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quarta-feira, 13 de junho de 2012

A covardia política de Fernando Haddad, que fugiu da miniparada gay. Ou: Por que o movimento minguou?

 

REINALDO AZEVEDO

11/06/2012 às 19:07

 

Começo por uma das provocações do título: “miniparada gay”. Por que “miniparada”? Pela primeira vez, fez-se uma medição da presença de público segundo critérios científicos. Os alegados 4 milhões de pessoas eram, na verdade, no máximo, 270 mil, ou 1/15 do número que servia à propaganda, segundo o Datafolha. Há aí uma questão conjuntural — o evento reuniu menos gente do que no ano passado — e uma histórica: nunca, em tempo nenhum, a parada deve ter reunido nem mesmo mesmo 500 mil pessoas (quase o dobro do que se viu ontem). Falava-se em muitos milhões para tentar emprestar à parada uma importância e uma adesão popular que nunca teve — o que não quer dizer, atenção!, que seja pouca gente.

Noto, a título de ilustração, que não é de hoje que as coisas são assim. No dia 17 de abril de 1984, os que éramos favoráveis às eleições diretas para presidente alardeamos a presença de 1 milhão de pessoas num comício do Vale do Anhangabaú e imediações. Ainda me lembro do ceticismo de um velho amigo, um comunista italiano que morava no Brasil havia alguns anos. Era matemático. Eu tinha, então, 22 anos; ele, mais de 70. Dávamos aula na mesma escola. “Vocês não sabem o que é um milhão de pessoas na rua; infelizmente, não havia lá mais de 100 mil. Um país que pusesse um milhão na rua por causa de uma reivindicação política seria outro…” Pois é. Sem contar que aquele milhão não caberia lá de jeito nenhum! Vocês sabem como a causa é capaz de produzir “mentiras decorosas”, não é mesmo? Tanto não havia um milhão que a emenda das Diretas foi derrotada, e nada aconteceu…

Quem sabe Zé Dirceu consiga reunir um milhão em sua defesa, não é mesmo?, sob a liderança da UNE. A entidade pode aproveitar e pegar uma graninha dos convênios e investir na patuscada pró-impunidade. Adiante com a questão da miniparada. Chegarei a Haddad.

Motivos para reflexão
A militância sindical gay deveria pensar um tantinho nos motivos que levaram à substancial e visível queda de público neste ano. Nunca como agora ela foi tão estridente e, em muitos aspectos, agressiva. Ganhou maus prosélitos. Os absurdos levados à avenida no ano passado — os modelos caracterizados como santos católicos em situações homoeróticas — e o debate às vezes virulento em defesa da tal lei de combate à homofobia podem ter concorrido para diminuir o que se esforçava para ter um caráter inclusivo, universalista. Não só: seria o caso de avaliar a insistência em levar às escolas o tal “kit gay”. Uma coisa é contar com a simpatia algo descompromissada da população (héteros, gays, tico-tico no fubá); outra, distinta, é querer convencê-la de que seus filhos devem ser submetidos a uma peça de propaganda bucéfala em sala de aula. Preconceito? Uma ova! Os filmes foram tornados públicos e falam por si.

Marta Suplicy, com o seu verbo de hábito ligeiro, acusa um retrocesso da causa em razão da militância obscurantista ou algo assim. É o caminho para continuar errando. Se os sindicalistas gays tiverem um mínimo de juízo, verão que sua causa minguou à medida que decidiu tratar com ligeireza estúpida alguns valores que estão na raiz da formação da cultura brasileira. Se a sua causa depende, em boa parte da adesão popular, então tem de haver diálogo. “Santos gays” na avenida e tentativa de criminalizar opinião são coisa de quem quer confronto. Os supostos milhões da avenida sempre serviram como uma espécie de intimidação, inclusive dos políticos, que passaram a incluir o evento em sua agenda. O parada de ontem deixou claro que a causa é muito menos popular do que parece. É bom lembrar que a parada EM São Paulo não é propriamente DE São Paulo; é a DO Brasil.

Haddad e a agenda secreta
José Serra e Fernando Haddad, tidos na imprensa como “os dois principais candidatos à Prefeitura”, não foram à parada. Nota: até agora, não sei por que o petista, com algo entre 3% e 5% das intenções de voto, está entre os “principais”, mas vá lá… Serra tinha ido a Nova York e parece não ter conseguido voltar a tempo. Já a ausência do petista foi planejada e obedeceu a uma estratégia de seu comando de campanha. Ainda que o tucano certamente tenha gays entre seus eleitores — foi o grande arquiteto do tratamento gratuito às vítimas da AIDS e do trabalho de conscientização sobre o contágio —, é fato que o PSDB não mantém com o que chamo “sindicalismo gay” os vínculos que mantém o PT, que se quer o partido das minorias.

O que tirou Haddad da avenida? Várias coisas. Em primeiro lugar, ele precisa se desvincular do chamado “kit gay”. De tal sorte era absurdo o material que a própria presidente Dilma Rousseff resolveu vetá-lo. Sim, evangélicos e católicos protestaram; os parlamentares cristãos reagiram, mas eles não decidem nada! Especialistas em educação e comportamento com os meridianos ajustados sabem que aquele troço era lixo, proselitismo barato. Em vez de entregar a questão a educadores, resolveram passá-la aos cuidados de militantes. Mas não era só isso, não! A musa da causa — ao menos entre os que lideram paradas — é Marta Suplicy, que foi alijada do processo eleitoral pela brutalidade de Lula. A chance de que Haddad fosse vaiado era grande.

O que fez, então, o petista? Garantiu, nos bastidores, às lideranças do movimento que será um prefeito sensível à causa, mas não quis aparecer em público ao lado dos gays. Assim, prefere tratar da questão como uma agenda secreta: se e quando eleito, então faz as vontades do sindicalismo gay; por ora, é bom se distanciar da causa para não provocar “os conservadores”, entenderam? Haddad tenta fazer com o tema mais ou menos o que Dilma fez com o aborto: deu um truque no grande eleitorado e ficou longe do assunto — quase aprendeu a persignar-se; no poder, vai implementando a agenda dos abortistas. A última do governo federal é estudar a implementação de um atendimento pré-aborto (!?) no Sistema Único de Saúde…

Haddad não foi à parada gay para manter parte de sua biografia e de suas intenções no armário.

Por Reinaldo Azevedo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".