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segunda-feira, 26 de março de 2012

O SILÊNCIO DO ABISMO

 

Por e-mail

Dr.Milton Simon Pires

Médico Cardiologista e Intensivista
2º Tenente Médico R2
Reserva da Foça Aérea Brasileira.

Residente em Porto Alegre – RS

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Muito já foi escrito sobre o poder e a sua justificativa. História, filosofia, direito e sociologia vem abordando o tema há séculos e sou daqueles que acreditam que depois de Hannah Arendt e Bertrand de Jouvenel, muito pouco resta a ser dito. O que poderia um simples médico acrescentar sobre o assunto?

Talvez um médico de Porto Alegre devesse escrever sobre o fim do poder de sua classe e denunciar os políticos semianalfabetos e administradores corruptos que tomam decisões de vida ou morte dentro de hospitais superlotados, mas não é este o meu objetivo aqui. Não vou perder tempo denunciando gente que pensa que o “fígado fica do lado esquerdo do abdômen” ou que a “veia aorta é a mais importante do pescoço”. O lugar certo para estas pessoas é Brasília....

O objetivo deste artigo é sustentar que o verdadeiro poder “total” é resultado não daquilo que ele (poder) faz ou diz, mas daquilo que ele não faz e não diz.

Entre 1964 e 1985 o Brasil viveu um período em que as pessoas eram presas, torturadas, desapareciam...enfim sofriam na pele as consequências de uma ditadura militar. Não há dúvida da força daquele regime e do seu controle sobre a vida privada do cidadão, mas mesmo assim eu sustento que aquele não era um poder total. Tenho, nas minhas recordações de infância, a lembrança do Jornal Nacional entrando no ar todas as noites às 20 horas. Inúmeras foram as vezes que eu assisti um general, brigadeiro, ou almirante dando explicações sobre a situação política do país e justificando medidas de força. Isto mesmo, a ditadura se justificava! Simples ou complexas, verdadeiras ou falsas, com repercussão ou sem, sempre havia explicações sobre a inflação, prisões, atos institucionais... Havia a Revista Cruzeiro, a Manchete, gente como Chico, Caetano, Gil, e jornalistas como Vladimir Herzog que cobravam e estimulavam toda uma sociedade a buscar explicações. Daí decorre que por mais cruel que fosse, o poder nunca foi total. Sua capacidade de se justificar se esgotou e ele chegou ao seu fim.

Entre 1985 e hoje decorreram 26 anos. O que aconteceu neste meio tempo? Colégios particulares (com mensalidade cara) em Porto Alegre, têm cocaína oferecida para os estudantes quase em suas portas. Nossas filhas apreendem (as vezes com 3 anos de idade) a “dança da garrafa”. Nossos filhos tem que aceitar a ideia de que ser homossexual é uma opção, que Deus não existe, que de fato vagas para afrodescendentes são justas, que a Terra está aquecendo e que jamais deverá ser cobrado qualquer tipo de atendimento médico no sistema público.

Sem entrar no mérito destas questões, faço apenas uma observação - não é mais possível discordar destas ideias sem ser considerado um reacionário ou ser acusado de querer a ditadura de volta. Este é na minha opinião o verdadeiro poder total. Um poder que não precisa mais justificativa por que já não tem mais adversários que possam ser levados a sério. O poder aprendeu com Hannah Arendt que seu maior inimigo é o deboche e sua maior arma a risada. Ele próprio passou a ridicularizar seus adversários como sendo anacrônicos usando categorias do pensamento invariavelmente ligadas ao marxismo ou a psicanálise. O poder sustenta que, sendo democrático, sempre se justifica e a ética parece ter se tornado, como diria Jorge Luís Borges, um ramo da estatística. Não contestamos mais o poder do Estado já que este parece ser definitivamente o melhor Estado possível e, como eu escrevi em outro texto, substituímos verdade por consenso. O sonho, segundo o poder não acabou, ele se realizou através da democracia.

Todas estas transformações vem ocorrendo de forma lenta, irreversível e, acreditem ou não, planejada. A sociedade inteira parece vítima de uma paralisia moral e é impossível deixar de lembrar Maquiavel com seu aviso: quando as coisas mais graves são percebidas pelas pessoas mais simples, já é tarde demais.

Sobre tudo que escrevi aqui decorre uma conclusão que me parece inevitável: ou não é verdade e vai ser (publicado ou não) esquecido; ou é verdade, e neste caso caminhamos todos nós rumo ao abismo..um abismo sem algemas, torturas, prisões ou desaparecimentos. Um abismo sem censura, mas preenchido pelo mais angustiante, absoluto, covarde, e devastador silêncio.

Para o pai,

setembro de 2011 – dez anos depois do ataque.

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".