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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Lady Gaga Leva Chute no Traseiro na Indonésia

 

JULIO SEVERO

15 de junho de 2012

O Oriente está mandando uma mensagem para os EUA. Será que eles vão escutar?

Matthew Cullinan Hoffman

Notícias do cancelamento do show de Lady Gaga no início de junho em Jacarta, Indonésia, estão tendo uma repercussão extremista na mídia americana e internacional, que diz que é uma peça teatral moral sobre o triunfo do islamismo radical sobre a liberdade artística, e um triste prenúncio da suposta transição da Indonésia para o fanatismo religioso.

Mas a verdade é que a resposta negativa aos shows de Gaga hipersexualizados e desrespeitadores dos valores morais não ficou isolada a extremistas nem à Indonésia. As turnês de shows de Lady Gaga e outras formas similares de entretenimento que insultam as religiões estão sendo cada vez mais mal recebidas na região do sudeste asiático e além, e refletem a crescente indignação com o que é visto como um imperialismo cultural americano que ameaça com desdém os valores morais dos outros países.

A culpa do vexame que Gaga sofreu em Jacarta está sendo associada a uma organização conhecida como Frente dos Defensores Islâmicos (Islamic Defenders Front, FPI), um grupo muçulmano linha-dura conhecido por seus conflitos com cristãos e pela sua rígida interpretação do Alcorão. De acordo com o International Crisis Group, uma organização pacifista cujo veredicto sobre o caso está sendo citado pela Associated Press, está “claro que não teriam considerado cancelar o show” se o FPI e outros grupos extremistas não tivessem se mobilizá-lo para impedi-lo.

Contudo, o FPI e grupos afins não estavam sozinhos na sua oposição ao show de Jacarta. Aliás, o show de Gaga enfrentou energética oposição de uma dúzia de outras organizações islâmicas, incluindo o Conselho Indonésio de Ulemás, a maior autoridade muçulmana indonésia, conhecida pelo temperamento religioso moderado.

Além do mais, a oposição ao show da cantora não acabou dentro das fronteiras indonésias. De fato, a turnê, chamada de “Born this Way Ball” (algo como “Já Nasceram Assim”), em referência à alegação sem fundamento científico de Gaga de que os homossexuais já nasceram com sua orientação gay, provocou protestos em vários países da região, em sua maioria por grupos cristãos.

Nas Filipinas, os shows da cantora provocaram de católicos e protestantes respostas semelhantes às demonstradas pelos muçulmanos na Indonésia. O arcebispo católico Ramon Arguelles alertou que “seus fãs estão sob o perigo de caírem nas garras de Satã”, e apoiou um boicote. Um pastor evangélico que organizou uma grande manifestação de protesto no centro de Manila, capital das Filipinas, chamou Lady Gaga de “o ícone de uma nova religião de difamação da nossa fé, de profanação de tudo o que é sagrado e da enganação dos nossos jovens”. 

O show na região de Manila só foi permitido pelas autoridades do governo depois de emitirem um alerta à cantora com relação a atitudes que pudessem ser consideradas lascivas ou ofensivas à moral ou à religião, prometendo agir contra a cantora se ela infringisse as leis de pudor público. As advertências não foram capazes de aplacar o grupo de centenas de manifestantes que tentaram fazer uma marcha até o evento, e foram impedidos pela polícia a um quilômetro de distância do local. Uma resposta parecida aconteceu na Coréia do Sul, onde centenas de cristãos participaram de protestos organizados contra o show da Lady Gaga, fazendo com que a entrada no evento fosse proibida para menores de 18 anos.

Essas manifestações de revolta contra a hegemonia cultural dos EUA, com sua hostilidade antirreligiosa, não estão limitados à Ásia; outros países também mostram disposição de lutar contra as influências corruptoras de “artistas” estrangeiros que atacam a moral pública. Na Rússia, a cantora Madonna foi alertada de que seria multada se utilizasse seu próximo show em São Petersburgo para promover a agenda homossexual. Na França, um número cada vez maior de católicos está protestando contra peças teatrais estrangeiras “cristofóbicas” que profanam imagens sagradas e insultam as crenças cristãs. Na Turquia liberal, o Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdogan está alertando que o governo irá cortar ajuda financeira a teatros em resposta à peça chilena chamada The Obscene Secrets of Every Day (Os Segredos Obscenos do Dia-a-Dia), além de outras obras ofensivas.

Lady Gaga não deveria se surpreender com a reação dos cristãos e muçulmanos asiáticos ao seu comportamento bizarro no palco, o qual ela reconheceu frequentemente que é planejado para gerar controvérsia, e que serve aos seus interesses econômicos como uma cantora em busca de publicidade. No entanto, os americanos aparentemente se tornaram tão saturados e insensibilizados com a rotina de obscenidade de tais “artistas pop” que já não conseguem mais compreender a reação de pessoas comuns em países que ainda estão imbuídos de valores de devoção religiosa, noção do sagrado e um desejo profundo de proteger seus filhos de influências nocivas.

Gerações de pais americanos têm entregado seus filhos alegremente aos sedutores cuidados de indústrias que abertamente lucram com a destruição de seus valores morais, vendendo-lhes um entendimento hedonista e degradado da sexualidade humana, no momento mais vulnerável do seu desenvolvimento psicossexual. A “corrida cultural dos EUA para o fundo do poço” é justificada por uma ideologia libertária que diviniza a liberdade individual à custa da moral pública, um conceito que já é quase inexistente na jurisprudência americana. O espírito resultante se reflete em quase todas as manifestações da mídia de massa, de filmes a programas de televisão, músicas, videogames e internet. Os americanos têm respirado essa atmosfera venenosa por tanto tempo que se tornaram quase incapazes de manifestar uma indignação moral, ou de interpretar tal indignação quando ela se manifesta fora do país.

A verdadeira questão levantada por Lady Gaga no sudeste asiático não é a do extremismo religioso ou da santidade da liberdade de expressão, temas comumente utilizados pelos americanos como desculpas para repudiar a resistência obstinada de pessoas de outros países aos produtos que os americanos exportam para outras culturais. Isso tudo, na verdade, representa o declínio espiritual dos EUA. Esse declínio criou um abismo entre os EUA e os povos que continuam a manter os valores que os americanos abandonaram, valores que são essenciais para a saúde de qualquer sociedade.

Traduzido por Luis Gustavo Gentil do artigo de The Catholic World Report: “Lady Gaga Gets the Indonesian Boot

Fonte: www.juliosevero.com

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".