Do portal DIÁRIO DO COMÉRCIO
Escrito por Alejandro Peña Esclusa em 08 de março de 2008
Em comunicado divulgado no dia 2 de março, o secretário do Estado Maior das Farc nomeou Joaquín Gómez como sucessor de Raúl Reyes. Mas Gómez não tem nem liderança, nem experiência política, nem relacionamentos internacionais requeridos para cumprir adequadamente o cargo. O único homem capaz de substituir eficientemente a Raúl Reyes – o número dois do grupo narcoguerrilheiro – e reconstruir a capacidade de operação das Farc é Hugo Chávez.
Desde que Reyes foi morto, Chávez, e não Gómez, se converteu na principal voz de defesa dos interesses das Farc, porém com um agravante: está usando o poder do Estado venezuelano a serviço da organização criminosa. Considerando que Chávez goza de imunidade e controla as instituições do Estado, ele pode se dar ao luxo de atuar criminosamente sem sofrer nenhum tipo de sanção. Esta condição lhe permite ser cem vezes mais eficaz do que Joaquín Gómez.
Surge daí uma pergunta: Como é possível que um aliado das Farc tenha chegado à presidência da Venezuela? A resposta é esta: os membros do Foro de São Paulo – organização à qual pertencem Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Daniel Ortega e as Farc – detectaram há alguns anos uma vulnerabilidade de um sistema democrático e aproveitaram para conquistá-lo, depois de terem fracassado por meio das armas.
A democracia permite a participação de todo tipo de candidato, sem importar suas tendências políticas, o que incluí seu passado delituoso (Chávez liderou um golpe de Estado). Basta que o sistema de valores se deteriore e os partidos tradicionais fracassem, como de resto ocorreu, para que qualquer criminoso, investido de uma candidatura, lance campanha cheia de falsas promessas e chegue ao poder.
Uma vez na presidência, os membros do Foro de São Paulo destróem o sistema democrático por dentro, utilizando para isso as instituições do Estado (no caso venezuelano, se usou a figura de uma Assembléia Constituinte). Desta forma, seqüestram os Poderes Públicos, destróem os mecanismos de controle, reprimem os meios de comunicação e perseguem dissidentes.
Em outras palavras: a democracia é forte se for atacada de fora, seja através de um movimento subversivo (Farcs), golpe de Estado (Chávez), invasão estrangeira (Che Guevara), mas é débil e vulnerável quando é atacada por dentro. O ataque, neste caso, se assemelha a um vírus de imunodeficiência, que destrói a capacidade de defesa da democracia.
É urgente encontrarmos uma solução para este grave problema, sem dúvida a pior ameaça que enfrenta a democracia da região.
Alejandro Peña Esclusa é presidente da organização Fuerza Solidaria
Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Base das Farc no Equador foi montada há vários meses, diz OEA. Portanto, Correa MENTE mais uma vez...
Do portal FOLHA ONLINE
Da France Presse, em Bogotá - 12/03/2008 - 07h26
A base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) bombardeada pela aviação colombiana no território do Equador, onde morreu o número dois da guerrilha, Raúl Reyes, havia sido construída há vários meses, revelou o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza.
"Este não era um acampamento recém-instalado, provavelmente tinha vários meses e foi construído há certo tempo", afirmou Insulza à imprensa após sua visita à zona do ataque, no departamento de Putumayo, na fronteira entre Equador e Colômbia.
O secretário-geral, que lidera a delegação da OEA que analisa o incidente, visitou na segunda-feira (10) o que restou do acampamento da guerrilha, onde morreram 22 rebeldes, além de Reyes, no dia 1º de março passado.
Funcionários do governo equatoriano afirmavam que o acampamento era um local de passagem, e não uma base fixa, como dizem as autoridades colombianas.
A delegação da OEA percorreu a margem colombiana do rio San Miguel, que marca o limite entre os dois países, e visitou uma zona de erradicação do cultivo de coca, além de conversar com ex-guerrilheiros, agora sob a proteção do governo.
"Estivemos em Puerto Asís, conversamos com algumas pessoas, com alguns (guerrilheiros) desmobilizados que nos deram antecedentes muito interessantes de como se vive nesta atividade, e também com líderes locais, que nos falaram da situação em Putumayo", revelou Insulza.
Já o embaixador de Bogotá na OEA, Camilo Ospina, disse que a missão "esclareceu alguns pontos da operação, os quais já discutimos com o Equador, como o local de onde (os aviões) lançaram as bombas. Jamais vamos aceitar que foi do território equatoriano porque não foi assim, foi do território colombiano".
O secretário-geral da OEA concluirá sua visita à Colômbia nesta quarta-feira, após ser recebido pelo presidente Álvaro Uribe.
Da France Presse, em Bogotá - 12/03/2008 - 07h26
A base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) bombardeada pela aviação colombiana no território do Equador, onde morreu o número dois da guerrilha, Raúl Reyes, havia sido construída há vários meses, revelou o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza.
"Este não era um acampamento recém-instalado, provavelmente tinha vários meses e foi construído há certo tempo", afirmou Insulza à imprensa após sua visita à zona do ataque, no departamento de Putumayo, na fronteira entre Equador e Colômbia.
O secretário-geral, que lidera a delegação da OEA que analisa o incidente, visitou na segunda-feira (10) o que restou do acampamento da guerrilha, onde morreram 22 rebeldes, além de Reyes, no dia 1º de março passado.
Funcionários do governo equatoriano afirmavam que o acampamento era um local de passagem, e não uma base fixa, como dizem as autoridades colombianas.
A delegação da OEA percorreu a margem colombiana do rio San Miguel, que marca o limite entre os dois países, e visitou uma zona de erradicação do cultivo de coca, além de conversar com ex-guerrilheiros, agora sob a proteção do governo.
"Estivemos em Puerto Asís, conversamos com algumas pessoas, com alguns (guerrilheiros) desmobilizados que nos deram antecedentes muito interessantes de como se vive nesta atividade, e também com líderes locais, que nos falaram da situação em Putumayo", revelou Insulza.
Já o embaixador de Bogotá na OEA, Camilo Ospina, disse que a missão "esclareceu alguns pontos da operação, os quais já discutimos com o Equador, como o local de onde (os aviões) lançaram as bombas. Jamais vamos aceitar que foi do território equatoriano porque não foi assim, foi do território colombiano".
O secretário-geral da OEA concluirá sua visita à Colômbia nesta quarta-feira, após ser recebido pelo presidente Álvaro Uribe.
Álvaro Uribe humilha Rafael Correa na República Dominicana, colocando o verme ao sol
Do blog CONDE LOPPEUX DE LA VILLANUEVA
Sexta-feira, Março 07, 2008
Uma cena história: Uribe mostra documentos, cartas e declarações comprometedoras das Farcs envolvendo o governo de Rafael Correa do Equador. O presidente do Equador, sem palavras, fugiu do recinto da reunião da Cumbre Del Rio, na República Dominicana. E o presidente da Colômbia impôs um silêncio sepulcral na audiência, humilhando seus rivais. Nem Hugo Chavez moveu um pio a respeito.
Para matar o verme da mentira, basta colocá-lo sob o sol dos fatos e da verdade. Mas tem que ser MACHO se for homem ou FÊMEA se for mulher e quero dizer com isto que, antes de querer para si mesmo, estas pessoas são as que querem (o bem e a verdade) para os outros. Algo que falta neste país chamado Brasil. Dá-lhe URIBE, o único MACHO da América Latina (não usarei mais América LatRina em respeito a este homem colombiano).
Sexta-feira, Março 07, 2008
Uma cena história: Uribe mostra documentos, cartas e declarações comprometedoras das Farcs envolvendo o governo de Rafael Correa do Equador. O presidente do Equador, sem palavras, fugiu do recinto da reunião da Cumbre Del Rio, na República Dominicana. E o presidente da Colômbia impôs um silêncio sepulcral na audiência, humilhando seus rivais. Nem Hugo Chavez moveu um pio a respeito.
Para matar o verme da mentira, basta colocá-lo sob o sol dos fatos e da verdade. Mas tem que ser MACHO se for homem ou FÊMEA se for mulher e quero dizer com isto que, antes de querer para si mesmo, estas pessoas são as que querem (o bem e a verdade) para os outros. Algo que falta neste país chamado Brasil. Dá-lhe URIBE, o único MACHO da América Latina (não usarei mais América LatRina em respeito a este homem colombiano).
O Presidente da Colômbia destruindo o governo do Equador!
Do blog CONDE LOPPEUX DE LA VILLANUEVA (O Cavaleiro Conde)
Sexta-feira, Março 07, 2008
Dois vídeos imperdíveis. Só faltou dizer: - Por qué no te callas, Correa?
No primeiro o GRANDE Presidente da Colômbia Uribe fala da "soberania" equatoriana. Defende o direito de seu país de retribuir os ataques do governo equatoriano, quando terroristas das Farcs atacam o povo colombiano. Quem viu o vídeo integral do "Cala a boca, Chávez" vai notar que neste novo vídeo o capacho ORTEGA tenta esculhambar a reunião outra vez, como foi da outra, só que desta vez sozinho pois o sociopata venezuelano não deu um pio sequer.
Neste segundo vídeo, Uribe, mais uma vez humilha o presidente do Equador, Rafael Correa, respondendo: “Não use comigo o cinismo que têm os nostálgicos do comunismo; não use comigo o cinismo com que enganam seus povos”.
Sexta-feira, Março 07, 2008
Dois vídeos imperdíveis. Só faltou dizer: - Por qué no te callas, Correa?
No primeiro o GRANDE Presidente da Colômbia Uribe fala da "soberania" equatoriana. Defende o direito de seu país de retribuir os ataques do governo equatoriano, quando terroristas das Farcs atacam o povo colombiano. Quem viu o vídeo integral do "Cala a boca, Chávez" vai notar que neste novo vídeo o capacho ORTEGA tenta esculhambar a reunião outra vez, como foi da outra, só que desta vez sozinho pois o sociopata venezuelano não deu um pio sequer.
Neste segundo vídeo, Uribe, mais uma vez humilha o presidente do Equador, Rafael Correa, respondendo: “Não use comigo o cinismo que têm os nostálgicos do comunismo; não use comigo o cinismo com que enganam seus povos”.
terça-feira, 11 de março de 2008
O perigo sou eu (e não o FORO DE SÃO PAULO)
Do portal do OLAVO DE CARVALHOOlavo de Carvalho, Diário do Comércio em 24 de setembro de 2007
Peço ao leitor a gentileza de examinar brevemente esta seqüência de fatos:
· Abril de 2001: o traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em troca de armas contrabandeadas do Líbano.
· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como “terrorismo de Estado” as ações militares do governo colombiano contra essa organização.
· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas “um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional”.
· 1º. de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.
· 24 de agosto de 2003: O comandante das Farc, Raul Reyes, informa que o principal contato da narcoguerrilha no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Frei Betto e Emir Sader.
· 15 de março de 2005: Estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.
· 2 de julho de 2005: Discursando no 15º. Aniversário do Foro de São Paulo, o sr. Luís Inácio Lula da Silva entra em contradição com a nota de 17 de outubro de 2002, confessando que o Foro é uma entidade secreta, “construída para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política”, que essa entidade interferiu ativamente no plebiscito venezuelano e que ali, em segredo, ele próprio tomou decisões de governo junto com Chávez, Fidel Castro e outros líderes esquerdistas, sem dar ciência disto ao Parlamento ou à opinião pública.
· 9 de abril de 2006: o chefe da Delegacia de Entorpecentes da PF do Rio, Vítor Santos, informa ao jornal O Dia que “dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho — entre eles pelo menos um da Favela do Jacarezinho e outro do Morro da Mangueira — vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal. Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”.
· 12 de maio de 2006: o PCC em São Paulo lança ataques que espalham o terror entre a população. Em 27 de dezembro é a vez do Comando Vermelho fazer o mesmo no Rio de Janeiro.
· 18 de julho de 2006: o Supremo Tribunal Federal, sob a pressão de um vasto movimento político orquestrado pelo PT, concede asilo político ao falso padre Olivério Medina, agente das Farc.
· 16 de maio de 2007: o juiz Odilon de Oliveira, de Ponta-Porã, divulga provas de que as Farc atuam no território nacional treinando bandidos do PCC e do Comando Vermelho em técnicas de guerrilha urbana.
· 12 de fevereiro de 2007: as Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.
· Agosto de 2007: Nos vídeos preparatórios ao seu 3º. Congresso, o PT admite que seu objetivo é eliminar o capitalismo e implantar no Brasil um regime socialista; e fornece ainda um segundo desmentido à nota de Giancarlo Summa, ao confessar que o Foro de São Paulo é “um espaço de articulação estratégica” (sic).
· 19 de setembro de 2007: Lula oferece o território brasileiro como sede para um encontro entre Hugo Chávez e os comandantes das Farc.
Entre esses fatos ocorreram outros inumeráveis cuja data não recordo precisamente no momento, entre os quais o fornecimento maciço de armas às Farc pelo governo Hugo Chávez, uma campanha nacional de mídia para desmoralizar o analista estratégico americano Constantine Menges que divulgava a existência de um eixo Lula-Castro-Chávez-Farc, os tiroteios entre guerrilheiros das Farc e soldados do Exército brasileiro na Amazônia, as denúncias de que as Farc davam treinamento em guerrilha urbana aos militantes do MST e, é claro, várias assembléias gerais e reuniões de grupos de trabalho do Foro de São Paulo.
A existência de uma ligação profunda, constante e solidária entre o PT e as Farc é um fato tão bem comprovado, que quem quer que insista em negá-la só pode ser parte interessada na manutenção do segredo ou então um mentecapto incurável.
Também não me parece possível ocultar a evidência de que essa ligação não é só bilateral, mas envolve, em maior ou menor grau, todas as entidades participantes do Foro de São Paulo, a maior organização política do continente, da qual as Farc e movimentos similares constituem os diversos braços armados, atuando em torno e dentro do território brasileiro sob a proteção do nosso governo federal, chefiado, como se sabe, pelo próprio fundador do Foro de São Paulo.
Não me perguntem como e por que fatos dessa magnitude nunca foram objeto de uma CPI, nem sequer de um breve debate no Congresso, muito menos de algum esforço de reportagem da parte de uma mídia que se gaba de ser tão afeita a investigações perigosas.
As explicações são muitas – espírito de traição, testemunhas que desaparecem, dinheiro que rola, cumplicidade, oportunismo, covardia, estupidez – e nem vale a pena repassá-las. Mas há uma que, pelo pitoresco, deve ser aqui registrada.
O vício dos cursos de auto-ajuda, pagos a peso de ouro e valorizados mais por isso do que por qualquer resultado comprovado, infundiu na classe dominante brasileira uma fé sem limites no poder do pensamento positivo. Muita gente nas altas rodas acredita piamente que, se você repetir com perseverança o mantra “O comunismo acabou”, o movimento comunista terá cessado de existir. Acredita até que, diante de sujeitos que se declaram abertamente comunistas, como os srs. Aldo Rebelo ou Quartim de Moraes, a firme decisão de pensar que eles são outra coisa há de transformá-los nessa outra coisa.
Quanto aos indivíduos que se associam aos comunistas, participam de congressos comunistas, são tidos como comunistas fiéis pelos próprios comunistas e fazem planos para a tomada do poder continental junto com os comunistas, mas não admitem em público que são comunistas, a mera hipótese de que o sejam em segredo é repelida com desprezo ou indignação e alegada como prova de que o autor da sugestão é um perigoso extremista de direita, tão exagerado e fanático que talvez seja ele mesmo, sob camuflagem direitista, um agente provocador a serviço do comunismo internacional.
Chegamos assim à adorável conclusão de que o único comunista – ou pelo menos o único perigoso – sou eu.
Portanto, basta não me dar ouvidos, e pronto: o Brasil está a salvo da ameaça comunista. Não resta dúvida de que, nesse sentido, o Brasil tem hoje o mais vasto, organizado e poderoso front anticomunista já registrado ao longo de toda a História universal.
Promotor gaúcho pede prisão preventiva de Stedile
Do portal do ESTADÃO
ELDER OGLIARI - Agencia Estado em sábado, 8 de março de 2008
PORTO ALEGRE - O promotor de Barra do Ribeiro (RS), Daniel Indrusiak, pediu à Justiça a prisão preventiva do líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stedile, acusado de participar da organização da depredação de um viveiro de mudas e um laboratório da Aracruz Celulose, por cerca de 1.500 mulheres da Via Campesina. A invasão completa dois anos hoje. O juiz Jonatas de Oliveira Pimentel ainda não se manifestou sobre o pedido.
Indrusiak está convencido de que há uma estratégia de Stedile para frustrar o processo, porque a Justiça não consegue notificá-lo para que apresente sua defesa desde abril de 2006, quando aceitou a denúncia. Segundo o promotor, o líder do MST nunca está em seus endereços conhecidos nem compareceu a uma audiência marcada por edital em maio passado.
"Ele tem o direito de se defender, mas deve fazer isso na Justiça", disse. "Como dificulta a citação, há condições para pedir a prisão preventiva", explicou, ressalvando que isso não corresponde a um julgamento de culpa na depredação, apenas a submissão de Stedile ao processo.
No Dia Internacional da Mulher em 2006, mulheres ligadas à Via Campesina saíram de ônibus de diferentes lugares do Rio Grande do Sul até a Aracruz. Lá, renderam motoristas e vigias, entraram na área de expedição e num laboratório e destruíram 3 milhões de mudas de eucaliptos e equipamentos. O prejuízo foi calculado em US$ 700 mil.
Em Porto Alegre, onde participava de conferência sobre reforma agrária, Stedile deu entrevistas saudando as mulheres por chamarem a atenção da sociedade para os problemas causados pela monocultura do eucalipto. Depois disse que não poderia ser condenado por expressar sua opinião num país em que há liberdade de expressão.
Depois da investigação policial, Indrusiak denunciou 37 pessoas como líderes ou organizadores da depredação. Dois anos depois, a Justiça ainda não conseguiu ouvir Stedile e outros oito acusados. O processo pode se arrastar e alguns crimes podem prescrever. Só depois da apresentação da defesa prévia de todos os réus é que começam os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa, que são muitas e, em geral, de difícil localização. "Não tenho como dar prazo para o julgamento, mas imagino, por alto, que demorará ao menos uns dois anos", admitiu o juiz Pimentel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
ELDER OGLIARI - Agencia Estado em sábado, 8 de março de 2008
PORTO ALEGRE - O promotor de Barra do Ribeiro (RS), Daniel Indrusiak, pediu à Justiça a prisão preventiva do líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stedile, acusado de participar da organização da depredação de um viveiro de mudas e um laboratório da Aracruz Celulose, por cerca de 1.500 mulheres da Via Campesina. A invasão completa dois anos hoje. O juiz Jonatas de Oliveira Pimentel ainda não se manifestou sobre o pedido.
Indrusiak está convencido de que há uma estratégia de Stedile para frustrar o processo, porque a Justiça não consegue notificá-lo para que apresente sua defesa desde abril de 2006, quando aceitou a denúncia. Segundo o promotor, o líder do MST nunca está em seus endereços conhecidos nem compareceu a uma audiência marcada por edital em maio passado.
"Ele tem o direito de se defender, mas deve fazer isso na Justiça", disse. "Como dificulta a citação, há condições para pedir a prisão preventiva", explicou, ressalvando que isso não corresponde a um julgamento de culpa na depredação, apenas a submissão de Stedile ao processo.
No Dia Internacional da Mulher em 2006, mulheres ligadas à Via Campesina saíram de ônibus de diferentes lugares do Rio Grande do Sul até a Aracruz. Lá, renderam motoristas e vigias, entraram na área de expedição e num laboratório e destruíram 3 milhões de mudas de eucaliptos e equipamentos. O prejuízo foi calculado em US$ 700 mil.
Em Porto Alegre, onde participava de conferência sobre reforma agrária, Stedile deu entrevistas saudando as mulheres por chamarem a atenção da sociedade para os problemas causados pela monocultura do eucalipto. Depois disse que não poderia ser condenado por expressar sua opinião num país em que há liberdade de expressão.
Depois da investigação policial, Indrusiak denunciou 37 pessoas como líderes ou organizadores da depredação. Dois anos depois, a Justiça ainda não conseguiu ouvir Stedile e outros oito acusados. O processo pode se arrastar e alguns crimes podem prescrever. Só depois da apresentação da defesa prévia de todos os réus é que começam os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa, que são muitas e, em geral, de difícil localização. "Não tenho como dar prazo para o julgamento, mas imagino, por alto, que demorará ao menos uns dois anos", admitiu o juiz Pimentel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Emir Sader e "A Infelicidade do Século": incompetência ou desonestidade?
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Cândido Prunes em 01 de julho de 2004
Resumo: A incorreta tradução do livro "A infelicidade do século" serve como uma preciosa amostra do que a esquerda é capaz de fazer para enganar a opinião pública brasileira.
© 2004 MidiaSemMascara.org
Em 1998 a editora Fayard publicou o livro de autoria de Alain Besançon, membro do Instituto de França, intitulada “Le malheur du siècle – sur le communisme le nazisme et l’unicité de la shoah”. Esta obra mereceu uma edição em língua portuguesa pela editora Bertrand Brasil, no ano 2000, sob o título “A infelicidade do século – sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade da shoah”.
Alain Besançon é um conhecido intelectual católico francês que dedicou várias décadas de estudos à problemática do comunismo, em especial do soviético. Publicou, entre outros livros, “Educação e sociedade na Rússia” (1974), “Ser russo no século XIX” (1974), “Presente soviético e passado russo” (1980), “As origens intelectuais do Leninismo” (1986). Trata-se, portanto, de um profundo conhecedor dos acontecimentos da cortina de ferro.
No livro “A infelicidade do século” o autor procura, como assinalou na introdução, abordar “duas questões vinculadas entre si ... A primeira tem a ver com a consciência histórica, que me parece, hoje, sofrer gravemente de falta de unidade. O desacordo tem a ver com o que este século tem de mais característico em relação aos outros: a extraordinária amplitude do massacre de homens feito por homens, que só foi possível pela tomada do poder pelo comunismo do tipo leninista e pelo nazismo do tipo hitlerista. Esses “gêmeos heterozigotos” (Pierre Chaunu), ainda que inimigos e originários de histórias diferentes, têm vários traços em comum. Eles se colocam como objetivo chegar a uma sociedade perfeita, destruindo os elementos negativos que se opõem a ela. Eles pretendem ser filantrópicos, pois querem, um deles, o bem de toda a humanidade, o outro, o do povo alemão, e esse ideal suscitou adesões entusiásticas e atos heróicos. Mas o que os aproxima mais é que ambos se dão o direito – e mesmo o dever – de matar, e o fazem com métodos que se assemelham, numa escala desconhecida na história”. Trata-se de uma obra, pois, que coloca praticamente no mesmo plano moral os regimes ditatoriais da Rússia soviética e da Alemanha nazista. O autor, aliás, não entra na discussão sobre qual dos dois regimes foi o mais perverso: ambos foram igualmente criminosos.
Alain Besançon buscou dissecar uma questão importantíssima: porque o nazismo sofreu uma superexposição crítica, sendo apresentado como a quintessência da maldade humana, enquanto o regime soviético ficou relativamente a salvo de condenações gerais e contundentes, embora tenha sido tão maléfico quanto o de seu “irmão gêmeo”? Ao passo que na Alemanha do pós-guerra os nazistas foram implacavelmente perseguidos e levados a julgamento, na Rússia e em muitos países da “cortina de ferro” os comunistas não tiveram o mesmo destino depois da queda do muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética. Inclusive continuaram na cena política e até retornaram ao poder em alguns casos. Um levantamento feito pelo próprio autor, via “internet” bem demonstra essa disparidade de tratamento, que persiste até hoje: “selecionemos os temas chamados por palavras-chave, que foram tratados de 1990 a 14 de junho de 1997, data da minha consulta: para “nazismo”, 480 ocorrências; para “stalinismo”, 7; para “Auchwitz”, 105; para “Kolyma” [maior campo de concentração soviético], 2; ... para fome na Ucrânia (5 a 6 milhões de mortos em 1933), 0. Esta sondagem tem apenas um valor indicativo.”
No final do livro “A infelicidade do século” o autor incluiu um anexo contendo o discurso pronunciado no Instituto de França, em outubro de 1997, sob o título “Memória e esquecimento do bolchevismo”. Trata-se de um excelente resumo sobre os fatores que levaram a essa disparidade de tratamento concedido aos dois regimes políticos mais atrozes do século XX. Besançon alinha 7 fatores para explicar o fenômeno: 1) o nazismo tornou-se mais conhecido especialmente porque houve maior exposição dos cadáveres por ele produzidos. Também o extermínio completo de uma determinada porção da humanidade (os judeus), foi um fato sem precedentes. Por outro lado, os campos de concentração da extinta União Soviética “permanecem envoltos em brumas e continuam sendo um objeto distante, conhecido indiretamente”; 2) os judeus “assumiram a memória da shoah”, ou seja, preocupam-se em lembrar e registrar a tragédia do genocídio sofrido. Por exemplo, pode-se hoje visitar campos de concentração nazistas na Polônia. O mesmo já não acontece na Rússia; 3) o comunismo e o nazismo foram equivocadamente classificados como de “esquerda” e “direita”, respectivamente. Com o triunfo da intelectualidade socialista no pós-guerra no Ocidente, procurou-se falsamente ligar os horrores nazistas à direita, ainda que o comunismo e o nazismo tenham origens comuns; 4) o fato de a União Soviética ter sido um aliado do Ocidente na II Guerra Mundial, também afastou muitas críticas ao seu regime (não devemos nos esquecer que os soviéticos foram juizes em Nurembergue); 5) os soviéticos foram muito bem sucedidos em colocar todos os seus opositores sob um mesmo rótulo (capitalistas ou imperialistas). Assim fica estabelecida a dicotomia: de um lado, os regimes socialistas, e de outro lado um grupo tão heterogêneo quanto os regimes liberais, social-democratas, fascistas e nazista. Besançon ressalta que na França essa classificação tornou-se incrustada “na consciência histórica”, e o mesmo poder-se-ia dizer sobre o Brasil; 6) a dificuldade em preservar a memória sobre as atrocidades do socialismo, devido a sua longa duração (50 a 70 anos) e seu efeito “auto-anistiante”. Mesmo após o fim do domínio soviético, um dos maiores desafios foi a reconstrução moral e da consciência dos povos que viviam sob a cortina de ferro. Daí porque não houve uma “caçada” aos antigos dirigentes dos partidos comunistas, como houve após os 12 anos de regime nazista. Depois de 50 ou 70 anos era muito difícil que alguém não estivesse direta ou indiretamente envolvido com o antigo regime; e 7) é uma das características do Ocidente colocar o mal dentro de seu seio. A Alemanha nazista encaixa-se perfeitamente dentro desse modelo. A União Soviética e a China estão muito na periferia para encarnarem o mal absoluto a ser demonizado.
O livro de Besançon aborda eficientemente a destruição causada pelos dois regimes totalitários do século XX: desde a pura e simples destruição física, tão conhecida, passando pela destruição moral e desaguando na destruição política. O último capítulo do livro é dedicado à memória e como um e outro foram esquecidos, em especial o comunismo: “Esse perdão demasiado fácil pode partir... de uma repugnância em examinar a sua própria cumplicidade ativa ou passiva com aqueles aos quais se perdoa tanto mais facilmente quanto se atribui ao mesmo tempo uma absolvição sem confissão. Não se vê qualquer preparação de cerimônia pública de arrependimento a esse respeito. A extraordinária anistia de que se beneficiou o crime comunista me parece provir sobretudo deste último tipo de esquecimento. Ainda que tenha havido sob o comunismo mais mártires da fé do que em qualquer outra época da história da Igreja, não se constatam pressa nem zelo para elaborar o martirológio.”
Mas a edição padece de graves problemas. Começando pelas “orelhas” do livro, escrita pelo Sr. Emir Sader. Diz ele que a preocupação original de “A infelicidade do Século”, “é a de que o comunismo, protagonizando os enfrentamentos centrais da segunda metade do século, teve muitas obras imputando-lhe uma série de crimes – da mesma forma que o próprio capitalismo, poderíamos acrescentar -, enquanto que os crimes do nazismo, de alguma forma, foram exorcizados ou ficaram relativamente neutralizados na memória histórica”. Ora, essa afirmação demonstra um total desconhecimento sobre o conteúdo da obra de Besançon. Desconhecimento esse que seria aceitável no Sr. Sader se não tivesse sido ele o tradutor da obra.
Besançon demonstra à exaustão exatamente o contrário, ou seja, de que o nazismo e os seus crimes foram reiteradamente condenados (até porque passou a ser rotulado como de “direita”), enquanto um manto de silêncio cobriu o comunismo. Até uma pesquisa pela internet, como se mencionou, serviu como demonstração à tese apresentada por Besançon.
Entretanto a afirmativa feita pelo tradutor na “orelha” encontra ao menos duas explicações. A primeira – e mais óbvia – é de que o tradutor faz parte do grupo que exatamente procura anestesiar a memória histórica sobre os crimes do comunismo (procurando, entre outras coisas, infantilmente imputar crimes também ao “capitalismo”). Trata-se exatamente do antigo método totalitário de destruição moral, magistralmente descrito por Besançon. Citando Raymond Aron a esse respeito, essas palavras aplicam-se precisamente ao meio empregado pelo Sr. Sader: “Se eu tivesse que resumir o sentido de cada uma dessas empresas, acho que estas são as fórmulas que eu sugeriria: a propósito da empresa soviética, eu recordaria a fórmula banal ‘quem quer se passar por anjo, passa por animal’; a propósito da empresa hitlerista, eu diria: ‘o homem erraria ao se colocar como objetivo assemelhar-se a um animal de rapina, porque ele o conseguiria perfeitamente’”.
Mas o maior problema da edição brasileira não está na “orelha” do livro que distorce o verdadeiro conteúdo da obra. A própria tradução inverte em algumas passagens o real sentido das frases de Besançon. Assim, por exemplo, o Sr. Sader traduziu, nas páginas 10 e 32, “hipermnésia” (super-lembrança ou memória excessiva) por “hiperamnésia” (super-esquecimento), ao se referir à memória sobre o nazismo. Assim, ficou traduzida a frase da página 10: “Tive oportunidade de abordar recentemente esse contraste entre a amnésia do comunismo e a hiperamnésia do nazismo”. Ou seja, o tradutor diz que ocorreu uma amnésia exacerbada em relação ao nazismo, quando o autor diz exatamente o contrário no original. Isto é, há em relação ao nazismo uma super-lembrança, ou uma hipermnésia (sem letra a depois de hiper). Hipermnésia é uma palavra de pouco uso na língua portuguesa, mas perfeitamente dicionarizada, inclusive pelo “Aurélio”. Como essa palavra aparece mais de uma vez no texto de Besançon em francês (“hypermnesie”, nas páginas 10 e 36 da edição francesa) e foi traduzida com sentido contrário, é no erro de tradução que também se estriba a equivocada “orelha” do livro.
Há lamentavelmente outras derrapagens de tradução. Para ficar apenas num outro exemplo, veja-se a página 18, onde há um parágrafo em que Besançon discorre sobre a reação ocidental aos campos de concentração da Rússia comunista. O tradutor omite em uma frase a palavra “soviético”, que consta no original (página 19 da edição francesa), o que pode levar o leitor brasileiro a concluir que a afirmação se refere a campos de concentração nazistas, uma vez que no mesmo parágrafo há uma referência ao nazismo. Assim está redigida a frase erroneamente traduzia: “Para tomar um exemplo, a questão dos campos de concentração levantada por David Rousset pouco antes de 1950, foi considerada escandalosa”. O tradutor esqueceu-se que havia a palavra “soviético” após “campos de concentração”. Tal omissão injustificada pode induzir o leitor a uma confusão, pois compromete o sentido do parágrafo todo.
Os defeitos da edição brasileira, entretanto, para o leitor mais atento, servem apenas para confirmar a tese de Besançon. E mais, os equívocos cometidos na tradução encomendada pela Bertrand Brasil não podem ser atribuídos a um erro inconsciente, ou ignorância. Como muitos outros antes dele, que partiram em defesa de todos os “gêmeos heterozigotos” do socialismo, o Sr. Sader sabia exatamente o que estava fazendo.
Por fim, uma nota de louvor à capa da edição brasileira. Nela, significativamente, aparecem unidas as imagens da suástica, e da foice e o martelo, tendo ao fundo prisioneiros de campo de concentração. Pelo menos o autor da capa apreendeu e sintetizou o exato conteúdo do livro, o que infelizmente não se verificou com o tradutor.
Comentário do Cavaleiro do Templo: Emir Sader é filósofo orgânico do PT (intelectuais orgânicos (organizados, como órgãos de um único organismo, o Partido, o “intelectual coletivo”). Precisa dizer mais?
por Cândido Prunes em 01 de julho de 2004
Resumo: A incorreta tradução do livro "A infelicidade do século" serve como uma preciosa amostra do que a esquerda é capaz de fazer para enganar a opinião pública brasileira.
© 2004 MidiaSemMascara.org
SOBRE O COMUNISMO, O NAZISMO E UMA TRADUÇÃO
Em 1998 a editora Fayard publicou o livro de autoria de Alain Besançon, membro do Instituto de França, intitulada “Le malheur du siècle – sur le communisme le nazisme et l’unicité de la shoah”. Esta obra mereceu uma edição em língua portuguesa pela editora Bertrand Brasil, no ano 2000, sob o título “A infelicidade do século – sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade da shoah”.
Alain Besançon é um conhecido intelectual católico francês que dedicou várias décadas de estudos à problemática do comunismo, em especial do soviético. Publicou, entre outros livros, “Educação e sociedade na Rússia” (1974), “Ser russo no século XIX” (1974), “Presente soviético e passado russo” (1980), “As origens intelectuais do Leninismo” (1986). Trata-se, portanto, de um profundo conhecedor dos acontecimentos da cortina de ferro.
No livro “A infelicidade do século” o autor procura, como assinalou na introdução, abordar “duas questões vinculadas entre si ... A primeira tem a ver com a consciência histórica, que me parece, hoje, sofrer gravemente de falta de unidade. O desacordo tem a ver com o que este século tem de mais característico em relação aos outros: a extraordinária amplitude do massacre de homens feito por homens, que só foi possível pela tomada do poder pelo comunismo do tipo leninista e pelo nazismo do tipo hitlerista. Esses “gêmeos heterozigotos” (Pierre Chaunu), ainda que inimigos e originários de histórias diferentes, têm vários traços em comum. Eles se colocam como objetivo chegar a uma sociedade perfeita, destruindo os elementos negativos que se opõem a ela. Eles pretendem ser filantrópicos, pois querem, um deles, o bem de toda a humanidade, o outro, o do povo alemão, e esse ideal suscitou adesões entusiásticas e atos heróicos. Mas o que os aproxima mais é que ambos se dão o direito – e mesmo o dever – de matar, e o fazem com métodos que se assemelham, numa escala desconhecida na história”. Trata-se de uma obra, pois, que coloca praticamente no mesmo plano moral os regimes ditatoriais da Rússia soviética e da Alemanha nazista. O autor, aliás, não entra na discussão sobre qual dos dois regimes foi o mais perverso: ambos foram igualmente criminosos.
Alain Besançon buscou dissecar uma questão importantíssima: porque o nazismo sofreu uma superexposição crítica, sendo apresentado como a quintessência da maldade humana, enquanto o regime soviético ficou relativamente a salvo de condenações gerais e contundentes, embora tenha sido tão maléfico quanto o de seu “irmão gêmeo”? Ao passo que na Alemanha do pós-guerra os nazistas foram implacavelmente perseguidos e levados a julgamento, na Rússia e em muitos países da “cortina de ferro” os comunistas não tiveram o mesmo destino depois da queda do muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética. Inclusive continuaram na cena política e até retornaram ao poder em alguns casos. Um levantamento feito pelo próprio autor, via “internet” bem demonstra essa disparidade de tratamento, que persiste até hoje: “selecionemos os temas chamados por palavras-chave, que foram tratados de 1990 a 14 de junho de 1997, data da minha consulta: para “nazismo”, 480 ocorrências; para “stalinismo”, 7; para “Auchwitz”, 105; para “Kolyma” [maior campo de concentração soviético], 2; ... para fome na Ucrânia (5 a 6 milhões de mortos em 1933), 0. Esta sondagem tem apenas um valor indicativo.”
No final do livro “A infelicidade do século” o autor incluiu um anexo contendo o discurso pronunciado no Instituto de França, em outubro de 1997, sob o título “Memória e esquecimento do bolchevismo”. Trata-se de um excelente resumo sobre os fatores que levaram a essa disparidade de tratamento concedido aos dois regimes políticos mais atrozes do século XX. Besançon alinha 7 fatores para explicar o fenômeno: 1) o nazismo tornou-se mais conhecido especialmente porque houve maior exposição dos cadáveres por ele produzidos. Também o extermínio completo de uma determinada porção da humanidade (os judeus), foi um fato sem precedentes. Por outro lado, os campos de concentração da extinta União Soviética “permanecem envoltos em brumas e continuam sendo um objeto distante, conhecido indiretamente”; 2) os judeus “assumiram a memória da shoah”, ou seja, preocupam-se em lembrar e registrar a tragédia do genocídio sofrido. Por exemplo, pode-se hoje visitar campos de concentração nazistas na Polônia. O mesmo já não acontece na Rússia; 3) o comunismo e o nazismo foram equivocadamente classificados como de “esquerda” e “direita”, respectivamente. Com o triunfo da intelectualidade socialista no pós-guerra no Ocidente, procurou-se falsamente ligar os horrores nazistas à direita, ainda que o comunismo e o nazismo tenham origens comuns; 4) o fato de a União Soviética ter sido um aliado do Ocidente na II Guerra Mundial, também afastou muitas críticas ao seu regime (não devemos nos esquecer que os soviéticos foram juizes em Nurembergue); 5) os soviéticos foram muito bem sucedidos em colocar todos os seus opositores sob um mesmo rótulo (capitalistas ou imperialistas). Assim fica estabelecida a dicotomia: de um lado, os regimes socialistas, e de outro lado um grupo tão heterogêneo quanto os regimes liberais, social-democratas, fascistas e nazista. Besançon ressalta que na França essa classificação tornou-se incrustada “na consciência histórica”, e o mesmo poder-se-ia dizer sobre o Brasil; 6) a dificuldade em preservar a memória sobre as atrocidades do socialismo, devido a sua longa duração (50 a 70 anos) e seu efeito “auto-anistiante”. Mesmo após o fim do domínio soviético, um dos maiores desafios foi a reconstrução moral e da consciência dos povos que viviam sob a cortina de ferro. Daí porque não houve uma “caçada” aos antigos dirigentes dos partidos comunistas, como houve após os 12 anos de regime nazista. Depois de 50 ou 70 anos era muito difícil que alguém não estivesse direta ou indiretamente envolvido com o antigo regime; e 7) é uma das características do Ocidente colocar o mal dentro de seu seio. A Alemanha nazista encaixa-se perfeitamente dentro desse modelo. A União Soviética e a China estão muito na periferia para encarnarem o mal absoluto a ser demonizado.
O livro de Besançon aborda eficientemente a destruição causada pelos dois regimes totalitários do século XX: desde a pura e simples destruição física, tão conhecida, passando pela destruição moral e desaguando na destruição política. O último capítulo do livro é dedicado à memória e como um e outro foram esquecidos, em especial o comunismo: “Esse perdão demasiado fácil pode partir... de uma repugnância em examinar a sua própria cumplicidade ativa ou passiva com aqueles aos quais se perdoa tanto mais facilmente quanto se atribui ao mesmo tempo uma absolvição sem confissão. Não se vê qualquer preparação de cerimônia pública de arrependimento a esse respeito. A extraordinária anistia de que se beneficiou o crime comunista me parece provir sobretudo deste último tipo de esquecimento. Ainda que tenha havido sob o comunismo mais mártires da fé do que em qualquer outra época da história da Igreja, não se constatam pressa nem zelo para elaborar o martirológio.”
Mas a edição padece de graves problemas. Começando pelas “orelhas” do livro, escrita pelo Sr. Emir Sader. Diz ele que a preocupação original de “A infelicidade do Século”, “é a de que o comunismo, protagonizando os enfrentamentos centrais da segunda metade do século, teve muitas obras imputando-lhe uma série de crimes – da mesma forma que o próprio capitalismo, poderíamos acrescentar -, enquanto que os crimes do nazismo, de alguma forma, foram exorcizados ou ficaram relativamente neutralizados na memória histórica”. Ora, essa afirmação demonstra um total desconhecimento sobre o conteúdo da obra de Besançon. Desconhecimento esse que seria aceitável no Sr. Sader se não tivesse sido ele o tradutor da obra.
Besançon demonstra à exaustão exatamente o contrário, ou seja, de que o nazismo e os seus crimes foram reiteradamente condenados (até porque passou a ser rotulado como de “direita”), enquanto um manto de silêncio cobriu o comunismo. Até uma pesquisa pela internet, como se mencionou, serviu como demonstração à tese apresentada por Besançon.
Entretanto a afirmativa feita pelo tradutor na “orelha” encontra ao menos duas explicações. A primeira – e mais óbvia – é de que o tradutor faz parte do grupo que exatamente procura anestesiar a memória histórica sobre os crimes do comunismo (procurando, entre outras coisas, infantilmente imputar crimes também ao “capitalismo”). Trata-se exatamente do antigo método totalitário de destruição moral, magistralmente descrito por Besançon. Citando Raymond Aron a esse respeito, essas palavras aplicam-se precisamente ao meio empregado pelo Sr. Sader: “Se eu tivesse que resumir o sentido de cada uma dessas empresas, acho que estas são as fórmulas que eu sugeriria: a propósito da empresa soviética, eu recordaria a fórmula banal ‘quem quer se passar por anjo, passa por animal’; a propósito da empresa hitlerista, eu diria: ‘o homem erraria ao se colocar como objetivo assemelhar-se a um animal de rapina, porque ele o conseguiria perfeitamente’”.
Mas o maior problema da edição brasileira não está na “orelha” do livro que distorce o verdadeiro conteúdo da obra. A própria tradução inverte em algumas passagens o real sentido das frases de Besançon. Assim, por exemplo, o Sr. Sader traduziu, nas páginas 10 e 32, “hipermnésia” (super-lembrança ou memória excessiva) por “hiperamnésia” (super-esquecimento), ao se referir à memória sobre o nazismo. Assim, ficou traduzida a frase da página 10: “Tive oportunidade de abordar recentemente esse contraste entre a amnésia do comunismo e a hiperamnésia do nazismo”. Ou seja, o tradutor diz que ocorreu uma amnésia exacerbada em relação ao nazismo, quando o autor diz exatamente o contrário no original. Isto é, há em relação ao nazismo uma super-lembrança, ou uma hipermnésia (sem letra a depois de hiper). Hipermnésia é uma palavra de pouco uso na língua portuguesa, mas perfeitamente dicionarizada, inclusive pelo “Aurélio”. Como essa palavra aparece mais de uma vez no texto de Besançon em francês (“hypermnesie”, nas páginas 10 e 36 da edição francesa) e foi traduzida com sentido contrário, é no erro de tradução que também se estriba a equivocada “orelha” do livro.
Há lamentavelmente outras derrapagens de tradução. Para ficar apenas num outro exemplo, veja-se a página 18, onde há um parágrafo em que Besançon discorre sobre a reação ocidental aos campos de concentração da Rússia comunista. O tradutor omite em uma frase a palavra “soviético”, que consta no original (página 19 da edição francesa), o que pode levar o leitor brasileiro a concluir que a afirmação se refere a campos de concentração nazistas, uma vez que no mesmo parágrafo há uma referência ao nazismo. Assim está redigida a frase erroneamente traduzia: “Para tomar um exemplo, a questão dos campos de concentração levantada por David Rousset pouco antes de 1950, foi considerada escandalosa”. O tradutor esqueceu-se que havia a palavra “soviético” após “campos de concentração”. Tal omissão injustificada pode induzir o leitor a uma confusão, pois compromete o sentido do parágrafo todo.
Os defeitos da edição brasileira, entretanto, para o leitor mais atento, servem apenas para confirmar a tese de Besançon. E mais, os equívocos cometidos na tradução encomendada pela Bertrand Brasil não podem ser atribuídos a um erro inconsciente, ou ignorância. Como muitos outros antes dele, que partiram em defesa de todos os “gêmeos heterozigotos” do socialismo, o Sr. Sader sabia exatamente o que estava fazendo.
Por fim, uma nota de louvor à capa da edição brasileira. Nela, significativamente, aparecem unidas as imagens da suástica, e da foice e o martelo, tendo ao fundo prisioneiros de campo de concentração. Pelo menos o autor da capa apreendeu e sintetizou o exato conteúdo do livro, o que infelizmente não se verificou com o tradutor.
Comentário do Cavaleiro do Templo: Emir Sader é filósofo orgânico do PT (intelectuais orgânicos (organizados, como órgãos de um único organismo, o Partido, o “intelectual coletivo”). Precisa dizer mais?
Bush dá os primeiros passos para incluir a Venezuela na lista dos “Países Terroristas”
Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Um alto representante do governo dos EUA confirmou hoje, que o governo Bush já pediu aos seus advogados para analisarem os passos necessários para incluir uma nação que patrocina o terrorismo na lista dos Estados Unidos, segundo a matéria de Pablo Bachelet, hoje, no The Miami Herald.
A investigação é o primeiro passo do processo que poderá resultar na inclusão da Venezuela, ao lado de países como a Coréia do Norte, Cuba, Sudão, Síria e Irã, na lista de aliados do terrorismo do Departamento de Estado. As leis dos Estados Unidos estabelecem que as atividades econômicas ficam sujeitas à sanções e, em último caso, as empresas americanas e estrangeiras estariam obrigadas a cortar os laços com um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o que afetaria severamente o comércio da Venezuela.
(C.T. - e depois vão dizer por aí que os EEUU são o "capeta" por cortarem relações comerciais com um outro país. Todos os leitores (honestos) deste blog SABEM que existe o FORO DE SÃO PAULO e que CHÁVEZ, LULA e a canalhada latRino-americana excetuando o URIBE são PARCEIROS DAS FARC. O povo venezuelano sofreria MAS A CULPA É DO SEU PRESIDENTE SOCIOPATA, HUGO CHÁVEZ.)
Este processo legal deverá ser produzido depois de conhecidos todos os dados do computador de falecido terrorista Raúl Reyes. (C.T. - e já vimos que pelo menos alguns destes dados são verídicos, clique aqui e veja quem já foi preso devido ao que estava neste computador). Um alto membro do governo Bush, que solicitou anonimato pela delicada natureza do tema, disse que foi solicitado aos advogados clarearem a questão: “o que se considera como proibido, ou atividades proibidas” para poder qualificar a Venezuela como “patrocinador estatal” do terrorismo. Leia matéria completa (em espanhol) do Notícias 24 Horas aqui -
Comentário: Agora, é tarde demais para covardias seu Hugo Chávez.
Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Um alto representante do governo dos EUA confirmou hoje, que o governo Bush já pediu aos seus advogados para analisarem os passos necessários para incluir uma nação que patrocina o terrorismo na lista dos Estados Unidos, segundo a matéria de Pablo Bachelet, hoje, no The Miami Herald.
A investigação é o primeiro passo do processo que poderá resultar na inclusão da Venezuela, ao lado de países como a Coréia do Norte, Cuba, Sudão, Síria e Irã, na lista de aliados do terrorismo do Departamento de Estado. As leis dos Estados Unidos estabelecem que as atividades econômicas ficam sujeitas à sanções e, em último caso, as empresas americanas e estrangeiras estariam obrigadas a cortar os laços com um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o que afetaria severamente o comércio da Venezuela.
(C.T. - e depois vão dizer por aí que os EEUU são o "capeta" por cortarem relações comerciais com um outro país. Todos os leitores (honestos) deste blog SABEM que existe o FORO DE SÃO PAULO e que CHÁVEZ, LULA e a canalhada latRino-americana excetuando o URIBE são PARCEIROS DAS FARC. O povo venezuelano sofreria MAS A CULPA É DO SEU PRESIDENTE SOCIOPATA, HUGO CHÁVEZ.)
Este processo legal deverá ser produzido depois de conhecidos todos os dados do computador de falecido terrorista Raúl Reyes. (C.T. - e já vimos que pelo menos alguns destes dados são verídicos, clique aqui e veja quem já foi preso devido ao que estava neste computador). Um alto membro do governo Bush, que solicitou anonimato pela delicada natureza do tema, disse que foi solicitado aos advogados clarearem a questão: “o que se considera como proibido, ou atividades proibidas” para poder qualificar a Venezuela como “patrocinador estatal” do terrorismo. Leia matéria completa (em espanhol) do Notícias 24 Horas aqui -
Comentário: Agora, é tarde demais para covardias seu Hugo Chávez.
A veracidade dos dados do computador de Raúl Reyes/FARC
Do blog MOVIMENTO ORDEM E VIGÍLIA CONTRA A CORRUPÇÃO
Sexta-feira, 7 de Março de 2008
O mais poderoso mercador de armas do mundo foi detido na Tailândia. A prisão de Víctor Bout, ex integrante da KGB, só foi possível, graças à incursão do exército colombiano no Equador.
Foram os dados encontrados no computador do terrorista das FARC, Raúl Reys, que permitiram rastrear e seguir a pista de Bout, até o país asiático. O russo é acusado de comercializar armas com a Al Qaeda, Talibãs e com as FARC. De acordo com o jornal americano "New York Times", Bout seria a inspiração do filme "O Senhor das Armas", estrelado por Nicolas Cage, sobre um traficante de armas inescrupuloso.
El País – Leia mais aqui
Sexta-feira, 7 de Março de 2008
O mais poderoso mercador de armas do mundo foi detido na Tailândia. A prisão de Víctor Bout, ex integrante da KGB, só foi possível, graças à incursão do exército colombiano no Equador.
Foram os dados encontrados no computador do terrorista das FARC, Raúl Reys, que permitiram rastrear e seguir a pista de Bout, até o país asiático. O russo é acusado de comercializar armas com a Al Qaeda, Talibãs e com as FARC. De acordo com o jornal americano "New York Times", Bout seria a inspiração do filme "O Senhor das Armas", estrelado por Nicolas Cage, sobre um traficante de armas inescrupuloso.
El País – Leia mais aqui
Água fria no “aquecimento global”
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA por Thomas Sowell em 07 de março de 2008
Resumo: O grande problema em torno do tema aquecimento Global é que ele se transformou numa cruzada em vez de se constituir um esforço lógico baseado em evidência.
© 2008 MidiaSemMascara.org
Tem se transformado em piada o cancelamento de alguma conferência sobre o “aquecimento global” por causa de uma nevasca ou coisa parecida.
Mas a histeria não é piada – e criar histeria é a mais importante atividade daqueles que se aproveitam da “crise” do aquecimento global.
Eles mobilizam pessoas semelhantes a si mesmos para uma variedade de ocupações, os chamam de “cientistas” e então alegam que “todos” os experts concordam sobre a crise do aquecimento global.
O maior argumento é de que não há argumento.
Toda uma indústria tem surgido dos indivíduos que conseguem fundos para pesquisa, das agências governamentais reguladoras, dos políticos que desejam publicidade e dos indivíduos indignados que desejam algo com que se indignarem. Há também os professores que conseguem, com isso, algo sobre o que falar nas salas de aula em vez de lecionar.
Aqueles que se preocupam em verificar os fatos, não raro, descobrem que nem todos os que são chamados de cientistas são, realmente, cientistas, e nem todos aqueles que são cientistas são especialistas em clima. Mas quem se preocupa em verificar os fatos hoje em dia?
Uma nova e diferente conferência sobre o aquecimento global ocorrerá em Nova York, sob o patrocínio do Heartland Institute, de 2 a 4 de março – se o clima permitir.[*]
Seu título é “Conferência Internacional sobre Mudança Climática”. Seu subtítulo é “Aquecimento Global: Verdade ou Fraude?”. Dentre os presentes estarão professores de climatologia, cientistas de outros campos e diferentes profissionais.
São cientistas e professores de universidades da Inglaterra, Hungria e Áustria, como também de universidades dos EUA e Canadá. Dentre vários dignitários, estará presente o presidente da República Tcheca.
Serão 98 palestrantes e 400 participantes.
O tema da conferência é que “não há nenhum consenso científico sobre as causas ou as possíveis conseqüências do aquecimento global”.
Muitos dos participantes na conferência são indivíduos que já expressaram ceticismo tanto sobre as explicações prevalecentes sobre as alterações climáticas, quanto sobre as ousadas previsões a respeito das alterações futuras.
Entre os céticos se incluem os autores de livros como Unstoppable Global Warming: Every 1500 Years [Aquecimento Global Interminável: A cada 1500 anos], escrito por Fred Singer e Denniss Avery, ou Shattered Consensus [Consenso Destruído], editado por Patrick J. Michaels.
Essa será uma das raras oportunidades para a mídia ouvir o outro lado da história – para aqueles jornalistas fora de moda que ainda acreditam que seu trabalho é informar o público, em vez de promover uma agenda.
O subtítulo da conferência – “Aquecimento Global: Verdade ou Fraude?” – é também o título do programa do canal de TV britânico que está agora disponível em DVD nos EUA. É um devastador desmascaramento da histeria atual sobre o “aquecimento global”.
Ninguém nega que há uma coisa chamada efeito estufa. Se não houvesse, o lado do planeta que não estivesse voltado para o sol congelaria toda noite.
Não há também muita controvérsia sobre as medições de temperatura. O que está fundamentalmente em questão são as explicações, implicações e extrapolações dessas medições de temperatura.
O argumento daqueles que dizem que estamos rumo a uma crise de aquecimento global de proporções épicas é que as atividades humanas que geram dióxido de carbono são o fator-chave responsável pelo aquecimento que tem acontecido recentemente.
O problema com esse raciocínio é que as temperaturas subiram e, só então, os níveis de dióxido de carbono subiram. Alguns cientistas dizem que o aquecimento causou a elevação dos níveis de dióxido de carbono, em vez do contrário.
Muitos fatores naturais, incluindo-se variações da quantidade de calor fornecido pelo sol, podem causar o aquecimento ou resfriamento da Terra.
O maior problema é que tudo isso se transformou numa cruzada em vez de se constituir um esforço lógico baseado em evidência. As pessoas têm interesses específicos muito grandes para arriscarem a jogar os dados, o que é, em última análise, equivalente a recorrer às evidências.
Aqueles que têm um grande interesse na histeria do aquecimento global provavelmente não participarão da conferência em Nova York e, infelizmente, isso inclui a maior parte da mídia.
[*] Este artigo foi escrito uma semana antes da conferência. (N. do T.)
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo
Você está satisfeito com o governo Lula?
Enquete do ESTADÃO
Pergunta: Você está satisfeito com o governo Lula?
Vote AQUI e entenda que, dependendo do público questionado por um entrevistador a resposta pode ser completamente diferente daquela que a mídia nos mostra. Alguém aí tem CERTEZA de que estas pesquisas que favorecem o LULA não são feitas entre os pseudo-beneficiados pelos programa-esmola, que em situação de gravidade extrema é justificável MAS NUNCA SOZINHOS, SEM UM PLANO PARA RETIRAR AS PESSOAS DA SITUAÇÃO DE GRAVIDADE EXTREMA EM QUE SE ENCONTRAM?
Pergunta: Você está satisfeito com o governo Lula?
Vote AQUI e entenda que, dependendo do público questionado por um entrevistador a resposta pode ser completamente diferente daquela que a mídia nos mostra. Alguém aí tem CERTEZA de que estas pesquisas que favorecem o LULA não são feitas entre os pseudo-beneficiados pelos programa-esmola, que em situação de gravidade extrema é justificável MAS NUNCA SOZINHOS, SEM UM PLANO PARA RETIRAR AS PESSOAS DA SITUAÇÃO DE GRAVIDADE EXTREMA EM QUE SE ENCONTRAM?
Clodovil mais uma vez falando do coração e mostrando que hábito sexual não define inteligência nem caráter
Em Brasília, Clodovil aparece no lançamento da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual, em 21/03/2007, no Congresso Nacional e é vaiado pos uns, aplaudido por outros, porque tem inteligência o suficiente para entender que uma pessoa não pode ser caracterizada pelo seu HÁBITO SEXUAL, e sim pelo que ela é. Uma TREMENDA lição para qualquer um, independentemente do que gostamos de fazer com nossos corpos, sexualmente falando.
A internacionalização do engodo II
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARApor Olavo de Carvalho em 11 de março de 2008
Resumo: Entre a pobreza e o crime, o vínculo não é direto nem logicamente necessário. Uma coisa não produz a outra sem a interferência de um terceiro elemento, este sim decisivo, tão decisivo que pode produzir o crime sem o auxílio da pobreza.
© 2008 MidiaSemMascara.org
“A violência no Brasil é um sintoma de um largo conjunto de problemas sociais” é o tipo da afirmação que não significa nada, com a ressalva de que o apelo às causas sociais remotas tem sido o mais constante pretexto para desestimular a ação policial contra o problema imediato, que é o fato de criminosos estarem vendendo drogas para as crianças nas escolas e matando a tiros cinqüenta mil brasileiros por ano.
Entre a pobreza e o crime, o vínculo não é direto nem logicamente necessário. O gráfico número 2, da mesma fonte, mostra que as áreas mais perigosas do Brasil são as mais prósperas, não as mais atrasadas. Ninguém sai por aí matando pessoas ou vendendo drogas simplesmente porque é pobre. Uma coisa não produz a outra sem a interferência de um terceiro elemento, este sim decisivo, tão decisivo que pode produzir o crime sem o auxílio da pobreza. Esse elemento chama-se ação humana, entendendo-se por este termo sobretudo a ação deliberada e organizada dos indivíduos e grupos que têm meios de influenciar a vida social como um conjunto, isto é, os intelectuais e os políticos. O primeiro desses grupos, como já venho demonstrando desde 1994 (v. http://www.olavodecarvalho.org/livros/bandlet.htm), ocupa-se, há décadas, em disseminar nas classes letradas o ódio à polícia e a simpatia cúmplice para com os bandidos. No Brasil não existe literatura policial como nos EUA, na Inglaterra ou na França. Existe, sim, literatura de apologia do crime. A ela dedicam-se os melhores escritores do país e a multidão de seus imitadores medíocres. Durante muito tempo, esse estado de espírito vigorou apenas no restrito grêmio dos intelectuais esquerdistas, que se queixavam, com razão, de estar isolados da massa popular. A partir dos anos 70-80, a TV e o cinema passaram a servir de megafone para esse grupo, fazendo com que seus cacoetes mentais se disseminassem pela população em geral e acabassem se traduzindo em políticas públicas que ofereciam todas as facilidades para os delinqüentes, praticamente convidando os policiais a transformar-se em servidores do narcotráfico em vez de arriscar a vida num trabalho perigoso que só lhes rendia o ódio organizado dos bem-pensantes.
A ação política inspirada nesses contravalores foi inaugurada no Estado do Rio de Janeiro pelo governador Leonel Brizola, um velho amigo e colaborador de Fidel Castro. Brizola foi eleito com o apoio financeiro dos chefes do jogo ilegal, e depois os recompensou generosamente bloqueando qualquer ação policial nas favelas justamente a partir do momento em que eles entravam em peso no mercado das drogas. Naquela época, o Brasil ainda era um país ordeiro, no qual a violência carioca formava um contraste chocante. À medida que os similares de Brizola foram tomando o poder em vários estados do país e chegaram por fim a dominar o governo federal, aquilo que era um fenômeno local carioca espalhou-se pelo território nacional inteiro, sempre sob a proteção dos políticos esquerdistas e de uma legião de ONGs sustentadas por verbas públicas.
A reação do sr. Foley ao filme de José Padilha é tão extravagante e despropositada que, não vendo motivos racionais que a justifiquem, sai em busca de outras hipóteses. Não tive de procurar muito. Num artigo publicado dois dias depois no mesmo jornal, sob o título “Viva Lula”, o correspondente do Guardian revela seu entusiasmo pela pessoa do presidente brasileiro, um entusiasmo tão cego e fanático que o leva a negar peremptoriamente os fatos mais óbvios e bem provados:
“Veja, a bíblia da classe média brasileira, tem derramado um fluxo constante de bile e invectivas sobre o governo Lula. Este é repetidamente, e espuriamente, associado a Castro, a Chávez e aos guerrilheiros das Farc, e acusado de tentar subverter o Estado brasileiro.”
Ora, quem associa Lula às Farc e ao eixo Castro-Chavez não é Veja: são as atas que ele mesmo assinou como fundador e – por doze anos – presidente do Foro de São Paulo, o comando estratégico do movimento comunista na América Latina; e é também a palavra dele próprio, como se vê não apenas em um, mas em dois discursos que ele pronunciou já como presidente da República, nos quais confessa meticulosamente as atividades clandestinas que desenvolveu, com aqueles e com outros parceiros esquerdistas, no quadro do Foro de São Paulo. Já escrevi tanto sobre isso, e já dei tantas provas documentais, que nem agüento mais falar do assunto. E se Veja decidiu finalmente romper seu longo silêncio – contrastando, nisso, com o restante da grande mídia brasileira --, foi porque o acúmulo de provas que forneci a seu colunista Reinaldo Azevedo, homem sério e aberto à verdade, acabou por despertar nos donos da publicação alguns resíduos de escrupulosidade jornalística.
Todos os assessores de Lula sabem que ele não é bom em guardar segredos. O homem fala demais e por isso tem de viver cercado de amortecedores incumbidos de camuflar retroativamente o sentido de suas palavras. Que seus ajudantes diretos se ocupem desse serviço sujo, é deprimente mas é natural. O que singulariza o caso brasileiro é que toda a grande mídia, até mesmo a “de oposição”, consentiu voluntariamente em colaborar no mesmo empreendimento: não contente em ocultar por dezesseis anos a existência da mais poderosa organização política e revolucionária que já existiu na América Latina, encobriu até a confissão saída da própria boca do fundador e comandante da entidade. Autoconstituídos em serviço proteção à imagem presidencial, os maiores jornais e canais de TV do Brasil se tornaram ainda mais lulistas do que o próprio Lula.
O fenômeno, em si, já era espantoso. Nada de semelhante se observou jamais na história da mídia mundial. Com a entrada em cena do sr. Foley, o maior engodo jornalístico de todos os tempos conquistou um merecido upgrade, subindo à escala internacional. Afinal, por que só os brasileiros teriam o direito de ser ludibrados?
Resumo: Entre a pobreza e o crime, o vínculo não é direto nem logicamente necessário. Uma coisa não produz a outra sem a interferência de um terceiro elemento, este sim decisivo, tão decisivo que pode produzir o crime sem o auxílio da pobreza.
© 2008 MidiaSemMascara.org
“A violência no Brasil é um sintoma de um largo conjunto de problemas sociais” é o tipo da afirmação que não significa nada, com a ressalva de que o apelo às causas sociais remotas tem sido o mais constante pretexto para desestimular a ação policial contra o problema imediato, que é o fato de criminosos estarem vendendo drogas para as crianças nas escolas e matando a tiros cinqüenta mil brasileiros por ano.
Entre a pobreza e o crime, o vínculo não é direto nem logicamente necessário. O gráfico número 2, da mesma fonte, mostra que as áreas mais perigosas do Brasil são as mais prósperas, não as mais atrasadas. Ninguém sai por aí matando pessoas ou vendendo drogas simplesmente porque é pobre. Uma coisa não produz a outra sem a interferência de um terceiro elemento, este sim decisivo, tão decisivo que pode produzir o crime sem o auxílio da pobreza. Esse elemento chama-se ação humana, entendendo-se por este termo sobretudo a ação deliberada e organizada dos indivíduos e grupos que têm meios de influenciar a vida social como um conjunto, isto é, os intelectuais e os políticos. O primeiro desses grupos, como já venho demonstrando desde 1994 (v. http://www.olavodecarvalho.org/livros/bandlet.htm), ocupa-se, há décadas, em disseminar nas classes letradas o ódio à polícia e a simpatia cúmplice para com os bandidos. No Brasil não existe literatura policial como nos EUA, na Inglaterra ou na França. Existe, sim, literatura de apologia do crime. A ela dedicam-se os melhores escritores do país e a multidão de seus imitadores medíocres. Durante muito tempo, esse estado de espírito vigorou apenas no restrito grêmio dos intelectuais esquerdistas, que se queixavam, com razão, de estar isolados da massa popular. A partir dos anos 70-80, a TV e o cinema passaram a servir de megafone para esse grupo, fazendo com que seus cacoetes mentais se disseminassem pela população em geral e acabassem se traduzindo em políticas públicas que ofereciam todas as facilidades para os delinqüentes, praticamente convidando os policiais a transformar-se em servidores do narcotráfico em vez de arriscar a vida num trabalho perigoso que só lhes rendia o ódio organizado dos bem-pensantes.
A ação política inspirada nesses contravalores foi inaugurada no Estado do Rio de Janeiro pelo governador Leonel Brizola, um velho amigo e colaborador de Fidel Castro. Brizola foi eleito com o apoio financeiro dos chefes do jogo ilegal, e depois os recompensou generosamente bloqueando qualquer ação policial nas favelas justamente a partir do momento em que eles entravam em peso no mercado das drogas. Naquela época, o Brasil ainda era um país ordeiro, no qual a violência carioca formava um contraste chocante. À medida que os similares de Brizola foram tomando o poder em vários estados do país e chegaram por fim a dominar o governo federal, aquilo que era um fenômeno local carioca espalhou-se pelo território nacional inteiro, sempre sob a proteção dos políticos esquerdistas e de uma legião de ONGs sustentadas por verbas públicas.
A reação do sr. Foley ao filme de José Padilha é tão extravagante e despropositada que, não vendo motivos racionais que a justifiquem, sai em busca de outras hipóteses. Não tive de procurar muito. Num artigo publicado dois dias depois no mesmo jornal, sob o título “Viva Lula”, o correspondente do Guardian revela seu entusiasmo pela pessoa do presidente brasileiro, um entusiasmo tão cego e fanático que o leva a negar peremptoriamente os fatos mais óbvios e bem provados:
“Veja, a bíblia da classe média brasileira, tem derramado um fluxo constante de bile e invectivas sobre o governo Lula. Este é repetidamente, e espuriamente, associado a Castro, a Chávez e aos guerrilheiros das Farc, e acusado de tentar subverter o Estado brasileiro.”
Ora, quem associa Lula às Farc e ao eixo Castro-Chavez não é Veja: são as atas que ele mesmo assinou como fundador e – por doze anos – presidente do Foro de São Paulo, o comando estratégico do movimento comunista na América Latina; e é também a palavra dele próprio, como se vê não apenas em um, mas em dois discursos que ele pronunciou já como presidente da República, nos quais confessa meticulosamente as atividades clandestinas que desenvolveu, com aqueles e com outros parceiros esquerdistas, no quadro do Foro de São Paulo. Já escrevi tanto sobre isso, e já dei tantas provas documentais, que nem agüento mais falar do assunto. E se Veja decidiu finalmente romper seu longo silêncio – contrastando, nisso, com o restante da grande mídia brasileira --, foi porque o acúmulo de provas que forneci a seu colunista Reinaldo Azevedo, homem sério e aberto à verdade, acabou por despertar nos donos da publicação alguns resíduos de escrupulosidade jornalística.
Todos os assessores de Lula sabem que ele não é bom em guardar segredos. O homem fala demais e por isso tem de viver cercado de amortecedores incumbidos de camuflar retroativamente o sentido de suas palavras. Que seus ajudantes diretos se ocupem desse serviço sujo, é deprimente mas é natural. O que singulariza o caso brasileiro é que toda a grande mídia, até mesmo a “de oposição”, consentiu voluntariamente em colaborar no mesmo empreendimento: não contente em ocultar por dezesseis anos a existência da mais poderosa organização política e revolucionária que já existiu na América Latina, encobriu até a confissão saída da própria boca do fundador e comandante da entidade. Autoconstituídos em serviço proteção à imagem presidencial, os maiores jornais e canais de TV do Brasil se tornaram ainda mais lulistas do que o próprio Lula.
O fenômeno, em si, já era espantoso. Nada de semelhante se observou jamais na história da mídia mundial. Com a entrada em cena do sr. Foley, o maior engodo jornalístico de todos os tempos conquistou um merecido upgrade, subindo à escala internacional. Afinal, por que só os brasileiros teriam o direito de ser ludibrados?
Leia também A internacionalização do engodo I
segunda-feira, 10 de março de 2008
As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano - Parte I
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 04 de agosto de 2005
Resumo: Para entender porque os riscos de uma radicalização esquerdista na América Latina não são irrelevantes, é necessário conhecer o longo processo histórico que envolve as atividades comunistas ao longo do século XX.
© 2005 MidiaSemMascara.org
Uma nova ameaça terrorista (...) pode bem vir de um eixo incluindo Cuba de Fidel Castro, o regime de Chávez na Venezuela e um recém eleito presidente radical no Brasil, todos com ligações com Iraque, Irã e China.
(…) Isto pode levar a que 300 milhões de pessoas em seis países caiam sob o controle de regimes radicais anti-EUA (...). Um eixo Castro-Chávez-da Silva significaria ligar 43 anos de luta anti-americana de Castro com a riqueza petrolífera da Venezuela e com o potencial econômico e a incipiente capacidade nuclear incluindo mísseis, do BrasiL. Constantine Menges, 2002
Quem primeiro usou a expressão “eixo do mal” foi o Professor Constantine Menges, do Hudson Institute, num artigo para o Washington Times intitulado “Blocking a new axis of evil”, publicado em 07/08/2002, em plena campanha presidencial brasileira quando todas as pesquisas indicavam a vitória de Lula. Posteriormente, escreveu vários artigos sobre o tema. Tiveram quase nenhuma repercussão no governo americano e no Brasil onde somente os articulistas ligados ao Professor Olavo de Carvalho, eu incluso, deram a devida atenção. Nos EUA a predominância da preocupação era com o Oriente Médio e as análises errôneas dos assessores do Secretário de Estado Colin Powell, notadamente Otto Reich, sobre a AL e a então Embaixadora dos USA em Brasília, Donna Hrinak, que declarou em junho de 2002 que Lula “encarnava o sonho americano”, sem tomar conhecimento do apoio de Lula ao terrorismo internacional, incluindo islâmico, o que viria a ser confirmado pela seleção de países árabes a que visitou como Presidente. Denunciava Menges: “este candidato radical é o promotor do terrorismo internacional por coordenar planos terroristas de organizações anti-americanas radicais que se reúnem anualmente no Foro de São Paulo”.
Suas observações continuam pertinentes ainda hoje mas necessitando de algumas atualizações. A principal delas, a de rastrear a evolução deste Eixo com as estratégias comunistas de dominação mundial anteriores e inseri-lo em seu lócus apropriado dentro das mesmas. Para isto, as políticas do Eixo serão estudadas à luz das informações contidas nos Memorandos enviados à CIA por Anatoliy Golitsyn e reunidos nos livros New Lies for Old e The Perestroika Deception.
À guisa de apresentação, basta por enquanto dizer que Golitsyn foi agente graduado do KGB, formou-se pela Universidade de Marxismo-Leninismo e pela Escola Diplomática, foi membro do Komsomol (Juventude Comunista) e tornou-se membro do Partido Comunista em 1945, tendo percorrido todos os passos dentro dos serviços de contra-informação soviéticos. Em 1961, exilado nos EUA, passou a escrever memorandos para a CIA, denunciando a estratégia comunista que não estava sendo percebida porque o Ocidente usava métodos superados de avaliação.
O grande mérito de Golitsyn, que extrapola o estudo específico da URSS, é o de fornecer aos analistas políticos de qualquer situação ligada a partidos comunistas, inclusive no presente, uma nova metodologia de avaliação, até mesmo para o estudo – que eu saiba inédito - que pretendo fazer neste artigo.
AS TRÊS GRANDES ESTRATÉGIAS COMUNISTAS DE DOMÍNIO MUNDIAL E SUA REPERCUSSÃO NA AMÉRICA LATINA [2]
Find the beginning of things – And you will understand much. Abbie Farwell Brown
Perguntado em 1994 pelo Deputado americano Clark Bowles, se o objetivo de longo prazo do movimento comunista continuava a ser o mesmo, de dominação mundial, Mo Xiusong, Vice Presidente do Partido Comunista Chinês, disse: Sim, certamente. Esta é a única razão pela qual existimos! Note-se que em 1994 já haviam transcorrido nove anos do início da Perestroika, cinco da Queda do Muro de Berlim e a China já “se abria” economicamente para o capital internacional. E o pior é que muitos, alguns ingênuos, outros mal intencionados, ainda acreditam que esta “abertura” é para valer e não apenas parte de uma estratégia de usar o capital ocidental – único lugar onde ele existe! – para tornar-se cada vez mais forte militarmente e mais facilmente destruir o Ocidente. Os chineses mostram que aprenderam a lição leninista: “os capitalistas comprarão a corda com que serão enforcados”. Já os capitalistas não aprenderam nada, com sua crença mística no “mercado” onipotente capaz de gerar milagres somente por seu apelo à liberdade, e estão não apenas comprando a corda mas financiando a fábrica de cordas e investindo em suas ações na bolsa para serem destruídos com o bolso cheio de dinheiro!
A PRIMEIRA GRANDE ESTRATÉGIA
O objetivo desta primeira estratégia era apenas derrubar o Regime Tzarista na Rússia e conquistar o poder para os Bolcheviques. Em 1917, quando da revolução que acabou com a Monarquia russa, enquanto todos os partidos agiam às tontas, improvisando, apenas um, o Partido Bolchevique, sabia exatamente o que queria e já fora definido por Lenin em seu “O que fazer?” publicado em 1902. Na realidade esta primeira estratégia foi preparada durante 20 anos, desde o final do século XIX, implementada e testada durante a Revolução de 1905 e acalentada durante todo o tempo de exílio de Lenin.
As repercussões na América Latina foram indiretas. Foram escassos os interesses na região, Lenin voltou-se para os países ricos na ânsia de conseguir sobreviver às contradições do regime e à violenta guerra civil que se seguiu à tomada do poder. Foram fundados partidos comunistas em vários países latino-americanos - como o Partido Comunista do Brasil - mais por difusão ideológica do que propriamente por uma ação direta da incipiente URSS. Uma iniciativa mais séria do Komintern só veio a se desenvolver durante a Segunda Estratégia (1919-1953).
SEGUNDA GRANDE ESTRATÉGIA
Seus objetivos principais foram promover o comunismo na Rússia e fomentar a Revolução Comunista Mundial. Inicialmente, Lenin desenvolveu um ataque frontal ao mundo capitalista através da fundação do Komintern em 1919.
Posteriormente, para tentar salvar a economia que entrava em colapso aceleradamente, Lenin lançou a NEP Nova Política Econômica – precursora do pseudo-capitalismo chinês atual, com a promoção de reformas políticas para tornar o comunismo mais atraente, um limitado capitalismo controlado pelo Estado visando conseguir créditos e tecnologia do Ocidente, o aumento do comércio internacional, e atrair capitais de que necessitava desesperadamente.
Com a morte de Lenin, Stalin partiu para a industrialização e coletivização forçadas, repressão maciça e poder pessoal absoluto, liquidando a NEP em 1929. Na década de trinta passou a explorar as contradições entre as Grandes Potências – principalmente através do Pacto Nazi-Soviético (Molotov-Ribbentrop).
Com a ruptura do Pacto por parte de Hitler, Stalin aliou-se com os Estados Unidos e a Inglaterra para conseguir ajuda militar americana e enfrentar o Exército alemão. Para enganar aos novos aliados, Churchill e Roosevelt, mostrou-se apenas um líder nacionalista, sem pretensões expansionistas, às expensas da ideologia, escondendo a grande estratégia expansionista já em preparo e posta em prática no pós-Guerra: expansionismo para o Leste Europeu e a Ásia.
OFENSIVAS NA AMÉRICA DURANTE A SEGUNDA ESTRATÉGIA
Resumo: Para entender porque os riscos de uma radicalização esquerdista na América Latina não são irrelevantes, é necessário conhecer o longo processo histórico que envolve as atividades comunistas ao longo do século XX.
© 2005 MidiaSemMascara.org
Uma nova ameaça terrorista (...) pode bem vir de um eixo incluindo Cuba de Fidel Castro, o regime de Chávez na Venezuela e um recém eleito presidente radical no Brasil, todos com ligações com Iraque, Irã e China.
(…) Isto pode levar a que 300 milhões de pessoas em seis países caiam sob o controle de regimes radicais anti-EUA (...). Um eixo Castro-Chávez-da Silva significaria ligar 43 anos de luta anti-americana de Castro com a riqueza petrolífera da Venezuela e com o potencial econômico e a incipiente capacidade nuclear incluindo mísseis, do BrasiL. Constantine Menges, 2002
Quem primeiro usou a expressão “eixo do mal” foi o Professor Constantine Menges, do Hudson Institute, num artigo para o Washington Times intitulado “Blocking a new axis of evil”, publicado em 07/08/2002, em plena campanha presidencial brasileira quando todas as pesquisas indicavam a vitória de Lula. Posteriormente, escreveu vários artigos sobre o tema. Tiveram quase nenhuma repercussão no governo americano e no Brasil onde somente os articulistas ligados ao Professor Olavo de Carvalho, eu incluso, deram a devida atenção. Nos EUA a predominância da preocupação era com o Oriente Médio e as análises errôneas dos assessores do Secretário de Estado Colin Powell, notadamente Otto Reich, sobre a AL e a então Embaixadora dos USA em Brasília, Donna Hrinak, que declarou em junho de 2002 que Lula “encarnava o sonho americano”, sem tomar conhecimento do apoio de Lula ao terrorismo internacional, incluindo islâmico, o que viria a ser confirmado pela seleção de países árabes a que visitou como Presidente. Denunciava Menges: “este candidato radical é o promotor do terrorismo internacional por coordenar planos terroristas de organizações anti-americanas radicais que se reúnem anualmente no Foro de São Paulo”.
Suas observações continuam pertinentes ainda hoje mas necessitando de algumas atualizações. A principal delas, a de rastrear a evolução deste Eixo com as estratégias comunistas de dominação mundial anteriores e inseri-lo em seu lócus apropriado dentro das mesmas. Para isto, as políticas do Eixo serão estudadas à luz das informações contidas nos Memorandos enviados à CIA por Anatoliy Golitsyn e reunidos nos livros New Lies for Old e The Perestroika Deception.
À guisa de apresentação, basta por enquanto dizer que Golitsyn foi agente graduado do KGB, formou-se pela Universidade de Marxismo-Leninismo e pela Escola Diplomática, foi membro do Komsomol (Juventude Comunista) e tornou-se membro do Partido Comunista em 1945, tendo percorrido todos os passos dentro dos serviços de contra-informação soviéticos. Em 1961, exilado nos EUA, passou a escrever memorandos para a CIA, denunciando a estratégia comunista que não estava sendo percebida porque o Ocidente usava métodos superados de avaliação.
O grande mérito de Golitsyn, que extrapola o estudo específico da URSS, é o de fornecer aos analistas políticos de qualquer situação ligada a partidos comunistas, inclusive no presente, uma nova metodologia de avaliação, até mesmo para o estudo – que eu saiba inédito - que pretendo fazer neste artigo.
AS TRÊS GRANDES ESTRATÉGIAS COMUNISTAS DE DOMÍNIO MUNDIAL E SUA REPERCUSSÃO NA AMÉRICA LATINA [2]
Find the beginning of things – And you will understand much. Abbie Farwell Brown
Perguntado em 1994 pelo Deputado americano Clark Bowles, se o objetivo de longo prazo do movimento comunista continuava a ser o mesmo, de dominação mundial, Mo Xiusong, Vice Presidente do Partido Comunista Chinês, disse: Sim, certamente. Esta é a única razão pela qual existimos! Note-se que em 1994 já haviam transcorrido nove anos do início da Perestroika, cinco da Queda do Muro de Berlim e a China já “se abria” economicamente para o capital internacional. E o pior é que muitos, alguns ingênuos, outros mal intencionados, ainda acreditam que esta “abertura” é para valer e não apenas parte de uma estratégia de usar o capital ocidental – único lugar onde ele existe! – para tornar-se cada vez mais forte militarmente e mais facilmente destruir o Ocidente. Os chineses mostram que aprenderam a lição leninista: “os capitalistas comprarão a corda com que serão enforcados”. Já os capitalistas não aprenderam nada, com sua crença mística no “mercado” onipotente capaz de gerar milagres somente por seu apelo à liberdade, e estão não apenas comprando a corda mas financiando a fábrica de cordas e investindo em suas ações na bolsa para serem destruídos com o bolso cheio de dinheiro!
A PRIMEIRA GRANDE ESTRATÉGIA
O objetivo desta primeira estratégia era apenas derrubar o Regime Tzarista na Rússia e conquistar o poder para os Bolcheviques. Em 1917, quando da revolução que acabou com a Monarquia russa, enquanto todos os partidos agiam às tontas, improvisando, apenas um, o Partido Bolchevique, sabia exatamente o que queria e já fora definido por Lenin em seu “O que fazer?” publicado em 1902. Na realidade esta primeira estratégia foi preparada durante 20 anos, desde o final do século XIX, implementada e testada durante a Revolução de 1905 e acalentada durante todo o tempo de exílio de Lenin.
As repercussões na América Latina foram indiretas. Foram escassos os interesses na região, Lenin voltou-se para os países ricos na ânsia de conseguir sobreviver às contradições do regime e à violenta guerra civil que se seguiu à tomada do poder. Foram fundados partidos comunistas em vários países latino-americanos - como o Partido Comunista do Brasil - mais por difusão ideológica do que propriamente por uma ação direta da incipiente URSS. Uma iniciativa mais séria do Komintern só veio a se desenvolver durante a Segunda Estratégia (1919-1953).
SEGUNDA GRANDE ESTRATÉGIA
Seus objetivos principais foram promover o comunismo na Rússia e fomentar a Revolução Comunista Mundial. Inicialmente, Lenin desenvolveu um ataque frontal ao mundo capitalista através da fundação do Komintern em 1919.
Posteriormente, para tentar salvar a economia que entrava em colapso aceleradamente, Lenin lançou a NEP Nova Política Econômica – precursora do pseudo-capitalismo chinês atual, com a promoção de reformas políticas para tornar o comunismo mais atraente, um limitado capitalismo controlado pelo Estado visando conseguir créditos e tecnologia do Ocidente, o aumento do comércio internacional, e atrair capitais de que necessitava desesperadamente.
Com a morte de Lenin, Stalin partiu para a industrialização e coletivização forçadas, repressão maciça e poder pessoal absoluto, liquidando a NEP em 1929. Na década de trinta passou a explorar as contradições entre as Grandes Potências – principalmente através do Pacto Nazi-Soviético (Molotov-Ribbentrop).
Com a ruptura do Pacto por parte de Hitler, Stalin aliou-se com os Estados Unidos e a Inglaterra para conseguir ajuda militar americana e enfrentar o Exército alemão. Para enganar aos novos aliados, Churchill e Roosevelt, mostrou-se apenas um líder nacionalista, sem pretensões expansionistas, às expensas da ideologia, escondendo a grande estratégia expansionista já em preparo e posta em prática no pós-Guerra: expansionismo para o Leste Europeu e a Ásia.
OFENSIVAS NA AMÉRICA DURANTE A SEGUNDA ESTRATÉGIA
Para abordar este assunto utilizarei o termo “Ofensivas” que facilita a apresentação didática do assunto. Durante a Segunda Estratégia, distingo duas ofensivas, separadas pelo período da Segunda Guerra Mundial.
PRIMEIRA OFENSIVA (1919-1943)
PRIMEIRA OFENSIVA (1919-1943)
Com a criação do Komintern (Terceira Internacional ou Internacional Comunista [3]) em 1919, Lenin deu o passo principal no sentido de completar a tarefa legada por Marx e Engels no Manifesto Comunista: o internacionalismo proletário. Georgij Mikhailov Dimitrov, o búlgaro que viria a desempenhar importantes funções no Komintern, sendo Secretário Geral de 1934 até 1943, num artigo publicado em Sófia em maio de 1919 para o Partido Comunista Búlgaro, [4] já se referia a duas cartas enviadas por Lenin: uma para os trabalhadores da América (do Norte) e outra para estes e os trabalhadores europeus. Na primeira carta Lenin distribuía as principais tarefas do proletariado mundial, ressaltava o caráter eminentemente pacífico da URSS, a importância da Ditadura do Proletariado e da Revolução Russa para um novo mundo. Na segunda, notando o sucesso do proletariado revolucionário em vários países em sua luta pelo poder político, ele reforçava a importância da Internacional Comunista como meio para atingir os fins da revolução mundial proletária. A política central do Komintern era estabelecer Partidos Comunistas em todos os países como forma de incrementar a revolução proletária mundial.
Ainda sob a direção de Grigory Yevseievich Zinoviev, a área principal de atuação do Komintern foi a Alemanha onde logo após o final da guerra e a queda da Monarquia Hohenzollern estourou uma revolta popular, a Revolução Alemã de 1918, incitada pela Spartakus Bund (Liga Spartacus), fundada por Rosa Luxemburg (“Rosa Vermelha”) e Karl Liebknecht, que em dezembro deste mesmo ano mudou o nome para Partido Comunista Alemão aceitando as 21 Condições do Komintern [5]. Além da Alemanha ser o principal país onde uma revolução era possível, a Spartakus Bund tinha grande influência nos sindicatos de marinheiros mercantes, dos mais atuantes em 1918, e o Komintern anteviu o potencial de disseminação mundial desses marujos [6]. Foi logo fundada em Hamburgo uma “Casa Liebknecht”, na aparência totalmente apartidária, para “descanso e lazer” dos marujos alemães e de outros países. Estas casas foram logo espalhadas pelos principais portos europeus, como Rotterdam, Antuérpia, Le Havre, Marselha, etc., e daí para o mundo. Organizava-se também a estiva nestes portos.
Na área sindical foi estimulada a filiação das centrais nacionais de trabalhadores à Internacional Vermelha de Centrais de Trabalhadores, Profintern, simultaneamente combatendo todos os outros movimentos sindicais, chamados de anarco-sindicais, por não terem uma direção internacional unificada. Na área política, principalmente após o Sétimo Congresso do Komintern em 1935, foi recomendada a política de Frentes Populares com outros partidos “progressistas”, mantendo no entanto o PC sua plena autonomia como Partido de Vanguarda. Esta política foi muito bem sucedida na França e na Espanha. Num memorável artigo [7] Dimitrov resume toda a importância desta política.
Nos Estados Unidos a grande vitória foi a penetração cultural, levada a efeito sob a direção de Willi Münzenberg. Münzenberg, um radical alemão com grande talento para trabalhos secretos, foi apresentado por Trotsky a Lenin ainda no exílio na Suíça e desde 1915 foi seu companheiro fiel. Foi apresentado por Lenin a Karl Radek, um intelectual radical polonês já do círculo íntimo de Lenin e protegido de Féliks Dzerzhinsky, o inventor do estado policial e fundador da primeira polícia política do regime comunista, a VTchK GPU (iniciais russas para Comissão Extraordinária de Todas as Rússias para Combater a Contra-Revolução e a Sabotagem; posteriormente foi abreviada para VTchK e popularmente conhecida como Cheka). Este trio comandou a infiltração na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.
Münzenberg foi o primeiro grande mestre numa nova forma de serviço secreto: o front secreto de propaganda e a manipulação de “companheiros de viagem”. Seu objetivo, plenamente alcançado, era criar o principal preconceito político de seu tempo: a crença de que qualquer opinião que servisse à política externa da URSS era derivada dos mais essenciais elementos da decência. Conseguiu instilar o sentimento, que passou a ser tido como a mais pura verdade, de que criticar a política soviética era típico da maldade, estupidez e da inveja, enquanto apoiar a URSS era prova de uma mente esclarecida e avançada, comprometida com o que há de melhor na humanidade e sensibilidade refinada [8]. Todos os “formadores de opinião” foram envolvidos: escritores, artistas, comentaristas, padres, professores, cientistas, capitães da indústria, psicólogos, etc. Todos faziam parte do que Münzenberg chamava com desprezo “Clube dos Inocentes” (daí derivam as expressões inocentes úteis e idiotas úteis). Estes não faziam parte dos que “sabem das coisas”, que conhecem a agenda secreta, e assim tinha que ser para que defendessem a “causa” com ardor moralístico e religioso. A lista dos “inocentes” é qualitativamente impressionante: Ernest Hemingway, John dos Passos, Lillian Hellman, George Groz, Erwin Piscator, Mary McCarthy, Adré Malraux, André Gide, Bertold Brecht, Dorothy Parker, Kim Philby, Guy Borgess, Sir Anthony Blunt, Romain Rolland, Albert Einstein, Upton Sinclair, George Bernard Shaw, H. G. Wells e muitos mais.
Em junho de 1933 Münzenberg organizou um encontro de intelectuais europeus no Congresso Anti-Fascista Europeu, em Paris que veio a se juntar a outros sob o nome Comitê de Luta Contra a Guerra e o Fascismo [9]. A década de 30 foi chamada de “A Década Vermelha” [10].
Na América Latina as principais realizações comunistas nesta infiltração foram em Cuba e no Brasil. Em 1933 em Cuba, seguindo a recomendação de fronts populares, apoiaram a “Revolta dos Sargentos” liderada por Fulgencio Batista, o qual se candidatou e foi eleito Presidente em 1940, com pleno apoio do PC Cubano. Exilado em 1944 retornou em 1952 e foi ditador até a vitória de Fidel Castro em 1959. Durante todo o tempo, até quase a chegada de Castro a Havana, o Partido Comunista apoiou Batista. Castro teve que se entender diretamente com Moscou.
No Brasil, a primeira grande ofensiva comunista se deu em 1935, na chamada Intentona, devidamente barrada pela pronta reação militar. Por ser sobejamente conhecida a sua história, deixo de apresentar detalhes.
INTERREGNO
A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O FIM DA ALIANÇA TEUTO-SOVIÉTICA
Em agosto de 1939, uma semana antes da invasão da Polônia, após anos de propaganda maciça e falsa contra o nazi-fascismo, a URSS assina o Pacto Molotov-Ribbentrop [11] com o até então propagandeado arqui-inimigo dos “povos amantes da paz”. No entanto, o Pacto que desamarrou as mãos de Hitler para começar a guerra, apenas culminou e trouxe às claras uma conspiração secreta muito mais antiga, iniciada logo após a I Guerra Mundial, que precisava mais do que nunca ser negada de todas as formas possíveis após a invasão da URSS por Hitler em 1941, já que agora o antigo aliado tornara-se o inimigo temido e odiado.
A história desta aliança de 11 anos (considerando-se oficialmente os anos de 1922 a 1933, mas que na verdade começou em 1919 e só terminou de fato em 1941) jamais foi contada no Brasil, pois a negação e a desinformação com que foi dissimulada desde o início, ainda continua vigorando entre nós, apesar da abertura dos arquivos secretos de Moscou. Já se pode perceber aqui uma das mais importantes conseqüências da terceira onda de infiltração que será descrita adiante: a má fé que faz com que parte da pseudo-intelectualidade brasileira omita, de caso pensado, todos os fatos do mundo comunista e o total apatetamento e anomia dos demais. Os cursos de história continuam falando de um antagonismo mortal entre a “esquerda socialista” (a palavra comunista é proibida e a socialista é atraente) e a “direita fascista”. Como esta foi uma das mais bem sucedidas operações de desinformação soviéticas, levantarei uma ponta do véu que a tem encoberto, baseado em relatos de documentos [12] que hoje estão à disposição de quem quiser ler – se puder se livrar de suas pré-concepções ideológicas.
Ainda sob a direção de Grigory Yevseievich Zinoviev, a área principal de atuação do Komintern foi a Alemanha onde logo após o final da guerra e a queda da Monarquia Hohenzollern estourou uma revolta popular, a Revolução Alemã de 1918, incitada pela Spartakus Bund (Liga Spartacus), fundada por Rosa Luxemburg (“Rosa Vermelha”) e Karl Liebknecht, que em dezembro deste mesmo ano mudou o nome para Partido Comunista Alemão aceitando as 21 Condições do Komintern [5]. Além da Alemanha ser o principal país onde uma revolução era possível, a Spartakus Bund tinha grande influência nos sindicatos de marinheiros mercantes, dos mais atuantes em 1918, e o Komintern anteviu o potencial de disseminação mundial desses marujos [6]. Foi logo fundada em Hamburgo uma “Casa Liebknecht”, na aparência totalmente apartidária, para “descanso e lazer” dos marujos alemães e de outros países. Estas casas foram logo espalhadas pelos principais portos europeus, como Rotterdam, Antuérpia, Le Havre, Marselha, etc., e daí para o mundo. Organizava-se também a estiva nestes portos.
Na área sindical foi estimulada a filiação das centrais nacionais de trabalhadores à Internacional Vermelha de Centrais de Trabalhadores, Profintern, simultaneamente combatendo todos os outros movimentos sindicais, chamados de anarco-sindicais, por não terem uma direção internacional unificada. Na área política, principalmente após o Sétimo Congresso do Komintern em 1935, foi recomendada a política de Frentes Populares com outros partidos “progressistas”, mantendo no entanto o PC sua plena autonomia como Partido de Vanguarda. Esta política foi muito bem sucedida na França e na Espanha. Num memorável artigo [7] Dimitrov resume toda a importância desta política.
Nos Estados Unidos a grande vitória foi a penetração cultural, levada a efeito sob a direção de Willi Münzenberg. Münzenberg, um radical alemão com grande talento para trabalhos secretos, foi apresentado por Trotsky a Lenin ainda no exílio na Suíça e desde 1915 foi seu companheiro fiel. Foi apresentado por Lenin a Karl Radek, um intelectual radical polonês já do círculo íntimo de Lenin e protegido de Féliks Dzerzhinsky, o inventor do estado policial e fundador da primeira polícia política do regime comunista, a VTchK GPU (iniciais russas para Comissão Extraordinária de Todas as Rússias para Combater a Contra-Revolução e a Sabotagem; posteriormente foi abreviada para VTchK e popularmente conhecida como Cheka). Este trio comandou a infiltração na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina.
Münzenberg foi o primeiro grande mestre numa nova forma de serviço secreto: o front secreto de propaganda e a manipulação de “companheiros de viagem”. Seu objetivo, plenamente alcançado, era criar o principal preconceito político de seu tempo: a crença de que qualquer opinião que servisse à política externa da URSS era derivada dos mais essenciais elementos da decência. Conseguiu instilar o sentimento, que passou a ser tido como a mais pura verdade, de que criticar a política soviética era típico da maldade, estupidez e da inveja, enquanto apoiar a URSS era prova de uma mente esclarecida e avançada, comprometida com o que há de melhor na humanidade e sensibilidade refinada [8]. Todos os “formadores de opinião” foram envolvidos: escritores, artistas, comentaristas, padres, professores, cientistas, capitães da indústria, psicólogos, etc. Todos faziam parte do que Münzenberg chamava com desprezo “Clube dos Inocentes” (daí derivam as expressões inocentes úteis e idiotas úteis). Estes não faziam parte dos que “sabem das coisas”, que conhecem a agenda secreta, e assim tinha que ser para que defendessem a “causa” com ardor moralístico e religioso. A lista dos “inocentes” é qualitativamente impressionante: Ernest Hemingway, John dos Passos, Lillian Hellman, George Groz, Erwin Piscator, Mary McCarthy, Adré Malraux, André Gide, Bertold Brecht, Dorothy Parker, Kim Philby, Guy Borgess, Sir Anthony Blunt, Romain Rolland, Albert Einstein, Upton Sinclair, George Bernard Shaw, H. G. Wells e muitos mais.
Em junho de 1933 Münzenberg organizou um encontro de intelectuais europeus no Congresso Anti-Fascista Europeu, em Paris que veio a se juntar a outros sob o nome Comitê de Luta Contra a Guerra e o Fascismo [9]. A década de 30 foi chamada de “A Década Vermelha” [10].
Na América Latina as principais realizações comunistas nesta infiltração foram em Cuba e no Brasil. Em 1933 em Cuba, seguindo a recomendação de fronts populares, apoiaram a “Revolta dos Sargentos” liderada por Fulgencio Batista, o qual se candidatou e foi eleito Presidente em 1940, com pleno apoio do PC Cubano. Exilado em 1944 retornou em 1952 e foi ditador até a vitória de Fidel Castro em 1959. Durante todo o tempo, até quase a chegada de Castro a Havana, o Partido Comunista apoiou Batista. Castro teve que se entender diretamente com Moscou.
No Brasil, a primeira grande ofensiva comunista se deu em 1935, na chamada Intentona, devidamente barrada pela pronta reação militar. Por ser sobejamente conhecida a sua história, deixo de apresentar detalhes.
INTERREGNO
A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E O FIM DA ALIANÇA TEUTO-SOVIÉTICA
Em agosto de 1939, uma semana antes da invasão da Polônia, após anos de propaganda maciça e falsa contra o nazi-fascismo, a URSS assina o Pacto Molotov-Ribbentrop [11] com o até então propagandeado arqui-inimigo dos “povos amantes da paz”. No entanto, o Pacto que desamarrou as mãos de Hitler para começar a guerra, apenas culminou e trouxe às claras uma conspiração secreta muito mais antiga, iniciada logo após a I Guerra Mundial, que precisava mais do que nunca ser negada de todas as formas possíveis após a invasão da URSS por Hitler em 1941, já que agora o antigo aliado tornara-se o inimigo temido e odiado.
A história desta aliança de 11 anos (considerando-se oficialmente os anos de 1922 a 1933, mas que na verdade começou em 1919 e só terminou de fato em 1941) jamais foi contada no Brasil, pois a negação e a desinformação com que foi dissimulada desde o início, ainda continua vigorando entre nós, apesar da abertura dos arquivos secretos de Moscou. Já se pode perceber aqui uma das mais importantes conseqüências da terceira onda de infiltração que será descrita adiante: a má fé que faz com que parte da pseudo-intelectualidade brasileira omita, de caso pensado, todos os fatos do mundo comunista e o total apatetamento e anomia dos demais. Os cursos de história continuam falando de um antagonismo mortal entre a “esquerda socialista” (a palavra comunista é proibida e a socialista é atraente) e a “direita fascista”. Como esta foi uma das mais bem sucedidas operações de desinformação soviéticas, levantarei uma ponta do véu que a tem encoberto, baseado em relatos de documentos [12] que hoje estão à disposição de quem quiser ler – se puder se livrar de suas pré-concepções ideológicas.
* * *
O já citado Karl Radek foi preso em Berlim em fevereiro de 1919 pela participação e organização através da Spartakus Bund da Revolução de 1918. Depois da assinatura do Tratado de Versailles, no verão do mesmo ano, Radek foi transferido de uma cela de segurança máxima para outra extremamente confortável. Nesta foram realizadas as primeiras reuniões secretas que levaram à cooperação entre o Exército Vermelho dos Operários e Camponeses e o Reichswehr (Exército Alemão). Em dezembro do mesmo ano Radek é libertado sem julgamento e vai a Moscou levando o esboço de um tratado de cooperação que reativaria o acordo feito por Lenin com o governo do Kaiser que lhe permitiu passar pelo território alemão para assumir o poder na Rússia em 1917 e que teve como conseqüência o cessar fogo e a paz de Brest-Litovsk de 3 de março de 1918. Durante este intervalo houve realmente antagonismo entre as forças “de direita”, (representada por diversos grupos para-militares, principalmente os Stahlhelm - Capacetes de Aço) e a Spartakus Bund. Os Stahlhelm podem ser considerados o núcleo de onde se originaram as Sturm Abteilungen (SA) do Partido Nazista.
Esta cooperação era de interesse fundamental para as duas partes. Na URSS, com a eliminação de quase toda a oficialidade do exército tzarista, principalmente do Generalato, o recém fundado Exército Vermelho não passava de um amontoado de amadores dirigidos por outro amador: Trotsky. Além de tudo, a Rússia estava diplomaticamente isolada. Já a Alemanha, encontrava-se limitada e humilhada pelo Tratado de Versailles que impusera pesadíssimas indenizações mas sobretudo uma suprema humilhação para os valorosos guerreiros prussianos: o Tratado proibia a Alemanha de possuir uma Força Aérea, submarinos, navios de guerra de grande tonelagem (cruzadores e encouraçados); proibia ainda a fabricação de aviões militares e dirigíveis, tanques e blindados em geral, e armas químicas. Limitava os efetivos em 100.000 homens. Portanto, os dois países poderiam ser chamados apropriadamente de “Párias de Versailles”.
Ficou acertado, portanto, que a Rússia incrementaria suas defesas ao receber capital e assessoria técnica, enquanto a Alemanha poderia fazer uso de bases altamente secretas no território russo para fabricar armamento ilegal, principalmente tanques e aviões de guerra, além do fornecimento de metais como molibdênio, níquel, tungstênio e especialmente manganês, sem o qual a produção alemã de aço ficaria paralisada. Formou-se uma empresa de fachada chamada GEFU (Gesellschaft zur Förderung gewerblicher Untermehmungen - Companhia para o Desenvolvimento de Empresas Industriais). Finalmente em 1922 foi assinado o Tratado de Rapallo, confirmado pelo Tratado de Berlin [13] de 1926. O Reichswehr foi autorizado a organizar bases militares na URSS para realizar testes de material, ganhando experiência em táticas e treinamento de pessoal nos setores proibidos pelo Tratado de Versailles. A Alemanha retribuía com compensações materiais e com o direito do Exército Vermelho participar dos testes e manobras. Uma fábrica de produção de gás mostarda e outra de munição de grosso calibre foram estabelecidas.
O segredo era total de ambas as partes. Os soldados alemães usavam trajes civis e não podiam dizer onde estavam nem para seus familiares. Mesmo após a nazificação da Alemanha e a mudança de nome de Reichswehr para Wermacht a colaboração continuava. Em 13 de maio de 1933 numa recepção na Embaixada do Reich em Moscou, Kliment Efremovitch Voroshilov, Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais (Ministro da Guerra), falou da aspiração de manter boas relações entre os “exércitos amigos” no futuro. E o General Mikhail Nikolayevich Tukhachevsky, Vice Comissário e Chefe do Estado-Maior afirmou: “Não se esqueçam que é nossa política que nos separa, não nossos sentimentos de amizade do Exército Vermelho e da Wermacht (...) vocês e nós, Alemanha e URSS, podemos ditar nossos termos ao mundo todo se permanecermos juntos”. Não obstante, uma das razões para os grandes expurgos de 1936-38, os chamados “Julgamentos de Moscou” [14], foi para manter o segredo destas operações altamente secretas. Stalin executou todos os principais artífices soviéticos desta conspiração, incluindo Tukhachevsky, Radek e Zinoviev. Voroshilov foi um dos acusadores.
Os dois países encontravam-se unidos contra o mundo ocidental, independentemente das agitações maquinadas pelo Partido Comunista Alemão e pelas divergências internas, o que levou Lloyd George a declarar, no final da Primeira Guerra: “O maior perigo do momento consiste no fato da Alemanha unir seu destino com os Bolcheviques e colocar todos os seus recursos materiais e intelectuais, todo seu talento organizacional ao serviço de fanáticos revolucionários, cujo sonho é a conquista do mundo pela força das armas. Esta ameaça não é apenas uma fantasia” [15]. E não era! A história posterior só fez comprovar a idéia profética do ex Primeiro Ministro Britânico!
* * *
Esta conspiração precisava ser mais dissimulada ainda após as hostilidades e, em parte, para isto foi fundado em 1943 o Kominform [16] (Bureau Comunista de Informação) que durou até 1956, quando foi dissolvido na “desestalinização”. O Kominform era coordenado pelo PCUS e pelos partidos comunistas da Bulgária, Checoslováquia, França, Hungria, Itália, Polônia, Romênia e Iugoslávia (esta última até sua expulsão em junho de 1948). O Komimform foi o responsável pela intensa desinformação durante a guerra e o pós-guerra imediato e através dele Stalin plantou no Ocidente a falsidade da oposição entre o socialismo – de esquerda – o bem maior para o qual curvava-se o “processo histórico”, e o nazi-fascismo – de direita – na contramão do “processo histórico”. Quando na realidade são vinhos da mesma pipa.
A SEGUIR: SEGUNDA OFENSIVA – TERCEIRA ESTRATÉGIA E TERCEIRA OFENSIVA
Notas:
A SEGUIR: SEGUNDA OFENSIVA – TERCEIRA ESTRATÉGIA E TERCEIRA OFENSIVA
Notas:
[1]Este artigo é baseado em Palestra com o mesmo título apresentada no Clube Militar do Rio de Janeiro em 05/07/05, sob os auspícios da ONG TERNUMA (Terrorismo Nunca Mais)
[2]Uma abordagem mais detalhada dessas estratégias será feita num próximo artigo: True Lies III: Perestroika, a Mentira do Século.
[4] Two open letters by Lenin to the American and European workers, in http://www.marxists.org/reference/archive/dimitrov/works/1919/lenin.htm
[6] Uma descrição romanceada mas fiel está no livro de Richard Julius Hermann Krebs, sob o pseudônimo de Jan Valtin, Do fundo da Noite. Em inglês Out of the Night.
[8] Stephen Koch, Double Lives: Spies and Writers in the Secret Soviet War of Ideas Against the West, Free Press, NY, 1994.
[9] Richard Gid Powers, Not Without Honor: The History of American Anticommunism, Yale Univ. Press, London & New Haven, 1995.
[10] Eugene Lyons, The Red Decade: The Stalinist Penetration of America, Bobbs-Merril, Idianapolis, 1941.
[12] Ver The Red Army and the Wermacht: how the Soviets militarized Germany, 1922-1933, and paved the way for Fascism, Yuri Dyakov & Tatiana Bushueyva, Prometheus Book, NY, 1995.
[13] Ambos podem ser lidos em http://www.geocities.com/Athens/Troy/1791/rapollo.html
[15] Citado em Truth about Peace Treaties, Munich, 1957.
As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano - Parte II
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Heitor De Paola em 13 de agosto de 2005
Resumo: McCarthy foi um presente dos deuses para os comunistas de todo o mundo, pois deu aos inimigos do anti-comunismo o que eles esperavam desde o início da Guerra Fria: um rosto onde colocar o velho estereótipo de fascista anti-comunista histérico.
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SEGUNDA ESTRATÉGIA (CONTINUAÇÃO) - PERÍODOS PÓS-GUERRA E GUERRA FRIA
"Perpetual peace is a futile dream".
“… give me 10 days and I'll start a war with those God damn Reds and make it look like their fault. Then we can push the motherfuckers back into Moscow where they belong! (…) If we have to fight them, now is the time. From now on we will get weaker and they stronger”. General George S Patton
À medida que ia conhecendo melhor os soviéticos crescia a forte convicção de Patton, talvez o mais genial dos generais da II Guerra, de que a melhor atitude seria esmagar o comunismo ali mesmo, enquanto havia chance de fazê-lo ao menor custo de vidas americanas. Numa reunião com o Secretário da Guerra Americano, Robert Patterson, em 7 de maio de 1945 na Suíça [1], Patton sugeria que, dado o imenso problema de suprimentos que o Exército Vermelho enfrentava, “não vamos dar tempo a eles de arranjar suprimentos. Se dermos, teremos apenas vencido e desarmado a Alemanha mas teremos falhado na libertação da Europa; teremos perdido a guerra!”. Em mais uma de suas grandes tiradas, concluiu: “devemos manter nossas botas polidas, baionetas afiadas, e apresentarmo-nos fortes perante os russos. Esta é a única linguagem que eles entendem e respeitam”.
Patton foi deixado sem combustível na arrancada final para Berlin, todos os exércitos ocidentais pararam de avançar, por ordem de Roosevelt através de Eisenhower, até que os russos chegassem a Berlin, como ficara acertado nas reuniões entre os Três Grandes em Teheran e Yalta [2]. Já Stalin não cumpriu com nenhum dos acordos que assinara além de fazer mais exigências em Potsdam, que só foram aceitas pela covardia de Truman, só superada pela de Roosevelt nas duas anteriores. Roosevelt, um socialista declarado que pela primeira vez tinha posto a funcionar um programa socialista nos EUA – o New Deal – tinha uma fascinação pelo ditador soviético que chamava Uncle Joe, a quem acreditava que podia manobrar, sem perceber que era ele que estava sendo habilmente manipulado pelo titio.
A previsão de Patton não tardou em se realizar. O final da Segunda Guerra possibilitou o expansionismo da URSS para todos os países conquistados pelo Exército Vermelho. De comunismo num só país chegou-se a um bloco de 12 países submetidos à sovietização forçada na Europa Oriental, o que levou Churchill, num discurso em Fulton, Missouri, em março de 1946, a criar o termo “Cortina de Ferro”. Seguiram-se as tentativas de tomada da Grécia, da Turquia e do Irã. Já salvar a Áustria tinha sido muito difícil. O titio queria tudo! Além disto, a recusa da URSS em permitir que os países da Cortina de Ferro recebessem a ajuda do Plano Marshall, atacado como apenas mais um plano imperialista, o cerco a Berlin Ocidental e o reforço aos Partidos Comunistas na França e na Itália acabaram por, finalmente, abrir os olhos do Secretário de Estado americano George C. Marshall para com que tipo de gente estava lidando: como Patton dissera, com gente que só entende a linguagem da força! Com o início da reação americana estava instalada a chamada Guerra Fria. Porém, por não seguirem as palavras de Patton, foi preciso pagar o custo de inúmeras vidas americanas no leste da Ásia, com as tentativas expansionistas para a Coréia e posteriormente para a Indochina.
No entanto, a fome, a ineficiência administrativa e o fracasso da repressão maciça, o anti-semitismo declarado (em 1 de dezembro de 1952, numa reunião do Politburo, Stalin declarava que “todo judeu é um nacionalista e agente potencial da inteligência americana”) levou a uma crise geral no mundo comunista e ao abandono da segunda estratégia. A economia e a agricultura estavam em ruínas, o poder total era exercido pela polícia política. Surgiram guerrilhas nacionalistas nos países da Cortina de Ferro.
A morte de Stalin em 1953 desencadeou uma terrível luta interna no PCUS em que pereceram Lavrientii Beria e Andrieij Zhdanov, criador e diretor do Kominform. Em 1956, no XX Congresso do Partido, Khrushchov denuncia alguns – não todos! – “crimes de Stalin”, com o duplo objetivo de dar uma aparência de transparência e de salvar a ideologia comunista bastante desmoralizada pela truculência dos últimos anos, colocando toda a culpa no ex-ditador. O discurso, considerado secreto, “vazou” para toda a URSS um mês depois, o que evidencia que o segredo era conto da carochinha. Como Stalin já fizera com Trotsky, sua imagem some de todas as fotos oficiais. Foi este fato que inspirou Orwell a compor a atividade de seu personagem principal de 1984, Winston, no “Ministério da Verdade”. Após uma batalha final na luta pelo poder em 1957, contra os stalinistas descontentes do chamado “Grupo Anti-Partido”, liderado por Vyachieslav Molotov, Georgy Malienkov e Lazar Kaganovitch, Nikita Sergeyevitch Khrushchov assume a Primeira Secretaria do PCUS, elimina o Kominform, completando a conquista do poder em 1958 ao afastar Malienkov e tomar também o cargo de Primeiro Ministro da URSS. Em reunião secreta do Politburo em 1958 decidiu-se abandonar esta estratégia e foram elaboradas as linhas mestras da Terceira, que foi implantada paulatinamente até a Perestroika em 1985.
Em 1964 Khrushchov é derrotado no Comitê Central e afastado. Foi a primeira transição pacífica do regime e o primeiro líder soviético a morrer de causas naturais. Consoante a decisão de voltar à direção colegiada preconizada por Lenin, assume a “Troika”: Leonid Brezhnev, como Primeiro Secretário do Partido, Alieksiéi Kosygin, como Primeiro Ministro e Nikholai Podgorny como Presidente do Presidium do Soviet Supremo, cargo que veio a ser tomado por Brezhnev em 1977 até a sua morte em 1982.
SEGUNDA OFENSIVA MUNDIAL (1944-1985)
“The Soviet Union is a clear and present danger to America and the West (because) nothing less that the entire world can in the end, satisfy totalitarian imperialism”. Arthur M. Schlesinger Jr., 1948
Como a guerra atingiu direta ou indiretamente todos os continentes, o pós-guerra imediato foi um período de acomodação e realinhamento político-ideológico mundial. Os fatos mais importantes deste período (1945 a 1964) foram:
1- Criação da Organização das Nações Unidas, 1945;
2- Criação do Estado de Israel, 1948;
3- Tomada do poder na China pelos comunistas em 1949;
4- Nasser e os oficiais nacionalistas tomam o poder no Egito, 1952;
5- Criação das bases do Movimento de Países Não-Alinhados na Conferência de Bandung, Indonésia, em 1955 pelos líderes da Índia – Jawaharlal Nehru – Egito – Gamal Abdel Nasser- e Iugoslávia - Josip Broz “Tito”;
6- Guerra da Indochina 1947-53 terminada com a derrota francesa para o Exército comunista de Ho Chi Minh e Vo Nguyen Giap, o Viet Minh, na Batalha de Dien Bien Phu, 1953-54. Criação de dois Vietnãs: o do Norte, comunista, e o do Sul, ainda sob influência européia que, com a retirada francesa, solicita o envio de “assessores militares” americanos;
7- Processos de descolonização na África e Ásia;
8- Revolta na Hungria, 1956
9- Nasser nacionaliza o Canal de Suez, 1956, Inglaterra, França e Israel invadem o Egito;
10- Castro toma Havana e declara-se comunista, Tratado de Amizade com Moscou. Toma novo impulso a ofensiva comunista na América Latina voltada principalmente para Venezuela e Brasil;
11- Crise de Berlin, 1961: Khrushchov ameaça interromper o tráfego entre a cidade de Berlin e a Alemanha Ocidental. Kennedy estuda a estratégia de “First Strike” (Atacar sem aviso prévio a URSS com mísseis nucleares, caso esta invadisse Berlin). Início da construção do Muro de Berlin;
12- Crise dos mísseis soviéticos em Cuba, 1961, bloqueio da ilha, retirada dos mísseis mediante garantia americana de que não interferiria em Cuba;
13- Cuba é expulsa da Organização dos Estados Americanos, 1962.
Em todos estes acontecimentos a URSS esteve presente. Em 10 de fevereiro de 1941 o General Walter Krivitsky, ex-chefe do GRU (Diretório Central de Inteligência – órgão militar), exilado nos EUA, foi encontrado morto em Nova York. As investigações [3] não conseguiram nenhuma evidência de assassinato, parecia suicídio mas muito providencial, pois três anos antes de sua morte Krivitsky havia convencido o membro do Partido Comunista Americano Whittaker Chambers a reconhecer que o comunismo não passava de mais uma forma de ditadura sem nenhuma ideologia que não a tomada do poder. Chambers não só reconheceu como denunciou vários ex-correligionários como Alger Hiss, funcionário do Departamento de Estado e seu irmão Donald, como membros do Partido e agente do GRU, a ninguém menos que o próprio Roosevelt que riu e mandou-o a um lugar não publicável [4]. Roosevelt não só riu como promoveu Alger. Tentativas de denunciar a Dean Acheson, Sub-Secretário de Estado, deram no mesmo.
Pois na Assembléia de fundação da ONU, o Secretário Geral nomeado por Roosevelt era exatamente Alger Hiss. A influência de Stalin na fundação da ONU, na elaboração de sua Carta e na escolha da sede, é inegável. A Carta defendendo direitos humanos que Stalin – e seus sucessores – jamais pretenderam obedecer, servia como uma luva para acusar os países ocidentais quando da ocorrência de qualquer deslize menor. A escolha de uma cidade americana, e de preferência próxima a Washington D.C., era fundamental para a infiltração de agentes sob o manto da proteção diplomática. Hiss também havia sido o arquiteto da Conferência de Yalta (fevereiro de 1945) [5] entre os três grandes, onde desempenhou papel importante na divisão do mundo em áreas de influência, garantindo à URSS uma parte leonina. A infiltração de agentes comunistas em postos chave do governo americano vem, portanto, desde a administração Roosevelt, como veio a ser revelado pelo Projeto Venona [6] de análise criptográfica dos documentos de fontes soviéticas que vieram a confirmar também a atuação do casal Rosenberg na transmissão de informações nucleares americanas para a URSS. Já aqui funcionou a pleno vapor o aparelho de denúncias de violação dos direitos humanos, enquanto Stalin prendia, torturava e matava à vontade.
Em 1948, quando trabalhava na revista Time, Chambers foi chamado a depor no Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara de Representantes (HUAC) e reafirmou as acusações produzindo inclusive evidências inegáveis através de microfilmes de 65 documentos datilografados por Hiss (a máquina foi identificada pelos laboratórios do FBI) em 1938, contendo cópias de documentos secretos roubados pelo próprio. Estes papéis ficaram conhecidos como os Pumkin Papers [7]. Chambers reuniu todas as evidências e a história do período em seu livro Witness [8] e, embora atacadas como mentirosas por toda a intelectualidade esquerdista da época, têm sido confirmadas uma a uma pela abertura de todos os documento secretos. Estas revelações e também o desrespeito por Stalin aos acordos de Yalta, principalmente a prisão dos membros do Governo Polonês Provisório no Exílio, criaram nos EUA – e no mundo em geral – um quase consenso anti-comunista [9]. Este consenso tinha que ser destruído e no seu lugar criar um outro: a demonização do anti-comunismo.
O ano de 1948 é também o da candidatura radicalmente esquerdista de Henry Wallace à Presidência dos EUA e das peripécias da esquerda americana que se lhe seguiram, já contadas por mim em outro artigo [10]. A infiltração na área cultural americana continuou e se intensificou seguindo os passos de Münzenberg. De maneira geral, toda a mídia e o show business americano foram devidamente doutrinados pelos agentes soviéticos e a grande maioria de escritores, cineastas, redatores da mídia, artistas, etc. se tornaram facilmente companheiros de viagem. No mês de agosto do mesmo ano reunia-se em Breslau (hoje Wroclaw), Polônia, a “Conferência Cultural pela Paz”, convocada pelo Kominform através dos já companheiros de viagem europeus, numa “Carta Aberta aos Escritores e Homens de Cultura dos Estados Unidos”. Os americanos que compareceram prepararam imediatamente outra reunião no Hotel Waldorf Astoria, Nova Iorque em 1949, denominada “Conferência Cultural e Científica pela Paz Mundial” que contou com o apoio explícito de Albert Einstein, Charlie Chaplin, Leonard Bernstein, Pablo Picasso e muitos outros nomes famosos. Um mês depois, reunia-se em Paris o “Congresso Mundial da Paz”. O alvo principal destes movimentos era liquidar o Plano Marshall que apontava para uma rápida recuperação da Europa não dominada por Stalin[11] que estagnava num império de repressão, decadência moral e econômica. A comparação era, obviamente, temida.
Os intelectuais anti-comunistas planejaram uma contra-ofensiva. Entre eles estavam George Orwell, Anthur Koestler (que tinha sido garoto propaganda de Münzenberg), Hanna Arendt, Melvin Lasky, Raymond Aron e Sidney Hook, Diretor de “Americanos pela Liberdade Intelectual”. Mas a reação era tímida pois depois do brado de Sartre – “todo anti-comunista é um rato!” - mesmo os escritores mais famosos encontraram dificuldade para publicar suas obras.
No movimento anti-comunista deve-se destacar a ação do Comitê de Atividades Anti-Americanas (HUAC). Existindo de forma provisória desde 1938 tornou-se permanente em 1945 quando passou a investigar as atividades comunistas na indústria cinematográfica. Seu maior feito, como já foi descrito acima foi a investigação sobre os irmãos Hiss. Mas somente em 1946, com o Partido Republicano assumindo a maioria na Câmara, o Comitê, agora presidido por J. Parnell Thomas, passou a investigar a fundo a penetração comunista em Hollywood. Para não entrar em muitos detalhes selecionei o testemunho neste Comitê da escritora Ayn Rand, russa de nascimento, tendo fugido em 1926 e anti-comunista convicta. Rand foi uma das denunciantes e desafiada a mostrar o que via como propaganda na produção cinematográfica deu um impressionante e arrasador testemunho sobre o filme The Song of Russia, de 1941, estrelado por Robert Taylor, que vale a pena ser lido na íntegra por todos aqueles que sabem que as produções artísticas – mormente filmes, teatro e novelas – são propaganda mas não têm idéia do como se faz [12], pois Rand disseca o filme com excepcional maestria. Rand, sem dúvida uma das maiores defensoras da liberdade de pensamento, assim se expressou quando foi condenada por denunciar colegas: “O princípio de liberdade de expressão requer que não passemos leis proibindo (os Comunistas) de falar. Mas este princípio não implica em que devemos dar a eles emprego e apoio para defenderem nossa destruição às nossas custas”.
Este Comitê é freqüentemente – e propositadamente – confundido com o Comitê sobre Operações Governamentais do Senado a cujo Sub-Comitê Permanente de Investigações pertencia o Senador Joseph McCarthy. A confusão é de um primarismo atroz, pois um Senador jamais poderia fazer parte de um Comitê da Câmara. Apesar disto, colou e até hoje a confusão se mantém. McCarthy foi um presente dos deuses para os comunistas americanos e de todo o mundo, pois deu aos inimigos do anti-comunismo o que eles vinham esperando desde o início da Guerra Fria: um nome e uma cara onde colocar o velho estereótipo de fascista anti-comunista histérico. Segundo Powers (op.cit.) McCarthy foi o maior desastre na desastrada história do anti-comunismo da América. McCarthy começou sua carreira anti-comunista em 1950 – três anos após o depoimento de Ayn Rand – com um discurso em que dizia ter uma lista de 205 nomes de altos funcionários do governo federal que eram agentes soviéticos. Sua atuação foi de tal modo histérica que não demorou para que até mesmo republicanos achassem exagerado, solidificando a idéia de que o anti-comunismo não passava de delírios furiosos de um maluco. Iniciava-se a grande mitologia da “Era McCarthy”, do “macartismo” que teria mergulhado os EUA num reino de terror. Peter Collier e David Horowtiz (citados por Monica Charen, op. Cit.) descreveram em 1989 que “trinta anos após a morte de Joe McCarthy, o macartismo se tornou sinônimo de autoridade sinistra e repressão política... indivíduos e partidos (complemento eu: mundo afora) competem em rotular outros com o macartismo como o trunfo moral com o qual paralisam automaticamente qualquer argumento”. Quem não ouviu alguém dizer, em tom de suprema indignação moral: isto é macartismo!
Pois o uso que a eficiente contra-propaganda soviética fez deste mito, confundindo investigações sérias com estridências delirantes, fez com que todos os envolvidos tanto em Hollywood como no governo fossem vistos como pobres vítimas inocentes. A verdade é bem outra. Hollywood estava mesmo infestada de agentes soviéticos. E as poucas dezenas de funcionários federais que McCarthy conseguiu acusar, através do Projeto Venona e da abertura dos arquivos secretos soviéticos autorizada por Yeltsin, revelaram-se mais de 300 agentes soviéticos infiltrados nos governos Roosevelt e Truman. Ann Coulter (op. cit.) cita no primeiro escalão, além dos irmãos Hiss, Harry Dexter White, Sub-Secretário do Tesouro, Lauchlin Currie, Assistente Administrativo de Roosevelt, Duncan Lee, Chefe do Estado-Maior do Office of Strategic Services (OSS) antecessor da CIA, Harry Hopkins, Assistente Especial de Roosevelt, Henry Wallace, Vice-Presidente 1940-1944 (depois candidato radical), Harold Ickes, Secretário do Interior, e muitos, muitos mais.
Antes de passarmos à América Latina é preciso mencionar um movimento que se não foi fundado diretamente por Moscou, teve sua influência e apoio: o Movimento de Países Não Alinhados (NAM) [13]. O termo foi cunhado pelo Primeiro Ministro da Índia, Jawaharlal Nehru num discurso no então Ceilão (hoje Sri Lanka) onde definiu seus cinco pilares: 1. respeito pela integridade territorial, 2. não agressão mútua, 3. não interferência em assuntos internos dos outros países, 4. benefícios mútuos e igualitários e 5. co-existência pacífica. Em 1955 em Bandung, Indonésia, são lançadas as bases do movimento, embora somente em 1961, em Belgrado, Iugoslávia, ocorreu a primeira reunião de cúpula organizada por Nehru, Nasser e Tito e apoiada por Ahmed Sukarno, Presidente comunista da Indonésia. Compareceram 25 países da África, Ásia e Cuba, um país obviamente alinhado com a URSS. O movimento – que defendia um distanciamento igual dos dois blocos na Guerra Fria – existe até hoje com outros propósitos como o Grupo dos 77.
Enquanto durou a Guerra Fria a URSS usou seus fortes laços com Cuba e Índia e os da China com o Paquistão, o Vietnã e a Indonésia, para fazer do NAM uma espécie de amortecedor de suas próprias ações agressivas, principalmente em referência aos itens 3. e 5. acima, como argumentos utilizados sempre que era acusada de ferir os “direitos humanos” retrucando que não admitia ingerências ns sua política interna; enquanto freqüentemente interferia em diversos países, como veremos a seguir, especificamente na América Latina.
A SEGUNDA OFENSIVA NA AMÉRICA LATINA
A guerra revolucionária é uma luta de classes, de fundo ideológico, imperialista, para a conquista do mundo; tem uma doutrina, a marxista-leninista. É uma ameaça para os regimes fracos e uma inquietação para os regimes democráticos. Perfaz, com outros, os elementos da guerra fria. (...) concebida por Lenin para, de qualquer maneira, continuar a revolução mundial soviética. Marechal Castello Branco, 1962
Como no resto do mundo, as Embaixadas Soviéticas eram centros de espionagem e entre seu pessoal diplomático constava uma rezindientura, uma “residência” do KGB e outra do GRU (militar). O rezidient do KGB, chefe da espionagem no país, tinha funções mais importantes do que o Embaixador e freqüentemente era hierarquicamente superior. É preciso reafirmar que todos os órgãos comunistas no exterior – visíveis ou clandestinos – têm uma única finalidade estratégica permanente: a conquista mundial, no que difere do serviço diplomático dos países democráticos, cujos órgãos secretos realizam principalmente operações de informação e contra-informação e só acessoriamente em casos extremos de intervenção direta nos assuntos internos dos países em que estão como representantes. O mesmo se pode dizer dos Partidos Comunistas, tenham o nome que tiverem, que jamais são partidos que representem interesses nacionais ou mesmo regionais, mas sempre são representantes do movimento comunista internacional do momento, seja o Komintern, o Kominform, a OLAS, o Foro de São Paulo, etc. Ainda hoje, como veremos a seguir na Parte III, as Embaixadas russas têm a mesma função.
Entre 1945 e 1959 a estratégia mundial era baseada na chamada “visão etapista” [14], segundo a qual há necessidade de uma etapa nacional-burguesa ou nacional-desenvolvimentista, que sob a égide e comando da burguesia permitiria a melhor organização dos trabalhadores e a superação dos óbices históricos do modo de produção capitalista, em particular, o latifúndio. Era preciso identificar uma burguesia nacional capaz de contrapor-se aos interesses dos demais países capitalistas e criar um capitalismo nacional autônomo. Por esta razão o Partido Comunista Cubano sempre procurou alianças com partidos burgueses tradicionalmente nacionalistas, e como já foi dito, apoiou firmemente o governo de Fulgencio Batista até sua dissolução com a fuga dos principais líderes e a chegada iminente de Castro a Havana.
Castro, inicialmente se auto-declarava católico (foi criado em colégios jesuítas) e até pousou para fotos de terço ao pescoço. Para o PCC Castro não passava de um aventureiro. Membro do Partido Socialista Popular e da Liga Anti-Imperialista 30 de Setembro desde 1946, viajou para Panamá, Venezuela e Colômbia em 1948 em preparação para o Congresso Latino Americano de Estudantes. Neste último país, onde se realizava então a 9a Conferência Pan-Americana, logrou entrevistar-se com o líder do Partido Liberal, Jorge Eliecer Gaitán, que horas depois foi assassinado, iniciando-se o movimento que veio a ser conhecido como Bogotazo [15], uma revolta popular que representa um primeiro ataque comunista direto no continente, na qual Castro faz seu batismo de fogo. A intenção era destruir a Conferência onde se estudavam medidas contra a ofensiva comunista que se iniciava na América do Sul e derrubar o Governo conservador colombiano. Castro, juntamente com Alfredo Guevara, Olivares e Rafael Del Pino tomam parte ativa no movimento que também foi apoiado por Rómulo Betancourt, então ditador da Venezuela. Com a derrota, de volta a Havana Castro adota como seu livro de cabeceira o Que Fazer? de Lenin. Em 1953, com a derrota na tentativa de tomar o Quartel Moncada refugia-se no México aonde vem a conhecer Ernesto “Che” Guevara, General Bayo e outros comunistas. A tomada do poder por Castro em 1959 marca uma profunda e radical mudança da ofensiva comunista na América Latina.
Como relata com rigor histórico Percival Puggina [16]: “Dissolveu-se o Congresso, desmontaram-se os partidos existentes, cassaram-se direitos políticos, instalaram-se tribunais revolucionários, cujas sentenças não estavam sujeitas a recursos, suspendeu-se o direito ao habeas corpus, emitiram-se leis que permitiram o seqüestro de bens, inclusive bens de cubanos residentes no exterior que praticassem atos contra a revolução, e instituiu-se a pena de morte para os delitos contra o novo regime” (p. 38). No final do ano de 1959, já não havia dúvida de que Fidel Castro não era o herói da democracia em que muitos acreditaram, e sim um ditador comunista. No início do ano seguinte, 1960, o ditador faz a reforma agrária e a nacionalização de refinarias de petróleo, empresas comerciais, bancos e estabelecimentos industriais. O comunismo chegara à antiga Pérola do Caribe. Fidel Castro continuou governando o país com mão-de-ferro por quarenta e cinco anos, num regime de partido único, com a proibição de qualquer tipo de oposição”.
Com esta importante base territorial ao mesmo tempo dentro da América Latina e a poucas milhas ao sul do execrado inimigo, a URSS se viu subitamente fortalecida. A estratégia baseou-se fundamentalmente na ofensiva contra dois países chaves da região: Venezuela e Brasil. Chamo aqui atenção para o que está ocorrendo hoje e será objeto da parte III: não é coincidência que o atual eixo seja novamente Havana-Caracas-Brasilia, é estratégia de longo prazo profundamente estudada e sistematicamente seguida! Esta pode ser a principal contribuição desta série de artigos.
O primeiro país, por estar nadando num mar de petróleo e com isto podia – e ainda pode – realizar duas tarefas revolucionárias simultâneas: fornecer o petróleo aos aliados comunistas e negá-lo aos EUA no caso de conflito armado. Contrariando a tradicional mentira de que os revolucionários sempre lutaram contra as ditaduras (como em Cuba), a Venezuela gozava da mais ampla democracia sob o governo agora legitimamente eleito de Rómulo Betancourt (1959-1964) que pusera fim a 60 anos de sucessivas ditaduras, golpes de Estado, “pronunciamientos” e “governos provisórios”. Betancourt foi o segundo Presidente eleito em eleições diretas no século XX e o quarto em toda a história venezuelana, sendo que o anterior, Rómulo Gallegos, eleito em 1948, foi derrubado no mesmo ano pelo Tenente Coronel Carlos Eduardo Chalbaud. Como fosse impossível a infiltração comunista no governo – embora Betancourt tenha sido acusado de “homem de Moscou” por ter tomado parte do Bogotazo – os ataques ao país foram violentos. As praias caribenhas da Venezuela estavam coalhadas por constantes invasões de barcaças cubanas transportando armas russas e tchecas. Movimentos guerrilheiros eram estimulados e derrotados pelo governo que continuou a transição democrática até o golpe de Hugo Chávez.
Já o Brasil, por ser o maior, mais rico em recursos naturais, com uma estrutura agrária que embora antiquada era extremamente promissora e em vias de industrialização acelerada no governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitstchek, despertava a cobiça internacional, não só aos comunistas diga-se de passagem. Mas aqui foi diferente pois encontrou um governo dócil ao comunismo na figura de João Goulart.
A meu ver - opinião que reconheço exposta a muitas críticas – o governo Goulart é fruto de um erro cometido na Constituição de setembro de 1946. Recém saídos da ditadura Vargas os Constituintes quiseram estabelecer uma Constituição o mais democrática possível e incorreram em alguns erros, sendo um deles a eleição em chapas separadas do Presidente e do Vice-Presidente. Já no primeiro governo após Dutra (1946-51) quando foi eleito o ex-ditador Getúlio Vargas, o seu vice foi de outro Partido, Café Filho. Getúlio aproximou-se muito das esquerdas, principalmente com a nomeação de João Goulart para Ministro do Trabalho, desde então um populista de esquerda. Um ano após o suicídio de Getúlio este dispositivo já deu problemas pois apesar das eleições terem dado a vitória a Juscelino Kubitschek e Goulart para Vice (agora numa coligação PSD/PTB), setores anti-comunistas tentaram impedir a posse dos mesmos, que veio a ser sustentada pelo então Ministro da Guerra Henrique Duffles Teixeira Lott, com o apoio explícito do General Humberto de Alencar Castello Branco que veio a romper com o mesmo quando, meses depois, as organizações sindicais resolveram entregar ao ministro uma espada de ouro.
Delineava-se aí o incremento da ruptura dentro das Forças Armadas que viria a desabrochar claramente em 1961 e depois em 1965. Lott foi o candidato a Presidente pela coligação PTB/PSD e mais uma vez Goulart a Vice. Nas eleições de 1960 ocorreu o que poderia ser previsto. Jânio Quadros, candidato apoiado pela UDN – mas contra alguns de seus principais líderes como Carlos Lacerda – tinha como candidato a Vice o mineiro Milton Campos. Os eleitores escolheram Jânio e Jango e com a renúncia do primeiro 7 meses após a posse formou-se a confusão, habilmente solucionada pela adoção do regime parlamentarista para que Jango fosse aceito pelos setores anti-comunistas. Digo habilmente mas não eficientemente, pois desde então até março de 1964 o Brasil foi quase pura agitação. Num artigo anterior [17] faço um relato destes tempos atribulados. Num plebiscito de resultados duvidosos em janeiro de 1963, volta-se ao regime presidencialista e o governo até então razoavelmente contido no seu afã esquerdista, entra em fase de implantação de uma ditadura sindicalista no Brasil. É neste ponto que defendo que se as chapas fossem únicas, com a posse de Milton Campos, um valoroso e intransigente democrata, a história do Brasil seria bem outra.
Todas as organizações populares fundadas ao longo da ditadura Vargas – sejam sindicatos, sejam órgãos previdenciários – apesar de terem trazido algum benefício de curto prazo para a população, tinham a principal finalidade de funcionar como massa de manobras, a tal ponto que se criou o termo “pelego” para os líderes sindicais, evidenciando que serviam apenas de suportes para a sela em que os dirigentes montavam. Estas organizações foram utilizadas por todos os governos – e ainda o são – mas principalmente na era Goulart serviam de suporte para os desmandos do governo federal e seus acólitos. Com seu apoio Goulart tentou passar no Congresso as “Reformas de Base”, passo inicial para sua futura ditadura personalista sindical com forte influência comunista.
Sucede que o Brasil daquela época contava com líderes anti-comunistas civis e militares de primeira grandeza. Só para citar alguns Governadores: Lacerda no Rio, Adhemar de Barros em São Paulo, Magalhães Pinto em Minas, Ildo Meneghetti no Rio Grande do Sul, etc. Possuíam também maioria no Congresso Nacional, apesar das estridências das esquerdas. As altas patentes militares, formadas por ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ou seus discípulos diretos. A Igreja Católica era pré-Teologia da Libertação e maciçamente se opunha à comunização do País.
O povo brasileiro levantou-se em massa contra os projetos janguistas e comunistas, principalmente após o apoio do Presidente à insubordinação hierárquica dos sargentos e fuzileiros e do Comício da Central do Brasil [18] de 13 de março de 1964, onde Leonel Brizola pregou abertamente o fechamento do Congresso e o apoio comunista ficou ainda mais patente nos discurso e nas faixas e cartazes. Nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, entre as quais a principal foi em São Paulo [19], exigiram a manutenção do regime democrático no que foram plenamente atendidas pelas forças armadas e pelo Congresso Nacional onde até mesmo o democrata ex-Presidente Juscelino Kubitschek, então Senador por Goiás, apoiou o movimento. Não foi portanto um “golpe de Estado” para implantar uma ditadura “fascista” mas um legítimo movimento contra-revolucionário para impedir uma ditadura comunista. Foi então abortada a primeira leva desta segunda ofensiva não apenas no Brasil mas momentaneamente provocou um arrefecimento da ofensiva em todo o Continente e a necessidade de elaborar uma nova estratégia regional.
A RESPOSTA: A CONFERÊNCIA TRICONTINENTAL DE HAVANA
A resposta foi dada por Cuba através da Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos reunida em Havana em 3 de janeiro de 1966[20]. Compareceram 83 grupos de vários países dos três continentes, com 513 Delegados, 64 Observadores e 77 Convidados. 27 países latino-americanos estavam representados. A delegação soviética era a maior de todas com 40 membros. Foi estabelecido em Havana o quartel-general para apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes. O “imperialismo norte-americano” foi eleito o principal inimigo.
Moscou assume a plena liderança afastando a influência chinesa mas, paradoxalmente, o pensamento maoísta se torna predominante. O primeiro orador foi Nguyen Van Tien, delegado da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul, Viet Cong. O segundo foi Tran Danh Tuyen, representante no Vietnam do Norte exigindo a imediata rendição das tropas americanas no Sul.
A Resolução Geral aprovada incluiu: 1. a condenação do imperialismo ianque; 2. o imperialismo ianque é o maior inimigo de todos os povos do mundo; 3. o imperialismo ianque constitui a base para a opressão dos povos; 4. proclamou o direito dos povos de enfrentar o imperialismo com violência revolucionária, as “guerras de libertação nacional”; 5. condenou vigorosamente o imperialismo ianque pela “agressão” ao Vietnam do Sul; 6. proclamou a solidariedade com a luta armada dos povos da Guatemala, Venezuela, Peru e Colômbia; 7. condenou a política agressiva do governo americano e seus aliados “fantoches” contra o Camboja e outros povos da Indochina; 8. condenou o bloqueio americano contra Cuba. O brado final foi “formar vários Vietnams em escala tricontinental para a derrota final do imperialismo”.
Como Cuba havia sido expulsa da OEA em 1962, era necessário desmoralizar esta Organização. Aprovou-se uma resolução dizendo que a OEA “não tem autoridade legal nem moral para representar as nações latino-americanas. Que a única organização que poderia representá-las seria uma composta de governos democráticos e anti-imperialistas que fossem o produto genuíno da vontade soberana de todos os povos da América Latina”. Esta organização já estava para ser formada poucos dias depois e seria a Organización Latino Americana de Solidariedad (OLAS). Antes de abordá-la brevemente cabe uma advertência.
Mais uma vez chamo a atenção para o seguinte: tal como a fundação do Foro de São Paulo em 1990, a Conferência Tricontinental foi convocada para salvar o regime castrista da falência, pois segundo dados estatísticos e testemunhos como o de Juanita Castro Ruz, irmã de Fidel que fugiu de Cuba em 1964, os camponeses se recusavam a trabalhar no campo para o Estado, pois apoiaram Fidel por sua promessa de lhes dar títulos de propriedade e o governo se apossava de todo seu trabalho mediante as cooperativas de tipo soviético que foram implantadas. Mesmo Fidel tendo obrigado funcionários públicos, estudantes e até crianças para fazer a colheita que os camponeses recusavam – é claro que o programa foi apresentado pela amordaçada imprensa cubana e pelos fantoches da mídia mundial, como exemplo de solidariedade para ajudar os camponeses numa colheita monstro! - Cuba produziu somente 3½ toneladas de açúcar quando em 1952 os “pobres camponeses expropriados” do regime capitalista produziram 7 milhões, portanto 100% a menos após a “libertação” dos camponeses! Em 7 de janeiro do mesmo ano a cota pessoal de arroz foi baixada pela metade, de 3 para 1½ quilos por mês. Todo governo capitalista falido que quer se manter no poder imprime mais dinheiro e gera inflação; o regime comunista só pode se manter exportando sua falência para outros países.
Para isto serviria a OLAS, fundada imediatamente após o final da Conferência Trilateral, pela unanimidade dos representantes latino-americanos, por proposta do então senador chileno Salvador Allende para, declaradamente, levar avante “as táticas e estratégias revolucionárias”, mas de imediato, financiar o déficit cubano. Tanto é verdade que a URSS percebeu isto e como estava interessada em não interromper a importação de trigo da Argentina, manda a Havana o Primeiro-Ministro Aleksiéi Kossigin em junho de 1967 pedindo o adiamento das ações da OLAS, o que Fidel recusa e a URSS, provisoriamente, suspende a ajuda a Cuba.
Leia também: As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano - Parte I
A SEGUIR: CONSEQÜÊNCIAS NO BRASIL – A LUTA ARMADA – A TERCEIRA ESTRATÉGIA – GRAMSCI E A ORGANIZAÇÃO DA CULTURA – A TERCEIRA OFENSIVA: O EIXO DO MAL E SUAS CONEXÕES CONTINENTAIS E EXTRA-CONTINENTAIS
Notas:
[1] http://natall.com/national-vanguard/assorted/patton.html
[2] http://www.trumanlibrary.org/whistlestop/BERLIN_A/BOC.HTM , mesmo link para A Conferência de Potsdam
[3] http://foia.fbi.gov/foiaindex/krivit.htm
[4]Ann Coulter, Treason: Liberal Treachery from the Cold War to the war on Terrorism, Three River Press, 2003
[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Yalta_conference
[6] http://www.piedmontcommunities.us/servlet/go_ProcServ/dbpage=page&gid=01325001151050417428684380 e http://www-hoover.stanford.edu/pubaffairs/newsletter/99summer/venona.html
[7] http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/pumpkinp.html e http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/hissaccount.html
[8] Cit. in Hilton Kramer, The Twilight of the Intellectuals: Culture and Politics in the Era of Cold War, Ivan R Dee, Chicago, 1999
[9] Monica Charen, Useful Idiots, Regnery Publishing Inc., Washington D.C., 2003
[10] A América Dividida – Parte II
[11] Richard Gid Powers, Not Without Honor: The history of American Anticommunism, Yale Univ, Press, 1998
[12] http://www.noblesoul.com/orc/texts/huac.html
[13] http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Non_Aligned-Movement, com vários links
[14] Ver de Carlos Azambuja
[15] http://www.icdc.com/~paulwolf/gaitan/gaitanbogotazo.htm
e http://www.amigospais-guaracabuya.org/oagmp064.php
[16] A Tragédia da Utopia, Porto Alegre: Literalis, 2004
[17 ] Desfazendo Alguns Mitos sobre 64
[18] http://www2.uol.com.br/rionosjornais/rj46.htm
[19] http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque/brasil_20mar1964.htm
[20] http://www.latinamericanstudies.org/tricontinental.htm
por Heitor De Paola em 13 de agosto de 2005
Resumo: McCarthy foi um presente dos deuses para os comunistas de todo o mundo, pois deu aos inimigos do anti-comunismo o que eles esperavam desde o início da Guerra Fria: um rosto onde colocar o velho estereótipo de fascista anti-comunista histérico.
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SEGUNDA ESTRATÉGIA (CONTINUAÇÃO) - PERÍODOS PÓS-GUERRA E GUERRA FRIA
"Perpetual peace is a futile dream".
“… give me 10 days and I'll start a war with those God damn Reds and make it look like their fault. Then we can push the motherfuckers back into Moscow where they belong! (…) If we have to fight them, now is the time. From now on we will get weaker and they stronger”. General George S Patton
À medida que ia conhecendo melhor os soviéticos crescia a forte convicção de Patton, talvez o mais genial dos generais da II Guerra, de que a melhor atitude seria esmagar o comunismo ali mesmo, enquanto havia chance de fazê-lo ao menor custo de vidas americanas. Numa reunião com o Secretário da Guerra Americano, Robert Patterson, em 7 de maio de 1945 na Suíça [1], Patton sugeria que, dado o imenso problema de suprimentos que o Exército Vermelho enfrentava, “não vamos dar tempo a eles de arranjar suprimentos. Se dermos, teremos apenas vencido e desarmado a Alemanha mas teremos falhado na libertação da Europa; teremos perdido a guerra!”. Em mais uma de suas grandes tiradas, concluiu: “devemos manter nossas botas polidas, baionetas afiadas, e apresentarmo-nos fortes perante os russos. Esta é a única linguagem que eles entendem e respeitam”.
Patton foi deixado sem combustível na arrancada final para Berlin, todos os exércitos ocidentais pararam de avançar, por ordem de Roosevelt através de Eisenhower, até que os russos chegassem a Berlin, como ficara acertado nas reuniões entre os Três Grandes em Teheran e Yalta [2]. Já Stalin não cumpriu com nenhum dos acordos que assinara além de fazer mais exigências em Potsdam, que só foram aceitas pela covardia de Truman, só superada pela de Roosevelt nas duas anteriores. Roosevelt, um socialista declarado que pela primeira vez tinha posto a funcionar um programa socialista nos EUA – o New Deal – tinha uma fascinação pelo ditador soviético que chamava Uncle Joe, a quem acreditava que podia manobrar, sem perceber que era ele que estava sendo habilmente manipulado pelo titio.
A previsão de Patton não tardou em se realizar. O final da Segunda Guerra possibilitou o expansionismo da URSS para todos os países conquistados pelo Exército Vermelho. De comunismo num só país chegou-se a um bloco de 12 países submetidos à sovietização forçada na Europa Oriental, o que levou Churchill, num discurso em Fulton, Missouri, em março de 1946, a criar o termo “Cortina de Ferro”. Seguiram-se as tentativas de tomada da Grécia, da Turquia e do Irã. Já salvar a Áustria tinha sido muito difícil. O titio queria tudo! Além disto, a recusa da URSS em permitir que os países da Cortina de Ferro recebessem a ajuda do Plano Marshall, atacado como apenas mais um plano imperialista, o cerco a Berlin Ocidental e o reforço aos Partidos Comunistas na França e na Itália acabaram por, finalmente, abrir os olhos do Secretário de Estado americano George C. Marshall para com que tipo de gente estava lidando: como Patton dissera, com gente que só entende a linguagem da força! Com o início da reação americana estava instalada a chamada Guerra Fria. Porém, por não seguirem as palavras de Patton, foi preciso pagar o custo de inúmeras vidas americanas no leste da Ásia, com as tentativas expansionistas para a Coréia e posteriormente para a Indochina.
No entanto, a fome, a ineficiência administrativa e o fracasso da repressão maciça, o anti-semitismo declarado (em 1 de dezembro de 1952, numa reunião do Politburo, Stalin declarava que “todo judeu é um nacionalista e agente potencial da inteligência americana”) levou a uma crise geral no mundo comunista e ao abandono da segunda estratégia. A economia e a agricultura estavam em ruínas, o poder total era exercido pela polícia política. Surgiram guerrilhas nacionalistas nos países da Cortina de Ferro.
A morte de Stalin em 1953 desencadeou uma terrível luta interna no PCUS em que pereceram Lavrientii Beria e Andrieij Zhdanov, criador e diretor do Kominform. Em 1956, no XX Congresso do Partido, Khrushchov denuncia alguns – não todos! – “crimes de Stalin”, com o duplo objetivo de dar uma aparência de transparência e de salvar a ideologia comunista bastante desmoralizada pela truculência dos últimos anos, colocando toda a culpa no ex-ditador. O discurso, considerado secreto, “vazou” para toda a URSS um mês depois, o que evidencia que o segredo era conto da carochinha. Como Stalin já fizera com Trotsky, sua imagem some de todas as fotos oficiais. Foi este fato que inspirou Orwell a compor a atividade de seu personagem principal de 1984, Winston, no “Ministério da Verdade”. Após uma batalha final na luta pelo poder em 1957, contra os stalinistas descontentes do chamado “Grupo Anti-Partido”, liderado por Vyachieslav Molotov, Georgy Malienkov e Lazar Kaganovitch, Nikita Sergeyevitch Khrushchov assume a Primeira Secretaria do PCUS, elimina o Kominform, completando a conquista do poder em 1958 ao afastar Malienkov e tomar também o cargo de Primeiro Ministro da URSS. Em reunião secreta do Politburo em 1958 decidiu-se abandonar esta estratégia e foram elaboradas as linhas mestras da Terceira, que foi implantada paulatinamente até a Perestroika em 1985.
Em 1964 Khrushchov é derrotado no Comitê Central e afastado. Foi a primeira transição pacífica do regime e o primeiro líder soviético a morrer de causas naturais. Consoante a decisão de voltar à direção colegiada preconizada por Lenin, assume a “Troika”: Leonid Brezhnev, como Primeiro Secretário do Partido, Alieksiéi Kosygin, como Primeiro Ministro e Nikholai Podgorny como Presidente do Presidium do Soviet Supremo, cargo que veio a ser tomado por Brezhnev em 1977 até a sua morte em 1982.
SEGUNDA OFENSIVA MUNDIAL (1944-1985)
“The Soviet Union is a clear and present danger to America and the West (because) nothing less that the entire world can in the end, satisfy totalitarian imperialism”. Arthur M. Schlesinger Jr., 1948
Como a guerra atingiu direta ou indiretamente todos os continentes, o pós-guerra imediato foi um período de acomodação e realinhamento político-ideológico mundial. Os fatos mais importantes deste período (1945 a 1964) foram:
1- Criação da Organização das Nações Unidas, 1945;
2- Criação do Estado de Israel, 1948;
3- Tomada do poder na China pelos comunistas em 1949;
4- Nasser e os oficiais nacionalistas tomam o poder no Egito, 1952;
5- Criação das bases do Movimento de Países Não-Alinhados na Conferência de Bandung, Indonésia, em 1955 pelos líderes da Índia – Jawaharlal Nehru – Egito – Gamal Abdel Nasser- e Iugoslávia - Josip Broz “Tito”;
6- Guerra da Indochina 1947-53 terminada com a derrota francesa para o Exército comunista de Ho Chi Minh e Vo Nguyen Giap, o Viet Minh, na Batalha de Dien Bien Phu, 1953-54. Criação de dois Vietnãs: o do Norte, comunista, e o do Sul, ainda sob influência européia que, com a retirada francesa, solicita o envio de “assessores militares” americanos;
7- Processos de descolonização na África e Ásia;
8- Revolta na Hungria, 1956
9- Nasser nacionaliza o Canal de Suez, 1956, Inglaterra, França e Israel invadem o Egito;
10- Castro toma Havana e declara-se comunista, Tratado de Amizade com Moscou. Toma novo impulso a ofensiva comunista na América Latina voltada principalmente para Venezuela e Brasil;
11- Crise de Berlin, 1961: Khrushchov ameaça interromper o tráfego entre a cidade de Berlin e a Alemanha Ocidental. Kennedy estuda a estratégia de “First Strike” (Atacar sem aviso prévio a URSS com mísseis nucleares, caso esta invadisse Berlin). Início da construção do Muro de Berlin;
12- Crise dos mísseis soviéticos em Cuba, 1961, bloqueio da ilha, retirada dos mísseis mediante garantia americana de que não interferiria em Cuba;
13- Cuba é expulsa da Organização dos Estados Americanos, 1962.
Em todos estes acontecimentos a URSS esteve presente. Em 10 de fevereiro de 1941 o General Walter Krivitsky, ex-chefe do GRU (Diretório Central de Inteligência – órgão militar), exilado nos EUA, foi encontrado morto em Nova York. As investigações [3] não conseguiram nenhuma evidência de assassinato, parecia suicídio mas muito providencial, pois três anos antes de sua morte Krivitsky havia convencido o membro do Partido Comunista Americano Whittaker Chambers a reconhecer que o comunismo não passava de mais uma forma de ditadura sem nenhuma ideologia que não a tomada do poder. Chambers não só reconheceu como denunciou vários ex-correligionários como Alger Hiss, funcionário do Departamento de Estado e seu irmão Donald, como membros do Partido e agente do GRU, a ninguém menos que o próprio Roosevelt que riu e mandou-o a um lugar não publicável [4]. Roosevelt não só riu como promoveu Alger. Tentativas de denunciar a Dean Acheson, Sub-Secretário de Estado, deram no mesmo.
Pois na Assembléia de fundação da ONU, o Secretário Geral nomeado por Roosevelt era exatamente Alger Hiss. A influência de Stalin na fundação da ONU, na elaboração de sua Carta e na escolha da sede, é inegável. A Carta defendendo direitos humanos que Stalin – e seus sucessores – jamais pretenderam obedecer, servia como uma luva para acusar os países ocidentais quando da ocorrência de qualquer deslize menor. A escolha de uma cidade americana, e de preferência próxima a Washington D.C., era fundamental para a infiltração de agentes sob o manto da proteção diplomática. Hiss também havia sido o arquiteto da Conferência de Yalta (fevereiro de 1945) [5] entre os três grandes, onde desempenhou papel importante na divisão do mundo em áreas de influência, garantindo à URSS uma parte leonina. A infiltração de agentes comunistas em postos chave do governo americano vem, portanto, desde a administração Roosevelt, como veio a ser revelado pelo Projeto Venona [6] de análise criptográfica dos documentos de fontes soviéticas que vieram a confirmar também a atuação do casal Rosenberg na transmissão de informações nucleares americanas para a URSS. Já aqui funcionou a pleno vapor o aparelho de denúncias de violação dos direitos humanos, enquanto Stalin prendia, torturava e matava à vontade.
Em 1948, quando trabalhava na revista Time, Chambers foi chamado a depor no Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara de Representantes (HUAC) e reafirmou as acusações produzindo inclusive evidências inegáveis através de microfilmes de 65 documentos datilografados por Hiss (a máquina foi identificada pelos laboratórios do FBI) em 1938, contendo cópias de documentos secretos roubados pelo próprio. Estes papéis ficaram conhecidos como os Pumkin Papers [7]. Chambers reuniu todas as evidências e a história do período em seu livro Witness [8] e, embora atacadas como mentirosas por toda a intelectualidade esquerdista da época, têm sido confirmadas uma a uma pela abertura de todos os documento secretos. Estas revelações e também o desrespeito por Stalin aos acordos de Yalta, principalmente a prisão dos membros do Governo Polonês Provisório no Exílio, criaram nos EUA – e no mundo em geral – um quase consenso anti-comunista [9]. Este consenso tinha que ser destruído e no seu lugar criar um outro: a demonização do anti-comunismo.
O ano de 1948 é também o da candidatura radicalmente esquerdista de Henry Wallace à Presidência dos EUA e das peripécias da esquerda americana que se lhe seguiram, já contadas por mim em outro artigo [10]. A infiltração na área cultural americana continuou e se intensificou seguindo os passos de Münzenberg. De maneira geral, toda a mídia e o show business americano foram devidamente doutrinados pelos agentes soviéticos e a grande maioria de escritores, cineastas, redatores da mídia, artistas, etc. se tornaram facilmente companheiros de viagem. No mês de agosto do mesmo ano reunia-se em Breslau (hoje Wroclaw), Polônia, a “Conferência Cultural pela Paz”, convocada pelo Kominform através dos já companheiros de viagem europeus, numa “Carta Aberta aos Escritores e Homens de Cultura dos Estados Unidos”. Os americanos que compareceram prepararam imediatamente outra reunião no Hotel Waldorf Astoria, Nova Iorque em 1949, denominada “Conferência Cultural e Científica pela Paz Mundial” que contou com o apoio explícito de Albert Einstein, Charlie Chaplin, Leonard Bernstein, Pablo Picasso e muitos outros nomes famosos. Um mês depois, reunia-se em Paris o “Congresso Mundial da Paz”. O alvo principal destes movimentos era liquidar o Plano Marshall que apontava para uma rápida recuperação da Europa não dominada por Stalin[11] que estagnava num império de repressão, decadência moral e econômica. A comparação era, obviamente, temida.
Os intelectuais anti-comunistas planejaram uma contra-ofensiva. Entre eles estavam George Orwell, Anthur Koestler (que tinha sido garoto propaganda de Münzenberg), Hanna Arendt, Melvin Lasky, Raymond Aron e Sidney Hook, Diretor de “Americanos pela Liberdade Intelectual”. Mas a reação era tímida pois depois do brado de Sartre – “todo anti-comunista é um rato!” - mesmo os escritores mais famosos encontraram dificuldade para publicar suas obras.
No movimento anti-comunista deve-se destacar a ação do Comitê de Atividades Anti-Americanas (HUAC). Existindo de forma provisória desde 1938 tornou-se permanente em 1945 quando passou a investigar as atividades comunistas na indústria cinematográfica. Seu maior feito, como já foi descrito acima foi a investigação sobre os irmãos Hiss. Mas somente em 1946, com o Partido Republicano assumindo a maioria na Câmara, o Comitê, agora presidido por J. Parnell Thomas, passou a investigar a fundo a penetração comunista em Hollywood. Para não entrar em muitos detalhes selecionei o testemunho neste Comitê da escritora Ayn Rand, russa de nascimento, tendo fugido em 1926 e anti-comunista convicta. Rand foi uma das denunciantes e desafiada a mostrar o que via como propaganda na produção cinematográfica deu um impressionante e arrasador testemunho sobre o filme The Song of Russia, de 1941, estrelado por Robert Taylor, que vale a pena ser lido na íntegra por todos aqueles que sabem que as produções artísticas – mormente filmes, teatro e novelas – são propaganda mas não têm idéia do como se faz [12], pois Rand disseca o filme com excepcional maestria. Rand, sem dúvida uma das maiores defensoras da liberdade de pensamento, assim se expressou quando foi condenada por denunciar colegas: “O princípio de liberdade de expressão requer que não passemos leis proibindo (os Comunistas) de falar. Mas este princípio não implica em que devemos dar a eles emprego e apoio para defenderem nossa destruição às nossas custas”.
Este Comitê é freqüentemente – e propositadamente – confundido com o Comitê sobre Operações Governamentais do Senado a cujo Sub-Comitê Permanente de Investigações pertencia o Senador Joseph McCarthy. A confusão é de um primarismo atroz, pois um Senador jamais poderia fazer parte de um Comitê da Câmara. Apesar disto, colou e até hoje a confusão se mantém. McCarthy foi um presente dos deuses para os comunistas americanos e de todo o mundo, pois deu aos inimigos do anti-comunismo o que eles vinham esperando desde o início da Guerra Fria: um nome e uma cara onde colocar o velho estereótipo de fascista anti-comunista histérico. Segundo Powers (op.cit.) McCarthy foi o maior desastre na desastrada história do anti-comunismo da América. McCarthy começou sua carreira anti-comunista em 1950 – três anos após o depoimento de Ayn Rand – com um discurso em que dizia ter uma lista de 205 nomes de altos funcionários do governo federal que eram agentes soviéticos. Sua atuação foi de tal modo histérica que não demorou para que até mesmo republicanos achassem exagerado, solidificando a idéia de que o anti-comunismo não passava de delírios furiosos de um maluco. Iniciava-se a grande mitologia da “Era McCarthy”, do “macartismo” que teria mergulhado os EUA num reino de terror. Peter Collier e David Horowtiz (citados por Monica Charen, op. Cit.) descreveram em 1989 que “trinta anos após a morte de Joe McCarthy, o macartismo se tornou sinônimo de autoridade sinistra e repressão política... indivíduos e partidos (complemento eu: mundo afora) competem em rotular outros com o macartismo como o trunfo moral com o qual paralisam automaticamente qualquer argumento”. Quem não ouviu alguém dizer, em tom de suprema indignação moral: isto é macartismo!
Pois o uso que a eficiente contra-propaganda soviética fez deste mito, confundindo investigações sérias com estridências delirantes, fez com que todos os envolvidos tanto em Hollywood como no governo fossem vistos como pobres vítimas inocentes. A verdade é bem outra. Hollywood estava mesmo infestada de agentes soviéticos. E as poucas dezenas de funcionários federais que McCarthy conseguiu acusar, através do Projeto Venona e da abertura dos arquivos secretos soviéticos autorizada por Yeltsin, revelaram-se mais de 300 agentes soviéticos infiltrados nos governos Roosevelt e Truman. Ann Coulter (op. cit.) cita no primeiro escalão, além dos irmãos Hiss, Harry Dexter White, Sub-Secretário do Tesouro, Lauchlin Currie, Assistente Administrativo de Roosevelt, Duncan Lee, Chefe do Estado-Maior do Office of Strategic Services (OSS) antecessor da CIA, Harry Hopkins, Assistente Especial de Roosevelt, Henry Wallace, Vice-Presidente 1940-1944 (depois candidato radical), Harold Ickes, Secretário do Interior, e muitos, muitos mais.
Antes de passarmos à América Latina é preciso mencionar um movimento que se não foi fundado diretamente por Moscou, teve sua influência e apoio: o Movimento de Países Não Alinhados (NAM) [13]. O termo foi cunhado pelo Primeiro Ministro da Índia, Jawaharlal Nehru num discurso no então Ceilão (hoje Sri Lanka) onde definiu seus cinco pilares: 1. respeito pela integridade territorial, 2. não agressão mútua, 3. não interferência em assuntos internos dos outros países, 4. benefícios mútuos e igualitários e 5. co-existência pacífica. Em 1955 em Bandung, Indonésia, são lançadas as bases do movimento, embora somente em 1961, em Belgrado, Iugoslávia, ocorreu a primeira reunião de cúpula organizada por Nehru, Nasser e Tito e apoiada por Ahmed Sukarno, Presidente comunista da Indonésia. Compareceram 25 países da África, Ásia e Cuba, um país obviamente alinhado com a URSS. O movimento – que defendia um distanciamento igual dos dois blocos na Guerra Fria – existe até hoje com outros propósitos como o Grupo dos 77.
Enquanto durou a Guerra Fria a URSS usou seus fortes laços com Cuba e Índia e os da China com o Paquistão, o Vietnã e a Indonésia, para fazer do NAM uma espécie de amortecedor de suas próprias ações agressivas, principalmente em referência aos itens 3. e 5. acima, como argumentos utilizados sempre que era acusada de ferir os “direitos humanos” retrucando que não admitia ingerências ns sua política interna; enquanto freqüentemente interferia em diversos países, como veremos a seguir, especificamente na América Latina.
A SEGUNDA OFENSIVA NA AMÉRICA LATINA
A guerra revolucionária é uma luta de classes, de fundo ideológico, imperialista, para a conquista do mundo; tem uma doutrina, a marxista-leninista. É uma ameaça para os regimes fracos e uma inquietação para os regimes democráticos. Perfaz, com outros, os elementos da guerra fria. (...) concebida por Lenin para, de qualquer maneira, continuar a revolução mundial soviética. Marechal Castello Branco, 1962
Como no resto do mundo, as Embaixadas Soviéticas eram centros de espionagem e entre seu pessoal diplomático constava uma rezindientura, uma “residência” do KGB e outra do GRU (militar). O rezidient do KGB, chefe da espionagem no país, tinha funções mais importantes do que o Embaixador e freqüentemente era hierarquicamente superior. É preciso reafirmar que todos os órgãos comunistas no exterior – visíveis ou clandestinos – têm uma única finalidade estratégica permanente: a conquista mundial, no que difere do serviço diplomático dos países democráticos, cujos órgãos secretos realizam principalmente operações de informação e contra-informação e só acessoriamente em casos extremos de intervenção direta nos assuntos internos dos países em que estão como representantes. O mesmo se pode dizer dos Partidos Comunistas, tenham o nome que tiverem, que jamais são partidos que representem interesses nacionais ou mesmo regionais, mas sempre são representantes do movimento comunista internacional do momento, seja o Komintern, o Kominform, a OLAS, o Foro de São Paulo, etc. Ainda hoje, como veremos a seguir na Parte III, as Embaixadas russas têm a mesma função.
Entre 1945 e 1959 a estratégia mundial era baseada na chamada “visão etapista” [14], segundo a qual há necessidade de uma etapa nacional-burguesa ou nacional-desenvolvimentista, que sob a égide e comando da burguesia permitiria a melhor organização dos trabalhadores e a superação dos óbices históricos do modo de produção capitalista, em particular, o latifúndio. Era preciso identificar uma burguesia nacional capaz de contrapor-se aos interesses dos demais países capitalistas e criar um capitalismo nacional autônomo. Por esta razão o Partido Comunista Cubano sempre procurou alianças com partidos burgueses tradicionalmente nacionalistas, e como já foi dito, apoiou firmemente o governo de Fulgencio Batista até sua dissolução com a fuga dos principais líderes e a chegada iminente de Castro a Havana.
Castro, inicialmente se auto-declarava católico (foi criado em colégios jesuítas) e até pousou para fotos de terço ao pescoço. Para o PCC Castro não passava de um aventureiro. Membro do Partido Socialista Popular e da Liga Anti-Imperialista 30 de Setembro desde 1946, viajou para Panamá, Venezuela e Colômbia em 1948 em preparação para o Congresso Latino Americano de Estudantes. Neste último país, onde se realizava então a 9a Conferência Pan-Americana, logrou entrevistar-se com o líder do Partido Liberal, Jorge Eliecer Gaitán, que horas depois foi assassinado, iniciando-se o movimento que veio a ser conhecido como Bogotazo [15], uma revolta popular que representa um primeiro ataque comunista direto no continente, na qual Castro faz seu batismo de fogo. A intenção era destruir a Conferência onde se estudavam medidas contra a ofensiva comunista que se iniciava na América do Sul e derrubar o Governo conservador colombiano. Castro, juntamente com Alfredo Guevara, Olivares e Rafael Del Pino tomam parte ativa no movimento que também foi apoiado por Rómulo Betancourt, então ditador da Venezuela. Com a derrota, de volta a Havana Castro adota como seu livro de cabeceira o Que Fazer? de Lenin. Em 1953, com a derrota na tentativa de tomar o Quartel Moncada refugia-se no México aonde vem a conhecer Ernesto “Che” Guevara, General Bayo e outros comunistas. A tomada do poder por Castro em 1959 marca uma profunda e radical mudança da ofensiva comunista na América Latina.
Como relata com rigor histórico Percival Puggina [16]: “Dissolveu-se o Congresso, desmontaram-se os partidos existentes, cassaram-se direitos políticos, instalaram-se tribunais revolucionários, cujas sentenças não estavam sujeitas a recursos, suspendeu-se o direito ao habeas corpus, emitiram-se leis que permitiram o seqüestro de bens, inclusive bens de cubanos residentes no exterior que praticassem atos contra a revolução, e instituiu-se a pena de morte para os delitos contra o novo regime” (p. 38). No final do ano de 1959, já não havia dúvida de que Fidel Castro não era o herói da democracia em que muitos acreditaram, e sim um ditador comunista. No início do ano seguinte, 1960, o ditador faz a reforma agrária e a nacionalização de refinarias de petróleo, empresas comerciais, bancos e estabelecimentos industriais. O comunismo chegara à antiga Pérola do Caribe. Fidel Castro continuou governando o país com mão-de-ferro por quarenta e cinco anos, num regime de partido único, com a proibição de qualquer tipo de oposição”.
Com esta importante base territorial ao mesmo tempo dentro da América Latina e a poucas milhas ao sul do execrado inimigo, a URSS se viu subitamente fortalecida. A estratégia baseou-se fundamentalmente na ofensiva contra dois países chaves da região: Venezuela e Brasil. Chamo aqui atenção para o que está ocorrendo hoje e será objeto da parte III: não é coincidência que o atual eixo seja novamente Havana-Caracas-Brasilia, é estratégia de longo prazo profundamente estudada e sistematicamente seguida! Esta pode ser a principal contribuição desta série de artigos.
O primeiro país, por estar nadando num mar de petróleo e com isto podia – e ainda pode – realizar duas tarefas revolucionárias simultâneas: fornecer o petróleo aos aliados comunistas e negá-lo aos EUA no caso de conflito armado. Contrariando a tradicional mentira de que os revolucionários sempre lutaram contra as ditaduras (como em Cuba), a Venezuela gozava da mais ampla democracia sob o governo agora legitimamente eleito de Rómulo Betancourt (1959-1964) que pusera fim a 60 anos de sucessivas ditaduras, golpes de Estado, “pronunciamientos” e “governos provisórios”. Betancourt foi o segundo Presidente eleito em eleições diretas no século XX e o quarto em toda a história venezuelana, sendo que o anterior, Rómulo Gallegos, eleito em 1948, foi derrubado no mesmo ano pelo Tenente Coronel Carlos Eduardo Chalbaud. Como fosse impossível a infiltração comunista no governo – embora Betancourt tenha sido acusado de “homem de Moscou” por ter tomado parte do Bogotazo – os ataques ao país foram violentos. As praias caribenhas da Venezuela estavam coalhadas por constantes invasões de barcaças cubanas transportando armas russas e tchecas. Movimentos guerrilheiros eram estimulados e derrotados pelo governo que continuou a transição democrática até o golpe de Hugo Chávez.
Já o Brasil, por ser o maior, mais rico em recursos naturais, com uma estrutura agrária que embora antiquada era extremamente promissora e em vias de industrialização acelerada no governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitstchek, despertava a cobiça internacional, não só aos comunistas diga-se de passagem. Mas aqui foi diferente pois encontrou um governo dócil ao comunismo na figura de João Goulart.
A meu ver - opinião que reconheço exposta a muitas críticas – o governo Goulart é fruto de um erro cometido na Constituição de setembro de 1946. Recém saídos da ditadura Vargas os Constituintes quiseram estabelecer uma Constituição o mais democrática possível e incorreram em alguns erros, sendo um deles a eleição em chapas separadas do Presidente e do Vice-Presidente. Já no primeiro governo após Dutra (1946-51) quando foi eleito o ex-ditador Getúlio Vargas, o seu vice foi de outro Partido, Café Filho. Getúlio aproximou-se muito das esquerdas, principalmente com a nomeação de João Goulart para Ministro do Trabalho, desde então um populista de esquerda. Um ano após o suicídio de Getúlio este dispositivo já deu problemas pois apesar das eleições terem dado a vitória a Juscelino Kubitschek e Goulart para Vice (agora numa coligação PSD/PTB), setores anti-comunistas tentaram impedir a posse dos mesmos, que veio a ser sustentada pelo então Ministro da Guerra Henrique Duffles Teixeira Lott, com o apoio explícito do General Humberto de Alencar Castello Branco que veio a romper com o mesmo quando, meses depois, as organizações sindicais resolveram entregar ao ministro uma espada de ouro.
Delineava-se aí o incremento da ruptura dentro das Forças Armadas que viria a desabrochar claramente em 1961 e depois em 1965. Lott foi o candidato a Presidente pela coligação PTB/PSD e mais uma vez Goulart a Vice. Nas eleições de 1960 ocorreu o que poderia ser previsto. Jânio Quadros, candidato apoiado pela UDN – mas contra alguns de seus principais líderes como Carlos Lacerda – tinha como candidato a Vice o mineiro Milton Campos. Os eleitores escolheram Jânio e Jango e com a renúncia do primeiro 7 meses após a posse formou-se a confusão, habilmente solucionada pela adoção do regime parlamentarista para que Jango fosse aceito pelos setores anti-comunistas. Digo habilmente mas não eficientemente, pois desde então até março de 1964 o Brasil foi quase pura agitação. Num artigo anterior [17] faço um relato destes tempos atribulados. Num plebiscito de resultados duvidosos em janeiro de 1963, volta-se ao regime presidencialista e o governo até então razoavelmente contido no seu afã esquerdista, entra em fase de implantação de uma ditadura sindicalista no Brasil. É neste ponto que defendo que se as chapas fossem únicas, com a posse de Milton Campos, um valoroso e intransigente democrata, a história do Brasil seria bem outra.
Todas as organizações populares fundadas ao longo da ditadura Vargas – sejam sindicatos, sejam órgãos previdenciários – apesar de terem trazido algum benefício de curto prazo para a população, tinham a principal finalidade de funcionar como massa de manobras, a tal ponto que se criou o termo “pelego” para os líderes sindicais, evidenciando que serviam apenas de suportes para a sela em que os dirigentes montavam. Estas organizações foram utilizadas por todos os governos – e ainda o são – mas principalmente na era Goulart serviam de suporte para os desmandos do governo federal e seus acólitos. Com seu apoio Goulart tentou passar no Congresso as “Reformas de Base”, passo inicial para sua futura ditadura personalista sindical com forte influência comunista.
Sucede que o Brasil daquela época contava com líderes anti-comunistas civis e militares de primeira grandeza. Só para citar alguns Governadores: Lacerda no Rio, Adhemar de Barros em São Paulo, Magalhães Pinto em Minas, Ildo Meneghetti no Rio Grande do Sul, etc. Possuíam também maioria no Congresso Nacional, apesar das estridências das esquerdas. As altas patentes militares, formadas por ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ou seus discípulos diretos. A Igreja Católica era pré-Teologia da Libertação e maciçamente se opunha à comunização do País.
O povo brasileiro levantou-se em massa contra os projetos janguistas e comunistas, principalmente após o apoio do Presidente à insubordinação hierárquica dos sargentos e fuzileiros e do Comício da Central do Brasil [18] de 13 de março de 1964, onde Leonel Brizola pregou abertamente o fechamento do Congresso e o apoio comunista ficou ainda mais patente nos discurso e nas faixas e cartazes. Nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, entre as quais a principal foi em São Paulo [19], exigiram a manutenção do regime democrático no que foram plenamente atendidas pelas forças armadas e pelo Congresso Nacional onde até mesmo o democrata ex-Presidente Juscelino Kubitschek, então Senador por Goiás, apoiou o movimento. Não foi portanto um “golpe de Estado” para implantar uma ditadura “fascista” mas um legítimo movimento contra-revolucionário para impedir uma ditadura comunista. Foi então abortada a primeira leva desta segunda ofensiva não apenas no Brasil mas momentaneamente provocou um arrefecimento da ofensiva em todo o Continente e a necessidade de elaborar uma nova estratégia regional.
A RESPOSTA: A CONFERÊNCIA TRICONTINENTAL DE HAVANA
A resposta foi dada por Cuba através da Conferência Tricontinental dos Povos Africanos, Asiáticos e Latino-Americanos reunida em Havana em 3 de janeiro de 1966[20]. Compareceram 83 grupos de vários países dos três continentes, com 513 Delegados, 64 Observadores e 77 Convidados. 27 países latino-americanos estavam representados. A delegação soviética era a maior de todas com 40 membros. Foi estabelecido em Havana o quartel-general para apoiar, dirigir, intensificar e coordenar operações guerrilheiras e terroristas nos três continentes. O “imperialismo norte-americano” foi eleito o principal inimigo.
Moscou assume a plena liderança afastando a influência chinesa mas, paradoxalmente, o pensamento maoísta se torna predominante. O primeiro orador foi Nguyen Van Tien, delegado da Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul, Viet Cong. O segundo foi Tran Danh Tuyen, representante no Vietnam do Norte exigindo a imediata rendição das tropas americanas no Sul.
A Resolução Geral aprovada incluiu: 1. a condenação do imperialismo ianque; 2. o imperialismo ianque é o maior inimigo de todos os povos do mundo; 3. o imperialismo ianque constitui a base para a opressão dos povos; 4. proclamou o direito dos povos de enfrentar o imperialismo com violência revolucionária, as “guerras de libertação nacional”; 5. condenou vigorosamente o imperialismo ianque pela “agressão” ao Vietnam do Sul; 6. proclamou a solidariedade com a luta armada dos povos da Guatemala, Venezuela, Peru e Colômbia; 7. condenou a política agressiva do governo americano e seus aliados “fantoches” contra o Camboja e outros povos da Indochina; 8. condenou o bloqueio americano contra Cuba. O brado final foi “formar vários Vietnams em escala tricontinental para a derrota final do imperialismo”.
Como Cuba havia sido expulsa da OEA em 1962, era necessário desmoralizar esta Organização. Aprovou-se uma resolução dizendo que a OEA “não tem autoridade legal nem moral para representar as nações latino-americanas. Que a única organização que poderia representá-las seria uma composta de governos democráticos e anti-imperialistas que fossem o produto genuíno da vontade soberana de todos os povos da América Latina”. Esta organização já estava para ser formada poucos dias depois e seria a Organización Latino Americana de Solidariedad (OLAS). Antes de abordá-la brevemente cabe uma advertência.
Mais uma vez chamo a atenção para o seguinte: tal como a fundação do Foro de São Paulo em 1990, a Conferência Tricontinental foi convocada para salvar o regime castrista da falência, pois segundo dados estatísticos e testemunhos como o de Juanita Castro Ruz, irmã de Fidel que fugiu de Cuba em 1964, os camponeses se recusavam a trabalhar no campo para o Estado, pois apoiaram Fidel por sua promessa de lhes dar títulos de propriedade e o governo se apossava de todo seu trabalho mediante as cooperativas de tipo soviético que foram implantadas. Mesmo Fidel tendo obrigado funcionários públicos, estudantes e até crianças para fazer a colheita que os camponeses recusavam – é claro que o programa foi apresentado pela amordaçada imprensa cubana e pelos fantoches da mídia mundial, como exemplo de solidariedade para ajudar os camponeses numa colheita monstro! - Cuba produziu somente 3½ toneladas de açúcar quando em 1952 os “pobres camponeses expropriados” do regime capitalista produziram 7 milhões, portanto 100% a menos após a “libertação” dos camponeses! Em 7 de janeiro do mesmo ano a cota pessoal de arroz foi baixada pela metade, de 3 para 1½ quilos por mês. Todo governo capitalista falido que quer se manter no poder imprime mais dinheiro e gera inflação; o regime comunista só pode se manter exportando sua falência para outros países.
Para isto serviria a OLAS, fundada imediatamente após o final da Conferência Trilateral, pela unanimidade dos representantes latino-americanos, por proposta do então senador chileno Salvador Allende para, declaradamente, levar avante “as táticas e estratégias revolucionárias”, mas de imediato, financiar o déficit cubano. Tanto é verdade que a URSS percebeu isto e como estava interessada em não interromper a importação de trigo da Argentina, manda a Havana o Primeiro-Ministro Aleksiéi Kossigin em junho de 1967 pedindo o adiamento das ações da OLAS, o que Fidel recusa e a URSS, provisoriamente, suspende a ajuda a Cuba.
Leia também: As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano - Parte I
A SEGUIR: CONSEQÜÊNCIAS NO BRASIL – A LUTA ARMADA – A TERCEIRA ESTRATÉGIA – GRAMSCI E A ORGANIZAÇÃO DA CULTURA – A TERCEIRA OFENSIVA: O EIXO DO MAL E SUAS CONEXÕES CONTINENTAIS E EXTRA-CONTINENTAIS
Notas:
[1] http://natall.com/national-vanguard/assorted/patton.html
[2] http://www.trumanlibrary.org/whistlestop/BERLIN_A/BOC.HTM , mesmo link para A Conferência de Potsdam
[3] http://foia.fbi.gov/foiaindex/krivit.htm
[4]Ann Coulter, Treason: Liberal Treachery from the Cold War to the war on Terrorism, Three River Press, 2003
[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Yalta_conference
[6] http://www.piedmontcommunities.us/servlet/go_ProcServ/dbpage=page&gid=01325001151050417428684380 e http://www-hoover.stanford.edu/pubaffairs/newsletter/99summer/venona.html
[7] http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/pumpkinp.html e http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/hiss/hissaccount.html
[8] Cit. in Hilton Kramer, The Twilight of the Intellectuals: Culture and Politics in the Era of Cold War, Ivan R Dee, Chicago, 1999
[9] Monica Charen, Useful Idiots, Regnery Publishing Inc., Washington D.C., 2003
[10] A América Dividida – Parte II
[11] Richard Gid Powers, Not Without Honor: The history of American Anticommunism, Yale Univ, Press, 1998
[12] http://www.noblesoul.com/orc/texts/huac.html
[13] http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Non_Aligned-Movement, com vários links
[14] Ver de Carlos Azambuja
[15] http://www.icdc.com/~paulwolf/gaitan/gaitanbogotazo.htm
e http://www.amigospais-guaracabuya.org/oagmp064.php
[16] A Tragédia da Utopia, Porto Alegre: Literalis, 2004
[17 ] Desfazendo Alguns Mitos sobre 64
[18] http://www2.uol.com.br/rionosjornais/rj46.htm
[19] http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque/brasil_20mar1964.htm
[20] http://www.latinamericanstudies.org/tricontinental.htm
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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".

