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domingo, 1 de março de 2009

A ECONOMIA DE CABEÇA PARA BAIXO*

SACRALIDADE

Thomas Sowell * *


Dos especiais de TV aos editoriais dos jornais, a mídia estadunidense está forçando cérebro adentro dos americanos a idéia de que os atuais problemas econômicos foram causados pelo mercado e que só o governo os pode salvar. É a "doença socialista" se expandindo na economia do país mais rico do planeta. Se o povo acreditar, talvez, em breve, não o seja mais, exatamente por isso.



O que estava faltando no mercado imobiliário, diz a mídia, era a regulamentação governamental sobre a “ganância” dos seus agentes". Isso cria um grande melodrama moral, mas acaba situando os fatos de cabeça para baixo. Foi precisamente a intervenção do governo que transformou a próspera indústria do subprime numa pilha de nervos e numa espécie de tragédia anunciada.

Um economista, especializado em mercados financeiros, deu uma dica da história dos mercados imobiliários quando disse: "Emprestar dinheiro a americanos comprarem sua casa própria tem sido um dos negócios menos arriscados e mais lucrativos que um banco pode fazer, há quase um século". Isto é o que era esse mercado, antes do governo intervir. Como muitas intervenções governamentais, ela começou pequena, discreta, e mais tarde foi crescendo e se tornando mais visível".

O Ato de Re-Investimento Comunitário foi a maneira como as agências reguladoras federais, em 1977, intervieram para "encorajar" os bancos e outra instituições de crédito "a ajudarem a cobrir as necessidades creditícias de comunidades locais, nas quais eles identificassem pessoas que pudessem ser beneficiadas com empréstimos sob hipoteca e que fossem consistentes com a segurança mínima para que pudessem operar de forma saudável para as partes envolvidas."

Isso soa bem inocente e, de fato, teve pouco efeito por mais de uma década. Entretanto, sua premissa era a de que “burocratas e políticos sabem até aonde os empréstimos podem ir, de um modo melhor e mais eficiente do que as pessoas que estão, de fato, operando o mercado e contratando os empréstimos no dia a dia”.

O real potencial de tal premissa ficou visível na década de 1990, quando o Departamento da Habitação e Desenvolvimento Urbano (DHDU) impôs uma exigência de que os emprestadores de dinheiro sob hipoteca demonstrassem com dados concretos que eles estavam 'assumindo suas responsabilidades' perante o Ato de Re-Investimento Comunitário. O que o DHDU queria mesmo eram os números mostrando que os empréstimos sob hipoteca estavam sendo feitos às pessoas de “baixa e moderada renda”, na escala de intensidade esperada pelo governo, mesmo que, para tal, os bancos e financeiras estabelecessem novos padrões de qualificação mais "inovadores e/ou flexíveis" para aquelas pessoas. Ou seja, o governo impôs quotas – e se algumas pessoas não satisfaziam esses padrões, então eram os próprios padrões que teria que ser ‘alterados’ para satisfazerem as necessidades dessas pessoas.

Tanto o DHDU como o Departamento de Justiça começaram a impetrar ações judiciais contra os agentes financeiros sempre que a percentagem de candidatos a hipotecas da minoria não branca se tornava maior do que a da maioria branca, obrigando-os, com isso, a diminuir a quantidade de empréstimos sob hipoteca a esses últimos.

Uma substancial maioria de ambos os segmentos raciais tiveram seus empréstimos aprovados sob hipoteca, mas qualquer "diferença estatística" mais significante passou a ser o suficiente para um banco ser processado. Note-se que os mesmos recursos estatísticos de onde eram obtidos os dados sobre brancos e negros comumente incluíam os dados sobre os asiático-americanos também. Mas esses últimos quase nunca eram mencionados. Diminuíram então mais freqüentemente os empréstimos para os brancos do que para os "asiático-americanos". Mas dizer tal coisa seria subverter os arrazoados sobre os quais se baseavam todo esse melodrama moral.

As ações legais eram apenas parte das pressões exercidas sobre os operadores de crédito imobiliário pelos agentes governamentais. Bancos e outras empresas de crédito são supervisionadas por agências reguladoras e têm que conseguir delas a aprovação para muitas decisões de negócios que outros setores de crédito tomam sem precisar da aprovação de quem quer que seja. Regulamentadores governamentais recusavam-se a aprovar tais decisões quando um emprestador estava sob investigação por não produzir estatísticas satisfatórias sobre os empréstimos que fazia às pessoas de baixa renda ou pertencentes a minorias étnicas.

Sob crescentes pressões, tanto da administração Clinton como, mais tarde, da administração George W. Bush, os bancos começaram a baixar os padrões de qualificação dos candidatos a empréstimos sob hipoteca.

Tais empréstimos passaram a não exigir nenhuma parcela de entrada, sinal, ou pré-prestação e a não fazer verificação de renda bem como adotar outros arranjos financeiros "criativos" e se generalizaram nos EUA. Muito embora a coisa tenha sido feita sob as pressões que começaram ‘em nome dos pobres’ e das ‘minorias’, as pessoas que não se enquadravam nessas ‘classificações’ também conseguiam tais empréstimos com a mesma facilidade ‘criativa’.

Com os empréstimos sob hipoteca – e logo a seguir as operações de refinanciamento – amplamente disponíveis a pessoas com um retrospecto questionável quanto à capacidade de manterem seus pagamentos, a coisa toda se transformou num convite aberto ao desastre financeiro.

Os que avisaram dos perigos tiveram seus avisos dispensados e ridicularizados. Agora, pelo que se lê, se ouve, e se vê, “os americanos precisarão de mais políticos e burocratas intervindo em mais segmentos industriais”, caso o povo acredite nos políticos e na mídia.

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Artigo publicado no site norte-americano townhall.com



* * Sowell é economista formado em Harvard, com mestrado na Universidade de Colúmbia e doutorado na Universidade de Chicago. Atua no Hoover Institute em Stanford, California.

– Tradução: Francisco Vianna

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".