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quinta-feira, 3 de julho de 2008

A “mão invisível” e o “espírito animal”

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por João Luiz Mauad em 01 de julho de 2008

Resumo: A metáfora da mão invisível não pretende explicar que o mercado seja um sistema intrinsecamente perfeito, imune a falhas, ineficiências ou má administração, que funciona independentemente do bom planejamento, gerenciamento, controle, etc.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“It is much simpler to buy books than to read them and easier to read them than to absorb their contents.”

(William Osler)

É dura a vida de quem se propõe a falar sobre o que não está perfeitamente informado, especialmente quando se pretende criticar. Diz a lenda que alguns dos autores mais comentados de todos os tempos só foram lidos por muito poucos. Entre esses autores, estão os economistas Karl Marx, Adam Smith, John M. Keynes e Joseph Schumpeter, dentre outros menos cotados. O problema maior, nesses casos, é que a ignorância, combinada com julgamentos afoitos e precipitados, é o caminho mais curto para o dogmatismo.

Em recente artigo para a revista Veja, em que pretendeu defender uma espúria reserva de mercado para os administradores públicos, meu colega Stephen Kanitz cometeu alguns deslizes conceituais, deixando claro que, em algumas de suas críticas, falava do que não conhecia, ou melhor, que ouvira o galo cantar mas não sabia exatamente onde nem por quê.

Num texto de viés evidentemente intervencionista, o autor procura desqualificar os mecanismos de livre mercado, em prol de uma ideologia estatizante. Em um dos trechos do citado artigo, podemos ler o seguinte:

“Os seguidores de Adam Smith acham que os administradores em nada contribuem para a riqueza das nações. Eles acreditam que produtos chegam a nosso lar na hora certa, na quantidade certa, ao custo certo graças à "mão invisível" do seu deus "mercado". Outros acadêmicos, como Joseph Schumpeter e John Maynard Keynes, acham que o crescimento depende do "espírito animal" dos empresários e empreendedores com boas idéias, e não dos administradores que as fazem acontecer. Uma afronta a todo administrador.”

Ora, qualquer um que já tenha lido “A Riqueza das Nações” sabe perfeitamente que a imagem da “mão invisível” não tem qualquer similitude com aquilo que foi descrito pelo senhor Kanitz. Adam Smith jamais escreveu que a produção, a distribuição e a comercialização de produtos se dessem sem planejamento, gerenciamento e trabalho árduo. O escocês nunca diria semelhante bobagem. O que ele, textualmente, disse foi que "todo indivíduo está continuamente empenhado em descobrir os mais vantajosos empregos para os capitais sob seu comando. É o próprio lucro que ele tem em vista, e não o da sociedade. Porém, ao examinar o que melhor lhe convém, ele naturalmente, ou melhor, necessariamente, acaba preferindo aquele emprego que é mais vantajoso para a sociedade" .

Na passagem em que Adam Smith escreve sobre a mão invisível, ele diz, literalmente, o seguinte: “Orientando sua atividade de tal maneira que sua produção possa ser de maior valor, [o empreendedor] visa apenas a seu próprio ganho e, neste, como em muitos outros casos, é levado como que por uma mão invisível a promover um objetivo que não fazia parte de suas intenções. Aliás, nem sempre é pior para a sociedade que esse objetivo não faça parte das intenções do indivíduo. Ao perseguir seus próprios interesses, o indivíduo muitas vezes promove o interesse da sociedade muito mais eficazmente do que quando tenciona realmente promovê-lo.

Esse é o verdadeiro sentido da famosa – porém não menos mal compreendida – “mão invisível”. É pela busca constante de seus próprios interesses que o empreendedor fomenta o interesse geral da sociedade, e não pela sua benevolência. O contexto da mão invisível não tem, portanto, qualquer tradução de falta de planejamento, execução ou controle administrativo. Em sua mais famosa sentença, Smith escreve que “Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu próprio negócio”.

A metáfora da mão invisível, portanto, não pretende explicar que o mercado seja um sistema intrinsecamente perfeito, imune a falhas, ineficiências ou má administração, que funciona independentemente do bom planejamento, gerenciamento, controle, etc. Pelo contrário, o mercado só funciona porque é um sistema extensiva e racionalmente planejado e bem administrado. Só que a administração capitalista se dá de forma pulverizada, através da ação de cada indivíduo. As pessoas planejam comprar imóveis, automóveis, eletrodomésticos, alimentos, roupas e tudo mais. Planejam que tipo de trabalho querem fazer e, conseqüentemente, que profissões deverão abraçar, bem como a quem devem oferecer as habilidades específicas que possuem. As empresas, por seu turno, planejam produzir novos produtos ou descontinuar os existentes; planejam alterar seus métodos produtivos ou continuar usando os atuais; planejam abrir filiais ou fechá-las; contratar novos trabalhadores ou demitir os atuais; aumentar seus estoques ou diminuí-los; fazer novos investimentos ou não.

De acordo com o professor George Reisman, "um gigantesco e extensivo planejamento econômico privado não somente existe, mas é totalmente coordenado, integrado e harmônico no capitalismo". Todo esse planejamento, dos indivíduos, das famílias e das empresas, está regulado por um mecanismo sólido, autônomo e extremamente eficiente, denominado "sistema de preços". Quem quer que planeje adquirir bens e serviços, de qualquer natureza, irá inevitavelmente considerar os respectivos preços e estará sempre pronto a mudar os seus planos em função das oscilações do mercado. Também os que pretendem vender alguma coisa levarão em conta a receita que podem auferir e estarão prontos a alterar seus planos na eventualidade de mudança nos preços praticados.

Kanitz mistura alhos com bugalhos quando pretende tirar o mérito dos empreendedores, que assumem os riscos do investimento, e entregá-lo aos administradores. A contribuição do trabalho destes últimos para o desenvolvimento econômico é tão importante quando o de qualquer outro profissional qualificado. Ou será que ele acha que administradores são mais importantes do que, sei lá, engenheiros ou médicos? No extenso processo de divisão do trabalho, todos têm sua contribuição a dar e não é porque sou formado em administração que vou achar que o meu trabalho é mais importante do que o dos demais.

Quando Schumpeter e Keynes se referiram ao “espírito animal” dos empresários, eles não falavam de habilidade e destreza profissional apenas, mas de obstinação, arrojo, ousadia, coragem para assumir riscos, espírito de liderança, capacidade de agregação, realização, inovação, etc. São os indivíduos que possuem essas virtudes que fazem as coisas acontecer, não os administradores. É evidente que um administrador pode ser um ótimo empresário. Mas nada justifica que se pense que os conhecimentos e habilidades de um bom administrador são suficientes para que ele se transforme num empreendedor de sucesso, pois isso depende de muitas outras virtudes, como vimos acima. Em resumo, regras e princípios administrativos são ferramentas poderosas nas mãos de um bom empresário, mas estão longe de serem suficientes.

O autor é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.

Biografia: Adam Smith

Do portal OrdemLivre.org

Com A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações, Adam Smith se estabeleceu como a principal fonte do pensamento econômico contemporâneo. Dessa fonte beberam David Ricardo e Karl Marx no século XIX, além de Keynes e Friedman no século XX.

Adam Smith nasceu em um vilarejo em Kirkcaldy, na Escócia. Lá, sua mãe, viúva, o criou até que ingressasse na Universidade de Glasgow, aos quatorze anos, financiado por uma bolsa de estudos, como era a práticacomum na época. Mais tarde, ele freqüentou o Balliol College, em Oxford, se graduando com extenso conhecimento em literatura européia e com um eterno desdém pelas escolas inglesas.

VEle voltou para casa, e, após ministrar uma série de palestras muito bem sucedidas, tornou-se professor. Primeiro, foi professor de lógica (1751) e mais tarde foi professor de filosofia moral (1752) na Glasgow University.

Smith deixou a academia em 1764 para ser tutor do jovem duque de Buccleuch. Por mais de dois anos eles viveram e viajaram juntos pela França e a Suíça, uma experiência que pôs Smith em contato com contemporâneos como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, François Quesnay e Anne-Robert-Jacques Turgot. Com a pensão que recebia por seu trabalho junto ao duque, Smith se retirou àretirou-se em Kirkcaldy, sua cidade natal, para escrever A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações. O livro foi publicado em 1776, o mesmo ano em que a Declaração de Independência Americana foi assinada, e que David Hume, seu grande amigo, faleceu. Em 1778, ele foi nomeado diretor da alfândega. Esse trabalho o colocou em uma posição desconfortável, tendo de coibir o contrabando, atividade que foi defendida em A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações como sendo legítima diante de uma legislação “não natural”. Adam Smith nunca se casou. MEle morreu em Edimburgo em 19 de julho de 1790.

Atualmente, a reputação de Smith se baseia em sua explicação de como o auto-interesseinteresse próprio racional em uma economia de livre mercado nos leva ao bem estar econômico. Pode vir a ser uma grande surpresa para aqueles que reduziriam Smith ao papel de defensor de um individualismo cruel, saber que o seu primeiro grande trabalho tenha se concentrado na ética e na caridade. Na verdade, de acordo com John Millar, aluno de Smith na época em que ele lecionou na Universidade de Glasgow, os assuntos das palestras de Smith, em ordem de preferência, eram teologia natural, ética, jurisprudência e economia. Em A tTeoria dos sSentimentos mMorais, Smith escreveu: “Por mais egoísta que se possa admitir que seja um homem, existem evidentemente alguns princípios em sua natureza que o levam a se interessar pela sorte de outros e que tornam a felicidade destes necessária para ele, apesar de não ganhar nada a partir disso,com isso a não ser o prazer de testemunhá-la”.

Ao mesmo tempo, Smith tinha uma visão benigna a respeito do auto-interesseinteresse próprio. Ele renegava a visão de que o amor-próprio “era um princípio que nunca poderia ser virtuoso, em sob nenhum a escalaaspecto.” Smith argumentava que viver seria difícil se nossas “afeições que, pela própria natureza de nosso ser, devem com freqüência influenciar nossa conduta, não pudessem em ocasião alguma mostrarem-se virtuosas ou merecerem a estima e a admiração de qualquer pessoa.”

Para Smith, a solidariedade e o auto-interesseinteresse próprio não eram antitéticosincompatíveis, mas; eles eram complementares. “... o homem, entretanto, tem necessidade quase constante da ajuda dos semelhantes, e é inútil esperar essa ajuda simplesmente da benevolência alheia”, explicou ele em A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações.

A caridade, embora seja um ato de virtude, não pode sozinha prover os artigos fundamentais à vida. O interesse próprio era um mecanismo que poderia remediar essa desvantagem. Segundo Smith: “"não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos que nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse”".

Uma pessoa que obtém sua renda através de seu próprio trabalho beneficia a si. Porém, involuntariamente, ela também beneficia a sociedade, pois, para obter renda através de seu trabalho em um mercado competitivo, ela deve produzir algo que outros valorizam. Na eterna imagem de Adam Smith, “e orientando sua atividade de tal maneira que sua produção possa ser de maior valor, [o homem] visa apenas seu próprio ganho e, neste, como em muitos outros casos, é levado como que por uma mão invisível a promover um objetivo que não fazia parte de suas intenções.”

A série de cinco livros de A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações tentou revelar a natureza e as causas da prosperidade de uma nação. A principal causa da prosperidade, argumentava Smith, era o aumento da divisão do trabalho, como no famoso exemplo dos alfinetes. Ele afirmou que dez trabalhadores poderiam produzir 48 mil alfinetes por dia, caso cada uma das dezoito tarefas especificas fossem designadas a trabalhadores específicos. Produtividade média: 4.800 alfinetes por trabalhador por dia. Porém, sem a divisão do trabalho, um trabalhador produziria, com sorte, um alfinete por dia.

Como os indivíduos podem aplicar melhor o seu próprio trabalho ou qualquer outro recurso é o tema central no primeiro livro da série. Smith afirmava que um indivíduo investiria um recurso, por exemplo, a terra ou o trabalho, para obter a partir dele o maior retorno possível. Conseqüentemente, todos os usos desse recurso devem trazer uma taxa de retorno igual (ajustada ao risco relativo de cada empreendimento). Caso contrário, o resultado seria a realocação. Essa idéia, escreveu George Stigler, é a afirmação central na teoria econômica. Em consonância com outra afirmação de Stigler, segundo a qual o criador de uma idéia nas ciências econômicas nunca leva o crédito, a idéia de Smith não era original. O economista francês Turgot dissera o mesmo em 1766.

Smith usou essa idéia da igualdade dos dividendos para explicar por que os níveis salariais eram diferentes. Os níveis podem ser mais altos, argumentava, para atividades que requeriam um aprendizado mais longo, porque as pessoas não iriam se dispor a aprendê-las caso não fossem compensadas com um salário mais alto. Desse pensamento se originou a noção moderna de capital humano. Da mesma forma, os níveis salariais seriam mais altos para aqueles que atuassem em profissões sujas e perigosas, como os mineiros, os açougueiros, ou mesmo como os carrascos, que desempenham realizam um trabalho detestável. Em suma, as diferenças dos trabalhos eram compensadas pelas diferenças dos salários. Os economistas modernos chamam essa idéia de Smith de Teoria dos dDiferenciais cCompensatórios de sSalário.

Smith utilizou a economia numérica não apenas para explicar a produção de alfinetes ou as diferenças entre os salários dos açougueiros e dos carrascos, mas também para se dirigir às questões políticas mais urgentes daquele momento. No quarto livro de A Riqueza das NaçõesA riqueza das nações publicado, lembre bem, em 1776 – Smith diz à Grã-Bretanha que as suas colônias americanas não valem o preço de sua manutenção. Vale à pena repetirmos o seu raciocínio a respeito do custo excessivamente alto do imperialismo britânico. Para mostrar Smith em seu melhor momento com os números e também para mostrar que a teoria econômica simples e clara pode levar a conclusões radicais:

Implantou-se um grande império para o único fim de criar uma nação de clientes obrigados a comprar nas lojas dos nossos diversos produtores todas as mercadorias que estes possam fornecer-lhes. Em atenção a esse pequeno aumento de preço que o referido monopólio poderia proporcionar aos nossos produtores, tem-se onerado os consumidores internos com toda a despesa para a manutenção e defesa daquele império. Para esse fim, e somente para ele, nas duas últimas guerras, gastaram-se mais de 200 milhões, contraindo-se uma nova dívida de mais de 170 milhões, além de tudo aquilo que se gastara em guerras anteriores, com a mesma finalidade. Os juros dessa dívida, por si sós, ultrapassam não somente todo o lucro extraordinário que jamais se teria imaginado auferir com o monopólio do comércio colonial, mas também o valor integral desse comércio ou o valor total das mercadorias em média exportadas anualmente às colônias.

Smith se opôs veementemente ao mercantilismo – a prática de se manter a balança comercial artificialmente positiva pela crença de que isso produziria riqueza. A vantagem primária do comércio, dizia, é que ele abre novos mercados para os produtos excedentes e também disponibiliza algumas mercadorias estrangeiras a um preço mais baixo do que as domésticas. Com isso, Smith lançou uma série de economistas do livre mercado e pavimentou o caminho para as teorias de vantagem comparativa de David Ricardo e John Stuart Mill, uma geração depois.

Às vezes, Adam Smith é caracterizado como alguém que não via papel algum para o governo na vida econômica. Na verdade, ele acreditava que o governo tinha um papel importante a desempenhar. Como a maioria dos defensores modernos do livre mercado, Smith acreditava que o governo deveria garantir o cumprimento de contratos, proteger as patentes e os direitos autorais e encorajar as invenções e as novas idéias. Ele também acreditava que o governo deveria fornecer serviços públicos, como estradas e pontes, que, presumia, gerariam retorno aos indivíduos que os fornecessem. Apesar disso, curiosamente, interessantemente, ele desejava que os usuários desses serviços públicos pagassem por eles, proporcionalmente ao seu uso. Uma clara diferença entre Smith e a maioria dos defensores modernos do livre mercado é que Smith era a favor das tarifas retaliativas.

A retaliação para abaixar as altas tarifas de outros países, pensava ele, funcionaria. “A recuperação de um grande mercado estrangeiro,”, escreveu, “mais do que compensará a inconveniência transitória de pagarmos caro por alguns tipos de bens por um curto período.”

Algumas das idéias de Smith são um testemunho da amplitude de sua imaginação. Hoje, o uso de vouchers nos programas que possibilitam aos pais escolherem a escola onde seus filhos estudarão são saudados como a maior novidade na reforma da educação pública. Mas foi Adam Smith quem falou sobre essa questão há mais de 200 anos:

Se os alunos dessas fundações de caridade tivessem a liberdade de escolher o colégio que achassem melhor, tal liberdade talvez pudesse contribuir para suscitar certa emulação entre os diversos colégios. Ao contrário, um regulamento que proibisse até mesmo os membros independentes de qualquer colégio específico de o abandonará-lo e ir para algum outro, sem antes solicitar e obter permissão para sair do colégio que pretendem abandonar, tenderia muito a acabar com a referida emulação.

O próprio período de Smith como estudante em Oxford (1740-46), cujos professores, segundo ele, tinham “desistido completamente até mesmo de fingir que ensinavam,” deixou em Smithnele um desdém permanente por universidades como Cambridge e Oxford.

Os escritos de Adam Smith foram tanto uma investigação da ciência econômica, quanto um direcionamento político para a compreensão da riqueza das nações. Smith acreditava que o desenvolvimento econômico era mais bem estimulado em um ambiente de competição livre que operasse de acordo com “leis naturais” universais. Por ter sido o trabalho de Smith o mais sistemático e abrangente estudo da economia até seu lançamento, o seu pensamento econômico se tornou a base da economia clássica. E por suas idéias ainda se manterem em um nível de relevância maior do que a de qualquer outro economista, Adam Smith é verdadeiramente o alfa e o ômega das ciências econômicas.

Adam Smith (1723-1790) foi professor de lógica e filosofia moral na Universidade de Glasgow. Sua obra A Riqueza das Nações é considerada o pilar da economia moderna.

Original em inglês.

Ingrid: “Gracias Colômbia”!

Do blog MOVCC
"Quero, em primeiro lugar, dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia", disse Ingrid Betancourt, há pouco, à rádio do Exército colombiano, após ser resgatada.

Em novas declarações no aeroporto, Ingrid Betancourt foi contundente: "Gracias Presidente Uribe que lutou por nós".

"A operação foi absolutamente impecável", declarou Betancourt. "Agradeço ao Exercito da Colômbia, e ao Presidente Uribe. E digo que o povo Colombiano pode confiar no exercito Colombiano. A missão foi absolutamente perfeita" "Acho que isso é um sinal de paz para a Colômbia", acrescentou.

"O chefe da operação gritou: 'Somos o Exército Nacional. Vocês estão livres", disse Betancourt com a voz quebrada de emoção em suas primeiras declarações em liberdade.

O Presidente Álvaro Uribe felicita o Comandante das Forças Militares, General Freddy Padilla de León, e ao Ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, pelo êxito do operativo. Foto: Juan Felipe Barriga – Material do Noticiero Digital



INGRID MANIFESTA SEU APOIO A URIBE, E AO CHÁVEZ E CORREA PEDE RESPEITO À DEMOCRACIA




Ingrid Betancourt manifestou seu apoio a Uribe Vélez, qualificando-o como um presidente que tem sido bom para a Colômbia e que está levando a cabo as coisas que eram necessárias. Disse que a reeleição do Presidente foi boa para o país e que foi a chave para reduzir as FARC ao seu estado atual. Disse também que está e acordo com todas as medidas que tem tomado o mandatário.

“Um dos golpes mais duros dado nas FARC, fora esta extraordinária operação, foi a reeleição presidencial”, disse a política colombiana.“Pelo efeito do pêndulo, depois de um governo de mão dura viria um governo de mão estendida, e isso lhes permitia manter-se vigentes”. Disse que “a partir da reeleição do presidente Uribe as FARC não tiveram mais respiro”.

“A Deus agradeço que não fui presidente, e sim o Uribe”, disse. Ingrid “Quero servir a Colômbia como “um soldado que serve a Colômbia a serviço da Pátria”, e somente Deus sabe se o farei algum dia na Presidência do país”

Disse também que os presidentes da Venezuela e do Equador tinham um papel muito importante como aliados da Colômbia na luta contra as FARC, porém, lhes pediu respeito para com a democracia colombiana. “Os colombianos elegeram a Álvaro Uribe e não as FARC. Por isso, peço aos irmãos do nosso continente que nos ajudem para que as transformações da Colômbia se dêem por via democrática”, e que se recordem que o povo da Colômbia deu seu voto a Uribe e não as FARC. Noticia 24 – Tradução de Arthur (MOVCC)

COLOMBIANOS COMEMORAM NAS RUAS A LIBERTAÇÃO DE REFÉNS


Edifícios da capital Bogotá foram enfeitados com bandeiras tricolores. Centenas de colombianos saíram nesta quarta-feira (2) às ruas com bandeiras, enquanto os motoristas promoviam um buzinaço após o anúncio do resgate por parte de militares de 15 reféns da guerrilha das Farc, entre eles Ingrid Betancourt e três norte-americanos.


COMENTÁRIO

Álvaro Uribe é um presidente que enche de orgulho toda América Latina. Hoje, não só o povo Colombiano está no auge da emoção, da alegria e da satisfação por ter um presidente e um Exército desse porte, mas o MUNDO também está em festa, agradecendo aos bravos pela libertação de Ingrid Betancourt e a dos outros reféns, porque aqui nessa terra de humanos, estão em confronto os deuses e os demônios.

Que maravilha! Hoje, estamos nos sentindo presididos por esse governo de Uribe, e unidos nessa corrente de emoção. A alegria é tão grande que nem consigo citar os demônios que governam a AL. A ralezada deve estar tremendo de ódio porque no cérebro deles só se desenha o roubo, a corrupção e toda ordem de crimes. Imaginem aquela cadela de rua - que late de vez enquando - apoiando as FARC no massacre de mulheres e de crianças? Aquela tal da Piedad Córdoba que usa um lenço de doméstica e que protagonizou o circo, a falácia junto com Chávez.

Mas vamos voltar ao tema luz, inteligência e poder. O presidente Colombiano é um dos pilares da democracia nesses tempos de caos. Nosso blog cumprimenta o Comandante do Exército Colombiano. Por Gabriela/Gaúcho


NOTA DO LULA À IMPRENSA

Leia abaixo a íntegra de nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República:

"O Presidente da República tomou conhecimento da libertação da Senadora Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns que se encontravam seqüestrados pelas FARC.

Ao enviar seu abraço fraternal aos reféns hoje libertados e a seus familiares, o Presidente Lula manifestou satisfação com essa notícia tão aguardada pela comunidade internacional. Expressou a esperança de que tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais seqüestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia (C.T. - notaram? Nem uma palavrinha que seja de agradecimento ou reconhecimento a Uribe, nem sequer mencionou o nome do único PRESIDENTE latino que ama seu país e seu povo, ÁLVARO URIBE).

Brasília - DF, 02 de julho de 2008

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República


COMENTÁRIO:
O povo latino só terá a PAZ que o presidente Lula deseja, cinicamente, no dia em que nenhum deles, inclusive V.Excia, estiver presidindo governos. Todos sabem que Lula é o criador do Foro de São Paulo, uma organização da qual faz parte as FARC, e que a missão dessa máfia é acabar com o Presidente Uribe. Lula deve estar com urticária de tanto ódio, ao ver que o Presidente Uribe está sendo ovacionado pelo mundo inteiro. Essa corja de cínicos podia morrer de coceira. Por Gabriela/Gaúcho

Fontes e fotos utilizadas na pauta: Do Noticias 24, Noticiero Digital, El País, El Mundo

LIMITES À PROPAGANDA: ESSA GENTE FINGE CUIDAR DO NOSSO CORPO PORQUE QUER ROUBAR A NOSSA ALMA

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Quarta-feira, Julho 02, 2008

O governo quer limitar agora, conforme se noticiou aqui ontem à noite, a propaganda de alimentos que “engordam”. Prometi que falaria a respeito na madrugada. Acabei me ocupando de outros assuntos. Retomo a questão.

Há um excesso de intromissão do estado na vida do cidadão e na sua capacidade de escolha para que isso não caracterize um método. Entendam: há uma questão é geral, que é de princípio, que deveria provocar a nossa repulsa fosse qual fosse o governo: o ente estatal não pode tratar o indivíduo como um menor de idade, incapaz de saber o que é bom para si mesmo. Sendo o governo Lula em particular, a atenção deve ser redobrada. Há um núcleo no petismo que está empenhado em criar dificuldades financeiras para o que ele chama “mídia” (C.T. - aí temos dois tentáculos esquerdopatas: a "estatização" da sociedade através de inúmeras normas, regras, leis e um monte de outras nojeiras chegando até ao que se pode ou não comer e a eliminação da liberdade da mídia para possam fazer o que queiram).

O texto que segue a partir do parágrafo seguinte repete, com poucas alterações, o que escrevi a respeito no dia 4 de julho do ano passado, quando essa idéia veio à luz pela primeira vez. Como se vê, não é iniciativa nova. E também percebemos que eles jamais desistem de uma idéia. Vamos lá.

O método
Este texto identifica um método de ação do governo Lula: o chavismo à moda da casa. Denuncio aqui os instrumentos a que pretende recorrer o governo para implementar entre nós o bolivarianismo light. Porque o PT sabe que não pode fazer da Rede Globo a sua RCTV, por exemplo, resolveu criar dificuldades para a emissora. No mundo ideal do petismo, devemos ficar todos subordinados à TV de Franklin Martins, que não precisa do mercado para existir, ou à TV Record — que, se ficar sem anunciantes, jamais ficará sem a Igreja Universal do Reino de Deus, dona do partido do vice-presidente e do de Mangabeira Unger, aquele secretário que fala uma língua mais incompreensível do que a do Espírito Santo quando baixa em Edir Macedo — deve baixar, eu suponho.

Penitencio-me aqui. Dizem que sou arrogante, que nunca assumo um erro. A segunda parte, ao menos, é mentirosa. Errei, sim. Errei na única vez em que apoiei, ainda que parcialmente, uma proposta do governo Lula. Fui enganado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Uma recomendação: eis um nome do governo Lula que deve ser visto com muito mais cuidado.

Como sabem, o governo limitou o horário da propaganda de cerveja na televisão. E também enrosca com o seu conteúdo — Temporão, por exemplo, invocou com a tal “Zeca-Feira”. Mais: afirmou que a publicidade glamouriza o consumo do produto... No programa Roda Viva eu lhe disse que era favorável à limitação de horário, mas contrário a que o governo se metesse no conteúdo publicitário. Ora, isso seria nada menos do que censura. E o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária é um órgão que funciona, sim, senhores! Só falta agora a gente ter um Romão Chicabom também na Saúde...

É claro que a limitação da publicidade acarretaria uma diminuição de receita para as emissoras de TV. "Fazer o quê?", pensei. "Aconteceu isso quando se proibiu a propaganda de cigarros; que procurem novos nichos, novos produtos, novas fontes de receita". Eu, o liberal tolo diante de um petista... Nova pretensão anunciada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deixa evidente que a limitação da propaganda de cerveja tem mais a ver com a saúde do governo Lula do que com a saúde dos brasileiros. Eu passei a considerá-la parte de uma estratégia para asfixiar as emissoras que dependem do mercado para viver: que não têm estatais ou igrejas de onde tirar a bufunfa. Fui um idiota. Não apóio mais. Penitencio-me.

A Anvisa, órgão subordinado ao Ministério da Saúde, agora quer limitar ao horário das 21h às 6h a propaganda de alimentos considerados poucos saudáveis, "com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio" e de "bebidas com baixo teor nutricional" (refrigerantes, refrescos, chás). Mesmo no horário permitido, a propaganda não poderia conter personagens infantis e desenhos. Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), isso representaria um corte de 40% na publicidade do setor, estimada em R$ 2 bilhões em 2005. Dos R$ 802 milhões que deixariam de ser investidos, aos menos R$ 240 milhões iriam para a TV — a maior fatia, suponho, para a Rede Globo.

Virei caixa dos Irmãos Marinho agora? Não! Virei guardião da minha liberdade. É evidente que se tenta usar a via da saúde para atingir o nirvana da doença totalitária. É evidente que estão sendo criadas dificuldades para as emissoras — e, a rigor, nos termos dados, para todas as empresas que vivem de anúncios — para vender facilidades. O ministro Temporão, que ainda não conseguiu fazer funcionar os hospitais (sei que a tarefa é difícil; daí que ele deva se ocupar do principal), candidata-se a ser o grande chefe da censura no Brasil. Na aparência, ele quer nos impor a ditadura da saúde; na essência, torna-se esbirro de um projeto para enfraquecer as empresas privadas de comunicação que se financiam no mercado — no caso, não o mercado do divino ou o mercado sem-mercado das estatais.

Temporão quer propaganda de camisinha, não de biscoito
Imagine você, leitor, que aquele biscoito recheado (em SP, a gente chama “bolacha”) que sempre nos leva a dúvidas as mais intrigantes (Como as duas de uma vez? Separo para comer primeiro o recheio? Como o recheio junto com um dos lados?) seria elevado à categoria de um perigoso veneno para as nossas crianças — mais um querendo defender as crianças! —, que serão, então, protegidas por Temporão desse perigoso elemento patogênico. Mais: mesmo no horário permitido, a propaganda teria de ser uma coisa séria, né? De bom gosto. Sem apelo infantil. O Ministério da Saúde é uma piada: quando faz propaganda de camisinha, sempre recorre a situações que simulam sexo irresponsável. Mas não quer saber de desenho animado em propaganda de guaraná. A criatividade dos publicitários, coitados, teria de se voltar para comida de cachorro. Imagine o seu filho, ensandecido, querendo comer a sua porção diária de Frolic, estimulado pela imaginação de publicitários desalmados.

Assim como o governo pretendia impor a censura prévia na presunção de que os pais são irresponsáveis, agora quer limitar a propaganda de biscoito e refrigerante porque as nossas crianças estariam se tornando obesas e consumistas.

Estupidez
A proposta não resiste a 30 segundos de lógica. É evidente que biscoito não faz mal. Biscoito não é ecstasy. Em quantidades moderadas, de fato, não havendo incompatibilidade do organismo com os ingredientes, até onde sei, faz bem. Se o moleque ou a menina comerem um pacote por dia, acho que tenderão a engordar. Acredito que há um limite saudável até para o consumo de chuchu... Ora, carro também mata. Aliás, acidentes de automóveis são uma das principais causas de morte no Brasil. A culpa, quase sempre, é da imprudência do motorista ou das péssimas condições das estradas. Nos dois casos, é preciso usar/consumir adequadamente a mercadoria. A Petrobras é uma grande anunciante — e certamente estará no apoio à TV de Franklin Martins. Os produtos que ela vende poluem o ar e aquecem o planeta (sou de outra religião, mas dizem que sim...). A publicidade, então, deverá estar sujeita a severas limitações?

Uma pergunta: água entra ou não na categoria das “bebidas com baixo teor nutricional”? O ridículo desses caras é tamanho a ponto de propor limites à propaganda de água? Ela alimenta mais ou menos do que um copo de coca-cola ou de mate? E de lingüiça, pode? A gordura animal em excesso também faz mal à saúde. Quem garante que o sujeito não vai consumir o produto todos os dias, até que as suas artérias se entupam? Não ande de moto. Há o risco de cair. Numa bicicleta, você pode ser atropelado. E desodorizador de ambiente do moleque que quer fazer “cocô na ca-sa do Pe-dri-nho”? Pode ou não? Não fere a camada de ozônio?

Nazistas
Observem: se isso tudo fosse a sério, fosse mesmo com o propósito de cuidar da saúde dos brasileiros, já seria um troço detestável. Sabiam que os nazistas foram os primeiros, como direi?, ecologistas do mundo? É verdade: não a ecologia como uma preocupação vaga com a natureza, mas como uma política pública mesmo. Hitler gostava mais de paisagem do que de gente, como sabemos. Eles também tinham uma preocupação obsessiva com a saúde, com os corpos olímpicos. O tirano odiava que se fumasse perto dele, privilégio concedido a poucos. Mas o mal em curso não é esse, não.

A preocupação excessiva do governo nessa área, entendo, é também patológica, mas a patologia é outra. Por meio da censura prévia — de que foi obrigado a recuar — e da limitação à publicidade de vários produtos, pretende é atingir gravemente o caixa das empresas de comunicação, que fazem do que conseguem no mercado a fonte de sua independência editorial. Ora, é claro que, sem a publicidade da cerveja, dos alimentos e do que mais vier por aí, elas ficam, especialmente as TVs, mais dependentes da verba estatal e do governo.

O raciocínio é simples: vocês acham que a porcentagem da grana de estatais no faturamento global é maior numa Band ou numa Globo? Numa Carta Capital ou numa VEJA? No Hora do Povo ou no Estadão (a propósito, veja post abaixo)? Os petistas não se conformam que o capitalismo possa financiar a liberdade e a independência editoriais. Quer tornar essas grandes empresas estado-dependentes. Quanto mais se reduz o mercado anunciante — diminuindo, pois, a diversidade de fontes de financiamento —, mais se estreita a liberdade.

Golpe
Trata-se, evidentemente, de um golpe, mais um, contra a imprensa livre. E por que digo que o alvo é a Globo? Porque, afinal, ela concentra boa parte do mercado publicitário de TV — é assim porque é melhor e mais competente, não porque roube as suas “co-irmãs” — e porque, no fim das contas, o que importa mesmo a Lula é aparecer bem no Jornal Nacional. E ele deve considerar que isso é tão mais fácil de acontecer quanto mais ele disponha de instrumentos para tornar difícil a vida da principal emissora do país. Acho que vai quebrar a cara.

E Temporão, tenha sido ou não chamado à questão com esse propósito, tornou-se o braço operativo dessa pressão. Curioso esse ministro tão cheio de querer impor restrições do estado à vida e às opções das pessoas. É aquele mesmo que já deixou claro ser favorável à descriminação do aborto até a 14ª semana porque, parece, até esse limite, o feto não sente dor, já que as terminações nervosas ainda nem começaram a se formar. É um ministro, digamos, laxista em matéria de vida humana, mas muito severo com biscoitos. O que faço? Recomendo a ele que tenha com as crianças que estão no ventre o mesmo cuidado que pretende ter com as que querem comer Doritos?

Eis aí o caminho do nosso bolivarianismo. A terra está amassada pelo discurso hipócrita da saúde. Farei agora uma antítese um tanto dramática, cafona até, mas verdadeira: essa gente finge cuidar do nosso corpo porque quer a nossa alma.

*
PS: Divulguem este texto, espalhem-no na Internet, montem grupos de discussão no Orkut, passem a mensagem adiante, mobilizem-se.

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PROJETO DE IDELI SALVATTI OFICIALIZA O RACIALISMO NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS. ESCREVAM AOS SENADORES

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Quarta-feira, Julho 02, 2008

Alô, senhores senadores! Impeçam a racialização do Brasil e A oficialização do racismo no Brasil. É o que pretende um projeto da inefável Ideli Salvatti (PT-SC). Por que digo isso? Leiam trechos de reportagem do Jornal da Globo. Volto depois:

*
A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça-feira, um projeto que reserva vagas de universidades federais para estudantes de escolas públicas. Terão preferência, de acordo com o projeto, os que se declararem índios e negros. (...). Segundo o projeto, 50% das vagas em universidades federais e instituições públicas de educação profissional e tecnológica serão reservadas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. Além disso, dentro da cota, devem ser incluídas vagas específicas para negros, pardos e índios de forma proporcional à população do estado onde fica a instituição. E pessoas com deficiência, independentemente de virem do ensino público.

Autora da proposta, a senadora Ideli Salvati, defendeu o projeto. “Nós temos um entendimento que a população brasileira, ela tem uma diversidade étnica, uma diversidade de classe, inclusive de renda, que precisa atender a que a escola, o ensino possa ser uma política, inclusive, de mobilidade social”, diz a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do partido.

“Eu defendo reservas de vagas para alunos oriundos das escolas públicas sem esse viés discriminatório, de que uns são inferiores aos outros e dependem da concessão do estado pra alcançar os seus objetivos”, afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O projeto foi aprovado por unanimidade na Comissão de Educação no Senado, e deve seguir agora para a Câmara, a não ser que pelo menos nove senadores apresentem um recurso para que ele seja votado no Plenário do Senado.

Voltei

Estamos diante de um cerco. Na Câmara, o projeto de lei nº 3627, de que foi relator o agora ex-deputado petista Carlos Abicalil, prevê a mesmíssima coisa. Sabem o que é mais melancólico? O texto original de Ideli só incluía as escolas técnicas. Por sugestão do tucano Marconi Perillo (PSDB-GO), incluíram-se no texto as universidades federais. Vale dizer: não bastam os petistas para propor bobagens: há um tucano ajudando.

Ora, dizer o quê? O que eu já disse quando critiquei a proposta do sr. Abicalil. Pois bem. Não havendo critério científico que divida os humanos entre “raças”, o racialismo escolheu a cor da pele como critério: são brancos os, como direi?, de pele branca, e “negros”, os autodeclarados “pardos e pretos”, o que levou o Ipea a afirmar que, até o fim do ano, o Brasil terá uma maioria negra — uma falsificação estúpida da verdade. Por quê? O filho mestiço de pai branco e mãe negra (ou o contrário) será, segundo esse critério, “negro”. Caso o mestiço que nasça dessa relação tenha um filho com um branco, a criança ainda continuará “negra”. Os bravos decidiram combater o que antes se chamava “política do embranquecimento” com a “política do enegrecimento”. E acreditam que isso é muito justo e progressista.

Esse critério delirante fez o IBGE sustentar que as regiões Norte e Nordeste do país têm 75% de negros — 85% em determinadas áreas. Não é preciso ser muito sagaz para perceber, por exemplo, que o amorenamento da população do Norte do país, onde é forte a presença indígena, foi seqüestrado pela política do “enegrecimento”. Os filhos, netos e bisnetos de nossos índios viraram afrodescententes... É ridículo!

Mande sua mensagem
Se você clicar aqui, terá acesso aos e-mails de todos os senadores. É preciso que pelo menos nove senadores peçam para que ele seja votado em plenário. Em qualquer dos casos, ele segue depois para a Câmara. Proteste também. Se você clicar aqui, entra numa página da Casa que permite enviar mensagem A TODOS OS DEPUTADOS — é preciso selecionar algumas opções, mas a operação é muito simples.

As mensagens devem ser individuais e de conteúdo respeitoso. O mais importante é evidenciar aos deputados e senadores o sentido e o alcance do voto que darão. Está nas mãos deles, nesse momento, o poder de introduzir a raça na ordem política e jurídica nacional, algo que repercutirá ao longo de décadas e poderá marcar a vida dos filhos e netos da geração atual de brasileiros. Eles também podem dizer “não” às leis raciais e à oficialização do racismo. É o mínimo que esperamos.

Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais

Do blog do REINALDO AZEVEDO
Quarta-feira, Abril 30, 2008

ÍNTEGRA DA CARTA ENTREGUE AO MINISTRO GILMAR MENDES. DIVULGUE.

Excelentíssimo Sr. Ministro,

Duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 3.330 e ADI 3.197) promovidas pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), a primeira contra o programa PROUNI e a segunda contra a lei de cotas nos concursos vestibulares das universidades estaduais do Rio de Janeiro, serão apreciadas proximamente pelo STF. Os julgamentos terão significado histórico, pois podem criar jurisprudência sobre a constitucionalidade de cotas raciais não só para o financiamento de cursos no ensino superior particular e para concursos de ingresso no ensino superior público como para concursos públicos em geral. Mais ainda: os julgamentos têm o potencial de enviar uma mensagem decisiva sobre a constitucionalidade da produção de leis raciais.
Nós, intelectuais da sociedade civil, sindicalistas, empresários e ativistas dos movimentos negros e outros movimentos sociais, dirigimo-nos respeitosamente aos Juízes da corte mais alta, que recebeu do povo constituinte a prerrogativa de guardiã da Constituição, para oferecer argumentos contrários à admissão de cotas raciais na ordem política e jurídica da República.

Na seara do que Vossas Excelências dominam, apontamos a Constituição Federal, no seu Artigo 19, que estabelece: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. O Artigo 208 dispõe que: “O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. Alinhada com os princípios e garantias da Constituição Federal, a Constituição Estadual do Rio de Janeiro, no seu Artigo 9, § 1º, determina que: “Ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, convicções políticas ou filosóficas, deficiência física ou mental, por ter cumprido pena nem por qualquer particularidade ou condição”.

As palavras da Lei emanam de uma tradição brasileira, que cumpre exatos 120 anos desde a Abolição da escravidão, de não dar amparo a leis e políticas raciais. No intuito de justificar o rompimento dessa tradição, os proponentes das cotas raciais sustentam que o princípio da igualdade de todos perante a lei exige tratar desigualmente os desiguais. Ritualmente, eles citam a Oração aos Moços, na qual Rui Barbosa, inspirado em Aristóteles, explica que: “A regra da igualdade não consiste senão em aquinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade.” O método de tratar desigualmente os desiguais, a que se refere, é aquele aplicado, com justiça, em campos tão distintos quanto o sistema tributário, por meio da tributação progressiva, e as políticas sociais de transferência de renda. Mas a sua invocação para sustentar leis raciais não é mais que um sofisma.

Os concursos vestibulares, pelos quais se dá o ingresso no ensino superior de qualidade “segundo a capacidade de cada um”, não são promotores de desigualdades, mas se realizam no terreno semeado por desigualdades sociais prévias. A pobreza no Brasil tem todas as cores. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006, entre 43 milhões de pessoas de 18 a 30 anos de idade, 12,9 milhões tinham renda familiar per capita de meio salário mínimo ou menos. Neste grupo mais pobre, 30% classificavam-se a si mesmos como “brancos”, 9% como “pretos”, e 60% como “pardos”. Desses 12,9 milhões, apenas 21% dos “brancos” e 16% dos “pretos” e “pardos” haviam completado o ensino médio, mas muito poucos, de qualquer cor, continuaram estudando depois disso. Basicamente, são diferenças de renda, com tudo que vem associado a elas, e não de cor, que limitam o acesso ao ensino superior.

Apresentadas como maneira de reduzir as desigualdades sociais, as cotas raciais não contribuem para isso, ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação. E, contudo, mesmo no universo menor dos jovens que têm a oportunidade de almejar o ensino superior de qualidade, as cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias ou produzem novas desigualdades:
 As cotas raciais exclusivas, como aplicadas, entre outras, na Universidade de Brasília (UnB), proporcionam a um candidato definido como “negro” a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como “branco”, mesmo se o primeiro provém de família de alta renda e cursou colégios particulares de excelência e o segundo provém de família de baixa renda e cursou escolas públicas arruinadas. No fim, o sistema concede um privilégio para candidatos de classe média arbitrariamente classificados como “negros”.
 As cotas raciais embutidas no interior de cotas para candidatos de escolas públicas, como aplicadas, entre outras, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), separam os alunos proveniente de famílias com faixas de renda semelhantes em dois grupos “raciais” polares, gerando uma desigualdade “natural” num meio caracterizado pela igualdade social. O seu resultado previsível é oferecer privilégios para candidatos definidos arbitrariamente como “negros” que cursaram escolas públicas de melhor qualidade, em detrimento de seus colegas definidos como “brancos” e de todos os alunos de escolas públicas de pior qualidade.
A PNAD de 2006 informa que 9,41 milhões de estudantes cursavam o ensino médio, mas apenas 5,87 milhões freqüentavam o ensino superior, dos quais só uma minoria de 1,44 milhão estavam matriculados em instituições superiores públicas. As leis de cotas raciais não alteram em nada esse quadro e não proporcionam inclusão social. Elas apenas selecionam “vencedores” e “perdedores”, com base num critério altamente subjetivo e intrinsecamente injusto, abrindo cicatrizes profundas na personalidade dos jovens, naquele momento de extrema fragilidade que significa a disputa, ainda imaturos, por uma vaga que lhes garanta o futuro.

Queremos um Brasil onde seus cidadãos possam celebrar suas múltiplas origens, que se plasmam na criação de uma cultura nacional aberta e tolerante, no lugar de sermos obrigados a escolher e valorizar uma única ancestralidade em detrimento das outras. O que nos mobiliza não é o combate à doutrina de ações afirmativas, quando entendidas como esforço para cumprir as Declarações Preambulares da Constituição, contribuindo na redução das desigualdades sociais, mas a manipulação dessa doutrina com o propósito de racializar a vida social no país. As leis que oferecem oportunidades de emprego a deficientes físicos e que concedem cotas a mulheres nos partidos políticos são invocadas como precedentes para sustentar a admissibilidade jurídica de leis raciais. Esse segundo sofisma é ainda mais grave, pois conduz à naturalização das raças. Afinal, todos sabemos quem são as mulheres e os deficientes físicos, mas a definição e delimitação de grupos raciais pelo Estado é um empreendimento político que tem como ponto de partida a negação daquilo que nos explicam os cientistas.

Raças humanas não existem. A genética comprovou que as diferenças icônicas das chamadas “raças” humanas são características físicas superficiais, que dependem de parcela ínfima dos 25 mil genes estimados do genoma humano. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de 10 genes! Nas palavras do geneticista Sérgio Pena: “O fato assim cientificamente comprovado da inexistência das ‘raças’ deve ser absorvido pela sociedade e incorporado às suas convicções e atitudes morais Uma postura coerente e desejável seria a construção de uma sociedade desracializada, na qual a singularidade do indivíduo seja valorizada e celebrada. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é em bilhões de indivíduos, e não em um punhado de ‘raças’.” (“Receita para uma humanidade desracializada”, Ciência Hoje Online, setembro de 2006).

Não foi a existência de raças que gerou o racismo, mas o racismo que fabricou a crença em raças. O “racismo científico” do século XIX acompanhou a expansão imperial européia na África e na Ásia, erguendo um pilar “científico” de sustentação da ideologia da “missão civilizatória” dos europeus, que foi expressa celebremente como o “fardo do homem branco”.

Os poderes coloniais, para separar na lei os colonizadores dos nativos, distinguiram também os nativos entre si e inscreveram essas distinções nos censos. A distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais inculcou a raça nas consciências e na vida política, semeando tensões e gestando conflitos que ainda perduram. Na África do Sul, o sistema do apartheid separou os brancos dos demais e foi adiante, na sua lógica implacável, fragmentando todos os “não-brancos” em grupos étnicos cuidadosamente delimitados. Em Ruanda, no Quênia e em tantos outros lugares, os africanos foram submetidos a meticulosas classificações étnicas, que determinaram acessos diferenciados aos serviços e empregos públicos. A produção política da raça é um ato político que não demanda diferenças de cor da pele.
O racismo contamina profundamente as sociedades quando a lei sinaliza às pessoas que elas pertencem a determinado grupo racial – e que seus direitos são afetados por esse critério de pertinência de raça. Nos Estados Unidos, modelo por excelência das políticas de cotas raciais, a abolição da escravidão foi seguida pela produção de leis raciais baseadas na regra da “gota de sangue única”. Essa regra, que é a negação da mestiçagem biológica e cultural, propiciou a divisão da sociedade em guetos legais, sociais, culturais e espaciais. De acordo com ela, as pessoas são, irrevogavelmente, “brancas” ou “negras”. Eis aí a inspiração das leis de cotas raciais no Brasil.

“Eu tenho o sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação na qual não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo conteúdo de seu caráter”. Há 45 anos, em agosto, Martin Luther King abriu um horizonte alternativo para os norte-americanos, ancorando-o no “sonho americano” e no princípio político da igualdade de todos perante a lei, sobre o qual foi fundada a nação. Mas o desenvolvimento dessa visão pós-racial foi interrompido pelas políticas racialistas que, a pretexto de reparar injustiças, beberam na fonte envenenada da regra da “gota de sangue única”. De lá para cá, como documenta extensamente Thomas Sowell em Ação afirmativa ao redor do mundo: um estudo empírico (Univer Cidade, 2005), as cotas raciais nos Estados Unidos não contribuíram em nada para reduzir desigualdades mas aprofundaram o cisma racial que marca como ferro em brasa a sociedade norte-americana.

“É um impasse racial no qual estamos presos há muitos anos”, na constatação do senador Barack Obama, em seu discurso pronunciado a 18 de março, que retoma o fio perdido depois do assassinato de Martin Luther King. O “impasse” não será superado tão cedo, em virtude da lógica intrínseca das leis raciais. Como assinalou Sowell, com base em exemplos de inúmeros países, a distribuição de privilégios segundo critérios etno-raciais tende a retroalimentar as percepções racializadas da sociedade – e em torno dessas percepções articulam-se carreiras políticas e grupos organizados de pressão.

Mesmo assim, algo se move nos Estados Unidos. Há pouco, repercutindo um desencanto social bastante generalizado com o racialismo, a Suprema Corte declarou inconstitucionais as políticas educacionais baseadas na aplicação de rótulos raciais às pessoas. No seu argumento, o presidente da Corte, juiz John G. Roberts Jr., escreveu que “o caminho para acabar com a discriminação baseada na raça é acabar com a discriminação baseada na raça”. Há um sentido claro na reiteração: a inversão do sinal da discriminação consagra a raça no domínio da lei, destruindo o princípio da cidadania.

Naquele julgamento, o juiz Anthony Kennedy alinhou-se com a maioria, mas proferiu um voto separado que contém o seguinte protesto: “Quem exatamente é branco e quem é não-branco? Ser forçado a viver sob um rótulo racial oficial é inconsistente com a dignidade dos indivíduos na nossa sociedade. E é um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar!”. Nos censos do IBGE, as informações de raça/cor abrigam a mestiçagem e recebem tratamento populacional. As leis raciais no Brasil são algo muito diferente: elas têm o propósito de colar “um rótulo que um indivíduo é impotente para mudar” e, no caso das cotas em concursos vestibulares, associam nominalmente cada jovem candidato a uma das duas categorias “raciais” polares, impondo-lhes uma irrecorrível identidade oficial.

O juiz Kennedy foi adiante e, reconhecendo a diferença entre a doutrina de ações afirmativas e as políticas de cotas raciais, sustentou a legalidade de iniciativas voltadas para a promoção ativa da igualdade que não distinguem os indivíduos segundo rótulos raciais. Reportando-se à realidade norte-americana da persistência dos guetos, ele mencionou, entre outras, a seleção de áreas residenciais racialmente segregadas para os investimentos prioritários em educação pública.

No Brasil, difunde-se a promessa sedutora de redução gratuita das desigualdades por meio de cotas raciais para ingresso nas universidades. Nada pode ser mais falso: as cotas raciais proporcionam privilégios a uma ínfima minoria de estudantes de classe média e conservam intacta, atrás de seu manto falsamente inclusivo, uma estrutura de ensino público arruinada. Há um programa inteiro de restauração da educação pública a se realizar, que exige políticas adequadas e vultosos investimentos. É preciso elevar o padrão geral do ensino mas, sobretudo, romper o abismo entre as escolas de qualidade, quase sempre situadas em bairros de classe média, e as escolas devastadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural. O direcionamento prioritário de novos recursos para esses espaços de pobreza beneficiaria jovens de baixa renda de todos os tons de pele – e, certamente, uma grande parcela daqueles que se declaram “pardos” e “pretos”.

A meta nacional deveria ser proporcionar a todos um ensino básico de qualidade e oportunidades verdadeiras de acesso à universidade. Mas há iniciativas a serem adotadas, imediatamente, em favor de jovens de baixa renda de todas as cores que chegam aos umbrais do ensino superior, como a oferta de cursos preparatórios gratuitos e a eliminação das taxas de inscrição nos exames vestibulares das universidades públicas. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Programa de Cursinhos Pré-Vestibulares Gratuitos, destinado a alunos egressos de escolas públicas, atendeu em 2007 a 3.714 jovens, dos quais 1.050 foram aprovados em concursos vestibulares, sendo 707 em universidades públicas. Medidas como essa, que não distinguem os indivíduos segundo critérios raciais abomináveis, têm endereço social certo e contribuem efetivamente para a amenização das desigualdades.

A sociedade brasileira não está livre da chaga do racismo, algo que é evidente no cotidiano das pessoas com tom de pele menos claro, em especial entre os jovens de baixa renda. A cor conta, ilegal e desgraçadamente, em incontáveis processos de admissão de funcionários. A discriminação se manifesta de múltiplas formas, como por exemplo na hora das incursões policiais em bairros periféricos ou nos padrões de aplicação de ilegais mandados de busca coletivos em áreas de favelas.
Por certo existe preconceito racial e racismo no Brasil, mas o Brasil não é uma nação racista. Depois da Abolição, no lugar da regra da “gota de sangue única”, a nação brasileira elaborou uma identidade amparada na idéia anti-racista de mestiçagem e produziu leis que criminalizam o racismo. Há sete décadas, a República não conhece movimentos racistas organizados ou expressões significativa de ódio racial. O preconceito de raça, acuado, refugiou-se em expressões oblíquas envergonhadas, temendo assomar à superfície. A condição subterrânea do preconceito é um atestado de que há algo de muito positivo na identidade nacional brasileira, não uma prova de nosso fracasso histórico.

“Quem exatamente é branco e quem é não-branco?” – a indagação do juiz Kennedy provoca algum espanto nos Estados Unidos, onde quase todos imaginam conhecer a identidade “racial” de cada um, mas parece óbvia aos ouvidos dos brasileiros. Entre nós, casamentos interraciais não são incomuns e a segregação residencial é um fenômeno basicamente ligado à renda, não à cor da pele. Os brasileiros tendem a borrar as fronteiras “raciais”, tanto na prática da mestiçagem quanto no imaginário da identidade, o que se verifica pelo substancial e progressivo incremento censitário dos “pardos”, que saltaram de 21% no Censo de 1940 para 43% na PNAD de 2006, e pela paralela redução dos “brancos” (de 63% para 49%) ou “pretos” (de 15% para 7%).

A percepção da mestiçagem, que impregna profundamente os brasileiros, de certa forma reflete realidades comprovadas pelos estudos genéticos. Uma investigação já célebre sobre a ancestralidade de brasileiros classificados censitariamente como “brancos”, conduzida por Sérgio Pena e sua equipe da Universidade Federal de Minas Gerais, comprovou cientificamente a extensão de nossas miscigenações. “Em resumo, estes estudos filogeográficos com brasileiros brancos revelaram que a imensa maioria das patrilinhagens é européia, enquanto a maioria das matrilinhagens (mais de 60%) é ameríndia ou africana” (PENA, S. “Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas?”, Estudos Avançados 18 (50), 2004). Especificamente, a análise do DNA mitocondrial, que serve como marcador de ancestralidades maternas, mostrou que 33% das linhagens eram de origem ameríndia, 28% de origem africana e 39% de origem européia.

Os estudos de marcadores de DNA permitem concluir que, em 2000, existiam cerca de 28 milhões de afrodescendentes entre os 90,6 milhões de brasileiros que se declaravam “brancos” e que, entre os 76,4 milhões que se declaravam “pardos” ou “pretos”, 20% não tinham ancestralidade africana. Não é preciso ir adiante para perceber que não é legítimo associar cores de pele a ancestralidades e que as operações de identificação de “negros” com descendentes de escravos e com “afrodescentes” são meros exercícios da imaginação ideológica. Do mesmo modo, a investigação genética evidencia a violência intelectual praticada pela unificação dos grupos censitários “pretos” e “pardos” num suposto grupo racial “negro”.
Mas a violência não se circunscreve à esfera intelectual. As leis de cotas raciais são veículos de uma engenharia política de fabricação ou recriação de raças. Se, individualmente, elas produzem injustiças singulares, socialmente têm o poder de gerar “raças oficiais”, por meio da divisão dos jovens estudantes em duas raças polares. Como, no Brasil, não sabemos quem exatamente é “negro” e quem é “não-negro”, comissões de certificação racial estabelecidas pelas universidades se encarregam de traçar uma fronteira. A linha divisória só se consolida pela validação oficial da autodeclaração dos candidatos, num processo sinistro em que comissões universitárias investigam e deliberam sobre a “raça verdadeira” dos jovens a partir de exames de imagens fotográficas ou de entrevistas identitárias. No fim das contas, isso equivale ao cancelamento do princípio da autodeclaração e sua substituição pela atribuição oficial de identidades raciais.

Na UnB, uma comissão de certificação racial composta por professores e militantes do movimento negro chegou a separar dois irmãos gêmeos idênticos pela fronteira da raça. No Maranhão, produziram-se fenômenos semelhantes. Pelo Brasil afora, os mesmos candidatos foram certificados como “negros” em alguma universidade mas descartados como “brancos” em outra. A proliferação das leis de cotas raciais demanda a produção de uma classificação racial geral e uniforme. Esta é a lógica que conduziu o MEC a implantar declarações raciais nominais e obrigatórias no ato de matrícula de todos os alunos do ensino fundamental do país. O horizonte da trajetória de racialização promovida pelo Estado é o estabelecimento de um carimbo racial compulsório nos documentos de identidade de todos os brasileiros. A história está repleta de barbaridades inomináveis cometidas sobre a base de carimbos raciais oficialmente impostos.

A propaganda cerrada em favor das cotas raciais assegura-nos que os estudantes universitários cotistas exibem desempenho similar ao dos demais. Os dados concernentes ao tema são esparsos, contraditórios e pouco confiáveis. Mas isso é essencialmente irrelevante, pois a crítica informada dos sistemas de cotas nunca afirmou que estudantes cotistas seriam incapazes de acompanhar os cursos superiores ou que sua presença provocaria queda na qualidade das universidades. As cotas raciais não são um distúrbio no ensino superior, mas a face mais visível de uma racialização oficial das relações sociais que ameaça a coesão nacional.

A crença na raça é o artigo de fé do racismo. A fabricação de “raças oficiais” e a distribuição seletiva de privilégios segundo rótulos de raça inocula na circulação sanguínea da sociedade o veneno do racismo, com seu cortejo de rancores e ódios. No Brasil, representaria uma revisão radical de nossa identidade nacional e a renúncia à utopia possível da universalização da cidadania efetiva.

Ao julgar as cotas raciais, o STF não estará deliberando sobre um método de ingresso nas universidades, mas sobre o significado da nação e a natureza da Constituição. Leis raciais não ameaçam uma “elite branca”, conforme esbravejam os racialistas, mas passam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros. Essa linha divisória atravessaria as salas de aula das escolas públicas, os ônibus que conduzem as pessoas ao trabalho, as ruas e as casas dos bairros pobres. Neste início de terceiro milênio, um Estado racializado estaria dizendo aos cidadãos que a utopia da igualdade fracassou – e que, no seu lugar, o máximo que podemos almejar é uma trégua sempre provisória entre nações separadas pelo precipício intransponível das identidades raciais. É esse mesmo o futuro que queremos?

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As raízes marxistas da paranóia do aquecimento global

Do portal MÍDIA SEM MÁSCARA
por Wes Vernon em 03 de julho de 2008


Resumo: Simplesmente delete a palavra “soviéticos” e substitua-a por “ambientalistas marxistas”, e você terá uma idéia bastante clara sobre o que hoje nos ameaça.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Natalie Grant Wraga, hoje falecida, escreveu: “A proteção do meio ambiente tornou-se a principal ferramenta de ataque contra o Ocidente e tudo o que ele representa. Pode ser utilizada como pretexto para adotar uma série de medidas destinadas a solapar a base industrial das nações desenvolvidas. Pode também servir para introduzir o mal-estar por meio da redução dos padrões de vida e, conseqüentemente, da implantação de valores comunistas”.

Quem foi Natalie?

Natalie Grant Wraga (falecida em 2002 aos 101 anos de idade) foi uma expert internacionalmente reconhecida no serviço de desinformação. Em seu obituário no Washington Post, Herbert Romerstein - veterano da inteligência e expert nos ramos legislativo e executivo de governo - descreveu Grant/Wraga como “uma das nossas principais autoridades” sobre a farsa soviética.

Em um artigo de 1998 publicado no Investors Business Daily (IBD), o repórter John Berlau escreveu que alguns dos mais respeitados estudiosos sobre a Inteligência Soviética, creditavam a esta mulher o ensino de como penetrar os meandros da desinformatzia, termo utilizado por Moscou nas suas constantes operações para enganar governos estrangeiros induzindo-os permanentemente a erros de avaliação estratégicos.

John Dziak, que fora funcionário sênior da inteligência na Defense Intelligence Agency (DIA), é citado pelo IBD como tendo dito que se não fosse “por alguém como Natalie, teríamos tido mais fracassos e os soviéticos teriam tido mais sucessos”.

O que nos leva aonde?

Em muitos de seus textos, ela abandonou o seu sobrenome e assinou com a alcunha Natalie Grant. Isto nos retoma à edição de The Register da primavera de 1998. Lá, Grant identifica a Cruz Verde Internacional (GCI em inglês) como uma Organização Não-Governamental (ONG) fundada por Mikhail Gorbachov, o último ditador comunista da União Soviética. O objetivo da GCI era a aplicação global de uma rígida agenda ambiental.

Ao mesmo tempo em que avançava a GCI, ocorria o nascimento de outra ONG chamada Earth Council (Conselho da Terra), presidida por Maurice Strong, um dos principais ecoativistas e agitadores nas Nações Unidas. De acordo com a Wikipedia, Strong - um canadense - descreve-se a si mesmo como “um socialista na ideologia e um capitalista na metodologia”. A biografia também cita que “alguns consideram Strong um temível faminto por poder”. E mais: “Ele compartilha a visão do mais radical ambientalista que protesta nas ruas, mas ao invés de gritar até ficar rouco na barreira policial duma conferência global, ele é o secretário-geral nos bastidores, mexendo os pauzinhos”.

Enquanto isso, uma dezena de pessoas participava na reunião preparatória da GCI de Gorbachov, incluindo o então Deputado norte-americano James Scheuer (Democratas, Nova York). O congressista tinha publicamente declarado de que, independentemente da alegação de que o “aquecimento global” provocado pelo homem ser real ou exagerada, os EUA deveriam seguir em frente e tomar as atitudes necessárias para enfrentá-lo, pois tais atitudes supostamente beneficiariam o planeta. Como foi explicado na coluna da semana passada, a legislação cap-and-trade (limitar-e-negociar) - taxar e roubar - tinha como objetivo levar a agenda ambiental radical a um custo tão exorbitante para os consumidores e contribuintes americanos que caísse como uma bomba no Senado, levando-os a temer que o povão se revoltasse e desse uma resposta indesejada nas urnas. Ela voltará em 2009. Ligar estes pontos é relevante. Mas isto eu deixo de lado momentaneamente.

Os principais eventos preparatórios

Outros eventos da GCI se seguiriam, incluindo o que Grant chamava de “O Grande Evento - a Conferência de Moscou”, em Janeiro de 1990. O então senador Al Gore estava entre os palestrantes. Apenas dois anos antes, ele coordenara audiências públicas no Capitólio para apresentar a teoria do “aquecimento global”.

Enquanto ocorria a Conferência de Moscou, a União Soviética estava respirando seu último fôlego - em baixa, porém ainda não fora de cena, poder-se-ia dizer. Gorbachov, ainda o líder soviético, anunciou a exigência de seu governo para que as nações pressionassem pelo fim dos testes nucleares, por um sistema de monitoramento ambiental internacional, um pacto para proteger “zonas ambientais exclusivas” (uma mentalidade que desde que foi proposta levou a uma briga internacional a respeito dos esforços da ONU para proibir snowmobiles [tipo de moto para neve] no Yellowstone Park, em pleno solo americano), apoio aos programas ambientais das Nações Unidas e a uma conferência para dar seguimento aos trabalhos a ser realizada no Brasil, em junho de 1992.

Grant escreve que, enquanto Gorbachov expressava as “visões” e “sugestões” do Partido Comunista Soviético, tais sugestões caíram em solo fértil. “Logo, logo, as atividades do movimento começaram a refletir as ‘recomendações’ comunistas”.

Atualização: 2008

Por que todo este pano de fundo?


Em 28 de maio, em Washington, o palestrante do jantar anual do Competitive Enterprise Institute (CEI) foi Václav Klaus, Presidente da República Tcheca (C.T. - leiam sobre este homem maravilhoso e o Novo Comunismo aqui).

O livro de Klaus, “Blue Planet in Green Schackles”, acabara de ser lançado. Como o chefe de Estado tcheco disse no jantar, o propósito do seu livro era frisar sua forte crença de que grande parte do ambientalismo organizado é “uma ideologia que eu considero a mais perigosa ameaça à liberdade e à prosperidade da era atual”.

Schumpeter tinha razão?

Klaus acredita que os Estados Unidos - apesar de todos os seus problemas - é “o país mais livre no mundo e fonte de inspiração para todos nós. Eu enfatizo isto principalmente por causa da minha crescente decepção com o desenrolar das coisas no outro lado do Atlântico, de onde acabei de vir”.

O Presidente Klaus referiu-se então ao filósofo Joseph Alois Schumpeter, cujo conhecimento da tirania proveio de fatos ocorridos na sua própria vida, tais como a fuga da Alemanha nazista. Klaus disse que “A teoria evolucionária de [Schumpeter] do fim do capitalismo [teria sido] baseada em seu próprio sucesso”.

Eis como funciona a teoria: as inovações tornar-se-iam uma questão de rotina, o progresso seria mecanizado, os problemas seriam “simplesmente resolvidos” pela razão e pela ciência, o empreendedorismo seria substituído pelo mero cálculo, a motivação individual declinaria, a mentalidade coletivista prevaleceria e as cada vez maiores equipes de trabalho das grandes corporações tornariam obsoleto o principal ator (ou talvez mobilizador) do capitalismo – o empreendedor. Este, com o tempo, viria a desaparecer (C.T. - isto acontece no Brasil a algumas décadas, esta opressão imensa contra a livre iniciativa com leis, impostos e travas ao empreendedorismo chegando até à quase criminalização da prática. Tudo isto começa nas escolas quando colocam o empreendedor como um malfeitor. Parece sem sentido para quem não conhece as estratégias esquerdopatas mas as coisas estão mudando e as pessoas com alguma inteligência estão perecebendo a estratégia por trás dos atos).

Nos anos pós-Watergate e pós-Vietnã, no final dos anos 70, havia sinais incipientes de que a teoria de Schumpeter poderia se tornar realidade no futuro. O otimismo e a economia vigorosa dos anos oitenta colocaram a América (e grande parte do mundo) de volta aos eixos.

Klaus acredita que a teoria de Schumpeter “parece ser pessimista demais”. O mundo simplesmente não seguiu aquele roteiro. “Como alguém que participou ativamente no desmantelamento do comunismo e na construção de uma sociedade livre”, diz ele, “o colapso [do Império Soviético] e a aceitação explícita do capitalismo em quase todo o mundo [é algo que], com o devido respeito, é claramente incompatível com a hipótese schumpeteriana”.

Então, qual é o problema?

Como Klaus relatou à sua platéia na CEI, há outros fatores “pelos quais o capitalismo poderia ter sido destruído, [como no] crescente descrédito na criatividade humana e nas vantagens do mercado”.

No passado, disse o chefe do Executivo tcheco, os argumentos dos socialistas eram atrelados a slogans sobre “o empobrecimento das massas” (trabalhadores do mundo, unidos, etc.). Agora, em lugar disso, há “um slogan muito mais perigoso: o empobrecimento [ou até a destruição] do Planeta”.

Antigamente, era fácil provar se as pessoas (isto é, trabalhadores) estavam em melhor situação. “Agora levará séculos para se chegar a uma prova convincente de que o Planeta está sendo destruído ou de que não se acha à beira da sua destruição”.

Em outras palavras, “o galope deste potro é, portanto, muito mais fácil. Os políticos ambiciosos que tentam planejar o mundo e a vida dos seus cidadãos vêem sonhando há décadas como encontrar uma doutrina tão maravilhosa e imune à realidade. Anos ou décadas de clima gelado não vão desmenti-lo – para meu grande pesar. É quase uma religião. Minha certeza de que esta ideologia se tornará o meio mais efetivo para a destruição do livre mercado foi o maior motivo para escrever o livro”.

E somente para melhor precisar o problema, Klaus acrescenta: “Schumpeter felizmente estava errado em suas previsões. E, além disso, ele morreu há quase sessenta anos. Al Gore, contudo, está bem vivo”.

A nova arma de propaganda marxista

Ou – novamente – como a falecida Natalie Grant diz, “a proteção do meio ambiente pode ser utilizada como um pretexto para adotar uma série de medidas forjadas para minar a base industrial das nações desenvolvidas. Também pode servir para causar mal-estar reduzindo seus padrões de vida e implantando valores comunistas”.

O obituário de Natalie Grant Wraga trazia a seguinte frase como se fosse dela: “Devemos dar aos Soviéticos o seu real valor. Nenhum outro país é capaz de manipular a opinião pública do Ocidente como eles”.

Simplesmente delete a palavra “soviéticos” e substitua-a por “ambientalistas marxistas”, e você terá uma idéia bastante clara sobre o que hoje nos ameaça.

Wes Vernon é veterano escritor e radialista em Washington, D.C.

© Copyright 2008 Wes Vernon - http://www.renewamerica.us/columns/vernon/080616

Tradução: Marcel van Hatem

ILUDINDO O PÚBLICO - NÃO EXISTE AQUECIMENTO GLOBAL ANTROPOMÓRFICO

Do portal FAROL DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
José Carlos de Almeida Azevedo

Doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA). Foi reitor da UnB (Universidade de Brasília).

N. WIENER graduou-se em matemática aos 14 anos e doutorou-se em lógica aos 18 na Universidade Harvard. Conhecido como pai da cibernética, contribuiu para outros ramos da ciência e afirmou que as "tentativas de modelar o clima espremendo equações da física em computadores, como se a meteorologia fosse uma ciência exata como a astronomia, estão condenadas ao fracasso", que a "auto-ampliação de pequenos detalhes frustraria qualquer tentativa de prever o clima" e que "os líderes dessa atividade estavam iludindo o público ao pretender que a atmosfera é previsível".

Opinião semelhante foi a de J. von Neumann, matemático que contribuiu para a mecânica quântica, as teorias dos jogos e dos computadores, o projeto da bomba de hidrogênio e a previsão do tempo.

Há quase 20 anos, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), órgão da ONU, patrocina a novela do aquecimento global e faz "previsões" sem amparo científico.

Dois grupos distintos cuidam do clima: o dos cientistas, que conhecem a complexidade do problema e procuram decifrá-la, e os "modeladores", que usam teorias do século 19 e "prevêem" o clima até o final dos séculos.

Este segundo grupo usa computadores colossais, faz projeções e estimativas, fala de indícios e vestígios, já consumiu US$ 50 bilhões e nada contribuiu para elucidar o problema. Quer frear o desenvolvimento mundial e levar países à miséria ao propor a redução drástica do uso de combustíveis fósseis porque, diz ele sem provas, o dióxido de carbono (CO2) gerado pelo homem é o responsável pelo aquecimento. Reduzindo a emissão, acrescenta, o aquecimento no fim deste século será de uns dois graus e a natureza estará salva.

Mais eficazes são as propostas do Voluntary Human Extinction Movement e da Gaia Liberation Front, que querem extinguir a humanidade para salvar a natureza.

Não há prova que o CO2 é responsável pelo "efeito estufa", mas é certo que o Sol e a água (nuvens, vapor d'água, cristais de gelo) condicionam a temperatura e o clima na Terra. O IPCC e seus 2.500 "cientistas", porém, culpam o CO2.

Ocorre que o IPCC não estuda nada: faz resenha de trabalhos publicados, adultera-os quando lhe convém e alardeou a importância de dois deles, o de Michael Mann e o relativo às camadas de gelo extraído na Antártida, em Vostok.

O trabalho de Mann analisou a temperatura na Terra entre os anos 1000 e 1980 e disse que as emissões de CO2 a partir do início da era industrial causaram o maior aumento de temperatura daquele milênio. Pois esse trabalho é uma manipulação de dados e nem falam mais dele. Quanto às camadas de gelo, é certo que o aumento da temperatura antecede o da emissão do CO2, e não o oposto.

A banda de música do IPCC é o filme do Al Gore, cuja exibição foi proibida na Inglaterra por decisão judicial, exceto se mencionar as inverdades que contém: aumento do nível dos mares, morte de corais e ursos polares, Tuvalu, Vostok, malária etc.

Restou ao IPCC citar os 2.500 "cientistas" e o seu "consenso" sobre CO2 "antropogênico". Consenso não é referencial científico e, se for questão de números, há muitas listas de consensos de cientistas qualificados, identificados e contrários ao IPCC: a de Frederick Seitz, antigo presidente da Academia Nacional de Ciências e do Instituto Americano de Física dos EUA e atual presidente da Universidade Rockefeller e do Instituto George Marshall, por exemplo, tem mais de 32 mil assinaturas. O último relatório do IPCC tem 51.

A compreensão da natureza do clima começou em 1610 com Galileu, descobridor das manchas do Sol. Em 1752, Franklin mostrou que as nuvens têm cargas elétricas. Em 1998, o Instituto de Pesquisas Espaciais da Dinamarca provou a influência da radiação cósmica no clima. Em 2006, o Cern, o maior centro de pesquisas nucleares, cujo acelerador de partículas tem 27 km, criou um consórcio com dezenas de universidades e cientistas para ampliar as descobertas na Dinamarca que provam que o campo magnético do Sol controla a radiação cósmica incidente e, portanto, o clima; e que a passagem do Sol pela Via Láctea explica as glaciações e interglaciações. Os "modeladores" iludem a população e não dizem que o pólo Norte de Marte está derretendo.

Os investimentos em computadores profetas devem ser destinados às pesquisas em biologia. As plantas retiram da atmosfera, por ano, bilhões de toneladas de carbono, e um bom laboratório -a Embrapa, por exemplo-, com um mínimo daqueles US$ 50 bilhões, pode desenvolver plantas que absorvem mais carbono. Elas farão o ar mais limpo e produzirão mais alimentos.

Publicado em TENDÊNCIAS/DEBATES FSP – 1° - 07 - 08

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".