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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Perguntem a Chávez e a Lula!

Fonte: HEITOR DE PAOLA

Graça Salgueiro, NOTALATINA



Leio no site “Inforel” do dia 01 de outubro, que o senador Aloísio Mercadante (PT) apresentou um voto de censura ao acordo militar firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos, alegando que o acordo foi celebrado “sem nenhuma consulta aos países da região”. Segundo Mercadante, “No nosso entendimento, a imprescindível luta contra o narcotráfico não justifica essa escalada militarista na Colômbia, a qual poderá resultar na militarização de conflitos regionais e na geração de grande insegurança hemisférica, bem como num possível comprometimento dos processos de integração regionais”. Tanto cinismo e hipocrisia soam até obscenos...


Que eu saiba, ninguém perguntou ao senador mas eu pergunto: e os acordos firmados entre Brasil e Rússia, Venezuela e Rússia, devem ficar longe não só do conhecimento do público mas também da “consulta” aos outros países da região? E por serem acordos entre a Rússia comunista de Putin e os países pertencentes ao Foro de São Paulo, isto lhes dá automaticamente imunidade para agir secreta e silenciosamente sem que nenhum bisbilhoteiro lhes peça satisfações?


Vamos aos fatos. No dia 30 de setembro de 2009 a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados, aprovou o acordo de cooperação técnico-militar firmado entre Brasil e Rússia em novembro de 2008. O acordo visa a “incrementar a cooperação nos campos de pesquisa e desenvolvimento, apoio logístico, aquisição de produtos e serviços de defesa, treinamento profissional, intercâmbio de pessoal docente e discente, realização de visitas recíprocas e a realização de programas conjuntos”. Fica estabelecido neste acordo que “nenhuma das partes, sem o prévio consentimento por escrito da outra, poderá vender ou transferir a terceiros os produtos de destinação militar, bem como as informações obtidas ou geradas através da cooperação”. Quer dizer: tudo o que se fizer mediante este acordo, deverá permanecer em sigilo, sendo do conhecimento apenas das partes envolvidas, ou seja, Brasil e Rússia, e ninguém mais.


Agora vamos a Chávez. Em julho de 2008, Chávez ofereceu à Rússia o direito de erigir bases militares de apoio em seu território, quer dizer, da Venezuela, que ele trata como se fosse seu quintal e não do povo venezuelano inteiro. Na ocasião o diário moscovita “Izvestiya” assegurou que a Força Aérea russa estuda transferir bombardeiros de longo alcance a Cuba em resposta ao sistema de defesa anti-mísseis que os Estados Unidos planejam instalar na Europa central. Imediatamente Chávez disse que a Venezuela estava tão bem posicionada quanto Cuba e acrescentou: “Içaremos as bandeiras, tocaremos os tambores e cantaremos canções porque estão aqui os nossos aliados, com os quais nos une a mesma visão de mundo”.


Vejam bem, tudo isto aconteceu em 2008, quando a Colômbia ainda não havia tratado de expandir seus acordos com os Estados Unidos, ou seja, tanto Lula quanto Chávez faziam seus acordos de cooperação militar com os russos e nenhum país vizinho foi informado ou consultado! Mas o cinismo e a hipocrisia desta gente não acabam por aí. No dia 17 de setembro, os ministros de Defesa da UNASUL reuniram-se em Quito, Equador, para debater a questão do que eles chamam “bases militares americanas” na Colômbia e alegaram que não se chegou a um consenso por causa da “intransigência de Uribe” em revelar a totalidade do acordo. Eles queriam ver o documento original, com todos os detalhes especificados ali. No dia 24 de setembro, 7 dias depois portanto, do encontro desses ministros, a Assembléia Nacional da Venezuela aprovou por maioria (pois 90% dos parlamentares são “bolivarianos”), à noite, um documento no qual decreta-se como secretos os acordos firmados entre Venezuela e Rússia, alegando que isto “nasce da necessidade de proteger todo tipo de informação classificada, que seja transmitida, recebida e gerada no desenvolvimento da cooperação técnico-militar bilateral”. Esse acordo foi firmado em 15 de agosto, no entanto, no encontro da UNASUL em Bariloche, em 28 de agosto, lá estavam Lula e Chávez como donzelas ofendidas pedindo satisfações a Uribe que, cavalheiro e diplomático como só ele na região, dava-lhes explicações e pedia desculpas por “não tê-los consultado antes”.


No dia 13 de setembro, Evo Morales anuncia a autorização de instalações militares russas em território boliviano, na cidade de Cochabamba, para as quais (não especifica quantas) a Federação Russa investirá dez milhões de dólares no funcionamento do novo centro de manutenção de sua Força Aérea no país sul-americano. Mas ele informou ou “consultou” seus vizinhos para tanto? Não, claro que não, e nenhum deles se queixou ou viu nisso qualquer ameaça! A única ameaça é a Colômbia, porque não pertence ao Foro de São Paulo!


Finalmente, no passado 19 de outubro o presidente Uribe esteve em visita ao Brasil num encontro na FIESP onde assinou vários acordos com Lula. Os acordos giraram em torno de ciência e tecnologia, cultura, educação e comércio. Nada se tratou acerca do combate ao narcotráfico e, dias depois, Marco Aurélio Garcia (MAG) deu uma declaração ao jornal “El Patagonico” dizendo que o Brasil “não vai mais pedir garantias à Colômbia pelo uso de suas bases militares por americanos”porque “confia na palavra de seu convidado”. Ora, e o que o fez mudar tão radicalmente de opinião de uma hora para outra, sem ter visto o acordo?


A resposta parece óbvia. Estamos em ano pré-eleitoral e Lula quer emplacar sua candidata, a terrorista Dilma. Uribe conhece as relações FARC/PT reveladas pelos computadores de Raúl Reyes e John 40. Deve então ter havido um acordo entre os dois: Uribe não divulga o que sabe desses achados, e Lula deixa de pressionar pelo acordo Colômbia-USA. A diplomacia tem dessas coisas, que eu particularmente abomino, mas há muitos acordos comerciais entre o empresariado dos dois países que não podem ser prejudicados, pois se Uribe resolvesse jogar no ventilador o que sabe, isto fatalmente redundaria num rompimento de relações entre Brasil e Colômbia. Quanto ao cinismo de “seu” Mercadante, por que não exigir dele, também, explicações sobre os acordos feitos pelos seus camaradas do Foro de São Paulo?

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".