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domingo, 5 de outubro de 2008

Ídolos das multidões

MÍDIA SEM MÁSCARA
Autor:  | 1 outubro 2008
Editorias - Estados Unidos

“Um grupo humano se transforma numa multidão quando responde a uma sugestão em vez de a um raciocínio, a uma imagem em vez de a uma idéia, a uma afirmação em vez de a uma prova, à repetição de uma frase em vez de a argumentos, ao prestígio em vez de à competência.”

Senador Barack Obama: única qualidade é a retórica incansável.

Barack Obama: retórica como única plataforma eleitoral.

Jean-François Revel não estava se referindo aos Estados Unidos quando escreveu essas palavras, nem à sua França, mas aos seres humanos em geral. Ele não estava com certeza se referindo a Barack Obama, de quem ele nunca deve ter ouvido falar, pois Revel morreu ano passado.

Para encontrar algo comparável às reações de euforia da multidão em relação à Obama, teríamos que retroceder às antigas imagens das multidões alemãs dos anos 1930, com sua bajulação ao führer, Adolf Hitler. Em retrospecto, podemos olhar para aquelas pessoas com compaixão, sabendo quantos delas foram levadas à morte pelo homem que idolatravam.

A exaltação do momento pode custar um alto preço no futuro. Em nenhuma outra situação isso é mais verdadeiro do que quando se vai escolher o líder de uma nação, que significa entregar a esse líder o destino de milhões hoje e de gerações ainda por nascer.

Um líder não tem de ser mau para levar um país a uma catástrofe. Inexperiência e incompetência podem criar resultados muito similares, talvez ainda mais rapidamente numa era nuclear, quando “um pequeno país” - como o senador Obama chamou o Irã - pode provocar uma catástrofe em qualquer lugar do mundo, se esse país for governado por fanáticos suicidas e se ele fornecer armas nucleares a terroristas que são também fanáticos suicidas.

Barack Obama é verdadeiramente um fenômeno de nosso tempo - um candidato presidencial que não consegue citar uma única realização em sua carreira, além de alavancá-la com retórica.

Ele tem uma resposta retórica para tudo. Quando falamos da ameaça do Irã, estamos nos engajando na “política do medo” segundo Obama, algo que nos distrai das “verdadeiras questões”, tais como aumentar impostos e fazer benesses com o dinheiro dos outros.

Quem já estudou os anos que precederam a II Guerra Mundial fica impressionado com o número de pessoas e países que não conseguiram enxergar os preparativos de Adolf Hitler.

Mesmo Hitler telegrafando seus golpes, poucas pessoas pareciam perceber a mensagem. Livros sobre o período tinham títulos como “A tempestade se avoluma” e “Por que a Inglaterra adormeceu?”.

Será que as futuras gerações ponderarão sobre por que adormecemos? Por que não conseguimos perceber a tempestade se avolumando no Irã, onde um dos maiores produtores de petróleo do mundo está construindo plantas nucleares - ostensivamente para gerar eletricidade, mas cujo óbvio propósito é produzir bombas atômicas.

Esse é um país cujo presidente tem ameaçado tirar do mapa um país vizinho. Alguém tem de desenhar?

Quando os terroristas colocarem as mãos nas armas nucleares, não haverá meios de deter os homens-bomba. Nós e nossos filhos estaremos permanentemente à mercê dos impiedosos.

E do que estamos falando? De políticas fiscais e aumento de gastos governamentais, da culpa das companhias petrolíferas e do salvamento das pessoas que jogam com arriscados empréstimos habitacionais e perdem.

Estamos falando sério? Somos incapazes de percepção adulta das coisas e de assumirmos a responsabilidade adulta que nos cabe?

Barack Obama, claro, tem sua resposta usual: conversar. A retórica parece ser sua resposta para tudo. Obama clama por uma diplomacia “agressiva” e por “duras” negociações com o Irã.

Esses adjetivos coloridos podem impressionar eleitores ingênuos, mas eles têm pouca chance de impressionar fanáticos que estão dispostos a se destruírem se, no processo, eles conseguirem nos destruir.

O que exatamente o senador Obama irá dizer ao Irã que ainda não foi dito? Que não queremos que eles desenvolvam armas nucleares? Isso já foi dito, de todas as formas possíveis. Se conversa funcionasse, já teria funcionado.

Ir às Nações Unidas? O que eles farão, exceto publicar alertas - e quando eles forem ignorados, publicar outros mais?

Mas o que tem Obama além de conversa - e multidões de adoradores?

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

OS ERROS NO ENSINO DE ECONOMIA

Ubiratan Iorio (artigo para baixar aqui)

Se folhearmos qualquer journal de Economia do final do século XIX ou do início do século XX – como, por exemplo, o tradicional e sempre importante Journal of Political Economy, editado pela Universidade de Chicago -, nos depararemos com, praticamente, todas as páginas escritas em inglês, com um ou outro rodapé em que aparecem gráficos ou equações matemáticas. Já se tomarmos os números escritos nos últimos anos do mesmo JPE, o que nos chamará a atenção é que em quase todas as páginas predominam modelos matemáticos e econométricos, com escassas frases em inglês, geralmente restritas às introduções e conclusões dos artigos. Em suma, a lógica verbal foi para os rodapés e a lógica matemática, que ali estava, subiu para as partes nobres das páginas... E o que ganhamos com isso, se é que se ganhou algo?

Por que essa tamanha mudança de atitude, que se processou nos últimos cem anos, por parte dos acadêmicos da ciência que muitos julgam ter sido fundada por Adam Smith – mas que, na verdade, remonta a São Tomás de Aquino, aos escolásticos e pós-escolásticos -, se os problemas tratados, tanto nos velhos e centenários volumes das revistas especializadas, quanto nos mais recentes são, rigorosamente, os mesmos, com poucas mudanças em sua essência? Com efeito, bem antes de qualquer journal de Economia ter sido criado, os economistas já se preocupavam com o estudo de questões, apenas para exemplificarmos algumas, como a da determinação dos valores e dos preços dos bens e serviços, da taxa de juros, da taxa de câmbio e dos salários, dos efeitos das variações nos estoques e nos fluxos de moeda sobre os preços e a produção, com a inflação, com o desemprego e com o desenvolvimento das economias. Resumindo: valor, demanda, oferta e mercados!

A pergunta relevante é: será que o uso cada vez mais intenso e sofisticado de instrumentais matemáticos para estudar problemas econômicos contribuiu efetivamente para a sua solução? Nossa resposta a esta importantíssima indagação é peremptoriamente negativa! De fato, embora o uso da matemática, influenciado pelo ambiente positivista do final do século XX, que considerava “ciência” apenas os campos do conhecimento construídos através do método experimental característico das ciências exatas, além do posterior desenvolvimento da Estatística aplicada à Economia e a conseqüente criação e desenvolvimento da Econometria, bem como do extraordinário impulso, nos últimos trinta anos, que a Informática proporcionou aos novos especialistas, tenha contribuído e continue a contribuir para um aperfeiçoamento do conhecimento dito “técnico”, nada disso foi suficiente para que os problemas econômicos que citamos, fora dos ambientes acadêmicos, fossem pelo menos reduzidos a proporções toleráveis – e lembremo-nos de que esses problemas envolvem a vida de pessoas humanas, feitas à imagem e semelhança do Criador e que, portanto, é obrigação de todo economista contribuir para tentar resolvê-los.

Mesmo com todo o instrumental teórico hoje existente, que faz com que os artigos especializados e os livros mais avançados de Economia mais pareçam escritos em grego, pela simbologia herdada da Matemática, ainda existe inflação em alguns países, ainda há desemprego, ainda se contam milhões de pessoas vivendo na miséria, ainda há países que não conseguem se desenvolver, ainda persistem, enfim, diversos dos problemas que preocupavam o genial autor da Summa Teologica, que viveu no século XIII.

O tema é fascinante e daria para escrever um volumoso livro a respeito, mas vamos, aqui, nos ater apenas a dois fatores – ao nosso ver, os mais importantes – que nos levam a responder negativamente à questão crucial sobre se o crescente recurso a modelagens matemáticas da Economia serviu para solucionar os problemas com que os antigos economistas sempre se preocuparam.

O primeiro – de uma obviedade ululante, como diria um falecido dramaturgo brasileiro! -, mas que apenas uns poucos economistas libertos dos antolhos vêem, é que a Economia não lida, como a Física, a Biologia, a Química, a Astronomia e outras ciências experimentais e naturais, com objetos, com esferas rolando em planos inclinados sem atrito, ou com asteróides triscando os céus, ou com reações entre elementos da natureza; ela lida com a infinidade de ações praticadas por seres humanos, bem como com os possíveis efeitos dessas ações, ao longo do tempo (ela é dinâmica) e sob condições de incerteza genuína (ela não é probabilística)! Há, em uma verdadeira ciência econômica, uma que se volte para a pessoa humana e para a sua dignidade, componentes fortes de caráter subjetivo, como emoções, preferências, vontade própria e, sobretudo, fortes determinantes de natureza ética e moral. Nunca é demais lembrarmos que os primeiros – e importantes – estudiosos da Economia foram grandes moralistas, como São Tomás e os escolásticos, como David Hume e como Adam Smith que, antes de escrever A Riqueza das Nações, em 1776, publicara um Tratado Sobre os Sentimentos Morais, até hoje considerado uma referência importante no assunto, como mostra José Oswaldo de Meira Penna em seu ótimo livro Da Moral em Economia.

Ao sofrer a influência do positivismo científico, a Economia passou como que a querer adquirir o status de “ciência exata”, como se tal metamorfose fosse possível. A verdadeira ciência econômica é aquela que sempre foi objeto de estudos dos economistas da chamada Escola Austríaca, desde o seu fundador, o médico Carl Menger, passando por Karl Wieser, Eugene von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises e Friedrich August Von Hayek e cujo legado vem sendo heroicamente mantido por uma minoria acadêmica em que pontificam Israel Kirzner, Mario Rizzo, Gerald O’Driscoll Jr e Roger Garrison, entre mais alguns gatos pingados. Ou como a antiga Escola Sueca, que desapareceu com a morte de seu principal economista, Knut Wicksell, em 1950. Ou, mesmo, como os antigos economistas clássicos, como David Hume, o próprio Adam Smith, o fenomenal (embora pouco estudado) Richard Cantillon, David Ricardo, John Stuart Mill e Alfred Marshall.

Marshall, com Carl Menger e Leon Walras - embora cada um dos três houvesse trabalhado sem conhecimento do que os outros dois faziam – no ano de 1871, encontraram a resposta à importante questão sobre o que determinaria o valor, formulada por São Tomás há sete séculos (e cuja resposta escapou a Adam Smith (que errou ao responder que seria apenas o trabalho), resultado que ficou conhecido como Teoria da Utilidade Marginal. Cada um dos três grandes economistas originou uma metodologia própria, endossada e aperfeiçoada por seus seguidores: de Marshall, originalmente um professor de Matemática, saiu a microeconomia e a análise de equilíbrio parcial, com um uso de gráficos e de equações inicialmente comedido, mas que foi, com o tempo, se sofisticando ; de Walras, a Escola de Lausanne e a análise de equilíbrio geral, desenvolvida pelo brilhante economista italiano Valfrido Pareto e que sempre utilizou extensamente o instrumental matemático; e de Menger, como já dissemos, a Escola Austríaca de Economia, essencialmente subjetiva, tendente desde os primórdios para o método científico do falsificacionismo e de caráter personalista ou individual.

Alfred Marshall, o economista mais famoso nos últimos anos do século XIX e nos primeiros do século XX, foi professor, durante um semestre, em Londres, de John Maynard Keynes, um filósofo que se interessou por Economia, ciência que estudou regularmente apenas naqueles seis meses. Com Keynes, chegamos ao segundo fator que contribuiu para tornar a Economia, embora mais sofisticada, cada vez mais afastada de suas verdadeiras origens, embora incapaz de solucionar as grandes questões.

A perniciosa influência de Keynes – um sujeito extremamente inteligente, haja vista ter sido o economista mais famoso do século XX sem sequer ser graduado em Economia – pode ser desmembrada em quatro partes. A primeira é a revolução moral às avessas que, de forma preconcebida (como demonstra Paul Johnson em Tempos Modernos), introduziu, ao persuadir quase todos os seus colegas de que poupar é ruim e gastar é bom, convencimento que logrou com a introdução de um conceito copiado de um ex-aluno (Khan), o de multiplicador de investimentos. Se, até Keynes, a ética que predominava na Economia era a judaico-cristã, que sempre enalteceu o valor do trabalho duro e da poupança, Keynes, com a sua inteligência, capacidade persuasiva e ao lado dos demais homossexuais do grupo de Bloomsbury, por ele fundado e que tinha como um de seus objetivos, no bojo da crítica nietzschiana à moral, subverter completamente os padrões éticos e morais até então vigentes, enfiou na cabeça de economistas influentes, de políticos e de governantes que a filosofia correta não seria a da formiga, mas a da cigarra.

O segundo mal provocado por Keynes e pelo keynesianismo foi a pouca importância que se passou a dar à microeconomia, em favor da exaltação da macroeconomia, a nova “ciência dos agregados” inventada por ele em sua Teoria Geral, de 1936. Embora o mundo real seja e sempre tenha sido microeconômico e embora nenhum de nós seja louco a ponto de entrar em uma padaria ou açougue e pedir ao balconista um quilo de PIB, a macroeconomia passou a ocupar a maior parte do tempo de gerações seguidas de economistas, influenciados por lord Keynes.

O terceiro dano – quase irreversível, não fosse o Nobel de Economia concedido a Hayek em 1974, que gerou um benéfico rissorgimento de suas idéias, fortalecido pela determinação de Margareth Thatcher em aplicá-las – foi que, com a “vitória” – que foi, na verdade, como a de Pirro, coisa que pouquíssimos perceberam – de Keynes em seu famoso debate com Hayek, nos anos 30, facilitada pela fácil digestão política da proposta de Keynes no sentido de que os governos deveriam aumentar os gastos para combater a Grande Depressão, que teria sido causada por instabilidade no investimento privado, enquanto a proposta do autor de O Caminho da Servidão era politicamente indigerível, já que sustentava que os governos nada deveriam fazer diante daquele problema, porque ele teria sido provocado pelo próprio Estado que, nos anos 20, fizera a taxa real de juros ser mantida anos a fio abaixo de seu valor natural, sendo a recessão dos anos 30 mera conseqüência da euforia expansionista da década anterior. Como, sob o ponto de vista de um político, a sugestão de Keynes de que ele deveria aumentar os gastos públicos soava muito melhor do que a daquele austríaco, de sotaque ainda carregado, levado para Londres, em 1931, pelo próprio Keynes, o resultado foi o surgimento de uma nova economia - a de Keynes - e, posteriormente, a de seus seguidores, com o conseqüente esquecimento, no mundo acadêmico, da até então prestigiada Austrian Economics. Quatro décadas depois, o mundo começou a dar razão a Hayek, por ocasião da stagflation que explodiu no mundo civilizado, após o primeiro choque do petróleo. Mas era tarde: já não se ensinavam mais nas universidades as teorias dos economistas austríacos, limitando-se os professores ou a repetir as diversas interpretações keynesianas sobre o que Keynes, realmente, teria desejado dizer nesse ou naquele capítulo ou parágrafo da General Theory, ou, quando um pouco mais simpáticos aos mercados livres, teorias monetaristas, mas com o aparato macroeconômico herdado de Keynes.

Por fim, o quarto dano resultou do incentivo, imanente às idéias de Keynes – embora ele estivesse longe de ser um socialista! –, a um intervencionismo crescente por parte dos governos, com o objetivo de levar as economias sempre ao pleno emprego, esse inalcançável nirvana que sempre povoou os sonhos de keynesianos, pós-keynesianos, neokeynesianos e novos keynesianos, mesmo que ao preço de maiores taxas de inflação e desemprego no longo prazo, de crescente politização de temas essencialmente econômicos, como preços, salários, juros, câmbio e moeda e de maiores possibilidade de corrupção, associada a um poder político crescente. Para esses discípulos de Keynes – os que erraram, os que insistiram e os que continuam persistindo no erro -, simplesmente, no longo prazo, todos estaremos mortos... Ao que podemos acrescentar, após a observação de tantas décadas de keynesianismo, em todos os países: “Sim, vamos viver o curto prazo, curtir a vida, gastar, mesmo que causemos inflação e mesmo que provoquemos um substancial crescimento na dívida governamental; afinal, como, quando o problema de como pagar a dívida estourar, já estaremos mortos e, portanto, nossos filhos e netos é que terão que resolvê-los”... Por essa razão é o Prof. James Buchanan, laureado com o Nobel em 1986, observou, com bastante propriedade, que a dívida pública é algo profundamente imoral, pois transfere às gerações seguintes os ônus da irresponsabilidade da geração presente.

No início dos anos 90, houve nos Estados Unidos um intenso debate entre economistas, com vistas a tentar-se explicar porque a demanda pelos cursos de Economia havia caído fortemente, especialmente nos cursos de pós-graduação, cujas turmas passaram a contar, normalmente, com mais alunos estrangeiros do que com norte-americanos. A discussão envolveu tanto “keynesianos”, quanto “conservadores” e uma das conclusões foi que o abuso das técnicas matemáticas em uma ciência humana e social agia como um espantalho, a não ser para os poucos – dentre os que começam um curso de graduação – que aspiram a uma carreira acadêmica. Na medida em que avançavam em suas “técnicas”, os economistas afastavam-se do mundo real; cada vez mais economics e cada vez menos economy...

Na América Latina – e, obviamente, no Brasil -, o ensino de Economia, além de todos esses males a que nos referimos, sofre de um outro, maior, que ascende da própria alma subdesenvolvida que nos caracteriza, com tudo o que isto significa. Referimo-nos à forte influência de uma salada tropical em que, às idéias keynesianas intervencionistas, misturam-se elementos marxistas, ingredientes da antiga Cepal (de Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Barros de Castro, Carlos Lessa e outros menos conhecidos), tudo regado ao molho azedo de economistas ultra-heterodoxos, como o romeno Kalecki, a inglesa Joan Robinson e Piero Sraffa – um italiano, estranhamente, um tanto preguiçoso, pois levou nada menos do que 40 anos para escrever o seu único livro, A Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias”, que tem perto de ... 40 páginas.

Esse amálgama do que pode existir de pior em termos de defesa do intervencionismo econômico, que se apossara, no início dos anos 70, da Faculdade Economia da UFRJ , fundou, quase que na mesma época, o curso de Economia da Unicamp, universidade que sempre recebeu polpudos recursos dos governos do Estado de São Paulo. Hoje, em cada canto do Brasil onde existe um curso de Economia, em especial nas universidades públicas, há diversos professores dessas duas universidades, alguns menos radicais, outros mais, porém todos com a mesma característica, que é a rejeição à tese liberal de que o processo de mercado é superior ao processo político, em termos de solucionar os problemas econômicos e sociais. Em suma, as faculdades de Economia e os cursos de mestrado e doutorado em Economia, talvez com a exceção da EPGE, da Fundação Getulio Vargas – que carece, contudo, de uma visão humanista -, formam profissionais preparados basicamente, se forem trabalhar na iniciativa privada, para criticarem o mercado e, se forem para o governo, para intervirem no processo de mercado, pois são essencialmente treinados em engenharia social, ou em “formulação de políticas públicas”. O custo disso tudo é alto: cinco congelamentos de preços, recursos que poderiam ser empregados mais eficientemente e, como podemos ver todos os dias nos jornais, propostas no sentido de que nossa economia precisa de “mudanças”, algo que nem eles próprios sabem do que se trata.

Mas é com otimismo, com base na certeza de Mises de que basta um professor com as idéias certas, em um departamento de uma universidade, para fazer com que os alunos percebam os erros dos demais, que fechamos este artigo. Há alguns anos, em algumas universidades, em palestras, cursos de curta duração e disciplinas semestrais eletivas sobre a Escola Austríaca, em que mostramos aos futuros economistas a metodologia, o pensamento, os pressupostos, a teoria e, sobretudo, a sua aplicabilidade ao mundo real, a afirmação de Mises vem se tornando, para nós, uma inquebrantável certeza. Um dia, no Brasil, com o reforço de novos colegas, haveremos de transformar em realidade palpável o ideal de formar verdadeiros economistas, não apenas com o domínio técnico correto, mas também com a indispensável visão humanista e a certeza de que, sem uma base moral sólida, a Economia – os atos econômicos - fica completamente descaracterizada do que deve ser, que é uma ciência com vistas ao bem comum e à dignidade da pessoa humana.


Ubiratan Iorio é Doutor em Economia (EPGE/FGV), Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista e Professor da Uerj, do Ibmec, da FGV e da PUC.

website: www.ubirataniorio.org | e-mail: lettere@ubirataniorio.org

Recado atrasado a Rodrigo Constantino

Olavo de Carvalho
3 de março de 2007

Muito bem, Constantino. Acabou o debate (digamos que tenha sido um). Você já disse o que queria e ouviu o que não queria. Eu também.

Você conserva as suas opiniões sobre mim, eu as minhas sobre você.

Objetivamente falando, isso não tem a menor importância. O que as pessoas pensam umas das outras morre junto com elas. O que sobra é o que elas são, e isto em geral ninguém sabe exatamente – nem elas mesmas.

Mas confesso que me arrependo de uma coisa. De não haver feito as seguintes perguntas em primeiro lugar.

1. Você algum dia já imaginou a possibilidade de estar inteiramente errado? Já concedeu a essa hipótese a atenção tranqüila e sem prevenções que concedeu à hipótese oposta? Já buscou argumentos em favor da possibilidade que mais o desagrada no momento, já buscou imaginar as coisas como as imaginam os que acreditam nela? Já tentou se transportar em pensamento para dentro da alma dessas pessoas, sentir como elas, ver o mundo como elas vêem, como se você fosse representar o papel de uma delas no teatro e tivesse de fazê-lo com o máximo realismo interior ao seu alcance e, pior ainda, despertar a simpatia da platéia pelo personagem?

2. Antes de criticar o cristianismo, você tentou ler literatura cristã pelo tempo e com a atenção que você concedeu a Ayn Rand, Voltaire e Karl Popper, digamos? Leu The Cloud of Unknowing, os Relatos de um Peregrino Russo, os livros de Thomas Merton, Louis Lavelle, Bernard Lonergan, Wolfgang Smith, ou, para ficar mais perto, A Descoberta do Outro, do nosso Gustavo Corção? Leu-os sem prevenção, com isenção, concedendo-lhes a mesma credibilidade inicial que concedeu a outros livros, da sua preferência?

3. Por que não experimenta? Digo isso porque experimentei. Aos quinze anos, eu era tão admirador de Voltaire quanto você é hoje. E era tão entusiasta do evolucionismo que tinha quadros de dinossauros nas paredes do meu quarto, junto com um retrato de Darwin. Felizmente dei uma longa volta pelo marxismo depois disso e, quando percebi que o marxismo estava errado (o que afinal de contas não é tão difícil), me ocorreu a singular idéia de que eu podia estar errado também em tudo o mais. Decidi então inverter o rumo das minhas leituras. Isso me pôs de início numa grande confusão. Eu tinha então vinte e poucos anos. Passaram-se outros vinte antes que eu chegasse a algumas conclusões que me parecessem dignas de ser expostas em letra de forma.

Enquanto não concedemos às idéias que nos repugnam a mesma chance que concedemos àquelas que nos agradam, estamos em plena fé cega, ainda que essa fé seja em algo a que chamamos “razão”.

Atenciosamente,

Olavo de Carvalho

3 de março de 2007

Comentário do Cavaleiro: vocês sabem o que o sr. RODRIGO CONSTANTINO é capaz de fazer? Não? Leiam estes artigos (aqui, aqui e aqui) e, se acharem adequado, façam como eu: descartem esta pessoa da lista de autores que merecem ser sequer mencionados, que dirá levados a sério, muito pelo contrário.

Candidatos e a retórica comunista

MÍDIA SEM MÁSCARA
Autor: | 4 outubro 2008 
Editorias - Política

Rio de Janeiro: socialismo e demagogia por todos os lados.

A primeira coisa que prometem – numa era marcada pela corrupção política, desvio de verbas públicas, empreguismo partidário e gestão temerária – é a incensada “transparência” administrativa. No dizer de cada um deles, tal como prometeu Lula antes de eleito, haverá “transparência” em tudo e para todos os gostos: no ato de comprar uma agulha, beber um copo d’água, atravessar a rua, ir à privada; transparência no monitoramento dos gastos públicos e até, a posteriori, na fiscalização das promessas mirabolantes que, por acaso, não venham a ser cumpridas.

Mas quem vai cuidar da tal e virtuosa transparência?

Pelo que entendi do trololó matreiro dessa gente, será “a sociedade civil organizada” – isto é, os seus próprios aliados ideológicos. O candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Eduardo Serra, barbicha grisalha estampada nas faces gordurosas, garante o impossível: de posse de um novo Plano Diretor, articulado por um “movimento de cidadania” monitorado por Ongs e entidades de classe, denominado RCV, “O Rio voltará a ser uma Cidade Maravilhosa”. Claro: com ele, o candidato do PCB ou a sua patota, à frente do Executivo municipal.

Na caça aos votos dos eleitores desiludidos, deve-se dizer, a bem da verdade, o estilo arcaico do “rouba, mas faz”, cultivado outrora pelo Dr. Ademar e Salim Maluf, está sendo aparentemente postergado. Para que tudo funcione nas áreas de saúde, educação, transporte, segurança pública, pobreza e desigualdade social, inclusão digital, trabalho, emprego e renda, habitação e saneamento, lazer e cultura, a aprovação de um projeto de lei tocado pelo “monitoramento da cidadania” – conforme recomenda a “filosofia da práxis” de Antonio Gramsci – é a medida indicada para se chegar à “perfeita gestão cidadã”. Quem garante tal coisa é o candidato petista Alessandro Molon – de resto, um tipo repentino que o eleitor carioca nunca viu mais gordo. . .

De fato, o “monitoramento da cidadania”, proposto pela “filosofia da práxis” e tocado pelo lero-lero empreguista das Ongs, há muito tomou conta da cidade (e do país), sem que o cidadão comum, sempre logrado, conheça os resultados da tão invocada “transparência”. No frigir dos ovos, é prestação de contas para cá, auditorias para lá, reuniões de conselhos aqui e ali – e nada. Ao cabo de tudo, num piscar de olhos, crescem os impostos, as falcatruas se alastram, os escândalos se multiplicam, os orçamentos triplicam, as obras faraônicas (e inconclusas) esgotam os recursos dos cofres públicos. E, tal como no Moto Perpétuo de Niccolo Paganini, para cobrir os gastos com o desperdício e a expansão crescente da folha de pagamento do funcionalismo, os vereadores, plenos de “transparência”, votam a cada três meses a criação de novos tributos.

Ao todo, são 21 partidos populistas, aliados ou não, correndo ávidos atrás da “boca rica” (royalty para Anthony Garotinho) do poder municipal, a saber: PCdoB, PC, PT, PTdoB, PSTU, PSOL, PCO, PSC, PDT, DEM, PMDB, PV, PRTB, PRB, PR, PSDC, PHS, PTN, PP, PTC e PSDB. É sigla para deixar qualquer sujeito desconfiado – ou não é?

Também pudera! – governar o Rio é um maná do céu: há muito dinheiro, carnaval, jantares supimpas, viagens internacionais, palácios para se habitar, janelas escancaradas da mídia para se deitar a falação demagógica e – o que é melhor – mordomias sem fim. No entanto, o dado curioso na atual temporada de caça ao cobiçado cargo de prefeito é que nenhum dos candidatos apresentados conhece a mais elementar realidade da cidade que pretendem governar! Parece um absurdo, mas não é.

Por exemplo: dos sete candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais do Rio – Eduardo Paes, Marcelo Crivella, Fernando Gabeira, Solange Amaral, Alessandro Molon, Chico Alencar e Jandira Feghali, que fugiu da raia – nenhum sabia o preço da bandeirada de táxi (R$ $ 4,30) ou do pedágio da Linha Amarela (3,65), uma das principais vias de acesso e tráfico da cidade. Outra aberração: argüido por um questionário levantado pelo O Globo, o ex-bispo Crivella, que vai para o segundo turno, assegurou que o preço de uma passagem de ônibus no município custa R$ 1,20 – quando na verdade marca a cifra de R$ 2,10.

O candidato Gabeira, que já usou sandálias trançadas com folhas de maconha, indagado sobre qual seria o salário de um gari, funcionário coletor de lixo da Comlurb – Companhia de Limpeza Urbana Municipal – , disse simplesmente que desconhecia. Já o comunista Chico Alencar, com resposta fácil para tudo, apontou no questionário que a Comlurb é a companhia responsável pelo recolhimento do lixo do comércio, quando na dura realidade é o comerciante quem contrata uma empresa particular para fazer a coleta. E o candidato Eduardo Paes, provável vencedor do pleito pelo menos no 1º turno, ignorava que o cálculo para o reajuste do IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano, tributo 100% municipal – é aferido pelo IPCA-E, o Índice de Preços ao Consumidor Especial, calculado anualmente pelo IBGE.

Agora responda, caro leitor: dá para confiar numa gente assim, malandra na retórica salvacionista e ignorante do que existe de mais elementar no cotidiano da cidade que se pretende governar?

O esquerdismo e sua consequência: a morte em vida

CAVALEIRO DO TEMPLO


Uma semana atrás recebi a ligação de uma pessoa querida, uma ex-namorada que é amiga do coração, honesta até a exaustão a ponto de acreditar no que as pessoas dizem de si mesmas sem prestar muita atenção nas suas ações (o que é um erro gravíssimo), com problemas pessoais que envolviam direta e indiretamente uma outra pessoa que conheço faz algumas décadas. Fomos conversar e acabei mostrando um artigo do OLAVO DE CARVALHO que é leitura obrigatória chamado ENGENHARIA DA CONFUSÃO. Prestando atenção ao momento atual mundial sem perder de vista o papo com esta amiga, li NIVALDO CORDEIRO em outro artigo que também é leitura obrigatória chamado O FIM DO LIBERALISMO.

Percebi que a situação desta amiga era apenas a consequência do modus operandi da mais grave doença ocidental: o ESQUERDISMO E SEUS TENTÁCULOS

Para mim é fato que

quanto mais esquerda, mais infelicidade, miséria, insatisfação e loucura. 

Reflitindo sobre isto e voltando no tempo percebo que,

desde que conceitos esquerdistas tornam-se REGRA deixando de ser o que são de fato, ou seja ABERRAÇÃO, mais a vida perde o sentido

Aumenta a descrença nas coisas boas que nossos avós tanto nos ensinaram quando pequenos pois (citando OLAVO DE CARVALHO), 

"o esquerdismo É UMA DOENÇA ESPIRITUAL GRAVE que destroe o sentido da vida aos desintegrar todos os valores da SOCIEDADE". 

O esquerdismo é a valorização de um grupo em detrimento de todos os outros, portanto é muito mais um movimento pseudo-religioso que político. Foi feito para destruir, não para construir (uma sociedade melhor, um homem melhor, um mundo melhor, etc.) como ele tentam nos fazer acreditar. Não é de se admirar que o NAZISMO, o mais brando dos modernos movimentos esquerdistas signifique NACIONAL SOCIALISMO. E que a esquerda mundial, por ser por definição apenas MENTIRA E PROPAGANDA, trabalhe com todo afinco e há décadas para que entntendamos como movimento de um grupo de loucos de direita. A esquerda se limpa publicamente de seu lixo, quando este é exposto, acusando-o de direitismo. Lula, daqui a pouco, será julgado como direitista, como já faz o PSOL ao referir-se ao seu papai, o PT. 

O esquerdismo ACABA com o sentido da vida ao desligar o sujeito da "linha do tempo" e da "história de fato" pois esquerdismo é, como já disse acima, MENTIRA E PROPAGANDA e nada mais.

Mas o que isto tem de relação com o problema de minha amiga? Os dois artigos citados acima falam do Ocidente atual, da nossa civilização acamada. Tenho 38 anos, muito pouco para poder escrever mas sou atrevido e vou ter que conversar com Deus sobre isto um dia. Espero que isto tenha ajudado alguém, no mínimo que não atrapalhe meus semelhantes em fé na vida e nos princípios morais ocidentais, só os esquerdopatas. Mas com quase quarenta anos conversei, convivi com inúmeras pessoas e percebo claramente que a imensa maioria sofre sem saber porque. Sim, com certeza cada caso é um caso mas vejo em todos que sofrem que a base de suas vidas foi explodida sem que estas pessoas tenham percebido isto, nem mesmo quando ocorreu. Vivem vidas moldadas pelos grupos de pressão psicológica como as mídias, as escolas e a "sociedade". Minha amiga vivia um problema causado pelo relacionamento com uma pessoa, um ex-namorado posterior ao nosso relacionamento, que vive a vida através da ótica esquerdopata da forma mais doentia que consegue. Esta pessoa (o ex dela) busca isto deliberadamente. Afirmo isto pois é meu vizinho a 35 anos. 

Esquerdismo é anti-vida, morte em vida. 

Obs.: A bandeira vermelha acima é da UNASUL, se eu consegui passar alguma mensagem com o que escrevi acima você, então, percebeu o que será sua vida, da sua família, seus filhos e de seus amigos daqui para frente. 

Lula "Gump"

MÍDIA SEM MÁSCARA

O PACOTE DOS EUA

Nivaldo Cordeiro
04/09/2009

O mundo está mirando o fundo abismo, bem de cima de um Everest de dólares emitidos. A oferta abusiva de dólares vem de muitos anos, mas esse pacotaço é o que podemos chamar de pôr gasolina para apagar o incêndio. US$ 850 bilhões, uma cifra realmente inacreditável, gigantesca, alucinante. Ela dá bem o tamanho da irresponsabilidade dos homens a quem coube administrar a crise.

Deu-se as costas à razão, à moral natural e à ciência. Qualquer pessoa minimamente desintoxicada do esquerdismo – keynesiano assim como o marxista – sabe que o que está sendo feito é uma perfeita alucinação

Mas como resistir ao moderno Baal e ao seu bezerro de ouro, agora chamado de dólar? Como não escutar seus sacerdotes, os economistas intervencionistas? 

Como aceitar que a economia natural é a mais salutar e que o Estado não tem nenhuma coisa a dar a ninguém, muito menos solução para a crise? 

Que o Estado *é* a própria crise e o grande perigo contra a humanidade? 

Que a normalização da vida, não apenas nos EUA, mas no mundo inteiro, demanda a desinflação do Estado, sua redução a proporções humanas e que a humanidade passe a enxergá-lo como o que de fato é, um mero instrumento para organizar a vida prática e não o salvador do mundo? 

A criatura não pode ser maior do que seu criador.

Meu caro leitor,

quem pisou em alguma escola de nível superior no Brasil, e acredito que no Ocidente inteiro, aprendeu que o Estado tem o suposto poder de resolver o drama da existência humana. 

Da ordem política e jurídica, até a Saúde, a Educação, a aposentadoria, a economia pessoal de cada um. Teria ele o suposto poder de eliminar o risco existencial.

Só a primeira afirmação é verdadeira (prover a ordem política e jurídica), todo o resto é uma falsificação e uma miragem. Uma fuga da realidade como ela é.

O que os governantes dos EUA fizeram foi precisamente isso: alargar o passo e dar as costas à realidade, fugindo dela em desabalada carreira. Uma completa loucura, um atirar pedras na lua. O vaticínio se impõe: a nação norte-americana deverá mergulhar numa inflação alucinada, mas não conseguirá voltar ao status quo ante. Aquela vida a crédito, que dependia da valorização dos imóveis e da crença alucinada de que o preço dos ativos (imóveis assim com ações) estaria maior amanhã para todo o sempre, simplesmente acabou. A realidade agora se impôs, a despeito da montanha de dólares gerada no pacote.

O populismo dos políticos, diria mesmo sua crença vital irracional, é de que seria possível um voltar atrás, um retorno ao tempo em que toda a gente desconhecia o cassino financeiro em que os EUA se tornaram. Em que os zumbis felizes pagavam suas contas com a artificial valorização dos ativos. Esse cassino permitiu vida farta e prosperidade para um conjunto muito grande de pessoas, que literalmente viveram de crédito por longo período. Uma vida artificial dessa não poderia se manter e mesmo o governo emitindo essa montanha de dólares ela nunca mais voltará.

Sem obter o retorno ao status quo ante, para que o pacote? Para manter o sistema político montado na fraude populista, em primeiro lugar, pois é o combustível dos demagogos. Em segundo, para dar a impressão de que o governo está fazendo alguma coisa, quando na verdade nada deveria fazer, ou melhor, deveria tomar medidas para desinchar e preventivamente agir para que a inflação do dólar não comprometa a liderança mundial dos EUA. Em terceiro, para dizer às massas estúpidas que o deus-Estado está, como sempre, cuidando delas como um fazendeiro cria porcos: para devorá-los. O monstro estatal é o maior matador de homens que já surgiu no planeta. O paralelo com a crise de 1929 se impõe e nunca devemos esquecer que o ciclo daquela crise só se fechou com a II Guerra Mundial.

Eu me pergunto o que acontecerá politicamente nos Estados Unidos quando essa imensa classe média, que vivia ricamente, sem trabalhar, comprando e vendendo ações de seu computador pessoal, instalado em sua poltrona, descobrir que a brincadeira acabou. The game is over. Quando ela, a classe média, descobrir que seu imóvel não vale nada, que não tem comprador para ele, mas a sua hipoteca continua valendo. Essa gente vai entrar em desespero e toda vez que a classe média entra em desespero temos o caminho semeado para as tentações totalitárias. Nada de bom acontece quando a classe média se desespera e ela só pode escapar ao desespero quando os demagogos são desacreditados e os verdadeiros líderes assumem o comando da situação.

A democracia só poderá sobreviver sob a liderança de gente moralmente superior. 

Onde estão esses líderes? Onde estão os homens egrégios? Não os vejo, vejo apenas demagogos falar à multidão.

Essa crise poderia ter acontecido anos antes. A dádiva do grande aumento da produtividade associada às inovações tecnológicas, no campo da informática e das telecomunicações, retardou o ajuste, que finalmente chegou.

Leio agora na revista Veja que acabou de chegar às bancas: “Com a aprovação do pacote de ajuda, Tio Sam salvou o mundo do colapso e será possível, primeiro, medir o tamanho do estrago e, em seguida, empreender a caminhada de volta na reconstrução dos mecanismos americanos e globais de produção de riqueza”. Nessa frase está o senso comum, a grande mentira. O Tio Sam não salvou coisa alguma e não haverá reconstrução que não seja um retorno à economia natural. E qual é esta? É a liberal, aquela que está na Bíblia: “Comerás o pão com o suor do seu rosto”. O pacote tenta precisamente escapar do real, é ele próprio o foguete a levar os homens lunáticos à lua. Um grande desastre. Seria cômico se não fosse trágico.

Qualquer arranjo fora desse preceito natural é artificial, irracional e alucinado. Não haverá melhora alguma se as bases racionais da sociedade não forem restauradas. Isso equivale a uma radical mudança na maneira como as massas vêem o Estado, de um bondoso provedor de benesses para o autor da grande tragédia. É tarefa para um Moisés converter as massas, alguém que traga as tábuas da Lei e mande destruir os bezerros de ouro. Os homens precisam parar de fazer seus sacrifícios a Baal. Chega de impostos! Chega de regulamentos! Chega de guardas na esquina dizendo o que as pessoas adultas devem fazer! Chega de Estado!

sábado, 4 de outubro de 2008

O PAÍS DO FUTURO?

Ubiratan Iorio (para baixar o artigo inteiro, clique AQUI)


“Amanhã! Algumas vezes, é prudência; muitas vezes, é o advérbio dos vencidos” 
Josemaría Escrivá *



Quando o navio que trazia meus avós maternos atracou no porto de Santos, na primeira década do século XX, proveniente da bella Napoli, seus passageiros, quase em sua totalidade oriundos daqueles lindos lugarejos da Calábria - San Lúcido (a sua cidadezinha natal, conhecida como La Perla Del Tirreno Cosentino), Fuscaldo, Fiume Freddo, Paola, Catanzaro, Reggio Calábria e tantos outros encravados entre o mar e a Sila - a exemplo de milhares de outros imigrantes, guardavam de comum em seus corações , de um lado, a nostalgia do paese já então distante e que muitos deles jamais voltariam a ver e, de outro, a roupa do corpo e uma ou duas malas com alguns objetos que constituíam toda a sua riqueza. Tudo o mais ficara irremediavelmente para trás: as montanhas da Sila, as praias, as igrejinhas de suas cidadezinhas, muitos amigos de infância e até - e só quem nasceu e cresceu em uma família italiana sabe o que isso significa - a mamma, aquela figura de amor e zelo eternos e que, além do mais, todos os domingos preparava aqueles pratos de scchiaffituno com porpetas que só ela sabia preparar.
 
Ficara para trás, também – assim pensavam os que partiram - a pobreza que devastava o sul da Itália naquele tempo, tão grave a ponto de os levar a “fazer a América”, como se dizia então. Como lembrança da viagem naquele vapor tão desconfortável, apenas algumas novas amizades e aquela fita tricolor com que ainda no cais napolitano, cingiram a cintura, a exemplo dos demais passageiros, seguindo um hábito da época. 

Mas, a despeito de toda aquela melancolia, aqueles valorosos homens, suas mulheres e filhos traziam, também - e de um modo muito forte - uma enorme esperança, a de que estavam desembarcando no país do futuro, à terra em que, mediante a dureza de seu trabalho cotidiano, a parcimônia que iria requerer o esforço da renúncia ao consumo imediato e o respeito aos valores morais básicos sem os quais a vida em qualquer sociedade jamais pode prosperar, poderiam alcançar um padrão de vida razoável para eles e para seus descendentes.

Decorridos quase cem anos, o mais velho dos meus filhos perguntou-me se não seria interessante para a nossa família se todos emigrássemos para a Itália, uma vez que naquele país - estávamos assistindo na TV a um documentário produzido pela RAI - segundo o seu correto entendimento, o futuro já havia chegado, ao passo que, no Brasil, seus benefícios seriam ainda impalpáveis, calcados mais na virtude da esperança do que na certeza da bonança proporcionada por uma sociedade desenvolvida.

A partir de então - e já são decorridos uns seis ou sete anos desde que o Bruno fez aquela observação - a cada vez que meu olhar pára naquela mesma fita verde, branca e vermelha, já bastante desbotada pela implacabilidade do tempo - e que guardo em um porta-retratos sobre minha mesa de trabalho - única lembrança material que ficou daquela viagem seminal de meus avós, não posso deixar de formular estas inquietantes perguntas: será que o Brasil é mesmo o país do futuro? Será que a Itália, onde tudo parecia passado, virou futuro e o Brasil, onde aos olhos de meu avô tudo parecia futuro, virou passado?

Um dos ensinamentos mais importantes da Escola Austríaca de Economia é que devemos ter o máximo cuidado ao fazermos previsões , como ficará claro para o leitor no decorrer deste livro. Por isso, não me atrevo a responder nem que sim nem que não. Mas uma coisa é certa: o Brasil já perdeu muito tempo, mais do que o bom senso e a racionalidade permitem.

Muitos brasileiros deixaram o país, a partir da segunda metade dos anos oitenta e até o início dos anos noventa, marcados pela desilusão, em busca das oportunidades de emprego, da dignificação de seu trabalho e da valorização de sua cidadania, atributos que se foram tornando escassos à medida que a nação empobrecia, dizimada pela crueldade da estagflação que marcou nossa economia até a estabilização de preços promovida pelo plano Real. Mas o Real é apenas o começo: muito ainda precisa ser feito. A cada semestre, os milhares de jovens que concluem seus cursos universitários vêem-se frente a frente com o problema de não conseguirem colocações compatíveis, já não digo com seus antigos sonhos de adolescentes, mas com a realidade dos conhecimentos - quase sempre deficientes - que adquiriram nas faculdades.

Podemos afirmar, sem receio de estarmos cometendo algum exagero, que nosso país ainda não conseguiu libertar-se das práticas mercantilistas anteriores à Revolução Industrial. Com efeito, nossa história econômica nos mostra claramente que o que se construiu no Brasil foi um pretenso capitalismo - na realidade, um pós-mercantilismo - sempre apoiado no Estado e, por isso mesmo, contaminado por toda a sorte de cacoetes construtivistas e dirigistas, cujas expressões mais visíveis foram os “planos” de inspiração heterodoxa que se abateram sobre todos nós desde fevereiro de 1986, mas que se apresentam, também, sob dezenas de fórmulas aparentemente inofensivas, mas nem por isso menos perniciosas, como soem ser, por exemplo, todos os controles sobre preços, juros, salários e câmbio, a excessiva carga tributária, as elevadas tarifas aduaneiras, as barreiras à competição interna e externa, a formidável cunha dos encargos trabalhistas, a ainda grande quantidade de “empresas” estatais e a inextricável floresta de portarias, medidas provisórias, instruções normativas e resoluções, reflexos do autêntico furor regulatório que caracteriza nossos legisladores, afora a enorme variedade de manifestações daquilo que parece ter sido, até o advento da nova era liberal no mundo desenvolvido - mas que ainda prevalece no Brasil - um dos fenômenos que, no futuro, servirão para caracterizar o século XX: a tentativa de se encontrar “soluções” políticas para problemas que são exclusivamente econômicos e que, portanto, só podem ser efetivamente solucionados pelo sistema econômico e não pelo sistema político (1) .

Se a crise dos anos oitenta pesou sobre a classe média brasileira, seus efeitos sobre os mais pobres revelam-se visivelmente mais preocupantes, seja sob a forma de comunidades inteiras vivendo sob os viadutos das grandes cidades, seja pelo substancial crescimento da chamada economia informal, seja sob o ângulo do aumento da marginalidade urbana, do desenvolvimento de autênticos governos paralelos nas favelas ou sob diversas outras manifestações denotativas do estado precário a que foram levadas, em nosso país, as condições que dignificam o homem: saúde, higiene, educação, nutrição, trabalho e acesso a oportunidades e todas, sem dúvida, causas coadjuvantes da deterioração dos valores morais e éticos básicos, sem os quais os sistemas sociais são impedidos de evoluir sem rupturas.

Por mais que se aponte para todos esses problemas e por mais que eles sejam mencionados nos discursos de praticamente todos os políticos, deve-se frisar que eles jamais serão solucionados enquanto não for abandonada a atitude tipicamente brasileira de esperar que sua solução deva vir do Estado, ou de seu braço executivo - o governo -, sem que se proceda a um substancial reordenamento de nossas instituições, que não deve ser imposto por critérios construtivistas ou pelo planejamento, mas deve brotar espontaneamente, de baixo para cima, a partir do fortalecimento da cidadania.

Trata-se, em suma - e aí está o principal papel do Estado brasileiro - não de conduzir, nem muito menos de construir, mas apenas de estimular o desenvolvimento de uma ordem econômica liberal, integrada harmonicamente com o conceito adequado de lei enquanto norma geral de justa conduta, impessoal, prospectiva e igual para todos e, portanto, distante do conceito positivista de lei como um comando. Nos dois capítulos que compõem a primeira parte deste livro, haverá oportunidade de comentar-se as diferenças entre nomos e thesis, isto é, entre lei e legislação e de mostrar-se que, enquanto o primeiro conceito, ao ser posto em prática, conduz a um estado desejável de coisas, que se costuma denominar de autoridade das leis, a segunda concepção - que tem sido a tônica no Brasil - leva a sociedade a viver sob o regime indesejável, uma vez que é imposto apenas pela coerção e não como um estado natural, embora também necessariamente coercitiva, das leis das autoridades.

Daniel Bell, em uma obra bastante conhecida (2) , analisa as sociedades segundo os três grandes sistemas que as compõem: o sistema econômico, o sistema político e o sistema moral-cultural. Tais compartimentos possuem ritmos diferentes de evolução e seguem normas distintas, que legitimam formas de conduta diferentes e, não raro, contrastantes, sendo que as divergências e os conflitos entre esses três sistemas podem ser responsabilizados pelas várias contradições que se costumam verificar nas sociedades.

Conforme observou Novak (3) , “ cada um desses três sistemas possui suas instituições especiais e métodos, disciplinas e padrões, propósitos e limites, atrações e repulsões. Cada um tem seu próprio ethos. Cada um costuma, também, criar problemas para os outros dois. Essas tensões são desejáveis: um sistema pluralista está condenado (grifo do autor) a fomentá-las. Do fluxo de centelhas resultante do seu contato sai a energia para o progresso e sua capacidade de correção interna. É um sistema destinado a constituir uma revolução contínua”.

No entanto, quando ocorre uma deterioração institucional simultânea dos três componentes do sistema social, este fica contaminado de maneira generalizada, o que contribui para aumentar a instabilidade da própria vida em sociedade. Com efeito, se um dos sistemas apresenta deficiências em seu funcionamento, estas podem ser compensadas, durante algum tempo, na medida em que os outros dois sistemas consigam continuar a operar satisfatoriamente, Nesses casos, tudo se passa como se estes últimos assumissem o ônus de levar adiante o funcionamento da sociedade, embora sem a colaboração do primeiro (4) . Mas quando, como vem ocorrendo no Brasil, os três sistemas apresentam simultaneamente graves deficiências, o país pára, pois a economia não consegue produzir (nem, muito menos, distribuir), a política não é capaz de desempenhar seu papel de fazer funcionar a contento a democracia e a deterioração acentuada do tecido moral termina por contaminar todo o organismo.

Para que se possa compreender a afirmativa de que os problemas brasileiros transcendem em muito os aspectos puramente econômicos, que nossas instituições apresentam imperfeições generalizadas, parece conveniente examinarmos - embora ainda de maneira introdutória - o que se vem passando em cada um dos três sistemas que, de acordo com a classificação sugerida por Bell e endossada por Novak, compõem a estrutura funcional das sociedades.


Os Problemas do Sistema Econômico


Desde a publicação, em 1936, da primeira edição da Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda, de John Maynard Keynes, a quase totalidade dos economistas passou a acreditar nas chamadas políticas de “sintonia fina”, isto é, em uma pretensa capacidade dos governos de, mediante intervenções na ordem espontânea de mercado, evitar flutuações “indesejáveis” no emprego dos fatores de produção e, assim, impedir as oscilações na produção.

No entanto, decorridos mais de sessenta anos do advento do chamado keynesianismo teórico de de sua aplicação no campo da política econômica (5) , a totalidade das economias mostrou, primeiro, que as políticas keynesianas de sintonia fina não conseguiram evitar os chamados ciclos econômicos e segundo - o que é ainda pior - que elas, além de não lograrem atenuar a amplitude das flutuações da renda e do emprego, contribuíram para amplificar as referidas flutuações ao longo do tempo. Além disso, estudos comparativos entre diversos países mostraram que as economias em que as chamadas políticas anti-cíclicas foram mais intensivamente utilizadas foram as que apresentaram, no longo prazo, as maiores variâncias em seus níveis de emprego e de produto (6) . As estatísticas não mentem: as políticas anticíclicas revelaram-se, na verdade, pró-cíclicas.

Mises, desde o ano de 1912 (7) , já pressentira o que Hayek, a partir dos anos trinta (8) , conseguiu desenvolver com bastante clareza: o que provocava as chamadas flutuações cíclicas do emprego e do produto eram as tentativas dos governos, realizadas no passado, de “criar o crescimento”, através de políticas fiscais e monetárias de natureza expansionista. O mesmo Hayek, já nos anos setenta, quando o mundo passou a viver um fenômeno que a teoria keynesiana negava, em sua estrutura básica, pudesse algum dia ocorrer - a estagflação (isto é, a verificação simultânea de estagnação e inflação) - sustentava que aquilo tudo era decorrente do uso indiscriminado, durante várias décadas, da utilização das políticas fiscal e monetária como instrumentos anti-cíclicos. Na visão da Escola Austríaca de Economia, e sob uma linguagem a esta altura ainda extremamente simples (uma vez que tais questões somente serão tratadas com maior profundidade na Segunda Parte deste livro) a causação correta é: as políticas anti-cíclicas geram inflação e esta gera desemprego (9) .

As recessões generalizadas, portanto, nada mais são do que uma das conseqüências da inflação. Esta afirmativa contrariava - e ainda contraria, em certos círculos no Brasil - uma outra, que se havia tornado quase que uma crença generalizada, a de que o desemprego é proveniente das tentativas de se eliminar a inflação, ou, em outras palavras, a de que taxas de desemprego e taxas médias de crescimento dos preços são variáveis negativamente correlacionadas, de forma permanente (10) .

O problema mais grave do sistema econômico brasileiro entre a segunda metade dos anos oitenta e os primeiros anos da década de noventa foi, sem dúvida, a inflação. Vivemos um processo hiperinflacionário bastante peculiar, uma vez que não se tratava de uma hiperinflação aberta, caracterizada por uma rejeição completa da população à moeda, mas de uma manifestação muito pior, porque, sendo mais lenta, seus efeitos foram se agravando ao longo do tempo sem que fossem facilmente percebidos, à semelhança daqueles suplícios chineses que levavam inicialmente à loucura e posteriormente à morte lenta dos condenados.

E os condenados fomos todos nós, cidadãos brasileiros. Os Cr$ 50.000.000,00 desembolsados por um consumidor brasileiro por um automóvel, em janeiro de 1986 (pouco antes do plano Cruzado), equivaliam, logo após a implantação do plano Real, isto é, após três “reformas” monetárias e seis “choques” heterodoxos, a R$ 0,00. Isto é, o carro, por obra e graça das idéias mirabolantes sobre inflação de alguns economistas, simplesmente desapareceu... Um produto qualquer, que se podia comprar por Cr$ 1,00 em janeiro de 1986, custava, em média, sessenta milhões de vezes mais pouco antes do plano Real, em maio de 1994. A economia brasileira passou, portanto, por um processo hiperinflacionário crônico, que só não se transformou em uma hiperinflação aberta porque existiam mecanismos, proporcionados pelo mercado financeiro via indexação, que conseguiam propiciar, ainda que parcialmente, proteção aos detentores de moeda.

Nada empobrece mais uma população do que uma inflação com essas características, ainda mais quando o estoque de capital humano, isto é, educação e saúde, está entre os níveis mais baixos do mundo relativamente ao tamanho de nossa economia. Foi, sem dúvida, uma década perdida: a capacidade ociosa da economia brasileira, em 1993, era da ordem de 28%, indicando a maior recessão de nossa história econômica, tanto em sua duração, porque iniciou-se em 1983, quanto em magnitude. No passado, nos anos em que a capacidade ociosa foi maior, ela não excedeu os 10,4% em 1947, os 7,7% em 1953 e os 6,9% em 1967. A cada ano em que o produto da economia crescia abaixo da taxa de crescimento da população, o empobrecimento aumentava, menos empregos eram criados e, portanto, menos oportunidades eram oferecidas. Se aquele ritmo continuasse, um eventual governo socialista que aqui eventualmente se instalasse, ao invés de distribuir o bolo, não entregaria mais do que uma simples migalha a cada trabalhador brasileiro...
A solução, evidentemente, não está em reduzir a população, mas em fazer com que possam florescer as instituições necessárias para que a riqueza e a produção possam aumentar permanentemente. É crucial compreendermos, desde já, que o crescimento econômico é um processo de acumulação generalizada de capital e que uma das partes desse estoque é o capital humano, o qual, por sua vez, inclui o capital moral e o intelectual, as habilidades das mãos e do cérebro, assim como as do coração. Se as sociedades sabem como criar riqueza - e isto é sabido desde os tempos de Adam Smith - e não o fazem, então a pobreza é imoral.

Poucas pessoas dão-se conta de quão absurdo é contar-se o nascimento de uma vaca como uma adição ao estoque de capital de uma nação, ao mesmo tempo em que, incoerentemente, se conta o nascimento (ou a garantia do nascimento) de uma criança - que é a fonte primeira de mais criatividade - como uma diminuição naquele estoque! Trata-se de um caso típico de dois pesos e duas medidas. O simples fato de que os seres humanos são feitos à imagem e semelhança do Criador implica que todos os homens e mulheres, durante o tempo que lhes é concedido no mundo, não apenas podem, como são moralmente obrigados a criar mais do que consomem. Nisto reside toda a esperança no progresso econômico.

Nenhuma economia cresce o que se quer que ela cresça, mas apenas o que ela pode crescer. E o que ela pode crescer depende, de um lado, de um ambiente de preços estáveis e, de outro, de instituições que estimulem a criatividade dos agentes econômicos. Esses são os dois pontos mais importantes de nossa agenda para os próximos anos. O primeiro deles, o da construção e manutenção de uma moeda forte, começou a ser cumprido com a implementação do plano Real. A inflação, de fato, foi contida, mas isto não é tudo. O Real precisa ainda ser consolidado como uma moeda permanentemente forte, o que só será possível mediante a realização de profundas alterações nas funções e no tamanho do Estado brasileiro, que conduzam a uma alteração permanente no regime fiscal. O segundo, que está bastante relacionado com o primeiro, é a questão institucional. A economia brasileira ainda é uma das menos livres do mundo. O intervencionismo e o estatismo precisam ser rapidamente erradicados de nosso país, sob pena de nossa moeda voltar a deteriorar-se e de nossa situação social continuar no vergonhoso estado em que se encontra.

Os professores James Gwartney, Robert Lawson e Walter Block, em um livro editado em 1996 pelo Fraser Institute de Vancouver - “Economic Freedom of the World - 1975-1995”, demonstram o que acabamos de afirmar. Partindo do fato de que os elementos centrais do conceito de liberdade econômica são a liberdade pessoal de escolha, a proteção à propriedade privada e a liberdade de negociar, os referidos economistas construíram um índice com dezessete componentes, que pudesse proporcionar uma medida empírica dos diferentes graus de liberdade econômica em cento e três países. Os componentes do índice foram agrupados em quatro grandes áreas: (a) moeda e inflação; (b) regulamentações e operações do governo; (c) desindexações, confiscos e taxações discriminatórios e (d) restrições ao comércio internacional.
Os resultados desse exaustivo trabalho são surpreendentes, para aqueles que costumam atribuir as mazelas econômicas e sociais de nosso país àquilo que denominam de “neoliberalismo”: no “ranking” dos cento e três países, de acordo com um “rating” médio variando entre zero (ausência completa de liberdade econômica) e dez (total liberdade econômica), o Brasil aparece em nonagésimo sétimo lugar, com uma média de apenas 2.8! Com menos liberdade econômica do que nós, cidadãos deste “país do futuro”, apenas os habitantes da Nicarágua (2.7), Síria (2.4), Algéria (2.1), Iran e Zaire (1.9) e Somália (perto de 0)! Este “ranking” refere-se ao período de 1993 a 1995 e, portanto, a pelo menos um ano e meio de altíssimas taxas de inflação, uma vez que o Real foi implantado em meados de 1994, o que, sem dúvida, contribuiu para a péssima classificação do Brasil. Mas, como o critério “moeda e inflação” é apenas um dentre os quatro utilizados, mesmo que ele fosse expurgado do índice, isto faria nosso “ranking” melhorar, na melhor das hipóteses, do nonagésimo sétimo para algo perto do septuagésimo lugar, o que, convenhamos, ainda nos coloca bem longe, já não diremos dos países líderes da classificação, como Hong Kong, Nova Zelândia, Singapura, Estados Unidos, Suíça, Reino Unido e Canadá (com médias entre 9 e 7.6), mas do bloco intermediário (com médias entre 6 e 5).

Isto significa, pelo menos, que, primeiro, o tão mal falado “neoliberalismo” sequer chegou ao Brasil e, segundo, que ainda precisamos avançar muito para construir aqui uma verdadeira ordem liberal, que venha a desonerar nosso sistema econômico da carga inacreditável que nossa cultura estatizante vem fazendo pesar sobre ele, a bem da verdade, desde que Pedro Alvares Cabral desembarcou na Bahia, há cinco séculos. Nossos problemas econômicos, em sua grande maioria, devem ser atribuídos exatamente ao oposto do que se costuma afirmar nos círculos pretensamente intelectuais do país: precisamos, com muito tempo de atraso, romper definitivamente com o mercantilismo, o intervencionismo, o cartorialismo e todos os “ismos” estatizantes que, até aqui, após quinhentos anos de história, só nos têm feito empurrar o futuro para a frente.


Os Problemas de Nosso Sistema Político


Um dos legados mais importantes que os denominados Founding Fathers - os fundadores da república federativa norte-americana - deixaram foi a preocupação com a possibilidade de uma maioria vir a exercer uma tirania, mediante o bloqueio dos canais de acesso ao poder por parte das minorias, na eventualidade destas, ao longo do tempo, transformarem-se em maioria (11). Hayek (12) também manifestou, por diversas vezes, a mesma preocupação, na medida em que sustentava que, sob o ponto de vista liberal, a democracia deveria ser encarada tão somente como um dos métodos de governo, que ele reconhecia ser o melhor, mas que deveria ser considerado como um simples meio para que os direitos fundamentais fossem sempre respeitados. De fato, existe uma grande diferença entre declarar-se democrata porque as maiorias têm sempre razão e defender a democracia enquanto instituição cuja finalidade precípua seja a contenção do poder.

Deve o leitor, portanto, estar apto para distinguir a importante diferença entre a visão, derivada de Rousseau, que vê a democracia como um fim, quase que como um sacramento, e a postura liberal, que a considera, pura e simplesmente, como um meio de governo. A primeira pode ser denominada de ideologia democrática ou democratismo, ao passo que a segunda constitui-se em uma doutrina democrática.

Os liberais são democratas não por julgarem que a maioria não cometa erros, mas porque as tradições democráticas são as menos ruins que a humanidade conhece. Daí, sua preocupação com a questão da contenção do poder. Quando ocorre uma expansão desmedida do Estado, as conseqüências são invariavelmente - uma vez que a natureza humana tem sido a mesma desde os tempos de Adão - o abuso do poder e a sujeição de toda a sociedade, não aos desígnios infalíveis de Deus, mas ao arbítrio falível dos homens que detêm o Estado. Portanto, o crescimento do Estado mostra-se incompatível com a preservação das liberdades individuais. Em função disso é que os liberais aceitam o Estado, mas com a importante ressalva de que, para ser aceitável, ele deve ser mínimo (13) .

Um dos maiores pensadores do século XX - Sir Karl Popper - chamou a atenção para o fato de que o poder é sempre uma tentação, colocando-se contra a tese, derivada de Platão, da soberania popular incontrolada. Para ele, a pergunta a que se deve responder não é a daquele filósofo grego (“quem deve governar o Estado” ?), mas: de que forma as instituições políticas devem ser organizadas, para que os maus governantes, ou os menos capazes, ou os mal-intencionados, não possam causar danos em demasia ? (14)

Esses temas serão explorados com mais pormenores ao longo do livro. Sua menção aqui deve-se ao fato de que são importantes para o objetivo desta seção, que é o de ressaltar os problemas do sistema político brasileiro.

A questão que nos interessa responder é se o sistema político brasileiro atende aos requisitos anteriores, isto é, se nossa democracia, da forma como está moldada, consegue proscrever o abuso do poder, evitando a sujeição dos cidadãos ao arbítrio do Estado. Em outras palavras, se o Estado brasileiro não chegou a crescer tanto, a ponto de ameaçar as liberdades individuais ou, ainda, se nossas instituições políticas estão organizadas de forma a impedir que os maus governantes causem danos demasiados. Além disso, devemos perguntar-nos se nosso sistema político é, de fato, representativo dos interesses dos eleitores.

Infelizmente, as respostas a todas essas importantes questões são negativas. Daí, nossa afirmativa de que há uma enorme necessidade de aperfeiçoamento do sistema político brasileiro.
A questão é bastante complexa, mas creio que a forma correta de analisá-la é a partir da estrutura de nossos partidos políticos, o que, sem maiores dificuldades, nos leva a observar que, apesar do pluripartidarismo existente, os partidos no Brasil não conseguem representar tendências doutrinárias claras, que se consubstanciem em programas definidos de acordo com essas tendências. Em outras palavras, não há, ainda, no nosso país, verdadeiros partidos políticos, embora existam cerca de trinta agremiações registradas como partidos. Na realidade, os partidos políticos brasileiros, que deveriam ser os centros de congregação das diversas posições doutrinárias que caracterizam o pluralismo democrático, muitas vezes não passam de meros centros autorizados a carimbar registros de candidatos aos diversos cargos legislativos e executivos que o sistema de pleitos periodicamente oferece.

A ausência de identidade doutrinária dentro de cada partido faz com que o eleitor brasileiro, via de regra, vote muito mais em nomes do que em programas definidos, na esperança de que esses nomes, muitos dos quais costumam apresentar-se como pretensos salvadores da pátria, uma vez investidos em seus cargos pela concessão do seu voto, confirmem suas expectativas. A frustração que se costuma seguir decorre muito menos da incapacidade ou, mesmo, da má-fé dos que se elegeram, do que da ausência de programas doutrinários claros, que possam garantir de antemão ao eleitor saber, não em quem, mas em que está votando.

A falta do grau necessário de representatividade expressa-se em decorrência de dois fatores. O primeiro é a aludida falta de conteúdo doutrinário de nossas agremiações partidárias (15) . O segundo é o sistema eleitoral brasileiro, que é baseado inteiramente no voto proporcional, o que, sem dúvida, impede a fluidez da representatividade. Nesse sistema, o eleitor, sendo colocado, necessariamente, a uma distância física e temporal dos candidatos em que votou bem maior do que a distância em que o colocaria o sistema de voto distrital, fica impedido - pelo tempo e pelo espaço - de exigir daqueles que pediram e obtiveram o seu voto e, portanto, a sua confiança, o cumprimento do que foi prometido e estabelecido durante a campanha. Aliás, os inefáveis “horários eleitorais gratuitos” que nos são “democraticamente” impingidos pelos tribunais eleitorais, mais se parecem com programas humorísticos, daqueles de baixa qualidade. Assim, o eleitor é forçado a aguardar até as próximas eleições para, mediante seu voto, aprovar ou não a atuação daqueles que ajudou a eleger. No sistema distrital, a fiscalização torna-se necessariamente mais freqüente, pela necessidade que esse sistema impõe aos políticos de uma presença maior junto aos eleitores de seus respectivos distritos.

Outra impropriedade de nosso sistema eleitoral é que ele trata igualmente estados que são desiguais: com efeito, estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de duas terças partes do que a economia brasileira produz, possuem no Congresso a mesma representatividade que os pequenos estados, o que, evidentemente, dado que os últimos são em maior número que os primeiros, dá margem a práticas que deturpam o que seria uma verdadeira representatividade.

Nossa história política tem sido recheada, desde os tempos do Império e especialmente na fase republicana, de períodos de obstrução parcial dos mecanismos democráticos e de interrupção completa da democracia. Entre estes, o mais recente foi o período compreendido entre 1964 e 1985, o das chamadas ditaduras militares. Foram, a exemplo do que ocorrera entre 1930 e 1945 (especialmente a partir de 1937), vinte e um anos - isto é, uma geração - em que os brasileiros foram privados de suas liberdades individuais na esfera política, que só foram recuperadas lenta e progressivamente. Todos nos lembramos da união nacional em torno das “Diretas Já”, cujo efeito foi o restabelecimento da plena liberdade política, com as eleições de 1989.

No entanto - e pouca gente se deu conta disso - na medida em que, a partir do final dos anos setenta, nossa liberdade política ia sendo pouco a pouco resgatada, nossa liberdade econômica foi sendo paulatinamente surrupiada, desde meados daquela mesma década. Os cidadãos brasileiros não conseguiam perceber que sem liberdade econômica não pode haver crescimento autosustentado, de modo que a recuperação da liberdade política não seria por si só condição necessária e suficiente para a reconstrução da sociedade brasileira em moldes modernos. Na realidade, trocamos a primeira pela segunda, de maneira radical, por ocasião do “plano” Cruzado e dos outros que se lhe seguiram durante o governo de transição do presidente Sarney e, de modo ainda mais violento, quando da decretação do “plano” Collor, quando nossa liberdade de escolha na esfera econômica, além de ser novamente maculada por novo congelamento de preços, foi violentamente agredida pelo seqüestro perpetrado sobre os ativos financeiros. Foi o maior erro de nossa história econômica, em que pessoas que haviam passado suas vidas economizando para a velhice, foram compelidas a pagar um preço absurdamente alto - o desmoronamento de seus sonhos
- por uma inflação causada exclusivamente pelo governo. A propósito, qualquer livro elementar de Teoria Monetária rejeita veementemente aquilo ...
Paradoxalmente, chegávamos a um desfecho com o qual jamais poderíamos contar: um dia após a posse do primeiro presidente eleito pelo voto direto, depois de trinta anos, isto é, em plena euforia comemorativa do resgate final de nossa liberdade política, nossa liberdade econômica, ao arrepio do próprio Estado de Direito, nos era escamoteada, restando-nos os consolos de, primeiro, aguardar as próximas eleições e, segundo, de ainda dispor de cinqüenta mil cruzeiros, que foi a quantia mágica que nos sobrou. Afinal, caso o resultado do sorteio a respeito do valor do seqüestro - descrito posteriormente em livro, com a anuência de quem o executou - tivesse sido outro, poderia ter-nos restado ainda menos...
O caso do seqüestro de ativos é apenas um dos exemplos das deficiências embutidas em nosso sistema político. Houvesse partidos programáticos, houvesse representatividade, houvesse, enfim, mecanismos institucionais previamente elaborados para a contenção do poder, e não simplesmente voltados para um mero endeusamento da democracia, aquilo poderia ter sido evitado. (O fato de que aquilo não era tecnicamente necessário ficará assustadoramente claro na Segunda Parte deste livro).
Aprendemos, ao custo de uma demorada estagflação, que a liberdade política não é tudo e que as instituições políticas devem ser, além de garantidoras de nosso direito de eleger nossos representantes, elementos impeditivos do excesso de poder. Muito ainda precisa ser feito nesse sentido e temos a convicção de que será feito, embora lentamente, como é próprio nas democracias e, mais ainda, nas democracias incipientes como a nossa. Por exemplo, para termos uma pálida idéia do quanto ainda precisa ser feito, basta mencionarmos que a relação entre o número de medidas provisórias e o número de leis aprovadas pelo Congresso, entre janeiro de 1995 e março de 1997, atingiu o valor de quatro! É isso mesmo: quatro medidas provisórias por cada lei aprovada. Com efeito, é verdade que nossa democracia é incipiente, mas precisamos aperfeiçoá-la rapidamente.
Começa-se também a perceber em nosso país que os malefícios das restrições à liberdade econômica mais do que compensaram os inegáveis benefícios da liberdade política: tornamo-nos politicamente livres, mas economicamente prisioneiros do arbítrio das chamadas “equipes econômicas”. Isto vem ocorrendo ainda no final dos anos noventa, embora certamente sem aqueles malfadados congelamentos de preços: o Real sem dúvida foi um avanço nesse sentido, mas sua administração no dia a dia, em face da dificuldade de nosso sistema político de executar as transformações estruturais que mudem definitivamente o regime fiscal e possam consagrar definitivamente uma moeda forte, ainda revela cacoetes intervencionistas a esta altura dos acontecimentos imperdoáveis.
De qualquer forma, embora lentamente, nossa sociedade já vem ensaiando os primeiros e titubeantes passos para a construção de instituições que respaldem uma ordem espontânea. Resta-nos, contudo, entender que é preciso resgatar os valores éticos e morais fundamentais, para que o Brasil do futuro não seja reconstruído imprudentemente sobre a areia.

A Redescoberta da Ética

O desenvolvimento econômico autosustentado, escreveu o professor P.T. Bauer, da London School of Economics (16) , não depende fortemente da disponibilidade de vastos recursos naturais, pois Japão, Grã-Bretanha, Formosa e Singapura, por exemplo, não os possuem, ao passo que os países da África e da própria América, ricos em recursos naturais, permanecem mergulhados no subdesenvolvimento. Não depende, tampouco, de populações pequenas ou grandes, já que muitas nações densamente populosas, como Holanda, Coréia do Sul e Hong-Kong, de um lado, são bem sucedidas em suas atividades econômicas, ao passo que a China e a Índia, também superpopulosas, de outro lado, não possuem economias bem sucedidas. Nem decorre, muito menos, de “status” anticolonial, uma vez que diversas nações, hoje desenvolvidas, com os Estados Unidos sendo o maior exemplo, foram colônias até época recente, ou ainda são colônias. O desenvolvimento econômico depende, no dizer de Bauer, “de pessoas e das providências que tomam”, “de recursos humanos e da vontade de utilizá-los”, “de qualidades pessoais”, “de instituições sociais e morais “e “de acordos políticos”, fatores esses que - acrescentamos - quando são espontaneamente desencadeados, estimulam a germinação dos determinantes econômicos do crescimento, isto é, dos investimentos em capital físico, humano e tecnológico que aumentam a capacidade de geração de oferta das economias.
As observações - bastante pertinentes - de Bauer, são equivalentes, conforme notou Michael Novak, à afirmativa de que “o sistema moral-cultural é a principal força dinâmica por trás da ascensão tanto de um sistema político democrático quanto de um sistema econômico liberal. O sistema moral-cultural é o “sine qua non” do sistema político e do sistema econômico. Negligenciá-lo significa envenenar o organismo” (17) (negritos nossos).
Os homens não vivem apenas de pão e de circo. A imensa maioria dos seres humanos somente encontra lugar para a paz em suas consciências quando acredita que suas atividades econômicas e políticas revestem-se de significado moral. O trabalho duro, a perseverança nas dificuldades da vida, a frugalidade e o próprio sentimento da esperança só fazem sentido, enquanto possibilidade de bem-estar material (que faz parte da dignidade humana), quando encontram respaldo na força do sistema moral do qual se participa no seio da sociedade em que se vive.
Subitamente - e também, como conseqüência natural do fato de passarmos a viver, após muitos anos sob um regime fechado, em uma sociedade aberta - os brasileiros descobriram que o nível moral estava em baixa. E as sociedades correm riscos maiores de perecer pela perda da moralidade indispensável do que pelo enfraquecimento de seus sistemas político e econômico. A ética é o componente mais frágil da cadeia, eis o que queremos dizer ao leitor.
A crise ética e moral brasileira, a exemplo do que ocorreu em outros países, tem origens remotas e é proveniente de duas causas básicas: a primeira é o relativismo moral que, originado com a “morte de Deus”, decretada por Nietzsche na segunda metade do século XIX, transformou-se na grande chaga do século XX, na medida em que deu origem à “vontade de poder”, eleita como substituta dos valores judaico-cristãos anteriores, como observou magistralmente o jornalista, historiador e “scholar” Paul Johnson, em “Tempos Modernos” (18) . A segunda causa da deterioração dos valores morais é decorrente da primeira, mas merece ser destacada por suas dimensões e importância. Trata-se do fenômeno do crescimento do Estado, especialmente pelas repercussões que acarretou em termos da invasão que o sistema político passou a executar sobre o sistema econômico e que teve no keynesianismo seu pretenso respaldo “científico” e no nacionalismo sua grotesca faceta populista, em especial na América Latina.
Tanto o relativismo moral quanto o crescimento do Estado que ele desencadeou pareciam desconhecer que a capacidade destrutiva dos indivíduos, embora perversa, é insignificante diante da que o Estado, mesmo quando bem-intencionado, revelou possuir. Onde é grande o Estado, onde as instituições democráticas revelam incapacidade para conter o poder excessivo e sua concentração e onde os valores tradicionais sobre o que é bom ou mau são desdenhados - e, muitas vezes, ridicularizados - o componente de egoísmo que sempre caracterizou os seres humanos não encontra limites à sua expansão.
Este redespertar brasileiro para a importância da ética poderá dar bons frutos, pois, como vimos, os valores ético-morais, caso venham a ser revitalizados, desintoxicarão os tecidos econômicos e políticos. Voltaremos a este tema diversas vezes ao longo do livro, dada a sua importância. Por ora, desejamos esclarecer ao leitor que, seguindo a linha desenvolvida pelo economista argentino Alejandro Chafuen (19) , os termos moral e ética serão utilizados, ao longo do livro, como sinônimos. Ambas as palavras têm a mesma origem e derivam do termo costume (em latim, “mors”). Moral, enquanto ciência, significa uma filosofia dos costumes e “o ético foi-se identificando cada vez mais com o moral, chegando a significar que se ocupa dos objetos morais em todas as suas formas, a filosofia moral” (20) . Moral ou ética, para nós, será a ciência do dever ser, a ciência que trata do bem geral e das ações humanas no que diz respeito à sua bondade ou maldade.
A partir do ano de 1992, com o episódio do “impeachment” do presidente Collor e em diversos outros “escândalos” que se vão sucedendo ano após ano - e que só passaram a ser do conhecimento público quando nossa sociedade passou a ser aberta -, os brasileiros começaram a perceber a verdade da frase de Novak, na medida em que viram como o apodrecimento do sistema ético, que permaneceu oculto durante os anos em que nos afastamos da democracia, havia contaminado o sistema econômico e boa parcela do sistema político. Enquanto não perdermos definitivamente a vergonha de lutar pelos princípios morais insubstituíveis que a revolução relativista pouco a pouco sufocou e aprisionou, será impossível o resgate da dignidade nacional, nossa moeda dificilmente será definitivamente forte e a pobreza e a miséria continuarão a grassar.
Mas essa redescoberta da importância da ética é apenas o primeiro passo.

Exultavit ut Gigas

No saltério há um estranho verso em latim - “Exultavit ut gigas ad currendam viam”- cuja tradução livre é algo como: levantou-se alegre como um gigante e passou a percorrer com pressa o caminho (Sl. 18,6). É estranho porque, ao mesmo tempo que nos lembra o gigante adormecido eternamente de que nos fala o Hino Nacional, incita-nos também a ter esperança de que, finalmente, o gigante poderá deixar sua preguiça de cinco séculos de lado e ir à luta. Incita-nos, assim, a pelo menos desejar que o Brasil jogue fora os erros do passado e corra em busca de seu futuro, aquele risonho futuro em que meus avós, há quase cem anos, depositaram todas as suas esperanças.
Há pouco mais de vinte décadas, a renda total das treze colônias que mais tarde formariam os Estados Unidos da América era equivalente à das colônias fundadas por Espanha e Portugal na América do Sul. Como explicar que, já no final do século XIX, os Estados Unidos se tinham transformado na maior potência econômica mundial, enquanto alguns intelectuais brasileiros, já na porta de entrada do terceiro milênio, ainda continuam atribuindo nosso substancial atraso, entre outras “causas”, ao fato de termos sido “explorados pelo capital internacional”? Nunca é demais lembrarmo-nos de que, até 1776, as treze colônias do norte eram tão “exploradas” quanto as colônias do sul e de que, se os processos de colonização foram de fato diferentes, isto não impede que nos demos conta de que podemos romper as barreiras que nos impedem de crescer.
É que, sem dúvida, é bem mais fácil por a culpa nos outros: somos pobres porque os Estados Unidos são ricos e, portanto, nos exploraram e continuam a explorar, ou então porque fomos colonizados por portugueses, e não por outros povos... A propósito, vale ressaltar, primeiro, que Portugal, hoje, no contexto da União Européia, é uma sociedade moderna e próspera e, segundo, em defesa dos portugueses, que eles são um dos povos mais trabalhadores e mais moralmente corretos do mundo. A culpa da nossa pobreza não pode ser atribuída nem a americanos, nem a portugueses, nem a qualquer outro povo; ela é nossa, exclusivamente nossa!
Infelizmente, ainda circulam no Brasil os últimos resquícios da chamada “teoria da exploração”, de origem marxista: os países ricos exploram os pobres, os empresários exploram os trabalhadores, os banqueiros exploram o povo, os proprietários de terra exploram os sem-terra... e a esquerda brasileira explora a nossa paciência. Enquanto a “intelligentsia” tupiniquim teima em continuar seu alarido, a caravana dos investimentos geradores de empregos e de progresso segue passando sem parar, rumo às sociedades que conseguiram aglutinar, pelo menos mais do que a nossa, as condições gerais que Bauer apontou como os sustentáculos do desenvolvimento.
As “teorias da exploração” são o resultado natural do casamento da falta de conhecimento de teoria econômica que caracteriza a maioria dos intelectuais, com aquele traço do comportamento humano que, como Heródoto já observava cerca de quinhentos anos antes de Cristo, nasceu no homem desde o princípio: a inveja. Adam Smith, em seu magnífico livro “Teoria dos Sentimentos Morais” dedicou um capítulo inteiro a essa deformação moral. E os ataques de inveja - escreveu Zamora - “são os únicos em que o agressor preferiria, se pudesse, ocupar o papel de vítima” (21) . Quantos intelectuais, líderes sindicais, professores universitários, artistas e políticos que se autodenominam “progressistas” (mas que se revelam na prática quase sempre contra o progresso) não gostariam de estar no lugar dos famigerados capitalistas, dos executivos financeiros e dos empresários que são freqüentemente alvo de seus ataques...
Cremos que nossa sociedade chegou, mais por força da nova ordem liberal internacional do que por convicção doutrinária, à sua hora da verdade . Parece haver chegado finalmente o momento em que nós, cidadãos livres e conscientes, somos chamados a decidir se vamos de fato construir uma sociedade rica ou se vamos continuar a lançar nos outros as conseqüências de nossa incompetência. Por isso, precisamos refletir sobre alguns pontos importantes.
O primeiro é que devemos - se desejamos mesmo transformar o Brasil - abrir mão de toda e qualquer solução formulada por intelectuais. Uma leitura que, muito provavelmente, mostrará ao leitor o porque disso é o livro “Os Intelectuais”, de Paul Johnson (22) . Ao longo de seus treze capítulos, vão-se tornando extraordinária e assustadoramente claras as três grandes características da “intelligentsia”: o total desamor à verdade, o egocentrismo (fonte da inveja) e a pretensão de acreditar que as idéias valem mais do que as pessoas. Em nossa hora da verdade, devemos repelir a crueldade embutida em todas as ideologias, por sua suposição de que os seres humanos não apenas podem, mas devem adequar-se às idéias. O pior dos despotismos é a insensível tirania das idéias, eis a lição que nos deixa o século XX.
Um país rico deve ser construído por pessoas e pelas providências práticas que tomam, pela utilização de recursos humanos, de qualidades morais, por instituições políticas e econômicas que respeitam e incentivam a liberdade de escolha, por leis que não sejam meros comandos ou ordens, mas normas gerais de justa conduta, prospectivas, abstratas e impessoais e, portanto, aplicáveis a todos os habitantes, inclusive os que eventualmente estiverem ocupando o poder.
O segundo ponto a ser meditado é que, em função das considerações anteriores, a reconstrução do Brasil não deve ser confiada ao Estado, nem a este ou àquele partido político, nem a algum motorista iluminado que prometa, sozinho, levar o país ao progresso. Ela depende de nós, cidadãos, de nossa capacidade de descobrir instituições que garantam o funcionamento, de forma espontânea, dos três grandes sistemas que compõem a sociedade: o econômico, o político e o moral-cultural. Não cabe ao Brasil a decisão, mas aos brasileiros, porque o “Brasil” não pensa, quem pensa e age são seus cidadãos.
Procuramos, nesta Introdução, esboçar um quadro crítico da realidade do país na virada de século, um quadro que talvez o leitor julgue pessimista, mas que, na realidade, é uma crítica realista, objetiva e fria, sob a perspectiva liberal. Aliás, dizem que os otimistas, quando bem informados, transformam-se em realistas esperançosos.
Mostramos a hora da verdade que estes anos críticos nos colocam, dividindo a sociedade em três macro-sistemas e apontando as deficiências de cada um, bem como suas potencialidades. Precisamos lançar definitivamente fora o relativismo moral, perdendo de vez o receio de enfrentar o patrulhamento ideológico, que conseguiu transformar a expressão “moralismo” em autêntica ofensa e que procurou ridicularizar o exercício da autoridade, seja por parte de pais e professores, seja por parte dos governos, transformando esse exercício essencial em sinônimo de “autoritarismo”, gerando, assim, a permissividade. Já é tempo de sabermos que autoridade não é repressão e que repressão não é fascismo. Nossa sociedade ainda vive um estado que os sociólogos chamam de anomia, em que as violações de normas, pela clara ausência de sanções - e, quando estas existem, pela baixa probabilidade média de que venham a ser aplicadas - tendem a tornar-se a regra geral e não as exceções.
O Brasil é uma nação de origem cristã - o primeiro ato oficial aqui realizado foi a missa rezada por Frei Henrique Soares, de Coimbra -, que sempre valorizou a importância da família na formação do caráter moral dos seus cidadãos, de modo que negar isto, a pretexto do falso modernismo que mascara as posturas hedonistas, é renegar a própria brasilidade. Como observou Novak, “...é verdade obscura, embora importante em economia política, qua o ser é fundamentalmente familial, e só depois independente como indivíduo. Quando o ser basicamente familial vem a ser destruído de fato, a independência do indivíduo também se desintegra e do ser nada resta senão a vontade da comunidade” (23) . As práticas de sociedades totalitárias, como a Alemanha nazista, a ex-União Soviética e a ilha de Fidel, por exemplo, estão aí para mostrar a verificação universal desse princípio. Os intelectuais mentores do totalitarismo imaginaram, em todas aquelas tristes experiências, que seria possível fazer com que seres humanos, abandonando sua própria condição de homens, passassem a agir como os membros das sociedades gregárias, como as das abelhas, formigas ou cupins. O resgate do sistema moral brasileiro, que deve começar pelo estabelecimento claro do que é certo e do que é errado, à luz das tradições mais fortes de nosso povo, representa, portanto, algo muito mais profundo, de natureza inclusive espiritual, do que simplesmente colocar meia dúzia de corruptos na cadeia ou abrir CPIs para apurar escândalos, em meio a holofotes e achaques de puro sensacionalismo.
As ligações entre ética, política e economia tronam-se visíveis quando analisamos o papel do Estado na economia e serão aprofundadas no decorrer do livro, mas vale a pena convidar o leitor a refletir sobre as seguintes observações, recolhidas em uma encíclica de 1991 de João Paulo II e que retratam fielmente, sob o ponto de vista de um líder por definição descompromissado com qualquer doutrina humana, a posição de grandes liberais, desde John Locke e Adam Smith, passando por Fréderic Bastiat e Alexis de Tocqueville, a Mises e Hayek:
“A atividade econômica, em particular a da economia de mercado, não se pode realizar num vazio institucional, jurídico e político. Pelo contrário, supõe segurança no referente às garantias da liberdade individual e da propriedade, além de uma moeda estável e serviços públicos eficientes. A principal tarefa do Estado é, portanto, a de garantir esta segurança, de modo que quem trabalha e produz possa gozar dos frutos do próprio trabalho e, conseqüentemente, sinta-se estimulado a cumpri-lo com eficiência e honestidade. A falta de segurança, acompanhada pela corrupção dos poderes públicos e pela difusão de fontes impróprias de enriquecimento e de lucros fáceis fundados em atividades ilegais ou puramente especulativas é um dos obstáculos principais ao desenvolvimento e à ordem econômica” (24) .
Estamos todos fartos de ouvir que o Brasil é o país do futuro, um futuro que parece nunca chegar. É hora de nortearmos nossas instituições políticas, econômicas e morais, de modo a que nosso amanhã comece a ser feito a partir de hoje, para que ele não se transforme, para nós, no advérbio dos vencidos. Para que sejamos bem-sucedidos, devemos buscar, emergindo da atual crise, construir instituições que favoreçam e garantam a economia de mercado, a democracia política com representatividade e a valorização do trabalho e da parcimônia, ao amparo de normas legais de conduta que sejam, de fato, justas e iguais para todos.
Na vida econômica em particular e na vida humana em geral, a primazia da moral é uma lei demonstrável e fundamental para a prosperidade, é um princípio filosófico e empírico que não pode ser violado. Quando isso ocorre, surgem os vícios morais, tão conhecidos pelos brasileiros, como a preguiça, a desonestidade, a corrupção, a coerção, a avareza e tantos outros que, como traças, corroem pouco a pouco a sociedade. “A revolução” - como afirmou o poeta Charles Peguy - “deve ser moral ou não será revolução” (25) .





Referências bibliográficas



* Josemaría Escrivá, Caminho, Quadrante, São Paulo, 7ª ed., 1989, nº 251, pág.77. Escrivá, ao formular este pensamento, tinha como objetivo chamar a atenção contra o mau hábito que constitui o adiamento dos bons propósitos.

1. Para uma excelente exposição - fartamente documentada - a respeito do fenômeno da politização dos problemas econômicos e morais, recomendo a leitura de "Tempos Modernos - o Mundo dos Anos Vinte aos Oitenta", de Paul Johnson, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1990, bem como o livro de Michael Novak, "O Espírito do Capitalismo Democrático", Nordica, Rio de Janeiro, s/data, especialmente págs. 200 e segs.

2. Bell, Daniel, "The Cultural Contradictions of Capitalism", Basic Books, Nova York, 1976, págs. 10 e segs.

3. Novak, M., op. cit., pág.200.

4. Este foi o caso, por exemplo, dos anos do chamado "milagre brasileiro" (início dos anos setenta), em que o funcionamento relativamente satisfatório do sistema econômico e do sistema moral-cultural, malgrado o estado insatisfatório do sistema político, conseguiu garantir alguns anos de prosperidade.

5. Alguns autores sustentam que o keynesianismo prático, isto é, a geração de déficits fiscais financiados pela emissão de moeda com a finalidade de expandir o emprego e o produto (e, obviamente, vencer as eleições) é anterior ao livro de Keynes. Paul Johnson, por exemplo, sugere - e documenta fartamente com dados estatísticos - que a década de 20 nos Estados Unidos foi uma década keynesiana, caracterizada pelas políticas públicas expansionistas dos presidentes Harding, Coolidge e Hoover. Tais políticas, segundo Johnson - e não a tão propalada "insuficiência de demanda efetiva" - é que teriam paradoxalmente gerado a crise que durou do final dos anos 20 aos primeiros anos da década de 30. Ver Paul Johnson, op.cit., caps. 6 e 7.

6. Ver, por exemplo, Lucas, Robert, "Some International Evidence on Output-Inflation Tradeoffs", American Economic Review, Vol.63, nº 3, junho de 1973.

7. Mises, L. von, "The Theory of Money and Credit", Yale University Press, New Haven, 1953, publicado originalmente em 1912, em alemão, com o título "Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel".

8. Ver, por exemplo, Hayek, F.A.,"Money, Capital & Fluctuations - Early Essays", coletânea dos primeiros ensaios de Hayek, The University of Chicago Press, Chicago, 1984.

9. Hayek, F.A., “Desemprego e Política Monetária", José Olympio/ Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1985.

10. Esta correlação negativa de curto prazo entre taxas de crescimento dos preços e taxa de desemprego é conhecida, na literatura macroecômica convencional, como Curva de Phillips.

11. Alexander Hamilton, John Jay e James Madison, "The Federalist", nº 51, Modern Library, New York, 1941, pág.339.

12. Ver, por exemplo, Hayek, F.A., "El Ideal Democrático y la Contención del Poder" in: Estudios Públicos, nº 1, Santiago, Dezembro de 1980.

13. A definição de Estado Mínimo tem sido objeto de extensa literatura. Devemos ressaltar que o "tamanho" ideal do Estado varia de acordo com cada sociedade. Por exemplo, o Estado brasileiro deve ser "maior" que o belga e menor que o chinês. Ver, por exemplo, Guy Sorman, "O Estado Mínimo", Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1988 e Robert Nozick, "Anarquia, Estado e Utopia", Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1991.

14. Popper, K., "La Sociedad Abierta y sus Enemigos", Paidós, Barcelona, 1982.

15. O partido que se diz defensor e representante dos trabalhadores, na realidade, tem conteúdo muito mais ideológico do que doutrinário, assim como aqueles cujas siglas contêm a palavra "liberal" têm revelado um caráter na maioria das vezes anti-liberal.

16. Bauer, P.T., "Dissent on Development", Weidenfeld and Nicolson, Londres, 1971.

17. Novak, M.,op. cit., pág. 216 e seguintes.

18. Johnson, P., op. cit., cap. 1.

19. Chafuen, A.A. "Christians for Freedom - Late Scholastic Economics", Ignatius Press, San Francisco, 1986, traduzido pelo próprio autor para o espanhol, com o título "Economia y Etica - Raíces Cristianas de la Economia de Libre Mercado", Rialp, Madri, 1991.

20. Ferrater Mora, J., "Diccionario de Filosofia", Sudamericana, Buenos Aires, 1975, tomo II, págs. 232-235 (citado por Chafuen, pág. 38).

21. Alcalá Zamora, "Pensamentos e Citações".

22. Johnson, P., "Os Intelectuais", Imago, Rio de Janeiro, 1990.

23. Novak, M., op. cit. pág. 193.

24. João Paulo II, Carta Encíclica "Centesimus Annus", Loyola, São Paulo, 1991, nº 48, pág. 65.


25. Citado por Michael Novak, "This Hemisphere of Liberty: A Philosophy of the Americas", AEI Press, Washington, 1992, pág.85.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".