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sexta-feira, 18 de maio de 2012

“VOCÊ É NOSSO. NÓS SOMOS TEU. E O BRASIL É DA GENTE!” OU: PRENDAM OS MORDOMOS DE SEMPRE!

 

REINALDO AZEVEDO

18/05/2012 às 6:35

 

Ontem, o senador Fernando Collor (PTB-AL), este Colosso de Rhodes da Moral e dos Bons Costumes, tentou armar um pampeiro tendo como alvo, pela enésima vez, a imprensa, a VEJA, aquelas obsessões de sempre do impichado ressentindo, ora servindo de laranja de alguns petistas. Enquanto Collor queria pegar jornalistas (essa gente enxerida), Cândido Vaccarezza (PT-SP) mandava um torpedo para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB): “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”. Ontem foi o Dia Internacional Contra a Homofobia, mas nada de maldar (ou “bendar”…) as palavras carinhosas. Não era um caso de homoafetividade, mas de heteroafetividade política, entendem? Enquanto o PMDB e o PT estiverem unidos, nada de mau acontece à família. É, colegas, as coisas não estão se desenvolvendo conforme o planejado. O tiro está mesmo saindo pela culatra. Gosto que lembrem o que escrevi. Gosto também de lembrar o que escrevi. Não é arrogância, não! É apenas para deixar claro que o analista político estabelece um compromisso com o leitor. Ao fazê-lo, escolhe com quem quer falar. E eu, se me permitem, os quero. Parodiando Vaccarezza, “vocês são meus, eu sou de vocês” — com todo o respeito, é claro, e sem a Delta no meio, hehe. 

Então vamos usar um pouco de memória para ver se aqueles acertos de ontem, que deixaram fora da CPI a Delta nacional, Fernando Cevendish e os governadores, surpreendem os leitores deste blog.

No dia 1º de abril, escrevi aqui um texto intitulado “A rede suja na Internet e a tentativa de melar o processo do mensalão e livrar a cara de José Dirceu“. Anunciava, então, de primeira, qual era o intento daquela turma. Escrevi:
O objetivo é jogar lama na imprensa e no Judiciário para reforçar a tese de que o mensalão foi uma invenção. O próprio Lula, diga-se, este monstro da moral, chegou a afirmar, ainda na Presidência, que iria querer investigar a sério este assunto, sugerindo que era tudo uma trama da oposição. Como se a dinheirama assumidamente ilegal que circulou no partido jamais tivesse existido.”

No dia 11 de abril, o texto era este: “Lula entra na articulação da CPI e deixa claro que o objetivo não é punir corruptos, mas pegar a oposição. É mais uma contribuição sua para a miséria institucional brasileira“. E se lia então:
Embora nomes de petistas apareçam no esquema do bicheiro — ontem à noite, caiu o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, do DF — e a construtora Delta seja íntima do PT, o chefão do partido quer vingança. Acha que é hora de ir à forra e, às vésperas do julgamento do mensalão e em ano eleitoral, pegar mais algum figurão de um partido de oposição.”

No dia 17 de abril, há um mês, foi a vez de “A CPI e o pior que pode acontecer. Ou: Cachoeira com a mão no botão vermelho“. Com todas as letras, eu lhes ofereci isto:
O pior que poderá acontecer ao país e às instituições é a instalação de uma CPI sob o signo do medo, que acabará não investigando porcaria nenhuma! Do clima de guerra, com a faca nos dentes e os olhos injetados de sangue, chegar-se-ia, para recorrer a uma palavra que caiu em desuso como conceito político, à CPI da “détente”, da inimizade cordial. Ninguém se atreveria a detonar primeiro o, digamos assim, artefato nuclear. Escolher-se-iam alguns bodes expiatórios, e pronto! Mas quem seria servido em postas apenas para fazer as honras da casa? Cachoeira aceitaria ir para o matadouro sem levar junto a Delta? Demóstenes iria para o sacrifício, preservando outros tantos íntimos do esquema Cachoeira?”

Naquele mesmo 17, no texto “A CPI E OS MEDOS DE CADA UM — No mundo do crime, não importa a origem dos ratos, o importante é que eles se organizem para comer os gatos“, este blog escrevia:
O espírito que inicialmente moveu a criação da comissão não tem nada a ver com justiça, investigação, apuração, punição de culpados, nada disso… Lembrem-se do vídeo gravado por Rui Falcão, presidente do PT; lembrem-se da operação desencadeada por José Dirceu no JEG; lembrem-se da interferência direta de Lula na articulação da comissão. (…) a Operação Esmagamento imaginada por Lula, Dirceu e banda podre petista não deixa de ser tarefa arriscada. Já deu para perceber que a malha de influências de Carlinhos Cachoeira não obedece a um desenho convencional, não tem uma trama regular. Nunca se sabe que parte do tecido cada um dos fios soltos move. Pegue-se o caso do tal Idalberto Matias Araújo, o notório Dadá.”

No dia 3 deste mês, há duas semanas, como se fosse hoje, lia-se aqui “POR QUE SE INSTALOU SÓ AGORA A CPI E POR QUE JÁ HÁ MUITA GENTE ARREPENDIDA NA BASE DO GOVERNO“, com a seguinte consideração:
“A acusação contra a imprensa foi desmoralizada de maneira até vexaminosa. Subsiste hoje apenas na pena de alguns aloprados, que têm de continuar a fazer o serviço pelo qual são pagos — com dinheiro público! E, ora vejam, surgiu uma Delta no meio do caminho, com a sua, digamos assim, força avassaladora. Na mesma corrente em que o PT sonhou arrastar Marconi Perillo, também podem rodar Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal (e esse é apenas um de seus problemas), e a figura até então ascendente da política (eu, ao menos, nunca entendi por quê…) Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio. E isso pode ser apenas o começo. Imaginem, então, se Luiz Antônio Pagot resolver falar. Os que se assanharam na esperança de “destruir a mídia” — e se destaque, em nome da precisão, que esse ímpeto foi de Lula e José Dirceu, não do Planalto — certamente ignoravam o grau de intimidade entre a Delta e o esquema de Carlinhos Cachoeira. Aí tudo ficou, de fato, enrolado demais! PT e PMDB fecharam ontem uma espécie de pacto para deixar os governadores fora da investigação — e o PSDB  não vai reclamar se as coisas caminharem por aí. Ficariam, assim, fora da CPI Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral. Com isso, pretende-se, também, afastar Fernando Cavendish, o dono da Delta, do imbróglio.”

Bola de cristal?
Tenho bola de cristal? Não! Apenas certo conhecimento da natureza das coisas e um enorme apreço pela lógica. Lula, que não larga a rapadura de jeito nenhum — jamais cumpriu a promessa de, para usar palavra sua, “desencarnar” do cargo que ocupou —, decidiu tomar o espaço da articulação política que pertencia à presidente Dilma Rousseff e fazer a “sua” CPI. “Mas não era necessário, Reinaldo?”, poderia indagar alguém. “Sim!”, respondo eu. Faz-se necessário ter uma CPI que realmente investigue, então, a extensão do esquema Delta-Cachoeira no Brasil inteiro. No começo desta madrugada, o Jornal da Globo levou ao ar gravações em que Cachoeira e seus homens tratam de uma parceira com a Delta “em nível de Brasil” (sic) e de coisas (quais?) que ficariam “em nome da Delta” — ver posts abaixo. Mas haverá essa investigação?

Se Lula e os petistas soubessem em que cumbuca estariam metendo a mão, a tanto não ousariam porque fazem a linha dos macacos espertos. Mas é que falaram mais alto, como diria o poeta, a “glória de mandar” e a “vã cobiça”. O ApeDELTA cansou de plantar nos bastidores — e seus estafetas fizeram o mesmo — que, desta vez, a imprensa estava mesmo lascada, entenderam? Alguém andou emprenhando alguns petistas pelos ouvidos: “Sabem a VEJA, aquela revista que gosta de dar notícias? Pegamos!”. Não! Nada pegaram porque nada havia para pegar além da conversa de jornalista com fontes — e para fazer reportagens. Se Vaccarezza disse a Sérgio Cabral “Você é nosso; nós somos teu”, a turma do Cachoeira também teve a chance de dizer em suas conversas: “O Policarpo jamais será nosso”. Jamais! É isso aí!

Caminhando para o encerramento
Já imaginaram haver no Brasil um sistema que permitisse dar a Cachoeira o perdão, com troca de identidade e até o direito a uma plástica para mudar o rosto? A única coisa que se exigiria dele, em troca da liberdade em algum lugar deste vasto mundo, seria contar tudo o que sabe. Não é certo que a corrupção acabaria no país porque, infelizmente, não é assim tão fácil. Mas é certo que haveria um baita estrago no establishment político.

Seu advogado é um dos criminalistas mais experimentados do país: Márcio Thomaz Bastos. Não existe no Brasil o estatuto do perdão em troca do “conta tudo!”. Vejam que curioso: mesmo tendo se transformado numa espécie de Inimigo Público nº 1 do país, em suas mãos está o destino de muita gente. Ele e Fernando Cavendish decidem o tamanho do estrago que vão fazer. Se arrependimento matasse, haveria muita gente da base aliada hoje mortinha da Silva. “E da oposição?” Esta não tinha o que fazer a não ser assinar a CPI. Na condição de minoria extrema, só lhe restava apoiar a investigação…

Collor e alguns petistas, não obstante, seguem firmes: “Cortem a cabeça da imprensa, cortem a cabeça da imprensa!”. É no que deu a soma do velho mandonismo, que o senador representa, com o novo, encarnado pelo PT. Ficam lá naquela folia afetiva: “Você é nosso, nós somos teu, o Brasil é da gente”… E porrada na imprensa que insiste em tratar estepaiz como se fosse uma República!!!

Texto publicado originalmente às 4h37

Por Reinaldo Azevedo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".