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quinta-feira, 16 de abril de 2009

A técnica da insurreição e do golpe de Estado

MÍDIA SEM MÁSCARA
CARLOS AZAMBUJA | 09 ABRIL 2009 

Trotsky, tranqüilo, sorri: “A insurreição não é uma arte. É uma máquina. Para colocá-la em movimento são precisos técnicos, e só técnicos a poderiam, eventualmente, parar”.

"Sou da linha trotskysta: revolução permanente".
(Declaração do presidente Hugo Chávez em janeiro de 2007).


Na polêmica que se seguiu ao golpe de Estado ocorrido na Rússia em outubro de 1917, Lenin foi considerado o estrategista, o ideólogo, e Trotsky o criador da técnica do golpe de Estado.

Segundo diversos analistas, o perigo de que os governos devem defender-se não advém da estratégia de Lenin, mas da tática de Trotsky.

A estratégia de Lenin não pode ser dissociada da situação concreta da Rússia de 1917. O próprio Lenin, em seu livro Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, observou que a originalidade da situação política na Rússia em 1917 provavelmente nunca iria repetir-se em qualquer país do mundo. Sua estratégia não constitui, pois, um perigo imediato para os governos. A tática de Trotsky, sim. Constitui.

Para a estratégia de Lenin há necessidade da existência de um Kerensky (um governo fraco). A tática de Trotsky, ao contrário, independe desse detalhe e sua existência ou não, em nada a influencia. Há os que afirmam que mesmo que Lenin tivesse ficado na Suíça e não tivesse desempenhado papel algum em outubro de 1917, Trotsky teria tomado o poder.

O que é importante, na realidade, é a tática insurrecional, a técnica do golpe de Estado. Na revolução comunista a estratégia de Lenin não conduz, por si só, à tomada do poder, pois a febre da insurreição, a epidemia de greves, a paralisia da vida política e econômica, a ocupação de fábricas pelos operários, a desorganização das Forças Armadas, a política da burocracia, a leniência da magistratura, a resignação da burguesia e a impotência do governo não são o bastante para a tomada do poder. Essa situação revolucionária prepara, não há dúvida, o ataque decisivo, mas há, no entanto, necessidade de alguém que saiba “usá-la” e conduzir o ataque.

Para a tática de Trotsky as chamadas condições objetivas e subjetivas são apenas um detalhe.

Na Rússia, em 1917, Lenin pensava em obter maioria na Duma, sublevar as massas contra o governo de Kerensky, submergir o país sob a maré proletária, dar o sinal de insurreição a todo o povo, proclamar a necessidade da queda de Kerensky e da ditadura do proletariado.

A seguir, um diálogo imaginário:

“Concordo”, diz Trotsky, “mas antes de mais nada é preciso ter o controle da cidade e ocupar seus pontos estratégicos. Para tal, a insurreição tem que ser organizada e conduzida por uma tropa de choque com um punhado de pessoas. Para isso não necessitamos recorrer às massas. Um pequeno grupo nos é suficiente”.

Mas Lenin não queria que a revolução bolchevique viesse a ser classificada de “blanquista” (ou seja, acusada de ter sido feita por um punhado de conspiradores e não por meio da luta de classes do proletariado, conduzida por seu estado-maior, o partido, conforme a ortodoxia do marxismo).

“Muito bem”, responde Trotsky, “mas todo o povo é demasiado para a insurreição. Devemos contar é com um pequeno grupo, implacável e agressivo, treinado na tática insurrecional”.

“É conveniente”, admite Lenin, “concentrar os nossos esforços nas fábricas e nos quartéis. A revolução será feita aí e é aí que fica o seu nó vital. É aí que, em discursos inflamados, devemos explicar e ampliar o nosso programa, pondo a questão nos seguintes termos: ou a aceitação integral de nosso programa ou a insurreição”.

“Muito bem”, diz Trotsky, “mas quando as massas tiverem concordado com o nosso programa, teremos que organizar a insurreição. Para tal, devemos escolher, nas fábricas e nos quartéis, elementos de confiança e prontos para o que der e vier. Do que temos necessidade não é da massa de operários, é de uma tropa de choque”, insiste Trotsky.

“Para que a insurreição seja de inspiração marxista, isto é, encarada como uma arte”, concorda Lenin, “devemos simultaneamente e sem perda de tempo, organizar o Estado-Maior das tropas insurrecionais, repartir as nossas forças, lançar os regimentos fiéis nos pontos nevrálgicos da cidade, cercar o teatro Alexandra, ocupar o Forte Pedro e Paulo, prender o Estado-Maior Geral e enviar contra os oficiais-alunos e os cossacos, destacamentos dispostos a sacrificarem, se necessário, até o último homem a fim de impedir que o inimigo atinja o centro da cidade. Devemos mobilizar os operários armados, chamá-los ao combate, ocupar as centrais telefônicas e telegráficas, instalar aí o nosso Estado-Maior, pô-lo em contato com todas as fábricas, todos os regimentos e todos os pontos onde se desenvolver a luta armada”. 

“Muito bem”, diz Trotsky, “mas...”.

“Tudo o que afirmei é um pouco vago”, reconhece Lenin, “mas com isto eu quero provar que, no estado em que nos encontramos, só poderemos ser fiéis ao marxismo e à revolução se encararmos a insurreição como uma arte. Você conhece as principais regras com que Marx regulou esta arte. Pois bem, aplicadas à atual situação da Rússia estas regras significam: ofensiva simultânea, tão inesperada e rápida quanto possível sobre Petrogrado, concentração de forças superior aos 20 mil homens que o governo dispõe. Articulação entre as nossas três principais forças – a Marinha, os operários e as unidades militares – de modo a ocupar e defender as centrais telefônicas, o telégrafo, as estações de trens e as pontes. Selecionar, dentre os elementos de nossos grupos de ataque, os operários e marinheiros mais resolutos, formar destacamentos para ocupar todos os pontos importantes e participar em todas as operações decisivas. Por último, constituir grupos de operários armados com espingardas e granadas, que marcharão sobre as posições inimigas (escolas de oficiais, centrais telefônicas e telegráficas). O triunfo da revolução russa e, ao mesmo tempo, da revolução mundial, depende de dois ou três dias de luta”.

“Tudo isso é muito correto”, explica Trotsky, “mas demasiadamente complicado. É um plano vastíssimo, uma estratégia que abrange demasiado território e muitas pessoas. Não é uma insurreição. É uma guerra. Para ocupar Petrogrado não há nenhuma necessidade de tomar o trem na Finlândia. Quando se parte de muito longe fica-se, muitas vezes, no meio do caminho. Desencadear uma ofensiva de 20 mil homens desde Kronstadt para ocupar o teatro Alexandra é ‘um pouco’ demasiado para um golpe de mão. Em estratégia, o próprio Marx seria vencido por Korniloff. Urge fixarmo-nos na tática, agir com um punhado de homens e num terreno limitado, concentrar esforços nos objetivos prioritários, bater forte e feio. Não creio que seja muito complicado: as coisas perigosas são sempre extremamente simples. Para atingir o nosso objetivo não devemos recear os fatores que nos são adversos nem fiarmo-nos nos que são favoráveis. É preciso agir sem alarido, silenciosa e calmamente. A insurreição é uma máquina silenciosa. A sua estratégia exige uma série de circunstâncias favoráveis. A insurreição não precisa de nada. Basta-se a ela própria”.

As palavras acima, atribuídas a Lenin e Trotsky não são uma ficção. São extratos de cartas enviadas ao Comitê Central do Partido Bolchevique, em outubro de 1917, por ambos.

Os que conhecem todos os escritos de Lenin, em particular os que se referem à técnica insurrecional das jornadas de dezembro, em Moscou, durante a revolução de 1905, devem mostrar-se bastante surpreendidos com a ingenuidade da sua concepção de tática e estratégia insurrecionais, nas vésperas da Revolução de Outubro. Todavia, devemos reconhecer que após o revés da tentativa de revolução, em julho de 1917, foi ele o único – à exceção de Trotsky - que não perdeu de vista o objetivo principal da estratégia revolucionária: o golpe de Estado.

Após algumas hesitações (em julho, o Partido Bolchevique tinha um único objetivo e de natureza parlamentar: a conquista de maioria nos Sovietes) o germe da insurreição tornara-se para Lenin, “o motor de toda a sua atividade”. Durante sua estada na Finlândia – onde se refugiara após as jornadas de julho, para não ser preso por Kerensky – toda a sua atividade se resumia à preparação teórica da insurreição. De outra forma não se explicaria a ingenuidade do seu projeto de uma ofensiva militar sobre Petrogrado, apoiada, no interior da cidade, pela ação dos guardas vermelhos. Tal ofensiva teria redundado em um desastre.

Na sua carta de 17 de outubro de 1917, Lenin defendia a tática de Trotsky: “Não se trata de blanquismo. Efetivamente um golpe militar será blanquista quando não for organizado pelo partido de uma classe determinada; quando os seus organizadores não atenderem ao movimento político, em geral, e à situação nacional, em particular. Entre um golpe militar, condenável sob todos os pontos de vista, e a arte da insurreição armada, há uma grande diferença”.

Mas Trotsky, tranqüilo, sorri: “A insurreição não é uma arte. É uma máquina. Para colocá-la em movimento são precisos técnicos, e só técnicos a poderiam, eventualmente, parar”.

Essa tática de ação insurrecional de Trotsky passou a fazer parte da estratégia revolucionária da III Internacional e, por conseguinte, do Movimento Comunista Internacional.

Um elemento indispensável à insurreição é a greve geral, que tornaria a insurreição semelhante a um murro dado em um aleijado, pois para que ela tenha êxito, é necessário que a vida das cidades esteja paralisada pela greve geral.

Finalmente, é inexato que o governo provisório de Kerensky não tenha adotado as medidas necessárias para a defesa do Estado. Todavia, o método defensivo de Kerensky consistia em aplicar as medidas de segurança e de polícia tradicionais, em que até hoje confiam os governos liberais. Não se pode acusar Kerensky de imprevidência. Ocorre que o método de aplicar somente a repressão, ao invés de medidas políticas, administrativas e econômicas, a fim de assegurar a defesa do Estado contra a técnica insurrecional moderna, é uma ação ineficaz.

Os governos, quase sempre, à tática revolucionária, revelando ignorância dos princípios elementares de defesa do poder, opõem uma tática defensiva baseada em medidas policiais, esquecendo que essas medidas, de conformidade com qualquer manual de contra-insurreição, devem ser 90% políticas, econômicas e administrativas e apenas 10% repressivas.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Stalin, o Mito - legendado

Existe uma característica existentes em todos os comandantes de revolucão além das conhecidas (assassinos em massa, mitômanos, doentes mentais, mentirosos, usurpadores, etc.) que talvez poucos percebem:

A COVARDIA INDIVIDUAL.

Vejam que belo exemplo DE COVARDE era Stalin. Merecia um prêmio, assim como Che que suplica pela vida quando encurralado. Percebam neste filme todo o MITO que foi Stalin e quantas vezes ele "corria do pau" quando a coisa engrossava. 

Que nojo, que tipo de gente mais imunda!!!
 

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A grandeza de Josef Stálin

Folha de S.Paulo, 18 de dezembro de 2003


A Segunda Guerra Mundial foi preparada e provocada deliberadamente pelo governo soviético desde a década de 20, naquilo que constituiu talvez o mais ambicioso, complexo e bem-sucedido plano estratégico de toda a história humana. O próprio surgimento do nazismo foi uma etapa intermediária, não de todo prevista no esquema originário, mas rapidamente assimilada para dar mais solidez aos resultados finais.


Os documentos dos arquivos de Moscou reunidos pelos historiadores russos Yuri Dyakov e Tatyana Bushuyeva em "The Red Army and the Wehrmacht" (Prometheus Books, 1995) não permitem mais fugir a essa conclusão.


Reduzida à miséria por indenizações escorchantes e forçada pelo Tratado de Versalhes a se desarmar, a Alemanha sabia que, para ter seu Exército de volta, precisaria reconstruí-lo em segredo. Mas burlar a fiscalização das potências ocidentais era impossível. A ajuda só poderia vir da URSS.


Enquanto isso, Stálin, descrente dos movimentos revolucionários europeus, pensava em impor o comunismo ao Ocidente por meio da ocupação militar. Nessa perspectiva, a Alemanha surgia naturalmente como a ponta-de-lança ideal para debilitar o adversário antes de um ataque soviético. Foi para isso que Stálin investiu pesadamente no rearmamento secreto da Alemanha e cedeu parte do território soviético para que aí as tropas alemãs se reestruturassem, longe da vigilância franco-britânica. De 1922 até 1939, a URSS militarizou ilegalmente a Alemanha com o propósito consciente de desencadear uma guerra de dimensões continentais. A Segunda Guerra foi, de ponta a ponta, criação de Stálin.


O sucesso do nazismo não modificou o plano, antes o reforçou. Stálin via o nazismo como um movimento anárquico, bom para gerar confusão, mas incapaz de criar um poder estável. A ascensão de Hitler era um complemento político e publicitário perfeito para o papel destinado à Alemanha no campo militar. Se o Exército alemão iria arrombar as portas do Ocidente para o ingresso das tropas soviéticas, a agitação nazista constituiria, na expressão do próprio Stálin, "o navio quebra-gelo" da operação. Debilitando a confiança européia nas democracias, espalhando o caos e o pânico, o nazismo criaria as condições psicossociais necessárias para que o comunismo, trazido nas pontas das baionetas soviéticas com o apoio dos movimentos comunistas locais, aparecesse como um remédio salvador.


Para realizar o plano, Stálin tinha de agir com prudente e fino maquiavelismo. Precisava fortalecer a Alemanha no presente, para precipitá-la num desastre no futuro, e precisava cortejar o governo nazista ao mesmo tempo em que atiçava contra ele as potências ocidentais. Tarimbado na práxis dialética, ele conduziu com espantosa precisão essa política de mão dupla na qual reside a explicação lógica de certas contradições de superfície que na época desorientaram e escandalizaram os militantes mais ingênuos (como as sutilezas da estratégia do sr. José Dirceu escandalizam e desorientam a sra. Heloísa Helena).


Por exemplo, ele promovia uma intensa campanha antinazista na França, ao mesmo em tempo que ajudava a Alemanha a se militarizar, organizava o intercâmbio de informações e prisioneiros entre os serviços secretos da URSS e da Alemanha para liquidar as oposições internas nos dois países e recusava qualquer ajuda substantiva aos comunistas alemães, permitindo, com um sorriso cínico, que fossem esmagados pelas tropas de assalto nazistas. A conduta aparentemente paradoxal da URSS na Guerra Civil Espanhola também foi calculada dentro da mesma concepção estratégica.


Mobilizando batalhões de idiotas úteis nas classes intelectuais do Ocidente, a espetaculosa ostentação estalinista de antinazismo - cujos ecos ainda se ouvem nos discursos da esquerda brasileira, última crente fiel nos mitos dos anos 30 - serviu para camuflar a militarização soviética da Alemanha, mas também para jogar o Ocidente contra um inimigo virtual que, ao mesmo tempo, estava sendo jogado contra o Ocidente.


Hitler, que até então era um peão no tabuleiro de Stálin, percebeu o ardil e decidiu virar a mesa, invadindo a URSS. Mas Stálin soube tirar proveito do imprevisto, mudando rapidamente a tônica da propaganda comunista mundial do pacifismo para o belicismo e antecipando a transformação, prevista para muito depois, do antinazismo de fachada em antinazismo armado. Malgrado o erro de cálculo logo corrigido, o plano deu certo: a Alemanha fez seu papel de navio quebra-gelo, foi a pique, e a URSS ascendeu à posição de segunda potência mundial dominante, ocupando militarmente metade da Europa e aí instalando o regime comunista.


Na escala da concepção estalinista, o que representam 40 milhões de mortos, o Holocausto, nações inteiras varridas do mapa, culturas destruídas, loucura e perdição por toda parte? Segundo Trótski, o carro da história esmaga as flores do caminho. Lênin ponderava que sem quebrar ovos não se pode fazer uma omelete. Flores ou ovos, o sr. Le Pen, mais sintético, resumiria o caso numa palavra: "Detalhes". Apenas detalhes. Nada que possa invalidar uma grandiosa obra de engenharia histórica, não é mesmo?


Por ter colaborado nesse empreendimento, o sr. Apolônio de Carvalho foi, no entender do ministro Márcio Thomaz Bastos, um grande herói. Mas, se o miúdo servo de Stálin tem as proporções majestosas de um herói, o que teria sido o próprio Stálin? Um deus?

sábado, 4 de abril de 2009

Relembrando - FRASES DE STALIN

. Uma única morte é uma tragédia. Um milhão de mortes é estatística.

. Morte é a solução para todos os problemas. Nenhum homem, nenhum problema;

. Educação é uma arma que 
afeta a quem a tem nas mãos e para quem a apontamos;

. Gratidão é uma doença sofrida por cães.

. Não confio em ninguém, inclusive em mim.

Idéias são mais poderosas que armas. Não permitimos que nossos inimigos portem armas, por que deveríamos permitir idéias?

. A imprensa é a arma mais forte e 
pontiaguda de nosso partido

. O único poder real vêm da ponta do cano de um longo rifle.

. Os eleitores não decidem uma eleição. As pessoas que contam os votos sim!

segunda-feira, 16 de março de 2009

A grandeza de Josef Stálin

MOVIMENTO ENDIREITAR
Escrito por Olavo de Carvalho Sex, 13 de Março de 2009

A Segunda Guerra Mundial foi preparada e provocada deliberadamente pelo governo soviético desde a década de 20, naquilo que constituiu talvez o mais ambicioso, complexo e bem-sucedido plano estratégico de toda a história humana. O próprio surgimento do nazismo foi uma etapa intermediária, não de todo prevista no esquema originário, mas rapidamente assimilada para dar mais solidez aos resultados finais. Os documentos dos arquivos de Moscou reunidos pelos historiadores russos Yuri Dyakov e Tatyana Bushuyeva em "The Red Army and the Wehrmacht" (Prometheus Books, 1995) não permitem mais fugir a essa conclusão.

Reduzida à miséria por indenizações escorchantes e forçada pelo Tratado de Versalhes a se desarmar, a Alemanha sabia que, para ter seu Exército de volta, precisaria reconstruí-lo em segredo. Mas burlar a fiscalização das potências ocidentais era impossível. A ajuda só poderia vir da URSS.


Leia também:

Enquanto isso, Stálin, descrente dos movimentos revolucionários europeus, pensava em impor o comunismo ao Ocidente por meio da ocupação militar. Nessa perspectiva, a Alemanha surgia naturalmente como a ponta-de-lança ideal para debilitar o adversário antes de um ataque soviético. Foi para isso que Stálin investiu pesadamente no rearmamento secreto da Alemanha e cedeu parte do território soviético para que aí as tropas alemãs se reestruturassem, longe da vigilância franco-britânica. De 1922 até 1939, a URSS militarizou ilegalmente a Alemanha com o propósito consciente de desencadear uma guerra de dimensões continentais. A Segunda Guerra foi, de ponta a ponta, criação de Stálin.

O sucesso do nazismo não modificou o plano, antes o reforçou. Stálin via o nazismo como um movimento anárquico, bom para gerar confusão, mas incapaz de criar um poder estável. A ascensão de Hitler era um complemento político e publicitário perfeito para o papel destinado à Alemanha no campo militar. Se o Exército alemão iria arrombar as portas do Ocidente para o ingresso das tropas soviéticas, a agitação nazista constituiria, na expressão do próprio Stálin, "o navio quebra-gelo" da operação. Debilitando a confiança européia nas democracias, espalhando o caos e o pânico, o nazismo criaria as condições psicossociais necessárias para que o comunismo, trazido nas pontas das baionetas soviéticas com o apoio dos movimentos comunistas locais, aparecesse como um remédio salvador.

Para realizar o plano, Stálin tinha de agir com prudente e fino maquiavelismo. Precisava fortalecer a Alemanha no presente, para precipitá-la num desastre no futuro, e precisava cortejar o governo nazista ao mesmo tempo em que atiçava contra ele as potências ocidentais. Tarimbado na práxis dialética, ele conduziu com espantosa precisão essa política de mão dupla na qual reside a explicação lógica de certas contradições de superfície que na época desorientaram e escandalizaram os militantes mais ingênuos (como as sutilezas da estratégia do sr. José Dirceu escandalizam e desorientam a sra. Heloísa Helena).

Por exemplo, ele promovia uma intensa campanha antinazista na França, ao mesmo em tempo que ajudava a Alemanha a se militarizar, organizava o intercâmbio de informações e prisioneiros entre os serviços secretos da URSS e da Alemanha para liquidar as oposições internas nos dois países e recusava qualquer ajuda substantiva aos comunistas alemães, permitindo, com um sorriso cínico, que fossem esmagados pelas tropas de assalto nazistas. A conduta aparentemente paradoxal da URSS na Guerra Civil Espanhola também foi calculada dentro da mesma concepção estratégica.

Mobilizando batalhões de idiotas úteis nas classes intelectuais do Ocidente, a espetaculosa ostentação estalinista de antinazismo - cujos ecos ainda se ouvem nos discursos da esquerda brasileira, última crente fiel nos mitos dos anos 30 - serviu para camuflar a militarização soviética da Alemanha, mas também para jogar o Ocidente contra um inimigo virtual que, ao mesmo tempo, estava sendo jogado contra o Ocidente.

Hitler, que até então era um peão no tabuleiro de Stálin, percebeu o ardil e decidiu virar a mesa, invadindo a URSS. Mas Stálin soube tirar proveito do imprevisto, mudando rapidamente a tônica da propaganda comunista mundial do pacifismo para o belicismo e antecipando a transformação, prevista para muito depois, do antinazismo de fachada em antinazismo armado. Malgrado o erro de cálculo logo corrigido, o plano deu certo: a Alemanha fez seu papel de navio quebra-gelo, foi a pique, e a URSS ascendeu à posição de segunda potência mundial dominante, ocupando militarmente metade da Europa e aí instalando o regime comunista.

Na escala da concepção estalinista, o que representam 40 milhões de mortos, o Holocausto, nações inteiras varridas do mapa, culturas destruídas, loucura e perdição por toda parte? Segundo Trótski, o carro da história esmaga as flores do caminho. Lênin ponderava que sem quebrar ovos não se pode fazer uma omelete. Flores ou ovos, o sr. Le Pen, mais sintético, resumiria o caso numa palavra: "Detalhes". Apenas detalhes. Nada que possa invalidar uma grandiosa obra de engenharia histórica, não é mesmo?

Por ter colaborado nesse empreendimento, o sr. Apolônio de Carvalho foi, no entender do ministro Márcio Thomaz Bastos, um grande herói. Mas, se o miúdo servo de Stálin tem as proporções majestosas de um herói, o que teria sido o próprio Stálin? Um deus?


Fonte: www.olavodecarvalho.org

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A ressureição de Stalin

SHRUGGED



Stalin Love

“O que se tem agora na Rússia é a KGB no poder”, conclui o historiador britânico, Orlando Figes, autor do diversos livros sobre a Revolução de 17. A constatação se faz após uma pesquisa realizada por uma rede de tevê russa sobre os 100 maiores compatriotas do país. Stalin está entre os finalistas, com mais de 3,5 milhões de votos. É o resultado dos esforços do Kremlin em reescrever a história.


Segundo o partido comunista russo, embora Stalin seja o responsável pela matança de pelo menos 25 milhões de pessoas, os seus erros foram perdoados porque ele fez da Rússia uma superpotência. É o que Trotsky dizia sobre ser preciso quebrar os ovos para fazer omeletes.


Assim um assassino vira santo. Basta apagar os arquivos e reescrever a história como em 1984 de Orwell. A comparação parece exagerada? Pelo contrário. Além da nova versão histórica, ditada pelos livros de Alexander Filipov impostos pelo governo às escolas -  onde Stalin é praticamente santificado -, começam a desaparecer misteriosamente documentos dos arquivos de Moscou. São relatos detalhados dos sobreviventes dos campos de concetração sobre suas rotinas de trabalhos forçados, fotos de execuções de dissidentes pela polícia secreta de Stalin, além de mapas dos gulags indicando os locais das sepulturas coletivas dos assassinados pelo regime. E claro, as estatísticas dos mortos pela fome na Ucrânia.


No último dia 17 de dezembro uma manifestação pró-Stalin foi usada como cortina de fumaça para a tentativa de saque ao Memorial de St. Petersburgo, que guarda os dados com nomes e biografias de sobreviventes e dos mortos pelo stalinismo. Os ladrões levaram 11 computadores com todos os arquivos digitalizados, mas a polícia os recuperou. “Eles sabiam muito bem o que roubavam”, diz a diretora do Memorial, Irina Flige. Todos os arquivos estão em poder da polícia e Flige diz não ter a menor idéia de quando os terão de volta. Há uma tentativa deliberada do estado para reconstruir a história, por isso, “os arquivos podem ser danificados, senão deliberadamente, por algum acidente”, garante a diretora.


Alexander Danilov, editor do novo manual escolar que postula o status de herói a Stalin, acredita que a idéia de limpar a imagem do ex-ditador partiu do então presidente - agora primeiro ministro - Vladimir Putin. “Isto está totalmente de acorco com o curso político tomado nos últimos oito anos, que é dedicado a unir a sociedade”.


É a nova edição do velho e surrado “comunistas do mundo, uni-vos”. Mas não seria diferente se os alemães decidissem unir a sociedade exaltando Hitler como herói.


Como na estória de Orwell, “…quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado.” Afinal, “o partido dizia que a Oceania jamais fora aliada da Eurásia. Ele, Winston Smith, sabia que a Oceania fora aliada da Eurásia não havia quatro anos. Onde, porém, existia esse conhecimento? Apenas em sua consciência, o que em todo caso deveria ser logo aniquilado. E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido - se todos os anais dissessem a mesma coisa - então a mentira se transformava em história, em verdade.”


———————
Aqui, matéria da BBC sobre a preferência de Stalin pelos russos;

aquio Chicago Tribune conta como Putin tenta reescrever a história e transformar Stalin num anjo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O terror comunista - I

Seg, 07 de Maio de 2007 09:21 Carlos I.S. Azambuja

“O conhecimento do que foi o terror comunista pode ajudar muitas pessoas, sobretudo as mais jovens, a entenderem a importância da verdadeira liberdade, sem coletivismos e falácias socialistas, impedindo a repetição de tragédias semelhantes”.

(Carlos I. S. Azambuja)

Muito já se escreveu sobre o terror comunista, mas nunca é demais detalhar como esse terror foi implantado por Stalin, com um relato baseado não apenas em memórias e diários inéditos de personagens importantes, e entrevistas com os sobreviventes e os descendentes dos poderosos da era stalinista, mas também – e sobretudo – beneficiado pela liberação recentíssima de documentos, cartas, bilhetes, anotações nas margens de documentos e de livros, minutas de reuniões, agendas e dos papéis que passavam todos os dias pela escrivaninha de Stalin, em muitos dos quais ele deixava a sua marca de aprovação, reprovação ou escárnio. Assim, foi possível mostrar tanto a intimidade do poder, que até agora permanecia envolta em brumas e mistério, como sua face mais brutal.

O primeiro dos grandes processos espetaculares do terror comunista teve início em 19 de agosto de 1936 no Salão de Outubro, no segundo andar da Casa dos Sindicatos, em Moscou. Os 350 espectadores eram funcionários do NKVD com roupas comuns, jornalistas estrangeiros e diplomatas. No centro, sobre um tablado, os três juizes, liderados por Vassili Ulrikh, sentaram-se em cadeiras semelhantes a tronos, cobertas com pano vermelho. A verdadeira estrela desse espetáculo teatral, o procurador Andrei Vichinski, com uma interpretação de ira espumante e pedantismo articulado. Os acusados, 16 sujeitos rotos, guardados por soldados do NKVD com baionetas caladas, sentaram-se à direita. Atrás deles uma porta que dava para um espaço comparável a uma sala de espera das celebridades em um estúdio de televisão. Ali, com sanduíches e refrescos, estava Guenrikh Grigorievitch Iagoda (Comissário do Povo de 1934 a 1936), que poderia conferenciar com Vichinski e os acusados durante o julgamento.

Dizia-se que Stalin a tudo assistia desde uma galeria escondida, com janelas escuras, nos fundos do salão.

Os acusados foram indiciados por uma quantidade fantástica de crimes tramada pela conspiração obscura liderada por Trotski, Zinoviev e Kamenev (o “centro Trotskista-Zinovievista Unido”) que conseguira matar Kirov, mas falhara várias vezes ao tentar matar Stalin. Durante seis dias eles confessaram esses crimes com uma docilidade que espantou os espectadores ocidentais.

A linguagem desses processos era tão obscura quanto hieróglifos e só podia ser entendida dentro do universo fechado bolchevique de conspirações do mal contra o bem, em que “terrorismo” tinha o significado de “quaisquer dúvidas sobre as políticas ou o caráter de Stalin”. Todos os seus adversários políticos eram tachados de “terroristas”. Mais de dois “terroristas” era uma “conspiração” e a reunião de “terroristas” de facções diferentes criava um “Centro Unificado” de espantoso alcance global, revelador da paranóia bolchevique, formada em décadas de vida na clandestinidade.

Enquanto os 16 réus esmagados diziam suas falas, o procurador Vichisnky combinava com brilhantismo o embuste indignado de um pregador com as maldições diabólicas de um feiticeiro. Uma testemunha ocidental achou-o parecido com um corretor da Bolsa, acostumado a almoçar no Simpson’s e jogar golfe em Sunningdale. De uma família polonesa nobre e rica de Odessa, Vichinsky fora companheiro de cela de Stalin, com quem dividia os cestos recebidos da família, investimento que pode ter salvado sua vida. Era desagradável com seus subordinados, mas servil com seus superiores. Seus subordinados o consideravam uma “figura sinistra”. Alerta, vigoroso, vaidoso e inteligente, impressionava os ocidentais tanto quanto os assustava com seus maneirismos forenses. Orgulhava-se muito de sua notoriedade: apresentado à princesa Margaret, em Londres, em 1947, sussurrou aos diplomatas que fazia as apresentações: “Por favor, acrescente meu antigo título de procurador nos processos de Moscou”.

As acusações deixaram sérias dúvidas entre muitos dos jornalistas, exacerbadas pelas asneiras cômicas do NKVD: a corte ouviu como Sedov, filho de Trotsky, ordenou os assassinatos em uma reunião no hotel Bristol, na Dinamarca, mas descobriu-se que esse hotel fora demolido em 1917...

Consta que Stalin teria gritado: “Para que diabos vocês precisam de hotel? Deveria ter dito estação ferroviária. A estação está sempre lá”.

Esse espetáculo teve um elenco maior do que as pessoas que estavam no palco, porque outras pessoas foram cuidadosamente implicadas, abrindo a perspectiva de outros famosos “terroristas” aparecerem em julgamentos posteriores. Os réus implicaram comandantes militares e outros, como Bukharin, Rikov e Tomski, e Wichisnky anunciou que iria instaurar processos contra esses nomes famosos.

Em 22 de agosto, apenas três depois de iniciado esse processo, Stalin recebeu o seguinte telegrama de Lazar Kaganóvitch, um dos poderosos do círculo de Stalin: “Esta manhã Tomski se suicidou com um tiro. Deixou uma carta para você em que tenta provar sua inocência (...) Não temos dúvidas de que Tomski, sabendo que agora não é mais possível esconder seu lugar no bando Zinoviev-trostkista, decidiu dissimular com o suicídio”.

Os porta-vozes de Stalin criaram uma abominação pública contra os “terroristas”. Nikita Kruschev (que em fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, iria denunciar os crimes de Stalin), partidário raivoso dos processos e dos fuzilamentos, chegou uma noite ao Comitê Central e encontrou Kaganovitch e Sergo (apelido de Grigori Konstantinovitch Ordjonikidze) induzindo o poeta Demian Bedny a produzir um poema curto e aterrorizante para o Pravda. Esse poema, publicado no dia seguinte, bradava: “Esmagar as criaturas repugnantes! Os cães raivosos devem ser fuzilados!”

No tribunal, Andrei Vichinsky encerrou a acusação: “Esses cães raivosos do capitalismo tentaram rasgar de membro a membro o melhor de nossa terra soviética, o camarada Kirov. Exijo que esses cães raivosos sejam fuzilados. Todos eles!”. Os cães fizeram então seus apelos patéticos e confissões. Mesmo mais de 70 anos depois, são trágicos de ler. Kamenev terminou sua confissão mas depois se ergueu de novo para apelar por seus filhos, aos quais não tinha outro meio de se dirigir: “Qualquer que seja a minha sentença, considero-a de antemão justa. Não olhem para trás! Vão em frente! Sigam Stalin!”.

Os juizes se retiraram para decidir sobre seu veredicto já decidido, retornando para sentenciar todos à morte, diante do que um réu gritou: “Viva a causa de Marx, Engels, Lênin e Stalin!”

De volta à prisão, os “terroristas” apavorados apelaram por clemência, lembrando a promessa de Stalin de poupá-los. Enquanto Zinoviev e Kamenev aguardavam em suas celas, Stalin recebeu em sua ensolarada casa de campo um telegrama de Kaganovitch, Sergo e Iejov (*), informando-o de que o apelo dos acusados fora recebido e que “o Politburo propôs rejeitar os pedidos e executar o veredicto hoje à noite”. Stalin não respondeu, talvez cônscio de que o fuzilamento de dois camaradas mais próximos de Lenin marcava um passo gigantesco no sentido de sua próxima aposta colossal: um intenso reino de terror contra o próprio partido e contra os chefes do Exército, uma carnificina que sacrificaria até seus amigos e familiares.


O texto acima é um resumo das páginas 223 a 227 do livro “Stalin, a Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore, editora Companhia das Letras, 2003.

(*) Nkolaï Ivanovitch Iejov, chefe do NKVD de 25 de setembro de 1936 até 24 de novembro de 1938, um dos principais executores das purgas decididas por Stalin. Fuzilado por ordem de Stalin e Lavrenti Beria – que o sucedeu na chefia do NKVD – em 2 de fevereiro de 1940.


Publicado originalmente no site MídiaSemMáscara.org

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os gatinhos cegos

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA, por e-mail
* o site está fora do ar, motivo pelo qual não inseri o link deste artigo
por Jeffrey Nyquist

Um gatinho cego é uma criatura indefesa. Não pode nem sequer fugir. Um gatinho cego é, portanto, a vítima perfeita: fácil de agarrar, de prender, fácil de matar. Em termos de metáfora política, o ditador soviético Stalin descrevia os seus companheiros de crime como "gatinhos cegos". Na persecução pelo poder absoluto ele exigia obediência absoluta, cega e inofensiva dos seus subordinados. Ele não se sentia seguro se lhes permitisse que detivessem poder demais. Assim, ele os exterminava e aterrorizava tal como uma questão de diretriz política. Foi somente em seus últimos dias que Stalin os subestimou.

Em 1952, até mesmo os gatinhos cegos podiam ver que os americanos tinham elegido o general Eisenhower como seu presidente. Este era o mesmo Eisenhower que sutilmente ameaçou usar armas nucleares contra o Bloco Comunista a menos que este cessasse as hostilidades na Coréia. Afinal, por que os Estados Unidos deveriam lutar uma guerra sem fim contra os comunistas quando possuíam superioridade nuclear? Considerando o inesgotável suprimento de soldados chineses, os comunistas poderiam manter a guerra por tempo indeterminado. Isso era inaceitável.

A este respeito, o historiador John Lewis Gaddis observou: "Eisenhower relatou ao Conselho de Segurança Nacional que se a nação tivesse de continuar os gastos com forças convencionais na escala requerida pelo conflito na Coréia, haveria razão para especular 'o que viria primeiro, a bancarrota nacional ou a destruição nacional'". Deste modo, a resolução NSC 162/2 determinava: "Na ocorrência de hostilidades, os Estados Unidos considerarão armas nucleares disponíveis para uso tal como outras munições". Acrescentando, Eisenhower ainda disse que "[as] armas atômicas virtualmente atingiram o status de armas convencionais em nossas forças armadas". No início de 1953, Eisenhower determinou ao seu Conselho de Segurança Nacional (NSC) que considerasse o uso de armas nucleares táticas[1] na Coréia.

Para Moscou, Eisenhower era um "imperialista" assustador. Ele não era alguém para não ser levado a sério. Mais tarde, Eisenhower disse que o perigo de uma guerra nuclear forçou o Bloco Comunista a aceitar o armistício de julho de 1953. Na verdade, o perigo de uma guerra nuclear provocou mais do que apenas o armistício. Despertou uma crise de liderança no próprio Kremlin. Sem saber, Eisenhower havia libertado os gatinhos cegos. Ao ameaçar a deflagração de uma guerra nuclear, Eisenhower voltou-os contra Josef Stalin.

Logo depois que Eisenhower se tornou presidente, o já envelhecido ditador soviético virou-se para um de seus guarda-costas e perguntou: "O que você acha - os Estados Unidos irão nos atacar ou não?" O guarda replicou: "Eu acho que eles teriam medo de fazê-lo". Ao ouvir a resposta, Stalin teve um acesso de fúria. "Suma daqui - afinal, o que é que você está fazendo aqui? Eu não o chamei". Mais tarde, Stalin desejava se explicar e então mandou chamar o guarda. "Esqueça que eu gritei com você", ele disse. "Mas lembre-se apenas disto: eles nos atacarão, eles são imperialistas, e eles certamente nos atacarão se nós permitirmos. Esta é a resposta que você deve dar".

De acordo com testemunhas entrevistadas por Edvard Radzinsky, Josef Stalin queria provocar os Estados Unidos até o ponto de uma guerra mundial. Em fevereiro de 1953, o ditador soviético declarou a seus colegas: "Não temos medo de ninguém, e se os cavalheiros imperialistas estão com vontade de ir à guerra, para nós não haveria momento melhor do que este". Afinal, o Exército Vermelho já tinha sido testado contra a Alemanha nazista. Os oficiais e soldados eram veteranos das maiores batalhas jamais travadas. Stalin explicou aos seus subordinados: "Bombas atômicas são feitas para assustar pessoas com nervos fracos". A mensagem era clara: comunistas não devem ter nervos fracos.

Nada mais natural, é claro, que os subordinados de Stalin não quisessem morrer numa confrontação atômica com Eisenhower. Quando eles expressaram dúvidas quanto a combater os americanos, Stalin os repreendeu severamente: "Como é fácil para os cavalheiros imperialistas intimidá-los! É óbvio que temos que transformar o problema numa questão 'ou isto, ou então...', sem outra alternativa. Ou nós os liquidamos, ou depois de minha morte eles liquidarão a vocês, gatinhos cegos."

Todavia, Stalin havia cometido um erro. Ele se esqueceu de outra possibilidade; ou seja de que os gatinhos cegos pudessem liquidar a ele. De acordo com Radzinsky, em 17 de fevereiro de 1953, Stalin deixou o Kremlin para nunca mais voltar. Nas primeiras horas de 28 de fevereiro, os guarda-costas de Stalin forma dispensados em circunstâncias suspeitas. No dia seguinte, Stalin foi encontrado no chão de seu quarto, paralisado. Foi um derrame cerebral que o derrubou? Ou foram os gatinhos cegos?

Acontece que os "gatinhos" de Stalin discordavam dos seus métodos. De acordo com o controverso desertor da KGB Anatoliy Golitsyn, a estratégia de Stalin de confrontar o Ocidente era uma ameaça à estabilidade do comunismo. As divisões de tanques russas eram de fato numerosas, mas a economia soviética precisava de tecnologia e dinheiro do Ocidente. Em vez disso, no pós-guerra, ainda sob Stalin, a União Soviética encontrava-se economicamente desastrada. Ao mesmo tempo, os países satélites do leste europeu não eram confiáveis. A China estava descontente[2] e a Guerra da Coréia ia mal. Além disso, as pessoas não gostam de expurgos. Elas não anseiam por uma guerra atômica. Elas preferem a sensação de segurança.

De 1947 a 1953, Stalin provocou uma confusão terrível; e os gatinhos cegos tinham de fazer alguma coisa. Primeiro, eles precisavam matar Stalin. Após um intervalo decente, eles tinham que denunciá-lo publicamente. Em seu livro de 1984, New Lies for Old[3], Golitsyn escreveu: "Para evitar um mal-entendido, é útil começar por traçar uma distinção entre anticomunismo e anti-stalinismo e por definir a que ponto a desestalinização é um processo genuíno". Continuando sua explicação, Golitsyn nos relata que Stalin afastou-se dos princípios e práticas leninistas ao estabelecer a sua própria ditadura pessoal e ao liquidar membros do partido que dele discordavam. Em resumo, os métodos de Stalin desacreditaram o comunismo aos olhos dos comunistas.

Para desfazer o estrago, os planejadores de Nikita Khrushchev delinearam uma estratégia de longo alcance, envolvendo um futuro programa de liberalização controlada [Primavera de Praga, o Solidariedade na Polônia, a glasnost, a perestroika, a queda do Muro de Berlim, e o "fim" da URSS]. O socialismo internacional tinha de voltar. Os soviéticos gastaram duas décadas estabelecendo um plantel de "dissidentes" controlados pela KGB. Estes tomariam o poder quando chegasse o momento adequado. O legado de Stalin poderia ser enterrado para sempre, e "socialistas agradáveis e finos" emergiriam durante a futura "crise do capitalismo".

O "mais agradável socialista" de hoje (e um gatinho cego), é o presidente russo Dmitri Medvedev, guindado ao poder pelo Kremlin comandado pela KGB [i.e., por Putin]. Em 15 de julho de 2008, Medvedev declarou aos principais diplomatas da Rússia: "Nós já tivemos o que chega de investimentos ideológicos. Como vocês sabem, eles ocorreram num período anterior e, como resultado, precisamos obter dinheiro com muito jeito... através de vários tipos de mecanismos internacionais...". O que importa, insistiu Medvedev, é a construção de novas alianças, uma ONU fortalecida, a integração energética com a Europa e acordos de segurança com a China. Ao mesmo tempo, o sistema de defesa de mísseis americanos na Polônia não pode ser permitido. Não é uma questão de abandonar o jogo. O jogo continua; apenas a ideologia deve ser colocada de lado. Os americanos devem ser tratados como parceiros ao invés de inimigos (ainda que eles realmente sejam os inimigos porque são "imperialistas").

Certa feita, gatinhos cegos mataram Stalin. Você acha que hoje eles não teriam coragem? De acordo com o jornal Izvestia, os militares russos estão ameaçando enviar bombardeiros nucleares para Cuba. Em reação a isso, o novo comandante da Força Aérea dos Estados Unidos, general Norton Schwartz, advertiu os russos a não cruzarem um "limiar". De forma humorada, aquele gatinho velho - o adoentado Fidel Castro - disse que Cuba não devia nenhuma explicação aos Estados Unidos. "Silêncio digno" é tudo que os americanos merecem em resposta.
Evidentemente, não haverá nenhum silêncio digno do camarada de miados de Fidel, Hugo Chávez, que tem implorado à Rússia para proteger a Venezuela contra o "imperialismo" americano. Em resposta, o presidente Medvedev disse que as relações russo-venezuelanas são um "fator chave" na segurança da América Latina.

Depois de alguma reflexão, parece que Stalin estava errado a respeito dos seus subordinados. Eles não eram cegos, eles não eram gatinhos e o Ocidente não os liquidou depois de sua morte. Mesmo agora, sua habilidade dissimulatória está se provando eficaz. Tal como Medvedev ressaltou de maneira tão apropriada, a Rússia está construindo novas reservas de força. Talvez 1953 não fosse o ano ótimo para atacar. Conforme escreveu o desertor Golitsyn, num memorando de março de 1989: "Os estrategistas soviéticos contam com uma depressão econômica nos Estados Unidos...".

Se os gatinhos cegos puderam matar Stalin, se puderam denunciar seus crimes, eram totalmente capazes de lidar com o Ocidente. Eles eram rematados dissimuladores, capazes de levar a cabo qualquer estratégia. Sobre este ponto, o mundo deveria ficar certo.

© 2008 Jeffrey R. Nyquist
Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

[1] NT: Uma arma nuclear tática difere de uma arma estratégica no alcance e, principalmente, na potência destrutiva. As ogivas estratégicas têm sua de potência medida em megatons (o equivalente ao poder explosivo de milhões de toneladas de TNT). As bombas de Hiroxima e Nagasaki eram medidas em meros kilotons.
[2] NT: Tal descontentamento durou apenas até a morte de Stalin. A parceria sino-soviética foi logo reforçada e hoje, a russo-chinesa vai muito bem.
[3] NT: O livro New Lies for Old encontra-se traduzido para o português [Novas mentiras no lugar das velhas] desde 2004. Infelizmente, não encontrou quem o quisesse publicar, quer por simples questões de "mercado", por mera ignorância da importância do assunto ou pior: por autocensura, por medo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Algumas contradições do marxismo

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Carlos I.S. Azambuja em 26 de abril de 2008


Resumo: O marxismo serviu apenas para criar uma forma moderna de totalitarismo com base em uma doutrina contraditória, incoerente e ilusionista, que faz da omissão e da ausência de conhecimentos históricos e doutrinários dos não-comunistas o seu principal fator de força.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“Naturalmente, nós da ANL (Aliança Nacional Libertadora) também devemos e precisamos conspirar. Nós desejamos chegar ao poder; nós sabemos que só quando chegarmos ao poder, instalando o governo social-revolucionário, o governo da ANL, teremos a democracia e a emancipação do nosso país. E ao poder, nós o sabemos, só poderemos chegar pela luta armada, pela luta insurrecional”.
(Luiz Carlos Prestes, setembro de 1935, fls 80 do livro O Partidão, de Moisés Vinhas, que foi membro do Comitê Central do PCB)


As ações dos partidos comunistas que se apoderaram do poder são coerentes com as teorias de Marx? Essa é uma pergunta que exige reflexão, embora a teoria marxista seja contraditória: diz que na sociedade capitalista quando as forças produtivas tiverem alcançado o pleno desenvolvimento, produzir-se-á um choque violento de classes que conduzirá à revolução socialista. É necessário que o capitalismo se desenvolva plenamente, pois o socialismo exige a industrialização plena e uma forte classe proletária, capaz de desempenhar o papel de redentora das massas.

Por outro lado, porém, já em 1848, antes portanto do capitalismo se desenvolver, Marx e Engels convocaram, no Manifesto do Partido Comunista, a união dos proletários de todos os países para fazerem a revolução – “proletários de todos os países, uni-vos”.

Enquanto a teoria previa o advento do socialismo somente após o natural desenvolvimento das forças produtivas na sociedade capitalista, a prática concitava à unidade dos proletários de todo o mundo para a revolução socialista, abstraindo o estado em que se encontravam as forças produtivas na Europa de então.

Para apoderar-se do poder político, diz a teoria, é necessário que um grupo de revolucionários profissionais organize um partido – que necessariamente receberá a denominação de comunista – e que, sob o centralismo democrático, assumirá o papel de vanguarda do proletariado.

Segundo Marx, “a transformação das relações sociais” não surge de “mudanças tecnológicas”, mas da “luta de classes”. “Na base dessas relações modificadas desenvolve-se um modo de produção especificamente diferente, que cria novas forças produtivas materiais”.

Portanto, o que muda primeiro, como resultado da luta de classes, não são as forças produtivas ou os instrumentos de produção, e sim a mentalidade das pessoas, as relações sociais.

Lênin em seu relatório apresentado ao X Congresso do partido (8 a 16 de março de 1921) sublinhou, por sua vez, que “o que é decisivo é a transformação da mentalidade e dos hábitos”.

Cerca de 8 anos depois, Stalin em um discurso abordando as questões da política operária na URSS, em 17 de dezembro de 1929, no momento em que era iniciada a política de coletivização em massa no campo, declarou que “será necessário trabalhar muito para refazer o camponês-kolkoziano, para corrigir sua mentalidade individualista e fazer dele um verdadeiro trabalhador da sociedade socialista. E chegaremos mais rápido a isso na medida em que os kolkozes sejam providos de máquinas e tratores...”

É evidente a contradição de Stalin com os escritos de Marx e Lênin, ao considerar que a passagem à coletivização não será resultante da “luta de classes” ou da “transformação das relações sociais”, e sim do “emprego de máquinas e tratores” como forma de corrigir a “mentalidade individualista” dos camponeses.

Assim, de acordo com a concepção stalinista, não são os camponeses que se transformam graças à luta de classes, mas são transformados pelas máquinas e tratores.

Antes de assumir o poder, o partido é um ferrenho defensor das reivindicações das amplas massas. Depois de assumir o poder impõe, em nome do proletariado, a ditadura sobre o proletariado.

Se o país possui uma frágil economia, diz-se que é oprimido pelo imperialismo. Assim, os comunistas forjam a aliança da revolução proletária com movimentos de libertação nacional. Isto é, promovem o comunismo à custa do nacionalismo.

Nenhuma pessoa sensata é capaz de opor-se à independência nacional de seu país. Os comunistas, porém, ao se engajarem nessa causa nobre, nada mais fazem do que cumprir a primeira etapa da sua revolução. Tão logo assumem o poder político, hipotecam a independência nacional à União Soviética e ao Movimento Comunista Internacional. Quanto aos nacionalistas sinceros dos movimentos de libertação, basta conhecer um pouco de História para verificar quais têm sido seus destinos, tão logo vitoriosas as revoluções bolcheviques.

O PC utiliza o proletariado como força principal da sua revolução e busca atingir seus fins revolucionários fomentando, em favor do partido, a luta de classes entre o proletariado e a burguesia. Depois essa luta é ampliada, incluindo não apenas o proletariado, mas todos os trabalhadores, e logo a seguir, todo o povo, formando uma ampla frente.

Essa luta entre comunistas e não-comunistas é por eles denominada de luta de classes, conceito que é estendido indefinidamente.

Portanto, não importa se no país-alvo existem ou não uma classe trabalhadora e uma classe capitalista e em que nível se encontram as forças produtivas. Conquanto exista a vanguarda do proletariado - o partido – os comunistas continuarão enterrando os capitalistas em países onde não há capitalismo e a fazer a revolução proletária onde não exista uma classe operária, como na Rússia de 1917.

O Estado, segundo Marx, na ditadura do proletariado se iria enfraquecendo, até desaparecer no comunismo. No entanto, a Resolução Política aprovada na XVI Conferência do PCUS, posteriormente ratificada pelo XVI Congresso (1930), apela para a construção do socialismo, a concentração das forças do partido, da classe operária e, também, à concentração das forças do Estado. Assim, toma força a tese da “revolução pelo alto”, expressão que Marx utilizou para descrever a política de Napoleão Bonaparte, executor da revolução de 1789, na França.

A propósito da “revolução pelo alto”, consta na História do PCUS, aprovada pelo Comitê Central, que a coletivização forçada, iniciada em 1929, “tinha de original o fato de ter sido realizada pelo alto, sob a iniciativa do poder do Estado” .

Segundo Marx, após a revolução a burguesia seria expropriada e não haveria distinção entre trabalhadores intelectuais e operários.

No entanto, logo em 1920, Lênin estabeleceu a “não-limitação de salários dos técnicos e especialistas”, a existência de um diretor único nomeado pelos aparelhos centrais, que seria o único responsável pela direção da empresa, bem como a “autonomia financeira”, que permitiria à empresa dispor de uma parte de seus lucros.

Desenvolveu-se assim, menos de três anos da revolução bolchevique, uma nova burguesia, a Nomenklatura, nas empresas do Estado e do partido. Essa burguesia é de um novo tipo, pois embora não disponha da propriedade jurídica privada, nada a impede de dispor, de fato, dos meios de produção.

Para apoderar-se do poder político, os comunistas, historicamente, participam primeiro de um governo de coalizão e, como integrantes desse governo o paralisam e forjam contradições insanáveis, até assumirem o poder total. O novo regime passará a culpar, então, o imperialismo pela sua incompetência, e a retribuir, com apoio material e político, o auxílio recebido de organizações revolucionárias e mesmo de governos de países vizinhos, como ocorreu, por exemplo, na década de 80 com o regime sandinista, na Nicarágua.

Sob o manto do internacionalismo proletário a União Soviética sufocou as revoltas populares na Hungria, Polônia, RDA e Checoslováquia. Depois, fez o mesmo no Afeganistão. A China invadiu o Vietnam, e o Vietnam, por sua vez, anexou o Laos...

O social-imperialismo, o expansionismo armado, a subversão, a agressão e a anexação sempre foram palavras de ordem estratégicas do bloco comunista, que apesar de repudiado pela sua população, nas ruas, não desistiu de pintar de vermelho o mapa-mundi.

O marxismo sempre afirmou que a maior contradição de nossa época é a que existe entre o socialismo e o imperialismo e não se cansa de proclamar a força do campo socialista, da classe trabalhadora e do nacionalismo, afirmando que essas são as três grandes forças revolucionárias: o movimento comunista internacional, o movimento operário nos países capitalistas desenvolvidos e os movimentos populares de libertação nos países coloniais.

A estratégia comunista de promoção da revolução mundial é conhecida, mas recordá-la não faz mal a ninguém: consiste em criar um ambiente internacional favorável aos comunistas e aumentar o seu poderio econômico e militar para apoiar e sustentar mais eficientemente os movimentos revolucionários em todo o mundo.

Finalmente, o que hoje se observa é que o marxismo que, segundo seu criador, constituiria a sociedade sem classes, serviu apenas para criar uma forma moderna de totalitarismo com base em uma doutrina contraditória, incoerente e ilusionista, mas que, apesar disso, faz da omissão e da ausência de conhecimentos históricos e doutrinários dos não-comunistas o seu principal fator de força.

Norberto Bobbio, marxista italiano escreveu em seu livro Qual Socialismo?, editora Paz e Terra, 1983, que “o problema da conquista do poder pelo movimento operário seja a condição preliminar para a destruição da sociedade capitalista e para a instauração de uma sociedade diferente, fundada sobre a coletivização dos meios de produção, pode ser considerado ponto pacífico.

O que não é, de forma alguma, pacífico, depois do que ocorreu na União Soviética e nos países onde o socialismo foi importado do exterior, é que o problema da conquista do poder passe a ser isolado completamente do problema do seu exercício ou, em outras palavras, pelo modo pelo qual o poder é conquistado nada tenha a ver com o modo como será, em seguida, exercido.

Transferir para depois da conquista do poder o problema do Estado, da organização estatal, produziu o seguinte efeito: o partido, para o qual se voltaram todas as atenções como órgão de tomada do poder, terminou por tornar-se, ele mesmo, o Estado
”. (C.T. - vejam aqui na íntegra tudo que você leu acima. É o projeto do PT para o Brasil, o tal Socialismo Petista. Notem que sobre o Socialismo Petista o partido afirma CATEGORICAMENTE que o mesmo não existe e, mesmo assim, é necessário extinguir o capitalismo, que segundo os imbecis esquerdopatas é um SISTEMA e não a SISTEMATIZAÇÃO DE UMA NECESSIDADE HUMANA que sobrevive sobre qualquer sistema devido à sua característica principal. Repetndo: é uma NECESSIDADE humana a troca de produtos e serviços. Outra forma de ver o monstro (eu elo menos vejo assim) é que estes esquerdopatas querem APENAS o poder e utilizam-se de um monte de armadilhas conceituais, pseudo-filosóficas, patéticas desde o início e "pegadinhas" para enganar um povo estúpido por opção pois escolheu o lúdico como forma de expressão e tem apenas cultura futebolístico-carnavalesca).

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".