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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Você sabe com quem está falando? Se não sabe, deveria saber

 

LUCIANO AYAN

 

Imagine que sua amiga de trabalho deliciosa chegue lhe contando que o noivo dela prometeu “amor eterno”, dizendo que o que importa nela é o seu conteúdo, não o seu exterior. Em retorno, você diz: “Como sabe que ele realmente gosta de seu conteúdo? Estatisticamente, temos evidências em contrário, e posso te passar um material da psicologia evolutiva que refuta essa ideia. Por que você não duvida dele?”. Considerando que a afirmação do namorado dela automaticamente daria vantagem a ele, isso seria um exemplo de ceticismo político? Sim, mas seria mais ainda um exemplo de estupidez.

Primeiro, o diálogo acima não funciona nem como cantada e nem como um exemplo de “debate”, até por que as boas práticas da interação sexual dizem para buscarmos o efeito no aspecto psicológico, ao invés da argumentação racional. Segundo, sua amiga nem de longe é sua adversária intelectual. Ela é sua companheira de trabalho, e sua meta em relação a ela deveria ser estabelecer o melhor relacionamento possível.

No ambiente político, temos amigos e inimigos. E em nosso cotidiano, temos oportunidades para implementações céticas que valem ou não a pena.

Defino uma oportunidade para uma implementação cética como todo momento no qual você pode fazer um questionamento cético. Em suma, quando qualquer alegação da outra parte aparece. Entretanto, uma vez vi um diretor executivo afirmar o seguinte: “Uma pena a declaração do Colin Farrell, que parece não se preocupar com problemas sociais. Por isso não me decepciono com o Brad Pitt, que é mais ‘engajado’ em problemas sociais”. Obviamente, isso merecia uma ridicularização, após um questionamento incisivo. O problema é que será que vale a pena ridicularizar alguém que está em uma mesma empresa que você e em uma posição hierárquica superior? Claro que não. Creio que já é o suficiente para entendermos o conceito de oportunidade no que diz respeito ao ceticismo.

Se já ficou claro este conceito, devemos entender a postura de amigos e inimigos. Se uma alegação política é toda aquela que, se aceita, traz vantagem para a pessoa ou o grupo que a propaga, temos que entender: esta alegação vem do lado “amigo” ou do lado “inimigo”. Se a oportunidade valer a pena, e a alegação vier do lado “inimigo”, e for inválida ou ao menos questionável, então enfim temos uma situação em que o ceticismo não só pode, como deve ser aplicado por completo.

Ao usarmos o framework aqui proposto, evitamos o risco de nos tornarmos “monstros do ceticismo”, ou seja, aquelas pessoas que tem sua vida prejudicada, sendo consideradas “excêntricas” ou “anti-sociais”, por causa de sua forma incisiva de questionamento.

O ceticismo político não foi desenvolvido para você prejudicar sua vida social, nem para perder amigos, ou mesmo colocar sua vida profissional em risco. Muito pelo contrário, todo o framework aqui desenvolvido tem por meta fazer com que você não seja mais enganado por fraudes linguísticas e truques retóricos que venham de seus adversários ideológicos, no contexto da guerra política, e enfim permitir que você, caso queira, possa atuar neste campo de batalha, obtendo resultados.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".