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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O homem que, em 39 anos de vida pública, só teve um carro

 

GAZETA DO POVO

Morto no último dia 16, Milton Luiz Pereira foi prefeito de Campo Mourão, juiz, ministro do STJ e exemplo para as pessoas que conviveram com ele

Publicado em 26/02/2012 | ROSANA FÉLIX

O juiz Milton Luiz Pereira foi advogado, prefeito de Campo Mourão e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessas funções, realizou obras e julgamentos importantes. Mas o maior legado que deixou ao Paraná e ao Brasil – segundo relatos de várias pessoas que o conheceram, em artigos e cartas publicadas pela Gazeta do Povo nos últimos dias – foi sua conduta. Um homem público íntegro, humilde e sempre pronto para aprender.

O dr. Milton, como era conhecido entre os servidores da Justiça Federal, morreu em Curitiba aos 79 anos, na madrugada de 16 de fevereiro, poucas horas após o falecimento da esposa, Rizoleta Mary Pereira. Os dois foram vítimas de câncer. Se é possível dizer que há consolo no acontecimento é que ele serviu para reavivar os grandes feitos do juiz, que se aposentou como ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2002.

O historiador Jair Elias dos Santos Júnior, amigo de Pereira, relembra uma série de fatos e frases que ajudam a entender a admiração que o juiz despertava entre tantas pessoas. “Aprendi todos os dias, todas as horas. Quando mais tarde, ao reler os livros de minha vida, quiser tirar a maior lição de todas, saberei que o mais importante é ser humilde”, afirmou Pereira ao sair do STJ.

Campo Mourão

Pereira nasceu em 9 de dezembro de 1932, em Itatinga, interior de São Paulo. Mudou-se adolescente para Curitiba. Na capital, iniciou amizade com José Richa, então estudante de Odontologia. Como advogado, Pereira foi atuar em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), em 1959, e rapidamente foi reconhecido por seu trabalho.

Em 1963 aceitou disputar a eleição para prefeito da cidade pelo Partido Democrata Cristão (PDC), de Ney Braga. O historiador Santos Júnior, que é de Campo Mourão, conta que a eleição parecia perdida. Pereira tinha poucos recursos e concorria com o empresário Ivo Trombini, que além de dinheiro tinha o apoio do ex-presidente Juscelino Kubits­­chek. Então senador, JK fez um grande comício no município. O troco de Pereira foi visitar cada eleitor em casa. Elegeu-se.

Como prefeito, promoveu uma grande inovação para a época: criou o Conselho Comunitário, que contava com a participação de uma pessoa de cada bairro da cidade. O trabalho foi produtivo: as receitas financeiras do município cresceram e a gestão de Pereira entregou várias obras, como bibliotecas, rede de água e esgoto, estradas, a rodoviária. Graças ao Conselho e às obras, Cam­­po Mou­­rão foi escolhido à época como “Município Modelo do Paraná”.

Presente do povo

Em 1967, Pereira renunciou ao cargo de prefeito para ser nomeado juiz federal, atingindo o objetivo de chegar à magistratura. O convite surgiu de contatos com políticos. Eles já haviam oferecido outros cargos – como secretário estadual – e sugerido a candidatura à Assembleia ou à Câ­­ma­­ra Federal. Mas Pereira não se interessou.

Foi nessa época que a população de Campo Mourão fez a célebre arrecadação de dinheiro e comprou um Fusca de presente para o prefeito, que não tinha automóvel. Santos Júnior conta que se esqueceram de colocar gasolina. Mas isso não foi problema. A população empurrou o Fusca – com Pereira, a mulher e os filhos – até a casa deles. “Além do carro, o ex-prefeito ganhou um jogo de canetas, um relógio de ouro e até um frango, presente de um lavrador, que andou 20 quilômetros, a pé”, relata o historiador.

O Fusca azul se tornou um “amuleto” usado por Pereira até o fim da vida. Foi seu único carro. “Toda vez que entro nele, sinto-me em Campo Mourão. Naquele momento, senti que o povo sabe ser justo”, dizia o juiz.

Pereira permaneceu como juiz federal e, em 1988, assumiu a presidência do Tribunal Federal de Recursos (TFR), fato noticiado com destaque na Gazeta do Povo de 20 de novembro. O órgão já estava em vias de ser extinto, por força da nova Constituição. O Judiciário foi remodelado e surgiram os tribunais regionais federais. Pela sua experiência, Pereira assumiu o TRF da 3.ª Região, em São Paulo. Em 1992 foi nomeado ministro do STJ, onde ficou por dez anos.

Aposentado, teve mais tempo para se dedicar às novenas na Igreja São Judas Tadeu, do qual era devoto, e à família. Com Rizoleta Mary teve cinco filhos e com ela viveu até o fim.

Um comentário:

O Escudeiro do Rei disse...

Costuma-se dizer que "fatos positivamente bons" não geram notícias. A breve biografia desse belíssimo personagem resgata a esperança de tantos anos de convivências deletérias com os Sarneys, os Barbalhos, os Zés Dirceus. Sem comentários sobre as "vendas" de sentenças. Cavaleiro do Templo, não deixe de divulgar para que possamos mantermos um resquício de fé na DECÊNCIA.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".