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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Qual o motivo para atuar politicamente?

 

LUCIANO AYAN

Um ditado popular diz: “religião, política e futebol não se discute”. Muitos encaram o ditado à risca e realmente acabam se eximindo da discussão sobre importantes temas do cotidiano. Com exceção do futebol no quesito importância, naturalmente. (Aliás, de acordo com a terminologia defendida neste blog, ao discutirmos a política e criticarmos a esquerda, estamos também discutindo religião. No caso, a religião política)

Seja lá como for, talvez por influência deste ditado muitos não gostam do “debate político”, ou mesmo de discussões importantes sobre temas meramente relacionados à política. Se o tema for político e polêmico ao mesmo tempo, em alguns casos é possível surgirem até calafrios.

Isso é particularmente relevante para pessoas que efetivamente trabalham, especialmente os conservadores. Por exemplo, quem atua na gestão de uma equipe, dificilmente perderá seu tempo convencendo seu time de que votar em um determinado candidato é melhor do que votar em outro, se apoiar o gayzismo é errado ou correto, ou se as cotas raciais são justas ou injustas. Esse não é um tipo de assunto que gostamos de levar para o nosso cotidiano, especialmente o cotidiano corporativo.

A lógica para isso é evidente: no cotidiano corporativo (especialmente nas grandes empresas), dependemos de outras pessoas para vencer o jogo da política corporativa. Discutir a política do cotidiano poderá criar rivalidades contra você que, em um dado momento da outra guerra política (a corporativa), podem ser pretextos para lhe empurrar em direção ao abismo. (Me lembro de um caso em que vi um gerente ser ridicularizado nos corredores por sua posição política. E ele era marxista.)

Já em atividades como jornalismo, ciências sociais e na atuação acadêmica em geral (especialmente nas ciências humanas), muitos militantes de esquerda acabam encontrando terreno para, ao invés de trabalharem efetivamente, usarem seu espaço de arena para divulgar discursos políticos. É seguro dizer que a maioria dos professores de ciências humanas hoje em dia ao invés de darem aulas de fato, ficam militando no horário de trabalho, enquanto fingem que trabalham.

Quero falar aqui, no entanto, dos que efetivamente trabalham.

Para estes, então, pode ser um tanto incômodo pensar em atuar politicamente e sair lutando contra gayzistas, neo ateístas, feministas, adoradores do crime e daí por diante. Simplesmente pode surgir a âncora mental: “É melhor não me envolver nisso. Melhor deixar essa tal de política para lá…”.

Entretanto, a totalidade das pessoas tem sua vida afetada pela religião política, e, se considerarmos que é útil reduzir esse impacto, devemos assumir a noção de que a participação política dos direitistas, de uma forma mais enérgica, é vital.

Por exemplo, se você paga impostos abusivos, é por que esquerdistas venceram no passado batalhas políticas requerendo esses impostos. Se muitos menores conseguem hoje assassinar e estuprar impunemente, isso é novamente resultado de batalhas políticas vencidas por esquerdistas. Vitórias esquerdistas também resultam em leis ridículas que limitam sua liberdade e aumentam o risco de totalitarismo. Ou seja, deixar para lá tudo isso é deixar o inimigo agir como ele quiser somente pela opção de “não agir” contra ele.

Mesmo que a ação política seja algo não só defensável como essencial, ainda respeito o direito de alguém decidir “não se envolver”, por diversos motivos. Um deles é não colocar em risco a própria vida, ou a vida de sua família. Como mostrei tempos atrás, recentemente esquerdistas colocaram em risco a vida de vários blogueiros conservadores ao fazerem trotes para a polícia. Como eu posso julgar alguém de forma acusadora e pejorativa depois de eventos deste tipo? Eu simplesmente não seria justo ao agir assim.

O problema que vejo, por sua vez, é que muitos confundem ação política com participação em eleições universitárias, passeatas na rua ou até a organização de atos de vandalismo. Essa percepção é justificada pelo fato de que isso caracteriza a militância de esquerda. Quem não se lembra das arruaças no Pinheirinho, da cusparada em um militar reformado octogenário, ou até mesmo das destruições cometidas pelo MST? Talvez esse tipo de atitude possa gerar a seguinte impressão no conservador: “Não, de jeito algum, não sou louco para atuar desta maneira. Que os esquerdistas prossigam em sua sanha por ocupar o espaço público…”. Entretanto, ainda temos o problema de que as conquistas dos esquerdistas CONTINUAM afetando a vida dos que não crêem na ideologia deles.

A conscientização que precisamos fazer reside no fato de explicar para o maior número de conservadores que a militância barulhenta, agressiva, baseada em quebra-quebra e passeatas, não é a única forma de ação política. Também não é a única forma de ação política a criação de vblogs para ficar denunciando o outro lado, como muitos esquerdistas fazem. (Sim, eu sei que alguns adeptos da direita também fazem vlogs, mas são raros)

É possível ter uma atuação política low profile, e que não implique em exposição tão grande como nos exemplos citados anteriormente. Por exemplo, a divulgação de uma notícia mostrando a vileza de esquerdistas (como esta: “Ouça e leia: uma gravação em que o PCC deixa claro que é para matar policiais e tucanos e outra em que há a orientação para votar em petista” – agradecimentos ao Reinaldo pela lembrança), para seus contatos na Internet, também é uma ação política. Entrar em uma comunidade do Orkut de forma anônima e esculhambar os esquerdistas, demonstrando as mentiras que praticam, também é uma forma de ação política que não gera muita exposição. Enfim, as opções são várias.

É claro que a ação explícita deve permanecer sendo praticada, com divugação de vídeos, participação em debates, criação de blogs, guerras na mídia e coisas do tipo, mas temos que ter a consciência (e fazer a conscientização) de que a participação mais discreta também é muito importante e é uma opção que os adeptos da direita devem ter. Até por que os esquerdistas geralmente agem como se não tivessem nada a perder. O mesmo não pode ser dito dos direitistas.

Portanto, se temos várias opções de ação política (da mais discreta até a mais espalhafatosa), não há motivos para deixar de termos uma ação política a não ser a preguiça. E quais os motivos para termos uma ação política? Lutar por seu direito à segurança, ao invés da opção pelo apoio ao crime dos esquerdistas, proclamar seu direito de não ser surrupiado pelo estado, ao invés do desejo ardoroso que os esquerdistas tem pelo estado inchado, e agir para reduzir o risco de totalitarismo, ao invés da contínua sanha dos funcionarem em darem poder aos beneficiários, dentre outros, são motivos mais do que suficientes.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".