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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ministra das Mulheres agora nega, em nota, que tenha ido à Colômbia aprender a fazer aborto. Vai ver eu inventei tudo, né?

 

REINALDO AZEVEDO

14/02/2012 às 6:21

 

O Estadão de hoje traz uma reportagem de Daniel Bramatti e Bruno Boghossian e outra de João Domingos e Tânia Nogueira com a repercussão do post publicado ontem aqui, que trata de uma entrevista concedida em 2004 por Eleonora Menicucci, hoje ministra das Mulheres. Na conversa com uma pesquisadora, ela afirmou, entre outras barbaridades, que fez treinamento de aborto na Colômbia, embora a prática naquele país fosse crime em qualquer caso. Pegou mal? Pegou! A culpa é minha? Não! É dela! Eu revelei o que ela disse e que estava escondidinho no site da Universidade Federal de Santa Catarina. Boas militantes, entrevistada e entrevistadora tentam agora investir na confusão para dar o dito pelo não-dito. Pois é… O chato é que as palavras fazem sentido.

Lê-se no Estadão o que segue. Comento em seguida:
Autora da entrevista, a professora Joana Maria Pedro, da Universidade Federal de Santa Catarina, disse ao Estado que conversou com Eleonora e outras 150 mulheres do Cone Sul para uma pesquisa sobre o engajamento de feministas na luta contra ditaduras militares. Ela explicou que a ministra solicitou que a publicação fosse retirada do ar em 2011 para evitar a exposição de sua filha, que é citada. A ministra alegou ontem que pediu que o texto fosse retirado do ar em 2010 por conter “imprecisões”.
“Se havia alguma outra imprecisão, eu não me lembro”, disse a pesquisadora, que inicialmente havia confirmado ao Estado o conteúdo da conversa, “‘Estão usando uma entrevista feita para um trabalho de História para atacar uma pessoa. As pessoas podem ter feito coisas que não fazem mais”, disse Joana Pedro. A transcrição das gravações foi feita por uma estudante e revisada por outra aluna. A entrevista, trazida a público ontem pelo jornalista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, deve alimentar as pressões de integrantes da bancada evangélica no Congresso pela demissão da ministra. Setores religiosos vinham atacando Eleonora nos últimos dias por causa de sua posição a favor da descriminalização da prática do aborto.

Comento
O que estaria querendo dizer a professora Joana Maria Pedro? Que as palavras assumem um sentido novo quando empregadas numa “entrevista para um trabalho de história”? Basta ler o texto para perceber que se trata de uma transcrição da fita. Quanto à exposição da filha, cumpre lembrar que, tão logo nomeada, Eleonora não só abordou a sua própria bissexualidade como voltou a falar da filha lésbica. Tanto é assim que, de saída, eu a sugeri para a capa de uma “Edição Vermelha” da revista “Caras”. Como é, professora Pedro? Então os políticos agora não podem ser confrontados com suas próprias palavras que isso caracteriza um “ataque à pessoa”? A senhora quer debater esse seu conceito à luz da história e da historiografia? Eu topo!

Se a entrevista vai “alimentar” ou não os setores evangélicos, isso, convenham, decorre das palavras da ministra, certo? De resto, considerando que os evangélicos são uma força da sociedade como qualquer outra, têm o direito — e até o dever — de se manifestar.

Eleonora agora nega treinamento na Colômbia
Informa o Estadão em outro texto. Volto depois:
A ministra Eleonora Menicucci (Secretaria de Política para as Mulheres) afirmou, por intermédio de curta nota divulgada na noite de ontem, com três itens, que nunca esteve na Colômbia. Disse ainda, no mesmo documento, que a entrevista em que teria dito até que fez curso de aborto no país vizinho “contém imprecisões que a levaram a requerer, em 2010, a sua retirada do site (da Universidade de Santa Catarina)”. Por fim, na nota, a ministra reafirmou que mantém suas convicções, “expressas em entrevista coletiva realizada em 7 de fevereiro de 2012″, e reitera que, como integrante do governo federal, “defende integralmente as posições do governo”.

Voltei
Ora…
Fica parecendo que inventei o seu estágio na Colômbia. Terei de reproduzir de novo o trecho:
Eleonora -  Dois anos Aí, em São Paulo, eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. (…). E, nesse período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.
Joana - Certo.
Eleonora - O Coletivo nós críamos em 95.
Joana
- Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora - Era nas clínicas de aborto. A gente aprendia a fazer aborto.
Joana - Aprendia a fazer aborto?
Eleonora - Com aspiração AMIU.
Joana - Com aquele…
Eleonora
- Com a sucção.
Joana - Com a sucção. Imagino.
Eleonora - Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana
- …é que as pessoas se auto autofizessem!
Eleonora - Autocapacitassem! E que pessoas não médicas podiam…
Joana
- Claro!
Eleonora - Lidar com o aborto.
Joana - Claro!.
Eleonora - Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda.
Joana - Hum.
Eleonora - Muito bonita! Descobrirem o colo do útero e…
Joana
- Hum.
Eleonora - Ter uma pessoa que segura na mão.
Joana - Certo.

Retomando
Que imprecisão pode haver aí? Está tudo claro! Por que Eleonora mentiria sobre a sua experiência em 2004? Eu diria, apegado apenas à lógica, que ela teria mais motivos para mentir agora. Afinal, o aborto ainda é crime na Colômbia — excetuando-se risco de morte da mãe, estupro e má-formação do feto. E, ainda assim, as exceções datam de 2006. Não fica bem o país ter num ministério uma senhora que confessa que atravessou a fronteira para praticar crimes no país vizinho.

Mais: a experiência é relatada como parte de um trabalho de “autocapacitação” para o aborto, o que é de lascar!. Notem que o “façamos nós mesmos” chega à, vamos dizer, visita ao “colo do útero”. Segundo entendi, essa coisa “muito bonita” foi feita pela própria Eleonora nas companheiras. Colo de útero não é lugar de fazer turismo. Pode-se chegar lá como parte de uma “coisa bonita”, sim, mas aí já não se trata de atividade relacionada à saúde, privativa dos médicos.

Dona Eleonora é irredimível. Mas é irredimível por suas próprias palavras, em 2004 ou em 2012. Eu só descobri a entrevista, escondidinha no site na Universidade Federal de Santa Catarina. As palavras, no entanto, são da agora ministra.

Comentem com moderação!

Por Reinaldo Azevedo

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".