Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ASSINE : APOIE A LUTA PELA SOBERANIA DO BRASIL - EM DEFESA DA AMAZÔNIA E DA SOBERANIA NACIONAL

O POVO CONFIA NAS FORÇAS ARMADAS!

A função primordial das FFAA do Brasil é defender o país e suas instituições, servir ao Estado Brasileiro, proteger e garantir nossas fronteiras, a integridade de nosso território nacional (seja terrestre, aéreo ou marítimo), cumprir e fazer cumprir a Constituição Federal, garantir a democracia em todos os seus aspectos quais sejam: o direito de livre expressão do pensamento, de associação, a liberdade de ir e
vir, garantir a
propriedade e a segurança individual, entre outros.

O Brasil pede socorro. A agressão à nossa soberania e à nossa integridade territorial não é mais uma simples ameaça, não é um vislumbre. É a realidade com a qual estamos sendo confrontados e quedamos inertes. Nossas fronteiras estão sendo empurradas para dentro.


http://www.petitiononline.com/andec2/petition.html

DEPOIS QUE ASSINAREM, POR FAVOR REPASSEM AOS AMIGOS E A OUTRAS COMUNIDADES.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL EM DEFESA DA ÉTICA E DA CIDADANIA - ANDEC


Lutando por uma sociedade justa, livre e democrática.
Faça parte desse movimento!

http://andec.blogspot.com/

QUANDO OS FRACOS DOMINAM OS FORTES

Do portal GRUPO INCONFIDÊNCIA
Por A. C. Portinari Greggio

Este é o sexto artigo duma série sobre o papel das universidades e dos intelectuais na subversão política. No último, verificamos que a classe intelectual, tal como a conhecemos hoje, surgiu no século 15 e desde o começo foi fator de perturbação da ordem social. Os intelectuais tinham prestígio e competência, mas não participavam do poder. Por isso, “viviam à margem da sociedade, em rodas boêmias ou círculos de confrades, sem compromisso com a economia, a administração ou a política. Nessa situação de privilegiada irresponsabilidade, davam-se ao luxo de adotar opiniões contrárias, comportamentos escandalosos e atitudes críticas. Tal conduta, longe de afastá-los dos que carregavam o peso da sociedade organizada, tornavam-nos ainda mais encantadores, emprestando-lhes exagerada aura de inteligência, de originalidade e de coragem.”

Fato é que, depois de muitas idas e vindas, explorando a ingenuidade de seus adversários, essa classe chegou ao poder em muitos países, inclusive no Brasil. O regime instituído pela constituição de 1988 não passa disso: a ditadura duma certa fração da classe intelectual, exercida pelos políticos, pela mídia, pelas ongues e pelos movimentos sociais. Que fração é essa? Basta olhar ao redor: são os politizados, conscientes, militantes, geralmente provenientes de faculdades de Letras, Humanas, Sociais, Filosofia e outras do gênero.

O objetivo deste artigo é examinar a estratégia dos intelectuais no seu conflito com as demais facções da classe dominante.

Havia, para eles, duas opções estratégicas.

A primeira era tomar violentamente o governo e investir-se a si mesmos nos postos de autoridade. Mas a experiência das revoluções socialistas foi desastrosa. Em todas o poder acabou caindo nas mãos dos seus rivais mais odiados – os engenheiros, técnicos, contadores, cientistas e administradores, apoiados pelos militares e policiais – e as utopias viraram ditaduras tecnocráticas mais fechadas que as antigas sociedades burguesas.

Diante disso, só lhes restava a outra opção: sem destruir a sociedade, apossar-se do poder mediante a contestação da legitimidade da autoridade instituída, substituindo-a pelo poder espúrio da intelectualidade. Essa estratégia subversiva se realizou por meio de dois projetos paralelos, o de Antonio Gramsci e o da Escola de Frankfurt.

É importante definir a diferença entre poder e autoridade, no nosso contexto. Poder é poder. Um bandido armado exerce poder, embora não tenha nenhuma autoridade sobre a vítima. Autoridade, porém, é poder legítimo, ou seja, poder conscientemente obedecido. Incluem-se nessa categoria tanto a autoridade natural – do pai, do mestre, do sábio – como a legal, sancionada por lei ou contrato, tal como a autoridade do juiz, do funcionário, do militar ou do patrão.

A fraude dos intelectuais na sua estratégia subversiva consiste em confundir propositadamente autoridade e autoritarismo, e abusar do conceito de democracia. Para eles, democracia é o contrário de autoritarismo. E como autoritarismo e autoridade se confundem, democracia enfim passa a ser o contrário de autoridade. Com esse sofisma e sob o pretexto de combater o autoritarismo e defender a democracia, contestam todas as formas de autoridade instituída.

A autoridade legítima e instituída simplesmente chega e manda. Quando o comandante dá uma ordem à tropa, ou o gerente passa uma instrução ao empregado, ou a mãe manda o filho para a cama, fazem-no simplesmente porque têm o título, natural ou legal, de comandante, de gerente ou de mãe. Esse título é suficiente para validar a ordem.

Mas na ideologia dos intelectuais, a obediência é a fonte do autoritarismo. Embora tenha legitimidade e título, a autoridade instituída não deve mandar sem antes consultar os subalternos. E estes devem exigir o direito de ser ouvidos e de questionar. Ao exigir que a autoridade instituída se torne “cidadã” e se submeta à “democracia participativa”, os intelectuais de fato estão a abolir toda a autoridade, substituindo-a pelo poder de quem fala mais e melhor nos comitês e assembléias. E como falar é a sua especialidade, é óbvio que toda essa pregação não tem outro objetivo senão desarmar os adversários e obrigá-los a lutar no terreno mais favorável à intelectualidade.

Uma vez no poder, os intelectuais instituem o tipo de governo mais adequado às suas limitações: o Estado democrático de massas, que no Brasil corresponde ao regime da constituição de 1988. O Estado democrático de massas é uma ditadura disfarçada, que não precisa da violência nem do terror policial. É uma nova forma de poder exercido sem coação, num ambiente em que todas as liberdades são permitidas. Só que essas liberdades não são as liberdades clássicas, do cidadão contra a tirania do Estado. O Estado democrático de massas não permite a liberdade contra o Estado, mas incentiva a liberdade de todos contra todas as demais instituições e autoridades.

Sob o pretexto de defender fracos contra fortes, ou de proteger minorias, o Estado patrocina a rebelião do aluno contra o professor, do filho contra os pais, da mulher contra o marido, do empregado contra o empregador, do soldado contra seus superiores. É nesse contexto que crescem os “movimentos sociais” – de negros, índios, homossexuais, sem-terra, sem-teto, feministas, idosos, deficientes, febéns, criminosos, presidiários, tudo, enfim.

Os únicos que não podem contar com a proteção do Estado são os membros das classes “autoritárias”. Na estratégia do Estado democrático de massas, há dois tipos de “autoritários”: os de dentro do Estado – militares, policiais e funcionários públicos – e os de fora – empresários, profissionais, trabalhadores e pais de família “patriarcais”.

Quanto aos primeiros, o Estado democrático de massas bem gostaria de livrar-se deles; não podendo fazê-lo, cuida de neutralizá-los mediante a política de direitos humanos, embaraçando sua ação, desmoralizando seu esprit de corps, negando-lhes equipamentos, reduzindo seus soldos e diminuindo sua auto-estima.

E os empresários? Diferente dos regimes comunistas, o Estado democrático de massas evita a estatização da economia. Não porque goste dos empresários, mas porque precisa deles. Eliminá-los seria péssimo negócio porque obrigaria os intelectuais a assumir a a atividade produtiva, coisa avessa à sua natureza. Por isso preferem poupar a “burguesia”, mantendo-a sob controle, para extorquir-lhe os tributos com os quais sustentam o seu esquema de poder.

Com esse objetivo, o Estado utiliza a propaganda para inculcar nos empresários o mais doentio sentimento de “culpa”. Por meio dos sindicatos e da fiscalização o Estado mantém as empresas sob contínuo assédio. E, com auxílio das ongues, procura cooptá-las para que se integrem em programas “sociais”, “solidários”, “participativos” e outras vigarices, trazendo-as assim para o seu lado, em troca de proteção e sociedade em bandalheiras do governo.

Mas a liberdade de todos contra todos tem seu custo. Não é por acaso que nos os países onde vige a democracia de massas os índices de criminalidade, abortos, ilegitimidade e baixo rendimento escolar pioram continuamente. A economia perde a eficiência e as empresas passam a depender cada vez mais da proteção governamental. Em longo prazo, o resultado da democracia de massas é a desintegração do país.

Nos próximos artigos trataremos do impacto das ciências exatas, do positivismo e dos currículos profissionalizantes nas universidades tradicionais. Essas transformações tiveram profundas conseqüências na História do Ocidente e no Brasil.

A. C. Portinari Greggio é Economista, ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

Ok Keynesianos, onde estais vós?

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Alfredo Marcolin Peringer em 15 de maio de 2008

Resumo: Será que o keynesianismo desapareceu? Infelizmente, não.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Há poucos dias, recebi um artigo do economista polonês Mateusz Machaj, com o título shakespeareano “Oh Keynesian, Where Art Thou?” referindo-se, ironicamente, à incapacidade de os economistas keynesianos explicarem as causas e a cura das crises mundiais. Machaj é seguidor da escola econômica austríaca, cujos expoentes são Ludwig Von Mises, Murray Rothbard e Henry Hazlitt. A Escola destaca-se por adotar um enfoque econômico filosófico nos seus ensinamentos, com princípios permanentes, válidos no tempo e espaço. E Hazlitt foi o primeiro deles a mostrar, de forma ampla e apodítica, no seu The Failure of the ‘New Economics’ - An Analysis of the Keynesian Fallacies”, as falsidades dos ensinamentos keynesianos, como a de que “não se precisava mais preocupar com as crises econômicas: o governo já saberia como curá-las”. Bem ao contrário, o autor demonstra que, além de o governo não ser a cura para os males econômicos, ele é a própria doença.

Os economistas da Escola Austríaca, ainda que considerem Keynes uma pessoa carismática e inteligente, mostram um pensador falacioso no campo teórico. De fato, sua Teoria Geral é cheia de falhas axiomáticas, de termos vagos e imprecisos, legítima mixórdia conceitual, pobre de conteúdo científico. Em seus ensaios biográficos sobre Marshall e Edgeworth, Keynes condena o método matemático na economia, mas a sua teoria geral usa e abusa desse método. E de “forma fraudulenta”, complementa Hazlitt, dando ênfase que as suas equações da demanda e da oferta agregada “confundem e misturam fatos reais com expectativas”. Nela, os juros são um “prêmio pela ausência deliberada da liquidez”, conceito no mínimo impreciso, já que todo sistema de trocas monetárias é uma renúncia à liquidez. As falácias se agigantam quando tenta, com o conceito dos juros, validar dois neologismos econômicos: a) o da “preferência por liquidez” (percentual da renda que os indivíduos vão manter na forma de dinheiro, em função dos juros); e o da b) “propensão a consumir” (percentual da renda que vão gastar em bens e serviços). A idéia era explicar outro neologismo, o da demanda efetiva “insuficiente”, responsável, segundo ele, pelos desequilíbrios entre oferta e demanda que derivariam da “superprodução de bens e serviços”, da “preferência pela liquidez” ou da baixa “propensão a consumir”, fenômenos que julgava, erradamente, serem as causas das crises econômicas.

No curso dessas diatribes econômicas revogou a Lei de Say (a “oferta gera a sua própria demanda”), teoria que demonstra, categoricamente, que a Oferta sempre tenderá a se igualar à Demanda, desviando-se de maneira sistemática apenas por interferência governamental. No mercado, o excesso de produção de uma mercadoria é localizado e se compensa com a menor produção de outra, levando, inclusive, a de maior produção a cair de preço. O fato é que mesmo o “entesouramento especulativo de moeda”, hipótese aventada por ele, não causa desequilíbrio entre oferta e demanda: a redução da quantidade de moeda aumenta o poder de compra do dinheiro.

Mas será que o keynesianismo desapareceu, como apregoa Machaj? Infelizmente, não! No Brasil, criou-se, inclusive, uma associação com o fim precípuo de difundir seus princípios, atitude no mínimo anacrônica: trata-se de uma teoria hoje relegada à categoria de ideologia nas melhores escolas do mundo, justamente pela falta de embasamento científico.

Publicado por http://professorperinger.blogspot.com/

Presença confirmada na reunião da ANDEC: General Torres de Melo

AMIGOS,

É com grande satisfação que recebemos a confirmação da presença do General Torres de Melo, do Grupo Guararapes à nossa reunião, marcada para o próximo dia 24/05/08, às 14:00hs. em São Paulo, Capital.

Na ocasião o General deve fazer uma palestra sobre: "Brasil, Um País sem Heróis?"

A Associação Nacional em Defesa da Ética e Cidadania - ANDEC, desde já, agradece a colaboração e conta com a presença de todos vocês.

O endereço será divulgado mediante confirmação da presença aos e-mails
andec-123@hotmail.com ou andec123@hotmail.com

Uma ótima semana a todos!

Ana Paula Zatz
Ester Jaqueline Azoubel

Av. Presidente Kennedy, 16.574, Jardim Real, Praia Grande, SP, CEP 11709-000

Foro de São Paulo ajudou a democratizar esquerda latino-americana, diz Lula

Do portal G1
Da France Presse em 17/05/2008

LIMA, 17 Mai 2008 (AFP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, neste sábado, em Lima, a importância do Foro de São Paulo - criado na década de 1990 com os partidos progressistas da América Latina e, inclusive, com as guerrilhas (FARC, ELN, MIR, etc) - para a democratização da esquerda latino-americana.

"Esse fórum, que nós criamos, foi educando a esquerda a compreender que existia a possibilidade de disputar eleições e ganhar pela via democrática", disse Lula, em um seminário de empresários em Lima.

O Foro de São Paulo se reuniu, pela primeira vez, em 1990, convocado pelo PT, congregando diferentes partidos, grupos, guerrilhas (FARC, ELN, MIR, etc) e outras organizações ligadas à esquerda.

"Há 18 anos, em quase todos os países da América do Sul, havia correntes políticas que defendiam que a única possibilidade de chegar ao poder era pela luta armada", lembrou Lula. Nesse contexto, "em 1990, nós criamos o Foro em São Paulo, onde chamamos toda a esquerda latino-americana para participar", completou.

Lula reconheceu que, em 1985, ele mesmo considerou que "não era possível chegar ao poder pela eleição direta". Quatro anos depois, contudo, provou-se o contrário, quando conseguiu 46% dos votos no segundo turno da eleição presidencial de 1989, sendo derrotado por Fernando Collor de Melo.

"Esse resultado eleitoral permitiu que convencêssemos um amplo setor da esquerda da América Latina de que existia a possibilidade de se organizar, competir, ganhar (eleições) e governar", disse Lula.

Em 1990, a primeira reunião do Foro de São Paulo foi realizada com o nome de Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe.

Entre seus criadores, estão o atual presidente Lula e várias organizações, como a Frente Ampla do Uruguai, o Partido Comunista Cubano, a Frente Sindicalista da Nicarágua e o PT brasileiro.

Participaram do evento as guerrilhas colombianas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), o partido socialdemocrata venezuelano Ação Democrática (AD), que depois foi derrotado nas eleições pelo presidente Hugo Chávez, entre outros.

Em 2005, após anos de atividade muito moderada, o Foro de São Paulo fez uma grande reunião na cidade fundadora, para comemorar seus 15 anos, assim como a chegada de vários partidos de esquerda ao poder na região. O próprio Lula assistiu ao encontro.

Conjuntura de lascar

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por José Luis Sávio Costa em 05 de outubro de 2005

Resumo: Indícios e evidências indicam que a oligarquia petista dominante na estrutura do Governo e principalmente no Executivo, não está nem um pouco preocupada com as classes dos “excluídos”.

© 2005 MidiaSemMascara.org

Algumas matérias que transitam pela Internet ganham status de atenção e respeito quando surgem na tela de nossos monitores. Entre as várias que leio com atenção estão as do respeitado tributarista Yves Gandra Martins e as da acatada M. Juíza, Marli Nogueira.

Os dois respeitados escritores tecem considerações sobre um aspecto, para mim condicionante, que há muito me preocupava e agora me preocupa muito mais, na análise das revoluções comunistas, fossem elas democrático-burguesas (chamadas “etapistas” pelos comunas tupiniquins) ou socialistas (dos trotskistas ou adeptos da revolução permanente) ou não, ocorridas no período conhecido como Movimento Comunista Internacional (MCI), de 1917/19 a 1985/89.

O primus interpares é o eterno direcionamento intelectual, atrelado à ideologia marxista de que os fins justificam os meios, na consecução de seus objetivos táticos e estratégicos, em todos os campos do poder (político, econômico, psicossocial e militar) de uma dada sociedade em que o Partido desenvolve suas lutas econômica, política e ideológica.

Deste condicionamento outros temas de preocupação nascem e se desenvolvem, ao observarmos a luta política do PT em nosso país, que se desenvolve desde 1979, quase que em berço esplêndido ante o beneplácito, os olhares lânguidos, atitudes omissas e coniventes de lideranças civis e militares.

Em a “Crônica de um Golpe Anunciado” a M. Juíza Marli Nogueira, aborda, à sua maneira, um tema que é ponto de minha efetiva preocupação desde 1988, quando li a publicação do PT, editada pelo Instituto Cajamar, intitulada “1917-1987 – Socialismo em Debate”, cujos traços ideológicos são mantidos ao longo do tempo nas publicações teóricas e nos livros do PT, e de autores petistas, de forma mais ou menos explícita, dependendo da conjuntura e do curso da luta política que o Partido trava no cenário nacional.

Outra obra que incide neste e em outros pontos e mereceu a minha atenção foi “Pra que PT – Origem, Projeto e Consolidação do Partido dos Trabalhadores” de Moacir Gadotti e Otaviano Pereira, da Cortez Editora, editado em 1989, com prefácio de José Dirceu, então Secretário Geral da Comissão Executiva Nacional (CEN) do PT, posfácio de José Genoíno, então 2º Vice-Presidente da CEN do PT, e dedicado ao companheiro Apolônio Carvalho, obra de relevo para a formação política da militância de base petista que desvenda em parte o ente PT. Outras obras poderiam ser citadas para comprovar o já sabido.

As duas obras contêm as bases iniciais do espírito do socialismo revolucionário do petismo, até o presente indefinível, como já afiançava Dalmo Dallari em trecho do texto inserido na contracapa do livro “Pra que PT”, com o título “Existe o petismo?”: “(...) Mas como o PT é uma presença marcante, parecendo onipresente, ao mesmo tempo em que a cada passo e em cada circunstância surge como uma aparência diferente, é extremamente difícil combatê-lo. (...)”.

A M. Juíza Marli Nogueira enfatizou em sua mensagem: “Que ninguém invoque inocência ou surpresa acerca das maracutaias, das falcatruas, da falta de caráter, da incompetência e do desejo totalitarista que emergem do lodaçal fétido em que chafurda o PT. Quem assistiu ao primeiro discurso de Lula como presidente eleito, na Avenida Paulista, há de reconhecer que ele avisou a que viria. Do alto do palanque, encarnando o espírito do velho caudilho latino-americano, Lula soltou a voz rouca e exclamou, entre piegas e ameaçador: ‘Aconteça o que acontecer, vocês serão a minha referência!’. E deixou escapar o ato falho”.

Ao chegar no final deste artigo minhas considerações, procurando seguir o pensamento de M. Juíza, permitirão concluir que a inclusão cabível para o aviso do "aconteça o que acontecer" é que Lula tinha conhecimento do projeto de poder inserido nas diretrizes do Foro de São Paulo (idealizado por Fidel e do qual é um dos fundadores) e das ações políticas necessárias para alcançá-lo. Ao advertir a multidão que o aplaudia em plena Avenida Paulista, sabia perfeitamente o que dizia. Ali a sua referência nunca foi, não é, e jamais será o povo brasileiro. Sua referência é ele próprio e o partido revolucionário que o rodeia. Ninguém pode acusar o Lula “Paz e amor” de não ter avisado a que vinha. Como bem expressa a M. Juíza: O golpe, metaforicamente chamado de "aconteça o que acontecer" foi anunciado naquele dia 28 de outubro de 2002.

Por meu turno, em várias ocasiões repisei em lato sensu o meu pensar: o problema do PT é o seu objetivo estratégico e o do Presidente é o de ser uma das peças básicas de sua consecução, cujo delineamento é de difícil moldagem, em razão das mutáveis conceituações do socialismo petista e, em conseqüência, as várias propostas de “ruptura” institucional que permeiam os textos programáticos, as resoluções políticas, as publicações do Partido e as das organizações socialistas revolucionárias a ele atreladas.

As propostas de ruptura variam: da menos indolor possível defendida por Apolônio de Carvalho (quem diria!) desde o Seminário: “PT - Um Projeto para o Brasil”, realizado em 15 e 16 de abril de 1989, em São Paulo, SP, até hoje mantida.

Toda ruptura revolucionária ocorre na fase de transposição de uma guerra de posição (o reformismo revolucionário do gramsciano Carlos Nelson Coutinho) conduzida com sucesso para a guerra de movimento (confronto direto e, dependendo das célebres condições objetivas e subjetivas, mais ou menos violento contra a classe dominante, ou “bloco histórico” no Poder), em qualquer caso a ruptura institucional sempre será necessária, para a tomada do poder.

Para corroborar com a M. Juíza Marli Nogueira, nada mais sensato que volver ao passado e matutar sobre esta jóia extraída do trecho “O caráter revolucionário do PT”, de autoria do Sr Luis Inácio Lula da Silva, página 260, da obra já citada neste texto, editada pelo Instituto Cajamar: “1917-1987 - Socialismo em Debate”: (...) “É impraticável transportar um modelo revolucionário como se fosse uma mercadoria dentro de um caixote, chegar no Brasil e implantar aqui uma revolução igual à Revolução Cubana, Sandinista ou uma revolução como fizeram os soviéticos em 1917. Eu acredito piamente que essa revolução acontecerá no Brasil na medida em que a gente tenha a capacidade de despertar uma consciência política na grande massa despolitizada hoje, sem a perspectiva de aventureirismo. Tentar levar essa massa a compreender que o projeto que nós estamos desenvolvendo não será resolvido via parlamento” (...) O destaque em negrito é de nossa autoria.

O rememorar não se trata de um posicionamento radical mas, sim, é um proceder dos que têm o direito, e mais do que isto, o dever de exercer a tão decantada cidadania, diante da lembrança de uma crença revolucionária que brotava, brota e viceja, ora nas entrelinhas, ora transparente ao longo dos textos petistas (Pronunciamentos, Documentos, Notas e Resoluções de Seminários, Encontros, Congressos e Foros do PT).

Esta crença não se coaduna com o espírito e letra do Estado Democrático de Direito, prescrito nas páginas da Constituição da República Federativa do Brasil, cujo texto o PT votou NÃO, assinando a Constituição por mera questão formal, apenas para reconhecer que participou de sua elaboração. Ver: “A Posição do PT sobre a Nova Constituição”, Diretório Nacional do PT, (Circ Interna, de 07/08/1988, anexo 2, p. 12-4); e “O PT na Constituinte”, S. Paulo, Vol. 10, outubro de 1988, Partido dos Trabalhadores, Secretária Nacional (se é que está disponível na atualidade). Repisar este fato é um hábito meu... O preço da liberdade é a eterna vigilância.

O alerta da M. Juíza, do qual em boa parte me aproprio, apontando a fraterna cooperação de Lula com Chávez e Castro, e a contínua aderência dos três às diretrizes do Foro de São Paulo pode significar o palmilhar da utopia do Sapo Barbudo (conforme epíteto brizolista) de bancar a revolução em toda a América Latina e tentar se perpetuar no poder, indiferente ao sacrifício de milhões de brasileiros, diante da corrupção e da lavagem de dinheiro público que se evidenciam ao longo das estóicas investigações conduzidas aos solavancos no Congresso Nacional, por uma facção de abnegados.

Indícios e evidências indicam que a oligarquia petista dominante na estrutura do Governo e principalmente no Executivo, não está nem um pouco preocupada com as classes dos “excluídos”, pois ao invés do trombeteado “tudo pelo social” lhes oferta apenas palavras de ordem e panacéias inconseqüentes.

As balizas parecem estar postas: um ascendente controle do Executivo sobre o Judiciário, promovendo o controle do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e dos Tribunais Superiores; a ampliação do domínio sobre o Legislativo (via Presidência da Câmara e cooptação e compra de parlamentares); as tentativas de amordaçar a imprensa (Conselho Nacional de Jornalismo); o direcionamento da cultura, via Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav) e a adoção da cartilha do politicamente correto; o apoio matreiro do tipo dois passos à frente um atrás ao MST e às ONGs de movimentos sociais radicais; e as alianças com países que nada têm a ver com nossa tradição diplomática. Eis um elenco invejável em possível evolução para a implantação do Estado de Direito Socialista, assemelhado às Repúblicas Democráticas Populares do tipo das que existiam, ou das que ainda sobram do Sistema Socialista Mundial, desintegrado no período de 1985/89.

Assim vislumbramos o Executivo procurando a crescente desmoralização dos demais Poderes, por cooptação e enredamento, num processo que nos lembra as sístoles e diástoles usadas por Raymond Aron, citadas por Roberto Campos e popularizadas por Golbery. Daí a razão de questionar: o que será o “Estado de Direito Socialista”, cuja construção é defendida por militantes de projeção do PT, tais como Jorge Almeida, membro da atual Executiva Nacional do PT e da Secretaria de Formação Política?

Diz ele: “O PT, como partido laico, política e filosoficamente plural, sabe que a construção de um Estado de Direito Socialista, que combine os mecanismos de uma democracia representativa, direta e conselhista, não é contraditória com a conquista revolucionária do poder”; extraído da página 102, do livreto “O PT e o Marxismo”, Cadernos de “Teoria & Debate”, publicação do PT, 1991. Que opinem os doutos em Direito Constitucional e Ciência Política! Desde que isentos, é lógico.

Tenho afirmado em meus artigos que a luta política destes políticos velhacos se desenvolvem contrariando todos os princípios morais. A desavergonhada atividade parlamentar, o dilapidar dos bens públicos, a corrupção como modus operandi não são vistos por eles como imoralidade e ilicitude, mas sim como ações justificadas pelos fins e atividade expropriatória contra o Estado Democrático de Direito, mera representação estrutural do Estado Burguês.

Diz o tributarista Yves Gandra Martins: “Bradam pela ética quando estão na oposição, mas, no poder, não se pautam por ela. Não hesitam, na busca dos fins esculpidos por sua ideologia, em romper com todos os valores da democracia ocidental. Partido e governo são a mesma coisa e como entendem que aquilo que consideram bom para o país é uma verdade absoluta, não se consideram antiéticos ou aéticos, porque, na sua visão, como os meios são justificados pelos fins, corromper é apenas uma forma de manter o poder não dividido”.

Há tempos afirmamos que os militantes da luta armada do passado sonhavam em substituir o regime militar por um regime marxista e não foram bem sucedidos. Hoje no poder, coerentes com seus padrões de meliantes da política, preferem cooptar aliados com “valeriodutos”, “propinodutos”, “mensalões” ou “valores não contabilizados”, eufemismo para Caixa 2, a governar com a maioria.

Na ânsia do poder absoluto, a qualquer preço visam à eliminação dos direitos do cidadão, pela via de implantação do Conselho Nacional de Jornalismo, da Ancinav, do controle externo da Magistratura e do Ministério Público, do controle da advocacia e outras iniciativas semelhantes.

Estes marginais da política, como crentes pensam que sabem e crêem na máxima leninista de que no processo revolucionário o objetivo final de implantação de uma república marxista tudo justifica.

Afirma o douto tributarista, no final de seu artigo, lido com atento respeito: “Felizmente, a democracia em nosso país é mais sólida do que imaginavam”. Tenho esperanças, mas há controvérsias... Deus lhe ouça!

Alguns dados para reflexão:

- a distribuição de verbas, inclusive para cassáveis;

- a oferta de Ministérios;

- o processo de eleição da Câmara do Deputados e o translado de corruptos para certos Partidos;

- a figura de Aldo Rabelo, comuna, e o princípio dos meios serem justificados;

- a oferta para o Relator da CPMI dos Correios para disputar a eleição em seu e Estado e pelo seu partido – O PT;

- a atitude da Senadora do PT, a conhecidíssima tulmutuadora Ideli Salvatti e a do Deputado Valverde, instando parlamentares a abandonar o recinto da CPMI dos Correios, para evitar a convocação dos elementos ligados aos Fundos de Pensão, possível fonte irrigadora do propinoduto;

- aumentar sua força militar oficiosa, o MST, em suas marchas e invasões, permitindo-lhe um treinamento logístico e operacional, cuja eficiência ficou mais do que comprovada com a marcha de Goiânia para Brasília, em 15 de maio deste ano;

- criar a sua própria força militar oficial (Força Nacional), um tertius genus inadmissível em um Estado que já conta com instituições mais do que suficientes para a garantia das leis e da ordem.

Precisa mais? Lá vai! Um cheiro de uma enorme pizza de lulla com verdes de paraíso fiscal e um tempero revolucionário.

Cel Ref do Exército Brasileiro, dedicou-se às áreas de: Segurança Nacional e Segurança Interna; Inteligência, Contra Inteligência e Operações de Inteligência; Subversão e Contra-subversão.

Crônica de um golpe anunciado

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Marli Nogueira em 28 de setembro de 2005

Resumo: De um crime ninguém pode acusar o presidente Lula: a de não ter avisado a que vinha.

© 2005 MidiaSemMascara.org

Que ninguém invoque inocência ou surpresa acerca das maracutaias, das falcatruas, da falta de caráter, da incompetência e do desejo totalitarista que emergem do lodaçal fétido em que chafurda o PT.

Quem assistiu ao primeiro discurso de Lula como presidente eleito, na Avenida Paulista, há de reconhecer que ele avisou a que viria. Naquele dia, o eleito se deixou arrebatar pelo animus domini que desde sempre habita os corações da maioria dos petistas, com a certeza de que o PT, seguindo à risca o plano macabro de tomada do poder, nele permaneceria no mínimo por tanto tempo quanto o que levou para chegar lá. E deixou escapar o ato falho.

Do alto do palanque, encarnando o espírito do velho caudilho latino-americano, Lula soltou a voz rouca e exclamou, entre piegas e ameaçador: "Aconteça o que acontecer, vocês serão a minha referência!". Está lá. Ao vivo e em cores. É só ver a fita, que, com a euforia do que parecia ser a realização do sonho de uma vitória "democrática", muitos devem ter gravado para a posteridade. Ou, então, ler a íntegra do discurso - cheio de promessas não cumpridas - em vários sites da Internet.

Como sei que um alerta dessa natureza somente é disparado quando já existe uma oculta intenção de praticar atos que possam decepcionar os interlocutores, naquele momento disse cá, com os meus botões: "Aí tem coisa!"

Não deu outra. Logo em seguida começou a visível formação de uma reserva financeira para o partido, de proporções nunca vistas. Com que objetivo? Para, com o apoio de Fidel e de Chávez, e em conformidade com as diretrizes do Foro de São Paulo, bancar a sua própria revolução em toda a América Latina e se perpetuar no poder, ainda que isso significasse o sacrifício de milhões de brasileiros. E para tanto, é claro, valia tudo: desde cortes inexplicáveis no orçamento das diversas instituições federais, até empréstimos a países estrangeiros muy amigos, perdão das dívidas de outros, independentemente do grau de amizade, além de doações suspeitíssimas para o MST. O problema é que jamais poderemos saber se os milhões cortados do orçamento serviram mesmo para a formação de superávit primário na mesmíssima proporção, se outros tantos milhões emprestados a países vizinhos se materializarão realmente nas obras alegadas e se o dinheiro foi efetivamente parar, em sua totalidade, nas mãos do MST, entidade que sequer possui personalidade jurídica própria que lhe permita receber doações financeiras de qualquer origem.

Diante de todo o quadro de esbanjamento, de corrupção e de lavagem de dinheiro público que se evidenciaram ao longo das investigações promovidas pelo Congresso Nacional, é mais do que razoável imaginar que o governo não está minimamente preocupado com as classes mais pobres, que, para ele, ao invés de emprego, de escolas e de hospitais, podem viver apenas de discursos, de bravatas e de palavras de ordem.

Mas não é só. Não satisfeitos em fazer caixa para a sua revolução castro-chavista-marxista, Lula e sua trupe passaram a adotar medidas nitidamente antidemocráticas para garanti-la, ao mesmo tempo em que tratava de manter a sociedade sob seu tacão, promovendo o controle do Executivo sobre o Judiciário (CNJ) e sobre o Legislativo (compra de parlamentares), as alianças com países que nada têm a ver com nossa tradição diplomática, além das tentativas totalitaristas de cala-boca da imprensa (Conselho Nacional de Jornalismo), de direcionamento da cultura (Ancinav) e de adoção da novilíngua tupiniquim (cartilha do politicamente correto). Que "democracia", hein!

Juntando as peças desse quebra-cabeças, fica mais do que evidente que o PT estava armando, desde a campanha eleitoral, um esquema gigantesco de assalto aos cofres públicos para poder financiar o delírio marxista. E, já eleito, tratou logo de aumentar o incentivo à sua força militar oficiosa, o MST, em suas marchas e invasões, permitindo-lhe com isso um treinamento logístico e operacional cuja eficiência ficou mais do que comprovada com a marcha de Goiânia para Brasília em 15 de maio deste ano. E ao mesmo tempo, ainda criou a sua própria força militar oficial (Força Nacional), um tertium genus inadmissível em um Estado que já conta com instituições mais do que suficientes - mas adredemente desprezadas - para a garantia da defesa nacional (Forças Armadas) e da ordem pública (Polícias Militares).

Depois de tais constatações, a primeira conclusão cabível para o aviso do "aconteça o que acontecer" é que Lula tinha conhecimento, sim, da elaboração do magno projeto de poder liderado pelo Foro de São Paulo (de que é um dos fundadores) e das maracutaias necessárias para alcançá-lo, e que, por isso, ao fazer sua advertência à multidão que o aplaudia em plena Avenida Paulista, sabia perfeitamente bem o que estava dizendo. A segunda é que, ao contrário do juramento então firmado, sua referência nunca foi, não é, e jamais será o povo brasileiro. Sua referência é ele próprio e o partido revolucionário que o rodeia.

Mas de um crime ninguém pode acusar Sua Excelência: a de não ter avisado a que vinha. O golpe, metaforicamente chamado de "aconteça o que acontecer", foi anunciado naquele dia 28 de outubro de 2002.

A autora é Juíza do Trabalho em Brasília.

A tragédia do estudante sério no Brasil

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 12 de fevereiro de 2006

Toda semana, recebo dezenas de cartas de estudantes que, em busca de alguma formação intelectual, encontraram nas universidades que freqüentam apenas propaganda comunista rasteira, porca, subginasiana.

Não são, como em geral imaginam, vítimas de puras circunstâncias políticas imediatas. Gemem sob uma montanha de fatores adversos à inteligência humana, que foram se acumulando no mundo, e não só no Brasil, ao longo das últimas décadas. Se a primeira metade do século XX trouxe um florescimento intelectual incomum, a segunda foi uma devastação geral como raramente se viu na História. A queda foi tão profunda que já não se pode medi-la. Num panorama inteiramente dominado por charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida, Julia Kristeva, a época em que floresceram quase que simultaneamente Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga, Arnold Toynbee – e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer – já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos contemporâneos. Toda comparação é entre alguma coisa e alguma outra coisa. Não se pode comparar tudo com nada.

Isso não quer dizer que as fontes do conhecimento tenham secado. Pensadores de grande envergadura – um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri – sobreviveram à debacle dos anos 60 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das idéias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, com o infeliz Leo Strauss.

Pois a desgraça se deu justamente na “corrente geral”. O fim da II Guerra Mundial trouxe uma prodigiosa reorganização das bases sociais e econômicas da vida intelectual no mundo. Novas instituições, novas redes de comunicação, novos mecanismos de estocagem e distribuição das informações acadêmicas, novos públicos e, sobretudo, a ampliação inaudita do apoio estatal e privado à cultura e a formação dos grandes organismos internacionais como a ONU e a Unesco. Tudo isso veio junto com o descrédito do marxismo soviético e a profunda mutação interna da militância esquerdista internacional, a essa altura já plenamente imbuída das duas lições aprendidas da Escola de Frankfurt e de Georg Lukacs (mas também, mais discretamente, de Martin Heidegger): (1) a luta essencial não era propriamente contra o capitalismo, mas contra “a civilização ocidental”; (2) o agente principal do processo era a classe dos intelectuais.

Nessas condições, o crescimento fabuloso dos meios de atuação veio junto com o esforço multilateral de apropriação desses meios por parte de grupos militantes bem pouco interessados em “compreender o mundo” mas totalmente devotados a “transformá-lo”. A redução drástica da atividade intelectual ao ativismo político foi a conseqüência desejada e planejada dessa operação, realizada em escala mundial a partir dos anos 60.

Não que o fenômeno fosse totalmente desconhecido antes disso. Um vasto ensaio geral já vinha sendo realizado nos EUA desde a década de 30 pelo menos, através das grandes fundações “não lucrativas” que descobriram seu poder de orientar e manipular a seu belprazer a atividade intelectual, científica e educacional mediante a simples seleção ideologicamente orientada dos destinatários de suas verbas bilionárias.

Em 1954, uma comissão de investigações do Congresso americano já havia descoberto que fundações como Rockefeller, Carnegie e Ford exerciam controle indevido sobre as universidades, as instituições de pesquisa e a cultura em geral, orientando-as num sentido francamente anti-americano, anticristão e até anticapitalista. (Não me perguntem pela milésima vez com que interesse os grandes capitalistas podem agir contra o capitalismo. A explicação está resumida em http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/2008/05/histria-de-quinze-sculos.html e http://www.olavodecarvalho.org /textos/debate_usp_4.htm .) Inevitavelmente, a influência exercida por essas organizações não consistiu só em introduzir uma determinada cor política na produção cultural, mas em alterá-la e corrompê-la até às raízes, subordinando aos objetivos políticos e publicitários visados todas as exigências de honestidade, veracidade e rigor. Sem essa interferência, fraudes cabeludas como o Relatório Kinsey ou a pseudo-antropologia de Margaret Mead jamais teriam conseguido impor-se ao meio acadêmico e à mídia cultural como produtos respeitáveis de uma atividade científica normal.

A comissão foi alvo de ataques virulentos de toda a grande mídia, e seu trabalho acabou por ser esquecido, mas ele ainda é uma das melhores fontes de consulta sobre a instrumentalização política da cultura (v. René Wormser, Foundations, Their Power and Influence , New York, Devin-Adair, 1958 – vocês podem comprá-lo pelo site www.bookfinder.com ). Na verdade, sem ele não se pode compreender nada do que se passou em seguida, pois o que se passou foi que o experimento tentado em escala americana foi ampliado para o mundo todo: a apropriação dos meios de ação cultural pelas organizações militantes e o sacrifício integral da inteligência humana no altar da “vontade de poder” simplesmente se globalizaram.

Recursos incalculavelmente vastos, que poderiam ter sido utilizados para o progresso do conhecimento e a melhoria da condição de vida da espécie humana foram assim desperdiçados para sustentar a guerra geral da estupidez militante contra a “civilização ocidental” que havia gerado esses mesmos recursos.

Embora esse processo seja de alcance mundial, é claro que o seu peso se fez sentir mais densamente em países novos do Terceiro Mundo, onde as criações das épocas anteriores não tinham sido assimiladas com muita profundidade e as raízes da civilização podiam ser mais facilmente cortadas. No Brasil, da década de 60 em diante, os progressos da barbárie foram talvez mais rápidos do que em qualquer outro lugar, destruindo com espantosa facilidade as sementes de cultura que, embora frágeis, vinham dando alguns frutos promissores. A comparação impossível entre as duas épocas, que mencionei acima, é ainda mais impossível no caso brasileiro. Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da “cultura brasileira”? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.

A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligencia prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia.

Mas não, a inteligência nacional não acabou no dia em que os nossos estudantes tiraram o último lugar numa avaliação entre alunos do curso secundário de 32 países: acabou logo em seguida, quando o ministro da Educação disse que o resultado poderia ter sido pior.

Num sentido mais profundo do que o ministro imaginava, poderia mesmo. Na eleição seguinte, o país colocou na presidência um carreirista enriquecido, de terno Armani e unhas polidas, que, por orgulhar-se de jamais ler livros, foi proclamado um símbolo da autenticidade popular. A imagem era falsa, grotesca e insultuosa, mas ninguém percebeu. Se existe um grau abaixo do grotesco, porém, ele foi atingido logo em seguida, quando o escritor Raymundo Faoro, quanto mais bobo mais celebrado nas esquerdas como inteligência luminosa, sugeriu o nome do então presidenciável para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Perto disso, tirar o último lugar num teste chegava a ser meritório.

Se o desespero dos estudantes que me escrevem viesse só da situação política, haveria esperança de saná-lo por meio da ação política. Mas a ação política é um subproduto da cultura e, no estado em que as coisas estão, nenhuma ação política inteligente, ao menos em escala federal, é previsível nas próximas duas ou três gerações. Nas próximas eleições, por exemplo, o país terá de optar novamente entre PT e PSDB, isto é, os dois filhotes monstruosos gerados no ventre da USP, a mãe da esterilidade nacional, ou como bem a sintetizou o poeta Bruno Tolentino, a “p... que não pariu”. Sim, a política brasileira virou uma imensa assembléia de estudantes da USP, com o Partido Comunista de um lado, a Ação Popular de outro, num torneio de arrogância, presunção, hipocrisia, sadismo mental, mendacidade ilimitada e estupidez sem fim. A USP levou meio século para chegar ao poder, e ainda não parou de gerar pseudo-intelectuais ambiciosos, ávidos de mandar, sedentos de ministérios. Sua obra de destruição está longe de haver-se completado.

Da política nada de bom se pode esperar num prazo humanamente suportável. Uma ação cultural de grande escala – a fundação de uma autêntica instituição de ensino superior, para contrabalançar a desgraça uspiana – também não é nada provável, dada a omissão das chamadas “elites”, sempre de rabo entre as pernas, oscilando entre lamber mais um pouco os pés da canalha petista ou apegar-se ao primeiro zesserra que apareça.

Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram.

A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.

O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium , aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.

Mas o ambiente universitário brasileiro de hoje é tão baixo, tão torpe, que só de a gente apresentar essa lista – o mínimo requerido para uma formação séria de filósofo ou erudito –, o pessoal já arregala os olhos de susto. Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose. Não há quem não saiba disso e não há quem não acabe se acomodando a essa situação como se fosse natural e inevitável. A abjeção intelectual deste país é sem fim.

História de quinze séculos - METACAPITALISTAS

Do portal do OLAVO DE CARVALHO
Por Olavo de Carvalho em 17 de junho de 2004

Desmantelado o Império, as igrejas disseminadas pelo território tornaram-se os sucedâneos da esfrangalhada administração romana. Na confusão geral, enquanto as formas de uma nova época mal se deixavam vislumbrar entre as névoas do provisório, os padres tornaram-se cartorários, ouvidores e alcaides. As sementes da futura aristocracia européia germinaram no campo de batalha, na luta contra o invasor bárbaro. Em cada vila e paróquia, os líderes comunitários que se destacaram no esforço de defesa foram premiados pelo povo com terras, animais e moedas, pela Igreja com títulos de nobreza e a unção legitimadora da sua autoridade. Tornaram-se grandes fazendeiros, e condes, e duques, e príncipes, e reis.

A propriedade agrária não foi nunca o fundamento nem a origem, mas o fruto do seu poder. Poder militar. Poder de uma casta feroz e altiva, enriquecida pela espada e não pelo arado, ciosa de não se misturar às outras, de não se dedicar portanto nem ao cultivo da inteligência, bom somente para padres e mulheres, nem ao da terra, incumbência de servos e arrendatários, nem ao dos negócios, ocupação de burgueses e judeus.

Durante mais de um milênio governou a Europa pela força das armas, apoiada no tripé da legitimação eclesiástica e cultural, da obediência popular traduzida em trabalho e impostos, do suporte financeiro obtido ou extorquido aos comerciantes e banqueiros nas horas de crise e guerra.

Sua ascensão culmina e seu declínio começa com a fundação das monarquias absolutistas e o advento do Estado nacional. Culmina porque essas novas formações encarnam o poder da casta guerreira em estado puro, fonte de si mesmo por delegação direta de Deus, sem a intermediação do sacerdócio, reduzido à condição subalterna de cúmplice forçado e recalcitrante. Mas já é o começo do declínio, porque o monarca absoluto, vindo da aristocracia, dela se destaca e tem de buscar contra ela -- e contra a Igreja -- o apoio do Terceiro Estado, o qual com isso acaba por tornar-se força política independente, capaz de intimidar juntos o rei, o clero e a nobreza.

Se o sistema medieval havia durado dez séculos, o absolutismo não durou mais de três. Menos ainda durará o reinado da burguesia liberal. Um século de liberdade econômica e política é suficiente para tornar alguns capitalistas tão formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatistas necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de repressão onipresente e obsediante (estendendo-se até aos últimos detalhe da vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a “justiça social” do comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e religioso.

Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se apóiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social. Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado, faz deles um poder dinástico durável, uma neo-aristocracia capaz de atravessar incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais. Já não são megacapitalistas: são metacapitalistas – a classe que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum dia existiu ou existirá: o socialismo dos grão-senhores e dos engenheiros sociais a seu serviço.

Essa nova aristocracia não nasce, como a anterior, do heroísmo militar premiado pelo povo e abençoado pela Igreja. Nasce da premeditação maquiavélica fundada no interesse próprio e, através de um clero postiço de intelectuais subsidiados, se abençoa a si mesma.

Resta saber que tipo de sociedade essa aristocracia auto-inventada poderá criar – e quanto tempo uma estrutura tão obviamente baseada na mentira poderá durar.

Lula e o Foro de São Paulo: eleições e terrorismo

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Domingo, 18 de maio de 2008

Clóvis Rossi relata na Folha deste domingo que Lula, no Peru, onde participou de um seminário, referiu-se ao Foro de São Paulo. Leia trecho da reportagem. Retomo em seguida:

Por fim, o presidente brasileiro falou do Foro de São Paulo, conglomerado de organizações de esquerda criado pelo PT em 1990. Disse que "esse foro foi educando a esquerda a disputar eleições e ganhá-las de forma democrática", em vez de recorrer à luta armada.

Não citou, no entanto, o fato de que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) fazem parte do foro e não foram ainda educadas para disputar eleições, tanto que mantêm a luta armada e, pior, tornaram-se o pivô de uma crise triangular entre os governos da Colômbia, do Equador e da Venezuela.

Lula elogiou ainda o crescimento do país do presidente Alan García (o maior da América do Sul, na faixa dos 9%), em uma frase que provocou sorrisos maliciosos em parte dos espectadores: "A gente vê na rua o crescimento do Peru".


Comento
Entre os dias 22 e 25 deste mês, acontece no Uruguai o 14º Encontro do Foro de São Paulo. Integram a organização, entre outros, o MAS (Movimento ao Socialismo), do presidente da Bolívia, Evo Morales; o Pátria Livre, do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, e o Partido Socialista Unido da Venezuela, de Hugo Chávez. O Alianza País, de Rafael Correa, do Equador, vai mandar representantes e deve ser admitido no grupo. Não custa lembrar que Evo já deu uma tungada no Brasil, tomando a Petrobras, sob os auspícios de Chávez, e que Lugo está prestes a fazer o mesmo, obrigando os brasileiros a pagar mais por aquilo que lhes pertence de direito: energia. Será que é uma surpresa para Lula? Tudo indica que não. Como já deixaram claro o próprio Apedeuta, Celso Amorim (Relações Exteriores) e Marco Aurélio Top Top Garcia, o assessor para assuntos internacionais, o Brasil reconhece a legitimidade do pleito dos mais pobres. É claro que é conversa mole. Na prática, o lulismo usa dinheiro que não lhe pertence para fortalecer a posição dos esquerdistas do continente, seus aliados ideológicos.

Na reunião do Uruguai, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo cujas credenciais terroristas, a esta altura, não precisam ser mais apresentadas, estarão presentes. Como sabemos, Lula ainda não conseguiu, como é mesmo?, converter o grupo à democracia. Não há mais máscara possível para as Farc: dedicam-se à produção e ao tráfico de cocaína, recorrendo — quanta ousadia! — até a submarinos para fazer o produto chegar aos Estados Unidos, conforme informa a VEJA na mais recente edição (ver post de ontem). E, no entanto, o PT dividirá alegremente a mesa com bandidos que mantêm um campo de concentração na selva, onde estão mais de 700 prisioneiros.

Há mais. O Foro se reúne, desta feita, depois de a Interpol ter provado que os arquivos dos computadores de Raúl Reyes — o terrorista pançudo morto pelo Exército da democracia colombiana — são verdadeiros. E, por verdadeiros, resta, então, evidente que os governos de Chávez e Correa colaboram com o terrorismo. O bandoleiro que governa a Venezuela planejava enviar US$ 250 milhões aos narcotraficantes. Nada distingue o coronel dos líderes do chamado “Eixo do Mal”, que colaboram com o terrorismo no mundo.

Aqui e ali se diz que os petistas — e, portanto, o governo brasileiro — mantêm prudente distância das Farc. Conversa mole! O governo Lula jamais condenou de forma inequívoca a guerrilha. Na mal chamada “invasão” do território equatoriano pelas forças colombianas, que resultou na morte de Reyes, o Brasil foi enfático no repúdio à ação colombiana, sem relevar o fato de que o Equador, afinal, abrigava os bandoleiros. E, revelam os computadores, com arquivos autênticos, tratava-se mesmo de colaboração ativa com os terroristas — categoria em que o Brasil não inclui as Farc. Indagado pelo jornal francês Le Figaro se a organização é terrorista ou força beligerante, Marco Aurélio teve a cara-de-pau de afirmar que não é nem uma coisa nem outra. Segundo ele, o Brasil é “neutro” nessa questão.

Neutralidade diante dos seqüestros? Neutralidade diante da execução de civis? Neutralidade diante do narcotráfico? Vivesse este valente na Europa no fim da década de 30, talvez defendesse que o melhor seria tentar convencer aquele austríaco esquisitão a aderir à democracia — certamente consideraria que confrontá-lo poderia não ser uma boa solução...

A fala de Lula é indecente e bem mais perigosa do que parece. O Foro de São Paulo, que a imprensa brasileira, com raras exceções, insiste em ignorar — Lula, volta e meia, fala dele com orgulho; justiça se lhe faça, ele não esconde nada... —, é a entidade que confere articulação e inteligência (a possível) à esquerda da América Latina. Os vários movimentos que ele congrega têm pouca coisa em comum quanto à sua origem. Mas isso não tem grande importância. O que conta é a convergência de agendas. E cada um dos governos comprometidos com o Foro vai até onde lhes permitem os limites institucionais, mas sempre dispostos a afrontá-los e a transgredi-los.

E por que classifico de “perigosa” a fala de Lula? Porque eleições, por si mesmas, não esgotam o compromisso com a democracia. Lideranças como Chávez, Corrêa e Morales não recuam, como vemos, nem diante do risco de uma guerra civil. Nos três países, o regime democrático foi só o rito de passagem para governos autoritários. No Brasil, o desapareço pelas instituições é mais sutil e aparentemente ameno. Mas não é difícil encontrar políticas públicas que pretendem opor brasileiros a brasileiros, em claro desrespeito aos princípios básicos da Constituição.

A fala de Lula deve ser lida como uma declaração cínica: os esquerdistas reunidos pelo Foro, que ele criou em companhia de Fidel Castro — isso é história, não opinião —, concluíram que a luta armada, de fato, não é mais uma boa estratégia. As eleições são armas mais eficientes. Uma vez no poder, usam a democracia para solapar as bases da... democracia!

Entre os dias 22 e 25 deste mês, o PT, em suma, volta a se reunir com terroristas — as Farc — e com representantes de dois governos que apóiam o terrorismo: Venezuela e Equador. E, mais uma vez, na prática, o governo do Brasil estará dizendo que se trata de democratas interessados numa suposta união da América Latina. É possível que representantes do peronismo de Cristina Kirchner compareçam. Cristina, a presidente da Argentina, é aquela que recebeu uma mala com US$ 800 mil enviados por Chávez e que mobiliza bandoleiros para atacar adversários e a imprensa do país.

Esses governos, como ficará claro pela enésima vez, obedecem a uma coordenação: o Foro de São Paulo. E, no Foro, Lula é estrela de primeira grandeza.

Ah, claro, vai ver escrevo isso tudo porque, dizem, sou de direita. Talvez a esquerda tenha uma boa explicação humanista para o PT dividir a mesa com terroristas e seus financiadores e apoidores.

Manifesto à Nação Brasileira pela Associação Nacional dos Militares das Forças Armadas - ANMFA

Associação Nacional dos Militares das Forças Armadas - ANMFA

Cidadãos Brasileiros! Companheiros!

"... dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderei com o sacrifício da própria vida". Essas são as palavras finais do sagrado juramento à Bandeira que todo cidadão brasileiro faz ao ser incorporado às Forças Armadas.

Hoje, vemos a Pátria vilipendiada e seus valores morais sendo destruídos pela omissão e pela degradação moral que permeiam os bastidores do Poder constituído, numa afronta ao cidadão honesto e trabalhador, que já não tem exemplos a mostrar aos filhos, sobre os reais valores que devam ser cultivados.

A verdade histórica vem sendo deturpada por um revanchismo disfarçado e hipócrita, que nenhum benefício traz ao povo brasileiro. Serve apenas para confundi-lo, para desviar a sua atenção dos verdadeiros problemas do País.

As Forças Armadas, desde o governo antecessor, vêm sofrendo uma campanha de desmoralização e vêm sendo progressivamente sucateadas, para que o seu poder de reação seja enfraquecido, numa orquestração eficaz, ditada por interesses que não são os dos nossos cidadãos.

A grande massa do eleitorado, desinformada politicamente e revoltada com o caos social que tomou conta da Nação, foi habilmente trabalhada para optar por "vencer o medo", em proveito da "esperança" de reformas sociais e econômicas e de ações bem mais concretas, como a criação de novos empregos, prometidas durante a campanha de um governo que, até hoje, não se mostrou capaz de cumpri-las.

A propriedade privada, sagrado direito em uma Nação livre e democrática, vem sendo sistematicamente desrespeitada com a explícita omissão do Governo, que não age no sentido de impedir a ação criminosa dos movimentos chamados, tendenciosamente, pelas autoridades constituídas, de sociais, numa demonstração cabal de falta de autoridade ou vontade política.

A violência, rural e urbana, está completamente sem controle, e a população, refém dos criminosos, não tem mais a mínima segurança. A autoridade do Estado é posta à prova a todo o momento, levando aos marginais a sensação de liberdade de ação e de impunidade, numa escalada crescente de audácia e desafio à sociedade. Toques de recolher, fechamento do comércio e de escolas, cerceamento do direito de ir e vir demonstram sistematicamente o nível de poder do crime organizado.

O funcionalismo público está sendo responsabilizado por um déficit da previdência que, sabidamente, foi causado pela corrupção e pela incompetência do governo em gerir verbas públicas.

A impunidade, no nosso País, virou regra geral, e o crime do colarinho branco passou a ser altamente compensador.

Juros absurdos, tributos escorchantes e corrupção generalizada degradam todos os setores da Nação, inviabilizando- a no caminho do desenvolvimento, tão essencial para a geração de empregos, a qualidade de vida e a justiça social.

Pune-se o cidadão honesto em favor do sonegador e do esperto.

Leis são completamente desmoralizadas pela desobediência ostensiva e generalizada, com conhecimento e omissão do Poder Público.

Juízes e funcionários públicos de setores essenciais vêem-se na contingência de paralisarem parcialmente o Estado por meio de greves, porque colocar o Governo contra a parede configura-se como a única maneira de conseguirem que seus direitos sejam respeitados.

Com a criação de instrumentos coercitivos ditatoriais, pretende-se amordaçar a imprensa e a produção audiovisual, incluído aí o cinema.

Desarmam-se os cidadãos de bem, impedindo-os de fazer uso do recurso legal da legítima defesa, mas não se tomam as armas de guerra em poder dos bandidos.

Utilizam-se recursos de banco estatal em favor do partido político no Governo.

Como se os comensais dos palácios estivessem acima do bem e do mal, criam-se obstáculos à verificação da idoneidade de homens que exercem cargos públicos.

Pretende-se acabar com a independência dos Poderes, atribuindo-se a membros do partido-estado a incumbência do controle externo do Poder Judiciário.

Tenciona-se restringir a capacidade investigativa dos parlamentares e proibir a dos procuradores da República.

Estimula-se o culto à personalidade, na tentativa do ressurgimento de um Grande Timoneiro que, às custas do erário, divulga os seus desconhecimentos primários nos quatro cantos do mundo.

Por último, com uma visão tão equivocada que quase invade os limites de grave não-conformidade mental, pretende-se abrandar o cumprimento de penas decorrentes do cometimento de crimes hediondos!

Cidadãos Brasileiros!

Os signatários deste Manifesto, que conta com o apoio de civis patriotas e de parcela expressiva da reserva das Forças Armadas - a ativa é impedida por lei de se manifestar - vêm a, público, denunciar o atual estado em que se encontram a Nação Brasileira e a sua Instituição Militar.

Em um momento da vida nacional em que o povo mais precisa das Forças Armadas para o restabelecimento da ordem e da garantia das Instituições, fiquem certos de que elas não se acovardarão ante o processo de desvalorização dos seus integrantes e da premeditada ação de anulação de sua capacidade de reação e de cumprimento do seu dever, nem face a tentativas de implantação de regimens totalitários, contrários às nossas mais sagradas tradições.
Brasileiros, o quadro é grave.

A honra da Pátria, sua integridade e suas instituições estão definitivamente ameaçadas.

O Brasil pede socorro aos patriotas.

O honroso juramento à Bandeira exige que tomemos uma providência imediata e decisiva para que se restaure, ainda em tempo hábil, não somente a adequada capacidade operacional das nossas Forças Armadas, mas, sobretudo, o respeito às nossas Instituições, à irrestrita liberdade de expressão do pensamento, ao pleno exercício da democracia.

Só assim, teremos a capacidade de manter um Estado soberano e em condições de realizar as mudanças necessárias ao progresso e ao bem estar dos brasileiros.

Não se engane o povo com falsos argumentos de descarte do seu cidadão soldado e com falsas alegações de que não há inimigos nem guerras a serem travadas, pois se, aparentemente, não os vemos é porque ainda resta, nas nossas Instituições Militares, alguma capacidade de dissuasão.

Chegamos à crítica situação em que os profissionais militares têm de custear a saúde dos recrutas com descontos nos seus contracheques e acréscimos nas indenizações de atendimento médico-hospitalar.

Comandantes sem recursos, muitas vezes, tiram dinheiro, do próprio bolso, para evitar, por exemplo, que a sua viatura pare, comprometendo ainda mais a capacidade de sustento da família.

Falta comida nos quartéis. Em última instância, até mesmo o recruta está pagando para servir à pátria.

Qualquer Nação tem, como condição para a manutenção da sua estrutura física, legal e social, a qualidade e a capacidade de ação e reação, tanto interna como externa, das suas Forças Armadas.

O processo de desestabilização de um País e o "status" de subserviência a interesses escusos e alienígenas começam, sempre, pelo aviltamento e pelo desmonte das suas Forças Armadas.

É hora de acordar. Em nome da democracia, da lei, da ordem e da manutenção das nossas Instituições, devemos agir e não calar, em atitude de omissão e covardia.

Não temos permissão para nos acomodar. Por juramento, somos obrigados a tomar uma atitude. Chega de chantagens emocionais - "quartelada”, "golpe", "patrulhamentos”.

Assim como, por vocação, não corremos do risco nem do perigo iminente, também não podemos, por obediência a princípios, ficar de braços cruzados diante da violação destes mesmos princípios por aqueles que também deveriam defendê-los!

Fazemos votos para que aqueles que, em dissonância com a história, ainda pretendem implantar no Brasil um Estado totalitário desistam da idéia, porque não é isso que os brasileiros querem, e, se eles não querem, nós não vamos deixar que isso aconteça.

O que todos querem é muito simples: imprensa livre, repetindo, IMPRENSA LIVRE, livre manifestação do pensamento por quaisquer meios, sem a tutela do Estado, juros e tributos razoáveis, probidade administrativa, independência dos Poderes, liberdade para investigar desvios de conduta, Forças Armadas e serviços públicos aparelhados e com o pessoal motivado, segurança pública e bandidos na cadeia, paz no campo, respeito à propriedade e Congresso soberano.

Por outro lado, se o Governo também vier a pensar como nós, pode convocar-nos para o bom combate, pois estaremos prontos.

Está dado o recado. Em nome do povo estamos prontos para o que for necessário.

BRASIL ACIMA DE TUDO!

Associação Nacional dos Militares das Forças Armadas - ANMFA

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".