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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Coluna PAES DE LIRA no Voto Católico

 

VOTO CATÓLICO

Carissimo leitor,

Acompanhe ao longo deste mês as mudanças progressivas no site. Desejamos-lhe oferecer plataformas destinadas a informar, formar, gerar opinião, e motivar a ação.

Hoje inauguramos a seção COLUNISTAS, e o fazemos da melhor forma, publicando um excelente artigo do Cel. Paes de Lira sobre o compromisso político dos católicos.

Colocamos sob o amparo e patrocínio de Nossa Senhora, Mãe de Deus, esta singela iniciativa e o esforço generoso dos nossos colaboradores.

Os Editores.

01 de janeiro de 2012.

SEGUNDA-FEIRA, 2 DE JANEIRO DE 2012

A participação política dos leigos católicos

Caros amigos, fico profundamente honrado com o convite dos editores do Voto Católico para figurar entre as ilustres personalidades que colaboram com este importante portal.

Neste artigo inaugural, apresento-lhes algumas observações e reflexões a respeito da participação política dos leigos Católicos. Procuro fazê-lo a partir do ensinamento da Igreja, do texto da Constituição da República e de minha experiência pessoal no cargo de Deputado Federal, que exerci na 53ª Legislatura.

A Igreja não faz restrição à participação política do laicato. Reconhecendo a importância desse engajamento, ensinou João Paulo II (exortação apostólico Christifedeles laici, 42):

“... os fieis leigos ... têm o direito e o dever de participar na política, embora em diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e responsabilidades.” (grifo meu).

Atentem para o trecho grifado. Dever, escreveu o Pontífice. Reconheceu tal participação não meramente como um direito — atribuiu-lhe o status de dever católico.

Preocupa a muitos fieis católicos a contaminação do poder político pela corrupção e pela egolatria, que torna o ambiente político afetado de real perigo moral. Por essa forte razão, muitos deles, desesperançados: afastam-se da vida política; comparecem às seções de votação apenas para cumprir obrigação legal; não raro, recorrem ao voto nulo. E, principalmente, olham com desconfiança todo e qualquer candidato a cargo público eletivo, incluídos os declaradamente católicos.

Mas isso é um grave erro.

Em primeiro lugar, porque a Constituição política do Estado Brasileiro não é tão laica como alegam os materialistas. Com efeito, encontram-se no corpo da Carta Magna as seguintes disposições:

No preâmbulo 

“Nós, representantes do povo brasileiro, ... promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.” (grifo meu);

No Capítulo dos Direitos e Garantias Individuais e Coletivos

“Art. 5º
[...]
VI ― é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII ― é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;” (grifos meus);

No Capítulo da Educação

“Art. 210
[...]
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa,constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.” (grifo meu);

No Capítulo da Família

“Art. 226
[...]
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.” (grifo meu).

Evidentemente, os legisladores constituintes reconheceram a religiosidade da população brasileira e o valor dos fundamentos espirituais na orientação de seus próprios intelectos, ao dotar a Nação de uma nova Carta Política. Isso não torna confessional o Estado Brasileiro. Mas também não o torna radicalmente laico. Ademais, ainda que laico o Estado, nem por isso será ateu o povo ao qual serve.

Em segundo lugar, porque um dos campos de batalha das causas católicas é exatamente o político. Basta, para comprová-lo, lembrar todas as ameaças lá articuladas: imposição do laicismo extremado ao Estado, proibindo a presença de Símbolos Cristãos nas edificações públicas, banindo o ensino religioso das escolas públicas e suprimindo a validade civil do casamento religioso; imposição de políticas de permissão do aborto, em grave ofensa à sacralidade da vida humana; desfiguração da Família mediante a introdução de políticas públicas de união civil entre homossexuais e de concessão do direito, aos assim consorciados, de adotar crianças, ou obter prole por meios distorcidos, mediante acesso a bancos de sêmen humano e contratação das chamadas “barrigas de aluguel”. Tudo isso poderá acontecer, abstraído o ativismo judicial, de que falarei em outra ocasião, por intermédio de alterações na Constituição da República, no Código Civil e em leis correlatas, como a de biossegurança.

Barrar esse maligno processo exige ação católica, não apenas oração. Cabe ao católico rezar, sim, pela intervenção do Alto, mas também se exige dele vigiar e agir, no plano material, com todo o seu vigor e com toda a sua capacidade de articulação. E acontece que essa luta — que há de considerar-se uma das formas do bom combate — só se pode realizar, no âmbito do livre arbítrio humano, de duas formas: a pressão legítima e democrática, sempre ordeira e pacífica, mas inabalável, sobre os parlamentares e os detentores de mandatos executivos; e a eleição de representantes verdadeiramente católicos, que concentrem toda a sua energia na aprovação de leis morais e na rejeição de abominações legislativas como as anteriormente mencionadas.

Em terceiro e último lugar, porque o perigo moral, na verdade, permeia toda a sociedade humana, em qualquer parte e a todo momento. O fiel vive inexoravelmente a ele exposto, esteja onde estiver. Vencê-lo incessantemente é a missão do católico, sem que com isso se pretenda conferir a todo leigo a extremada coragem e a disposição dos Santos para o martírio. A convivência com o assédio do mal, para os mandatários realmente católicos, servirá ainda mais para exaltar a sua fé e a sua fortaleza de caráter. Para ajudá-los, é crucial que os eleitores católicos acompanhem o exercício dos mandatos propiciados por seus votos, de modo a orientar-lhes a atuação e oferecer-lhes permanente, vigoroso e carinhoso suporte moral e espiritual, através do poder da oração. E também ― falemos com a dura e necessária clareza ― exigir deles conduta reta, fiel aos princípios e à vontade daqueles que os conduziram às posições de poder secular. Em minha experiência na Câmara Federal, observei cuidadosamente a conduta dos deputados católicos. Devo dizer-lhes, com a imperativa e crua franqueza, que poucos se expuseram ao debate aberto em prol da lei moral, para evitar o risco de perder votos de certos segmentos e grupos de pressão, nos agudos e numerosos momentos em que o direito humano à vida desde a fecundação e os fundamentos da Família Cristã estiveram sob ameaça. Muitos deles, um sacerdote inclusive, militaram em partidos que têm em seus programas de ação partidária a defesa do aborto, a título de “direito reprodutivo da mulher”, ou expressão equivalente. Aderiram a tais abominações, assinando termo de concordância.

Em meu modo de entender, o tratamento a dispensar a um mandatário que, eleito pelo voto católico, venha a mostrar-se venal, omisso, esquivo ou infiel às causas pelas quais foi eleito para lutar, deve ser correspondente ao fracasso ético dele: o esquecimento e a rejeição nas urnas na próxima tentativa eleitoral. Não prego, com tal afirmação, falta de caridade. Ao valer-me do termo esquecimento, refiro-me à vertente secular, ao aspecto político.

Perdoar é apanágio do cristão. Mas transigir com reiterados e impenitentes malfeitos do poder chega a ser anticristão.

São Paulo, 1 de janeiro de 2012.

Jairo Paes de Lira, é Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Foi Comandante do Policiamento Metropolitano e possui formação em Administração de Empresas. Foi deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão de 2009 até 2011. Tem 58 anos, é casado, pai de três filhos, e mora em São Paulo.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".