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terça-feira, 22 de maio de 2012

A nova filosofia: marketing, simplificações e truques

 

LUCIANO AYAN

Há uma distinção que faço entre filosofia e nova filosofia, e o contexto que utilizo é bem diferente daquele utilizado por John Donne, poeta inglês do século XVII:

E a nova filosofia coloca tudo em duvida,
O elemento fogo e deixado de lado,
O sol esta perdido , e tambem a Terra
E nenhuma sabedoria humana e capaz de guiar essa brisa,
E livremente os homens confessam que este mundo se esgotou,
Quando procuram nos planetas e no firmamento tanta novidade
veem que tudo esta de novo pulverizado em atomos,
Tudo em pedaços, toda coerencia se perdeu.

O que chamarei de nova filosofia aqui é algo totalmente diferente daquilo a que Donne se refere.

Para mim, a nova filosofia é um conjunto de sistemas filosóficos que surgiram a partir da renascença, momento no qual a tradição filosófica de busca da verdade é substituída por “filosofias self-service”, que em muitos casos não passam de simplificações, sistemas pré-fabricados com objetivos excusos (como os sistemas de pensamento da esquerda) e até mesmo trucagens, pura e simplesmente.

A partir de um dado momento histórico, muitos pensadores decidiram não mais escrever  pensando no “saber”, mas em obter resultados. Podemos até suspeitar que eram escritos feitos por encomenda por pessoas com objetivos politicos. Ou mesmo alguns desses próprios escritores poderiam ter tais tipos de objetivos, por pertencerem, em muitos casos, à aristocracia.

Eu não quero dizer que TODA a filosofia produzida antes da Renascença era isenta desses males. O epicurismo (surgido antes de Cristo), por exemplo, era simplesmente um sistema filosófico que buscava valorizar o hedonismo a partir de uma série de afirmações absurdas.

Eu também não quero dizer que TODA a filosofia antiga que não tenha caído na mesma vala em que o epicurismo seja VERDADEIRA em seus postulados. Na verdade, sempre existiram afirmações absurdas, e em alguns casos elas foram refutadas posteriormente.

Mas a DIFERENÇA entre a filosofia tradicional e a nova filosofia é que no primeiro caso havia a BUSCA da verdade, na maioria dos casos, e no segundo caso temos recursos convenientes, junto com trucagens, a serem utilizados para obter benefício político. Nada mais que isso.

Em mais uma objeção a ser tratada, também não digo que TODA filosofia feita a partir da Renascença cai na mesma vala. O método popperiano, que deu sustentação ao método científico, não pode ser chamado de truque feito por um picareta, de jeito algum, mesmo que posteriormente algumas afirmações popperianas esquerdistas não passem de nova filosofia.

O que deve ficar bem claro é que a nova filosofia abarca um estilo moderno de se fazer “filosofia”, mas isso não significa que todo material produzido a partir da Renascença caia neste perfil.

É mais ou menos como a música eletrônica. Há um período em que a música eletrônica surgiu, mas isso não significa que toda música a partir daí seja eletrônica, mesmo que o componente eletrônico seja uma constante em GRANDE PARTE da música produzida a partir desse momento.

Vamos dar nomes aos bois. O que pode ser chamado de “nova filosofia”? Sistemas de pensamento como racionalismo, marxismo, positivismo, humanismo, gramscismo, assim como a maioria do material de Kant, Voltaire, Rousseau, Adorno, Foucault, Derrida, Horkheimer, etc.

Há uma teoria para explicar como isso ocorreu.

Por mais que existissem sistemas de pensamento focados na busca da verdade, eles não faziam muito para modificar o status quo, principalmente em um momento em que muitas pessoas se sentiam subjugadas por uma monarquia que cobrava impostos altíssimos e ainda assim cometia barbáries contra o seu povo. Para piorar, essa monarquia era apoiada pela Igreja Católica.

Um exemplo de nova filosofia, iluminismo, foi  útil para derrubar a monarquia, através de uma série de recursos psicológicos, como a rotina Dono da Razão. Basicamente, os autores usavam o truque do racionalismo, baseado em fingir, por repetição, que se está “do lado da razão”, enquanto o oponente não está.

Os adversários, ao invés de mapearem e denunciarem o truque, caíram nele, e respondiam com coisas como: “A razão não pode resolver tudo”.  O truque do racionalismo era, portanto, um truque de marketing, que sempre funcionou a favor daqueles que o utilizavam.

Com isso, conseguiram obter o efeito psicológico que esse truque podia prover (colocar o oponente na espiral do silêncio), e derrubaram a monarquia.

Tecnicamente, o resultado inicial foi bom, pois eu não gostaria que a monarquia continuasse. O problema é que os truques continuaram a ser usados pelos esquerdistas, para, depois da queda da monarquia, implantar novas formas de poder, como a “ditadura do proletariado” ou “estado de bem estar social”.

A lógica é simples: para um mágico, a partir do momento em que um truque funciona, ele continuará a utilizá-lo até que o truque não mais funcione.

Como muitos pensaram que a nova filosofia era algo a ser levado a sério academicamente, os truques embutidos nesses sistemas de pensamento raramente eram investigados como tais: truques, ressignificações, alegações absurdas, simplificações pífias e daí por diante.

Qual a proposta para lidar com isso? Simples: aplicar o ceticismo de forma enérgica, especialmente o ceticismo político.

Eu sugiro não mais tratar QUALQUER adepto da nova filosofia como alguém com quem se debate dialeticamente, mas sim alguém a ter seus argumentos investigados, da mesma forma que investigamos um alegador da leitura na borra do café.

Note que um paranormal tem uma série de alegações que, se aceitas, resultariam em impactos em como visualizarmos a natureza. Há uma diferença no que chamamos de real se aceitarmos que é possível prever o futuro na leitura da borra de café. Logo, questionamos essa alegação. E da mesma forma temos que questionar todas as alegações surgidas da nova filosofia.

O que proponho é que não precisamos do rigor formal com que tratamos a filosofia do passado, pois antes o objetivo era buscar a verdade, através de construções muitas vezes complexas. Após a Renascença, o que importa para a nova filosofia é implantar truques e exercer manipulações psicológicas. Por isso, poupamos tempo convertendo tudo em alegação, que e, como tais, devem ser testadas.

Ué, muitos deles não defendem o “racionalismo”? Então que tenham suas alegações submetidas à empiria e à razão.

Se hegelianos afirmam que a “tese, antítese e síntese” resolverão o problema para criar o “mundo racional”, onde cada um “se vê no outro”, que provem isso. Os genocídios da Rússia, China e Alemanha Nazista provaram exatamente o contrário.

Se Rousseau defende que o “homem nasce bom, a sociedade o corrompe”, que seus adeptos tragam evidências científicas disso. Pelo que se nota na psicologia evolutiva, vemos exatamente o oposto do que Rousseau alegou.

E assim, sucessivamente, o que deve ser feito, é o escrutínio cético e assertivo de tudo que esses sujeitos alegam.

A nova filosofia foi útil no passado, ao ajudar a derrubar a monarquia. Também foi útil ao ajudar-nos a implementar os princípios do capitalismo, responsável pelo sucesso da civilização ocidental. Mas muitos dos benefícios pararam por aí.

De resto, a nova filosofia, utilizada marotamente, trouxe aumentos assustadores de impostos (ou seja, a recuperação do status quo dos poderosos – se antes tínhamos a monarquia, agora temos os burocratas), aumento da criminalidade e consequente impunidade, além de totalitarismos mais radicais e violentos do que qualquer monarquia do passado.

São motivos de sobra para tornar a nova filosofia objeto do ceticismo.

Sei que pode parecer até petulante, principalmente para adeptos de estudos da filosofia que gostem da nova filosofia, mas porque alegações absurdas devem ficar livres de questionamento? Somente por que foram embutidas dentro de supostos sistemas filosóficos?

Não vejo desta maneira. Uma alegação é uma alegação, e portanto deve ser colocada sob extenso ceticismo, especialmente quando as consequências da aceitação desta alegação são perigosas.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".