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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A AGONIA DA SOCIAL-DEMOCRACIA

NIVALDO CORDEIRO

05/11/2011

O desesperado gesto do primeiro-ministro grego de remeter o “pacote” europeu a referendo plebiscitário precisa ser compreendido. Há grandes equívocos teóricos sobre a questão da democracia. Esta não é regime político, é mero instrumento de escolha de dirigentes. A radicalização que grupos de esquerda querem fazer do instrumento democrático de escolha de dirigentes é um engodo, por ser inexeqüível. Só um tem sido o regime de governo: o misto, que combina a democracia na escolha dos dirigentes (e parlamentares) e a aristocracia, representada pelos dirigentes escolhidos e pela burocracia permanente, herdeira legítima da aristocracia de sangue de tempos passados.

O espetáculo eleitoral virou fetiche que obscurece mais das vezes a visão do observador. O gesto do primeiro-ministro grego representou a recusa da elite grega a cumprir o seu papel, de fazer as escolhas difíceis e pô-las em funcionamento. Claro está que a sociedade grega tem vivido além de suas posses e cabe aos seus governantes fazer a adequação. Não se venha dizer que é uma imposição desde fora, que é mesmo. Mas essa imposição não é arbitrária, está fundada na lei da escassez, que não tem como ser ignorada. É preciso adequar as despesas à receita e o diktat da União Européia é apenas o epifenômeno do dikat da natureza.

O fato é que o Estado moderno não superou a aristocracia. Apenas a camuflou. Governantes covardes que fogem a seus deveres são expulsos. As grandes decisões não são tomadas nas urnas, mas pela pequena elite dirigente, própria de qualquer tipo de sociedade. A aristocracia persiste no funcionalismo público e na classe política. O preconceito democrático está tão esparramado que as pessoas não se dão conta da natureza do poder, que é sempre concentrado e personalista. Poder é indelegável e se exige dos dirigentes que tomem as necessárias decisões.

A agonia da social-democracia nos permite a observação do drama político nas suas minudências, em espetáculo a olho nu. O pressuposto da social-democracia é que a dívida pública e os impostos devem subir continuamente. Ocorre que esses limites foram esgotados em praticamente todos os países. Essa é a origem da crise atual, que só será superada com a superação do modelo social-democrata. Nos EUA temos o Tea Party, que tem plena consciência dessa realidade e luta pela superação da forma socialista de conduzir o Estado. Na Europa não existe força equivalente, politicamente organizada. Então o continente europeu viverá um período bem mais prolongado de crise, porque não sabe onde fica a maçaneta da porta a ser aberta.

A forma aristocrática é a única capaz de impor racionalidade ao Estado e ela persiste mesmo na ordem democrática, dando origem ao regime misto. Essa é a realidade política. O gesto do primeiro-ministro grego provou que da elite se espera que seja elite. Esta não pode renunciar à sua missão.


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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
Cuidado com seus pensamentos: eles se transformam em palavras. Cuidado com suas palavras: elas se transformam em ação. Cuidado com suas ações: elas se transformam em hábitos. Cuidado com seus atos: eles moldam seu caráter.
Cuidado com seu caráter: ele controla seu destino.
A perversão da retórica, que falseia a lógica e os fatos para vencer o adversário em luta desleal, denomina-se erística. Se a retórica apenas simplifica e embeleza os argumentos para torná-los atraentes, a erística vai além: embeleza com falsos atrativos a falta de argumentos.
‎"O que me leva ao conservadorismo é a pesquisa e a investigação da realidade. Como eu não gosto de futebol, não gosto de pagode, não gosto de axé music, não gosto de carnaval, não fumo maconha e considero o PT ilegal, posso dizer que não me considero brasileiro - ao contrário da maioria desses estúpidos que conheço, que afirma ter orgulho disso". (José Octavio Dettmann)
" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".