Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro concede Medalha Tiradentes a Olavo de Carvalho. Aqui.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Nostradamus para quem acredita

Uma amiga, a madame x (que já postou alguns comentários no blog) me manda esta...

*****

Em suas Centúrias Nostradamus escreveu com tanta exatidão que nos faz acreditar que conhecia o Lula.

Veja alguns trechos:

"...e próximo do terceiro milênio uma besta barbuda descerá triunfante sobre um condado do hemisfério Sul espalhando desgraça e a miséria..."

"..será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos..."

"...trará com ele uma horda que dominará e exterminará as aves bicudas (PSDB=tucanos=ave bicuda) e implantará a barbárie por muitas datas sobre um povo tolo e leviano..."

Cuba e o embargo americano

Vou falar sobre uma situação que envolve dois países, Estados Unidos e a ilha-quase-senzala chamada Cuba (porque tem muros para impedir que o pessoal fuja, atiradores para matar quem consegue fugir e estes trabalham para o grupo que manda sem receber nada mais do que o necessário para viver por isto - por isto o QUASE, se não fosse pelo micro-salário seria uma senzala de fato).

Existe um EMBARGO que impede que empresas AMERICANAS negociem com a ilha-quase-senzala. Tem a ver com soberania nacional. Acontece que a anos ouvimos que a pobreza da ilha-quase-senzala é devida a este EMBARGO.

Mas me digam: a ilha-quase-senzala não odeia os EEUU?
Não odeia TUDO que seja americano?
Não é isto que ensinam para os cubaninhos, coitados?

Então, como poderia ser um EMBARGO responsável pela pobreza de alguém que, por te detestar, não poderia JAMAIS fazer negócios com você?

Ou será que Fidel odeia os americanos mas quer trocar charutos por produtos e serviços Made in USA ou de qualquer outro país onde exista DEMOCRACIA e CAPITALISMO?

Como é esta coisa de odiar um sistema, qualquer que seja, mas querer as coisas que este mesmo sistema torna possível existir?

Alguém me explica?

PREPAREM-SE...

Os dois posts abaixo chamados "Marxismo segundo Ludwig von Mises - partes I e II", DESTROEM COMPLETAMENTE E DESQUALIFICAM INTEGRALMENTE não só as teorias do monstro demente do Karl Marx MAS A ELE TAMBÉM COMO PESSOA HONESTA, DIGNA E SEQUER DIGNA DE SER LEVADA A SÉRIO.

Esfreguem estes textos na cara de qualquer um que ainda acredita que por trás da imundíce chamada SOCIALISMO existiu um GRANDE HOMEM, pois ISTO NÃO ACONTECEU. O canalha do Marx era menos que nada, um vagabundo (no sentido literal da palavra) querendo aparecer.

Agora, isto aqui é importante:

O CANALHA ERA FILHO DE UM FAMOSO ADVOGADO, OU SEJA

NUNCA FOI PROLETÁRIO

Sua verborragia e sua """""facilidade""""" de falar e de escrever veio do BERÇO NOBRE ONDE NASCEU. Mas como só queria saber dos produtos e serviços encontráveis em botecos, como alguém que a gente conhece, NUNCA FEZ NADA EM SUA VIDA A NÃO SER O LIXO QUE TODOS CONHECEM. Portanto, escreveu para seus cloegas de gandaia e na sua época mesmo foi "jogado no lixo". Mas sempre vamos ter este tipo de gente nascendo, não é mesmo? A América Latina de hoje que o diga, cheia de gente DESQUALIFICADA POR OPÇÃO em seus governos.

Portanto, aqui está o antídoto contra o vermelhismo patético, imbecil e cretino.

Deliciem-se com o VERDADEIRAMENTE ("TÁ" OUVINDO CHÁVEZ, LULA, EVO e demais amigos do FORO DE SÃO PAULO) GRANDE...

LUDWIG VON MISES

Marxismo segundo Ludwig Von Mises I - Mente, Materialismo, e o destino do Homem

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR - outro da série "imperdíveis"

Ludwig von Mises é um dos mais notáveis filósofos e economistas do nosso tempo. Inspirado no início de sua carreira pelo trabalho de seus professores - os grandes economistas austríacos Carl Menger e Böhm-Bawerk - Mises, por meio de uma série de pesquisas universitárias, analisou sistematicamente cada problema econômico importante, criticou erros inveterados e substituiu velhos sofismas por idéias sólidas e sadias.

Este é o primeiro capítulo intitulado "Mind, Materialism, and the Fate of Man" do livro "Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction", publicado pela Foundation for Economic Education. Faz parte de uma série de nove discursos formais de Ludwig Von Mises, (1881-1973), pronunciados entre 23 de junho e 3 de julho de 1952, na Biblioteca Pública de São Francisco, São Francisco, Califórnia, num seminário patrocinado pela revista The Freeman. (Download: ZIP/PDF)


Mente, Materialismo, e o destino do Homem

AS PRIMEIRAS CINCO CONFERÊNCIAS NESTA SÉRIE tratarão sobre filosofia, não sobre economia. A filosofia é importante porque todos nós, tenhamos ou não consciência desse fato, possuímos uma filosofia definida, e suas idéias filosóficas orientam suas ações.

A filosofia de hoje é a de Karl Marx [1818-1883]. Ele é a personalidade mais poderosa da nossa época. Karl Marx e as idéias de Karl Marx -- idéias que ele não inventou, desenvolveu, ou melhorou, mas que ele combinou num sistema -- são amplamente aceitas hoje, mesmo por muitos que enfaticamente se declaram anticomunistas e antimarxistas. Sem saber, muitas pessoas são filosoficamente Marxistas, embora utilizem nomes diferentes para suas idéias filosóficas.

Marxistas hoje falam de Marxismo-leninismo-estalinismo. Volumes são escritos hoje na Rússia sobre as contribuições de [Vladimir Ilyich] Lênin [1870-1924] e [Josef] Stalin [1879-1953]. No entanto, o sistema permanece o que era nos tempos de Karl Marx; o Marxismo está de fato petrificado. Lênin contribuiu somente com injúrias muito fortes contra seus adversários; Stalin não contribuiu nada. Assim, é duvidoso chamar quaisquer destas contribuições de "nova", quando nós percebemos que a contribuição mais importante de Marx para sua filosofia foi publicada em 1859. (1)

Leva muito tempo para idéias conquistarem o mundo. Quando o Marx morreu em 1883, o nome dele era em geral desconhecido. Alguns jornais relataram em um par de linhas que Karl Marx, autor de vários livros, tinha morrido. Eugen von Böhm-Bawerk [1851-1914] publicou (2) uma crítica sobre as idéias econômicas de Marx em 1896, mas foi somente 20 anos depois que as pessoas começaram a considerar Marx um filósofo.

As idéias de Marx e de sua filosofia realmente dominam nossa época. A interpretação dos eventos atuais e a interpretação da história em livros populares, bem como nos escritos filosóficos, novelas, peças de teatro, e assim sucessivamente, são geralmente Marxistas. No centro está a filosofia Marxista da história. Desta filosofia é tomado emprestado o termo "dialético", que é aplicado a todas suas idéias. Mas isso não é tão importante como é compreender o que materialismo marxista significa.

Materialismo tem dois sentidos diferentes. O primeiro refere-se exclusivamente aos problemas éticos. Um homem material só está interessado em coisas materiais -- comida, bebida, abrigo -- não em arte, cultura, e assim sucessivamente. Nesse sentido a maioria dos homens é materialista. O segundo sentido do materialismo refere-se a um grupo especial de soluções sugeridas para um problema básico da filosofia -- a relação entre a mente humana ou espírito de um lado, e o corpo humano e suas funções fisiológicas do outro lado. Diversas respostas foram oferecidas a este problema -- entre elas as respostas religiosas. Nós sabemos muito bem que existe uma conexão entre corpo e mente; a medicina provou que determinados danos ao cérebro provocam algumas mudanças no funcionamento da mente humana. Porém, os materialistas deste segundo grupo explicam todas as manifestações da mente humana como produtos do corpo.Entre estes materialistas filosóficos, existem duas correntes de pensamento:

A. Uma escola que considera o homem como uma máquina. Este grupo diz que estes problemas são muito simples -- a “máquina” humana funciona exatamente como qualquer outra máquina. Um Francês, Julien de La Mettrie [1709–1751], escreveu o livro que contém esta idéia, Man, the Machine; e hoje muitas pessoas ainda querem explicar todas as operações da mente humana, direta ou indiretamente, como se fossem operações mecânicas. Por exemplo, veja a Enciclopédia de Ciências Sociais. (Encyclopedia of the Social Sciences) Um dos colaboradores, professor na New School for Social Research, diz que a criança recém-nascida é como um carro Ford, pronto para funcionar. Talvez! Mas uma máquina, um Ford recém-fabricado, não funciona por si só. Uma máquina não realiza nada, não faz nada sozinha -- sempre são os homens ou um certo número de homens que realizam algo através da máquina. Alguém precisa ativar a máquina. Se a atividade do homem cessar, a atividade da máquina também cessa. Nós temos que perguntar para este professor da New School for Social Research, “Quem ativa a máquina?”. A resposta destruiria a doutrina materialista da máquina.

Às vezes as pessoas falam sobre "alimentar" a máquina, como se estivesse viva. Mas, evidentemente, não está. Em seguida, às vezes as pessoas também afirmam que a máquina sofreu um "colapso nervoso". Mas como um objeto sem nervos pode sofrer um colapso nervoso? Está teoria “maquinista” foi repetida várias vezes, mas não é muito realista. Nós não temos que lidar com isto porque nenhum homem sério realmente acredita nisto.

B. A teoria fisiológica proposta pela segunda classe dos materialistas é mais importante. Esta teoria foi formulada originalmente por Ludwig Feuerbach [1804-1872] e Karl Vogt [1817-1895] nos primeiros dias de Karl Marx. Esta idéia dizia que os pensamentos e as idéias são "simplesmente" secreções do cérebro. (Nenhum filósofo materialista nunca deixou de usar a palavra "simplesmente". Que significa, “eu sei, mas eu não posso explicar”). Hoje os cientistas sabem que determinadas condições patológicas causam certas secreções, e que essas secreções causam determinadas atividades no cérebro. Mas estas secreções são quimicamente as mesmas para todas as pessoas na mesma situação e condição. Contudo, idéias e pensamentos não são as mesmas para todas as pessoas na mesma situação e condição; elas são diferentes.

Primeiro, idéias e pensamentos não são tangíveis. E segundo, os mesmos fatores externos não produzem a mesma reação em todo mundo. Uma maçã caiu uma vez de uma árvore e bateu num certo jovem [Isaac Newton]. Isto pode ter acontecido a muitos outros jovens antes, mas este acontecimento particular desafiou este jovem particularmente e ele desenvolveu algumas idéias disto.

Mas as pessoas nem sempre têm os mesmos pensamentos quando elas presenciam os mesmos fatos. Por exemplo, na escola alguns aprendem; outros não. Há diferenças nos homens.

Bertrand Russell [1872-1970] perguntou, “Qual é a diferença entre os homens e as pedras?” Ele disse que não havia nenhuma diferença, a não ser que os homens reagem a mais estímulos que as pedras. Mas na verdade há uma diferença. Pedras reagem de acordo com um padrão definido que nós podemos conhecer; podemos prever o que acontecerá a uma pedra se ela for tratada de uma determinada forma. Mas nem todos os homens reagem da mesma forma quando são tratados de determinada maneira; nós não podemos estabelecer tais categorias de ações para homens. Assim, embora muitas pessoas pensem que materialismo fisiológico é uma solução, na verdade conduz a um beco sem saída. Se realmente fosse a solução para este problema, isso significaria que, em qualquer caso, nós poderíamos saber como todos reagiriam. Não podemos sequer imaginar quais seriam as conseqüências se todo mundo soubesse o que todos os outros iriam fazer.

Karl Marx não era um materialista no primeiro sentido -- o sentido “maquinista”. Mas a idéia fisiológica era muito popular na sua época. Não é fácil saber exatamente o que influenciou Marx porque ele odiava algumas pessoas e de outras tinha inveja. Karl Marx odiava Vogt, o representante do materialismo fisiológico. Assim que materialistas como Vogt começaram a falar de política, Karl Marx disse que eles tinham idéias ruins; isso significava que Marx não gostava delas.

Marx desenvolveu o que ele pensava ser um novo sistema. De acordo com sua interpretação materialista da história, as “forças produtivas materiais" (esta é uma tradução exata do Alemão) são as bases de tudo. Cada etapa das forças produtivas materiais corresponde a uma fase definida de relações de produção. As forças produtivas materiais determinam as relações de produção, isto é, o tipo de possessão e propriedade que existem no mundo. E as relações de produção determinam a superestrutura. Na terminologia de Marx, capitalismo ou feudalismo são relações de produção. Cada um destes foi necessariamente produzido por uma fase particular das forças produtivas materiais. Em 1859, Karl Marx disse que uma nova fase das forças produtivas materiais produziria o socialismo.

Mas o que são estas forças produtivas materiais? Da mesma forma que Marx nunca disse o que era uma "classe", ele nunca disse exatamente o que são as "forças produtivas materiais”. Após analisar suas obras nós descobrimos que as forças produtivas materiais são as ferramentas e as máquinas. Num de seus livros [Misère de la philosophie — A miséria da Filosofia], escrito em Francês em 1847, Marx afirma que “a fábrica manual produz o feudalismo – a fábrica a vapor produz o capitalismo.” (3) Ele não disse isto neste livro, mas em outras obras ele escreveu que surgiriam outras máquinas que iriam produzir o socialismo.

Marx tentou arduamente evitar a interpretação geográfica do progresso, porque isso já havia caído em descrédito. O que ele disse foi que as "ferramentas" eram a base de progresso. Marx e [Friedrich] Engels [1820-1895] acreditavam que novas máquinas seriam desenvolvidas e que elas conduziriam ao socialismo. Eles alegravam-se com as novas máquinas, pensando que isso significava que o socialismo estava próximo. No livro Francês de 1847, ele criticou aqueles que davam importância à divisão do trabalho; ele afirmou que as ferramentas eram importantes.

Nós não devemos esquecer que ferramentas não caem do céu. Elas são produto de idéias. Para explicar as idéias, Marx disse que as ferramentas, as máquinas -- as forças produtivas materiais -- se refletem nos cérebros dos homens e assim as idéias surgem. Mas as ferramentas e as máquinas são, elas mesmas, o produto das idéias. Além disso, antes de existir máquinas, deve existir a divisão do trabalho. E antes de existir a divisão do trabalho, idéias definidas precisam ser desenvolvidas. A origem destas idéias não pode ser explicada por algo que só é possível numa sociedade, que é, ela mesma, produto de idéias.

O termo "materiais" fascinou as pessoas. Para explicar mudanças em idéias, mudanças em pensamentos, mudanças em todas essas coisas que são os produtos de idéias, Marx os reduziu a mudanças em idéias tecnológicas. Nisto ele não era original. Por exemplo, Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz [1821–1894] e Leopold von Ranke [1795-1886] interpretaram a história como a história da tecnologia.

É tarefa da história explicar por que determinadas invenções não foram postas em prática por pessoas que tiveram todo o conhecimento físico requerido para sua construção. Por que, por exemplo, os antigos gregos, que tiveram o conhecimento técnico, não desenvolveram estradas de ferro?

Assim que uma doutrina se torna popular, ela é simplificada de tal forma que permita a compreensão das massas. Marx dizia que tudo depende das condições econômicas. Como declarou em seu livro Francês [A miséria da Filosofia] de 1847, ele entende que a história das fábricas e ferramentas desenvolveram-se independentemente. Segundo Marx, todo o movimento da história humana aparece como conseqüência natural do desenvolvimento das forças produtivas materiais, as ferramentas. Com o desenvolvimento das ferramentas, a estrutura da sociedade muda e, conseqüentemente, tudo o mais muda também. Por tudo o mais, ele quis dizer a superestrutura. Autores Marxistas, escrevendo depois de Marx, explicaram tudo na superestrutura como resultado de mudanças definitivas nas relações da produção. E eles explicaram tudo nas relações de produção como resultado das mudanças nas ferramentas e máquinas. Isto foi uma vulgarização, uma simplificação, da teoria marxista. Marx e Engels não foram completamente responsáveis por isso. Eles criaram muitas tolices, mas eles não são responsáveis por toda a tolice de hoje.

Qual é a influência desta teoria marxista sobre as idéias? O filósofo René Descartes [1596-1650], que viveu no início do século XVII, acreditava que o homem tinha uma mente e que o homem pensa, mas que os animais eram simplesmente máquinas. Marx afirmou, naturalmente, que Descartes viveu numa época em que a "Manufakturperioden", as ferramentas e máquinas, eram tais que ele foi forçado a explicar sua teoria afirmando que os animais eram máquinas. Albrecht von Hailer [1708-1777], um Suíço, afirmou a mesma coisa no século XVIII (ele não gostava da igualdade perante a lei dos governos liberais). Entre estes dois homens, viveu La Mettrie, que também explicou homem como uma máquina. Portanto, o conceito de Marx, de que as idéias eram um produto das ferramentas e máquinas de uma determinada época, é facilmente refutado.

John Locke [1632-1704], o conhecido filósofo do empirismo, declarou que tudo na mente do homem provém da experiência dos sentidos. Marx afirmou que John Locke era um porta-voz da doutrina classista da burguesia. Isto conduz a duas deduções diferentes das obras de Karl Marx: (a) A interpretação que ele deu a respeito de Descartes é que ele vivia numa época em que as máquinas foram introduzidas e, portanto, Descartes explicou o animal como uma máquina; e (b) A interpretação que ele deu a respeito da inspiração de John Locke -- que ela veio do fato de que ele era um representante dos interesses classistas dos burgueses. Aqui estão duas explicações incompatíveis para a origem das idéias. A primeira destas duas explicações, no sentido de que as idéias são baseadas em forças produtivas materiais, as ferramentas e máquinas, é inconciliável com a segunda, a saber, que os interesses de classe determinam as idéias.

Segundo Marx, todos são forçados -- pelas forças produtivas materiais -- a pensar de tal maneira que o resultado mostre seus interesses de classe. Você pensa da forma que seus "interesses" forçam você pensar; você pensa de acordo com seus “interesses” de classe. Seus “interesses” são algo independente da sua mente e suas idéias. Seus “interesses” existem no mundo além de das suas idéias. Conseqüentemente, a produção de suas idéias não é nenhuma verdade. Antes da aparição de Karl Marx, a noção de verdade não tinha qualquer significado para todo o período histórico. O que o pensamento das pessoas produziu no passado sempre foi "ideologia", não verdade.

“Les idéologues” na França foram bem advertidos por Napoleão [1769–1821], que disse que tudo ficaria bem na França exceto para os “idéologues”. Em 1812, Napoleão foi derrotado. Ele deixou o exército na Rússia, retornou só, incógnito, e apareceu em de dezembro de 1812 em Paris. Ele jogou a culpa dos males que aconteceram ao seu país sobre os maus "idéologues", que influenciaram o país.

Marx usou ideologia num sentido diferente. Segundo Marx, ideologia era um pensamento doutrinário produzido por membros de uma classe. Estas doutrinas necessariamente não eram verdades, mas somente as expressões dos interesses classistas. Naturalmente, um dia haverá uma sociedade sem classes. Uma classe -- a classe proletária -- prepara o caminho para a sociedade sem classes. A verdade de hoje é a idéia dos proletários. Os proletários abolirão todas as classes e então virá a Idade Dourada, a sociedade sem classes.

Marx chamava Joseph Dietzgen [1828–1888] de proletário, mas Marx o teria chamado de pequeno-burguês se soubesse mais sobre ele. Oficialmente Marx aprovou todas as idéias de Dietzgen, mas em sua correspondência privada com Ferdinand Lassalle [1825-1864] ele expressou alguma discordância. Não existe lógica universal. Cada classe possui sua própria lógica. Mas, evidentemente, a lógica do proletariado é a verdadeira lógica do futuro. (Estas pessoas ficaram ofendidas quando os racistas assumiram as mesmas idéias, alegando que as diferentes raças possuem diferentes lógicas, mas a lógica dos Arianos é a verdadeira lógica) [[ Nota endireitar.org: sobre esse mesmo assunto ver o artigo Polilogismo: Karl Marx e os Nazistas ]].

A sociologia do conhecimento de Karl Mannheim [1893–1947] se desenvolveu das idéias de Hitler. Todo o mundo pensa em ideologias -- i.e., falsas doutrinas. Mas há uma classe de homens que desfruta de um privilégio especial -- Marx os denominou "intelectuais não-engajados". Estes "intelectuais não-engajados" possuem o privilégio de descobrir verdades que não são ideologias.

A influência dessa idéia de “interesses” é enorme. Em primeiro lugar, é importante lembrar que esta doutrina não afirma que os homens agem e pensam de acordo com o que eles consideram ser seus próprios interesses. Em segundo lugar, recorde que ela considera os “interesses” como independentes dos pensamentos e idéias dos homens. Estes interesses independentes obrigam os homens a pensar e agir de uma forma definida. Como um exemplo da influência que esta idéia possui sobre nosso pensamento hoje, eu poderia mencionar um Senador Americano -- não é um Democrata -- que afirmou que as pessoas votam de acordo com seus “interesses”; ele não disse de acordo com o que eles pensam ser seus interesses. Esta é a idéia de Marx -- assumindo que "interesses" são algo definido e além das idéias de uma pessoa. Esta idéia de doutrina de classe foi primeiramente desenvolvida por Karl Marx no Manifesto Comunista.

Nem Engels, nem Marx eram do proletariado. Engels era muito rico. Ele caçava raposas em um casaco vermelho -- este era o passatempo dos ricos. Teve uma namorada que ele considerava demasiado abaixo dele para pensar em se casar. Ela morreu, e a irmã dela se tornou sua sucessora. Casou-se finalmente com a irmã, mas somente quando ela estava morrendo -- somente dois dias antes de sua morte.

Karl Marx nunca ganhou muito dinheiro por si mesmo. Ele recebeu algum dinheiro como colaborador regular do jornal The New York Tribune. Mas ele foi sustentado quase completamente por seu amigo Engels. Marx não era um proletário; ele era o filho de um próspero advogado. Sua esposa, a Sra. Karl Marx [Jenny von Westphalen, 1814–1881], era a filha de um alto Junker prussiano. E o cunhado de Marx era o chefe da polícia prussiana.

Assim, estes dois homens, Marx e Engels, que reivindicaram que a mente proletária era diferente da mente da burguesia, estavam numa posição embaraçosa. Então eles incluíram uma passagem no Manifesto Comunista para explicar: “Quando o tempo chegar, alguns membros da burguesia se unirão às classes emergentes”. Porém, se alguns homens conseguem se livrar da lei de interesses de classe, então a lei não é mais uma lei geral.

A idéia de Marx era que as forças produtivas materiais conduzem os homens de uma fase para outra, até eles alcançarem o socialismo, que é o fim e o ápice de tudo. Marx disse que o socialismo não pode ser planejado com antecedência; a história cuidará dele. Na visão de Marx, esses que afirmam como o socialismo funcionará são apenas “utópicos”.

O Socialismo já estava intelectualmente derrotado no tempo que Marx escreveu. Marx contestava seus críticos afirmando que aqueles que estavam em oposição eram somente “burgueses”. Ele afirmou que não era necessário derrotar os argumentos dos seus oponentes, mas somente desmascarar sua origem burguesa. E como sua doutrina não passava de ideologia burguesa, não era necessário lidar com isto. Isto deveria significar que nenhum burguês pudesse escrever alguma coisa a favor do socialismo. Assim, todos escritores estavam ansiosos para provar que eles eram proletários. Também seria oportuno mencionar neste momento que o precursor do socialismo francês, Saint-Simon (4), era descendente de uma famosa família de duques e condes.

Simplesmente não é verdade que as invenções se desenvolvem porque as pessoas procuram finalidades práticas e não por verdades.

Quando Marx publicou suas obras, o pensamento alemão era dominado por George Wilhelm Friedrich Hegel [1770-1831], professor na Universidade de Berlim. Hegel tinha desenvolvido a teoria da evolução filosófica da história. Em alguns aspectos suas idéias eram diferentes, até mesmo opostas, das idéias de Marx. Hegel foi o homem que destruiu o pensamento Alemão e a filosofia Alemã por mais de um século, pelo menos. Ele encontrou uma advertência em Immanuel Kant [1724-1804], que havia dito que a filosofia da história só poderia ser escrita por um homem que tivesse a coragem de fingir que vê o mundo com os olhos de Deus. Hegel acreditou que ele tinha os "olhos de Deus”, que ele conhecia o fim de história, que ele conhecia os planos de Deus. Ele disse que o Geist (Mente ou Espírito) se desenvolve e se manifesta no curso da evolução histórica. Então, o curso da história é inevitavelmente o progresso do menos satisfatório para condições mais satisfatórias.

Em 1825, Hegel disse que havíamos alcançado um estado de coisas maravilhosas. Ele considerou o reino da Prússia de Friedrich Wilhelm III [1770-1840] e a Igreja da União Prussiana (Prussian Union Church) como a perfeição do governo secular e espiritual. Marx afirmou, como Hegel, que havia história no passado, mas que não haverá mais nenhuma história quando nós alcançarmos um estado que é satisfatório. Assim, Marx adotou o sistema Hegeliano, embora usasse forças produtivas materiais em vez de Geist. As forças produtivas materiais passam por várias fases. A fase presente é muito ruim, mas há uma coisa em seu favor -- ela é a fase preliminar necessária para o aparecimento do estado perfeito do socialismo. E o socialismo está próximo.Hegel foi chamado de filósofo do absolutismo prussiano. Ele morreu em 1831. Sua escola de pensamento se dividiu entre esquerda e direita. (A esquerda não gostava do governo prussiano e da Igreja da União Prussiana). Esta distinção entre a esquerda e a direita existiu desde então. No Parlamento Francês, aqueles que não gostavam do governo do rei estavam sentados no lado esquerdo do plenário da assembléia. Hoje ninguém quer sentar à direita.

Originalmente, isto é, antes de Karl Marx, o termo "direita" referia-se aos partidários do governo representativo e liberdades civis, como o oposto da "esquerda" que favorecia ao absolutismo real e a ausência de direitos civis. O aparecimento das idéias socialistas alterou o significado destes termos. Alguns da "esquerda" foram sinceros ao expressar suas opiniões. Por exemplo, Platão [427-347 AC] era honesto ao declarar que um filósofo deveria governar. E Augusto Comte [1798–1857] dizia que a liberdade foi necessária no passado, uma vez que tornou possível para ele publicar seus livros, mas agora que os livros foram publicados não há qualquer necessidade de liberdade. E da mesma forma Etienne Cabet [1788-1856] falava de três categorias de livros -- os maus livros, que deveriam ser queimados; os livros intermediários, que deveriam ser corrigidos; e os "bons" livros restantes. Portanto, houve uma grande confusão quanto às liberdades civis que seriam concedidas aos cidadãos no estado socialista. Isto aconteceu porque as idéias marxistas não progrediram em países que possuíam liberdades civis, mas em países onde as pessoas não possuíam tais liberdades.

Nikolai Bukharin [1888–1938], um autor comunista que viveu em um país comunista, escreveu um panfleto em 1917 (5), no qual ele disse: nós pedimos as liberdades de imprensa, de pensamento e liberdades civis no passado porque nós estávamos na oposição e necessitávamos destas liberdades para conquistar. Agora que nós conquistamos, não existe qualquer necessidade de tais liberdades civis. [Bukharin foi julgado e condenado à morte nos expurgos dos processos Moscou em março de 1938] Se o sr. Bukharin fosse um comunista Americano, ele provavelmente ainda estaria vivo e livre para escrever mais panfletos sobre o porquê da liberdade não ser mais necessária.

Estas peculiaridades da filosofia marxista só podem ser explicadas pelo fato que Marx, embora vivesse na Grã-bretanha, não estava tratando das condições da Grã-bretanha, onde, ele acreditava, as liberdades civis já não eram necessárias, mas com as condições da Alemanha, França, Itália, e assim por diante, locais onde as liberdades civis ainda eram necessárias. Desta forma nós vemos que a distinção entre direita e esquerda, que tiveram significado na época da Revolução Francesa, já não tem qualquer significado.

Segundo capítulo logo abaixo

Notas:

[1] A Contribution to the Critique of Political Economy (Moscow: Progress Publishers, 1859).

[2] “The Unresolved Contradiction in the Economic Marxian System” in Shorter Classics of Eugen von Böhm-Bawerk (South Holland, Ill.: Libertarian Press, 1962 [1896; Eng.Trans. 1898]), pp. 201–302.

[3] “Le moulin à bras vous donnera la société avec le souzerain; le moulin à vapeur, la société avec le capitaliste industriel.” Karl Marx, Misère de la philosophie (Paris and Brussels, 1847), p. 100.—Ed.

[4] Claude Henri de Rouvroy, Comte de Saint-Simon [1760–1825]—Ed.

[5] “The Russian Revolution and Its Significance,” The Class Struggle, Vol. I, No. 1, May–June,1917.—Ed.

Tradução: Wellington Moraes

Marxismo segundo Ludwig Von Mises II - Conflitos de Classe e Socialismo Revolucionário

Do portal MOVIMENTO ENDIREITAR, outro da série "imperdíveis"

Ludwig von Mises é um dos mais notáveis filósofos e economistas do nosso tempo. Inspirado no início de sua carreira pelo trabalho de seus professores - os grandes economistas austríacos Carl Menger e Böhm-Bawerk - Mises, por meio de uma série de pesquisas universitárias, analisou sistematicamente cada problema econômico importante, criticou erros inveterados e substituiu velhos sofismas por idéias sólidas e sadias.

Este é o segundo capítulo intitulado "Class Conflict and Revolutionary Socialism" do livro "Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction" (http://www.fee.org/library/books/MarxismUnmasked.asp)
publicado pela Foundation for Economic Education. Faz parte de uma série de nove discursos formais de Ludwig Von Mises, (1881-1973), pronunciados entre 23 de junho e 3 de julho de 1952, na Biblioteca Pública de São Francisco, São Francisco, Califórnia, num seminário patrocinado pela revista The Freeman. (Download: ZIP/PDF)


Conflitos de Classe e Socialismo Revolucionário

MARX ASSUMIU que os "interesses" eram independentes das idéias e pensamentos humanos. Ele afirmou que o socialismo era o sistema ideal para o proletariado. Disse também que os interesses de classe determinam o pensamento dos indivíduos e que esta condição provoca conflitos irreconciliáveis entre as várias classes. Marx então voltou ao ponto inicial – isto é, o socialismo é o estado ideal.

Os conceitos de "classe" e "conflito de classe” eram fundamentais no Manifesto Comunista (1848). Mas Marx não disse o que era uma "classe". Marx morreu em 1883, 35 anos depois da publicação do Manifesto Comunista. Nesses 35 anos ele publicou muitos volumes, mas em nenhum deles ele disse o que ele queria dizer pelo termo "classe". Após a morte de Marx, Friedrich Engels publicou o manuscrito inacabado do terceiro volume de O Capital (Das Kapital). Engels disse que este manuscrito, no qual Marx tinha parado de trabalhar muitos anos antes de morrer, foi encontrado na escrivaninha de Marx depois de sua morte. Num capítulo de três páginas naquele volume, Marx nos conta o que não era uma "classe". Mas você pode procurar por todas suas obras para compreender o que era uma "classe", jamais irá encontrar. Na realidade, "classes" não existem na natureza. É o nosso pensamento – nossas classificações em categorias – que constrói classes em nossas mentes. A questão não é se as classes sociais existem no sentido de Karl Marx; a questão é se nós podemos utilizar o conceito de classes sociais na forma como Karl Marx o entendia. Nós não podemos.

Marx não viu que o problema do "interesse" de um indivíduo, ou de uma classe, não pode ser resolvido simplesmente fazendo referência ao fato que existe tal interesse e que os homens têm de agir de acordo com os seus interesses. Duas questões devem ser colocadas: (1) Para que objetivos estes "interesses" conduzem as pessoas? (2) Quais métodos elas querem aplicar para atingir estes objetivos?

A Primeira Internacional foi um pequeno grupo de pessoas, um comitê de alguns homens em Londres, amigos e inimigos de Karl Marx. Alguém sugeriu que eles cooperassem com o movimento trabalhista-sindicalista britânico. Em 1865, Karl Marx leu na reunião do Comitê Internacional um documento, Valor, Preço, e Lucro (Value, Price, and Profit), uma de suas poucas obras originalmente escritas em inglês. Neste documento, ele destacou que os métodos do movimento sindical eram muito ruins e deveriam ser modificados. Parafraseando: "Os sindicatos querem melhorar o destino dos trabalhadores no âmbito do sistema capitalista - isto é inútil e desesperado. No âmbito do sistema capitalista não há nenhuma possibilidade de melhorar o estado dos trabalhadores. O melhor que o sindicato poderia alcançar deste modo seria algum sucesso de curto prazo. Os sindicatos devem abandonar esta política 'conservadora’; eles devem adotar a política revolucionária. Eles têm que lutar pela abolição da sociedade salarial e devem trabalhar para a vinda do socialismo". Marx não teve coragem para publicar este documento enquanto estava vivo; só foi publicado depois de sua morte por uma de suas filhas. Ele não quis fazer oposição aos sindicatos; ele ainda tinha esperanças que eles abandonariam suas teorias.

Aqui está um conflito evidente de opiniões entre os proletários, relativo a que meios utilizar. Os sindicatos proletários e Marx discordaram sobre o que era o "interesse" dos proletários. Marx afirmou que o "interesse" de uma classe era óbvio – não poderia haver nenhuma dúvida quanto a isto – todos conheciam este “interesse”. Então aqui surge um homem que não pertence a esta classe proletária, um escritor e advogado que informa aos sindicatos que eles estavam errados. “Esta é uma política ruim”, ele afirmou. “Vocês precisam mudar radicalmente sua política". Aqui toda a idéia de classe é destruída, a idéia de que um indivíduo, às vezes, pode errar, mas que uma classe como um todo nunca pode errar.

Críticas às doutrinas marxistas sempre foram superficiais. Eles não mostraram como Marx se contradisse e como ele não conseguiu explicar as suas idéias. A crítica de Böhm-Bawerk [1] era boa, mas ele não cobriu o sistema inteiro. Os críticos de Marx nem mesmo descobriram as contradições mais patentes de Karl Marx.

Marx acreditou na "lei férrea dos salários". Ele aceitou isso como a base fundamental da sua doutrina econômica. Ele não gostou do termo Alemão para esta lei, a "lei de bronze" dos salários, sobre o qual Ferdinand Lassalle [1825-1864] tinha publicado um panfleto. Karl Marx e Ferdinand Lassalle não eram amigos; eles eram concorrentes, competidores muito sérios. Marx disse que a única contribuição de Lassalle foi o próprio termo, a "lei de bronze" dos salários. E que, no mais, o termo, foi emprestado, emprestado do dicionário e de Goethe [2].

A "lei férrea dos salários" ainda sobrevive em muitos livros didáticos, na mente dos políticos e, conseqüentemente, em muitas das nossas leis. De acordo com a "lei férrea dos salários", a taxa salarial é determinada pela quantidade de alimentos e outras necessidades requeridas para a preservação e reprodução da vida, para sustentar os filhos dos trabalhadores até que eles próprios possam trabalhar nas fábricas. Se as taxas salariais ficarem acima disto, o número de trabalhadores aumentaria e o aumento do número de trabalhadores derrubaria as taxas salariais novamente. Os salários não podem cair abaixo deste ponto porque haveria uma escassez de trabalho. Esta lei considera que o trabalhador é algum tipo de micróbio ou roedor sem livre escolha ou livre arbítrio.

Se você pensa que é absolutamente impossível, sob o sistema capitalista, para os salários divergirem desta taxa, como você ainda pode falar, como fez Marx, sobre o empobrecimento progressivo dos trabalhadores como sendo inevitável? Existe uma contradição insolúvel entre a idéia marxista da lei férrea das taxas salariais, segundo a qual os salários permanecerão num ponto em que eles são suficientes para sustentar os descendentes dos trabalhadores até que eles possam se tornar trabalhadores, e sua filosofia da história, que sustenta que os trabalhadores serão empobrecidos cada vez mais até serem conduzidos à insurreição aberta, provocando assim o socialismo. Evidentemente, ambas as doutrinas são insustentáveis. Mesmo 50 anos atrás, os principais escritores socialistas foram obrigados a recorrer a outros esquemas elaborados na tentativa de sustentar suas teorias. O que é surpreendente é que, durante o século desde as obras de Marx, ninguém mostrou esta contradição. E esta contradição não é a única em Marx.

O que realmente destruiu Marx foi sua idéia do progressivo empobrecimento dos trabalhadores. Marx não viu que a característica mais importante do capitalismo era a produção em grande escala para as necessidades das massas; o principal objetivo dos capitalistas é produzir para as grandes massas. Nem Marx viu que sob o capitalismo o cliente sempre tem razão. Na sua condição de assalariado, o trabalhador não pode determinar o que será feito. Mas na condição de cliente, ele é realmente o chefe e fala para o chefe dele, o empresário, o que fazer. O chefe dele deve obedecer às ordens dos trabalhadores como membros do público consumidor. A Srta. Webb [3] era a filha de um próspero homem de negócios. Como outros socialistas, pensou que o pai dela era um autocrata que dava ordens para todo mundo. Ela não viu que ele estava sujeito à soberania das ordens dos clientes no mercado. A “grande” Srta. Webb não era mais inteligente que o menino mensageiro mais bobo, que só vê que o chefe dele dá ordens.

Marx não tinha nenhuma dúvida sobre quais objetivos os homens visavam. Ele também não teve quaisquer dúvidas sobre a melhor maneira de atingir estes objetivos. Como é que um homem que leu tanto e interrompe sua leitura apenas para escrever, não percebe as discrepâncias em suas idéias?

Para responder a esta pergunta, temos que voltar para o pensamento do seu tempo. Aquele foi o tempo da Origem das Espécies [1859] de Charles Darwin. Era a moda intelectual daquela época enxergar os homens apenas do ponto de vista da sua filiação na classe zoológica dos mamíferos, que agiam com base nos instintos. Marx não levou em conta a evolução da humanidade para um o nível superior ao dos homens muito primitivos. Ele considerou o trabalho não especializado como tipo normal de trabalho e o trabalho especializado como a exceção. Num dos seus livros, ele escreveu que o progresso tecnológico na melhoria das máquinas provoca o desaparecimento dos especialistas porque a máquina pode ser operada por qualquer pessoa; não há necessidade de nenhuma habilidade especial para operar uma máquina. Portanto, o tipo normal de homem no futuro será o não especialista.

No que diz respeito a muitas de suas idéias, Marx pertenceu a eras muito antigas, especialmente na construção de sua filosofia da história. Marx substituiu a evolução Hegeliana do Geist pela evolução dos fatores materiais de produção. Ele não percebeu que os fatores materiais de produção, i.e., as ferramentas e máquinas, são, de fato, produtos da mente humana. Ele afirmou que estas ferramentas e máquinas, as forças produtivas materiais, inevitavelmente provocariam a vinda do socialismo. Sua teoria foi denominada "materialismo dialético" (dialectical materialism), abreviada pelos socialistas para "diamat" (diamet em inglês).

[Num aparte, o Dr. Mises contou sobre uma visita a uma escola no México, uma "escuela socialista”, uma "escola socialista”. Mises perguntou para o reitor da escola o que "escola socialista” significava. O reitor explicou que a legislação mexicana exigia das escolas o ensino da doutrina Darwinista da evolução e do materialismo dialético. Em seguida, ele fez um comentário sobre a provisão na lei que fazia esta exigência e sobre próprio sistema escolar: “Há uma grande diferença entre a letra da lei e a prática. Noventa por cento dos professores em nossas escolas são mulheres e a maioria delas são Católicas praticantes.”]

Marx argumentou da tese à negação da tese para a negação da negação. A propriedade privada dos meios de produção por cada trabalhador individual foi o início, a tese. Este era o estado de coisas numa sociedade em que cada trabalhador ou era um agricultor independente ou um artesão que possuía as ferramentas com as quais ele estava trabalhando. Negação da tese – propriedade sob o capitalismo – quando as ferramentas já não são propriedades dos trabalhadores, mas dos capitalistas. A negação da negação foi a propriedade dos meios de produção pela sociedade inteira. Raciocinando desta forma, Marx afirmou que tinha descoberto a lei da evolução histórica. E é por isso que ele chamou isto de "socialismo científico”.

Marx rotulou todos os socialistas do passado de "socialistas utópicos” porque eles tentaram mostrar por que socialismo era melhor. Eles queriam persuadir seus concidadãos porque tinham a esperança de que as pessoas adotariam o sistema social socialista se estivessem convencidos de que era melhor. Eles eram "utópicos”, Marx afirmou, porque eles tentaram descrever o futuro paraíso terrestre. Entre os precursores de Marx, a quem ele considerou "utópicos”, estavam Saint-Simon, um aristocrata Francês; Robert Owen [1757-1858], um fabricante britânico; e Charles Fourier [1772-1837], um Francês que era, sem dúvida, um lunático. (Fourier era chamado de "tolo do Palais-Royal [4]". Ele costumava fazer declarações como “Na era do socialismo, o oceano já não será salgado, mas limonada”). Marx considerou estes três como grandes precursores. Mas, ele afirmou, eles não perceberam que o que estavam dizendo era somente “utópico". Eles esperavam a vinda do socialismo por uma mudança nas opiniões das pessoas. Mas para Marx, a vinda do socialismo era inevitável; viria com a inevitabilidade da natureza.

Por um lado, Karl Marx escreveu da inevitabilidade do socialismo. Mas por outro lado, ele organizou um movimento socialista, um partido socialista, declarou várias vezes que o seu socialismo era revolucionário, e que a subversão violenta do governo era necessária para o aparecimento do socialismo.

Marx adotou suas metáforas do campo da ginecologia. O partido socialista é como a obstetrícia, disse Marx; ele torna a vinda do socialismo possível. Quando questionados: “se vocês consideram todo processo inevitável, por que vocês não favorecem a evolução em vez da revolução”, os marxistas respondem, “Não existem evoluções na vida. O nascimento não é em si uma revolução?".

Segundo Marx, a meta do partido socialista não era influenciar, mas só ajudar o inevitável. Mas a obstetrícia influencia e muda condições. A obstetrícia realmente tem trazido progresso neste ramo da medicina, e até mesmo salvou vidas. E por salvar vidas, poderia ser dito que a obstetrícia mudou de fato o curso da história.

O termo "científico" adquiriu prestígio no decurso do século XIX. O livro Anti-Dühring (1878) de Engels se tornou um dos livros mais bem-sucedidos entre as obras filosóficas marxistas. Um capítulo deste livro foi reimpresso como um panfleto com o título "O Desenvolvimento do Socialismo da Utopia à Ciência", e teve sucesso enorme. Karl Radek [1885-1939], um comunista soviético, mais tarde escreveu um panfleto chamado "O Desenvolvimento do Socialismo, da Ciência à Ação".

A teoria da ideologia de Marx foi preparada para desacreditar as obras da burguesia. [Tomás] Masaryk [1850-1937], da Tchecoslováquia, nasceu de pessoas pobres, agricultores e trabalhadores, e ele escreveu sobre Marxismo. No entanto, os marxistas o chamam de burguês. Como ele poderia ser considerado "burguês" se Marx e Engels denominavam a si próprios de "proletários"?

Se os proletários devem pensar de acordo com os "interesses" da sua classe, o que significa então a existência de discordâncias e dissensões entre eles? A confusão torna a situação muito difícil de explicar. Quando há dissensão entre proletários, eles chamam o opositor de "traidor social”. Depois de Marx e Engels, o mais eminente homem dos comunistas foi um Alemão, Karl Kautsky [1854-1938]. Em 1917, quando Lênin tentou revolucionar o mundo inteiro, Karl Kautsky opôs-se à idéia. E por causa desta discordância, o ex-todo-poderoso homem do partido se tornou, de repente, um "traidor social". Ele foi chamado disto e de muitos outros nomes.

Esta idéia é como a dos racistas [5]. Os racistas Alemães declararam que um grupo definido de idéias políticas eram Alemãs e que todos os verdadeiros Alemães devem necessariamente pensar de acordo com este grupo particular de idéias. Esta era a idéia Nazista. Segundo os Nazistas, a melhor situação era estar num estado de guerra. Mas alguns Alemães – Kant, Goethe, e Beethoven, por exemplo – tiveram diferentes idéias “não-Alemãs". Se nem todos Alemães pensam de uma determinada maneira, quem é que vai decidir quais idéias são Alemãs e quais não são? A resposta só pode ser que uma "voz interior” é o melhor padrão, o critério definitivo. Esta postura necessariamente conduz a conflitos que devem resultar em guerra civil, ou até mesmo guerra internacional.

Havia dois grupos Russos, ambos consideravam-se proletários – os Bolcheviques e os Mencheviques. O único método para “resolver" as discordâncias entre eles era usar a força e a liquidação. Os Bolcheviques venceram. Em seguida, nas fileiras dos comunistas Bolcheviques surgiram outras diferenças de opinião – entre Trotsky [6] e Stalin – e a única maneira de resolver seus conflitos foi um expurgo. Trotsky foi forçado ao exílio, mudou-se para o México, e foi assassinado lá em 1940. Stalin não originou nada; ele voltou para o Marx revolucionário de 1859 – não para o Marx intervencionista de 1848.

Infelizmente, expurgos não acontecem somente porque os homens são imperfeitos. Expurgos são as conseqüências necessárias das bases filosóficas do socialismo marxista. Se você não puder discutir opiniões com diferenças filosóficas da mesma maneira que você discute outros problemas, você tem que achar uma outra solução – através da violência e do poder. Isto não se refere somente às divergências relativas a políticas, problemas econômicos, sociologia, lei, e assim por diante. Refere-se também aos problemas das ciências naturais. Os Webbs, senhor e senhora Passfield, ficaram chocados ao saber que as revistas e jornais Russos tratavam até mesmo dos problemas das ciências naturais partindo do ponto de vista da filosofia Marxista-leninista-estalinista. Por exemplo, se houver uma diferença de opinião em relação à ciência ou genética, isto deve ser decidido pelo "líder". Esta é a conseqüência inevitavelmente necessária do fato que, de acordo com doutrina Marxista, você não considera a possibilidade de dissensão entre pessoas honestas; ou você pensa como eu, ou você é um traidor e deve ser liquidado.

O Manifesto Comunista apareceu em 1848. Naquele documento, Marx pregou a revolução; ele acreditou que a revolução estava próxima. Ele acreditava que o socialismo seria então provocado por uma série de medidas intervencionistas e listou dez medidas intervencionistas – entre elas o imposto de renda progressivo, a abolição dos direitos de herança, reforma agrícola, etc. Estas medidas eram insustentáveis, ele disse, mas necessárias para a vinda do socialismo.

Assim, Karl Marx e Engels acreditaram em 1848, que o socialismo poderia ser atingido pelo intervencionismo. Em 1859, onze anos após o Manifesto Comunista, Marx e Engels abandonaram a defesa das intervenções; eles já não esperavam que o socialismo surgisse através de mudanças legislativas. Eles queriam provocar o socialismo por uma rápida mudança radical. Deste ponto de vista, os seguidores de Marx e Engels consideraram as medidas posteriores – o New Deal, o Fair Deal, etc... – como políticas “pequeno-burguesas”. Na década de 1840, Engels havia dito que as leis trabalhistas britânicas eram sinais do progresso e um sinal do colapso do capitalismo. Mais tarde, eles chamaram tais medidas ou políticas intervencionistas (Sozialpolitik) de muito ruins.

Em 1888 – 40 anos depois da publicação do Manifesto Comunista – uma tradução foi feita por um escritor inglês. Engels acrescentou alguns comentários a esta tradução. Referindo-se às dez medidas intervencionistas preconizadas no Manifesto, ele afirmou que estas medidas não eram apenas insustentáveis, como reivindicou o Manifesto, mas precisamente por serem insustentáveis é que eles necessariamente pressionariam cada vez mais em direção a ainda mais medidas deste tipo, até que finalmente estas medidas mais avançadas conduzissem ao socialismo. [7]

Notas:

[1] - [“The Unresolved Contradiction in the Economic Marxian System” in Shorter Classics of Eugen von Böhm-Bawerk, (South Holland, Ill.: Libertarian Press, 1962 [1896; Eng.Trans. 1898]), pp. 201–302. — Ed.]

[2] - [Marx também criticou Lassalle por usar o termo "Arbeiterstand" (estado de trabalho); Marx disse que Lassalle estava confuso, mas nunca explicou porque Lassalle estava confuso. - Ed.]

[3] - [Beatrice Webb (1858–1943), mulher de Sidney Webb (1859–1947), mais tarde senhor e senhora Passfield, British Fabians. — Ed.]

[4] - N. do T. - Fourier esperou pontualmente, durante dez longos anos, ao meio-dia, nos jardins do Palais-Royal, o benemérito que lhe financiaria a construção de Harmonia (Fourier descreveu detalhadamente, em Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire (1829), as ações que o benemérito deveria realizar: Fourier, 1973, pp.554-561).

[5] - Conferir o artigo “Polilogismo: Karl Marx e os Nazistas” em http://www.endireitar.org/content/view/192/1/content/view/84/75/ para mais detalhes; é uma tradução de um trecho do livro Omnipotent Government de Ludwig von Mises.

[6] - [Leon Trotsky (1879–1940)]

[7] - N. do T. – Em março 1850, dois anos após o Manifesto, Marx e Engels publicaram a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas, um documento que era, segundo o próprio Marx, "no fundo, nada mais que um plano de guerra contra a democracia".

Este documento “continha as proposições fundamentais do programa e táticas Marxistas".

O historiador inglês Robert Payne (Marx, Londres, 1968, p.239) afirma que "embora pouco conhecido e raramente estudada”, a Mensagem de março é "um dos documentos mais importantes e seminais do século XIX", ela "agiu como uma bomba com um fusível atrasado, explodindo só no século XX".

Na Mensagem já encontramos a orientação expressa para “levar ao extremo as propostas dos democratas” e superar as propostas em cada demanda para a reforma social, propondo uma demanda mais extrema - “ditar tais circunstâncias” aos democratas que seu papel “leve desde o princípio o germe de sua queda”. (cf. Karl Marx and Critical Examination of his Works - part 2; Leslie R. Page; Sentinel Publishing; 2000 e http://www.marxists.org/portugues/marx/1850/03/ccaliga.htm).

Tradução: Wellington Moraes

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Nossos reais patrões

Do blog ALERTA TOTAL - mais um da série "imperdíveis"
Terça-feira, Novembro 20, 2007
Por Jorge Serrão

Nossos verdadeiros “patrões” não são os EUA – como tradicionalmente sempre foi apresentado, ideocraticamente, aos brasileiros, a fim de que sempre escolhêssemos um “inimigo” errado para combater, enquanto o real inimigo nos assalta. Nossos patrões sempre foram os membros da Oligarquia Financeira Transnacional, que agem a partir da City de Londres, e que têm interfaces e parceiros na economia norte-americana.

Atualmente, essa oligarquia (que trabalha para as casas reais da Europa) trava uma batalha contra o núcleo monolítico de poder dos EUA, pela conquista da hegemonia do poder mundial. Trata-se de uma guerra assimétrica – não anunciada, pouco percebida, e não divulgada pela mídia amestrada e tradicional. A nobreza econômica européia quer recuperar o espaço perdido depois que os EUA se tornaram independentes no final do século 18 e, a partir do começo do século 20, se consolidaram como potência mundial.

A própria “invenção” da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (contando com o financiamento de muitos socialistas fabianos que fazem parte da oligarquia financeira dos banqueiros internacionais) foi uma das fórmulas para deter a ascensão dos EUA. Da mesma forma como enxugam gelo e perdem tempo e dinheiro na atual guerra inútil ao terrorismo induzido, os EUA entraram de gaiato na gelada da "guerra fria". Tanto a URSS era uma farsa que ruiu como um castelo de cartas, e o muro de Berlim foi desabado, em 1989, no exato instante que interessou aos reais controladores da economia mundial que precisavam criar uma europa unificada para liderar o processo de globalização.

Antes do apoio à revolução russa de 1917, outra forma de conter o poder norte-americano foi a criação, em 1913, do Federal Reserve Board. O famoso Banco Central dos EUA (que é uma instituição privada) foi uma invenção dos maiores banqueiros privados ingleses, que são seus acionistas originais, junto com bancos parceiros norte-americanos que comungam dos mesmos ideais de poder mundial e global. Não era à toa que o Barão M.A. Rothschild, banqueiro inglês, já pregava, no século 19: "Dêem-me o controle sobre a moeda de um país e não me interessará mais quem faz as suas leis". Os EUA não controlam sua própria moeda desde 1913. O cacete econômico que tomam agora é mera conseqüência disto.

Tudo isso só serve para mostrar que a atual crise da economia e das finanças norte-americana não é gratuita. É gerada de fora para dentro dos EUA, para minar aquele país por dentro. È preciso deixar claro que os bastidores do capitalismo assistem a uma guerra pouco percebida, na disputa pela hegemonia do poder mundial, entre a nobreza econômica européia (escorada na City de Londres) e o núcleo monolítico do poder dos Estados Unidos da América.

A grande imprensa mundial não trata dessa guerra assimétrica. O tradicional poder colonial inglês quer dar o troco nos norte-americanos pela independência de 1776. Sobretudo os ingleses, não se conformam em ter perdido suas 13 colônias que formaram uma nação a partir de princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Estes idéias foram defendidos e praticados por Lojas Maçônicas. A Maçonaria criou um país de verdade, com um núcleo monolítico de poder que é essencialmente patriótico.

Quem estudar um pouco verá as duras críticas dos primeiros presidentes dos EUA (todos maçons) aos banqueiros internacionais que mandavam no mundo naquela época. Citemos apenas dois fundadores dos EUA. James Madison, ex-presidente e principal formulador da Constituição dos EUA, comentou: "A História registra como os cambistas (banqueiros) têm usado de toda e qualquer forma de abuso, intriga, embuste e violência possíveis para manter o controle sobre os governos ao supervisionar o dinheiro e a sua cunhagem".

Thomas Jefferson, também ex-presidente e fundador dos EUA, também detonou: "Acredito sinceramente que as instituições bancárias são mais perigosas para a nossa liberdade que exércitos permanentes. Edificaram já uma aristocracia monetária que se posicionou em desafio ao governo. O poder de emissão deve ser retirado aos bancos e devolvido à população a quem verdadeiramente pertence". Jefferson deve ter rolado no túmulo quando os EUA permitiram a criação de seu banco central privado, controlado pelos grandes capitais europeus, em 1913.

Para azar dos EUA, o republicano George Bush e muitos democratas jogam contra o próprio time norte-americano. Osama Bin Laden é factóide. Os ataques terroristas contra as Torres gêmeas do World Trade Center e o Pentágono, junto com os recentes problemas no sistema de crédito, são balas atiradas pelo mesmo adversário que deseja neutralizar o poderio norte-americano. Os EUA, aparentemente, caíram direitinho nesta armadilha dos seus adversários reais.

E nós, brasileiros desinformados, somos levados ideologicamente a acreditar que os EUA são os exploradores econômicos do Brasil. Não são. A História precisa ser mais bem contada. Quem sempre explorou o Brasil foi o grande capital transnacional, comandado a partir da vontade imperial dos banqueiros ingleses. Os mesmos que, agora, tomam de assalto os EUA.

Escolher o inimigo errado é o caminho mais rápido para perder uma guerra de goleada. Nós, brasileiros colonizados, estamos perdendo a nossa batalha há muito tempo, por este e por um outro motivo muito mais sério. Não temos a capacidade de formar um núcleo monolítico de poder para criar uma Nação de verdade. Nossa ignorante “elite” política não tem capacidade de compreender tal processo e ainda forma parcerias com os inimigos reais do Brasil para manter tudo do jeito que sempre esteve. Eis a nossa maldição histórica.

Sugiro uma releitura atenta do nosso artigo de domingo passado: Calamos o Crime Organizado, ou ele nos enterra. É um breve resumo para compreender como funciona o mundo. E porque o Brasil é um país rico que é mantido artificialmente na miséria pelos poderes globais que o controlam de verdade. Entender o problema é um primeiro passo para criar a solução para resolvê-lo.

A ação da Oligarquia Financeira Transnacional pode ser “neutralizada”. Pelo menos no Brasil, pode e deve. Só temos de inverter a lógica da colonização e da dependência. Afinal, o mundo "desenvolvido" é que depende do Brasil, que fornece matéria prima estratégica, tem potencial próprio de energia, água em abundância e um grande mercado consumidor ainda a ser desenvolvido.

Nossa desvantagem é que não temos vergonha na cara e nem vontade nacional de liderar o mundo. Mas, como nada é imutável na história, quem sabe, uma hora, mudanos de postura.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

O que aconteceu de fato - O Rei e o palhaço

Consegui este vídeo comentado sobre o incidente causado pelo Hugo Chávez "de Cadeia" que nos mostra todo o ocorrido. Vejam que o palhaço ofende o Rei Juan Carlos (correção, não ofende diretamente pois alguns componentes da mesa estão visivelmente incomodados com a impostura do delirante) mas sim o palestrante, o Sr. Zapatero e o Sr. Aznar, ausente. Vejam que belo esporro ele levou, ainda mais bonito, ao meu ver, que o cala a boca que o figurante Chávez ouviu do Rei.

Ouçam o palavrório que caracteriza este tipo de monstro que teima em renascer na América Latina. É contra este tipo de criatura que temos que nos manifestar e brigar de verdade. Ali, neste evento, o Chávez tirou sua máscara. O que este cara é na verdade? Uma pessoa que sentiu inveja pela sua opção de vida, a ignorância.

O problema é que estes monstros não entendem que todo ser humano nasce ignorante e que sair desta condição é a premissa para ser um Sr. Zapatero, pois por pior que este possa ser (não tenho opinião sobre o mesmo), -lo calar-se com a luz da verdade ao colocar um espelho em frente à sua cara de demônio e exigir do infeliz que tivesse respeito pelas pessoas ausentes.

Assim se cala um demente delinquente sociopata.

Este é o amigo do Lula, este é o tipo de gente que comanda nosso continente. Tudo que eles são é fruto de suas opções de vida. Podiam estudar, aprender mas não querem.

A mídia brasileiro deu ênfase ao "cala a boca" e "esqueceu" de mostrar o início da coisa toda, bem como a fala do Sr. Zapatero, imprescindível para entendermos a cabeça de um impostor eleito e aprendermos o que é ser democrata, o que é entender o valor do respeito ao próximo, mesmo que este seja um cachorro imundo dos infernos. Duvido muito que o Sr. Zapatero falasse tão mal do Hugo como este valou do Sr. Aznar neste episódio.

Putz, no Brasil me parece que só o Olavo de Carvalho tem a coragem de falar "na lata" como fizeram o Sr. Zapatero e o Rei Juan Carlos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

FHC - A luta de PT e PSDB é política, não ideológica

Do site FALA, BRASIL
Monday, 06 December 2004
Escrito por Cristovam Buarque

Para quem acha que PT e PSDB são rivais em qualquer coisa que seja ou que um é oposição ao outro, leia o bate-papo entre Christovam Buarque e FHC escrito pelo primeiro.

Apesar das farpas de um lado e do outro, PT e PSDB marcharão juntos na política brasileira, Cristovam Buarque e Fernando Henrique Cardoso.

Foi uma longa conversa para reinterpretar o passado, analisar o presente e pensar o futuro. Com um gravador em punho, o senador petista Cristovam Buarque (DF), ex-ministro da Educação, resolveu registrar a troca de impressões com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, quando eles se reuniram, um mês atrás, em Providence, nos Estados Unidos.

O diálogo, cedido ao Globo por Cristovam, somou 50 páginas impressas, das quais foram extraídos alguns trechos.

Entrevistador e entrevistado revelam identidades. Ambos defendem um choque social e acreditam que, um dia, apesar das farpas de um lado e do outro, PT e PSDB marcharão juntos na política brasileira.

CRISTOVAM BUARQUE: A sua eleição e a do Lula não são fatos inesperados? A esquerda chegar ao poder?

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: Totalmente.

CRISTOVAM: E não é uma surpresa que tenhamos chegado ao poder sem uma proposta nova para o povo? Chegamos rebocados pela direita.

FERNANDO HENRIQUE: Surpresa não é chegar, é chegar pelas duas vias... (risos)

CRISTOVAM: Nossas brigas (PT e PSDB) não podem impossibilitar um trabalho?

FERNANDO HENRIQUE: Não discutimos nem disputamos ideologia. É poder, é quem comanda. Minha idéia para o Brasil é a seguinte: você tem uma massa atrasada no país, e partidos que representam esse atraso, clientelismo. Os dois partidos que têm capacidade de liderança para mudar isso são o PT e o PSDB. Em aliança com outros partidos. No fundo, disputamos quem é que comanda o atraso. O risco é quando o atraso se comanda. É um pouco o negócio do pacto com o diabo, do Fausto, não é? Você pode perder a sua alma nesse processo, porque o atraso pode te comandar. O risco neste momento é de vocês, do PT. De comandar um pouco o atraso e imprimir os outros nessa direção.

CRISTOVAM: Ainda é possível uma aliança PT-PSDB?

FERNANDO HENRIQUE: Acho que sim. Porque a luta é política, não é ideológica.

CRISTOVAM: Nós, do PT, fomos cooptados, ficamos lúcidos, amedrontados ou oportunistas? A nossa mudança veio de qual destes fatos?

FERNANDO HENRIQUE: Veio de tudo isso. Na campanha, é natural um certo oportunismo. Com jogada de marketing, você cria um mito, conta uma história. O meu mito era fácil, era o real, moeda, estabilidade. O Lula era ele próprio, a vida dele. Eu não estava mentindo, realmente tinha feito o real. O Lula também não, representa a ascensão de uma camada. Mas uma coisa é campanha e outra é governo. No governo, não basta paz e amor.

CRISTOVAM: Não está na hora de a gente dar um choque social no Brasil?

FERNANDO HENRIQUE: Se não fizermos alguma coisa rápido, haverá danos à democracia. Se o resultado vai muito devagar, é uma tragédia. Se não anda, pior ainda. Andar para trás é inaceitável. Eu resumiria dizendo: mais investimento em infra-estrutura e um choque social.

CRISTOVAM: Com uma carga fiscal de mais de 30% do PIB já dá para fazer...

FERNANDO HENRIQUE: Aumentou muito a arrecadação. Não entendi porque houve um aumento do superávit primário. Sou doutor nisso. Desde 1999 estou lutando com o FMI. A idéia do Fundo é sempre um pouco mais alto. Porque com o superávit atual, de 4,5%, você não paga nem os juros. Mas se for de 5%, também não vai pagar. Não precisa exagerar no superávit primário. Eu até posso dizer isso. O Lula é que não pode porque é o presidente. Os mercados caem no dia seguinte, é verdade.

CRISTOVAM: Mas para dar esse choque, não é preciso ter um compromisso (a palavra pacto não é boa)?

FERNANDO HENRIQUE: Não devemos falar de pacto porque dá má sorte. Digamos uma convergência. Tem de ser uma coisa suprapartidária. A sociedade tem de comprar a idéia. E tem que pegar gente influente na mídia, porque hoje não existe nada sem mídia. Na política atual, parafraseando Descartes (“Penso, logo existo”), é “estou na TV, logo existo”. Se você não é virtual, você não existe.

CRISTOVAM: A imprensa a gente até traz, agora a Justiça é que difícil trazer...

FERNANDO HENRIQUE: As classes dirigentes, dominantes, e mais do que as classes, as mentalidades dominantes e as culturas tradicionais estão encasteladas na Justiça.

CRISTOVAM: Em novembro de 1998, acompanhei o Lula para visitá-lo. Quando o senhor abriu a porta do apartamento residencial no Alvorada, disse: “Lula, venha conhecer a casa onde você um dia vai morar”. Foi generosidade ou previsão?

FERNANDO HENRIQUE: Não creio que tenha sido uma previsão, mas sempre achei uma possibilidade. E também um gesto de simpatia. Eu disse ao Lula naquele dia: “Temos uma relação de amizade há tantos anos, não tem cabimento que o chefe do governo não possa falar com o chefe da oposição”. Era uma época muito difícil para o Brasil.

Eu disse lá, não sei se você se lembra: “Algum dia nós podemos ter de estar juntos”. Eu pensava numa crise.

E disse ao Lula: “Não quero nada de você. Só conversar. É para você ter realmente essa noção de que num país, você não pode alienar uma força”. Lula conversou comigo no dia da posse. E foi bonita aquela posse... Na hora de ir embora, o Lula levou a mim e a Ruth até o elevador. E aí ele grudou o rosto em mim, chorando. E disse: “Você deixa aqui um amigo”. Foi sincero, não é?

CRISTOVAM: Você é adversário dele?

FERNANDO HENRIQUE: Eleitoralmente, sim. Mas tem que estar perto. Tem que saber o que o outro pensa.

Era Marx satanista?

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Norma Braga em 01 de julho de 2006

Resumo: As duas histórias de Karl Marx – a de sua vida e a de suas idéias – são reveladoras do quanto marxismo e demonismo se entralaçam inequivocamente.

© 2006 MidiaSemMascara.org

Segundo Richard Wurmbrand, autor de Marx & Satan ("Era Karl Marx um satanista?"), Karl Marx não visava em primeiro lugar a tão propalada igualdade comunista, mas sim a destituição de Deus de seu lugar na sociedade e no coração das pessoas. A julgar por uma das mais eficientes devastações que o comunismo empreendeu onde quer que fosse implantado - a da fé (conforme as histórias da Rússia, da Coréia do Norte, da Albânia, da China, de Cuba etc.) - , isso não parece tão longe da verdade. De fato, todas as expressões concretas do comunismo, além de não cumprirem com o que prometiam, combateram a religiosidade de modo tão eficaz que engendraram um povo descrente ou alienado da transcendência divina, além de uma cruel perseguição aos fiéis remanescentes.

Porém, não apenas os resultados diretos da implantação de regimes comunistas atestam a centralidade do combate à fé. Muitos aspectos da vida de Marx demonstram uma consciente intenção de opor-se a Deus e uma direta influência demoníaca, desde sua juventude. O que impulsionou Marx para o comunismo não foi uma inclinação altruísta, conforme reza a lenda. É o que explica Wurmbrand: "Não há evidências para a crença de que Marx mantinha nobres ideais com relação à humanidade e teria adotado uma postura anti-religiosa por ter visto a religião como obstáculo a esses ideais. Do contrário, Marx odiava qualquer noção de Deus ou deuses e estava determinado a ser o homem que ia tirar Deus do cenário - tudo isso antes de abraçar o socialismo, que seria apenas a isca para que proletários e intelectuais adotassem para si esse intento demoníaco." Uma das evidências disso é que o primeiro mestre comunista de Marx, Moses Hess, era também satanista.

Um de seus biógrafos, Robert Payne, endossa as afirmações de Wurmbrand ao mencionar um conto infantil inventado por Marx, relatado por sua filha Eleanor: a história interminável de Röckle, um mago infeliz que vendia relutantemente seus brinquedos ao diabo por ter feito um pacto com ele. Diz Payne: "Sem dúvida essas historietas sem fim eram autobiográficas. Marx tinha a visão do Diabo sobre o mundo, e a mesma malignidade. Às vezes parecia saber que cumpria tarefas do mal."

Impressiona o fato de não se achar em suas cartas a Engels expressões do desejo de justiça social, mas sim preocupações com dinheiro (Engels o sustentava) e com heranças vindouras, acompanhadas de linguagem obscena e maldosas referências à morte iminente de parentes ricos - um tio que ele chama de "cão velho", por exemplo, cujo falecimento é finalmente celebrado pelos dois correspondentes. A mesma frieza é percebida no modo sucinto como relata a Engels a morte da mãe: "Chegou um telegrama há duas horas dizendo que minha mãe morreu. O Destino precisou levar um membro da família. Eu mesmo estou com um pé no túmulo. Pelas circunstâncias, sou mais necessário que a velha mulher. Preciso ir a Trier para ver a herança." É de se notar especialmente esse tom de quem se refere a uma instância superior de decisão - não Deus, mas o Destino - atribuindo-lhe ares de sabedoria cósmica ("sou mais necessário").

Quando novo, suas cartas ao pai já atestavam que, embora tivesse recebido educação cristã, afastara-se resolutamente da fé. Escreveu: "Uma cortina caiu. Meu santo dos santos foi partido ao meio e novos deuses tiveram de ser instalados ali." Enviou-lhe como presente de aniversário poemas de teor bastante anti-religioso:

Por ter descoberto o altíssimo
E por ter encontrado maiores profundezas através da meditação
Sou grande como Deus; envolvo-me em trevas como Ele
Perdi o céu, disto estou certo
Minha alma, antes fiel a Deus,
Está marcada para o inferno


Seu companheiro Mikhail Bakunin, com quem criou a primeira Internacional Comunista, escreveu loas a Satanás de modo flagrante, vinculando-o estreitamente aos objetivos comunistas:

"O Supremo Mal é a revolta satânica contra a autoridade divina, revolta em que podemos ver o germe fecundo de todas as emancipações humanas, da revolução. Socialistas se reconhecem pelas palavras 'No nome daquele a quem um grande erro foi feito'."
"Satanás [é] o rebelde eterno, o primeiro livre-pensador e o emancipador de mundos. Ele faz com que o homem se sinta envergonhado de sua bestial ignorância e de sua obediência; ele o emancipa, estampa em sua fronte o selo da liberdade e da humanidade, instando-o a desobedecer e comer o fruto do conhecimento."

"Nessa revolução deveremos acordar o Diabo nas pessoas, estimular nelas as paixões mais vis. Nossa missão é destruir, não edificar. A paixão da destruição é uma paixão criativa ."

A positivação do Diabo como o libertador do homem – que, tal como Prometeu, teria contribuído diretamente para que acedêssemos ao conhecimento que o próprio Deus nos negara – parece ter criado raízes na intelectualidade universitária, de tal forma que esta já é noção comum em alguns círculos. No entanto, é interessante notar que esse "Satanás Prometeu", indissociável dos primórdios do comunismo, não passa de um erro teológico grave, que deixa de considerar que a árvore do fruto proibido não portava o conhecimento tout court, a ciência, mas sim (e basta checar Gênesis 2:17 para confirmá-lo) o conhecimento do bem e do mal. A bela lição judaica desse excerto bíblico é que, ao fazer a escolha de conhecer o bem e o mal sem a permissão (logo, a ascendência) de Deus, o homem não consegue se dominar e praticar sempre o bem – ensinamento que traz luzes inequívocas para a relação entre transcendência e moralidade. Sobre isso, é patente a profundidade no tratamento do tema do mal na obra da filósofa judia Hannah Arendt, A condição humana, e do romancista cristão Dostoiévsky, com sua aguda consciência de que, sem Deus, "tudo é permitido". Se é difícil, diante disso, evitar a conclusão de que o esquerdismo se imiscuiu na vida acadêmica portando em si toda a pulsão destrutiva anticristã que hoje caracteriza o meio, menos ainda se pode mascarar a associação dessa revolta contra Deus, presente nos escritos de Bakunin e Marx, à ausência de freios morais que caracterizou todos os regimes comunistas de que se teve notícia.

A vida de Marx é recheada de comportamentos inadmissíveis e acontecimentos trágicos, assim como ocorre com todos os que se envolvem de perto com o demônio. Vivia às custas de Engels e da herança de parentes, embora pudesse se sustentar com seu conhecimento de línguas e a formação especializada, um doutorado em filosofia. Sua esposa abandonou-o duas vezes, voltando sempre, e ele sequer compareceu a seu funeral. Três de seus filhos pequenos morreram de desnutrição, sendo que pelo menos um deles, segundo a própria esposa de Marx, foi vítima dos descuidos do marido com relação ao sustento da família. Tivera ainda um filho com a empregada, negado e tratado como se fosse de Engels - que revelou o engodo em seu leito de morte a uma das filhas de Marx, com a preocupação de que ela não endeusasse o pai. Tinha, com essa, três filhas, que morreram novas: duas delas, do cumprimento de pactos de suicídio com os maridos (um deles se arrependeu e não cumpriu o ato). Os livros que escreveu, além de trazer uma linguagem vociferante de ódio, vinham recheados de dados inventados e citações falsas de autores como W.E. Gladstone e Adam Smith - distorções consideradas intencionais por pesquisadores de Cambridge, não fruto de displicência. Era dado a bebedeiras e irascível muito além do limite da tolerância: perdia amizades facilmente. Pessoas de sua convivência lhe atribuíram diversas vezes o epíteto "ditador" e um coração rancoroso. O próprio Bakunin no final declara: "Marx não acredita em Deus mas acredita bastante em si mesmo e faz todo mundo o servir. Seu coração não é cheio de amor, mas de rancor, e ele tem muito pouca simpatia pela raça humana." Fiel ao sábio princípio de não separar o pensamento do autor de sua biografia, Paul Johnson comenta de modo dramático as conseqüências da herança marxista na Rússia e na China: "No devido tempo, Lênin, Stálin e Mao Tsé-Tung puseram em prática, numa imensa escala, a violência que Marx trazia em seu íntimo e que transpira em sua obra."

Escrevo sobre Marx e já me vem à mente a história de Stálin contada por sua filha, Svetlana Alliuyeva. Em Vinte cartas a um amigo, ela realiza uma crescente e emocionada catarse ao falar de sua infância e juventude. Presenciou o devastamento de seus entes queridos, alvo das desconfianças obsessivas do pai. Quando não eram assassinados por supostas traições ao regime - parentes próximos, como seus tios, e também amigos íntimos da família -, sucumbiam a gigantescas pressões de morte, seja progressiva (seu irmão alcoólatra) ou imediata (o suicídio de sua mãe aos 30 anos). Na última carta, uma frase sua em especial assusta pela desolação com que constata: "Em torno de meu pai havia uma espécie de círculo negro - todos os que caíam em seu interior pereciam, destruíam-se, desapareciam da vida..." Examinando-se de perto a vida de Karl Marx e o posterior desenvolvimento do marxismo, tem-se a impressão de que o mesmo poderia ser dito dele, sem temor algum de exageros.

Intuindo o quanto a Rússia adotaria seus princípios, pouco antes de morrer Marx manifestava orgulho especial pela recepção de suas obras no país. Décadas mais tarde, o impressionante slogan soviético "Banir os capitalistas da terra e expulsar Deus do céu" não só confirmaria essa intuição, mas, principalmente, tornaria flagrante a missão do projeto marxista desde estados embrionários: destruir a fé em Deus. Em países como o Brasil, essa anti-religiosidade tem sido amenizada para passar a falsa impressão de um comunismo mais conforme à necessidade humana de transcendência, algo indissociável de nossa cultura. No entanto, as duas histórias de Karl Marx – a de sua vida e a de suas idéias – são reveladoras do quanto marxismo e demonismo se entralaçam inequivocamente. É estudar para saber.

Fontes:

. Alliyueva, Svetlana. Vinte cartas a um amigo: as memórias da filha de Stálin . Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1967.
. Johnson, Paul. Os intelectuais. Rio de Janeiro, Imago, 1988, capítulo 3, p. 64 a 94.
. Wurmbrand, Richard. Marx & Satan. Living Sacrifice Book Co, 1986, capítulo 2, p. 20 a 35.

Leia também:

http://revista.libertaddigital.com/articulo.php/1276227483
http://www.vozmartir.org/catalogo/produto.asp?iType=19&offset=3
http://www.marianland.com/marx01.html

Estuprada e mal paga

Do blog JANER CRISTALDO

Para fazer pensar quem ainda acha que devemos algum respeito maior aos muçulmanos do que a nós mesmos e à nossa cultura ocidental...

Uma mulher estuprada quatorze vezes por um grupo de homens foi condenada a duzentas chibatadas e seis meses de prisão por uma corte de apelação na Arábia Saudita. A justificativa da sentença foi a vítima ter infringido as leis de segregação sexual no país e tentar chamar a atenção da mídia para o caso. É o que nos dizem os jornais de hoje.

A mulher de 19 anos foi violentada, há um ano e meio, por homens de uma tribo sunita na cidade de Al-Qatif, região leste da Arábia Saudita. Inicialmente, os estupradores foram condenados a cinco anos de prisão. A vítima, que havia estado no carro de um homem desconhecido antes do ataque, recebeu uma pena de 90 chibatadas. Quando a mulher recorreu da sentença, foi acusada pelos juízes de tentar influenciar a decisão da corte através da mídia. Por isso, sua pena mais do que dobrou, chegando a duzentas chibatadas mais a prisão.

Sete homens sunitas foram considerados culpados pelo crime. A Arábia Saudita veta qualquer tipo de associação entre homens e mulheres não relacionados entre si. Além disto, em pleno século XXI, proibe que mulheres dirijam e as obriga a se cobrirem dos pés à cabeça. Os juízes decidiram punir a vítima porque ela teria tentado influenciar o poder judiciário pela mídia. O advogado da vítima foi suspenso do caso, teve sua licença confiscada e enfrenta processo disciplinar. Ou seja, você é violentada e não tem sequer o direito de reclamar publicamente.

Mulheres estupradas e condenadas a duras penas nos países muçulmanos é um tipo de notícia que está virando monótono. Entidade alguma ligada à defesa dos tais de Direitos Humanos denuncia a Arábia Saudita junto a tribunais internacionais por crimes contra a humanidade.

A Arábia Saudita tem petróleo para dar e vender.

Múmias temem virar pó ou porque Luis Fernado Veríssimo é um #$%@&¨##%¨#, nada mais, nada menos...

Do blog do JANER CRISTALDO

Para quem acha que esta pessoa que sempre deu ao cheiro das fezes um certo "ar de perfume", leiam esta...

Luis Fernando Verissimo, ao que tudo indica, ainda deve estar em estado de choque com a reportagem de Veja sobre os 40 anos da morte de Che Guevara. A bem da verdade, até eu estou perplexo. Pois nestas últimas quatro décadas as redações sempre esteve dominada pelas esquerdas, até mesmo em jornais tidos como de direita. A reportagem de Veja rompeu com meio século de silêncio em torno aos assassinatos do bandoleiro argentino.

Eu, no entanto, estou agradavelmente perplexo. Não é o caso de Verissimo. Em entrevista aberta à platéia, ontem, no Memorial da América Latina, o escritor analisou a mudança ideológica dos jornalistas. E desenvolveu uma bizarra teoria para explicá-la:

- Antigamente, as redações tinham máquinas de escrever. Era um barulho infernal. Tenho até uma teoria para explicar essa mudança da esquerda para a direita nas redações. Nos últimos anos, os jornais e as revistas brasileiras deram uma guinada à direita. Mas, quando comecei no jornalismo, todos nós éramos de esquerda. A gente aceitava o fato de ser direita quando era do editor pra cima. Hoje, é o contrário. Do editor pra baixo, os jornalistas preferem ser de direita. Isso tem muito a ver com a mudança das máquinas de escrever para os computadores. Como as redações eram barulhentas e agitadas, os jornalistas se identificavam mais com os trabalhadores das fábricas. Hoje, com os computadores, as redações parecem bancos. Limpas, aquele silêncio... Sei que é uma teoria meio forçada...

Ou seja, a máquina de escrever induz a uma produção de jornalismo de esquerda. Já o computador, este leva os profissionais a um pensamento de direita. Vou até dar uma achega à teoria do cronista. Vai ver que isto ocorre porque os computadores são basicamente um produto do imperialismo ianque. Provavelmente vêm com algum vírus embutido que empurra o pensamento do jornalista para a destra. Fossem os PCs um achado da finada União Soviética, provavelmente só produziriam textos de sinistra.

O mundo mudou e o cronista não viu. Com a queda do Muro, o desmoronamento da URSS e a penúria de Cuba, o comunismo virou mala-sem-alça. Antes de 90, existia ainda uma poderosa máquina publicitária que mantinha em formol um cadáver já rumo à putrefação. No Ocidente – confortavelmente distanciado daquelas tiranias – não faltavam intelectuais que faziam carreira e fortuna em cima dos “nobres ideais” do socialismo. Em verdade, os ideais não deixavam de ser nobres. Os métodos é que eram vis e tirânicos.

A massa de informações que está vindo à tona com a abertura dos arquivos de antigos países comunistas não mais permite absolver tiranos como Stalin, Lênin, Mao, Hodja, Ceaucescu, Pol Pot. Quem, há 50 anos, ousaria acusar estes assassinos de assassinos. Houve escritores corajosos, é verdade, já nos anos 30, que ousaram denunciar os crimes do stalinismo. Mas foram apedrejados pela imprensa internacional e tidos como inimigos da humanidade. Hoje, estão surgindo excelentes biografias destes ditadores e seus massacres não podem mais ser ignorados.
Verissimo se diz um gaúcho desnaturado, que não gosta de lembrar da última vez em que montou num cavalo. Antes continuasse montando cavalos e não tivesse feito carreira montado no pensamento assassino que dominou o século passado. Costumo afirmar que múmia não se dobra. Se dobrar, se esfarela. Múmias como Veríssimo, Niemeyer, Ariano Suassuna, Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony continuarão sempre cultuando – aberta ou secretamente – o Paizinho dos Povos. É claro que Verissimo não pode conferir razão a estes novos jornalistas, que ele qualifica como de direita. Dar-lhes razão equivaleria a afirmar: tudo o que escrevi é lixo. Um jovem ainda tem tempo pela frente para chegar a esta constatação. Um macróbio, não.

Mas a constatação do cronista é reconfortante. Como pessoa ligada aos meios de comunicação, está sentindo que sua era morreu junto com o stalinismo. Restam focos da infecção mundo afora, é verdade. Mas marxismo é bandeira que não mais se sustenta.

Os jovens que hoje escrevem nas redações de jornais, sem estarem atados a uma carreira ou obras escoradas no totalitarismo, renderam-se finalmente ao óbvio. Múmia que é múmia não se rende. Arrisca virar pó.

Da estrada às linhas telefônicas, passando pelos "orkuts" da vida, tudo que fazemos envolve alguma rede

Do blog TUBO DE ENSAIOS

Achei esse vídeo hoje (abaixo), num texto da coluna Sociedade em Rede, do Le Monde Diplomatique, assinado por Dalton Martins e Hernani Dimantas, de titulo "Construções inteligentes e transformação do mundo":

O vídeo da Common Craft (www.commoncraft.com/show) me causou a seguinte sensação: podemos ficar reclamando das novas tecnologias e das novas formas de se relacionar, dizendo que no passado era assim, muito melhor. Podemos até mesmo não aderir a elas.

Mas podemos também escolher as formas como utilizaremos esse universo, ter acesso a uma infinita gama de informações valiosas, como aqueles filmes antigos que você não acha em lugar nenhum, trechos daquele livro que você precisa citar e já não é mais editado, ouvir aquela banda gaúcha que não toca nas rádios.

Hoje não é necessário ser cineasta para fazer um filme, ou ser jornalista para escrever matérias ou textos. A internet nos oferece recursos cada vez mais avançados para que descubramos o artista e a opinião que existe em cada um de nós (o tubodeensaios é um desses casos).

A Múmia, o Cínico e o Psicopata

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Ipojuca Pontes em 19 de novembro de 2007

© 2007 MidiaSemMascara.org

Resumo: Eles são hoje, na América Latina, os agentes do mal. Os três atuam em conjunto, dia e noite, sem descanso. Eles são: a Múmia, o Cínico e o Psicopata.

Eles são hoje, na América Latina, os agentes do mal. Os três atuam em conjunto, dia e noite, sem descanso. Eles são: a Múmia, o Cínico e o Psicopata. Embora muitos ignorem, o fato é que o casamento da Múmia com o Cínico - firmado durante a primeira reunião do Foro de São Paulo em 1990, logo depois da derrocada da União Soviética - gerou a figura do Psicopata, um tipo cujo estado mental, caracterizadamente doentio, transformou-se num completo Sociopata.

A Múmia, sobrevivente em estado de aguda morbidez, em vez de se decompor pela putrefação, enrijeceu os tecidos do corpo descarnado levado pelo desejo de contaminar o mundo à sua volta com o vírus do mal. Tal qual Satã na tradição primitiva, a Múmia procura há meio século, travestido de anjo, semear o ódio na alma dos seus contemporâneos, sempre querendo impor sua vontade insana. Seu vício predileto é o trovejar loas à “la revolución”, de per si um embuste falacioso, que serve, no máximo - em nome de um amanhã hipotético -, de ferramenta para tornar a escassa luminosidade do presente na absoluta escuridão do porvir.

Com efeito, prometendo ao seu povo um mundo de glória, riqueza e liberdade, a Múmia terminou por reduzi-lo ao mais lastimável patamar de desgraça, miséria e escravidão. Do seu reino, transformado em ilha-cárcere banhada de sangue por todos os lados, poucos podem sair, salvo os apaniguados da corte que se louva comunista. Os que procuram escapar do seu paraíso infernal, saturados de promessas que nunca se cumprem, logo se tornam parias ou prisioneiros levados à morte pela tortura, vergonha, inanição ou o “paredón”. Sim, com a Múmia, ao contrário do que ensina Jesus Cristo, não há remissão.

O “companheiro de viagem” mais antigo da Múmia é, no espaço continental, a figura do Cínico. De fato, os dois se entendem admiravelmente bem. Quando juntos, o Cínico chora nos braços da Múmia e a Múmia, por sua vez, sempre leva “algum” da algibeira do Cínico. E embora os métodos do Cínico, à frente do seu desditoso reino, sejam aparentemente menos virulentos, os seus objetivos são idênticos aos da Múmia. Pela ordem, o Cínico deseja: apropriar-se do aparelho estatal; permanecer eternamente no poder; “recuperar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”; aumentar a carga tributária; gozar à tripa forra os infinitos privilégios do poder sustentados pelo suor da patuléia ignara.

Para conquistar tais objetivos, que em parte já os atingiu, o Cínico tem se mostrado competente. Diga o que se disser, assessorado por uma trupe bem escolada, regado à Romanée-Conti (R$ 11 mil, a garrafa), ele topa qualquer parada: diz uma coisa agora, desmente amanhã, inverte, subverte, tripudia, fecha os olhos, os ouvidos - e vai adiante com o projeto de viabilizar, ao lado da Múmia e do Psicopata (vá lá, Sociopata), a Pátria Grande – que outra coisa não é se não a tenebrosa União das Repúblicas Socialistas da América Latina.

Malandro esperto, o Cínico proclama que é contra o exercício de um terceiro mandato presidencial e se diz solidário à ordem democrática. Mas, intramuros, por debaixo do pano, permite que cupinchas e aliados políticos articulem emenda constitucional que autoriza o presidente a promover plebiscito nacional para regulamentar mais de uma reeleição. Todavia, vez por outra, sem temer a oposição (da qual zomba às claras) no seu jogo de puxa-encolhe, o Cínico não se faz de rogado e mostra a que veio. Por exemplo: em entrevista concedida à imprensa argentina, foi explicito: “Eu e o Chávez estamos na mesma corrida. Ele corre numa Ferrari a 200 km enquanto eu corro num fusca a 60 km, tendo em vista as diferenças das relações surgidas em nossos países”.

Peça de um matreiro balão-de-ensaio, fiel cumpridor das resoluções aprovadas anualmente por 180 organizações esquerdistas no Foro de São Paulo (e na grana fácil que o petróleo lhe empurra), o Psicopata não mede palavras ou gestos ao executar o papel para o qual foi concebido: o de se portar como ponta-de-lança da nova revolução comunista na América Latina.

Herdeiro de Satã, o Psicopata passa o seu rolo compressor totalitário por cima de tudo e de todos. Em âmbito interno, dentro do próprio feudo, prende e arrebenta os antagonistas, aniquila a liberdade de expressão, controla a Assembléia Nacional, domina o sistema judiciário e cala a imprensa.

Sua última façanha, depois da pretensão de estabelecer o fim do limite para as reeleições presidenciais, é a criação de cinco novos tipos de propriedade, a vigorar na constituição “bolivariana” da Venezuela: 1) a social, pertencente ao povo e controlada pelo estado; 2) a coletiva, pertencente a grupos sociais ou comunitários, mas sob o controle do estado; 3) a mista, com participação do setor privado e do estado, mas sob o controle deste; 4) a pública, administrada pelo governo; 5) a privada, que poderá ser confiscada quando afetar os direitos de terceiros ou da sociedade. De quebra, a pretexto de enfrentar uma imaginária “invasão ianque”, o Psicopata parte para a corrida armamentista, com gastos acima de U$ 10 bilhões na compra de armas e aviões russos, cujo objetivo real é abastecer às FARC e desestabilizar a Colômbia.

O filho do escritor peruano Vargas Llosa, Álvaro, numa entrevista concedida à Veja, divide entre “carnívoros” e “vegetarianos” os integrantes da esquerda revolucionária na América Latina. Para ele, a Múmia e o Psicopata seriam “carnívoros”, enquanto o Cínico, mais light, não passaria de “vegetariano” – um risco, portanto, tolerável. Bobagem. Álvaro Llosa, como o próprio pai, está por fora. O Psicopata, rebento dileto da Múmia e do Cínico, funciona no esquema como um chamariz. Como diria a Múmia, não se faz revolução no pedaço sem se contar com a adesão do Cínico e seu país continental.

wibiya widget

A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".