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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Governo só concluiu 1,5% das obras do PAC, diz CNM

Fonte: CONGRESSO EM FOCO
09/09/2009 - 12h45

Renata Camargo

Estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que apenas 60 (1,5%) das 3.961 obras previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento para mais de mil municípios foram concluídas.

Entre os problemas apontados pela CNM, estão o excesso de burocracia, a falta de retorno por parte do agente financeiro sobre o andamento do processo e a não liberação de recursos em diversas etapas das obras.

Os números foram apresentados nesta manhã pelo presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, em audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara.

Paulo também divulgou um levantamento sobre os convênios firmados entre União e municípios. De acordo com o estudo, de 1995 a 2009, o governo federal ofereceu R$ 45 bilhões para convênios, mas liberou R$ 31 bilhões, o que corresponde a 68% do total de recursos.

Segundo o levantamento, o governo federal celebrou, ao todo, 210.827 convênios com municípios, o que representa cerca de 40 convênios por dia. A análise abrange os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique e do presidente Lula. Nas duas gestões, FHC celebrou 114.569 convênios, enquanto o governo Lula firmou 95.579 até o início de setembro deste ano.

A pesquisa mostra que, em ambos os governos, os convênios foram distribuídos de forma desporporcional pelo país. No governo Lula, a região Nordeste foi a que mais celebrou convênios (cerca de 11 mil convênios). Enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste foram as menos beneficiadas - com menos de 4 mil cada uma.

A CRUZADA DO SÉCULO XXI

A CRUZADA DO SÉCULO XXI
http://sacralidade.com/

André F. Falleiro Garcia *



As Cruzadas foram um acontecimento extraordinário na História, cuja glória subsiste e subsistirá para todo o sempre. Não importa que certos católicos — mesmo situados em altos cargos na Igreja — manifestem vergonha por elas. Estes, por não terem espírito cruzado, não são católicos militantes. Nem possuem o verdadeiro espírito católico. Pois está na essência da Igreja essa militância.


A glória das Cruzadas nunca se apagará

Católicos não militantes infiltraram-se na Igreja, trazendo para dentro dela um outro espírito. Não apresentam da Igreja senão certas formas exterioriores, nem têm consonância com a Roma dos Santos e dos Mártires. Tempo virá em que esses elementos infiltrados serão afastados e a Santa Igreja voltará a brilhar com toda a sua autêntica militância.

Quando os cruzados medievais saíam à luta, eram estimulados pela sociedade, voltada para os direitos de Deus e sua maior glória. Nessa época, dava-se grande valor à prática dos Dez Mandamentos e aos bons costumes ditados pela Moral católica. Uma grande sacralidade estava presente na Igreja e se difundia na ordem temporal.

Hoje, a sociedade é muito diferente: aprecia-se num rapaz a constante revolta contra a hierarquia, a irreverência e o descumprimento da lei moral. Numa moça, elogia-se sua sensualidade, ao invés da pureza e do recato. Numa criança, festeja-se o erotismo precoce e os modos tirânicos com que afirma a igualdade de direitos em relação aos seus pais. Ou aplaude-se a prática das virtudes ecológicas, que manifestam sua iniciação na religião da natureza. Os adultos sentem vergonha de serem honestos, a corrupção é tolerada por toda a parte e mesmo aplaudida. E a velhice, coitada, perdeu a sua sabedoria, dignidade e glória e aceitou ser identificada apenas com suas deficiências.

Por toda a parte as instituições são demolidas por seus próprios dirigentes. As elites em geral não exercem sua relevante função social e se voltam para o gozo da vida. Aqueles que deveriam proteger a Igreja, o Estado e a Civilização mostram-se indiferentes. Este é o atual ambiente revolucionário.

A guerra psicológica revolucionária desafio para os novos cruzados

Houve uma gloriosa Cruzada no século XX. Está havendo outra neste início de milênio. Na verdade, há um nexo de continuidade entre ambas. Sem elogios, sem festas, sem aplausos os novos cruzados avançam e enfrentam o ambiente revolucionário. Seguem os passos daquele que lutou antes deles — Plinio Corrêa de Oliveira, o Cruzado do Século XX. Aqui, percebem o murmúrio que solapa suas iniciativas. Ali, são vítimas da conspiração do silêncio que sufoca seus esforços e os apequenam. Acolá, recebem o bombardeio implacável das críticas e zombarias. Contra essas armas tão destruidoras do ânimo os cruzados medievais não tiveram que lutar.

Quem entra numa guerra sabe que receberá maus tratos e sofrerá muitos padecimentos causados pelo inimigo. Mas na cruzada em que estamos engajados, os mais próximos muitas vezes nos causam mais dor do que o inimigo.

Os adversários agitam os argumentos da impiedade, da blasfêmia, do vício. Mas os que deixaram cair por terra os estandartes que antes desfraldaram, mostram-se engenhosos ao suscitar questões de virtude, acusando os novos cruzados de serem orgulhosos por se terem lançado na luta por conta própria; mostram-se incoerentes e contraditórios, ao levantar questões de autoridade e legitimidade, apontando-os como revoltados, por não seguirem os líderes compromissados. E dizem contra eles tanta coisa mais, que são de causar inveja aos fariseus. Os acomodados, os omissos, os covardes, os traidores, estão dispostos a percorrer mares e terras para fazer um prosélito, para lhe transmitir, em altos brados ou de boca a ouvido, o comportamento politicamente correto estabelecido pelos manipuladores da opinião.

Ouve-se o ruído do campo de batalha. Não é possível ficar indiferente a ele. É o estrondo da maior guerra contra o bem da História. O objetivo da Revolução gnóstica é a conquista universal, para isso busca alcançar os cargos de chefia no Estado e os lugares de destaque na sociedade. Visa a conquista das almas, pela transformação das mentalidades, dos costumes, da maneiras de ser e de pensar. É uma guerra psicológica total, voltada para o domínio de todo o homem e das estruturas da civilização que o envolvem.

Estas são as estratégias mais freqüentes que a Revolução utiliza nessa guerra psicológica:

  • Anestesiar as reações contra o Progressismo na Igreja, desviando as atenções para os pequenos problemas individuais relativos aos interesses materiais, saúde e conforto.


  • Dividir aqueles que ainda mantém uma boa posição, ou descer sobre eles a cortina do silêncio. Se isto não for possível, persegui-los através do ridículo e da difamação.


  • Difundir o caos por todos os aspectos da vida social, de forma que os padrões de ordem, moralidade e sacralidade herdados da Civilização Cristã fiquem completamente evanescidos. E em seu lugar, surja um conjunto de problemas sem solução que atormente a toda hora a vida de cada pessoa.

Vaticano II o maior êxito da guerra psicológica revolucionária

Nos últimos quarenta anos, viu-se a progressiva demolição do maior bastião de luta contra a Revolução no mundo, onde estavam concentradas as maiores energias morais e espirituais da reação. A Igreja Católica foi alvo de uma ofensiva psicológica tremenda, não só da parte de seus adversários externos, mas também dos agentes revolucionários nela infiltrados com a intenção de destruí-la.


Vaticano II: calamidade para a Igreja

O Concílio Vaticano II foi uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja. Seus documentos oficiais silenciaram sobre os maiores inimigos da sociedade, o comunismo e o socialismo.[1]

Na fase pós-conciliar, o câncer do Progressismo instalado na Igreja gerou inúmeras metástases: a reforma litúrgica da missa, o ecumenismo, a política de aproximação do Vaticano com o mundo comunista etc. Nessa fase uma notável reviravolta se operou: a Igreja , que era o maior bastião da luta contra a Revolução, se transformou, com freqüência, em propulsor da Teologia da Libertação, do Feminismo, da Revolução Cultural e do Tribalismo.

Sendo a Igreja o cerne da Contra-Revolução, a infiltração progressista-modernista tomou de assalto o principal pólo da boa causa. De João XXIII a Bento XVI, os Papas conciliares promoveram os ideais revolucionários do Estado Moderno, como por exemplo, ao concederem apoio incondicional às Nações Unidas, favorecedora da implantação da República Universal no mundo.

Como o principal fomento da revolução social procede da ação ou omissão dos círculos eclesiásticos, tornou-se imperativo para os católicos militantes — mesmo leigos — travarem até dentro dos muros da Igreja a batalha contra o inimigo infiltrado.

Esta foi a Cruzada do Século XX. É também a Cruzada do Século XXI, que continuará até que venha o triunfo do Imaculado e Sapiencial Coração de Maria, tendo como mais importante arena de combate a própria cidadela católica.

O caos nova frente de combate da Contra-Revolução

Outro fator, antes secundário, ganhou importância, e hoje ocupa lugar central na estratégia revolucionária, a tal ponto, que toda a luta psicológica contra-revolucionária se torna desatualizada e ineficaz se não levá-lo em conta: a produção do caos.

A anarquia, a anomia e o caos estão se alastrando por toda a parte, atingindo muitos aspectos da vida social e individual:

A periferia urbana ardeu em chamas em 2005: prenúncio da morte da democracia francesa

Socialmente, os Estados Unidos entraram numa espécie de estado caótico de medo com o ataque terrorista contra as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Muita coisa mudou desde então. Em muitos aspectos o direito de ir e vir, que caracteriza a sociedade livre e ordenada, foi seriamente afetado. As pessoas não podem mais se deslocar e viajar como antes.

Com os conflitos da periferia urbana, a França em 2005 revelou sua completa vulnerabilidade diante da agitação islâmica, causada pelas concessivas leis de imigração. A própria democracia entrou em crise de identidade, devido a essas leis que colocam em risco a sua sobrevivência. Com milhões de muçulmanos admitidos como cidadãos, o povo francês está sentado sobre um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento espalhando a "dawa" (o caos, em árabe). Análogo perigo ameaça a Inglaterra, Alemanha e Espanha.

Economicamente, a recente bancarrota em cadeia de gigantescas instituições financeiras nos Estados Unidos projeta a perspectiva do caos econômico no Ocidente, apesar de alguns líderes latino-americanos se jactarem de que suas nações não serão afetadas.


A guerra assimétrica favorece a difusão do caos no Oriente Médio; acima, militantes do Hamas nos funerais de Arafat

Militarmente, o caos também está presente. O conflito árabe-israelense está estabelecido desde a fundação de Israel, e não há perspectivas de paz no horizonte. A guerra no Afeganistão não terminou e pode continuar nas próximas décadas. O mesmo pode ser dito com relação ao panorama do caótico Iraque.

Moralmente, o Ocidente abriu as portas para a sua própria destruição ao aceitar a promoção do homossexualismo, aborto, eutanásia, direito dos animais, feminismo etc. Nenhuma sociedade na História conseguiu sobreviver muito tempo depois de admitir essas aberrações. Quando esses comportamentos são considerados normais, entra em caos a formação das novas gerações.

Psicologicamente, essas várias modalidades de caos, somadas a muitos outros aspectos antinaturais da Revolução, produzem a quebra do psiquismo humano. Nota-se hoje muito mais pessoas sofrendo de problemas mentais e psicológicos do que antes.

Nessa grande ofensiva do caos, a missão da Contra-Revolução é esclarecer, descrevendo tão claramente quanto possível o que está errado e como as coisas deveriam ser, e apontar quem está por detrás do caos induzido. Nessa tarefa, os novos cruzados preparam os corações e as mentes para a vinda de uma era de ordem.


Espiritualmente, o processo de caos começou bem antes na Igreja. Desde o Concílio Vaticano II, a autoridade eclesiástica iniciou a autodemolição de suas instituições, doutrinas, tradições etc. A autodemolição da Igreja encontra-se hoje em adiantado estado de execução; a mesma mão que demole, espalha também o caos.

O aspecto pulcro desta Cruzada

Manter a posição de resistência diante das autoridades demolidoras é a primeira obrigação dos novos cruzados. Essa luta no momento une pessoas situadas principalmente nas três Américas e na Europa. É preciso que em todo mundo os que têm as mesmas bandeiras de luta se conheçam e se unam.


Plinio Corrêa de Oliveira

Este artigo — "A Cruzada do Século XXI" — é uma homenagem e um agradecimento ao prof. Plinio Corrêa de Oliveira, no ano do centenário de seu nascimento. Além do exemplo heróico como batalhador infatigável contra a guerra psicológica revolucionária, deixou-nos o modelo da plena identificação com a sacralidade.

Se São Francisco de Assis foi a pobreza, e São Bernardo o recolhimento, de Plinio Corrêa de Oliveira podemos dizer que foi, na História da Igreja, a sacralidade militante. Estandarte sempre desfraldado, viseira erguida sem ocultar sua face, aplicou todas as suas energias na grande gesta católica, e proclamou:

"Eu me tornei um Cruzado, um homem diferente de todos os homens. Porque Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a perfeição de todas as coisas, a realização do que há de mais perfeito, vai ser vingado agora por mim. Eu vou realizar a beleza da luta pela luta, da vingança pela vingança de Cristo Nosso Senhor, por Cristo Nosso Senhor."

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NOTA:

[1] Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, parte III, cap 2, 4 A.

O Terror – a Revolução Francesa

Dica de um internauta que deixou um comentário no artigo A FACE OCULTA DA REVOLUÇÃO FRANCESA


Postado em 22 de julho de 2009, quarta-feira.


A Editora Record lançou este mês o livro O Terror, do historiador David Andress, um relato pungente dos anos que sucederam a Revolução Francesa.

O autor apresenta uma profunda reflexão sobre o Terror, como ficou conhecido o período mais violento da Revolução Francesa. De 1793 a 1794, o governo revolucionário perseguiu e assassinou seus adversários, levando a França a uma guerra civil das mais selvagens (Cavaleiro do Templpo: ora, reflitamos: não era LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE? A Revolução Francesa prova que revolução, a reinvenção do mundo ou interpretação sociopática do mesmo, só traz "bons frutos" para os revolucionários. Aliás, nem para eles no médio/longo prazo. O engraçado é que quando os não-revolucionários matam revolucionários a "turma" fica muito triste, não é mesmo? Transformam seus mortos em santos imediatamente ao mesmo tempo em que tratam os mortos do outro lado como um nada, como lixo. Olhem a segunda foto deste artigo. Acho que o tratamento para os mortos deveria ser igual, de um jeito ou de outro, o que acham? E o tratamento para doentes mentais deveria ser internação, no mínimo distância da vida pública). Andress analisa as motivações e os atos dos homens que lideraram este marcante momento da história francesa, que influenciou de forma irreversível o pensamento ocidental.


Até que ponto pode um Estado desumanizar seus inimigos? Quando tem o direito de deter arbitrariamente suspeitos de subversão? Pode o terror justificar-se como instrumento de política? Ao longo dos últimos duzentos anos, a suspensão dos direitos civis à época da Revolução Francesa assombra a imaginação da Europa. A evolução do movimento - da exaltação libertadora para uma orgia aparentemente absurda de derramamento de sangue, sob o comando da sombria e enigmática figura de Robespierre - gerou incontáveis reflexões sobre a maldade humana e a loucura das tentativas de mudança revolucionária.


Andress demonstra que o Terror foi uma guerra civil das mais selvagens. De ambos os lados havia inocentes e aproveitadores, e também os que agiam corajosamente, cumprindo seu dever como patriotas ou súditos leais. É em sua incapacidade de compreender o caráter complexo do conflito que se revela a verdadeira tragédia do Terror, que serve o mais sincero patriotismo de pretexto para o massacre.


David Andress é profundo conhecedor da Revolução Francesa. Atualmente, professor de História Européia Moderna na Universidade de Portsmouth, Fellow da Real Sociedade Histórica. É editor de H-France, o mais consagrado foro eletrônico de debate sobre a história da França. Publicou French Society in Revolution, 1789-99 (Manchester University Press) e The French Revolution and the People (Hambledon and London).

Em visita de Lula a RR, arrozeiros apedrejam carros oficiais

Fonte: TERRA
14 de setembro de 2009

CYNEIDA CORREIA - Direto de Boa Vista - Especial para Terra

Carros do prefeito de Boa Vista e do governador do Estado foram alvo dos manifestantes

Carros do prefeito de Boa Vista e do governador do Estado foram alvo dos manifestantes



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou a agenda que estava programada para Roraima após manifestação organizada por arrozeiros contra sua visita ao Estado. Na manifestação, após a solenidade de inauguração do Aeroporto Internacional, os que participavam dos protestos apedrejaram os carros que voltavam da solenidade. Os veículos do prefeito de Boa Vista, Iradilson Sampaio (PSB), e do governador José de Anchieta Junior (PSDB) foram chutados e apedrejados com estilingues.

A decisão de alterar a agenda foi tomada na inauguração da ponte sobre o rio Tacutu, onde Lula se encontrou com o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo. Na programação oficial, o presidente deveria voltar de helicóptero da Guiana para Roraima, onde realizaria, por volta das 17h, um ato público no Parque Anauá, área central de Boa Vista, juntamente com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. No entanto, o evento foi adiantado em cerca de duas horas e ainda não se sabe se Lula participará.

Os manifestantes pretendem tentar entrar no parque Anauá para falar com Lula, que assina no ato público mais uma demarcação de reserva indígena em Roraima.

Reserva

A nova reserva indígena a ser demarcada por Lula fica localizada no Amajari, a 115 km da capital. Nessa área, ficam índios da etnia wapichana e, em volta dela, existem mais nove reservas indígenas homologadas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) havia reivindicado pelo menos um terço dos 6 milhões de hectares destinados pela União ao governo estadual, que estariam nesta área da Anaro, para ali reunir parte das etnias "originárias" de Roraima. O projeto é juntar a reserva São Marcos às duas contínuas Raposa Serra do Sol e Yanomâmi, para formar uma nação independente em território único e contínuo.

Redação Terra
 
 

O uso político da psiquiatria: a luta antimanicomial

Fonte: HOSPITAL DE PSIQUIATRIA
(Iraci Schneider* - Jornal Mineiro de Psiquiatria - 08/2005)

Hoje em dia, no imaginário da maior parte das pessoas, a internação psiquiátrica é sinônimo de tratamento desumano e cruel, e sobretudo ineficaz.

Em artigo recente (este artigo é originalmente de 2001) publicado na revista Época, lê-se, em destaque, a notícia do falecimento prematuro de um notável (?) sanitarista de renome internacional (?), Dr. Capistrano. O autor louva a biografia e os feitos do sanitarista, com destaque para o seu pedigree de comunista de família, e a solicitação de ouvir a “Internacional” em seus últimos momentos de vida.

A notícia chama a atenção sobretudo, porque o destaque do trabalho do homenageado foi a “revolução antimanicomial” feita em Santos - a exemplo do que acontece, aos poucos, em tantos municípios brasileiros atualmente, e já aconteceu, há décadas, nos países democráticos mais bem sucedidos, sem qualquer alarde ou politização, como uma evolução assistencial natural decorrente da melhoria das terapêuticas disponíveis.

Isto nos traz de volta aos acontecimentos ao longo das décadas de 70 e 80, que alçaram um grupo de médicos, militantes de esquerda, ao controle progressivo da área de saúde no país todo, através da ocupação das entidades de classe da categoria e da reforma administrativa que redundou no atual SUS.

O tratamento psiquiátrico, sobretudo no momento da internação hospitalar, foi associado nos anos 70, à “repressão do sistema e de direitos de cidadania”, e o hospital psiquiátrico, pejorativamente chamado de manicômio, associado a uma câmara de torturas, com supressão da liberdade de expressão individual de pessoas originais. Os médicos psiquiatras foram associados a torturadores e agentes do sistema anti-direitos de cidadania.

Partiu-se de uma incontestável realidade: a precaríssima condição dada aos doentes mentais nos “manicômios” públicos - e em alguns hospitais conveniados ao falecido INAMPS - para fazer do “encarceramento” destes doentes uma triste paródia da supressão dos direitos individuais, imposta pelo “regime de exceção” agonizante.

Não havia ainda aqui, naquele tempo, na rede pública, as modalidades de tratamento extra-hospitalar já usadas no resto do mundo: hospitais-dia, pensões protegidas, centros de convivência. Isto poderia ser implantado naturalmente mas o grupo de militantes precisava de uma bandeira revolucionária, de um perfil redentor. Algo de apelo midiático que chocasse a população e chamasse a atenção, permitindo a entrada daquele grupo para dentro das instituições públicas de saúde, na perspectiva gramsciana de tomada gradual do aparelho do Estado.

O eletrochoque - procedimento terapêutico altamente eficaz, recomendado internacionalmente em todos os grande centros, pela OMS e por toda a psiquiatria moderna (há uma censura branca deste dado) indolor, e que não lesa, destrói, nem frita os neurônios de ninguém, foi subliminarmente relacionado aos choques aplicados pelos torturadores nos “porões da ditadura”. Aliás, o termo usado para se referir ao ambiente hospitalar psiquiátrico era - e ainda é - “os porões da loucura”.

Temia-se, à época, falar abertamente contra o regime. A psiquiatria foi a metáfora perfeita, bandeira escolhida a dedo como plataforma eleitoral, principalmente do grupo mineiro e do hoje deputado federal Paulo Delgado.

Importa lembrar que, nos primeiros anos da propaganda anti-manicomial no Brasil, só alguns tinham acesso à divulgação da imensa revolução tecnológica do chamado Primeiro Mundo que levou, na área da Psiquiatria, aos conhecimentos hoje familiares até aos ouvintes do Fantástico, a saber: as bases neuro-químicas do funcionamento cerebral e aos novos métodos de pesquisa dos processos orgânicos subjacentes às doenças mentais, ou seja, a demonstração científica, tão sonhada por Freud, das bases biológicas da ciência psiquiátrica.

Nós, os clínicos, sabíamos disso na nossa prática. Mas éramos “do sistema”, portanto suspeitos, “carcereiros” que medicavam (“embotavam”) pessoas e as internavam (“excluíam”). Dava-se a entender que a internação tinha caráter punitivo e o tratamento era, na realidade, uma repressão a serviço do sistema. Curiosamente, era este o padrão do que se fazia então no império soviético, onde os dissidentes eram internados e tratados como loucos. As denúncias desta violência eram arrasadoras e constantes nos congressos internacionais de psiquiatria. Estes fatos não se divulgavam, a não ser raramente, na mídia brasileira. O grupo anti-manicomial, cuja prática é bastante ruidosa, omitiu sistematicamente qualquer crítica a esta situação nos anos 70.

A doutrinação anti-psiquiatrica foi - e é - maciça nas escolas de medicina, enfermagem, psicologia e serviço social, e em alguns meios “intelectuais”. Hoje em dia, no imaginário da maior parte das pessoas, a internação psiquiátrica é sinônimo de tratamento desumano e cruel, e sobretudo ineficaz.

A doença mental, diziam, era uma ficção capitalista e burguesa. Na verdade, não existia a loucura que poderia ser vista como uma reação sadia a um sistema que não tolerava manifestações individuais de liberdade. A loucura era criativa, transgressora, desafiadora do status quo. (Michel Foucault era o livro de cabeceira). A loucura, “subversiva”, criadora, “de esquerda”, desafiava o Poder constituído, representado pelo hospital psiquiátrico e pela medicação anti-psicótica, estes “de direita”. Freud já estaria superado; entronizava-se Lacan.

Esta visão, romântica e absurdamente distante da devastação que decorre da loucura real, foi, via propaganda maciça e quase diária, durante anos, sendo assimilada e incorporada como um elemento de veracidade dos fatos. Atualmente, já não se diz mais loucura: usa- se, pudicamente, o galicismo “sofrimento mental”, que banaliza (denega?) o fenômeno, despojando-o de sua especificidade e troca o resultado pela causa.

Um grupo de psiquiatras mineiros ligados ao PCB e PC do B articulou a campanha que visava, na verdade, ocupar os cargos de diretoria dos hospitais psiquiátricos da rede pública e os cargos de decisão da FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), a diretoria das associações de classe, sindicatos, os cargos de supervisores das residências médicas e os cargos formadores de opinião em geral. A luta anti-manicomial foi apenas o pretexto, nada mais do que a mesma política de tomada do poder institucional na área médica que ocorria em outras especialidades e em todos os estados.

Tratava-se de um projeto nacional global, que trabalhou pelo desmonte do INAMPS e introdução do SUDS, que faliu por incompetência, corrupção e inviabilidade, transformando-se no atual SUS - já falido, com anos de desmandos político/administrativos referendados por comissões e “conselhos”, com “participantes da comunidade”, na realidade escolhidos a dedo pelos grupos instalados no poder.

A campanha anti-manicomial começou em nosso meio com uma série ininterrupta de reportagens dramáticas, ao longo de meses, mostrando fotos horripilantes e denunciando maus tratos nos hospitais psiquiátricos da rede pública. Aterrados, os diretores destas instituições abriram as portas aos detratores, como sinal de boa-fé, numa (vã) tentativa de minorar sua agressividade. Abriram literalmente as portas, alçando os médicos líderes das denúncias a cargos de direção e chefia sem qualquer concurso.

Estas reportagens foram inicialmente publicadas no jornal “Estado de Minas” ao longo da segunda metade da década de 70, para depois ganhar cunho nacional. Seu autor foi o jornalista Heron Firmino que, em conseqüência de seu trabalho, foi agraciado com o prêmio Esso de Jornalismo.

Muitos fizeram fama e fortuna com o tema, criando-se a “indústria da denúncia da indústria da loucura”. O deputado federal Paulo Delgado, cujo irmão é psiquiatra e sanitarista, fez sua carreira política ao escolher como bandeira a luta anti-manicomial.

Os militantes instalados na rede pública em cargos de direção nomearam centenas de companheiros em toda a rede pública.

Inútil tentar contestar, com argumentos científicos, os dados falseados plantados dia após dia na mídia e nas escolas por um organizado e aguerrido grupo de militantes: o bloqueio de informações era - e é ainda - rígido, tanto em certas redações, quanto no âmbito das associações de classe.

O modelo proposto foi a revolução anti-manicomial italiana, levada com sucesso (?) uma década antes (anos 60) por Basaglia, que propunha a desconstrução do modelo médico da Psiquiatria. Basaglia foi a Belo Horizonte para conferências e sua visita divulgada como um fato épico.

No imaginário das pessoas, psiquiatria, internação, hospital psiquiátrico (fala-se manicômio), tornou-se o local da violência e do horror.

Na medida em que a loucura - aliás, no novo jargão, o “sofrimento mental” - era “desmedicalizada”, tornava-se um fenômeno predominantemente sociológico, e com isso a abordagem do paciente podia ser feita por assistentes sociais, psicólogas, enfermeiras e tutti quanti, abrindo-se assim um novo mercado de trabalho para profissionais para-médicos, fortemente apoiados por seus conselhos de classe.

Basaglia era psiquiatra e comunista. Foi responsável pelo setor de psiquiatria de saúde pública italiana que, na década de 60, desmantelou o “modelo assistencial manicomial excludente“ vigente na Itália e no resto do mundo até a descoberta, nos anos 50, dos medicamentos que fizeram na Psiquiatria a verdadeira revolução e permitiram, graças a seus espetaculares resultados terapêuticos, até então desconhecidos, a reintegração de milhares de pessoas ao convívio sócio-familiar.

Estes medicamentos são os neurolépticos, primeira linhagem de medicamentos anti-psicóticos introduzidos em 1952 na França, por Delay e Deniker, e que, pela primeira vez na história da Psiquiatria, agiam nos delírios e alucinações, bem como nas grandes agitações e transtornos de comportamento que, até então, levavam à segregação dos doentes.

Com a nova medicação redentora, os pacientes melhoraram dramaticamente e grande número deles, já aptos a uma vida extra-muros, podia ser devolvida à sociedade e suas famílias.

Basaglia faturou politicamente, nos anos 60, em cima deste extraordinário resultado terapêutico da década de 50, sem nunca mencioná-lo, sendo louvado como redentor dos excluídos e aprisionados do regime, com grande cobertura da imprensa; “liberou” os pacientes (já então fazendo uso das medicações neuréticas dos franceses), desmantelou as onerosas e, então, arcaicas instituições hospitalares italianas do pós-guerra dos ditos pacientes crônicos, que foram devolvidos a suas famílias e, em muitos casos, às ruas, quando não se adaptavam às novas instituições a que eram encaminhados.

Enquanto a especialidade psiquiátrica era usada como metáfora da repressão pela militância, estruturava-se no Brasil todo a rede que iria se consolidar nas décadas seguintes no controle das políticas e cargos de saúde do SUS em gestação, incluindo-se também no projeto todas as associações de classe médica e os cargos universitários formadores de opinião, dentro do projeto gramsciano de ocupação de espaços.

Formou-se o CPS - Comitê Popular de Saúde - que definia as diretrizes para o Movimento Médico Nacional, aprovadas por ocasião dos Encontros Nacionais de Entidades Médicas. No começo da década de 90, decidiu-se pelo fortalecimento da posição dos membros do CPS na administração superior do Ministério de Saúde, visando maior agilização e controle na implantação efetiva do SUS.

Os quadros do CPS deveriam ocupar ainda espaços importantes nos programas de implantação do SUS e, os parlamentares médicos “progressistas” eleitos para o Congresso, deveriam atuar nas Comissões de Saúde do Congresso Nacional. Este programa foi coordenado pelo médico e deputado federal Antônio Sérgio Arouca.

O SUS - prometida solução de todos os problemas da área da saúde - deu no que deu, com suas imensas verbas municipalizadas na mão de pequenos grupos políticos e de suas comissões, digamos, fiscalizadoras.

Ainda hoje, no entanto, volta e meia emerge o velho tema da luta anti-manicomial: leio no Estado de S. Paulo de 4 de janeiro, caderno 2, que um filme brasileiro, muito premiado em recente festival de Brasília, o “Bicho de 7 cabeças”, retoma as mesmas histórias de 30 anos atrás, (os horrores sofridos por um jovem numa internação psiquiátrica involuntária no que ele denomina um chiqueiro psiquiátrico) quando “Um estranho no ninho” emocionava as multidões. Diz o jornal que a diretora do filme se sensibilizou com o tema ao freqüentar um grupo de debates sobre cidadania e loucura.

Será que os gregos é que estavam com a razão, quando postulavam a circularidade da História?


*A autora é Psiquiatra Clínica

A Invasão Gramscista na Psicanálise Brasileira

Fonte: PAPÉIS AVULSOS (Heitor de Paola)
Heitor De Paola*, Mídia Sem Máscara, em 13 de maio de 2005


Communism is neither and economic or a political system – it is a form of insanity – a temporary aberration which will one day disappear from the earth because it is contrary to human nature. I wonder how much misery it will cause before it disappears.

RONALD REAGAN - Communism, the Disease, 1975 Reagan in his own hand


É de uso comum a naftalina para acabar com as traças. Mas existem traças que desenvolvem uma tal resistência que são capazes de fazer ninhos na própria naftalina. Esta é a base da práxis gramscista: atacar as Instituições por dentro, disfarçadamente, de modo que não fique clara a insanidade que o marxismo representa e tornar-se o discurso hegemônico em todas as áreas.

É dever de todos os liberais e conservadores denunciar o ocorrido em suas instituições específicas. Assim foi com a insanidade marxista nas instituições psicanalíticas, psiquiátricas e psicológicas do Rio de Janeiro na década de 70 do século passado. Nada mais insano do que a insanidade se instalar no seio das instituições apropriadas para combatê-las. Falarei aqui do que testemunhei pessoalmente. Num próximo artigo (O uso político da Psiquiatria: a luta anti-manicomial), uma colega dirá o que ocorreu nos hospitais psiquiátricos com a instalação do movimento anti-manicomial, iniciado também naquela época.

É irônico que tenha sido um político, embora genial como Reagan, a diagnosticar o grande mal do século e não as pessoas que deveriam estar mais preparadas para fazê-lo: os psicanalistas e psiquiatras. Quando cheguei ao Rio de Janeiro, no início de 1970, já devidamente curado desta insanidade da qual fui acometido na década anterior, fui surpreendido pela extensão com que o comunismo estava tomando conta das instituições que se supunha destinadas a combater as insanidades. Psicanalistas oriundos de Buenos Aires, sob a influência nefasta da ativista Marie Langer, mais tarde assessora da ditadura sandinista da Nicarágua, instilavam o ódio à liberdade de pensamento inerente ao sistema democrático de livre mercado. Langer e seus discípulos usavam do fato de ela ser uma judia fugida da sanha nazista, para justificar qualquer crítica a ela como perseguição anti-semita, o que caía muito bem numa época de regime político-militar que salvou o Brasil do comunismo mas que despertava a fúria das esquerdas. Nada se dizia de outros psicanalistas judeus foragidos – como Heinz Hartmann, Rudolf Löwenstein, Melanie Klein, Otto Kernberg, o próprio Freud, e sua filha Anna – que jamais adotaram ideologias esquerdistas.

Além disto, analistas formados em Londres na época em que imperava no Reino Unido a ideologia "trabalhista" - leia-se comunismo disfarçado chegaram ao Brasil e iniciaram seus trabalhos influenciados pela ideologia marxista que chegou a imperar no próprio Serviço Secreto Britânico, com os traidores MacLean e Philby, foragidos na URSS após terem descobertas suas ligações com o regime soviético. Tais psicanalistas traziam o germe marxista que lhes fora inoculado de forma sub-reptícia pelos analistas britânicos – a maioria de inegável competência técnica mas também gramiscisticamente preparados – onde imperava - e ainda impera - a inveja de seus colegas norte-americanos que não precisam sofrer com o malfadado National Health System.

Foi a época de ouro da esquerda marxista representada pelos popularescos Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas. O último, em boa hora deixou a profissão e dedicou-se à política, mas o primeiro permaneceu alimentando o ódio entre colegas ao afirmar que era inadmissível um psicanalista não-marxista! E que se houvesse algum, estava a serviço da ditadura (sic) militar!

Em julho de 1974, no X Congresso Latino-Americano de Psicanálise, os argentinos ligados aos montoneros, os uruguaios tupamaros, os chilenos allendistas exilados (transcorria o primeiro ano de Pinochet no poder) e os mexicanos de várias ideologias esquerdistas, pontificaram. Alunos destes Institutos de Formação mandavam e desmandavam nos mesmos sob os olhares benevolentes de "mestres" cooptados pela insanidade comunista. A idéia fez furor em alguns círculos psicanalíticos brasileiros levando à perversão institucional e à destruição da hierarquia entre mestres e alunos. Os últimos passaram a mandar e desmandar, sendo os verdadeiros donos do poder.

Duas das mais expressivas representantes desta rede comunopata foram Rosa Beatriz Pontes de Miranda Ferreira e Helena Celínia Besserman Vianna. A primeira, Rosa Beatriz, chegou a levar a Havana, junto com seu entourage, um trabalho em que, deturpando totalmente o conceito de consideração pelo outro (concern), defendia a quadrilha de narcotraficantes assassinos que tomou conta de Cuba, qualificando o regime como uma "experiência enriquecedora, um Estado sério e bem orientado" com dirigentes verdadeiramente preocupados com a vida e saúde física e mental de seus reprimidos súditos, permitindo que "crianças atendidas fisiológica e psicologicamente se desenvolvam em adultos sadios". Ficava implícito neste trabalho que o povo, ao não reconhecer a bondade extrema de seus governantes, demonstrava falta de gratidão, justificando, portanto, indiretamente, a repressão. Chega a dizer que todas as crianças nascidas após a tomada do poder por Castro são mentalmente sadias, justificando a necessidade de assistência psicanalítica apenas para os que nasceram antes disto!

Helena Vianna, aproveitou-se de uma situação crítica na psicanálise brasileira – a existência do candidato a psicanalista Amílcar Lobo que era, por força de lei, estagiário do Serviço de Saúde do Exército Brasileiro – para denunciar à revista Questionamos (editada por ninguém menos que Marie Langer) a existência de um torturador (sic) no meio psicanalítico brasileiro protegido por seus pares. Nada, absolutamente nada, ficou provado, Lobo morreu de acidente, Leão Cabernite, seu analista, teve seu diploma cassado mas plenamente reintegrado em suas funções médicas pelo Supremo Tribunal Federal, mas Helena conseguiu a fama que desejava ao lançar, junto com o psicanalista comunista francês René Major, os Estados Gerais da Psicanálise - numa ridícula demonstração extemporânea de jacobinismo - entidade apátrida que pretende destruir a própria psicanálise e toda a psiquiatria ocidental fazendo uso de demagogia explicitamente gramscista. Chegou a ser considerada uma heroína nos meios esquerdistas da área psicanalítica.


* * *

A insanidade marxista está baseada em três pontos principais: inveja, delírio de onipotência e dissonância cognitiva. Os sentimentos invejosos estão na origem de toda ideologia socialista. Como já defini em outro artigo, a inveja é o leitmotif de todas as teorias igualitaristas, comunistas ou socialistas, e o combustível psicológico do qual se nutre a luta de classes. Quando ela não predomina, existe competição entre os membros de uma sociedade, competição que leva ao progresso e à prosperidade. Quando predomina, leva à inevitável destruição de todos e de tudo, como ocorreu nos retumbantes fracassos comunistas. Destroem-se as empresas, como em Portugal em 1974, e fica-se sem emprego. Exemplo mais flagrante é o da revolução agrária levada a efeito por Lênin nos primórdios do regime soviético, ameaça que hoje paira sobre nosso País. Expropriaram-se as propriedades rurais 'exploradoras' dos camponeses, para impor à força os kolkhoses e sovkhoses e os explorados, agora finalmente ‘libertos da escravidão dos grandes senhores’, morreram aos milhões. De fome!

O sentimento delirante de onipotência faz com que os comunistas tenham a solução para tudo, saibam o que é melhor para todo o mundo. Se você não sabe – ou acha que sabe mas discorda deles – morra, pois eles sabem tudo. Você não tem idéia de como está ideologicamente enganado, portanto, confie nos “camaradas” ou .... pereça!

Como muito bem expressa o colega de site Janer Cristaldo em seu último artigo : Ser comunista era (no século passado) entender o universo, ter uma idéia exata para onde rumava a humanidade. E ai de quem não o fosse! Era olhado com um misto de desprezo e piedade, como alguém que nada entendia do mundo, muito menos de si mesmo. Durante todo o século passado, estes senhores tiveram o monopólio da arrogância e sempre se julgaram os redentores da humanidade.

É de se supor até que ponto tais tendências não predominaram nas relações terapêuticas, acrescidos à dissonância cognitiva que permitia aos mesmos levarem uma vida altamente aburguesada, que tanto atacavam no discurso, pois a maioria dos esquerdistas nasceu em berço de ouro e, ao invés de se sentirem gratos, destilam um vitriólico veneno contra a própria Sociedade que os beneficiou.


*Médico Psiquiatra e Psicanalista no Rio de Janeiro. Escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors da Drug Watch International. Possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

Enquete do Blog do Clausewitz

Nova enquete no BLOG DO CLAUSEWITZ enviada por e-mail:


Peço ao amigo que me permita fugir da pauta e propagandear minhas mais novas enquetes:

O jornalista Muntadhar al-Zeidi, que ganhou fama mundial ao atirar seus sapatos no então presidente americano George Bush no fim do ano passado, está sendo libertado hoje e deverá ser recebido em seu povoado com honras de chefe de Estado e com muita comilança pela família, que lhe prometeu alguns pares de sapato para que Muntadhar continue sua sina de homem-sapato, o que já é uma grande evolução em um país onde os homens e mais recentemente as mulheres ao invés de jogarem sapatos, se jogam com bombas no adversário...

Pois bem, cientes de que temos contas a ajustar com a cena política nacional, em qual personalidade da atual e deprimente realidade republicana o amigo e a amiga atirariam um sapato com muito chulé? Funcionaremos com duas enquetes, sendo a já mencionada sapatada nos anjos nacionais e outra que estimará quem deve ser alvejado fora do Brasil... para termos o perfeito perfil do alvo, solicito que a atual enquete seja divulgada para toda a família e amigos, para que durante 15 dias possamos renovar nosso estoque de pisantes...

Sobre a moralidade de Karl Marx

Sobre a moralidade de Karl Marx
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/ipojuca2.htm


Por Ipojuca Pontes
Jornal da Tarde (São Paulo)
Sábado, 20 de outubro de 2001


Ao criticar Apelo aos Eslavos – escrito em que Bakunin (1814/65), a propósito da criação de uma federação eslava, invoca a fraternidade entre os povos e o respeito as fronteiras entre os Estados soberanos –, Karl Marx (1818/83) afirmou, em 1849, na Nova Gazeta Renana:

“Justiça, liberdade, igualdade, fraternidade, independência: nada mais encontramos no manifesto pan-eslavista além destas categorias mais ou menos morais que, é certo, soam bem, mas não têm nenhum sentido no domínio histórico e político. Os Estados Unidos e México são dois povos soberanos, duas repúblicas. Como é possível que entre duas repúblicas que, segundo a lei moral, deveriam estar unidas por elos fraternos e federais, tenha eclodido uma guerra por causa do Texas, e que a vontade soberana do povo americano tenha empurrado uma centena de milhas mais adiante as fronteiras naturais em razão das necessidades geográficas, comerciais e estratégicas? Bakunin censura os americanos por fazerem uma guerra de conquista que é um duro golpe na teoria fundada na justiça e na humanidade, mas que é conduzida no interesse da humanidade. É uma infelicidade se a rica Califórnia foi arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer dela? Se os enérgicos yankees, graças a exploração das minas de ouro daquela região, aumentam as vias de comunicação, concentram sobre a costa do Pacífico uma população densa e um comércio em expansão, abrem linhas marítimas, estabelecem uma via férrea de Nova York a São Francisco, abrem pela primeira vez o Pacífico à civilização e pela terceira vez na história dão uma nova orientação ao comércio mundial? A independência de alguns californianos pode sofrer com isso, a justiça e outros princípios morais podem ser feridos – mas isto conta, diante de tais realidades que são o domínio da história universal?”


Para Marx, claro, não contava, e a resposta a Bakunin expressa, com espantosa nitidez, a questão da ética e da moral na doutrina marxista. Não é necessário aqui nenhum esforço para reconhecer que Marx, em nome da real politik, justifica e admite, sem a menor cerimônia, a pilhagem, a exploração e o massacre de “povos preguiçosos” (os mestiços mexicanos) em nome de presumível “domínio histórico universal” empreendido pelos norte-americanos. O que é para o líder anarquista um ato imoral, para Marx não ultrapassa os limites de simples decorrência histórica, pois, segundo entende, os fins justificam os meios.


Analistas costumam ressaltar, repetindo o próprio Marx, que o “socialismo científico” não se ergue sobre uma exigência moral subjetiva, mas em torno de uma teoria objetiva da história – dialética e progressista –, que aceita a expansão colonialista como uma etapa historicamente necessária para a formação da sociedade socialista: a história se faz de contradição, o feudalismo é suplantado pelo capitalismo e o capitalismo, por sua vez, não é o fim da história. Assim, a exigência moral, ou de qualquer conjunto de regras de conduta, seria no capitalismo uma excrescência, embora seja perceptível uma postura moral inseparável à teoria marxista da história: nela tudo é permitido desde que o seja em função da emancipação da classe operária.


Trata-se de um contra-senso, mas só a partir dele poderia aceitar-se o entendimento da moral como mera “ideologia” subordinada a “interesses particulares de classe”, cujas formas “não podem desaparecer a não ser com o desaparecimento total dos antagonismos de classe”, ou seja, com o advento do comunismo e da moral proletária, que se tornaria a moral definitiva da humanidade.


À margem o fato de ampliar o abismo entre a conduta ética e o comportamento político – assunto polêmico e de crescente atualidade –, a instrumentalização da ética no contexto da teoria marxista nos leva ao incontornável questionamento dos meios utilizados para se chegar aos fins revolucionários (o poder) e, por extensão, à necessária pergunta: se os fins justificam os meios, quem justifica os fins quando os meios utilizados são maus?


Parte da resposta talvez venha a ser encontrada no exame da própria conduta de Marx, à luz de dados biográficos reais e longe da imagem mítica partidariamente cultivada, na maneira como se comportava com amigos e familiares e, em especial, nos métodos que empregava no confronto com adversários para impor a doutrina comunista e sua ética de resultados.


A primeira coisa a ressaltar em Marx diz respeito ao caráter impositivo. Marx não pedia, mandava. Não se desculpava, justificava-se. Não dialogava, impunha ou aliciava. Um dos poucos homens com quem conviveu sem brigar, o poeta Heinrich Heine, escreveu que “Marx se julga um Deus Ateu autonomeado” (Cavaleiro do Templo: surpreendam-se mais aqui e aqui). Quando, por qualquer razão, se impacientava com um circundante – como no caso em que humilhou publicamente o operário Weitling –, partia para explosão verbal. Um observador, Pavel Annenkov, traçou-lhe o perfil: “Falava sempre com palavras imperiosas, que não admitiam contradição, e que se tornavam ainda mais incisivas pela sensação quase dolorosa do tom que perpassava tudo o que dizia. O tom expressava a firme convicção de sua missão de dominar a mente dos homens e de lhes ditar suas leis. Diante de mim erguia-se a encarnação de um ditador democrático.”


Boa demonstração do seu caráter revela-se na polêmica que travou com P. J. Proudhon (1809/65), o socialista francês que o acolheu no exílio, antes de Marx ser expulso de Paris, em 1844. Proudhon tinha se tornado o mestre do socialismo europeu com a publicação de O Que é a Propriedade?, ao ponto de Marx reverenciá-lo, em A Sagrada Família, como criador de “obra que revoluciona a economia política, tornando possível, pela primeira vez, uma verdadeira ciência da economia política”.


Mas Proudhon, desconfiando do caráter de Marx, impregnado de virulência, recusou o convite deste (feito por carta) para ingressar no Comitê Comunista de Correspondência, sediado em Bruxelas. Ponderou, profético, Proudhon:


“Faço profissão pública de um antidogmatismo econômico absoluto. Se o sr. quiser, investiguemos juntos as leis da sociedade, o modo como essas leis se realizam, o processo segundo o qual chegaremos a descobri-la – mas, por Deus, depois de demolir todos os dogmatismos a priori, não pensemos em doutrinar o povo, não caiamos na contradição do v. compatriota Lutero, que, depois de haver derrubado a teologia católica, colocou-se logo, através de anátemas e excomunhões, a criar uma teologia protestante... Façamos uma boa e leal polêmica; demos ao mundo o exemplo de tolerância sábia e previdente, mas não nos tornemos os chefes de uma nova intolerância, não nos coloquemos como apóstolos de uma nova religião, mesmo que essa religião seja da lógica, da razão... Com essa condição entrarei na v. associação – senão, não!


“Devo ainda fazer algumas observações à expressão “momento de ação” (revolucionária) de v. carta. Eu creio que não temos necessidade disso para vencer, e que, conseqüentemente, não devemos colocar a ação revolucionária como meio de reforma social, porque esse meio seria simplesmente um apelo à força, ao arbítrio; em suma, uma contradição.”


A resposta de Marx veio em 1847, com Miséria da Filosofia, depois que Proudhon lançou Sistema das Contradições Econômicas, uma construção antitética que propõe o entendimento da propriedade – a lado de ser uma apropriação indébita – como uma forma de liberdade. No opúsculo, Marx, irado com a recusa e os comentários de Proudhon, reduz a quem antes considerava “o mais notável socialista francês” à mera condição de “socialista utópico”, um “pequeno burguês oscilante entre o capital e o trabalho”.


Sabe-se hoje que o “socialismo científico” de Marx revelou-se tão utópico quanto o do “pequeno burguês” Proudhon, que, a rigor, jamais encarou o socialismo como uma ciência e repudiou sempre qualquer forma de ditadura, em especial a do proletariado. Depois de ler o arrazoado marxista, o francês resumiu-se a anotar num canto de página: “Um tecido de grosserias, calúnias, falsificações e plágios. Marx é a tênia do socialismo.”


De fato, para anular os adversários o pensador alemão tratava a moral comum aos pontapés. O exemplo dos métodos que empregava para neutralizá-los pode ser avaliado no seu desforço contra Bakunin, por quem, segundo o minucioso historiador inglês Robert Payne (Marx, Londres, 1968), nutria inveja acalentada pelo ódio. O anarquista russo (que, no dizer de Bernard Shaw, inspirou Wagner a compor o Siegfried), dono de personalidade incandescente e oratória libertária, desestabilizou, enquanto pôde, o controle que Marx detinha sobre o operariado europeu e, mais tarde, sobre a Associação Internacional de Trabalhadores. Em desacordo com a política ditatorial levada adiante por Marx, Bakunin articulou a formação de uma federação de associações de trabalhadores que logo ganhou adeptos na França, Itália, Espanha, Suíça e outros países europeus.


Sem condições de destruir o prestígio de Bakunin e temendo o seu poder de liderança, Marx, com o objetivo de desmoralizá-lo, publica na Nova Gazeta Renana informação de que o líder russo era um agente secreto da polícia czarista, dando como fonte suposta documentação em mãos da escritora Georg Sand. Ao tomar conhecimento da calunia, Sand, indignada, exigiu imediata retratação. Marx justificou-se afirmando que assim procedia “para defender o movimento socialista dos governos capitalistas”.


Mas não ficou por aí. Durante o congresso da Internacional em Haia, em 1872, ressabiado pela avassaladora atuação de Bakunin e suas idéias desestatizantes, denuncia-o por atos irresponsáveis de fato cometidos pelo terrorista Netchaiev (uma carta de ameaça ao editor de O Capital), sem que Bakunin tivesse participação direta no episódio – o que determina sua exclusão da Internacional.


Reconhecendo, no entanto, a força de Bakunin e certo de que na Europa, cedo ou tarde, a Internacional cairia em mãos deste, Marx, então conhecido como o “Doutor do Terror Vermelho”, numa manobra maquiavélica transfere a sede do seu Conselho Geral para Nova York – o que, em termos práticos, significou o fim da Internacional.


Outro traço do caráter de Marx é o que aponta para a completa falta de escrúpulos quando se tratava de alterar dados e informações que, de algum modo, servissem a causa do “socialismo científico”. No discurso inaugural da Internacional, em 1864, Marx, como registra o historiador Leslie Page (K. Marx and Critical Examination of his Works, Londres, 1987), para impressionar os trabalhadores adultera deliberadamente mensagem orçamentária de Gladstone (várias vezes primeiro ministro inglês), de 1863. Na oração, escreveu Gladstone sobre o crescimento da riqueza nacional: “Veria quase com apreensão e dor este inebriante crescimento da riqueza e poderio se acreditasse que está circunscrito a classe conservadora. A condição média do trabalhador inglês, é uma felicidade sabê-lo, melhorou nos últimos 20 anos, a um grau que sabemos extraordinário e que podemos qualificar como sem paralelo na história de qualquer país e de qualquer época.” Marx, mutilando e invertendo tudo, fez Gladstone dizer: “Este crescimento inebriante de riqueza e poderio está totalmente circunscrito a classe dos proprietários.”


Na manipulação de dados estatísticos contidos nos Livros Azuis de Biblioteca do British Museum, publicados pelo governo e fonte para a elaboração dos capítulos XIII e XV de O Capital, a conduta do pai do “socialismo científico” chega a ser, segundo analistas da Universidade de Cambridge (apud Paul Johnson, em Intellectuals, W&N, 1988) de “assombrosa temeridade”, concluindo que “há um desapreço quase criminoso no uso das fontes”, o que coloca “qualquer parte da obra de Marx sob suspeita”. Para comprovar sua verdade, Marx, que durante toda vida jamais entrou numa fábrica, usa material sabidamente desatualizado e elege como exemplo indústrias pré-capitalistas, com mais de 40 anos de atraso, que não tinham condições para incorporar novas maquinarias.


No capítulo de apropriação intelectual Marx ultrapassa os limites da pura desonestidade. Para compor seus escritos eivados de metáforas apocalípticas, toma como seu aquilo que foi criado por outros, sem apontar autoria. De Marat, se apropria da frase “o proletariado não tem nada a perder, exceto os grilhões”. De Heine, “a religião é ópio do povo”; e, de Louis Blanc, via Enfantin, sacou a formula “de cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades”. De Shapper, tirou a convocação “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”, e, de Blanqui, a expressão “ditadura do proletariado”. Até mesmo sua obra mais bem acabada e de efeito vertiginoso, O Manifesto Comunista (1848, em parceria com Engels), tem-se, entre os anarquistas, como plágio vergonhoso do Manifesto da Democracia, de Victor Considérant, escrito cinco anos antes.


Marx considerava que as leis morais não haviam sido criadas para ele – é o que indica o seu modo de agir em vida. Para além das idéias, os métodos por ele empregados influenciaram de modo catalisador a prática comunista, no século 20: sem eles, dificilmente Lênin, Trotski, Stalin, Mao, Fidel, Pol Pot e congêneres encontrariam respaldo moral para justificar seus crimes contra a humanidade. Depois da derrocada da União Soviética, levantada a cortina do terror, viu-se que mais de 100 milhões de pessoas tinham sido destroçadas em nome de uma absurda “moral proletária”, que, estranhamente, parece ainda pontificar como se nada tivesse ocorrido.


O fim da existência de Marx foi patético. Morreu praticamente só, aos 65 anos, depois de percorrer estações balneárias para mitigar o sofrimento físico, lastimando-se de dores generalizadas na laringe, brônquios, tumores, insônia e suores noturnos. Ao médico que dele cuidava, deixou bilhete, no qual dizia “só encontrar certo alívio numa terrível dor de cabeça – pois a dor física é a único ‘estupefaciente’ da dor psíquica”.


Sua família foi a grande vítima. Dos seis filhos que teve com a mulher, Jenny, uma aristocrata, três morreram na primeira infância, em decorrência do estado de penúria a que foram submetidos, e os outros – as filhas Jenny, Laura e Leonor – terminaram a vida cometendo suicídio. O único sobrevivente, Freddy, filho de Marx com a empregada, Helene, nunca reconhecido pelo pai, foi adotado por Engels para “salvar as aparências”. Jenny, a mulher, prematuramente envelhecida pelo sofrimento, morreu aparentemente sem perdoar o marido por ter engravidado a empregada.


Com os pais, Marx não se comportou de modo menos egoísta. Por ocasião da morte do pai, Heinrich, vítima de câncer no fígado, não compareceu ao enterro porque, segundo ele próprio, “não tinha tempo a perder”. Por conta disso, a mãe, Henriette, saturada de pagar suas dívidas, com ele cortou relações, não antes de adverti-lo: “Você devia juntar algum capital em vez de só escrever sobre ele.”


Mas foi ao cometer grosseria com a amigo e provedor de todas as horas, Engels (1820/95), que Marx concedeu a chave para explicação de sua moralidade. Após a morte da companheira amada Mary Burns, Engels escreve ao amigo dizendo-se arrasado pelo fato (Karl Marx, Francis Wheen, Record, 2001). Marx, por carta, responde que a notícia o surpreendeu, mas logo passa a tecer considerações sobre as próprias necessidades pessoais. Engels, magoado com a frieza do outro, suspende dádivas e correspondência. O que leva Marx, apressado, não propriamente a pedir desculpas pela conduta mesquinha, mas a admitir, com franqueza brutal, que “em geral, nessas situações, meu único recurso é o cinismo”.


Ipojuca Pontes é escritor e cineasta

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".