Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade, mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e contigo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Brasil rumo ao socialismo - obra do FORO DE SÃO PAULO
Terça-feira, Julho 24, 2007
PT discute rumos da política continental em encontros camuflados com Chávez, Fidel e até as FARC (FORO DE SÃO PAULO)
Com o fim da guerra fria, o mundo pôde respirar em paz. As tensões entre Estados Unidos e União Soviética, que por décadas causaram angústia generalizada, haviam terminado. Para muitos, a dissolução da URSS simbolizaria não apenas o fim do conflito, mas uma espécie de atestado de óbito do pensamento comunista. A história provou o contrário, transcorridos 17 anos após a queda do muro de Berlim, o folhetim revolucionário recuperou sua força, tendo fortes bases na América Latina, Ásia, e em parte da Europa.
Tal ascensão não é fruto do acaso. Na América Latina, onde já se começa a colher os primeiros frutos, a esquerda se organizou para coordenar e unificar forças, viabilizando sua reestruturação.
O Foro de São Paulo
Em 1990, frente ao colapso da União Soviética, o atual presidente Lula e o líder cubano Fidel Castro convocaram partidos e entidades da esquerda latino-americana para uma reunião na cidade de São Paulo. Além do próprio PT e do Partido Comunista de Cuba, atenderam ao chamado diversos partidos e guerrilhas como o Exército de Libertação Nacional (ELN, Colômbia); as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua. O evento, que passou a ser repetido em diversas cidades, recebeu o nome de Foro de São Paulo (primeira cidade a sediá-lo).
O início da década de 90 foi péssimo para a esquerda internacional. O desmoronamento da URSS externou o sucateamento do sistema adotado. O Foro de São Paulo constituiu um instrumento fundamental para a reorganização do movimento comunista, contribuindo para elaboração de metas e ações em comum. As FARC, em saudação que enviou à XIII Reunião do Foro de São Paulo, em El Salvador, salientou a importância do Foro: “...É nesse preciso momento que o PT lança a formidável proposta de criar o Foro de São Paulo, trincheira onde nós pudéssemos encontrar os revolucionários de diferentes tendências, de diferentes manifestações de luta e de partidos no governo, concretamente o caso cubano”.
Valter Pomar, secretário de relações internacionais do PT, diz que o Foro de São Paulo tinha como objetivo tático “resistir ao neoliberalismo”. A longo prazo, segundo ele, uma das metas é unificar a América Latina com a construção de uma instituição política supra-continental, com Parlamento e moeda comum.
Quando teve início em 1990, apenas um membro do Foro de São Paulo era chefe de estado, Fidel Castro em Cuba. Atualmente, entre membros e apoiados pelo Foro, existem nove: além de Fidel, há Lula (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua), Rafael Correa (Equador), Tabaré Vazquez (Uruguai), Michele Bachelet (Chile) e Néstor Kirchner (Argentina).
Controvérsias
O PT afirma que as reuniões são apenas foros de debate, não um sistema de coordenação política internacional. Porém, nas declarações emitidas ao fim de cada encontro, são apresentadas inúmeras resoluções, ou seja, decisões de caráter deliberativo, assinadas por todos os membros participantes. Segundo Graça Salgueiro¹, jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista, “o coração e o cérebro do Foro de São Paulo residem no Grupo de Trabalho que se reúne uma ou duas vezes ao ano, com o objetivo de traçar as metas para os encontros anuais do Foro. Essas metas são mais tarde debatidas nos Encontros e de lá saem as resoluções que vão ser postas em prática, em ações coordenadas, por todos os países membros do Foro”.
Alejandro Peña Esclusa², presidente da associação civil venezuelana Fuerza Solidaria, disse que o Foro de São Paulo possui profundas contradições. Segundo ele, o FSP condena “o crime organizado, o terrorismo e o narcotráfico”, porém, omite que entre seus membros fundadores encontra-se as FARC e o ELN, ”organizações criminosas e terroristas que se financiam com o narcotráfico e o seqüestro”. Esclusa afirma ainda que o Foro defende a ‘independência e a soberania’ das nações latino-americanas e, ao mesmo tempo, critica ‘a intervenção estrangeira, a subordinação e o colonialismo’ porém, não diz que o “castro-comunismo exporta sua revolução ao resto do continente e influi notavelmente sobre seus aliados”.
Vale acrescentar que, ao mesmo tempo em que deseja a construção de uma “América Latina e caribenha de soberania, democracia e igualdade”, o Foro de São Paulo presta apoio ao regime Cubano e à guinada autoritária de Hugo Chávez na Venezuela.
Negligência ou auto-censura?
Apesar da grande relevância que possui, o evento é pouco divulgado. O assunto é tratado como tabu pela grande mídia e pelo PT. Em 2005, quando a revista Veja publicou a matéria “Os tentáculos das FARC no Brasil”, acusando o PT de ter recebido cinco milhões de dólares para campanha eleitoral proveniente das FARC, o Foro de São Paulo até chegou a ser mencionado, só que indiretamente,“os contatos políticos entre petistas e guerrilheiros das Farc são antigos. Começaram em 1990, quando o PT realizou um debate com partidos políticos e organizações sociais da América Latina e do Caribe para discutir os efeitos da queda do Muro de Berlim”.
Segundo o presidente da república, é importante manter o FSP longe do domínio púlbico. No discurso que fez em 2005, em virtude das comemorações de 15 anos do Foro de São Paulo, Lula ressaltou que o Foro é um instrumento útil para “conversar sem que parecesse” e sem que as pessoas entendam qualquer interferência política. Exemplificando, ele cita a crise política da Venezuela em 2004, afirmando que graças às relações de Hugo Chávez com o Foro, foi possível chegar a uma solução pacífica, com a elaboração do referendo que consolidou Chávez no governo.
Por trás das câmeras
Em 2005, no XII Foro de São Paulo, o presidente Lula fez um discurso homenageando o evento, que comemorava quinze anos de existência. Confira um trecho do pronunciamento:
“Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990 quando éramos poucos, desacreditados e falávamos muito.
Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranqüila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.
Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.”
Ao mesmo em que confirma a utilização do Foro para ingerência na política interna de outros países (elaborando o referendo que consolidou Chávez no poder, por exemplo), o presidente Lula confessa que toma decisões políticas longe da opinião pública brasileira.
Seu diálogo com os países vizinhos, pautado pelo “companheirismo”, pode trazer prejuízos à nação. Segundo o sociólogo Rodorval Ramalho, da Universidade Federal de Sergipe, “Lula foi completamente subserviente em relação à crise do gás boliviano. Totalmente passivo. O governo dele, outro dia, quebrou a patente de um remédio sem nenhum processo de negociação. Puro jogo de marketing, para dizer que multinacionais não mandam nas nossas políticas. Quando Evo Morales expropriou a Petrobras e nos humilhou, Lula e sua tropa no Itamaraty montaram toda uma estratégia para minimizar o problema. Como não temos oposição no Brasil, ficou por isso mesmo”.
Pressão governamental
Em 2002, numa rara exceção ao silêncio midiático a respeito do Foro de São Paulo, Bóris Casoy interrogou o presidenciável Lula³ sobre o eixo Chávez-Lula-Fidel, tendo como fonte as denúncias feitas pelo professor americano do Hudson Institute, Constantine Menges, e pelo poeta cubano Armando Valladares. O atual presidente, visivelmente tenso, preferiu atacar, dizendo que a denúncia era uma “piada de mau gosto” vinda de um “picareta de Miami” (referindo-se ao escritor cubano). Por fim, aconselhou Bóris a não repetir isso na televisão. O assunto não teve maior repercussão na mídia brasileira e não foi alvo de investigação. Lula ganhou as eleições.
Em junho de 2005, Bóris Casoy afirmou que o governo pressionava constantemente a emissora, pedindo por sua demissão, “no começo da administração do PT, pressionaram a direção violentamente para me tirar da Record. Ameaçaram cortar a publicidade. A diretoria me deixou a par o tempo todo”. Aparentemente, em dezembro do mesmo ano, a emissora cedeu. Casoy foi dispensado da Record onze meses antes do término do contrato. Sua demissão, juntamente com uma reformulação na grade de programação, coincidiu com um aumento de verbas publicitárias do governo. De janeiro a novembro de 2006, a Record recebeu R$ 61,2 milhões em verbas publicitárias estatais. O valor corresponde a um aumento de 12,1% sobre o ano de 2005. O planalto e a rede televisiva negaram na época as acusações de interferência política.
Atentado à soberania nacional
Em julho de 2006, a Venezuela assinou o protocolo de adesão ao Mercosul. Transcorrido um ano, o protocolo aguarda ainda a aprovação do congresso brasileiro e paraguaio. Hugo Chávez cobrou pressa, dando o prazo de três meses para ser aceito ou desistirá do Mercosul. Na mesma declaração, aproveitou para criticar o atual formato do bloco e projetar seu ideal de “integração verdadeira” (integração não apenas econômica). O seu interesse em ingressar no Mercado Comum do Sul é antigo. Em 2004, numa entrevista a um site de extrema-esquerda, Rebelión, o sociólogo comunista Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, deu a seguinte declaração:
“(...) O que necessitamos é um salto qualitativo para conseguir a constituição de um Estado regional que é o MERCOSUL ampliado, aprofundado, democratizado com a Venezuela, com Cuba e em uma segunda fase com Evo Morales e com a CONAIE no Equador, que realize a integração o quanto antes nas quatro esferas sociais fundamentais do ser humano: a econômica, a política, a cultural e a militar”.
Segundo Graça Salgueiro¹, o objetivo de Chávez com a ampliação do caráter econômico do Mercosul para as demais esferas, é justamente utilizá-lo como um órgão do Foro de São Paulo no plano político-ideológico (futuramente até no plano militar, criando as ‘Forças Armadas da América Latina’). O Foro de São Paulo discutiu a idéia e, em dezembro de 2005, seu Grupo de Trabalho, na reunião da região Cone Sul, decidiu apoiar a incorporação da Venezuela como membro pleno do Mercosul (sete meses antes de Chávez assinar o protocolo de adesão) e ainda propôs a criação de um Parlamento regional, o “que significa que a união econômica e comercial se avança na integração política e institucional”.
O objetivo final é a construção de um bloco integrado, semelhante à antiga URSS, “o que foi Perdido no Leste-Europeu será reconquistado na América Latina” - tese apresentada no primeiro FSP. Para alimentar a proposta, o presidente venezuelano Hugo Chávez está disposto a barganhar com petrodólares, apresentando generosos projetos de criação da Petrosul e da Petrocaribe (venda de petróleo com facilidades financeiras), do Banco do Sul, da Telesul, da Universidade do Sul, dos programas sociais de saúde e alfabetização, e dos convênios bilaterais de cooperação..
Uma única esquerda
As políticas adotadas por Lula e Chávez são diferentes, isso não há dúvida. Contudo, seus metas em longo prazo são, segundo seus próprios partidos e aliados, exatamente iguais. Na resolução final do último Foro de São Paulo (El Salvador, 2007) consta,“a maquinaria político ideológica da direita (...) tenta dividir os governos progressistas em dois grupos: a ‘esquerda moderna’ e ‘a esquerda atrasada’, com a intenção de apagar os muitos objetivos comuns que unem nossos governos e partidos. Essa diferença é falsa e o que existe na verdade é uma diversidade de estratégias que respondem às realidades e condições de luta que existem em cada país”.
Em dezembro de 2002, o sr. Marco Aurélio Garcia (atual acessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência da República) deu uma entrevista esclarecedora ao jornal La Nacion, em Buenos Aires , “a impressão de que o PT foi para o centro surge do fato de que tivemos de assumir compromissos que estão nesse terreno. Isso implica que teremos de aceitar inicialmente algumas práticas. Mas isso não é para sempre”.
Tomemos mais cuidado com nossas instituições. Pequenas medidas aparentemente inofensivas, como o abortado projeto de classificação indicativa e o projeto de lei que criminaliza a homofobia, podem esconder um viés totalitário. “Chávez é igual a Lula. O Brasil é que é diferente da Venezuela. Resta saber se continuará”, disse o sociólogo Rodorval Ramalho, analisando o assunto.
PT & FARC: amizade criminosa?
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia foi um dos membros iniciais do Foro de São Paulo. Sua atuação em território brasileiro é vasta (e nefasta). Além de montar bases estratégicas para o tráfico de drogas e armas na selva amazônica, as FARC ensinam táticas de guerrilha urbana para soldados do PCC e Comando Vermelho, em território paraguaio, segundo o juiz federal Odilon de Oliveira. A relação entre PT e FARC é antiga, confira alguns fatos:
* Em 2001, comandantes das FARC foram recebidos em Brasil pelo então governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT). Os líderes das FARC foram honrados e aclamados durante o I Foro Social Mundial. Na ocasião, deputados da assembléia do Estado de Rio Grande do Sul protestaram. Olívio Dutra foi, de 2003 a 2006, Ministro das Cidades do governo Lula.
*Ainda em 2001, no X Foro de São Paulo, uma resolução classifica como ‘terrorismo de estado’ a repressão do governo boliviano às guerrilhas locais (FARC e ELN), e ratifica ainda a “legitimidade, justeza e necessidade da luta” dessas organizações.
* Em 2003, o presidente Lula recebeu carta de felicitação das FARC por sua eleição a presidente.
* Em março de 2005, Veja relatou um encontro entre militantes petistas e representantes das FARC, no qual o ‘padre’ Olivério Medina teria prometido o repasse de cinco milhões de dólares para a campanha eleitoral petista de 2002. O envio do dinheiro não foi comprovado. A revista faz alusão ao início do relacionamento entre petistas e as Farc, mas esquece de citar o nome da entidade: mais uma vez, Foro de São Paulo. As FARC, assim como o PT, foi uma das organizações fundadoras do evento.
*Em agosto de 2005, a Polícia Federal prendeu Olivério Medina, representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Sua prisão foi a pedido do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Ele atendeu uma solicitação do governo da Colômbia que acusa Medina de homicídio e terrorismo, além de suas ligações com as FARC.
*Em setembro de 2005, integrantes do PT, PSOL, PCB, PCdoB e UNE se mobilizaramm para evitar a extradição para a Colômbia de Francisco Antonio Cadenas Collazzos, conhecido como Olivério Medina.
*Em julho de 2006, o Comitê Nacional para Refugiados reconheceu a condição de refugiado político para o colombiano Francisco Antonio Cadena Colazzos, conhecido Olivério Medina.
*Em dezembro de 2006, o presidente Lula recebeu carta de felicitação das FARC por sua reeleição a presidente.
*Em março de 2007, o STF (Supremo Tribunal Federal) negou o pedido do governo comlombiano de extradição do ex-padre Olivério Medina, integrante das FARC, arquivou o processo contra ele e revogou a sua prisão domiciliar. Em abril, as FARC enviaram uma carta ao governo Lula congratulando-o e agradecendo pela decisão.
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Referências:
1- O Mercosul e o Foro de São Paulo (Graça Salgueiro)
2- As graves contradições do Foro de São Paulo (Alejandro Pena Esclusa)
3- Entrevista com Bóris Casoy (trecho)
Aos amigos, tudo
Publicado em 22/09/2008
Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o presidente Lula pediu à diplomacia brasileira que não aceitasse pedido de asilo político do governador do departamento boliviano de Pando, onde ocorreram os piores confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao presidente Evo Morales. Leopoldo Fernández teve ordem de prisão decretada no domingo e foi detido na terça-feira. A prisão contraria as leis bolivianas, na avaliação do próprio Itamaraty, o que daria força ao pedido de asilo. A atitude de Lula demonstra mais uma vez seu compromisso com os colegas do Foro de São Paulo, que reúne as forças de esquerda latino-americanas (Cavaleiro: e as FARC e o MIR, ou seja, é a nata do LIXO). Afinal, enquanto o Brasil recusa asilo a um governador boliviano preso injustamente, concede o mesmo benefício a um membro de um grupo terrorista colombiano – Olivério Medina, das Farc – e devolve a Cuba os boxeadores que desertaram durante os Jogos Pan-Americanos. A diplomacia brasileira, que já chegou a ser reconhecida mundialmente, não pode continuar a ser refém de uma ideologia.
Os cuidados que devemos ter com os "movimentos sociais"
"Os movimentos de rua, militância, ativismo, revoltas, isso tudo sempre foi liderado pelo anarco-comunismo, ou humanismo-libertário, que se instalou no Brasil desde 1905 e durou até 1908, com o Partido Comunista Operário daquela época, que aqui aportou com a vinda dos anarquistas italianos, imigrantes para o Brasil. No mundo já era anterior. O PCO foi desmobilizado por falta de capacidade de organização, em 1908.
A informação é o melhor instrumento para o jovem alienado iniciar sua participação na vida política, com maior consciência e peso político positivo.
Quando uma campanha eleitoral está em andamento, como a atual, o impacto da comunicação política sobre a população - e certamente sobre os estudantes brasileiros - é bem mais acentuado. Os partidos políticos poderiam aproveitar melhor a ocasião e não ficar apenas na corrida atrás do voto. O que é compreensível, mas... Deveriam investir no ingresso de jovens nas agremiações, para se tornarem militantes da política - como a maioria é do futebol, por exemplo - e constituir novas levas
de cidadãos e cidadãs jovens capazes de participar da vida pública com menos vícios e os erros decorrentes da deformação de nossa história, onde prevalece a má fama da política.
O grau de indiferença ainda é maior, bem maior, do que a democracia brasileira exige de sua juventude na política, primeiro para entendê-la e segundo para dela participar. Muitos estudantes ainda confundem, por exemplo, a capacidade de tirar o título de eleitor a partir dos 16 anos como uma obrigação imposta, quando na verdade se trata de uma conquista, o exercício do direito ao voto facultativo antes dos 18 anos. Muitos repetem discursos mofados, regados pelo desconhecimento, alimentados pelas más práticas de representantes populares e governantes que desrespeitam seus mandatos e os eleitores.
A época da campanha eleitoral é um bom momento para chamar os jovens à discussão, ao debate, sobre o que é a democracia, o voto, o sistema político. Ouvir suas queixas, reclamações, desilusões e informar-lhes. A informação é o melhor instrumento para os estudantes brasileiros, alienados da vida política, criarem condições de discernir por si mesmos e iniciarem o processo de compreensão e participação, formando uma nova geração de cidadãos, com maior consciência e peso político positivo na vida do Brasil.
O vácuo de renovação de lideranças capazes propiciou na vida nacional o surgimento de políticos de terceira linha, comprometidos apenas com seus interesses escusos e absolutamente distantes de ações voltadas para o desenvolvimento do País e melhoria da qualidade de vida de sua população (a não ser, claro, dos políticos que ocuparam esse vazio e se auto-beneficiam).
Investir na educação em geral - e na política, em particular - é contribuir para acelerar a oxigenação da vida pública brasileira. O poder público, os partidos políticos, as organizações sociais, a iniciativa privada, a sociedade como um todo, deveriam tomar isso como meta prioritária e agir. Todos teríamos a ganhar a curto, médio e longo prazos. Não votar por votar. Pensar na escolha de alguém que, de fato, possa fazer algo por todos e não apenas por si e seus apaniguados.
Mais do ESQUERDOPATA Barack HOUSSEIN Obama
A LÓGICA DO GAFANHOTO
Klauber Cristofen Pires
Fundador e Representante doFDR para e Região Amazônica

A notícia da doação pelo grupo Gerdau de uma quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) à campanha da candidata Luciana Genro, do PSOL, à prefeitura de Porto Alegre teria passado despercebida não fosse um fingido teatro de, como se diz no popular, “cú doce”, por parte daqueles que sempre se refestelaram com o farto dinheiro de meta-capitalistas. Teatro infantil, como o do lobo que fala bem alto aos porquinhos, só parar a platéia mirim ouvir e entender: “-vou assoprar e assopar, e vou derrubar a sua casa...!”.
O problema é que desta vez o fato não passou despercebido por gente que está atenta e tem denunciado tal sortilégio, como o filósofo Olavo de Carvalho e o analista político Heitor De Paola e uma centena de outros escritores e blogueiros espalhados pelo Brasil, e o resultado tem sido – antes tarde do que nunca! - o levantamento da polêmica sobre cidadãos que prosperaram no capitalismo e decidem ostensivamente apoiar advogados de doutrinas espúrias, aqueles que justamente prometem confiscar a propriedade privada e as liberdades civis.
Pois, sobre a recorrência histórica com que têm se valido os grandes assassinos em série, os democidas, de obter apoio financeiro de grandes magnatas do capitalismo mundial, resta somente aos cidadãos comuns unirem-se, isto é, enquanto lhes sobrar um pingo de consciência, coragem, e liberdade que ainda lhes reste, para defender a si mesmos, às suas mulheres e seus filhos, e às suadas conquistas materiais que lograram obter na vida.
A lógica que nutre as ações destes grandes empreendedores em procurarem se compor com quem sempre lhes jurou aniquilá-los, claro, não passa de uma demonstração cabal de fraqueza; afinal, o tempo de pensar que com isto obteriam privilégios já passou: hoje, se muito, procuram no máximo se livrar de um Ibama aqui, um Ministério do Trabalho ali, e assim tocar a vida.
Esta lógica, que aqui vou batizar “a lógica do gafanhoto”, funciona, sem dúvida, desde que, na pior das hipóteses, sabem que qualquer país há de aceitá-los, claro, com a fortuna que possuem. Todavia, por imitação, uma leva de indivíduos meramente ricos ou mesmo simplesmente de classe média vêm acalentando o mesmo sonho de picar a mula quando as coisas começarem a feder; a estes, porém, não sei se lhe concedo tão benevolente prognóstico: imagino que, quando hordas começarem a chegar de mala e cuia nos balcões de imigração de tais países, as portas lhes serão solenemente fechadas. Quem quiser se enganar, que o tente: como dizia um amigo meu, todo dia, pelo menos um otário decide tirar o pé da cama!
Se for possível convencer um destes quanto ao erro em que incorre, valho-me agora: todos nós proviemos de um bando de “pé-rapados”! Sim, isto mesmo: ninguém saiu da Europa ou do Japão enquanto estivesse lá gozando de boa situação, para ter de enfrentar aqui o mato, o calor, as cobras e as saúvas! Nossos avós, em muitos lugares, não passavam de criados e servos, em uma Europa que, já experimentando o seu outono liberal, voltava a se tornar crescentemente intervencionista!
Pois, foi assim que a Europa e o Japão se livraram dos seus incômodos desempregados. Nem isto, porém, foi suficiente para conter as duas maiores tragédias que o mundo já conheceu: as duas guerras mundiais. Felizes, portanto, os que vieram pairar nas nossas praias! Quem de nós, hoje, estaria vivo? Estaria vivo o Sr Gerdau? Teria pelo menos nascido?
Pois, para mim, não resta nenhuma ilusão quanto a procurar outra paragem. Minha terra é aqui! O que eu conquistei em vida pode ser pouco, mas é meu, e pretendo lutar por isto. Não quero ver meus filhos limpando banheiros no exterior e serem olhados de cima a baixo com desumano desprezo, muito menos tendo uma terra tão magnífica para vivermos!
Aonde prevalecer um país livre, ele o é por conta da iniciativa dos seus cidadãos. Aqueles que desafiaram as Cottons Laws e assim culminaram por inaugurar o crescimento da consciência da independência americana não foram os Gerdaus da vida, mas os colonos de classe média que se lembravam dos horrores que seus pais e avós passaram debaixo do cetro inglês!
Pode parecer bizarro, mas entre correspondências que chegam ao Farol da Democracia Representativa, há até mesmo gente que, aos brados, conclama à valentia e à ação para...fugir do país! Outros ainda, malgrado serem pessoas que deveriam ter um mínimo de informação – estou falando de analistas, gerentes e diretores de instituições bancárias e de seguros - em plena consolidação da hegemonia comunista na América Latina, imaginam ainda que “não existe este negócio de comunismo...”, mesmo saltando aos olhos os inúmeros casos de estatização e desapropriações de empresas privadas em países como Venezuela, Equador, Guatemala e Bolívia, com conseqüentes prisões e cerceamentos de liberdades civis.
Portanto, mais uma vez venho apelar para os cidadãos de bem desta terra: não pensem que aqui não tem jeito! Não se sintam sozinhos! Olhe cada um para a casa do seu vizinho! Pois, não há de aí ver alguém que também está lutando para sobreviver e criar a sua família, debaixo de tantos impostos, de tantas proibições para os atos lícitos, ao mesmo tempo em que há tanta proteção e conivência com os bandidos?
Então, comecem a se articular! Percam só um pouquinho da timidez e comecem a se reunir aos sábados ou domingos com seus vizinhos, com seus colegas de trabalho, amigos e parentes. Quebrem o gelo! Tomem iniciativa!
Às mães, levem os livros estudantis dos seus filhos e comparem entre si: vejam que as aulas de ciências já não tratam mais de fatos naturais com aquelas interessantes experiências sobre o ar, a lei da gravidade ou magnetismo: só tratam de ecologia, educação sexual e toda sorte de discurso melífluo cuidadosamente elaborado para perverter os seus filhos. Não é preciso ser nenhum especialista para fazer esta constatação – qualquer pai ou mãe pode verificar, se se der um tempinho.
Aos pais, comparem suas contas de luz e de telefonia: vejam quanto se cobra de ICMS, e percebam que, se é cobrada uma taxa nominal de 30% (é a alíquota comum que vem sendo praticada pelos estados), na verdade, vocês estão pagando uma taxa real equivalente a 43%! Isto porque o ICMS, por uma manobra matemática pra lá de esperta, é cobrado “por dentro”, incorporando-se na própria fatura. Pois, quem, entre você e seus amigos, concorda espontaneamente em pagar mais de 45% de imposto (há ainda outros impostos e taxas)?
Ainda aos pais, constatem se, a par de serem proibidos de portar armas para a auto-defesa, a criminalidade vem diminuindo. Assim é o que ocorre? Ou está aumentando? Constatem casos concretos havidos entre vocês e seus conhecidos. Ora, se cada um já foi ou conhece alguém que foi assaltado, o que vocês estão esperando para concluir que mais outros assaltos, e quiçá mortes, virão?
Comparem, todos, como virou uma rotina chata este negócio de propaganda eleitoral gratuita e debate na tv! Cada candidato vem e diz para o seu oponente: “- fulano, o que você fez pela educação?” ARGH! Então não são todos os candidatos os que fazem as mesmíssimas perguntas e respostas ensaiadas, todos eles para prometerem fazer mais o com o SEU dinheiro? Então, desde quando vocês acham que eles farão algo melhor com o dinheiro que é de vocês, do que o que vocês mesmos fariam por si? Pois dêem um basta nisso! Desliguem a porcaria da tv e se reúnam entre si!
Anulem seu voto, para mostrar a toda esta politicalha que vocês não querem mais ser as suas ovelhas! Não vai fazer a mínima falta! Garanto, pois o que democratas e petistas prometem são a mesmíssima coisa: “- vou construir um hospital aqui, vou abrir uma escola ali, vou colocar mais viaturas..blá...blá...blá...!”. Depois da eleição, o que virá serão mais impostos, mais cuecões, mais fiscais no seu negócio, menos liberdade pro que quer que seja!Imprimam os artigos que são publicados no Farol da Democracia Representativa e em outros sites e blogs liberal-conservadores, e opinem entre si.
Montem células de amigos em suas casas, clubes e até em suas empresas, e a partir do momento que forem crescendo, abram outras novas, para ajudar as novas que forem nascendo. Façam contato com os articulistas, e transmitam notícias de seus progressos. Mantenham o compromisso. Façam disso um evento social, com um churrasco ou algo assim. Não temos mais ninguém a não ser nós mesmos! Pois vamos mostrar o nosso valor!
A análise do capitalismo selvagem por alguns selvagens do socialismo de extorsão...
(título "pinçado"do BLOG DO CLAUSEWITZ com análise do mesmo logo abaixo)
19 de setembro, 2008
O filósofo Noah Chomsky diz que o capitalismo erra ao não calcular os custos de quem não participa das transações financeiras, e por isso entrou em crise.
Para Peter Jay, um dos diretores do Bank of England, o banco central britânico, houve excesso de confiança de investidores no capitalismo e, de agora em diante, não haverá mais tanto otimismo com o sistema.
Já Patrick Minford, que foi assessor do governo britânico nos anos 80, acredita que apenas alguns ajustes são necessários na regulação do sistema financeiro para que o capitalismo volte a se fortalecer.
Jon Danielsson, economista da London School of Economics, alerta que é preciso evitar que esta crise leve a um excesso de regulamentos.
Confira abaixo as análises.
Noah Chomsky*, filósofo e lingüista
Os mercados têm ineficiências conhecidas e inerentes. Um fator é a falha para calcular os custos de quem não participa destas transações. Estas "externalidades" podem ser gigantes. Isso é particularmente verdade no caso de instituições financeiras.
A tarefa deles é assumir riscos, calculando custos potenciais para si mesmos. Mas eles não levam em consideração as conseqüências das suas perdas para a economia como um todo.
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Logo o mercado financeiro "subestima o risco" e é "sistematicamente ineficiente", como escreveram John Eatwell e Lance Taylor há uma década, alertando para os perigos extremos da liberalização financeira e revendo os custos substanciais que estão implicados – e também propondo soluções, que foram ignoradas.
A intervenção sem precedentes do Federal Reserve (o banco central americano) pode ser justificável ou não em termos estreitos, mas revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas, feitas em grande medida para socializar o custo e o risco e privatizar os lucros, sem uma voz pública.
Isso não é, é claro, limitado ao mercado financeiro. A economia avançada como um todo se ampara pesadamente no dinâmico setor estatal, com a mesma conseqüência em relação ao risco, custo, lucro e decisões – características cruciais dos sistemas político e econômico.
* Noah Chomky é filósofo e professor de lingüística do Massachusetts Institute of Technology.
Peter Jay*, economista e jornalista
Na medida em que nomes grandes de Wall Street estão indo à lona, destruídos pela própria arrogância e pelo ambiente financeiro mais hostil em quase 80 anos, nós devemos nos perguntar: por que estamos tão surpresos? Logo nós, que deveríamos ser especialistas? Por que não previmos isso?
A verdade é desconfortável. Nós ficamos cada vez mais cínicos sobre o discurso marxista de contradições do capitalismo, porque o próprio marxismo fracassou nos anos 70, enquanto o capitalismo sobreviveu. Ele fracassou tanto que seus seguidores foram desacreditados.
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As pessoas de uma geração mais antiga acreditavam verdadeiramente que alguma combinação das idéias de Walter Bagehot e J. M. Keynes tornariam impossível um novo colapso do sistema financeiro e uma depressão da macroeconomia.
Os bancos centrais nunca deixariam isso acontecer de novo.
Para uma geração mais nova, os anos 30 parecem que são algo do passado distante e que as crises desde então terminaram sem catástrofes. A complacência é o preço do sucesso.
Mas agora nós precisamos enfrentar a possibilidade real de que as mudanças de humor dos mercados financeiros não podem para sempre serem baseadas em otimismo; quanto mais as ações subirem, mais elas cairão, e essa falha no capitalismo não pode ser consertada – nem mesmo por Alan Greenspan – porque está cunhada na imutável psicologia humana.
* Peter Jay é diretor não-executivo do Bank of England e ex-editor de economia da BBC
Patrick Minford*, economista
No atual desastre financeiro, já se ouve vozes pedindo mais regulamentos para "cortar os excessos do capitalismo".
É preciso lembrar primeiro que já existe muita regulação sob os acordos de Basle.
O problema é que os bancos evitaram as leis usando "veículos especiais de investimento" nos seus balanços.
Um ajuste necessário seria simplesmente assegurar que, no futuro, isso seja corrigido.
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Em segundo lugar, os bancos de investimento, como o Lehman Brothers, praticamente não são regulados e estão completamente fora dos acordos de Basle. No entanto, estes animais passaram por um banho de sangue e provavelmente não se comportarão mais desta maneira nunca mais.
O capitalismo tem um bom histórico de melhorar dramaticamente os padrões de vida do mundo ao longo de grandes períodos.
A legislação bancária – que goza do privilégio do "credor de último recurso" com recursos dos contribuintes – é necessária para proteger o contribuinte de abusos.
Mas nós precisamos de um sistema bancário e financeiro vigoroso e competitivo. Qualquer ajuste à estrutura regulamentar atual precisa manter isso em mente.
* Patrick Minford é economista da universidade de Cardiff. Ele foi assessor informal da ex-premiê britânica Margaret Thatcher.
Jon Danielsson*, economista
Nós ouvimos que a onda de fusões, nacionalizações e falências no mundo financeiro representam o fracasso da velha forma de se fazer negócios, e que o futuro é um mundo pesadamente regulado, como nos anos 50.
Nada pode estar mais longe da verdade do que isso. O custo de prevenir crises significa uma economia como em Cuba ou na Coréia do Norte.
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Enquanto alguns bancos, com a anuência de reguladores e com o apoio de governos, se colocaram em dificuldade, é a reação a essa crise que realmente interessa. O sistema financeiro está passando no teste até agora.
Nós sairemos desta crise tendo aprendido que é importante para os bancos não deixarem seus ativos tão complicados que nem eles, nem ninguém os entende.
A verdadeira tragédia seria se a reação oficial à crise fosse o excesso de regulação mal-pensada e politicamente motivada. Um sistema financeiro livre é essencial para a prosperidade internacional.
Por favor, legisladores não nos coloquem de volta em 1929 ou nos anos 50.
* Jon Danielsson é integrante do grupo de mercados financeiros da universidade London School of EconomicPara quem ganhamos a batalha?
Por Graça Salgueiro
“E nós estamos sendo julgados. Volto a dizer: ostentamos o duvidoso mérito de ser o primeiro país na história do mundo que julga seus soldados vitoriosos que lutaram e venceram por ordem de e para seus compatriotas. Nós podemos nos perguntar, como o fez recentemente um oficial uruguaio com patética e autêntica dor: para quem ganhamos a batalha?”.
A epígrafe acima serve como uma luva para os nossos militares, apesar de ter sido proferida por um general argentino, também ele grande combatente do comuno-terrorismo em sua pátria nos anos 70-80. E serve, porque estamos assistindo aqui no Brasil o reprise de um filme bolorento e malcheiroso produzido desde a ONU e o Diálogo Interamericano, com o respaldo do midiático e proto-comunista juiz Baltazar Garzón, da Espanha. As Leis de Anistia estão sendo revogadas em vários países do mundo porque – afirmam os juristas da Nova Ordem Mundial – elas foram feitas pelos próprios ditadores e, portanto, em benefício próprio, o que as tornam inválidas.
A Argentina tem sido a protagonista deste circo dos horrores por iniciativa do juiz Garzón, cujos resultados já comentei em vários artigos e mais recentemente no Notalatina (v. http://notalatina.blogspot.com/2008/09/o-notalatina-traz-hoje-vrias-informaes.html). Em decorrência da notoriedade alcançada por sua perseverança em perseguir aqueles que defenderam seus países do horror comunista, Garzón foi convidado a participar de um seminário em agosto passado em São Paulo, sobre a “Memória e a Verdade” e, em sua opinião, “Cabe à Justiça brasileira decidir se é possível ou não abrir os arquivos e interpretar a Lei da Anistia conforme as leis nacionais e internacionais”. E prosseguindo, em relação à afirmação do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que a tortura não deve estar amparada pela Lei da Anistia, afirmou: “A tortura não pode ser considerada como um delito político caso tenha sido praticada de forma sistemática, em um plano pré-concebido e contra parcelas da população, o que se configura como crime de lesa-humanidade”.
A esse respeito, vale a pena conhecer o que diz o artigo 7º do Estatuto de Roma:
“Art. 7 - Os crimes contra a humanidade, caracterizam-se pelo ataque direito contra qualquer população civil, com intenção de assassinato, extermínio, escravização, deportação ou transferência forçada, aprisionamento ou outra severa privação do direito de liberdade em violação a regras fundamentais de direito internacional; tortura, rapto, escravização sexual, prostituição forçada, esterilizaão forçada e demais graves violências sexuais; perseguição política, racial, étnica, nacional, cultural ou religiosa contra grupos ou a coletividade; desaparecimento de pessoas; crime de segregação racial (apartheid) e outros crimes internacionais que causem grande sofrimento, danos corporais, mentais ou à saúde física das vítimas”.
Cabe salientar que a categoria de “lesa-humanidade” foi estabelecida pela Carta do Tribunal Militar Internacional de Nüremberg que se reuniu para julgar os criminosos de guerra do eixo europeu (Estados Unidos, Grã Bretanha, França e URSS), pelo saldo do pós-guerra de 60 milhões de pessoas mortas, milhões de desabrigados e cidades inteiras devastadas. Ressalto ainda que, a Convenção de Imprescritibilidade dos delitos de lesa-humanidade da ONU,incorporada como Lei 24.584 em 1995 e em 2001 no Estatuto de Roma através da Lei 25.390, estabelece em suas considerações:
“Expressa sua profunda preocupação pela circunstância de que muitos criminosos de guerra e pessoas que cometeram crimes de lesa-humanidade, segundo se definem no Art I da Convenção sobre a Imprescritibilidade dos crimes de guerra e dos crimes de lesa-humanidade, assim como na identificação, detenção e extradição e castigo de todos os criminosos de guerra e das pessoas que tenham cometido crimes de lesa-humanidade e não tenham sido ainda julgadas nem condenadas”.
Quer dizer, se os defensores da revogação da nossa Lei de Anistia querem mesmo um julgamento limpo, justo e imparcial, vão ter de assumir a culpa do “crime de lesa-humanidade” porque em todas as convenções e estatutos a tipificação é clara, referindo-se a atentados contra uma coletividade alheia ao conflito, uma população amorfa e não pessoas identificadas com nome, sobrenome e endereços, embora muitas vezes tudo isto falso. Ademais, o próprio Estatuto dispõe em seus artigos 11 e 24, que este não se aplique retroativamente e que uma lei não pode retroagir em prejuízo do acusado.
Crimes de lesa-humanidade portanto, são os atos de terrorismo cometidos pelos bandos comuno-subversivos ALN, AP, MR-8, VPR e tantos outros semelhantes dos quais fizeram parte os que, hipocritamente e visando acima de tudo benefícios pecuniários, estão no poder, como Franklin Martins, Dilma Roussef, Fernando Gabeira, Carlos Minc, e nas cátedras das universidades desmontando a verdadeira História para dar lugar a uma mentira inominável.
Com relação à culpa sobre os “desaparecimentos” cobrada pela Comissão de Anistia, OAB, e ONGs defensoras dos terroristas, é salutar recordar que a Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas foi susbcrito pelo Brasil em fevereiro de 2007 mas ainda não foi ratificado, o que significa mais uma vez que não há cobertura jurídica para tais cobranças, sobretudo no processo sobre os guerrilheiros do Araguaia do qual o Cel Lício Maciel é um dos acusados. Ademais, segundo o Código Penal brasileiro a prescrição de um crime ocorre após 20 anos e não há absolutamente nada que garanta que muitos dos “desaparecidos” daquela guerrilha não vivem hoje em outro país, com outra identidade e outra vida.
Tarso Genro insiste em rotular os militares combatentes da subversão como “torturadores”, esquecendo-se de que a Declaração Universal do Direitos Humanos da ONU de 1948, da qual o Brasil é signatária, estabelece em seu Art 11.1: “Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se prove sua culpabilidade, conforme a lei e em juízo público”. O Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra está sendo acusado não só por Genro mas por todos os defensores dos “jovens idealistas” de torturador, embora nenhuma prova concreta se tenha conseguido até agora contra ele. Os “testemunhos” são vergonhosos, como o da Bete Mendes, que dizem ter sido “torturados pessoalmente por ele”. Ora, qualquer pessoa que não seja tão estúpida quando mal intencionada sabe que, como chefe do DOI-São Paulo, o Cel Ustra jamais realizava interrogatórios e muito menos participava de “sessões de tortura”.
Lembro que o falecido Mário Lago contou em uma entrevista que era ordem geral entre os subversivos, afirmar que foram “barbaramente torturados” após saírem da prisão porque isto impressionava as organizações de direitos humanos internacionais. Mas seria muito bom que essas mesmas pessoas começassem a contar como torturavam as pessoas que seqüestravam, jogados no piso do carro, trancados em porta-mala, espancados até a morte com coronhadas, ameaçando pessoas inocentes nos assaltos a banco. Quero ver a risada sádica do Franklin Martins contando como seqüestrou e torturou em cativeiro o embaixador americano Charles Elbrick ou ainda Diógenes Oliveira detalhando como metralhou o capitão americano Charles Rodney Chandler.
É para revogar a Lei de Anistia? Então que se anule o perdão geral e que as duas partes sejam julgadas com imparcialidade. Quero ver qual prato da balança vai pesar mais.
Escrito originalmente para o Jornal Inconfidência - Edição de setembro
Um brasileiro fala da Bolívia sobre a obra de horror do Evo Morales: a Guerra Civil
Thursday, September 18, 2008
Hoje um leitor postou um comentário tão importante que resolvi rejeitá-lo no espaço próprio e publicá-lo aqui, como parte da edição de hoje. Trata-se de um brasileiro que vive na Bolívia e que, por esta razão, sabe perfeitamente bem o que está acontecendo naquele país. A mensagem é uma carta encaminhada à revista “Isto É”, e como tenho certeza que ela será jogada com desprezo e nojo na lixeira, faço o que deveria ser a primeira responsabilidade de um órgão informativo: divulgar para o público leitor os fatos e não as versões encomendadas, maquiadas e censuradas.
A reportagem da “Isto É” é falsa, mentirosa, desinformação pura. Como o presidente-cocalero Morales classificou o embaixador Philip Goldberg como “persona non grata”, alegando que ele contribuía para a desestabilização do país, a repórter Luiza Villaméa endossa concluindo: “Os Estados Unidos revidaram, classificando da mesma forma o embaixador boliviano em Washington. É o fantasma do golpe de Estado rondando, de novo, a Bolívia”. Moça, vai estudar, pára de repetir tanta mentira e desinformação que o leitor merece respeito!
Esta revista tem a ousadia (ou cara de pau) de se dizer “independente” mas, do mesmo modo que 99% da mídia nacional, repete as mesmas baboseiras, mentiras e chavões do esquerdismo nacional e internacional, com a mesma linguagem viciada do politicamente correto. Dá vergonha ver os noticiários ou tentar ler o que dizem os jornais e revistas brasileiros sobre esta crise gravíssima que atravessa a Bolívia porque, é como diz aquela máxima comunista: se a teoria não corresponde aos fatos, pior para os fatos! A notícia que vai ser divulgada é aquela que foi estabelecida “por consenso” e fim de conversa; o leitor que se dane.
Pois muito bem. O Notalatina não tem rabo preso com ninguém, não é patrocinado ou subvencionado por nenhum órgão público ou privado, partido político, políticos ou empresários. Meu objetivo é buscar a verdade e desmascarar a fraude da “informação confiável” que alardeiam mas sonegam os nossos meios de comunicação.
E como já era previsto, Lula respaldou a atitude de Morales de expulsar o embaixador americano. Disse ele: “Se for verdade que o embaixador dos Estados Unidos se reunia com a oposição de Evo Morales, Evo está correto em expulsá-lo. É a famosa ingerência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente americano. Então, creio que houve um incidente diplomático, se o embaixador estava tendo injerência na política, Evo tem razão”. Nesta entrevista que Alejandro Peña Esclusa concedeu ontem de Santa Cruz de la Sierra a Marianella Salazar, uma das jornalistas mais combativas da Venezuela e por isso mesmo perseguida pelo psicopata Chávez, ele faz mais uma análise lúcida, clara, realista da situação atual da Bolívia e desmascara a farsa de um Lula “moderado” e democrata. Não deixem de ouvir porque as revelações que ele faz são importantíssimas e estão sendo sonegadas nas tv’s, jornais e revistas brasileiras.
E antes de transcrever a mensagem do leitor à revista “Isto É”, sugiro a leitura do documento que os governadores da “meia-lua” enviaram aos membros da UNASUL, considerando que estes não quiseram recebê-los em uma audiência onde pretendiam explicar o que estava acontecendo em seu país. E estes presidentes não quiseram recebê-los porque não estavam reunidos como chefes de Estado de nações irmãs mas como MEMBROS DO FORO DE SÃO PAULO, cujos interesses são diversos dos que deveriam ter caso fossem independentes e pensassem no bem dos seus países. O documento é este: A LOS EXCELENTISIMOS SEÑORES PRESIDENTES Y PRESIDENTAS DE UNASUR
Agradeço a importantíssima colaboração deste leitor - que não pode se identificar - porque o que ele diz em sua mensagem só vem corroborar o que o Notalatina e Peña Esclusa têm informado desde o início da semana.
Fiquem com Deus e até a qualquer momento!
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Por uma questão de segurança, pois vivo na Bolívia, deixarei de identificar-me. Justamente por ser testemunha ocular dos fatos e conhecer um pouco do passado recente desse país, gostaria de respeitosamente corrigir algumas informações no que se refere ao artigo “O risco do apagás” (Edição 2028 – 17/09/08)
Primeiro que não está comprovado absolutamente que os que fecharam as válvulas do gasoduto ao Brasil e causaram a explosão tenha sido gente da oposição. Embora considere que isso seja possível, afirmá-lo como fato pronto e acabado é descartar muito rapidamente a possibilidade de que tenha sido gente do próprio governo como uma maneira de despertar antipatia brasileira para o movimento oposicionista, além de encaixar-se na busca de pretextos para militarizar os departamentos (estados) da chamada meia-lua.
Segundo, a revista fala de posições irreconciliáveis. A primeira e corretamente contada é a de Evo Morales, estatizante e indigenista. Porém, ao falar do outro lado como sendo os “autonomistas das elites políticas e econômicas da oposição” a revista reproduz, ainda que talvez que sem saber o discurso do governo central, que cinicamente insiste em desconhecer a luta autonomista que vem praticamente desde a fundação de Santa Cruz e não está restringida às chamadas elites ou, como preferem os do partido de Evo Morales e seu “amigo” Hugo Chávez, as “oligarquias”. É inegável que há uma elite política e econômica em Santa Cruz, mas o apelo pela autonomia é um desejo das massas, como se pôde comprovar, entre outras coisas, pelo referendo relacionado ao tema realizado em junho, onde os números falam por si só. A favor da autonomia: 86% em Santa Cruz, 80,2 % em Beni, 80% em Tarija e 81,8% em Pando. O departamento de Chuquisaca prepara-se para realizar seu referendo sobre o assunto em novembro (conferir: http://www.la-razon.com/versiones/20080505_006263/nota_249_590407.htm, http://www.la-razon.com/versiones/20080602_006291/nota_249_606835.htm, http://www.la-razon.com/versiones/20080623_006312/nota_249_619442.htm).
Historicamente falando, todas as vezes que Santa Cruz tentou falar de autonomia, o discurso do governo central (ou seja, não é de hoje) foi de que o que desejavam era separatismo. Isso é reforçado agora, pois evidentemente autonomia (que é algo muito mais tímido que federalismo) não combina com governo centralista e autoritarismo.
Terceiro, Evo Morales teve seu mandato ratificado e não posso negar que tristemente as pessoas, principalmente as mais simples e incultas, foram fortemente influenciadas pelo maquinário propagandístico estatal, que funciona muito bem por sinal. O que a imprensa brasileira se esquece de contar é que o referendo revogatório foi realizado apesar das fortes e comprovadas acusações de que o padrão eleitoral boliviano está contaminado, com pessoas com dois até quatro cédulas de identidade com nomes diferentes, “mortos” votando, estrangeiros, tudo previamente azeitado por Venezuelanos que foram flagrados nos escritórios da Polícia (responsável pela emissão de documentos) altas horas da noite para “ajudar” nesse trabalho (ver, por exemplo, http://www.fmbolivia.com.bo/noticia2397-denuncian-que-venezolanos-ingresaron-al-registro-civil.html, http://www.eldiario.net/noticias/nt080810/2_02plt.php, http://www.eldeber.com.bo/2008/2008-08-10/vernotaahora.php?id=080810130643).
As acusações de fraude são tão evidentes que a Corte Nacional Eleitoral, composta no momento por apenas três elementos por obra e graça do senhor Evo e cujo presidente da instituição é partidário de Morales, num lampejo de bom senso resolveu não administrar o referendo sobre o projeto de constituição do MAS (partido do governo) enquanto não for feita uma auditoria completa (http://www.eldeber.com.bo/2008/2008-09-03/vernotaahora.php?id=080903173255).
A revista diz que “os governadores da oposição, que também tiveram seus mandatos ratificados, se negam a aceitar as regras do jogo democrático e decidiram radicalizar”. Primeiro, que quem já deu amplas mostras de que não estar interessado em respeitar o jogo democrático é o próprio presidente. Há vários exemplos, mas o mais recente é fato de que convocou o referendo sobre a constituição para 7 de dezembro com um Decreto Supremo (equivalente a nossa medida provisória), quando a lei expressamente diz que tem de ser convocado pelo congresso (mas no senado o governo é minoria, esse o temor). Além disso, disse com todas as letras que quando lhe informam que algo é ilegal, ele não se importa e diz a seus advogados que o legalizem (http://mirabolivia.com/foro_total.php?id_foro_ini=54885, http://www.eldiario.net/noticias/nt080809/3_01ecn.php).
Depois, é muito fácil falar para quem está de fora sobre “rebelião” dos governadores contra as regras do jogo. Pode ser que isso não seja justificável, mas é perfeitamente explicável quando se é testemunha dos freqüentes atropelos do governo central, sem um mínimo de respeito pelas regiões ditas autonômicas que, além do fator político, envolve sérios problemas de preconceito racial para com os “cambas” (habitantes do oriente). A medida é de extremo desespero, horrível para nós que vivemos aqui, mas, tristemente, parece ser um mal necessário para tentar pôr freio aos desmandos desse senhor que, com conexão direta com Caracas, não se importa uma vírgula com o que seja institucional.
Em que momento os governadores da oposição falaram de separatismo? Quando de depor ao presidente? Perguntem aos repórteres brasileiros que estão aqui. O que reclamam é o respeito à votação a sua autonomia, contra o projeto de constituição do MAS aprovado em um quartel e pela devolução do que têm direito por lei e que foi retirado pelo governo que é o Imposto Direto de Hidrocarburo (IDH). Embora a revista afirme corretamente que o dinheiro tomado é usado “para pagar aposentadoria para maiores de 60 anos pobres”, o valor necessário para fazer isso é muito inferior ao valor confiscado, evidenciando a verdadeira intenção do governo: debilitar economicamente os departamentos autonômicos (www.santacruz.gov.bo/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=645).
Peço que, por favor, investiguem os fatos aqui expostos para que os leitores possam ter uma idéia mais realista sobre o que realmente está se passando. É muito triste ver os acontecimentos serem distorcidos pelos órgãos de informação do governo e que esses consigam passar sua versão adiante. Um exemplo é o atual estado de sitio em Pando, onde o governo “estranhamente” não permite que cheguem jornalistas (somente os de Televisão Boliviana, do governo) nem gente dos direitos humanos ao mesmo tempo em que divulgam sua versão dos fatos e ameaçam com prender ao governador.
Na expectativa de poder haver cooperado, desde já agradeço.
Comentários e Traduções: G. Salgueiro
Evo Morales e sua obra do horror: a Guerra Civil
Wednesday, September 17, 2008
Voltamos com informações mais recentes da Bolívia, conforme prometi. Evo Morales havia aceitado um diálogo com os governadores da “meia-lua” marcado para amanhã, dia 18 mas, sem mais nem menos (ou será que recebeu alguma ordem urgente de seus mentores e amos, Chávez e Castro?) antecipou para hoje às 17:00 pm. Entretanto, acabo de ver pela CNN em Espanhol que finalmente o encontro teve que ficar para amanhã, pela impossibilidade de locomoção dos governadores, de seus estados até o Palácio Quemado em La Paz, onde seria o encontro.
Hoje o Notalatina apresenta o áudio de uma entrevista dada por Alejandro Peña Esclusa, que está em Santa Cruz (Bolívia), a Fernando Lodoño no programa La Hora de la Verdad. Esta entrevista que tem a duração de 14 m. e 9 s. é importantíssima porque Alejandro revela detalhes do que está ocorrendo DE FATO em Pando e que a imprensa não noticia. A situação é extremamente grave e embora Alejandro afirme que já está mais calma, a contabilidade é ainda muito tenebrosa. Há mais mortos do que a imprensa está noticiando e já é possível crer que em breve alcance a casa das centenas, caso não se chegue a uma solução rapidamente.
O trabalho da imprensa, local e estrangeira, está sob constante ameaça de forças policiais e militares que ocupam toda a cidade. Os jornalistas estrangeiros estão todos hospedados no mesmo hotel por medida de segurança e quando tentam fazer seu trabalho são ameaçados com disparos. Conforme relata o jornalista Carlos Lezcano, da “Red Unitel”, quando tentava entrevistar a delegada presidencial Nancy Texera, a uns 300 metros do aeroporto, atiraram contra ele e o câmera do terminal aéreo. Conta Lezcano: “Uma bala passou a centímetros do câmera. ‘Filme-me, parente’, eu gritava para ele, caso caíssemos ali. Depois vieram os militares, nos insultaram e nos disseram que não se podia filmar”. O jornalista Alexandre Lima, do jornal “O Alto Acre”, viveu experiência similar quando fotografava o momento da prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernández (foto que ilustra a edição de hoje).
A maioria dos jornalistas bolivianos está dormindo na cidade fronteiriça de Brasiléia, no Acre, cidade para onde já fugiram umas 400 pessoas. Edgar Balcázar ex-funcionário da Prefeitura de Cobija (capital de Pando), exibiu vários hematomas e marcas de golpes que recebeu após presenciar a morte de um camponês. Segundo Edgar, “Queiram me matar. Não eram camponeses, eram guerrilheiros, estavam armados e começaram a disparar. Porém não me mataram e passei para Brasiléia, onde me atenderam no hospital e onde estou hospedado em casa de amigos”.
Os refugiados acusam os Ponchos Rojos (aqueles que degolaram o cachorro no vídeo que o Notalatina reapresentou ontem), controlados por Morales, pois pertencem à mesma etnia Aymará. Apesar de se vestirem com trajes típicos de sua etnia, os Ponchos Rojos também são vistos portando fuzis e armas de fogo. A maioria desses índios são ex-soldados do exército boliviano que conhecem de estratégia e táticas militares, e alguns desses grupos se preparam para as ações vilentas na planície de K’ala Chaca (“ponte de pedra” em aymará) na montanha Letanías de Viacha. Pelo vídeo percebe-se o grau de violência a que são capazes. Na foto acima eles aparecem com fuzis de madeira nas mãos, numa intimidação pouco velada do que desejam fazer e o mais grave: contam com apoio e cobertura do cocalero Morales. E é esta “democracia” que a carta da UNASUL diz estar defendendo, sabendo que isto é falso, é uma descarada mentira.
O vice-presidente Álvaro García Linera teve vínculos com os Ponchos Rojos e com o bando terrorista “Exército Guerrilheiro Túpak Katari” (EGTK). Juan Carlos Condori, secretário-executivo da federação de camponeses aymarás diz com orgulho: “Nós temos participação na equipe de ministros de Evo Morales. Agora está David Choquehuanca que é ministro de Relações Exteriores. Antes estava nosso irmão Félix Patzi como ministro da Educação”. Quer dizer, é por esta razão que esses índios lutam com toda a violência para defender seu presidente e assim preservarem seus lugares no comando da nação, uma “nação bolivariana”.
Numa entrevista que vi na CNN, um senador republicano se queixava da forma “pouco ativa” de Lula na resolução deste conflito. Dizia ele (não guardei o nome) que, uma vez que o Brasil depende em grande parte do gás boliviano, os Estados Unidos acreditavam que Lula seria um ótimo mediador mas não é isto que está acontecendo, pois ele limitou-se a participar do encontro da UNASUL e nada ficou solucionado até o momento. Como todo estrangeiro, este senhor se ilude com o papel de Lula no hemisfério e, como ele sempre fala em tons moderados, sem os arroubos agressivos e vulgares de Chávez, ninguém percebe que aquilo é um lobo vestido em pele de cordeiro e que ele está por trás de toda esta instabilidade. Alejandro Peña Esclusa esclarece isto perfeitamente na entrevista a Fernando Lodoño que vocês podem ver aqui, uma exclusividade do Notalatina para o Brasil.
E por hoje as notícias são essas. Creio que amanhã teremos mais informações, caso a tal “mesa de diálogo” se realize. Não deixem de ouvir a entrevista de Peña Esclusa!
Fiquem com Deus e até a qualquer momento!
Comentários e Traduções: G. Salgueiro
CHÁVEZ OU O CIRCO MAMBEMBE
Fernando Londoño Hoyos
Chávez comete todos os erros, viola todos os códigos de conduta, desafia todos os poderes, pelo que terminará mal, como ninguém ignora. Porém, não se sabe quando nem a quantidade de dano que fará antes do inevitável descalabro. É a única incógnita da farsa.
Chávez treme por causa dos computadores que a Colômbia guarda com inexplicável alcoviteiria e mantém agitado o circo para que ninguém lembre deles. Ele teme pelo dia em que lhe peçam satisfações por sua tolerância com o narco-tráfico. Por isso ataca o império antes que o tal império o chame para responder por esse desaforo, e antes que o próprio povo venezuelano descubra que por conta dessa complacência se banha em sangue.
Agora lhe espantam as eleições regionais, que tem a certeza de perder, por mais mal combinada que ande a oposição e duvida da eficácia do remédio que pôde usar em outras, a fraude mais descarada. Porém não se sente capaz de enganar tanto, em tantos lugares. E por isso está disposto a multiplicar as peripécias circenses com o único objetivo de cancelar essas eleições. Sem pechinchar gastos. No fim, o dinheiro não sai do seu bolso.
Como admite que pode não ser suficiente a crise internacional, a monta também na freguesia. E se inventa conspirações, é para esmagar a parte das Forças Militares que não lhe agrada, e a parte da imprensa e oposição que detesta.
Tradução: Graça Salgueiro
Os gatinhos cegos
Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA, por e-mail* o site está fora do ar, motivo pelo qual não inseri o link deste artigo
por Jeffrey Nyquist
Um gatinho cego é uma criatura indefesa. Não pode nem sequer fugir. Um gatinho cego é, portanto, a vítima perfeita: fácil de agarrar, de prender, fácil de matar. Em termos de metáfora política, o ditador soviético Stalin descrevia os seus companheiros de crime como "gatinhos cegos". Na persecução pelo poder absoluto ele exigia obediência absoluta, cega e inofensiva dos seus subordinados. Ele não se sentia seguro se lhes permitisse que detivessem poder demais. Assim, ele os exterminava e aterrorizava tal como uma questão de diretriz política. Foi somente em seus últimos dias que Stalin os subestimou.
Em 1952, até mesmo os gatinhos cegos podiam ver que os americanos tinham elegido o general Eisenhower como seu presidente. Este era o mesmo Eisenhower que sutilmente ameaçou usar armas nucleares contra o Bloco Comunista a menos que este cessasse as hostilidades na Coréia. Afinal, por que os Estados Unidos deveriam lutar uma guerra sem fim contra os comunistas quando possuíam superioridade nuclear? Considerando o inesgotável suprimento de soldados chineses, os comunistas poderiam manter a guerra por tempo indeterminado. Isso era inaceitável.
A este respeito, o historiador John Lewis Gaddis observou: "Eisenhower relatou ao Conselho de Segurança Nacional que se a nação tivesse de continuar os gastos com forças convencionais na escala requerida pelo conflito na Coréia, haveria razão para especular 'o que viria primeiro, a bancarrota nacional ou a destruição nacional'". Deste modo, a resolução NSC 162/2 determinava: "Na ocorrência de hostilidades, os Estados Unidos considerarão armas nucleares disponíveis para uso tal como outras munições". Acrescentando, Eisenhower ainda disse que "[as] armas atômicas virtualmente atingiram o status de armas convencionais em nossas forças armadas". No início de 1953, Eisenhower determinou ao seu Conselho de Segurança Nacional (NSC) que considerasse o uso de armas nucleares táticas[1] na Coréia.
Para Moscou, Eisenhower era um "imperialista" assustador. Ele não era alguém para não ser levado a sério. Mais tarde, Eisenhower disse que o perigo de uma guerra nuclear forçou o Bloco Comunista a aceitar o armistício de julho de 1953. Na verdade, o perigo de uma guerra nuclear provocou mais do que apenas o armistício. Despertou uma crise de liderança no próprio Kremlin. Sem saber, Eisenhower havia libertado os gatinhos cegos. Ao ameaçar a deflagração de uma guerra nuclear, Eisenhower voltou-os contra Josef Stalin.
Logo depois que Eisenhower se tornou presidente, o já envelhecido ditador soviético virou-se para um de seus guarda-costas e perguntou: "O que você acha - os Estados Unidos irão nos atacar ou não?" O guarda replicou: "Eu acho que eles teriam medo de fazê-lo". Ao ouvir a resposta, Stalin teve um acesso de fúria. "Suma daqui - afinal, o que é que você está fazendo aqui? Eu não o chamei". Mais tarde, Stalin desejava se explicar e então mandou chamar o guarda. "Esqueça que eu gritei com você", ele disse. "Mas lembre-se apenas disto: eles nos atacarão, eles são imperialistas, e eles certamente nos atacarão se nós permitirmos. Esta é a resposta que você deve dar".
De acordo com testemunhas entrevistadas por Edvard Radzinsky, Josef Stalin queria provocar os Estados Unidos até o ponto de uma guerra mundial. Em fevereiro de 1953, o ditador soviético declarou a seus colegas: "Não temos medo de ninguém, e se os cavalheiros imperialistas estão com vontade de ir à guerra, para nós não haveria momento melhor do que este". Afinal, o Exército Vermelho já tinha sido testado contra a Alemanha nazista. Os oficiais e soldados eram veteranos das maiores batalhas jamais travadas. Stalin explicou aos seus subordinados: "Bombas atômicas são feitas para assustar pessoas com nervos fracos". A mensagem era clara: comunistas não devem ter nervos fracos.
Nada mais natural, é claro, que os subordinados de Stalin não quisessem morrer numa confrontação atômica com Eisenhower. Quando eles expressaram dúvidas quanto a combater os americanos, Stalin os repreendeu severamente: "Como é fácil para os cavalheiros imperialistas intimidá-los! É óbvio que temos que transformar o problema numa questão 'ou isto, ou então...', sem outra alternativa. Ou nós os liquidamos, ou depois de minha morte eles liquidarão a vocês, gatinhos cegos."
Todavia, Stalin havia cometido um erro. Ele se esqueceu de outra possibilidade; ou seja de que os gatinhos cegos pudessem liquidar a ele. De acordo com Radzinsky, em 17 de fevereiro de 1953, Stalin deixou o Kremlin para nunca mais voltar. Nas primeiras horas de 28 de fevereiro, os guarda-costas de Stalin forma dispensados em circunstâncias suspeitas. No dia seguinte, Stalin foi encontrado no chão de seu quarto, paralisado. Foi um derrame cerebral que o derrubou? Ou foram os gatinhos cegos?
Acontece que os "gatinhos" de Stalin discordavam dos seus métodos. De acordo com o controverso desertor da KGB Anatoliy Golitsyn, a estratégia de Stalin de confrontar o Ocidente era uma ameaça à estabilidade do comunismo. As divisões de tanques russas eram de fato numerosas, mas a economia soviética precisava de tecnologia e dinheiro do Ocidente. Em vez disso, no pós-guerra, ainda sob Stalin, a União Soviética encontrava-se economicamente desastrada. Ao mesmo tempo, os países satélites do leste europeu não eram confiáveis. A China estava descontente[2] e a Guerra da Coréia ia mal. Além disso, as pessoas não gostam de expurgos. Elas não anseiam por uma guerra atômica. Elas preferem a sensação de segurança.
De 1947 a 1953, Stalin provocou uma confusão terrível; e os gatinhos cegos tinham de fazer alguma coisa. Primeiro, eles precisavam matar Stalin. Após um intervalo decente, eles tinham que denunciá-lo publicamente. Em seu livro de 1984, New Lies for Old[3], Golitsyn escreveu: "Para evitar um mal-entendido, é útil começar por traçar uma distinção entre anticomunismo e anti-stalinismo e por definir a que ponto a desestalinização é um processo genuíno". Continuando sua explicação, Golitsyn nos relata que Stalin afastou-se dos princípios e práticas leninistas ao estabelecer a sua própria ditadura pessoal e ao liquidar membros do partido que dele discordavam. Em resumo, os métodos de Stalin desacreditaram o comunismo aos olhos dos comunistas.
Para desfazer o estrago, os planejadores de Nikita Khrushchev delinearam uma estratégia de longo alcance, envolvendo um futuro programa de liberalização controlada [Primavera de Praga, o Solidariedade na Polônia, a glasnost, a perestroika, a queda do Muro de Berlim, e o "fim" da URSS]. O socialismo internacional tinha de voltar. Os soviéticos gastaram duas décadas estabelecendo um plantel de "dissidentes" controlados pela KGB. Estes tomariam o poder quando chegasse o momento adequado. O legado de Stalin poderia ser enterrado para sempre, e "socialistas agradáveis e finos" emergiriam durante a futura "crise do capitalismo".
O "mais agradável socialista" de hoje (e um gatinho cego), é o presidente russo Dmitri Medvedev, guindado ao poder pelo Kremlin comandado pela KGB [i.e., por Putin]. Em 15 de julho de 2008, Medvedev declarou aos principais diplomatas da Rússia: "Nós já tivemos o que chega de investimentos ideológicos. Como vocês sabem, eles ocorreram num período anterior e, como resultado, precisamos obter dinheiro com muito jeito... através de vários tipos de mecanismos internacionais...". O que importa, insistiu Medvedev, é a construção de novas alianças, uma ONU fortalecida, a integração energética com a Europa e acordos de segurança com a China. Ao mesmo tempo, o sistema de defesa de mísseis americanos na Polônia não pode ser permitido. Não é uma questão de abandonar o jogo. O jogo continua; apenas a ideologia deve ser colocada de lado. Os americanos devem ser tratados como parceiros ao invés de inimigos (ainda que eles realmente sejam os inimigos porque são "imperialistas").
Certa feita, gatinhos cegos mataram Stalin. Você acha que hoje eles não teriam coragem? De acordo com o jornal Izvestia, os militares russos estão ameaçando enviar bombardeiros nucleares para Cuba. Em reação a isso, o novo comandante da Força Aérea dos Estados Unidos, general Norton Schwartz, advertiu os russos a não cruzarem um "limiar". De forma humorada, aquele gatinho velho - o adoentado Fidel Castro - disse que Cuba não devia nenhuma explicação aos Estados Unidos. "Silêncio digno" é tudo que os americanos merecem em resposta.
Evidentemente, não haverá nenhum silêncio digno do camarada de miados de Fidel, Hugo Chávez, que tem implorado à Rússia para proteger a Venezuela contra o "imperialismo" americano. Em resposta, o presidente Medvedev disse que as relações russo-venezuelanas são um "fator chave" na segurança da América Latina.
Depois de alguma reflexão, parece que Stalin estava errado a respeito dos seus subordinados. Eles não eram cegos, eles não eram gatinhos e o Ocidente não os liquidou depois de sua morte. Mesmo agora, sua habilidade dissimulatória está se provando eficaz. Tal como Medvedev ressaltou de maneira tão apropriada, a Rússia está construindo novas reservas de força. Talvez 1953 não fosse o ano ótimo para atacar. Conforme escreveu o desertor Golitsyn, num memorando de março de 1989: "Os estrategistas soviéticos contam com uma depressão econômica nos Estados Unidos...".
Se os gatinhos cegos puderam matar Stalin, se puderam denunciar seus crimes, eram totalmente capazes de lidar com o Ocidente. Eles eram rematados dissimuladores, capazes de levar a cabo qualquer estratégia. Sobre este ponto, o mundo deveria ficar certo.
© 2008 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com
Tradução: MSM
[1] NT: Uma arma nuclear tática difere de uma arma estratégica no alcance e, principalmente, na potência destrutiva. As ogivas estratégicas têm sua de potência medida em megatons (o equivalente ao poder explosivo de milhões de toneladas de TNT). As bombas de Hiroxima e Nagasaki eram medidas em meros kilotons.
[2] NT: Tal descontentamento durou apenas até a morte de Stalin. A parceria sino-soviética foi logo reforçada e hoje, a russo-chinesa vai muito bem.
[3] NT: O livro New Lies for Old encontra-se traduzido para o português [Novas mentiras no lugar das velhas] desde 2004. Infelizmente, não encontrou quem o quisesse publicar, quer por simples questões de "mercado", por mera ignorância da importância do assunto ou pior: por autocensura, por medo.
domingo, 21 de setembro de 2008
Obama e as mãos no saco escrotal...
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