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quinta-feira, 26 de abril de 2012

VEREDAS VIVAS DE GUIMARÃES ROSA

 

NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado

26/04/2012

Em longa carta escrita aos pais, desde Paris, datada de setembro de 1950, Guimarães Rosa escreveu: “A Itália é indescritível. Não é apenas o país mais belo do mundo; é qualquer coisa fora e acima deste mundo, assim mais ou menos pendurada a meio do caminho entre o Céu e a Terra. E isso não decorre somente das riquezas artísticas, de todas as épocas – que os etruscos, os gregos, os romanos, a Idade Média e a Renascença ali acumularam. Nem só da natureza, estupenda: céu que a gente olha, espia, vê, e não acredita estar vendo; crepúsculos fabulosos, que parecem também de mentira; e um mar lindamente impossível, que despende poesia como se despendem energias de um átomo desintegrado. Nem das reminiscências da História e da Legenda. Nem apenas da luz, que nas outras terras significa apenas claridade, ao passo que, na Itália, quase de cidade para cidade”.

Dois anos depois Guimarães Rosa embrenhou-se no sertão mineiro, em busca de sua gente e na companhia de Manuelzão. Para escrever o grande épico do povo brasileiro.

Guimarães Rosa, como embaixador de carreira que era e próximo aos homens de poder, poderia bem ter ido à Itália em funções oficiais, para ficar entre o Céu e a Terra. Mas preferiu o contrário, dar as costas para a Europa e ir direto à fonte originária de sua gente. Brotou assim, dessa decisão, o Grande Sertão, Veredas. Bendisse a terra o onde nasceu e isso o elevou à condição de herói nacional, à parte a sua genialidade de escritor. Genialidade que deriva diretamente dessa escolha primeira e definitiva de cantar a sua terra: “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido/De amor e de esperança à terra desce”. Ou, como na bela Canção do Expedicionário: “Por mais terras que percorra/não permita Deus que eu morra/sem que volte para lá”.

Não havia outro homem capaz de executar a proeza, nem antes e nem depois dele. Foi preciso que um legítimo sertanejo, que muitas línguas aprendeu antes de tirar os pés de sua terra, pudesse perceber a beleza máxima que o cercava e que o tornou seu cantor. O matuto que conquistou por primeiro a cidade grande e, depois, o mundo, voltou triunfante tangendo a boiada ancestral.

Encanta no Grande Sertão, Veredas, essa confluência da gente com a sua história, a epopeia e as personalidades políticas do seu tempo com os elementos arcaicos da formação, tudo costurado em admirável unidade. A terra, o homem, a luta: a mesma temática de Euclides da Cunha vertida em pura poesia e no falar sertanejo, agora elevado, por sua maestria, à condição de língua literária. Euclides se espantou, homem do litoral que era, com o sertanejo. Guimarães Rosa fez, do espanto, música.

A leitura da obra roseana abre as portas para a auto compreensão dos brasileiros. Todo tesouro da nacionalidade está ali, em cores vivas, em pura poesia. No rosto deManuelsão Guimarães Rosa enxergou-se a si mesmo. Por isso ele pode esquecer-se da bela Itália, situada entre o Céu e a Terra. Porque o Céu e a Terra estavam unidos aqui. Como no Hino que faz vibrar as fibras mais essenciais dos brasileiros: “Do que a terra mais garrida/Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;/Nossos bosques têm mais vida,/Nossa vida no teu seio mais amores".

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".