do velho Karl.

Talvez possamos parodiar Winston Churchill e dizer que o capitalismo ainda é o pior dos sistemas econômicos. Com exceção de todos os outros.

Fonte: www.juliosevero.com

Última atualização ( Qui, 30 de Outubro de 2008 23:57 )

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".