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terça-feira, 24 de março de 2009

Plano Econômico dos Democratas: Culpe os Republicanos por Qualquer Coisa

TRADUÇÕES ESSENCIAIS
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Traduzido por Leandro Diniz

Link do artigo original aqui

por John R. Lott, Jr. [1]
26 de Janeiro de 2009 [2]


O que você espera que os americanos façam quando o presidente Obama nos contar que nós estamos em "uma crise econômica sem precedentes"? Alguém se surpreende quando os consumidores passam a comprar menos? Quando companhias param de gastar dinheiro?

Infelizmente, as declarações de Obama não são novas - ele fez declarações similares durante sua campanha ano passado. Consultores políticos democratas têm aparecido em toda a mídia clamando sobre nós estarmos na "maior crise financeira sem precedentes da história." Claro, a mídia tem espalhado essa mensagem também.

Não só esse discurso sobre a "crise econômica sem precedentes" é falso - é absurdamente falso. Mas ao amedrontar os americanos e levá-los a mudar seus hábitos, eles causam o caos econômico que dizem querer resolver.

Pegue alguns números:

-- As pessoas podem não se lembrar disso, mas praticamente um terço de todos os meses durante as décadas de 1970, 1980 e 1990 tiveram taxa de desemprego alta, ou mais alta que agora.

-- A taxa de inflação hoje é incrivelmente baixa. Ao longo do último ano a taxa de inflação tem sido 0.1 por cento. Só existe um ano desde 1960 em que a taxa de inflação foi menor do que 0.7 por cento (1961).

-- O crescimento do PIB deve ter caído levemente uns 0.5 porcento no terceiro trimestre do ano passado, mas isso foi depois de um crescimento de 2.8 porcento no trimestre anterior. Os americanos estão mesmo assim mais ricos que estavam no início do ano.

Dado todo o falatório sobre o desastre, é um mistério que a economia não esteja em estado pior. Você deve pensar que os políticos devem ter entendido o impacto das suas palavras. Mas se não entenderam (e é muito difícil de acreditar que eles não entenderam), eles tiveram bastantes oportunidades para aprender essa lição novamente ano passado.

Senador Chuck Schumer (D-N.Y.) soltou publicamente uma carta que escreveu ao Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) e o Office of Thrift Supervision (OTS) questionando as chances de sobrevivência do IndyMac Bancorp. Ele não tinha nenhuma evidência de nada, apenas a suspeita de que o IndyMac tinha uma condição financeira frágil.

Os depositários entraram em pânico e retiraram seu dinheiro do banco, o que o levou a falência.

O escritório do OTS concluiu: "A causa imediata do fechamento foi uma esvaziamento nos depósitos que começou e continuou depois da liberação pública da carta de 26 de Junho para o OTS e o FDIC do Senador Charles Schumer de Nova York. A carta expressava preocupações sobre a viabilidade do IndyMac. Nos próximos 11 dias úteis, os depositários sacaram mais de $1.3 bilhões de suas contas."

Ou pegue a declaração do Líder da Maioria do Senado Harry Reid: "Um dos indivíduos na reunião de hoje falou sobre uma grande companhia de seguro. Uma grande companhia de seguro - uma de nome que todos conhecem e que está à beira da falência. Isso é a razão disso tudo." Nenhuma companhia de seguro estava à beira da falência, mas todos os preços de ações da indústria de seguros despencaram no dia seguinte. Ninguém sabia de qual companhia de seguro Reid tinha informações privilegiadas.

Se essas táticas de pânico sobre a economia não foram suficientes, a ameaça de taxas maiores, ou cancelamento de contratos de hipoteca, ou grandes novas regulamentações, ou subsídios para pessoas desempregadas só fizeram as coisas piorarem ainda mais. Porque o aumento do benefício do seguro desemprego termina muito antes das eleições do próximo ano?

Meu palpite é que os Democratas realmente entendem o impacto de suas palavras. Mas esses são apenas algumas de suas declarações sobre a economia. Então por que o esforço consciente para derrubar a economia?

A resposta é simples: se as coisas piorarem economicamente, especialmente antes do plano de estímulo dos Democratas entrar em vigor, os Democratas pensam que serão capazes de culpar os Republicanos por tudo. Mesmo que a maioria dos americanos não sabem que os Democratas controlaram ambos, Congresso e Senado, pelos últimos dois anos.

Pode levar uns anos, mas as coisas eventualmente vão se acertar por si mesmas na economia, e os Democratas dirão que foram seus planos que arrumaram as coisas. Infelizmente, esse ganho político será feito nas costas dos americanos que estão vivendo um sofrimento desnecessário.

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[1] John Lott é o autor de Freedomnomics e um pesquisador científico Sênior da Universidade de Maryland. voltar

[2] Traduzido por Leandro Diniz. voltar



sexta-feira, 13 de março de 2009

O DUELO DE EXPLICAÇÕES

NIVALDO CORDEIRO
10 de março 2009

 

Há um franco debate entre as duas correntes alternativas de pensamento para a compreensão da crise atual.Entenda, caro leitor, que o ato de compreender o real antecede o ato de tomada de decisão para agir sobre a realidade, fato notavelmente superlativo em tempos de crise. De um lado a ala esquerda, que tem na figura de Paul Krugman o seu emblema, que entende que a presente crise se deve às falhas intrínsecas do mercado, tendo havido a um só tempo omissão e timidez dos governos para prevenir a crise. Vão além: dizem que só é possível superá-la com a ação vigorosa do Estado, seja na política monetária, para restabelecer o crédito, seja nos gastos governamentais, a fim de criar demanda.

 

A essa ala esquerda alinham-se também os economistas da vertente do liberalismo de Friedman, que aceitaram o suposto lado “bom” das teorias de Keynes. O denominador comum dessa gente é que a ação do Estado é necessária e suficiente para a superação dos problemas. De fato, acreditam na reengenharia humana a partir do Estado (Cavaleiro do Templo: nada mais comunista, a definição mesmo da ideologia). Há  aqui uma fé escancarada na capacidade do Estado gerenciar os problemas humanos, sobretudo aqueles ligados à economia. Seu remédio recomenda o agigantamento da ação estatal, embora no caso dos liberais consequencialistas essa ação seja, ao menos  teoricamente, temporária e reversível. A história mostra que isso nunca houve, a reversão do crescimento do Estado, quando este se agigantou a qualquer pretexto, na guerra como na paz.

 

Do outro lado temos os economistas que se alinham em torno do liberalismo clássico e da chamada Escola Austríaca, que entre nós tem seu emblema na pessoa do economista carioca Ubiratan Iorio


Esses economistas atribuem a crise não a falhas de mercado, mas a falhas de governo, que exorbitou de suas funções, que desorientou a alocação de recursos, que emitiu moeda em demasia, que se endividou além da conta, que gastou muito e mal. 


Além disso, a história do século XX foi a história do esparramo do Estado por áreas novas, como Educação, Saúde, Habitação e Previdência, de sorte que essas áreas não apenas demandaram enormes quantidades de recursos, mas tornaram-se elas próprias a raiz da crise.

 

Toda a gente sabe que o nó central da crise não reside no sistema bancário, que caminha para bancarrota em muitos países. O nó principal é o sistema de Previdência Social, seja na forma estatizada, seja na forma de fundos de pensão, estes que sempre mantêm um elo com o poder emissor e taxador do Estado. A persistência do governo norte-americano, por exemplo, de preservar a AIG está ligada diretamente aos fortes elos que a seguradora mantém, não apenas com o sistema bancário, mas com as garantias últimas que deu aos ativos dos ricos e generosos fundos de pensão norte-americanos. A quebra dessa seguradora será a realização instantânea de gigantescos prejuízos na carteira de ativos desses fundos, levando o sistema inteiro à derrocada.

 

A capacidade de esses fundos honrarem seus compromissos previdenciários de longo prazo está fortemente afetada. Muita gente perderá a sua aposentadoria por causa da insustentabilidade atuarial dos fundos e da má qualidade dos seus ativos.

 

Essa segunda linha de pensamento recomenda a receita em contrário: o reencontro da economia natural, a privatização de tudo, a começar pelas perdas dos valores dos ativos, a preservação do bem maior, que é o valor da moeda, a saída do Estado de áreas que não são da sua competência, inclusive as quatro acima nominadas.  Eu vou além: digo que não acontecerá de outra forma. 


Essa crise veio para fazer o rio retornar a seu leito. 


Ela não será superada se o Estado não regredir. A pena por retardar esse processo será prolongá-lo indefinidamente sem superá-lo.

 

O desastre político é que não há estadistas à altura da tarefa. Será preciso que alguém diga às massas, clientes do Estado, que a festa acabou e que todos terão que cumprir o mandamento bíblico de comer o pão como o suor de seu rosto. Então os beneficiários de rendas do Estado – funcionários públicos, aposentados, rentistas portadores de títulos da dívida pública, fornecedores e toda sorte de parasitas – terão que se conformar com o empobrecimento abrupto, em escala mundial, inclusive no Brasil. Certamente não acontecerá algo assim sem uma profunda catarse coletiva, que pode se traduzir em movimentos de violência. Terá que ser feito, todavia.

 

O debate até agora foi politicamente vencido pela ala esquerda, que tomou o poder nos EUA e na maioria dos países do mundo, inclusive no Brasil. O presidente Barack Obama é o filho primogênito da crise. O problema é que sua receita é puramente ideológica e, como tal, parte de uma falsa explicação da realidade. Quanto mais os governantes esquerdistas agirem, isto é, quanto mais emitirem moeda, alavancarem a dívida pública e elevarem os gastos do Estado, mais a situação econômica será agravada. Desagradar as massas acontecerá da mesma forma, só que pela mão da esquerda política será usada via torta da desordem, com inflação e interrupção do comércio mundial. É possível imaginar um cenário bastante catastrófico, do ponto de vista não apenas econômico, mas também político, se esses governos persistirem no uso dessa receita.

 

A crença no poder miraculoso da ação estatal é tão grande que mesmo o finado governo Bush adotou a via estatistade superação da crise, fazendo  projetos de bailout para vários setores e estatizando de vez as financiadoras FannieMae e Freddie Mac, operadoras do mercado imobiliário secundário. Serão talvez os maiores depositários de ativos “tóxicos” do planeta, cujo valor está estimado em US$ 6 trilhões. A direita norte-americana agiu apenas no nível de discurso, não na implantação de políticas públicas. Na prática a via proposta pela esquerda tem sido a única política econômica de fato posta em ação. Nunca houve outras.

 

Mesmo a chamada Reaganomics, a economia do lado da oferta, contentou-se na redução de alguns impostos. O gasto estatal jamais foi reduzido. A crise, portanto, tem sigo gerada por gerações seguidas de governantes irresponsáveis  aclodiu nesse momento pelo simples fato de que levaram a experiência do gigantismo do Estado ao paroxismo.  Vivemos a Era do Estado Total.

 

Meu caro leitor, você deve se preparar. O mundo não escapará da forte purgação, o Brasil inclusive. O artificialismo econômico vivido nas últimas décadas não retornará jamais. Haverá sangue, suor e lágrimas.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O PROBLEMA DO ORÇAMENTO PÚBLICO

NIVALDO CORDEIRO
02 de março de 2009

No artigo anterior  comentei que o primeiro orçamento apresentado pelo presidente Barack Obama para o próximo ano fiscal é uma insanidade, em face do tamanho do déficit proposto, mas também em face da qualidade dos gastos perseguidos. Os bailouts de empresas tecnicamente falidas, como bancos, a AIG e a General Motors Corporation, bem como a compra dos ditos ativos imobiliários tóxicos é uma afronta às leis naturais do mercado. Esse orçamento é um sinal dos novos tempos em direção ao Estado Total.

 

Essa proposta orçamentária impõe uma reflexão sobre o papel do orçamento público. Na origem a peça orçamentária foi um símbolo da luta libertária contra a tirania do Estado Absolutista. A idéia de que os impostos devem ser votados antes do exercício fiscal revolucionou a relação entre os poderes e de fato acabou com o arbítrio dos Estados. Foi um grande avanço para a civilização. O orçamento tornou-se a trava ao avanço do Estado sobre a renda dos particulares e melhorou a representação política.

 

Ocorre que no século XX, já no bojo da revolução gramsciana que alcançou todo o globo, vimos o poder de Estado se agigantar e o orçamento publico mudou de aspecto. Ele não apenas deixou de ser a trava, mas tornou-se o dínamo a sugar os recursos privados.  Mesmo antes das idéias de Gramsci serem generalizadas tivemos o movimento em torno do keynesianismo e do progressismo, nos EUA, que levou ao crescimento secular da carga tributária e das despesas. Na prática o que tivemos foi uma profunda mudança nas crenças coletivas a respeito do Estado. Este deixou de ser temido enquanto ameaça potencial que é para ser adorado como salvador.

 

Os movimentos que defendem o agigantamento do Estado são todos de fundo religioso, sucedâneos das religiões tradicionais, e não meros fatos políticos. A democracia de massa permitiu que gente moralmente inferior viesse a ocupar o lugar dos estadistas. Estado forte com dirigentes despreparados e moralmente inferiores é a fórmula do desastre.

 

O que vemos desde o século XX  é movimento da classe política e da burocracia estatal para esparramarem do seu poder, sempre policialesco e fiscalista, vendendo ao povo a falsa solução mágica de que o Estado teria o poder de eliminar os riscos existenciais. Toda a literatura econômica, inclusive aquela que poderia ser chamada de liberal, está baseada na crença de que há um poder redentor nas ações do Estado capaz de gerenciar a vida ela mesma e aperfeiçoar a humanidade. As lições dos liberais clássicos foram esquecidas, especialmente aquela de que o Estado é o grande perigo, a besta maior, o elemento que precisa ser politicamente neutralizado.

 

Interessante é que o conflito da Segunda Guerra Mundial foi contra uma forma de Estado Absolutista, o nazismo, mas do lado vencedor tínhamos os comunistas russos e os progressistas dos EUA. Este país, tido como o paradigma do liberalismo, caminhou a passos largos para montar uma forma de Estado Total ainda mais perigoso que o comunismo, fenômeno que Peter Drucker chamou de “socialismo de fundo de pensão”. Estamos muito próximos disso. Esse Estado Total tende a controlar todas as dimensões da  vida humana e só de detém diante da crise que ele próprio constrói, de dentro para fora.  Ao se sobrepor à espontaneidade do mercado, ao sufocar a economia com a supertributação, ao estrangular a liberdade com o excesso de regulamentos e ao transformar a vida prática em uma ação perigosa, com sérios riscos jurídicos, não se poderia esperar outra coisa que não a eclosão de uma catástrofe, econômica assim como política. Não é mero acaso que a população encarcerada cresce exponencialmente nos EUA.

 

Essa crise tem caráter catastrófico precisamente porque o Estado foi longe demais, desvinculou-se de suas funções essenciais e passou a servir a verdadeiras gangues que estão controlando as agremiações políticas. Uma luta de resistência precisa ser levada avante. Existir é resistir. O irracionalismo de se colocar o Estado a serviço de grupos particulares, sob qualquer pretexto, é o fator determinante para a crise. Sem o consenso de que precisa viger o Estado Mínimo essas minorias gananciosas avançam. Ela, a crise, é isso: a expressão da manifestação mais peremptória da lei da escassez. Não há como a humanidade fugir dela. Os EUA vão enfrentar essa dura realidade nos próximos anos. Ela virá como empobrecimento, como liquidação das gangues que controlam o poder (com a respectiva crise política) e o sério risco de depreciação do dólar, prejudicando as trocas internacionais.

 

A crise é ainda mais dramática pelas repercussões internacionais, vez que os EUA são não apenas os maiores importadores, como também são os emissores da moeda que intermedia as trocas mundiais. Uma depreciação descontrolada do dólar equivale à destruição, ainda que temporária, do mercado internacional. Uma bomba atômica não seria mais letal que isso, pois a paralisia do comercio internacional equivaleria a um empobrecimento instantâneo, em escala planetária.

 

O afã dos adoradores do deus-Estado de torná-lo o salvador do mundo, tão bem representado pela figura deObama, poderá jogar a humanidade em uma situação desconhecida e de difícil superação. Discutir a natureza do orçamento, sua função e sua dimensão política tornou-se uma atualidade de larga importância. Entendo que não é apenas do perigo à liberdade que estamos falando, mas à vida civilizada como a conhecemos. Uma regressão econômica dessa envergadura jogaria o mundo em uma situação de caos.

terça-feira, 10 de março de 2009

Os pais da crise americana

Diário do Comércio, 5 de março de 2009

Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e sofrimentos, seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda, indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.


Mas outro exemplo, não menos significativo, é o da crise econômica americana. Especulações quanto às causas desse fenômeno pululam por toda a mídia internacional, mas é um erro metodológico monstruoso buscar explicação em supostas tendências gerais da economia e da sociedade quando se pode pôr à mostra a seqüência precisa e determinada de ações individuais e grupais que produziram o efeito. Muito da pretensa “ciência social” contemporânea consiste em camuflar as causas concretas sob universais abstratos. Não espanta que, na totalidade dos casos, os explicadores sejam ou os próprios agentes posando de observadores externos, ou suas vítimas idiotizadas, empenhadas em anestesiar-se mediante auto-injeções de pseudociência para não ter de enxergar a verdadeira identidade de seus opressores.


Deixar-nos iludir por essa camuflagem é ainda mais inaceitável quando os agentes do processo daninho não têm sequer de ser investigados a posteriori porque eles mesmos legaram ao historiador a exposição escrita de seus planos e métodos. No caso em questão, a derrubada da previdência social americana e do sistema bancário que a sustenta não foi o efeito de uma confluência involuntária de fatores anônimos, não foi nem mesmo o resultado de uma longa colaboração de inépcias, mas foi a simples realização de um plano traçado desde a década de 60 por estrategistas de esquerda inspirados por Saul Alinksy, mais tarde o mentor de um jovem estudante de Direito, Barack Hussein Obama.


O documento que o atesta acima de qualquer possibilidade de dúvida nada tem de secreto. Foi publicado em 1966 na prestigiosa revista The Nation e até hoje consta da lista dos dez artigos mais lidos da publicação desde sua fundação em 1886 (v. Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, “The Weight of the Poor: A Strategy to End Poverty”, The Nation, 2 de maio de 1966; uma cópia do artigo em PDF pode ser obtida por três dólares na página de arquivos da revista; um excelente resumo comentado encontra-se no artigo de James Simpson, “Barack Obama e a estratégra da crise orquestrada”, traduzido para o português em http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2009/01/barack-obama-e-estratgia-da-crise.html).


Os autores, Cloward e Piven, buscavam aí colocar em ação a regra ensinada por Saul Alinsky, que ele mais tarde enunciaria por escrito em seu livro Rules for Radicals, de 1971 (Vintage Books): “Faça o inimigo pôr em prática seu própria manual.” A regra antecipa uma das táticas mais notórias da “guerra assimétrica”. David Horowitz assim a interpreta:


“Quando pressionada a honrar cada palavra de cada lei e estatuto, cada princípio moral judaico-cristão e cada promessa implícita do contrato social liberal, a ação humana é inevitavelmente deficiente. O fracasso do sistema em ‘pôr em prática’ o seu manual de regras pode então ser usado para desacreditá-lo completamente e para substituir um manual capitalista por um socialista.” (V.http://www.discoverthenetworks.org.)


A estratégia proposta por Cloward e Piven consistia, segundo Horowitz, em “forçar uma mudança política através da crise orquestrada, ... procurava acelerar a queda do capitalismo ao sobrecarregar a burocracia governamental com uma enchente de demandas impossíveis, arrastando então a sociedade para uma crise e um colapso econômico”. Mas não pensem que isso é interpretação proposta por Horowitz. O texto original de Cloward e Piven é de uma clareza absolutamente cínica:


“É nosso propósito pôr em ação uma estratégia que forneça a base para uma convergência de organizações... Se essa estratégia for implementada, o resultado será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda anual e portanto acabe com a pobreza.”


Cloward e Piven prosseguiam explicando que havia “um abismo de diferença entre os direitos nominais assegurados pela previdência social e o número de pessoas que desfrutavam efetivamente desses direitos. Se fosse possível localizar e organizar esses beneficiários inatendidos e usá-los para pressionar os institutos de previdência, estes não teriam dinheiro para atender à demanda e entrariam fatalmente em colapso.” A proposta de uma legislação socialista surgiria então, com aparente espontaneidade, como natural solução do problema. Nas décadas que se seguiram, a estratégia foi aplicada à risca, arregimentando milhões de beneficiários potenciais para que exigissem seus direitos em massa e produzissem a crise. Na liderança desse movimento estava o grupo de ativistas formado por Alinsky, entre os quais Barack Hussein Obama. A pletora de créditos imobiliários fornecidos pelos bancos, sob pressão dos ativistas, a solicitantes desprovidos das mínimas condições de pagar os empréstimos, foi a causa direta da crise bancária eclodida em setembro de 2008.


Dois pontos essenciais do plano Cloward-Piven chamam imediatamente a atenção do observador externo. De uma lado, a diferença entre duas concepções da previdência social. No sistema capitalista, a previdência social é, por natureza, um último recurso a que os cidadãos só devem recorrer em casos de extrema necessidade. A prosperidade geral do sistema, esperava-se, deveria prover por si o sustento das famílias, reduzindo a um mínimo as filas nos guichês da previdência. Cloward e Piven reconhecem essa obviedade em teoria mas adotam como estratégia ignorá-la na prática, forçando o direito virtual expresso em lei a tornar-se uma garantia de atendimento imediato a todos os pretendentes reais e potenciais, necessitados ou não. Entravam instantaneamente na fila, portanto, desde os miseráveis genuínos (um número insignificante) até pessoas de classe média baixa meramente insatisfeitas com a sua situação modesta:


“Para cada pessoa nas listas da previdência, há pelo menos mais uma que preenche os critérios de legibilidade mas não está recebendo assistência. Essa discrepância não é um acidente que emerga da ineficiência burocrática. É um traço inerente do sistema previdenciário, o qual, se desafiado, precipitará uma profunda crise financeira e política. A força para esse desafio, e a estratégia que propomos, é um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas da previdência.”


Sob esse aspecto, a mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência deste último seria então denunciada como crise do anterior.


De outro lado, o objetivo último proclamado – garantir uma renda anual estatal a todos os pobres – se autodesmascarava imediatamente como farsa, pelo enunciado mesmo do plano: se a previdência não tinha dinheiro nem para atender os direitos já existentes no papel, como poderia tê-lo para arcar com um gasto imensamente maior? “Acabar com a pobreza” não era o objetivo do plano: era apenas o pretexto moral para gerar a crise. Esta era o único objetivo real, e não resta a menor dúvida de que foi alcançado. Neste caso, como em muitos outros, o discurso revolucionário apela a um objetivo utópico inatingível para viabilizar o esforço por um objetivo prático perfeitamente atingível, só que propositadamente desastroso. Se olharmos para a situação atual da economia americana, com o sistema bancário agonizante e o desemprego crescendo dia após dia, e notarmos que tudo isto foi feito sob a desculpa de “acabar com a pobreza”, é impossível deixar de perceber que os autores da idéia jamais acreditaram nessa desculpa, assim como os propugnadores de leis criminais mais brandas não acreditavam em diminuir a criminalidade e os defensores da educação sexual nas escolas não acreditavam em diminuir os casos de gravidez adolescente. Todas essas medidas e muitas outras similares visam tão-somente a destruir o sistema capitalista por meio de políticas assistenciais socialistas, calculadamente formuladas sob a lógica do prejuízo. Não há nenhum motivo razoável para supor que os danos resultantes fossem o puro efeito da inépcia ou da má administração. Foram resultados calculados, alcançados mediante uma engenharia social notavelmente eficaz. Trata-se, sempre e invariavelmente, de fazer o “sistema” pagar pelas culpas de seus agressores.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Brasil entra em forte desaceleração econômica, alerta OCDE

O DIA ONLINE
06/03/2009


Paris (França) - Um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta sexta-feira, alerta que o Brasil entrou em um processo de "forte desaceleração" econômica. Em janeiro, na comparação com dezembro, o País teve a segunda pior queda na atividade econômica entre os 35 países pesquisados, atrás somente da Rússia.


Os diagnósticos dos indicadores compostos avançados anunciados nesta sexta, que correspondem aos dados coletados em janeiro, indicam que o Brasil diminuiu seu nível de atividade em 2,7 pontos - para 94,5 pontos - em relação ao mês anterior (dezembro), quando já havia registrado redução de 1,8 ponto na comparação com novembro. Em relação ao mesmo período do ano passado - quando a economia do Brasil estava em aceleração -, são 10,1 pontos a menos de atividade econômica.


O relatório de indicadores compostos avançados mostra um retrato da atividade econômica de um determinado país e qual a sua tendência para os seis meses seguintes. A avaliação dos números e gráficos possibilita enquadrar a economia em expansão, desaquecimento (parar de crescer), desaceleração (diminuir o crescimento) ou retomada da atividade.


Os indicadores são baseados nas variações da atividade em torno de uma linha de 100 pontos. Estão em expansão ou desaquecimento as economias que se movimentam com números acima de 100, e em desaceleração e retomada os que se encontram abaixo de 100. Nestes últimos resultados, todos os países estudados se movimentam cada vez mais abaixo da linha dos 100 pontos, ou seja, se encontram em processo de forte desaceleração.


Todos os outros países estudados, assim como o Brasil, encontram-se igualmente em forte desaceleração econômica, com constantes quedas na atividade desde novembro. O estudo da OCDE é realizado mensalmente.


A surpresa, desta vez, é que o Brasil vinha se destacando nos estudos anteriores justamente porque demorou para entrar em desaquecimento - quando a economia pára de crescer - e foi o último a entrar em desaceleração - quando a economia começa a decrescer -, ao passo que os demais países já se encontravam nestas condições desde novembro. Agora, o País surpreendeu pelo lado inverso.


Pior que o Brasil só ficou a Rússia, que teve retração da atividade econômica de 3,3 pontos, para 85,9. "Os indicadores compostos avançados da OCDE continuam caindo", diz o título do estudo. "As perspectivas de crescimento continuam também a se deteriorar nas grandes economias não-membros da OCDE, em particular o Brasil, que faz face agora a fortes desacelerações, como a China, a Índia e a Rússia."


Os números chineses também não são nada animadores: diminuição de 2,1 pontos em relação a dezembro (para 87,4 pontos) e de 14,8 pontos sobre janeiro de 2008. Na zona euro, o decréscimo foi de 0,6 ponto (para 93,7), índice inferior em 8,4 pontos na comparação com o nível no ano passado. Já os Estados Unidos tiveram retração de 1,4 ponto (para 90,1), resultado inferior em 10,8 pontos em relação a um ano atrás.


"Para janeiro de 2009, eles continuam indicando um enfraquecimento das perspectivas de crescimento para as sete grandes economias do grupo: o da zona euro caiu a um nível ainda mais baixo, com sinais muito fracos de estabilização próxima", precisa o estudo.


O Reino Unido foi um dos países com menor retração, de 0,3 ponto (para 95,7), ao lado da França, com recuou de 0,2 ponto (para 96,2), e a Itália, com queda de 0,1 ponto (para 95,7).


As informações são de Lúcia Jardim, do Terra

domingo, 1 de março de 2009

O CRASH FINANCEIRO NORTE-AMERICANO: O SISTEMA CAPITALISTA É O VERDADEIRO CULPADO?

SACRALIDADE

Apresentamos a seguir três artigos que comentam o crash financeiro norte-americano. São análises que identificam as causas dessa crise. O primeiro artigo resume os demais.

     Publicamos também, no Site da Sacralidade, outros artigos que apontam o avanço do socialismo nos EUA:

     

          


As Viúvas de Stalin e a Crise Americana *


Cezar Cauduro Roedel



     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

A crise detonou o Lehman Brothers

      Não demorou para que as "Viúvas de Stalin" fossem propalando suas análises embusteiras sobre a "crise" do subprime americano. Com muita felicidade estampada no rosto davam gargalhadas e seus veredictos intelectualescos, comentando a derrocada do capitalismo, o fim do livre mercado, o modelo americano ruindo em suas próprias contradições...

      Portanto é necessário fazer alguns esclarecimentos sobre esta crise do mercado imobiliário, que de longe não é nada recente. A pergunta que devemos responder é a seguinte: Esta crise foi realmente gerada por uma "falha de mercado"? Segue o argumento:

      1- A origem da crise está ligada com a criação das gigantes hipotecárias, Fannie Mae e Freddie Mac, que recentemente receberam grandes verbas do governo americano. A Fannie Mae foi criada em 1938 pelo governo de Franklin Delano Roosevelt, dentro dos objetivos da política do New Deal.

     2- O New Deal previa o acesso de todos os cidadão americanos à casa própria. Mesmo àqueles sem capacidade creditícia, um plano de reestruturação com forte intervenção na economia. Assim, a gigante hipotecária forneceria liquidez ao mercado de hipotecas de alto risco, com a verba do contribuinte americano.

     3- As gigantes hipotecárias são instituições paraestatais, não são eminentemente privadas, por isso não estão "à prova do mercado", no sentido puro da expressão.

     4- O Governo americano sempre injetou muito dinheiro nestas instituições, que compram as hipotecas de alto risco do bancos americanos, dando assim, acesso aos cidadãos a sua casa própria.

     5- Em uma situação de economia de mercado, os Bancos não cederiam empréstimos para pessoas com histórico creditício duvidoso. A economia de mercado prevê que só pode emprestar dinheiro para pessoa que pode honrar a dívida. Então porque os banqueiros cediam estes empréstimos? Veja abaixo:

     6- Em 1977, então governo Carter, foi criado o decreto federal (Community Reivestment Act - Decreto de Reinvestimento Comunitário) que "obrigava" os bancos a fazerem os empréstimos aos cidadãos sem capacidade de honrar suas dividas com o aval das gigantes hipotecárias, a juros mais baixos, justamente para que todos tivessem acesso à casa própria. Os bancos que não se adaptassem as essas regras não poderiam fazer fusões, aquisições e novas linhas de negócio, até que provassem ao governo um certo número de empréstimos a estes "maus pagadores".

     Longe de ser uma "falha de mercado", o que estamos vivenciando é o resultado de uma política muito antiga de intervenção na economia. Enquanto alguns saem dizendo que o capitalismo falhou, não percebem que a falha veio do governo, de uma política redistributivista e socialista.

 

     * Publicado em 08/10/2008.

     Fonte: http://www.if.org.br/analise.php 

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Nota da Redação

Site Mídia Sem Máscara

 

     Em artigos de Thomas Sowell e João Luiz Mauad publicados recentemente pelo MSM, surge a grande pista que aponta, se não a culpa, a responsabilidade política pela origem da bolha imobiliária americana: as profundas alterações que a Community Reinvestment Act [Lei de Reinvestimento na Comunidade] sofreu logo no início (1993) do primeiro mandato de William Jefferson Clinton, o popular Bill Clinton.


A origem da crise:Clinton e os democratas

      Num longo, mas muito esclarecedor artigo publicado pela revista inglesa The Spectator em 01/10/08, o jornalista inglês Dennis Sewell diz com todas as letras: a culpa é dos democratas de Clinton. Ele demonstra os esforços de um grande e fanático grupo de ativistas-engenheiros sociais, liderados por Roberta Achtenberg, uma advogada e ativista dos direitos dos homossexuais em São Francisco, que mudaram radicalmente os outrora rígidos critérios de concessão de empréstimos imobiliários. Clinton a nomeou Secretária Assistente para a Moradia Justa (sic) e Oportunidades Iguais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano [Department of Housing and Urban Development – HUD].

         A política de Clinton era de ampliar enormemente o acesso das chamadas minorias ao crédito imobiliário. Roberta Achtenberg logo tratou de estabelecer escritórios ao redor dos Estados Unidos, cuja função seria a de fiscalizar a aplicação da “nova” lei, mas que, na prática, trataram de táticas de coação e chantagem. Tais escritórios tinham seu staff composto por advogados ativistas e investigadores. Primeiramente, os bancos imobiliários, e depois também os bancos comerciais, se viram em face de numerosos e rumorosos processos judiciais (aqui entra em cena a pressurosa colaboração de Janet Reno, a ministra da Justiça de Clinton) que os acusavam de práticas discriminatórias de todo tipo. Além das custas processuais crescentes, da publicidade negativa, os bancos recebiam insistentes convites da Casa Branca clintoniana para que “cooperassem”.

     Além disso, a própria lei (CRA- Community Reinvestment Act) estabelecia um critério de notas para os bancos que concedessem empréstimos imobiliários conforme as diretrizes governamentais. Dependendo da nota que um banco obtivesse, teria ou não permissão para fusões, aquisições ou a simples abertura de uma nova agência. Os tais critérios inicialmente exigiam que o tomador do empréstimo depositasse apenas três por cento (3%) do valor do mesmo. Depois, esse valor foi rebaixado para zero (0%) de entrada. Num ambiente econômico de expansão de crédito, os bancos cederam e a bolha imobiliária veio a estourar quinze anos depois de ter sido planejada como ação de “justiça social”.

 

Bush agiu, mas os republicanos foram omissos

     Dennis Sewell faz questão de isentar George W. Bush quanto à responsabilidade pelo atual estado de coisas, pois Bush teria tentado reverter ou modificar mais de uma vez os critérios da CRA. Uma vez que Sewell não é americano, nem republicano e muito menos uma Ann Coulter, a sua defesa de Bush ganha mais força.

     Todavia, há alguns detalhes que ele não menciona no artigo e que levam a algumas indagações: durante seis dos oitos anos dos dois mandatos de Bill Clinton, a maioria no Congresso americano (Câmara e Senado) era republicana. Onde estava essa maioria republicana que não viu ou não percebeu o que estava acontecendo? Se Clinton, que teve maioria durante apenas dois anos (1993-94) conseguiu introduzir modificações profundas numa lei já existente (de 1977), o que não poderia ser feito em seis anos?

     Mais ainda: com pequenas oscilações no Senado, George W. Bush teve maioria de 2001 até boa parte do ano de 2007. Assim, os republicanos tiveram algo em torno de doze (12) anos para modificar uma lei. A partir de 2001 é possível argumentar que os ataques de 11 de setembro, a campanha no Afeganistão, a guerra no Iraque, possam ter desviado a atenção dos republicanos. Mas nos anos Clinton, as únicas grandes desculpas ou distrações levam o nome de Monica Lewinsky e impeachment (este, tampouco consumado).

     E há mais um agravante: o candidato republicano John McCain é senador republicano desde 1986 e ainda assim não foi capaz de (ou não quis) rebater Barack Hussein Obama, quando este, no debate do último dia 07/10, atribuiu a Bush toda a culpa pela crise. Hoje, no que diz respeito à crise financeira, McCain não parece ter outra coisa a propor a não ser mais intervenção e ajuda estatal.

     Quando Richard Nixon declarou, em 1972, que “agora somos todos keynesianos”, pode não ter dito uma coisa boa, mas bem pode ter dito uma triste verdade.  O que resta é a constatação de que os verdadeiros conservadores americanos estão, ou sempre estiveram, muito, muito longe do poder.

    

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Política da salvação *

Thomas Sowell


     Nada demonstra mais dolorosamente o que está errado com o Congresso do que a atual crise financeira. Dentre os “líderes” partidários convidados à Casa Branca para criar uma “solução” de salvamento estão as mesmas pessoas que têm, por anos a fio, criado os riscos que agora nos atormentam.

     Cinco anos atrás, Barney Frank apoiou a “racionalidade” de Fannie Mae e Freddie Mac[1], dizendo que “Eu não vejo” qualquer “possibilidade de perdas financeiras importantes para o Tesouro”. Além disso, ele disse que o governo federal tem “provavelmente feito muito pouco, em vez de excessivamente muito, para estimulá-los a alcançar os objetivos de moradias a preços razoáveis.”

     No início deste ano, o senador Christopher Dodd[2] elogiou Fannie Mae e Freddie Mac por “liderarem o resgate” quando outras instituições financeiras estavam reduzindo os empréstimos habitacionais. Ele disse também que elas “precisavam fazer mais” para ajudar os credores subprime a conseguirem melhores empréstimos.

     Em outras palavras, o deputado Frank e o senador Dodd queriam que o governo pressionasse as instituições financeiras a emprestarem às pessoas que elas, por si mesmas, não emprestariam pelo risco de inadimplência. A idéia de que políticos podem calcular riscos melhor que pessoas que passam suas vidas profissionais calculando riscos deveria ser tão obviamente absurda que ninguém deveria considerá-la seriamente. Mas as palavras mágicas “moradia a preço razoável” e a palavra horrorosa “redlining”[3] levaram os políticos a determinarem para onde os empréstimos deveriam ir, por meio de coisas tais como oCommunity Reinvestment Act (Lei do reinvestimento comunitário) e várias outras coerções e ameaças.

     As raízes desse problema são antigas de muitos anos. Mas, como a crise a que tudo levou aconteceu na presidência de George W. Bush, isso foi motivo suficiente para aqueles que pensam em termos de retórica, não desejando ser “confundidos pelos fatos”. Na realidade, o presidente Bush tentou sem sucesso, anos atrás, que o Congresso criasse alguma agência reguladora que supervisionasse Fannie Mae eFreddie Mac.

     N. Gregory Mankiw, presidente do Conselho de Consultores Econômicos de Bush, alertou, em fevereiro de 2004, que a esperança de uma ajuda financeira governamental de emergência em caso de crise criava “um incentivo para uma empresa se arriscar e desfrutar do respectivo aumento de crescimento.”

     Como investimentos de risco pagam usualmente mais do que investimentos mais seguros, o incentivo é para que empreendimentos apoiados pelo governo assumam maiores riscos, pois eles auferem maiores lucros se tudo der certo, e os contribuintes ficam com os prejuízos, caso isso não ocorra.

     O governo não é avalista de Fannie Mae e Freddie Mac, mas a suposição geral tem sido de que o governo interviria, com ajuda financeira, para prevenir o caos nos mercados financeiros.

Greenspan: alerta em 2004 para erros na condução da política de financiamento

     Alan Greenspan, então presidente doFederal Reserve System (o Banco Central americano), disse o mesmo em depoimento no Congresso em fevereiro de 2004. Ele disse: “O Federal Reserve está preocupado” que Fannie Mae e Freddie Mac estivessem usando essa esperança implícita no salvamento governamental numa emergência para assumir mais riscos, a fim de “multiplicar a lucratividade de débitos subsidiados”.

     O presidente Greenspan adicionou sua voz à daqueles que insistiam que o Congresso devia criar um “agente regulador com autoridade similar às agências reguladoras do sistema bancário” para reduzir os riscos de Fannie Mae e Freddie Mac, riscos estes que cairiam nas costas dos contribuintes.

     Fannie Mae e Freddie Mac não merecem ser salvos, mas nem os trabalhadores, as famílias e os empresários merecem ser colocados num caos econômicos por um colapso dos mercados de crédito, tal como ocorreu durante a Grande Depressão dos anos 1930.

     Tampouco os eleitores merecem ser decepcionados nas vésperas de uma eleição pela noção de que isso é uma falha dos mercados livres que deveriam ser substituídos por uma microgerência política.

     Se Fannie Mae e Freddie Mac fossem instituições do livre mercado, elas não conseguiriam manter suas práticas financeiras arriscadas, pois ninguém teria comprado seus certificados de crédito sem uma suposição implícita de que os políticos as salvariam.

     Teria sido melhor que tais empreendimentos com apoio governamental não tivessem sido criados e que os empréstimos habitacionais fossem deixados para o livre mercado. Essa operação de salvamento cria expectativas de futuras operações similares.

     A desativação progressiva de Fannie Mae e Freddie Mac faria muito mais sentido do que deixar os políticos brincarem com elas de novo, com o risco e as despesas sendo deixados para os contribuintes. 

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     NOTAS:

 

    [1] Fannie Mae é o apelido da Federal National Mortgage Association (Associação Nacional de Hipotecas Federais) e Freddie Mac é o apelido da Federal Home Mortgage Corporation (Corporação Federal de Hipotecas). Essas empresas, criadas em 1968, são patrocinadas pelo governo e conhecidas como GSEs. Isso significa que elas são empresas privadas, mas protegidas financeiramente pelo governo federal. Essa proteção inclui acesso ao Tesouro Americano. (N. do T.) 

    [2] Sobre esse senador é interessante ler, de Dennis Prager, Caro sen. Dodd: Educação não é uma resposta para todos os problemas. (N. do T.) 

    [3] Recusar empréstimos habitacionais para áreas ou bairros considerados de alto risco. (N. do T.) 

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     Publicado por Townhall.com

     Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

     Publicado no site Mídia Sem Máscara - 7 outubro 2008

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Capitalismo de mentirinha *

João Luiz Mauad


“Government is not the solution to the problem. Government IS the problem.”

(Ronald Reagan)

     No decorrer de uma dessas crises recorrentes do capitalismo, durante os anos 80, o então presidente Reagan, instado a fazer o Estado salvar a economia do cataclismo que se anunciava pela mídia, formulou a famosa frase que até hoje reverbera no mundo liberal como uma das mais lúcidas e criativas tiradas do ex-presidente: “na crise atual, o governo não é a solução para os nossos problemas; o governo É o problema”. 

Ronald Reagan: o Estado é o problema, não a solução

     Se vivo fosse, provavelmente estaria dizendo hoje a mesma coisa. Embora as viúvas do comunismo insistam em maldizer o mercado e a ganância dos agentes econômicos pelas mazelas por que passa o setor financeiro mundial, e proclamem que é chegada a hora de o todo-poderoso Estado-babá colocar ordem na casa, a verdade é que os referidos problemas têm início, meio e fim nas ações (e regulamentações) equivocadas do Tio Sam, as quais disseminaram incentivos institucionais nocivos entre os agentes, que acabaram por desvirtuar, durante quase três décadas, a eficiente alocação dos recursos no mercado. 

     Como muito bem colocou o economista Lawrance H. White, “culpar a ganância dos agentes pelo problema é o mesmo que culpar a força da gravidade pela queda de um avião”. Tal qual a gravidade nos eventos de natureza física, a ganância estará quase sempre presente nas interações dos indivíduos no mercado. Se o problema estivesse na ganância, portanto, nem só o setor financeiro estaria atingido, mas o mercado como um todo. Aliás, de forma geral, as trocas no mercado seriam impossíveis se precisássemos afastar a ganância humana para que elas se realizassem. 

     Por outro lado, para qualquer analista sério, não resta dúvida de que a origem da atual crise está intimamente relacionada às “ações afirmativas” dos recentes governos norte-americanos, a começar pela paternidade desses dois monstrengos gêmeos – que respondem pela alcunha de Freddie Mac e Fannie May – cujo caráter peculiar de empresas privadas implicitamente patrocinadas pelo governo, aliado à demagogia dos políticos em querer tornar em realidade o sonho da casa própria a cada americano, tudo isso temperado por uma política monetária frouxa, acabou gerando a famigerada bolha imobiliária que acaba de estourar. 

     Em meu último artigo, contei a história das duas estrovengas híbridas, meio peixe, meio mulher, digo, meio públicas, meio privadas, e como elas se valeram de sua situação especial para tomar e emprestar dinheiro barato. O que eu não contei ainda foi que os políticos também apropriaram-se delas para colocar em ação suas políticas demagógicas e ações assistencialistas.  

     Tudo começou em 1977, quando o então governo socialista de Jimmy Carter criou o chamado Comunity Reinvestment Act, cujo propósito era obrigar os bancos a emprestar uma parte dos seus ativos às comunidades mais carentes. Em 1994, aquela legislação foi ampliada, e o governo explicitamente determinou que a dupla expandisse seus empréstimos a tomadores finais de baixa renda. Isso, logicamente, criou enormes incentivos para que os bancos emprestassem mais aos hipotecários chamados “sub-prime”, ou com capacidade de pagamento reduzida, já que, na retaguarda, Fannie e Freddie entrariam como uma espécie de “resseguradores” estatais, numa analogia com o mercado de seguros. 

     Enquanto isso, o Banco Central (FED) continuava com sua política de crédito frouxa, sempre na esperança de que pudesse adiar indefinidamente as tão odiadas recessões. (Só para que o leitor possa ter uma idéia de como essa paranóia anti-recessiva está impregnada na política daquele país, existe por lá uma lei – Humphrey-Hawkins – apelidada de “lei do Pleno Emprego”, que força o FED a manter as taxas de juros artificialmente baixas, olhando não só para a inflação e o poder de compra da moeda, como seria prudente, mas também para os índices de emprego e desemprego). 

     Com o dinheiro cada vez mais barato e disponível, os bancos continuavam a assumir riscos cada vez maiores. Para piorar as coisas, em 2005, após um escândalo contábil ocorrido na Freddie Mac, ambas as GSEs concordaram, como forma de penitência diante do congresso, em expandir ainda mais as suas operações junto às comunidades de baixa renda, de tal sorte que, entre 2004 a 2006, o percentual das chamadas operações “sub-prime” cresceu de 8 para 20% do total de hipotecas. E, mesmo diante de todas as evidências, ainda há gente hipócrita a gritar que a raiz do problema estava na ausência da mão peluda do Estado.  É preciso ser muito cara-de-pau! 

     Em resumo, os bancos assumiam cada vez mais riscos, mas tinham compradores garantidos para os seus títulos, nas pessoas de Freddie e Fannie, as quais estavam – em princípio supostamente, e agora efetivamente – lastreadas pelo governo (contribuinte). O leitor poderá dizer que os bancos agiram sem as devidas cautelas, além de movidos pela ganância de ganhar sempre mais – o que é absolutamente correto. Ocorre que eles estavam respondendo a incentivos criados por intervenções do governo, ainda que estas intervenções muitas vezes fossem bem intencionadas. 

     Pois bem: depois que a cobra fumou e a crise estabeleceu-se, os mais afoitos resolveram que o incendiário deveria, de uma hora para outra, transformar-se em bombeiro. E pior: o único instrumento de que dispõe o bombeiro/incendiário é justamente querosene.  Resumindo, pretende-se curar uma crise gerada por excesso de liquidez, injetando-se no mercado cada vez mais dinheiro. 

     No afã de defender o chamado “bailout”, seus patrocinadores não se fazem de rogados.  O mínimo que prevêem, caso o resgate dos títulos podres pelo governo não seja implementado, é o Armagedom. 

     Pois eu discordo do catastrofismo reinante no mercado.  Até onde a vista alcança, as condições hoje são completamente distintas das de 1929, a começar – e principalmente – pela liquidez do sistema. Note-se ainda que os bancos comerciais não estão tendo maiores problemas, como os bancos de investimento, e recentes dados divulgados lá nos EUA demonstram que as linhas de crédito comerciais estão fluindo e irrigando a chamada economia real sem maiores problemas.

      Agora, cá entre nós e que ninguém nos escute: é lógico que os profissionais, investidores ou operadores do mercado, seja porque estão entupidos de papeis podres ou sentados em cima de um monte de ações que não param de encolher, vão ficar alardeando o fim do mundo, pois querem salvar a própria pele ou lucrar um pouco mais. 

     Ao ler essas opiniões, de gente que tem todo interesse no resultado da questão, me fizeram lembrar das minhas peladas futebolísticas da infância, em que não havia juízes e quem marcava as faltas e decidia as regras eram os próprios jogadores. É óbvio, e não podia ser diferente, que cada um queria “puxar a brasa para a própria sardinha”. E nem poderia ser diferente.

     Vejam, por exemplo, o caso do famigerado Warren Buffet, oráculo do mercado financeiro mundial e de boa parte da chamada Grande Mídia:  acabou de comprar $ 5 bi em papeis do Goldman Sachs “na bacia da almas”. É previsível, e muito provável que, a curto prazo, as ações desse banco de investimento aumentem muito de preço, caso o pacote do governo venha a ser aprovado. O que faz então ele? Usa todo a sua influência, tanto junto ao Congresso quanto junto à mídia, para alardear uma crise sistêmica profunda, caso o congresso não aprove o plano de salvamento. E tome canelada pra todo lado.

      Já no meio acadêmico, no entanto, não há essa ânsia pela aprovação do plano, nem há consenso sobre supostas catástrofes, caso o plano não seja aprovado. É evidente que algum sofrimento imediato, principalmente no meio financeiro, vai ocorrer, mas daí a supor que acontecesse “o fim do mundo” ou que “a vaca fosse para o brejo” vai uma enorme diferença.

     Enfim, já me alonguei demais, especialmente porque, pelo menos de acordo com os últimos informes vindos de Washington D.C., parece que a associação perversa dos rent-seekers do mercado financeiro com os intervencionistas do Estado-Babá mais uma vez irá deixar os contribuintes com o abacaxi nas mãos e o pepino sabe-se lá onde… 

     E viva o capitalismo de mentirinha!

     

     * Publicado no site Mídia Sem Máscara - 6 outubro 2008

A ECONOMIA DE CABEÇA PARA BAIXO*

SACRALIDADE

Thomas Sowell * *


Dos especiais de TV aos editoriais dos jornais, a mídia estadunidense está forçando cérebro adentro dos americanos a idéia de que os atuais problemas econômicos foram causados pelo mercado e que só o governo os pode salvar. É a "doença socialista" se expandindo na economia do país mais rico do planeta. Se o povo acreditar, talvez, em breve, não o seja mais, exatamente por isso.



O que estava faltando no mercado imobiliário, diz a mídia, era a regulamentação governamental sobre a “ganância” dos seus agentes". Isso cria um grande melodrama moral, mas acaba situando os fatos de cabeça para baixo. Foi precisamente a intervenção do governo que transformou a próspera indústria do subprime numa pilha de nervos e numa espécie de tragédia anunciada.

Um economista, especializado em mercados financeiros, deu uma dica da história dos mercados imobiliários quando disse: "Emprestar dinheiro a americanos comprarem sua casa própria tem sido um dos negócios menos arriscados e mais lucrativos que um banco pode fazer, há quase um século". Isto é o que era esse mercado, antes do governo intervir. Como muitas intervenções governamentais, ela começou pequena, discreta, e mais tarde foi crescendo e se tornando mais visível".

O Ato de Re-Investimento Comunitário foi a maneira como as agências reguladoras federais, em 1977, intervieram para "encorajar" os bancos e outra instituições de crédito "a ajudarem a cobrir as necessidades creditícias de comunidades locais, nas quais eles identificassem pessoas que pudessem ser beneficiadas com empréstimos sob hipoteca e que fossem consistentes com a segurança mínima para que pudessem operar de forma saudável para as partes envolvidas."

Isso soa bem inocente e, de fato, teve pouco efeito por mais de uma década. Entretanto, sua premissa era a de que “burocratas e políticos sabem até aonde os empréstimos podem ir, de um modo melhor e mais eficiente do que as pessoas que estão, de fato, operando o mercado e contratando os empréstimos no dia a dia”.

O real potencial de tal premissa ficou visível na década de 1990, quando o Departamento da Habitação e Desenvolvimento Urbano (DHDU) impôs uma exigência de que os emprestadores de dinheiro sob hipoteca demonstrassem com dados concretos que eles estavam 'assumindo suas responsabilidades' perante o Ato de Re-Investimento Comunitário. O que o DHDU queria mesmo eram os números mostrando que os empréstimos sob hipoteca estavam sendo feitos às pessoas de “baixa e moderada renda”, na escala de intensidade esperada pelo governo, mesmo que, para tal, os bancos e financeiras estabelecessem novos padrões de qualificação mais "inovadores e/ou flexíveis" para aquelas pessoas. Ou seja, o governo impôs quotas – e se algumas pessoas não satisfaziam esses padrões, então eram os próprios padrões que teria que ser ‘alterados’ para satisfazerem as necessidades dessas pessoas.

Tanto o DHDU como o Departamento de Justiça começaram a impetrar ações judiciais contra os agentes financeiros sempre que a percentagem de candidatos a hipotecas da minoria não branca se tornava maior do que a da maioria branca, obrigando-os, com isso, a diminuir a quantidade de empréstimos sob hipoteca a esses últimos.

Uma substancial maioria de ambos os segmentos raciais tiveram seus empréstimos aprovados sob hipoteca, mas qualquer "diferença estatística" mais significante passou a ser o suficiente para um banco ser processado. Note-se que os mesmos recursos estatísticos de onde eram obtidos os dados sobre brancos e negros comumente incluíam os dados sobre os asiático-americanos também. Mas esses últimos quase nunca eram mencionados. Diminuíram então mais freqüentemente os empréstimos para os brancos do que para os "asiático-americanos". Mas dizer tal coisa seria subverter os arrazoados sobre os quais se baseavam todo esse melodrama moral.

As ações legais eram apenas parte das pressões exercidas sobre os operadores de crédito imobiliário pelos agentes governamentais. Bancos e outras empresas de crédito são supervisionadas por agências reguladoras e têm que conseguir delas a aprovação para muitas decisões de negócios que outros setores de crédito tomam sem precisar da aprovação de quem quer que seja. Regulamentadores governamentais recusavam-se a aprovar tais decisões quando um emprestador estava sob investigação por não produzir estatísticas satisfatórias sobre os empréstimos que fazia às pessoas de baixa renda ou pertencentes a minorias étnicas.

Sob crescentes pressões, tanto da administração Clinton como, mais tarde, da administração George W. Bush, os bancos começaram a baixar os padrões de qualificação dos candidatos a empréstimos sob hipoteca.

Tais empréstimos passaram a não exigir nenhuma parcela de entrada, sinal, ou pré-prestação e a não fazer verificação de renda bem como adotar outros arranjos financeiros "criativos" e se generalizaram nos EUA. Muito embora a coisa tenha sido feita sob as pressões que começaram ‘em nome dos pobres’ e das ‘minorias’, as pessoas que não se enquadravam nessas ‘classificações’ também conseguiam tais empréstimos com a mesma facilidade ‘criativa’.

Com os empréstimos sob hipoteca – e logo a seguir as operações de refinanciamento – amplamente disponíveis a pessoas com um retrospecto questionável quanto à capacidade de manterem seus pagamentos, a coisa toda se transformou num convite aberto ao desastre financeiro.

Os que avisaram dos perigos tiveram seus avisos dispensados e ridicularizados. Agora, pelo que se lê, se ouve, e se vê, “os americanos precisarão de mais políticos e burocratas intervindo em mais segmentos industriais”, caso o povo acredite nos políticos e na mídia.

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Artigo publicado no site norte-americano townhall.com



* * Sowell é economista formado em Harvard, com mestrado na Universidade de Colúmbia e doutorado na Universidade de Chicago. Atua no Hoover Institute em Stanford, California.

– Tradução: Francisco Vianna

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".