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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cantos de sereia após a morte de “Cano”

MÍDIA SEM MÁSCARA

Uns poucos pretendem romper a unanimidade anti-FARC. Carlos Lozano, diretor do semanário comunista Voz, trata de vender a idéia de que a morte de Alfonso Cano não tem nenhuma importância. “Eles (as FARC) têm sua capacidade de adaptar-se a qualquer circunstância trágica”, assegura.

O ocorrido neste 4 de novembro nas selvas do Cauca, entre Suárez e Mondomo, mostra uma vez mais o caráter errado da hipótese acerca do “conflito armado” colombiano. Onde estão os blocos sociais, políticos e militares que reivindicam a legitimidade do campo de Alfonso Cano? Salvo o minúsculo grupo de extremistas de sempre, que saiu a dizer que a morte de Alfonso Cano é algo “insensato” e “incrível”, ninguém mais lamenta a morte em combate desse implacável verdugo comunista.
Pelo contrário, desta vez são muito mais numerosas as vozes dos que pedem que, após a morte de Alfonso Cano o país avance para uma desmobilização real das FARC, do que as que exigem ir à uma “negociação”, leia-se capitulação ante elas. Em outras ocasiões, quando a Força Pública deu morte a altos chefes das FARC, os clamores em favor de uma “saída negociada” com os terroristas chegaram a eclipsar os dos que viam a derrota militar do narcoterrorismo como a única opção razoável. A tendência errada, 24 horas depois da morte do número um das FARC, parece haver perdido terreno.
Digo isto depois de analisar umas vinte declarações de personalidades políticas, intelectuais e religiosas do país. Pela primeira vez, o conceito de “desmobilização das FARC”, ocupa um espaço maior, enquanto que a noção de “saída negociada com as FARC” é deixada para trás. Essa tendência mudará de sentido nos próximos dias? Isso me parece impossível.
Em todo caso, a morte de Alfonso Cano é vista não somente com enorme alívio pelos colombianos e suas autoridades, senão como o começo de um desenlace lógico de uma situação de guerra criada por outros e que sempre careceu de sentido.
A morte do chefe das FARC gera - e isso é apreciável nos meios de informação consultáveis - um forte e vasto sentimento de agradecimento popular que atravessa todas as classes, grupo e camadas sociais, para com as Forças Militares, seus soldados e seus oficiais, para com o Governo de Juan Manuel Santos e, sobretudo, para com o ex-presidente Álvaro Uribe que continua sendo visto, com justa razão, como o forjador de uma linha política de inflexibilidade e combate sem trégua contra o terrorismo, que mostrou ontem de novo sua eficácia.
Entretanto, uns poucos pretendem romper a unanimidade anti-FARC. Carlos Lozano, diretor do semanário comunista Voz, trata de vender a idéia de que a morte de Alfonso Cano não tem nenhuma importância. “Eles (as FARC) têm sua capacidade de adaptar-se a qualquer circunstância trágica”, assegura. Para ele, a morte de Cano “não soluciona o problema da violência na Colômbia” (Radio Caracol, 4 de novembro de 2011). Ao contrário, essa morte, segundo esse chefe do Partido Comunista Colombiano (PCC), “prolongará o conflito de maneira definitiva”. O que deve-se concluir de semelhante cadeia de sofismas? Que as Forças Militares cometeram um crime ao dar baixa ao perigoso chefe terrorista, que melhor era haver-lhe deixado livre.
Cego e impiedoso, Carlos Lozano pretende interromper a onda de deserções que poderia desatar agora e aspira a que os homens e mulheres das FARC continuem matando e se deixando matar por uma causa que não tem futuro. Por isso, desde sua cômoda posição em Bogotá, e embora diga estar trabalhando “pela paz”, Lozano decreta a continuação da guerra. Lozano vai mais longe: pede ao Governo de Juan Manuel Santos que se lance a procurar uma “solução política negociada” com as FARC, como se a sociedade colombiana estivesse à beira do colapso e como se o Exército estivesse a ponto de perder a guerra.
Como esse não é o caso, a proposta do PCC da “solução política negociada” é absurda e seria tremendamente injusta, pois essa “solução” implica chegar a extremos muito ingratos: a deixar sem castigo a chefatura terrorista, a abrir as portas da sociedade, do Governo e do Parlamento aos que destruíram a vida, a paz e a prosperidade durante meio século, deixar na impunidade seus crimes horríveis e, finalmente, planejar com eles uma nova Constituição. O leitor imagina a “Constituição” que poderia sair desse abjeto conchavo? Mas tem algo mais. Essa “saída negociada” inclui dois outros pactos secretos: re-escrever a história desde o ponto de vista fariano e levar à emboscada judicial e ao cárcere os heróis que libertaram o país de gentes como Tirofijo, Martín Caballero, Jojoy e Alfonso Cano, entre outros. Pois o que os do M-19 conseguiram fazer até hoje contra os heróis militares que recuperaram o Palácio da Justiça e frustraram o golpe de Estado narco-terrorista, teria que ter, segundo esse bando, uma continuidade.
Carlos Lozano está só em seu clamor, mas encontrou em Gustavo Petro um aliado de última hora nisso da “saída negociada”, pois não é outra coisa a que está propondo o prefeito eleito de Bogotá. Gustavo Petro disse, com efeito, que “as vias do diálogo são as únicas possíveis na Colômbia” (El Espectador, 4 de dezembro de 2011). Em vez de exigir às FARC, como quase todo o mundo, a desmobilização, ele propõe àquelas e ao Governo insistir no “diálogo”. Sua frase acerca de que “o caminho da guerra só deixou quilômetros de tumbas” é hipócrita: com ela procura culpabilizar o Governo e, secundariamente, as FARC. Petro estima, além disso, que esse “diálogo” poderia culminar em uma nova Constituição: “A paz nos deu a Constituição de 91 e a opção da democracia”. A complementaridade entre a tese de Carlos Lozano e a de Gustavo Petro não pode ser mais evidente.
O governo, os partidos e a sociedade não deveriam permitir que o triunfo contra Alfonso Cano se converta em alavanca para fortalecer o discurso da capitulação ante o terrorismo. Alguns tratam de fazer isso. A agência ANNCOL, porta-voz das FARC, acaba de lançar uma nova impostura: que Alfonso Cano “morreu reivindicando a solução política”. Um refrão idêntico essa gente lançou quando Raúl Reyes foi abatido no Equador. Ele estava, disseram, “a ponto” de negociar a paz e de libertar Ingrid Betancur. O de agora é a mesma receita. Fazem isso pois pretendem que Cano, como os outros chefes das FARC, seja lembrado como um homem “de paz”, não como o imenso criminoso que foi.
Cano nunca fez gestos de paz. Onde estão os seqüestrados que libertou? Quando ordenou que não atacassem nem seqüestrassem indígenas nem outros civis? Ninguém lembra de um só ato de boa vontade. Ninguém poderá esquecer sua ameaça de dividir a Colômbia em duas, após o fracasso dos diálogos do Caguán, nem seu tenebroso “Plano Renascer”, nem suas ordens para infiltrar a justiça, nem seu costume de plantar minas em caminhos e veredas e até em escolas públicas, nem o traiçoeiro assassinato do major Félix Jaimes Villamil, comandante da Polícia rodoviária de Antioquia. Ninguém esquecerá dos ataques ao poliduto de Petronorte em Teorama, Norte de Santander, nem os dez militares assassinados recentemente em Fortul, Arauca, nem a emboscada em Tumaco onde mataram outros 10 militares em 21 de outubro passado, nem o seqüestro da menina Nhora Valentina Muñoz, de 10 anos, filha do prefeito de Fortul, nem o sinistro plano pistola contra as eleições regionais. Tudo isso é o que ANNCOL chama, na linguagem tarimbada do comunismo, de “reclamar uma saída política ao conflito”.

Tradução: Graça Salgueiro

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A teoria marxista da “ideologia de classe” não tem pé nem cabeça. Ou a ideologia do sujeito traduz necessariamente os interesses da classe a que ele pertence, ou ele está livre para tornar-se advogado de alguma outra classe. Na primeira hipótese, jamais surgiria um comunista entre os burgueses e Karl Marx jamais teria sido Karl Marx. Na segunda, não há vínculo entre a ideologia e a condição social do indivíduo e não há portanto ideologia de classe: há apenas a ideologia pessoal que cada um atribui à classe com que simpatiza, construindo depois, por mera inversão dessa fantasia, a suposta ideologia da classe adversária. Uma teoria que pode ser demolida em sete linhas não vale cinco, mas com base nela já se matou tanta gente, já se destruiu tanto patrimônio da humanidade e sobretudo já se gastou tanto dinheiro em subsídios universitários, que é preciso continuar a fingir que se acredita nela, para não admitir o vexame. Olavo de Carvalho, íntegra aqui.
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" Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. " Citação de Olavo de Carvalho em "Virtudes nacionais".