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terça-feira, 31 de julho de 2012

LANÇAMENTO DE LIVRO: AS CATORZE VIDAS DE DAvid - O MENINO QUE TINHA NOME DE REI

 

HEITOR DE PAOLA

A história de um sobrevivente

Jornalistas contam em livro a história do pai David Lorber Rolnik, polonês radicado em Curitiba que escapou do holocausto

O comerciante judeu polonês radicado em Curitiba David Lorber Rolnik viveu o terror da Segunda Guerra Mundial dos dois lados. Aos 19 anos, sobreviveu a uma “marcha da morte” realizada pelas tropas nazistas em sua cidade natal, Chelm, de onde foi conduzido sob a mira das metralhadoras até a fronteira com a Ucrânia. Do país soviético foi para a Rússia, obrigado a trabalhar nos gulags siberianos (campos de trabalho forçado) sob condições adversas até conseguir voltar para seu país de origem no pós-guerra, e emigrar de vez para o Brasil, em 1953. “Vivi o inferno e não sei como escapei”, relatou tempos depois. Passou por tantos perigos de morte que podia-se dizer que tinha catorze vidas – a última, expirada em 2008, enquanto lutava contra uma pneumonia aos 88 anos.

A vida e a saga tortuosa de David Rolnik foram relatadas na forma de livro por dois de seus filhos, os jornalistas Szyja e Blima Lorber. As Catorze Vidas de David – O Menino Que Tinha Nome de Rei, que será lançado no próximo dia 9 de agosto, às 19 horas, na Livraria Cultura, é o resultado de pesquisas e, obviamente, da própria convivência com o pai. “Durante todos os anos em que vivemos juntos, sempre pesquisei a história da nossa família em museus e arquivos diversos, que ele me ajudava a ler, em polonês e alemão, e tentei montar as peças do quebra-cabeça que foi a história dele”, conta Blima, que viajou com o David para Chelm, no interior da Polônia, para reconstituir a memória da cidade.

Um dos únicos sobreviventes do holocausto em Curitiba, David também contou sua história para o cineasta Steven Spielberg, responsável pelo Museu Visual do Holocausto. “Esse depoimento foi essencial para nós, para dar um fio condutor para nossas pesquisas”, afirma Szyja, diretor do jornal curitibano Visão Judaica. Ele completa que a história da Segunda Guerra Mundial relativa à Polônia e à Rússia passa ao largo da saga de David, explicando os mecanismos que levaram os judeus a sofrer nas mãos tanto de Hitler quanto de Stalin. “A nossa pesquisa também passou pela história de como meu pai encontrou minha mãe. Eles se conheciam desde criança, mas foram separados no período em que estavam na Rússia, e só depois, quando a guerra já tinha acabado, se reencontraram no processo de redocumentação na Polônia e se casaram”, conta.

As Catorze Vidas de David – O Menino Que Tinha Nome de Rei tem apresentação da jornalista espanhola Pilar Rahola e prefácio da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de Saõ Paulo (USP). Para Blima, a obra valida-se pela mensagem. “Os homens precisam saber que a intolerância e o preconceito podem causar males que a gente jamais imagina, e impedir que coisas como essa voltem a acontecer. O mundo não pode esquecer”, acredita.

Autores: Szyja Lorber e Blima Lorber. Sêfer, R$ 36.

Lançamento

Livraria Cultura – Shopping Curitiba (R. Brigadeiro Franco, 2.300, lj. 306, Piso L3/L4), (41) 3941-0292. Dia 9 de agosto, às 19 horas. Entrada franca.


Gazeta do Povo, Curitiba, PR, 31/07/2012

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".